Ler Cão Real. – Capítulo 14 Online
“Ei! Porque está aí parado, encarando com cara de idiota? Limpe isso logo.”
O homem, que esperava a chegada de um criado, chamou Hayul com irritação. Quando ele se aproximou da mesa relutantemente, o sujeito desferiu um tapa em sua cabeça.
“Os criados desta casa são sempre tão lerdos assim?”
Ofendido pela agressão, Hayul ergueu os olhos e lançou-lhe um olhar de ódio. O homem então franziu a testa e arregalou os olhos com raiva, um cheiro de álcool emanava de seu hálito. Ele estivera tomando vinho em vez de chá desde antes e parecia estar bêbado.
“Está me encarando? Seu insolente.”
O homem ergueu o punho para bater.
‘Vá em frente, tente me bater.’
Hayul rangeu os dentes em silêncio e, cravando os olhos no sujeito, apertou com força a taça de vinho vazia em sua mão.
Mas, antes que o golpe fosse desferido, Pavel surgiu de repente e agarrou o pulso erguido do homem.
“O Rosie hyung é meu secretário.”
Era uma voz grave, carregada de uma força sólida.
“Não contratei um secretário pessoal para fazer a limpeza.”
O homem, com o rosto vermelho e inchado pela bebida, distorceu o rosto de maneira vil e soltou uma risada de escárnio.
“Aposto que contratou para te servir na cama. Você, por causa do seu voto de castidade ou seja lá o que for, essa cinta de castidade, nem consegue foder…. Mas quero dizer, um Sub-beta é de um nível muito baixo, não acha?
“E como você sabe disso?”
“Já é um boato público. Se queria manter em segredo, devia ter feito os funcionários manterem a boca fechada. Como você pode se envolver com uma coisa nojenta como um Sub-Beta?”
Mesmo diante da provocação descarada, Pavel não piscou uma única vez. Seus olhos azuis assumiram um brilho frio. O rapaz, que normalmente sorria, fechou o semblante e, assim, sua presença tornou-se esmagadora.
“Independente de sua origem, o Rosie hyung é meu secretário e um funcionário que trabalha para a família Headington. Quero que ele receba o devido respeito.”
“Respeito? Grande piada. Vai dizer que você tem boas maneiras até com um rato de esgoto?”
Pavel, em silêncio, apertou ainda mais o pulso que segurava. O homem soltou um grito de dor, debatendo-se. Por causa disso, a louça e o conjunto de chá sobre a mesa viraram, ficando uma bagunça. Só quando o homem, se contorcendo e gemendo, ficou pálido que Pavel soltou sua mão.
“Espero que escolha melhor suas palavras daqui em diante, Ben.”
Fora de si, o homem partiu para cima de Pavel, praguejando. Mas foi um erro subestimar o capitão do time de rúgbi, herói da vitória contra Morton. O homem foi rapidamente subjugado e jogado ao chão com força. Ele ficou esticado, incapaz até de gemer.
“Perdão por interromper o momento de diversão dos senhores. Espero que não haja mais problemas como este, por favor, continuem aproveitando a festa.”
Pavel, enfim, sorriu e desculpou-se de forma polida com os convidados, que assistiam em silêncio. Depois, caminhou até Hayul, que permanecia atônito, e estendeu-lhe a mão.
“Hyung, pode largar isso também.”
Ele pegou a taça de vinho que Hayul ainda segurava e a colocou de volta no lugar. Os criados chegaram correndo, vindos de dentro da mansão, mas Pavel, como se nada tivesse acontecido, sorriu e se misturou à multidão de convidados que o esperava.
‘Filho da puta. Considere-se com sorte… eu ia esmagar a sua cabeça.’
Hayul deu um leve chute com a ponta do pé na cabeça do homem caído e esticado, e então bebeu o ponche de frutas de um só gole. A festa, incrivelmente entediante, continuou. Pavel Headington, o anfitrião da festa, sem beber uma única taça de álcool, bebeu chá elegantemente e conversou com os convidados.
‘Até quando vou ter que aguentar essa festa chata?’
Quando finalmente se virou, pronto para escapar em segredo, a voz de Pavel ecoou:
“Venha aquí, Rosie Hyung.
Com aquela única frase, o ambiente barulhento ao redor ficou silencioso. Dezenas de olhos, antes voltados para Pavel, passaram a mirar Hayul. O contraste de atitude era gritante: enquanto os olhares sobre Pavel eram de admiração, os que recaíam sobre Hayul estavam carregados de desprezo e repulsa.
“Venha aqui.”
Pavel chamou Hayul mais uma vez. Com um lindo sorriso estampado em seus olhos azuis. O aroma cítrico misturava-se com a brisa úmida e abafada.
“Hyung. Rosie hyung.”
A voz suave de Pavel chamando por ele ecoou em seus ouvidos e, antes que percebesse, Hayul caiu em um sono profundo.
*
No dia seguinte, assim que amanheceu, ele foi a uma concessionária de carros usados, vendeu o carro de Maria e comprou outro veículo seminovo. Havia um risco grande do carro de Maria ser rastreado.
Por ora, seu plano era deixar aquela cidade. Não havia motivo para continuar em Nova York. Ele não tinha família, e a casa onde vivia fora providenciada por Marco. Temendo que sua identidade falsa fosse descoberta e suas transações bancárias bloqueadas, recuperou todo o dinheiro vivo que mantinha guardado em um cofre externo e secreto.
Será que deveria ir para o Canadá, como Maria sugeriu? Ou fugir para o México? Talvez fosse melhor se esconder em uma ilha deserta onde ninguém jamais o encontraria. Não ter raízes em lugar nenhum tinha seu lado conveniente: podia ir para onde quisesse.
Nem precisava necessariamente cruzar a fronteira; poderia se esconder em algum lugar do país por um tempo.
Nova York era uma cidade imensa. E o continente americano era ainda maior. Por mais capaz que Pavel fosse, não seria fácil encontrá-lo, um fugitivo escorregadio como um rato. A organização de Marco também, embora seus negócios fossem prósperos, não era tão grande em escala, então o número de membros não era tão alto.
Hayul já tinha experiência em fugir; era um fugitivo nato. E, em qualquer lugar, sempre havia sistemas voltados para pessoas como ele. No mundo em que vivia, não havia nada impossível quando se tinha dinheiro.
Como demoraria alguns dias até receber uma nova identidade para usar ao atravessar a fronteira, ficou mais um tempo em Nova York. Claro, sempre disfarçado quando saía.
Os dias iam passando tranquilos, escorrendo como água.
No dia em que recebeu a ligação para buscar o novo documento de identidade, a chuva começou a cair de repente.
‘De novo. Quem diria que choveria tanto assim, aqui nem é a Inglaterra.’
Depois de uma refeição simples e de tomar os analgésicos que já havia comprado, saiu. Mas, ao colocar os pés na rua molhada pela chuva, uma forte dor de cabeça o atingiu. Sentiu tanto frio que seu corpo todo tremia, como se estivesse com uma gripe forte. Mesmo assim, o suor frio não parava de escorrer. Suas roupas grudavam no corpo, molhadas de suor. Mal havia andado um pouco, e já estava ofegante.
‘Porque está tão forte assim?’
Nos dias de chuva, seu estado realmente piorava, mas, recentemente, os sintomas estavam muito mais graves. Desde quando, exatamente? Até o ano passado, ainda conseguia suportar com analgésicos. Foi a partir do dia em que Pavel ligou que isso se tornou insuportavelmente difícil.
‘Eu deveria ir ao hospital?’
Desde que entrou na organização de Marco, ele nunca tinha ido a um hospital. Não precisava fazer exames periódicos do sistema de compatibilidade. Bastava cumprir seu papel de atirador de elite quando necessário, então raramente se machucava. O máximo eram alguns arranhões resultantes das perversões de Marco.
Usar a identidade falsa de Sean Ringer para ir a um hospital só era possível quando era funcionário da empresa de mercenários. Mas agora? Como pagaria as enormes despesas médicas? E se os exames revelassem que ele era um Sub-Beta, ao contrário dos dados de Sean Ringer, seria ainda mais problemático.
— Droga.
A dor de cabeça, era como se uma broca estivesse perfurando, era simplesmente insuportável, e um palavrão escapou de seus lábios. Sem alternativa, ele entrou em uma farmácia. Segurando a cabeça com uma das mãos, conseguiu, com dificuldade, falar com o jovem farmacêutico.
— Com licença… minha dor de cabeça está terrível…
— Você é um ômega?
O farmacêutico cortou sua frase com um tom abrupto. Hayul ficou sem palavras, franziu a testa e apenas olhou fixamente. O farmacêutico então fez uma série de perguntas rapidamente.
— Hein?
— Que horas você tomou o seu supressor hoje? Pelo que vejo, seu feromônio está escapando um pouco, então acho que o efeito já passou. E você anda por aí sem nem perceber? Você sofreu mutação recentemente? Não pode sair por aí liberando feromônios assim. O mundo lá fora é perigoso demais. Qual inibidor costuma tomar?
O farmacêutico falava tão rápido que Hayul não conseguia acompanhar.
— Não, espera aí. O que quer dizer com ômega e o que é essa tal de mutação…?
— Você não tem nenhum inibidor prescrito?
— Não tenho nada disso. Inibidor? Eu…
— Aqui, este é o supressor mais básico que os ômegas geralmente tomam. Tome isso por enquanto. Você precisa tomar agora mesmo. A dose padrão é de quatro comprimidos. O próximo, por favor.
O farmacêutico pegou um frasco de remédio, entregou a Hayul e chamou o próximo cliente atrás dele. Hayul olhou rapidamente para trás e viu que as pessoas haviam formado uma fila atrás dele. O cliente seguinte, um homem de corpo pesado, o empurrou para o lado e começou a gritar abruptamente com o farmacêutico.
— Como você pode dar esse remédio para uma criança? Está maluco?!
— Eu só entreguei o que ele pediu!
O cliente e o farmacêutico começaram a discutir em voz alta, e não havia como voltar para perguntar outra vez.
Hayul ficou encarando por um bom tempo o frasco de remédio que tinha recebido.
‘Mas que absurdo. Ômega? Feromônios?’
Hayul levantou o braço e cheirou discretamente. Mas das roupas encharcadas só vinha o cheiro de suor.
Não era a primeira vez que alguém o chamava de ômega. Steve Tavière. Aquele desgraçado também tinha o tratado assim.
‘Não faz sentido, isso é impossível. Eu sou um sub-beta.’
Já tinha ouvido falar de betas que, às vezes, se transformavam em ômegas, mas nunca ouviu falar de um sub-beta que tivesse sofrido mutação.
Pensou em jogar fora o remédio, mas acabou pagando por ele junto com alguns lanches simples, água e alguns frascos de Tylenol. Do lado de fora, a chuva caía sem parar, irritante e persistente. Puxou o capuz do casaco e correu em direção ao estacionamento.
Quando estava prestes a abrir a porta do carro, alguém agarrou seu braço de repente.
Era um homem muito bem-apessoado. Seria alguém do grupo de Marco? Hayul o encarou fixamente, e o homem abriu a boca.
— Você é ômega, não é?
O rosto dele se contorceu irritado.
— Eu estava te observando desde antes… Por que você anda por aí liberando feromônios desse jeito, tão indiscriminadamente?
— O quê?
O homem sorriu de canto, seus olhos brilhavam de um jeito arrepiante. A mão que acariciava o braço de Hayul era pegajosa, desagradável.
— Parece que você está prestes a enlouquecer de tanto desejo. Eu posso dar conta de você.
Não havia motivo para escutar mais aquelas besteiras. Hayul acertou o rosto do sujeito com um soco.
— Filho da puta. Eu vou te matar.
Xingando, levou a mão à cintura para sacar a arma. Mas não chegou a usar. Assim que o homem viu a pistola, entrou em pânico e fugiu correndo. Hayul mal conseguiu conter a vontade de atirar contra as costas dele, que desapareciam em disparada.
— Desgraçado de merda.
Mesmo depois de entrar no carro, a raiva não passou. Xingou várias vezes e bateu no volante como se este tivesse culpa.
Era um dia miserável. O tempo, sua condição física, seu humor… tudo. Mas o pior de tudo era que, como o homem disse, seu corpo realmente estava pegando fogo, a ponto de deixá-lo louco. Mesmo sentindo calafrios, seu corpo estava queimando. Como se estivesse assistindo a um vídeo erótico, o calor se concentrava em sua região inferior, latejante e dolorido. Entre as pernas, estava úmido. Até a respiração que escapava por seus lábios vinha impregnada de calor.
— Haa…
Ofegante, sem perceber, levou a mão até entre as pernas, mas surpreendeu-se e a afastou rapidamente. Ele olhou em volta, para fora da janela do carro, com medo de que alguém pudesse tê-lo visto naquele estado.
Era um fenômeno absurdo. Era estranho para ser apenas desejo sexual.
Ele normalmente não tinha uma libido particularmente forte; mesmo na flor da idade, se satisfazia com uma masturbação ocasional. Até hoje, nunca havia feito sexo com penetração, nem com mulheres nem com homens. Diziam que Sub-betas eram um ninho de doenças e que transar com eles era pedir para se infectar – não que ele acreditasse nesse tipo de conversa, mas sempre evitou.
Era a primeira vez que um desejo sexual tão insuportável o dominava. Sentia como se sua parte inferior estivesse em chamas. Como um ômega no cio, desesperado.
Hayul lançou um olhar para o banco do passageiro. Lá estava a sacola com o frasco de remédios que o farmacêutico havia lhe dado. Pegou-o novamente nas mãos.
Por mais que pensasse, aquilo era uma coisa impossível. De repente, ser um ômega? Mas ele não tinha nada a perder. Se aquela maldita dor de cabeça e febre desaparecessem, ele estaria disposto a engolir até mesmo veneno. Hayul abriu o frasco de comprimidos, tirou quatro pílulas e engoliu com água.
Mas nem o remédio adiantou. Pareceu que a febre diminuía um pouco após tomar os comprimidos, mas logo seu corpo voltou a esquentar . Assim que chegou ao restaurante onde deveria encontrar o intermediário de identidade, Hayul correu direto para o banheiro.
Entrou em uma das cabines, trancou a porta e abriu o cinto da calça. Suas mãos tremiam sem parar. Quando puxou as calças e a cueca para baixo, seu pênis ereto saltou para fora como se estivesse esperando por aquilo.
Da ponta já molhada, respingos escorriam. Ele agarrou o membro com pressa. Todo o pênis estava extremamente sensível; só o toque da mão fazia suas coxas tremerem. Sem técnica nenhuma, ele apenas segurou e começou a esfregar de maneira áspera e frenética.
— Ha… uuh… haa…
Gemidos embaraçosos escaparam, e ele mordeu os lábios até sangrar para tentar contê-los. Cada vez que a mão deslizava pelo eixo, um som molhado e pegajoso ecoava. Gotas pingavam da ponta. Já não conseguia pensar em nada. Todos os seus nervos e sentidos estavam concentrados ali embaixo, deixando-o à beira da loucura. Parecia que ia explodir, mas em vez disso só vinha mais calor e dor, a ponto de enlouquecer.
Ele apertou ainda mais forte, esfregando com violência, quase como se quisesse arrancar aquilo de si. Não bastava; então começou a esmagar a glande encharcada com a ponta dos dedos, tentando de tudo. Sua lombar e nádegas se contorciam descontroladamente, suas pernas tremiam violentamente. O corpo cambaleante batia contra a parede da cabine, fazendo ecoar sons secos.
— Uah… aaah…
Seus olhos se encheram de lágrimas. Uma sensação enlouquecedora, diferente da dor, tomou conta dele. Sentia-se dominado por um uma libido fervente, como se tivesse fogo aceso dentro do seu corpo. O desejo sexual era assim? Era mais torturante que qualquer treino infernal de morte.
O quadril se arqueou bruscamente quando o sêmen jorrou com força dentro da própria mão. Era uma quantidade enorme, acumulada por todo aquele tempo, que se derramou como se estivesse urinando. Sêmen respingou por toda parte, deixando sua palma e a frente de suas calças completamente bagunçadas. Não apenas nas paredes do banheiro, mas também no chão, pingos espessos se espalhavam.
— Ha……
Hayul encostou na parede e recuperou o fôlego por um momento. Após a ejaculação, o calor intenso que o dominou no clímax se dissipou, deixando apenas uma sensação de ardência e sensibilidade na pele do pênis. Era para ter acalmado após liberar uma vez, mas seu pênis permanecia ereto, latejando. Ele permanecia firmemente ereto, pulsando e liberando fluidos brancos pela ponta.
Um gemido de agonia escapou de sua boca. Os lábios que ele mordera para conter os sons provavelmente estavam feridos, pois doíam e ardiam, fazendo-o franzir a face. Devido à fricção brutal, a pele estava provavelmente esfolada, e o pênis doía a cada respiração.
O pior era a sensação atrás, no ânus: coçava e queimava. O buraco que ele nunca havia usado para outro propósito além de excreção, agora ardia de uma forma inexplicável. Quente, irritado, formigante; a cada respiração ofegante, o orifício parecia se contrair, e cada vez que isso acontecia, o calor se concentrava dentro dele. Era uma sensação estranha e inédita para Hayul, que só conseguia se sentir confuso e apavorado. Tinha medo até de tocar na bunda.
— Eu vou enlouquecer…
Nesse instante, ouviu-se uma batida na porta da cabine. Já não podia continuar ali, ofegante e em frangalhos. Pegou o papel higiênico do banheiro, limpou às pressas a parte de baixo, subiu a cueca e a calça, e limpou de qualquer jeito o esperma que respingou nas paredes.
Quando abriu a porta tentando parecer calmo, o sujeito que estava esperando do lado de fora se assustou ao vê-lo.
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Continua….
Ler Cão Real. Yaoi Mangá Online
(Do mesmo universo de: Noite De Caça.)
O telefone tocou em uma noite chuvosa.
Do outro lado do aparelho flui a voz de um homem que carinhosamente chama Hayul de ‘Rosie’.
[Você não sente minha falta? Eu estou quase enlouquecendo de tanta saudade.]
A ligação vinha de um número desconhecido, mas a voz de alguma forma era bastante familiar.
[Espere, irei ver você em breve.]
‘Agora me lembro dessa voz. A única pessoa que me chama de ‘Rosie’ – Pavel Yates Headington, o homem que eu matei sete anos atrás.’
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A história de como um (Cão real) que cortou sua coleira e mordeu o dono antes de fugir, se tornou uma (Noiva real.)
Nome alternativo: Royal Dog