Ler Cão Real. – Capítulo 35 Online
Na manhã seguinte.
A chuva que caiu no dia anterior havia cessado por completo, dando lugar a um céu límpido e a um sol dourado.
Ao abrir os olhos com o som dos passarinhos cantando, Hayul percebeu imediatamente: o período de cio, que parecia uma maldição, havia terminado. Ele podia sentir isso claramente, não apenas por intuição, mas pelo estado do seu próprio corpo.
O calor suave e a letargia que o invadiam todas as manhãs ao acordar, nos últimos dias, haviam desaparecido. Já não havia aquele incômodo miserável de acordar com a bunda molhada por causa da lubrificação. Embora o corpo ainda doesse por ter sido explorado até o limite no dia anterior, sua mente estava clara.
Hayul jogou o cobertor de lado e se levantou de repente. Estava completamente nu debaixo das cobertas, então vestiu às pressas um roupão de seda e se aproximou da janela, abrindo-a de par em par. Inspirou fundo o ar fresco e límpido até encher os pulmões. Tudo ao redor parecia radiante.
‘Este lugar era tão bonito assim?’
Era certo. O ciclo de calor havia terminado. Seu corpo tinha voltado ao estado normal. A maldição que parecia que nunca terminaria havia finalmente chegado ao fim.
— Acordou?
A porta se abriu, e a voz familiar de Pavel soou. Hayul se virou com o rosto sereno, pronto para sorrir. Queria dizer-lhe com orgulho que aqueles dias miseráveis tinham acabado. Iria declarar com confiança que ele havia voltado a ser seu antigo eu. Dirigiu a palavra a Pavel, que se aproximava sorrindo.
— Ei, Pavel.
— Hm?
O homem respondeu alegremente, acariciando a bochecha de Hayul e beijando sua testa.
— Parece que seu ciclo de calor terminou. O aroma está mais suave.
— É mesmo.
Hayul sorriu ao dizer isso. Parece que Pável também tinha percebido. Dos dedos brancos que acariciavam sua face e suas têmporas, emanava um aroma doce e cítrico, como toranja fresca.
Um perfume que combinava perfeitamente com aquele dia claro e ensolarado. Mas ainda era aquele maldito feromônio. Assim que inalou, seu estômago revirou. E no momento em que os lábios do homem tocaram sua pele, automaticamente sua parte inferior ficou quente e molhada. Como não estava usando nada por baixo, sentiu suas coxas ficarem úmidas.
Era desesperador. Seu rosto se contorceu em frustração.
— Pensou que, quando o ciclo terminasse, voltaria a ser exatamente como antes?
Parecia até que Pavel lia seus pensamentos. Murmurando isso, ele beijou-lhe a bochecha e o abraçou pela cintura. Ele acariciou suavemente a curva da cintura e depois moveu a mão para baixo, vasculhando por entre a fenda do roupão de seda que ia até abaixo das coxas. Enfiou a mão entre as nádegas, e apalpou a parte de trás molhada. As pernas de Hayul se tensionaram, os calcanhares se ergueram.
Junto com uma sensação de prazer aguda, mais fluido quente escorreu de trás, molhando a mão de Pavel que a apalpava.
— Droga…
— O hyung agora é um ômega.
— Isso não pode ser.
Ele tentou negar, mas seu corpo estava dizendo que sim. Era uma característica de um ômega, isso era óbvio para qualquer um. Pável enterrou o rosto no pescoço de Hayul enquanto explorava o buraco com os dedos. De acordo com o movimento dos dedos, a parte de trás se contraiu e se abriu, fazendo mais fluido quente escorrer e molhar suas coxas.
— É um ômega, eu disse. Meu ômega.
Ele sussurrou, colando os lábios em sua nuca, mordiscando-lhe a pele, Pavel também mexeu os lábios e mordeu a carne do pescoço do outro. O que antes parecia libertador tornou-se um abismo. Hayul havia esperado tanto pelo fim do ciclo, acreditando que, quando terminasse, tudo voltaria ao normal. Afinal, ele nunca tinha ouvido falar de um sub beta se transformando em um ômega.
‘Isso não pode estar acontecendo.’
Ele tentou negar veementemente mais uma vez. Para confirmar uma mudança assim, era preciso passar por um exame preciso no sistema de compatibilidade.
— Me solta.
Hayul empurrou a cabeça de Pavel, que estava grudado, chupando seu pescoço. Como esperado, foi inútil. Aquele homem não ouvia ninguém. Então Hayul acabou acertando um golpe na cabeça dele.
De repente, ele ergueu a cabeça e agarrou com força o punho de Hayul, que havia acabado de dar um tapa em sua cabeça, com uma força esmagadora. Pelo jeito fechado da expressão, parecia irritado.
— Hyung, você precisa parar com esse hábito de bater.
— E por quê? Ficou de mau humor só porque levou um tapa na cabeça? Então imagina eu, como é que eu deveria estar?
A mão de Pavel, que segurava seu pulso, apertou com mais força. Doía, mas Hayul fez de tudo para não demonstrar. Com o rosto contraído e as bochechas tremendo, manteve os olhos fixos nos olhos azuis do outro sem piscar.
— Ontem parecia que ia morrer, e hoje já acorda cheio de energia, hmm.
Pavel riu primeiro, curvando os lábios, e em seguida roubou um beijo na ponta do nariz de Hayul, que continuava o encarando de cara fechada.
— Solte a minha mão.
— Se prometer que não vai me bater de novo. Levar tapas o tempo todo também me dói muito, hyung.
‘Olha só que descarado, bancando o coitado…’
Aquilo era incrédulo. Mas sabia que, se não prometesse, o outro continuaria sorrindo e o provocando sem parar.
— …Tudo bem, não vou bater. Agora me solta.
Só então Pavel abriu a mão. A marca vermelha já estampada no punho de Hayul ardeu. Enquanto massageava o local, xingou o outro mentalmente: Filho da puta bruto. Pavel observou calmamente a parte inferior do corpo de Hayul. O roupão de seda estava aberto, expondo tudo, e a visão era bem agradável: o membro ereto pela mistura da ereção matinal e da influência dos feromônios alfa, escorrendo líquido; as coxas úmidas; o abdômen, quadris e pernas cobertos de marcas vermelhas deixadas pelas mordidas e carícias da noite anterior. Apesar de não ser a primeira ou segunda vez que via essa cena, os olhos azuis de Pavel brilharam. O interior do quarto, que antes estava cheio do ar fresco da manhã, agora estava impregnado com o aroma doce e quente dos feromônios do homem.
— Desde de manhã já está exalando um aroma forte.
Ele esticou a mão para baixo, mas Hayul bateu nela com força e fechou o roupão às pressas, amarrando firme o cordão.
— Seu aroma chega até o primeiro andar, hyung. Os alfas daqui estão todos tomando neutralizantes por sua causa. Esse cheiro é tão forte… o que você vai fazer? Eu fico preocupado.
Hayul arregalou os olhos, surpreso. Não fazia ideia, já tinha ouvido que os feromônios de um ômega no ciclo de calor eram tão intensos que até alfas a quilômetros de distância podiam senti-los, mas nunca pensou que aquilo pudesse se aplicar a ele.
— E você? Também está tomando remédio?
— Por que eu tomaria? Eu posso simplesmente ‘comer’ o hyung.
Ele respondeu de forma alegre e descontraída, com um belo sorriso. Pável tinha o dom de dizer absurdos com elegância e classe.
— Ei…
— Me chame pelo nome.
— Ei, não é preciso fazer exame detalhado no sistema de compatibilidade para determinar se virei mesmo ômega?
— Só vou responder se você me chamar pelo nome.
Hayul estreitou os olhos, incrédulo. O brutamontes, de pé a sua frente, insistia feito criança, com as mãos enfiadas nos bolsos da calça, exigindo que fosse chamado.
— Pavel Kirov.
— Hm.
— Então… eu virei mesmo um ômega ou não?
— Primeiro tome o remédio, depois a gente conversa.
Mal ele havia começado a falar, e o homem já o interrompeu. Esse desgraçado, sério mesmo… Ele tirou do bolso da calça um pequeno envelope com algumas pílulas e o entregou a Hayul.
— Não me diga que isso é droga.
A ideia parecia absurda – ele sabia que Pavel não fumava nem bebia –, mas perguntou mesmo assim.
— É um inibidor de feromônio.
O rosto de Hayul se contraiu de desgosto.
— O quê? E por que eu tenho que tomar isso?
— Agora que o hyung é um ômega, precisa tomar. Pense nisso como uma medicação de manutenção que deve ser tomada todos os dias, sem falta.
— Escute o que estou dizendo, quem pode afirmar que sofri uma mutação para ômega? Até o Doutor Wilson disse que não tinha certeza!
— Eu.
A resposta foi direta. E ele logo acrescentou em tom firme:
— Eu tenho certeza.
A postura ereta transmitia confiança. Mil pensamentos rodavam na mente de Hayul, mas ele acabou não dizendo nada. Desistiu de dialogar. Sempre que tentava conversar com aquele maldito louco, era ele quem terminava explodindo de frustração.
— Vamos começar pelo remédio.
Pavel sorriu ao estender o envelope com os comprimidos, mas Hayul pegou e o atirou no chão. O homem apenas moveu os olhos e lançou uma olhada rápida para o pacote caído.
— Não preciso disso.
Era a última ponta de orgulho que lhe restava. Se tomasse aquilo, seria como admitir de uma vez por todas que havia se tornado um ômega.
— Você realmente não ouve. Mas acho que esse é o seu charme.
Disse isso em tom tranquilo, curvou-se e pegou o envelope no chão. Em seguida, abriu a garrafa de água que estava sobre a mesa e desrosqueou a tampa. Encheu a boca com um gole d’água, inclinou a cabeça para trás, rasgou o envelope e despejou os comprimidos na própria boca. Antes que Hayul entendesse o que estava acontecendo, Pavel o puxou com força e colou seus lábios nos dele. De repente, a água morna escorreu para dentro de sua boca aberta – junto com ela, os comprimidos que Pavel havia despejado em sua própria boca. Com o pescoço forçado para trás, Hayul acabou deglutindo, sem querer, tanto a água quanto o remédio.
— Bom garoto.
Pavel se afastou, tocando de leve a bochecha dele que se contraía com raiva. ‘Maldito.’ Hayul fechou o punho e socou com força o peito dele.
— Ai, isso dói.
A voz soava como quem assiste a uma criança fazendo birra, nada de sofrimento real. Sorriu. Furioso, Hayul socou de novo a boca do estômago dele e o empurrou, dessa vez, Pavel recuou sem resistência.
— A partir de amanhã, vai tomar o remédio direitinho, por conta própria, certo?
— Ei! Para com essa voz de deboche!
— Se não tomar, eu te amarro e faço você engolir à força.
Ele limpou o canto da boca molhado e ergueu o dedo médio. Mesmo sendo xingado, Pavel apenas riu.
— Vá tomar um banho e venha. Temos um lugar para ir.
— Vai à merda!
— Vamos ao Sistema de Compatibilidade. Como meu hyung mesmo disse, precisamos fazer um exame detalhado.
Hayul ficou parado, sem reação, piscando os olhos, sem palavras. Ele havia dito que queria fazer um exame detalhado, mas não imaginava que seria para ir imediatamente.
— O que foi? Não consegue se lavar sozinho? Quer que eu dê banho em você?
Com aquele sorriso irritante, Pavel o provocou. Hayul, furioso, correu para o banheiro e trancou a porta, tirou o roupão e começou a se lavar. Conforme a água escorria, o calor que queimava sua parte inferior do corpo foi diminuindo. A sensação de calor no baixo-ventre desapareceu como se nunca tivesse existido.
Devia ser efeito do neutralizador que Pavel o obrigou a engolir. Um neutralizador de feromônio, daqueles que apenas ômegas tomavam. Se realmente tivesse se transformado por completo em um ômega… o que seria dele?
— Ah… que merda.
Um sentimento esmagador de autodepreciação tomou conta dele de repente. Hayul ficou um tempo parado, suspirando fundo sob o jato de água.
***
No escritório da filial de Nova York do sistema de compatibilidade, todos os funcionários ficaram paralisados. Era como se terroristas tivessem invadido o local. Seus rostos estavam pálidos, e eles mal conseguiam respirar.
E não era para menos: homens enormes, parecendo ursos-pardos, tinham invadido de repente. Eram russos que não falavam uma palavra de inglês e estavam armados. Primeiro ocuparam todo o escritório, neutralizando qualquer ameaça, só então Pavel entrou, trazendo Hayul consigo.
Pavel caminhou até o funcionário de mais alto cargo presente, que tremia de medo, prestes a desmaiar.
— Senhor Tayson?
Pavel leu o crachá no uniforme do homem e chamou-o pelo nome.
— S-sim, sim!
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Continua…
Ler Cão Real. Yaoi Mangá Online
(Do mesmo universo de: Noite De Caça.)
O telefone tocou em uma noite chuvosa.
Do outro lado do aparelho flui a voz de um homem que carinhosamente chama Hayul de ‘Rosie’.
[Você não sente minha falta? Eu estou quase enlouquecendo de tanta saudade.]
A ligação vinha de um número desconhecido, mas a voz de alguma forma era bastante familiar.
[Espere, irei ver você em breve.]
‘Agora me lembro dessa voz. A única pessoa que me chama de ‘Rosie’ – Pavel Yates Headington, o homem que eu matei sete anos atrás.’
***
A história de como um (Cão real) que cortou sua coleira e mordeu o dono antes de fugir, se tornou uma (Noiva real.)
Nome alternativo: Royal Dog