Ler Cão Real. – Capítulo 17 Online
7 anos atrás, Inglaterra.
Quando Hayul saiu do banho, Pavel já estava sentado na cadeira. Hayul não ficou nem um pouco surpreso. Esse filho da mãe nunca bateu na porta antes de entrar, sempre empurrava a porta de repente e entrava sem aviso. Ele disse que naquele dia teria o primeiro encontro com a princesa de Marrocos que estava visitando a Inglaterra, mas Hayul não imaginava que voltaria tão cedo.
O homem tinha seguido o conselho de Hayul, e tentado dizer ao duque de Headington que não queria se casar. Mas, como era de se esperar, o duque simplesmente ignorou a opinião de Pavel e forçou o casamento. Aquela união era a chance perfeita para o duque entrar de vez para a família real.
Apesar da vontade de Pavel, os planos de casamento seguiram firmes. Ele não teve escolha a não ser ceder. Um filho obediente que passara a vida inteira sendo controlado pelo pai não se transformaria em um rebelde de uma hora para outra.
— Não ia se encontrar com a princesa Kartan? Por que voltou tão cedo?
Como de costume, Hayul saiu do banho nu e secou os cabelos molhados com a toalha enquanto falava.
— Há algum motivo para eu voltar tarde?
— Ora, você vai se casar com a princesa.
— E daí?
Era uma resposta que deixava sem argumento. Afinal, não existia lei dizendo que, só porque iam se casar, tinham que transar já no primeiro encontro.
— Até agora você ficou preso a esse voto ridículo de castidade e abstinência forçada. Achei que, ao encontrar sua futura esposa, ficaria com os olhos vermelhos de tesão e fosse se jogar nela.
— Eu não sou um animal. Não faço esse tipo de coisa vulgar.
‘Ah, claro… Um sujeito desses que, sem vergonha, vive enfiando o pau na cara dos outros, vem falar de “dignidade”?’
Hayul riu por dentro enquanto continuava secando o cabelo.
— Então, já marcaram a data do casamento?
— Deixa esse assunto para lá. Senta. Vamos beber um pouco.
Hayul soltou uma risada debochada.
— Você nem sabe beber.
— Eu só vou ficar olhando o hyung beber vinho, enquanto tomo suco. É só para relaxar.
Dizendo isso, Pavel ergueu a garrafa de vinho que estava sobre a mesa. Parecia ter tirado da adega do duque de Headington. Os olhos de Hayul brilharam. O Duque de Headington era famoso por ser um apreciador de vinhos, então qualquer garrafa guardada em sua adega tinha qualidade garantida. Às vezes aquele desgraçado fazia algo que valia a pena, e hoje era um desses raros momentos.
— Ótimo. Espera aí.
Hayul jogou a toalha com que secava o cabelo e se dirigiu ao guarda-roupas. O olhar pegajoso grudou em seu corpo nu. Pavel, sentado de pernas elegantemente cruzadas, observava cada detalhe como se estivesse admirando uma obra de arte. Era um olhar carregado de desejo explícito.
‘É só um corpo masculino, o que ele vê de tão interessante?’
Pela fresta da janela aberta por causa do calor, o aroma das flores embebidas pelo orvalho da noite fluía suavemente. Misturado a ele, havia o frescor frutado que sempre exalava de Pavel, somado agora ao doce aroma que vinha da própria pele de Hayul. A mistura era quase entorpecente.
Como até os produtos de banho da casa eram todos escolhidos de acordo com o gosto de Pavel, Hayul estava impregnado com um perfume doce que nem combinava consigo.
Assim que tirou uma cueca para vestir, a ordem veio, cortando o ar.
— Use boxers. Não use cuecas samba-canção.
‘Como ele sabia que eu ia pegar justamente a samba-canção? Nem escolher a própria roupa de baixo eu posso?’
Xingou em silêncio, mas acabou obedecendo e pegando uma cueca mais justa, cuidadosamente dobrada. O tecido apertado contra o corpo era extremamente desconfortável.
— A camiseta tem que ser preta. Não use branca. Suas auréolas são muito escuras e aparecem.
— Ei, seu merda…!
Hayul não se aguentou e deixou escapar um palavrão, mas logo cerrou os dentes, tremendo de raiva, e se conteve. Só queria ter uma noite tranquila. Se retrucasse, Pavel certamente inventaria algo como “educar” ou coisa pior. Irritado, vestiu uma camiseta preta de manga longa e uma calça preta, depois se virou de forma brusca.
— Pronto. Assim está bom?
Pavel sorriu satisfeito e fez um sinal com os olhos em direção à cadeira à sua frente.
— Sente-se.
Ele se aproximou com passos largos e sentou-se pesadamente na cadeira. De propósito, ele abriu as pernas de forma desleixada. ‘Será que ele vai falar sobre etiqueta à mesa até durante a bebedeira?’ Felizmente, Pavel não disse nada, apenas retirou a rolha do vinho e serviu a taça de Hayul. Depois, como se fosse bebida alcoólica, despejou suco de maçã em sua própria taça e a ergueu. Quando Hayul também ergueu a taça, os dois cálices se chocaram no ar com um clink.
Hayul apressou-se em tomar um gole do vinho.
— Ahhh… Isso é incrível!
Um suspiro de admiração escapou involuntariamente. Até agora, todos os vinhos que Hayul havia experimentado eram lixo comparado a esse. O sabor cheio que enchia sua boca e a suavidade ao descer pela garganta eram de tirar o fôlego. Como se alguém fosse roubá-lo, Hayul bebeu o vinho às pressas, gole após gole. Ele detestava a maneira elegante dos nobres de beberem aos poucos. Em vez disso, agarrou logo a garrafa e encheu sua taça até a borda.
— Posso beber tudo isso? O duque não vai ficar furioso?
— Não tem problema. Esse não é o único vinho que temos.
Com essa resposta, Hayul se tranquilizou e continuou a engolir a bebida. Quem sabe quando teria outra chance de provar um licor tão precioso? Bebeu rápido demais, e embora tivesse bastante resistência ao álcool, logo começou a sentir o calor subir, o rosto ficando vermelho. Pavel, que estava sentado à frente tomando suco de maçã, o observou fixamente antes de abrir a boca.
— É tão bom assim?
— De matar. É divino.
— Mas afinal, qual é o gosto de uma bebida alcoólica?
— Seu moleque… Só quem entende o verdadeiro sabor do álcool pode se tornar adulto. Deixe que o hyung bebe o vinho todo, então a criança pode beber suco.
Pavel soltou uma risada baixa, era uma noite agradável. De dia tinha feito calor, mas quando a noite caiu, a brisa se tornou fresca. Do lado de fora, ouvia-se o som dos insetos. A mansão da família Headington estava sempre impregnada de um aroma agradável, além de ser limpa e bela. Talvez porque ele estivesse tenso o tempo todo, os dias ali pareciam passar especialmente rápido. Felizmente, as noites silenciosas eram longas, muito longas.
Bem diferente dos becos miseráveis da favela onde Hayul tinha crescido. Lá, o barulho nunca cessava, nem de dia nem de noite, o fedor era constante e sempre se ouvia o choro de crianças, brigas, bêbados xingando, tiros e gritos ecoando. Era a rotina.
Comparado àquilo, as noites na mansão eram tão silenciosas que, no início, ele até perdia o sono.
Adormecia envolto nos lençóis limpos e perfumados e, pela manhã, acordava com o canto dos pássaros. Quando descia para a cozinha, o café da manhã estava arrumado de maneira organizada e sempre tomava café da manhã com Pavel. Nenhum dos empregados jamais podia sentar-se à mesa junto dele, mas Hayul era a exceção. Era um tratamento especial que surpreendeu a todos os funcionários. Sentava-se de frente para Pavel, recebendo o mesmo menu, e juntos davam início ao dia.
Tudo o que Hayul via ao despertar parecia deslumbrante, mas nada superava a visão de Pavel Headington. De manhã, ele sempre estava sentado à mesa lendo o jornal e cumprimentava Hayul quando ele descia atrasado.
— Dormiu bem? Bom dia.
Não importava o clima – sob o sol radiante, sob a chuva, no frio ou no calor – Pavel brilhava sempre com esplendor.
O mesmo homem que na noite anterior invadira de repente o quarto de Hayul, forçando-o a ajoelhar-se entre suas pernas, obrigando-o a chupá-lo, ejaculando até transbordar e exigindo que engolisse tudo. O mesmo homem que, incomodado com algum cheiro, o arrastava para o banheiro e o esfregava sem piedade. Aquele insano, pela manhã, parecia renascer, livre de toda a escuridão, e resplandecia como se fosse outro. Bem arrumado, sem a menor desordem, recebia-o com um sorriso em seu rosto belo.
A cada manhã, florescia novamente como uma nova flor em plena primavera.
‘Radiante, radiante até demais. Um Alfa Real que se adequa perfeitamente ao lema da família Headington.’
Alguém que uma vida miserável como a de Hayul jamais deveria ter conhecido, jamais deveria sequer ter visto – e, no entanto, estava ali, diante de seus olhos, todos os dias.
Hayul olhou para Pavel enquanto bebia vinho. Ele não tomava mais suco, apenas brincava, como de costume, com o anel no dedo da mão direita, perdido em pensamentos.
Talvez fosse por ser noite, mas sua aparência parecia diferente do habitual. Não era a mesma figura impecável da manhã, sua roupa estava um pouco desalinhada e relaxada. A camisa branca, sem um único vinco, tinha os dois primeiros botões abertos, e as mangas estavam arregaçadas, deixando à mostra os braços fortes. O cabelo preto, que certamente teria penteado sem um fio fora do lugar para encontrar a princesa, agora caía desordenado sobre sua testa.
— Foi um dia cansativo. Nem me lembro do que falei com ela. Senti como se o ar sufocante estivesse apertando todo o meu corpo. Foi como vestir uma roupa que não serve no meu corpo. É absurdo. Eu, da família real.
— Parece uma roupa que te cai perfeitamente bem.
Aos olhos de Hayul, Pavel era quem mais combinava com a família real entre todos que ele conhecia. O rapaz, que ainda estava mergulhado em pensamentos, ergueu o olhar. Hayul então encarou os olhos azuis que o fitavam diretamente.
— O Hyung já namorou alguma vez?
‘Um assunto sobre namoro do nada?’
A pergunta inesperada fez Hayul soltar uma risadinha.
— Nunca tive tempo para essas coisas. Também não tinha dinheiro. Vivendo um dia de cada vez, que tipo de romance eu poderia ter? Nem teria uma mulher que aceitasse namorar um sujeito como eu.
Se ele continuasse, provavelmente se alongaria em lamentações, então Hayul levou a taça de vinho aos lábios.
— Namoro não precisa ser só com mulher.
As palavras de Pavel prosseguiram. Ele definitivamente estava diferente do habitual.
— Também pode ser com homem. Como parceiro de namoro ou até de casamento.
— Eu não quero nenhum dos dois. Não vou namorar ou me casar com um homem.
Ao ouvir isso, Pavel recostou-se preguiçosamente na cadeira e cruzou as pernas na outra direção.
— É mesmo?
— É. Não gosto. Não tenho qualquer interesse em homens. Só de pensar já me dá nojo. É horrível.
— Para alguém que diz isso, você chupa um pau bem. Você tem talento. Não foi comigo que descobriu sua inclinação?
Hayul franziu o rosto e lançou um olhar furioso a Pavel. Ele podia jurar pelos céus que nunca tinha sentido vontade de chupar o pau de um homem, nem de transar com aquele desgraçado. O mais curioso era que também nunca tinha sentido isso por uma mulher.
Corpos nus, masculinos ou femininos, para ele eram apenas corpos de pessoas, nada além disso. Nunca tinha se apaixonado por alguém, nem sequer sentido desejo sexual. Pensando melhor, não dava para justificar apenas com a desculpa de ter vivido ocupado demais lutando pela sobrevivência. Era, de fato, estranho.
— Você acha que eu chupo seu pau porque quero? Eu faço isso porque, se não obedecer, não sei o que pode acontecer comigo.
— Você tem medo de mim?
Ele perguntou como se estivesse surpreso. Mas o mais estranho era justamente acreditar que, depois de tantas loucuras, alguém não teria medo dele.
— Bem. Mesmo que eu não tenha medo de você, tenho medo do seu poder. O poder de enterrar alguém como eu sem que ninguém saiba. Você é um deus, e eu não passo de uma formiga inútil.
Hayul parou por um instante, mas voltou a encarar Pavel fixamente antes de continuar.
— Então vou fazer tudo o que mandar, não importa o que seja, só não me mate. Se você mandar chupar seu pau, eu chupo, se disser para rastejar como um cachorro, eu rastejo. Só me deixe sair vivo.
Enquanto o pedido continuava, Pavel olhou para Hayul em silêncio com seus olhos azuis e então soltou uma risada de desdém.
— Para quem está pedindo, você é bem arrogante.
E riu ainda mais, como se fosse divertido.
— Arrogante, vulgar, miserável, desleixado e grosseiro ao extremo. É como um cachorro vadio vagando pelas ruas. Já faz mais de meio ano que você está nesta casa, mas ainda não se livrou da sujeira da favela. Não importa o quanto vista boas roupas, ou o quão bem eu te lave, continua imundo. Você simplesmente não brilha. Não sei se é porque você é vulgar por natureza, ou se é porque não tem vontade de melhorar. Como pode alguém ser tão miserável e insignificante por dentro e por fora?
Cada palavra que o canalha soltava era uma verdadeira pérola. A pronúncia e a projeção vocal eram tão precisas que cada sílaba, cada letra, era cravada com exatidão no fundo do ouvido. Os palavrões quase escapavam de sua boca, mas ele pegou a garrafa de vinho e virou até a última gota. Era exatamente esse tipo de comportamento que devia parecer miserável para o nobre. Mas, desde o começo, elegância e nobreza nunca foram algo que Hayul tivesse de preservar.
O murmúrio baixo de Pavel continuou.
— Mas é isso que faz de você o hyung. Algo que ninguém pode imitar e ninguém pode mudar, a sua essência única
No fim da frase, Pavel deixou a voz se desfazer levemente, piscando devagar. Os longos e densos cílios na ponta das pálpebras chamaram a atenção.
‘Se eu colocasse alguns palitos de fósforo nesses cílios, quantos ficariam equilibrados?’
— A partir de certo ponto, até esse seu jeito vulgar consistente começou a me parecer fofo. Mesmo quando estava com a princesa Kartan, eu só conseguia pensar em você em casa.
Hayul, que saboreava devagar a última taça de vinho já servida, escutou as palavras dele e, sem pensar, largou de repente:
— Você gosta de mim?
As palavras saíram sem passar pela cabeça. A embriaguez também teve sua culpa. Pavel ficou um momento em silêncio, encarando Hayul. Vê-lo parecer desconcertado, algo tão fora do normal, foi engraçado, então ele soltou mais uma frase.
— Isso não é amor?
Mas essa frase não deveria ter sido dita. Pavel arqueou as sobrancelhas, inclinou levemente a cabeça para o lado e o encarou fixamente antes de esboçar um riso contido. Então tirou o anel da mão direita, que vinha mexendo desde antes.
De repente, Pavel se ergueu e agarrou os cabelos de Hayul, puxando a cabeça dele para trás. Surpreendido pelo ataque, a taça de vinho escorregou da mão de Hayul e se espatifou no chão.
— Mas que porra você está fazendo?!
Hayul arregalou os olhos, encarou Pavel, que olhava para ele de cima, e soltou um palavrão. Um frio gélido pairou nos olhos azuis do homem.
— Isso mesmo. Esses olhos. Esses olhos insolentes não saíam da minha cabeça.
A ponta fria dos dedos de Pavel roçou o canto dos olhos de Hayul, que tremiam. Estavam aproveitando bem a bebida, e agora, que diabos era aquilo? A irritação subiu de repente, e ele empurrou a mão de Pavel com força, se debatendo.
— Me solta. Me solta, seu desgraçado.
— Essa vulgaridade com aroma de um animal suado.
— Eu disse para me soltar!
— Não tem nada de bonito em você… e ainda assim, por que acho isso adorável?
— Ei!
‘Escuta o que eu estou falando, porra!’
Mas o grito morreu dentro da boca. Pavel aproximou o rosto e uniu seus lábios aos dele. Não foi um beijo, mas um ato voraz, como o de um predador faminto. Ele mordeu, mastigou e puxou os lábios de Hayul, invadindo sua boca com a língua grossa que a revirava sem piedade. Sugava os lábios com ruídos molhados, puxando a língua como se fosse arrancá-la pela raiz.
Era uma confusão completa. Diferente dos beijos habituais, este estava ainda mais selvagem, faminto e brutal, como um animal faminto devorando carne.
Hayul se debateu, temendo que pedaços de seus lábios fossem arrancados. Mas a mão de Pavel, cravada em seus cabelos, não cedia nem um centímetro. O antebraço robusto, envolto na manga branca impecável da camisa, era como ferro – impossível de mover.
“Esse desgraçado deveria estar correndo atrás da princesa com quem vai casar, e ao invés disso vem atacar o próprio secretário?!”
— Hhh, ugh, uh…
A respiração de Hayul saía em suspiros ásperos entre os lábios entreabertos. Tremia, agarrado no braço de Pavel, que não cedia. A saliva escorria, sem que conseguisse engolir. Finalmente, os lábios que sugavam e mordiam sem pausa se afastaram. Ofegante, Hayul abriu bem os olhos e encarou fixamente os azuis de Pavel. Seus lábios ardiam, latejavam e queimavam.
Enquanto isso, Pavel, sem um único traço de descompasso na respiração, apenas o observava. Não piscava, apenas mantinha os olhos fixos. No instante em que Hayul percebeu que o azul parecia se tornar um tom mais profundo, viu as pupilas dele estremecerem. Os cílios tremeram, e as sobrancelhas estremeceram levemente.
Era como se, na superfície calma daquele lago azul, uma onda repentina tivesse surgido. Uma perturbação tão clara que até os olhos de Hayul puderam perceber.
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Continua…
Ler Cão Real. Yaoi Mangá Online
(Do mesmo universo de: Noite De Caça.)
O telefone tocou em uma noite chuvosa.
Do outro lado do aparelho flui a voz de um homem que carinhosamente chama Hayul de ‘Rosie’.
[Você não sente minha falta? Eu estou quase enlouquecendo de tanta saudade.]
A ligação vinha de um número desconhecido, mas a voz de alguma forma era bastante familiar.
[Espere, irei ver você em breve.]
‘Agora me lembro dessa voz. A única pessoa que me chama de ‘Rosie’ – Pavel Yates Headington, o homem que eu matei sete anos atrás.’
***
A história de como um (Cão real) que cortou sua coleira e mordeu o dono antes de fugir, se tornou uma (Noiva real.)
Nome alternativo: Royal Dog