Ler Cão Real. – Capítulo 33 Online

Modo Claro

A imagem de Pavel rolando escada abaixo voltou à mente. O corpo dele caído, imóvel coberto de sangue. Hayul acreditava que ele estava morto. Apesar de ter sido um acidente, pensou que ele tinha morrido na hora certa. Graças a isso, pôde se libertar e fugir.

Não era que nunca tivesse cogitado a possibilidade de ele estar vivo. Mas sempre que esse pensamento surgia, sacudia rapidamente a cabeça para afastá-lo. ‘Não, ele está morto. Está com certeza morto bem. Eu o matei’. Às vezes caía na risada sozinho, logo depois agarrava à própria cabeça, tremendo descontroladamente. Passava noites inteiras tremendo e chorando, sem conseguir dormir.

Quando finalmente adormecia profundamente sob os cobertores, era atormentado por pesadelos. Sonhava com Pavel, coberto de sangue, levantando-se de repente e vindo em sua direção para enforcá-lo.

Conforme seu desejo, ele se libertou da vida no Cão Real e agarrou a liberdade, mas não era nada feliz. Um assassinato acidental, seu primeiro, e de repente ele se tornou um assassino, sua vida mudou 180 graus. Era como um inferno diferente, mas com o tempo, as chamas do inferno que queimavam seu corpo violentamente perderam temperatura, e ele ficou insensível à dor. Ele se manteve deliberadamente ocupado, vivendo freneticamente.

Assim se passaram sete anos. A culpa que antes lhe rasgava o corpo inteiro foi se diluindo, até que começou a matar de novo. Toda vez que pegava o rifle de precisão e matava os Alfas Reais capturados em sua mira, ele se lembrava de Pavel. As lembranças relacionadas a Pavel Headington eram como uma cicatriz de queimadura que nunca desapareceria, nem com a morte. Sempre que pensava tê-las esquecido, o ardor latejante dentro do peito voltava, puxando as memórias dolorosas. Era uma cicatriz que nunca sumiria, mesmo se cortada com uma faca.

Tudo que dizia respeito a Pavel tinha sido a primeira vez para Hayul.

Foi a primeira vez que se envolveu com um Alfa Real. A primeira vez que trabalhou como secretário, e o patrão enlouquecido o chamou pelo nome de um cachorro morto. Também foi a primeira vez que teve o pau de um homem na boca, e que, enquanto fazia isso, percebeu o próprio corpo reagir com uma excitação real. Foi a primeira vez que rolou em uma cama imensa e mergulhou em uma banheira com água quente jorrando sem parar. Também foi a primeira vez que vestiu roupas tão caras que tinha receio até de tocar nelas, e que se sentou a uma mesa de mármore colossal para jantar lado a lado com um Alfa Real.

Nunca tinha odiado alguém daquele jeito, nem ficado tão hipnotizado a ponto de não conseguir desviar o olhar. Nunca havia se deixado fascinar tão puramente pela beleza impecável de alguém, nem rido tanto por causa de uma única pessoa. E nunca tinha se enfurecido a ponto de perder totalmente o controle.

E foi a primeira vez que matou uma pessoa.

Como Pavel disse, parecia um sonho.

Aquele homem que jurava ter matado, aquele fantasma que o perseguia em pesadelos, estava agora sentado ao seu lado, olhando fixamente para ele. O mesmo olhar de antes. Não, era um olhar ainda mais descarado do que antes. Como se já não estivesse suficientemente molhado, outro fluxo quente de lubrificação desceu, seu interior também se contorceu.

‘Droga. Para de me olhar assim.’

Daqueles olhos azuis parecia emanar um feromônio invisível.

— Mas não se preocupe. Agora eu definitivamente não vou falhar.

Sem olhar para Pavel, Hayul apenas encarou o jardim à distância, abrindo e fechando os punhos. Ele também moveu os dedos como se estivesse puxando o gatilho de uma arma.

— Você quer tanto assim me matar?

— É claro.

— Por que você quer me matar?

Ele odiava o bastardo. Era insuportável. Um homem que queria controlar os outros como bem entendesse, que o torturava, que o privava da liberdade, que o prendia com uma coleira invisível, e o esmagava com opressão.

— Porque eu te odeio.

Hayul olhou diretamente para Pavel e cuspiu apenas essas palavras. Ao encarar aquele rosto de frente, suas emoções se intensificaram e seus lábios tremeram. As palavras jorraram.

— Minha vida era uma merda, mas de alguma forma eu estava indo do meu jeito. Mas quando você apareceu, minha vida pacífica virou um completo caos. Se você não tivesse se metido, minha vida teria seguido, de algum jeito.

Trabalharia como barman em um boteco de favela, limparia o vômito dos bêbados, faria pequenos furtos, daria risada de piadas sem graça junto com outros miseráveis. No inverno, viveria numa casa sem água quente direito, mas envelheceria assim, levando a vida como desse.

— Foi por sua causa.

Com a intrusão abrupta de Pavel Headington, a vida de Hayul foi virada de cabeça para baixo. Aquela vida simples, relativamente plana, foi destruída em um instante.

Hayul nunca quis aquela mudança. Tudo relacionado a Pavel tinha sido uma primeira vez, mas aquela transformação repentina também era inédita. E Tudo aquilo era algo que ele não queria. Ter matado Pavel, ter fugido e se escondido nos Estados Unidos após matar o bastardo, passado a viver uma nova vida como Sean Ringer por causa daquele incidente, e acabado trabalhando como assassino para uma organização mafiosa, sobrevivendo à base de mortes – nada daquilo tinha sido escolha dele.

Cada vez que abatia um Alfa Real designado como alvo, Hayul repetia para si mesmo: Não sou eu quem quer fazer isso. Tudo isso é por causa do Pavel.

Mesmo sentado entre as pernas de Marco, chupando o pau dele, sempre murmurava em silêncio: Se eu não tivesse conhecido o Pavel, minha vida não teria chegado a esse ponto. O ódio e a sede de sangue que sentia por ele eram mais do que justificados.

— Por sua culpa, tudo virou uma bagunça…

Mas afinal, que vida era mais miserável? Aquela vida vivendo na favela, sem ser tratado como um ser humano? Ou a vida que levava trancado como um sapo num poço, sem progresso, apenas passando o tempo?

— Então, hyung, você viveu feliz depois que eu morri?

Diferente de Hayul, que elevava a voz até as veias do pescoço saltarem, Pavel perguntou rindo calmamente.

— A sua vida antes de me conhecer era feliz?

Foi como levar uma pancada forte na cara. O bastardo tinha um talento nato para calar a boca dos outros.

Hayul acreditava que tinha vivido intensamente, lutando para sobreviver. Nunca se arriscava, porque risco era sinônimo de perigo. Em vez de tentar coisas novas, ficava preso ao círculo estreito que ele mesmo havia construído, girando como um hamster em sua roda, repetindo dias iguais.

‘Será que aquela vida era mesmo feliz, Jin Hayul? Será que uma existência em que apenas se acomodava na realidade e sobrevivia penosamente podia ser chamada de boa?’

— Eu não era nem um pouco feliz.

Pavel admitiu com clareza que não era nada feliz no passado.

— Depois que conheci o hyung, cada dia se tornou divertido. Porque o hyung era como uma bola de borracha que eu não sabia para onde pularia. A Rosie, que eu criei com todo meu amor, era uma garota obediente e leal. Mas o hyung não se deixava treinar de jeito nenhum. Não importava o quanto eu tentasse.

Que absurdo. A própria ideia de transformar uma pessoa em um cachorro obediente já era podre.

— Pessoas não são cães.

— Está enganado. Todos os outros se submetiam a mim. Se eu decidisse domá-las, todas mostravam uma atitude amigável para comigo. Mas o hyung… era diferente, era fascinante. Quando eu pensava que o havia domado, você sempre escapava. Achava que tinha chegado a um limite, e então você saltava em outra direção. Depois que o trouxe como meu servo, passar tempo em casa se tornou algo que eu aguardava ansiosamente. Se possível, eu até teria levado o hyung para a escola comigo.

— Porra, você queria que eu te chupasse durante a aula?

— Não vou negar que pensei nisso.

— Hah, seu pervertido… — Hayul riu, incrédulo, soltando um escárnio.

— Mas eu não suportava a ideia de deixar que outros homens vissem o hyung. E você também odiaria isso.

— Ah, claro. Obrigado pela consideração de merda.

— Mesmo trancado em uma cela solitária no hospital psiquiátrico, eu só pensava em você. Eu me arrependi e refleti também. Por que não percebi antes? Aquele sentimento de felicidade que eu sentia todos os dias… Por que não entendi o que era? Nunca tinha sentido algo assim, por isso não reconheci.

O sorriso nos lábios de Pavel se aprofundou. Ele falava demais. Ele era tão tagarela assim? Como um prisioneiro que viveu trancado a vida toda e finalmente sai, conversando com pessoas, ele despejava palavras sem parar.

— Achei que fosse só curiosidade. Mas na verdade, desde o momento em que te vi pela primeira vez, eu me apaixonei. Foi amor à primeira vista. Então, por que desperdicei meu tempo, reprimindo meus sentimentos em nome da honra do meu pai, me prendendo a um voto de castidade? Eu deveria ter escolhido o hyung desde o início, deveria ter agarrado você, deveria tê-lo tornado meu. E agora, entre esses inúmeros arrependimentos, tomei minha decisão. Desta vez, eu definitivamente não vou deixar você escapar.

A mão branca de Pavel afastou os cabelos de Hayul, grudados em sua testa pela chuva.

— Mesmo que seja ódio, está tudo bem.

Um feromônio perfumado emanou das pontas dos dedos frios dele.

— Não importa se seus sentimentos por mim não são os mesmos que os meus. Apenas fique ao meu lado.

Era uma ordem, não um pedido. Uma ordem carregada por um sussurro suave, embora autoritária. Shhhh… O som da chuva atingiu seus ouvidos. O toque da mão de Pavel, acariciando sua testa, era tão suave que chegava a fazer cócegas. O cabelo de Pavel, penteado com cuidado, suas sobrancelhas escuras e longos cílios também estavam úmidos, como se gotas de chuva tivessem se acumulado neles. Nos olhos azuis dele havia uma umidade pegajosa e calorosa.

Tudo parecia onírico e belo. E, entre tudo aquilo, o mais bonito era o rosto de Pavel. A pele lisa, molhada, brilhava branca e translúcida.

A cidade natal de Hayul era um lugar escuro e úmido, onde mal entrava a luz do sol. Em um mundo cheio apenas de coisas sujas e sombrias, não havia espaço para apreciar a beleza.

Claro, mesmo nos becos da favela com seus prédios antigos e apertados, às vezes o sol brilhava. Quando isso acontecia, as pessoas em Londres iam aos parques para tomar sol, mas os pobres não podiam. Eles tinham que trabalhar dia e noite para sobreviver.

Pavel Headington era como um raio de sol que ele via brilhando entre os prédios a caminho do trabalho. Aquela luz era tão ofuscante que ele mal conseguia olhar. Quando viu o homem pela primeira vez no estádio de canoagem, parecia que a luz do sol brilhava apenas ao redor dele. Até o vento ao redor dele parecia diferente.

Era uma presença bela, deslumbrante – um corpo perfeito com um perfume que fazia girar a cabeça. Mas não devia se deixar enganar. Aquele demônio estendia a mão branca para colocar uma coleira no seu pescoço. Se se deixasse levar, logo estaria preso por correntes e sem possibilidade de fugir.

A vida antes de conhecer Pavel… bem, não parecia feliz. Sua vida mudou ao encontrar Pavel Headington, sim. Mas os dias ao lado do homem foram felizes? E no futuro, haveria felicidade? A resposta era: não.

Hayul afastou com um tapa a mão de Pavel.

— … É isso o que há de mais horrível em você.

As pupilas azuis de Pavel se contraíram levemente.

— Ordenar e usar a força para esmagar, forçando as pessoas a se ajoelharem e se submeterem. Você acha que o mundo inteiro é seu? Acha que pode tomar tudo, não é? O pior dos Alfas Reais é isso: bastardos que nascem com colher de diamante na boca, e abusam desse poder fazendo tudo o que bem entendem. Têm tudo e ainda querem manipular o resto conforme seu gosto.

Enquanto falava, excitou-se ainda mais, e aproximou seu rosto do de Pavel, agarrando a gola dele.

— Sabe? Você me enoja. Ficar ao seu lado? Porra, por que eu deveria ficar ao seu lado? O que tem de bom nisso?

O canto da boca de Pavel se ergueu num sorriso torto.

— Vai fugir de novo então? Vai me deixar sozinho outra vez?

— Não vou fugir covardemente como há sete anos. Vou te matar e seguir meu caminho, porra.

— Matar é bem-vindo…

Pavel murmurou aquilo baixinho enquanto agarrava o pulso de Hayul que segurava sua gola. Algo elétrico inundou através do contato com a pele. O aroma cítrico que até então era agradável explodiu, ganhou uma intensidade tóxica. A sensação que antes era prazerosa virou veneno. O pulso e o antebraço de Hayul tremeram como em uma convulsão.

— Você não vai fugir.

O sorriso desapareceu do rosto de Pavel. Um brilho de loucura afiada pairou em seus olhos azuis, que antes brilhavam gentilmente. Logo quando ele pensou que tinham tido uma conversa decente pela primeira vez em sete anos, o breve momento de diálogo chegou ao fim.

Hayul tremeu e tentou resistir, mas foi inútil. A mão que segurara a gola de Pavel perdeu força. Ele levantou a outra mão, mas essa também foi agarrada. Com as duas mãos presas, não restou força para empurrar; mordeu os lábios e resistiu com tudo o que pôde, encarando Pavel com os olhos arregalados.

O rosto do Alfa se aproximou de repente; suas duas íris azuis dominaram a visão de Hayul.

— Eu nunca vou te soltar. Não posso viver sem você. Passei sete anos sofrendo para ficar ao seu lado.

— …

Isso é problema seu. Quem te pediu para fazer isso? Essas palavras não conseguiram sair de sua boca.

— Se você puder fugir, tente. Eu vou atrás, vou perseguir você até o fim do mundo. Mas nem pense em tentar de verdade. Por precaução comprei correntes grossas e uma gaiola de ferro enorme – não quero usar, mas se precisar, eu vou usar.

— Seu filho da puta…

A boca enfim se abriu. Parecia impossível não xingar. Pavel sorriu e beijou os lábios de Hayul.

— Acha que quando digo que vou te matar é brincadeira? Filho da puta, acha mesmo que eu não consigo te matar?

Enquanto ele falava, os lábios se moviam, e de novo os lábios macios de Pavel se encostaram nos seus. — Merda!— Hayul xingou e virou bruscamente o rosto, mas tornou a falar.

— Você acha que eu vou falhar de novo, como há sete anos? Acha que dessa vez também não vou conseguir? Ha… porra. Para com isso. Você não é um maldito cachorro, então por que gruda lambendo e se esfregando feito um?

Toda vez que Hayul virava o rosto, Pavel o seguia com insistência, beijava o seu rosto com estalos e lambia-lhe o lóbulo da orelha.

— Hah… bom. Gosto de ouvir meu hyung me xingando.

Ao escutar o sussurro enquanto a língua passava por sua orelha, a nuca tensa de Hayul se contraiu. As mãos presas tremeram sem parar, sua respiração estava ofegante. O pescoço se esticava num ângulo forçado, as veias saltadas. Suas costas, sustentando-se para não tombar para trás, também tremiam sem parar.

Os lábios que sussurravam ao pé do ouvido desceram pela linha do pescoço. A língua do homem percorreu lenta e longamente a veia que pulsava, fazendo seus ombros tremerem de forma quase suplicante. Embaixo, tudo já estava encharcado. Como o corpo de Hayul cedia e ameaçava cair para trás, Pavel o envolveu, puxando-o para seu abraço.

O corpo de Hayul, molhado pela umidade fria, estava gelado, então o calor do contato foi bem-vindo. Seu torso estremeceu ofegante com o toque da mão acariciando suas costas.

‘Malditos feromônios. É tudo por causa deles, só podia ser.’

Hayul arfava e repetia isso incontáveis vezes em sua mente. — Ha… haaah…— A cada gemido que escapava involuntário por entre os dentes, ele praguejava mentalmente contra aqueles malditos feromônios. Tinha que ser por causa deles. Caso contrário, não havia explicação para estar excitado assim em uma situação como aquela. Não havia motivo para sua cueca e calça estarem completamente encharcadas.

O outro chupou e mordeu os músculos que se contraíam, como se os estivesse saboreando. Mesmo sem olhar, sem tocar diretamente, sem precisar confirmar, era claro que a parte inferior de Pavel também estava ereta. Os feromônios excitados do bastardo eram tão doces que seu nariz parecia totalmente entorpecido.

— M-me solta… filho da puta.

Hayul ofegou e puxou para trás a parte inferior de seu corpo, que inconscientemente tentava se grudar em Pavel. ‘Ele não vai tentar fazer aqui, vai?’  Lançou um olhar rápido ao redor: os homens de Pavel, atentos, já haviam virado de costas. Mesmo assim, seus ouvidos certamente ainda estavam abertos.

— Isso te incomoda?

Pavel fez um gesto discreto com os olhos em direção aos subordinados virados de costas.

— Me solta. Para de grudar em mim como um cachorro no cio.

— Quem é que está no cio aqui?

A mão, que acariciava suas costas, desceu e ergueu a barra do casaco e agarrou a nádega de Hayul, que não parava de se contorcer. O quadril dele deu um salto involuntário. Ele tentou se debater, mas foi inútil. A mão do bastardo amassou e apalpou a carne da bunda de Hayul sem qualquer pudor. Como a cueca e as calças estavam coladas em sua pele, o toque era sentido de forma crua.

 

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Continua…

 

 

 

Ler Cão Real. Yaoi Mangá Online

(Do mesmo universo de: Noite De Caça.)
 
O telefone tocou em uma noite chuvosa.
Do outro lado do aparelho flui a voz de um homem que carinhosamente chama Hayul de ‘Rosie’.
[Você não sente minha falta? Eu estou quase enlouquecendo de tanta saudade.]
A ligação vinha de um número desconhecido, mas a voz de alguma forma era bastante familiar.
[Espere, irei ver você em breve.]
‘Agora me lembro dessa voz. A única pessoa que me chama de ‘Rosie’ – Pavel Yates Headington, o homem que eu matei sete anos atrás.’
***
A história de como um (Cão real) que cortou sua coleira e mordeu o dono antes de fugir, se tornou uma (Noiva real.)
Nome alternativo: Royal Dog

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