Ler Cão Real. – Capítulo 08 Online
A jogada no estádio de canoagem, não, as duas jogadas, foram bastante proveitosas. Graças a isso, ele conseguiu pagar dívidas urgentes e também quitar o aluguel atrasado. Mas, por ter sido exposto de repente a uma grande quantidade do feromônio dos alfas reais, Tom teve que passar um bom tempo de cama, doente.
Depois disso, a rotina comum continuou. A vida no bairro pobre não melhorou em nada, Hayul ainda estava quebrado e só conseguia suspirar, preocupado em como pagaria o aluguel e as contas do mês seguinte.
O dono do bar onde Hayul fazia bico disse que encerraria as atividades no fim daquele mês, o que aumentou ainda mais suas preocupações. Era um boteco velho, escondido num lugar afastado e mesmo nos fins de semana, o salão ficava vazio.
Enquanto o patrão suspirava fundo, um som inesperado soou. Um cliente entrou. Acompanhado do tilintar do sino da porta, um jovem rapaz apareceu.
Era um cliente que destoava do bar velho e acabado do cortiço. Vestia roupas casuais leves, usava óculos escuros, com aparência de turista – mas as roupas eram refinadas demais. O rapaz entrou e se acomodou em uma das mesas no fundo do salão vazio.
— É um alfa real?
O dono, mantendo distância, sussurrou para Hayul. Um alfa real? O que um alfa real veio fazer num lugar como aquele? E ainda sozinho, numa área miserável dessas? O dono, que era um beta, disse que não aguentava ficar ali por causa dos feromônios e sumiu para dentro da cozinha, deixando o salão por conta de Hayul.
— O que deseja beber?
Ele perguntou, aproximando-se da mesa com o cardápio na mão.
— Tem chá Royal Milk Tea?
Um sujeito que ia a um bar procurar royal milk tea? Hayul riu, sem querer, de tão absurdo. O rapaz descruzou as pernas e tirou os óculos escuros.
— É que eu não posso beber álcool.
Ele mostrou um sorriso leve. O rosto lhe pareceu familiar. Cabelos negros e brilhantes, olhos azuis como contas de vidro. Era o mesmo rapaz que ele havia visto no estádio de canoagem. O coração de Hayul acelerou, assustado – como um ladrão surpreendido.
— Só temos café.
— …Então traga um café.
Hayul forçou um sorriso e se virou. Droga. Será que veio atrás dele por causa do roubo no vestiário? Devia fugir? Mas o dono, agora de máscara, espiava da cozinha, com a cabeça para fora, observando-o. Sem alternativa, Hayul preparou uma xícara de café e voltou à mesa.
Ao pousar a xícara e se virar para sair, o rapaz murmurou em tom baixo:
— Sente-se. — Hayul fingiu não ouvir e ficou parado. O rapaz tomou um gole do café e insistiu: — Sente-se. Preciso falar com você.
O tom pesado trazia uma ameaça velada: se não sentasse, algo poderia acontecer. Intimidado, Hayul acabou se acomodando, sem jeito, na cadeira em frente.
O rapaz cruzou as pernas com elegância e bebeu o café barato como se estivesse num lounge de hotel. No dedo anelar da mão que segurava a xícara, havia um anel.
Ele não parecia ser do tipo que usava anéis para ostentar. Além disso, a joia era grosseira e de gosto duvidoso. Ao perceber o olhar atento, o rapaz afastou os lábios da borda da xícara e falou:
— No dia da competição de canoagem, você roubou do vestiário uma carteira antiga gravada com o nome Headington, não foi?
Hayul não confirmou, mas também não negou. Não tinha prestado atenção na inscrição, mas lembrava-se de ter levado algo parecido. Enquanto roubava, até achou curioso um nobre alfa andar com uma coisa tão gasta. E agora descobriu que a carteira era dele.
— O dinheiro não importa. Só devolva a carteira. Era uma lembrança da minha falecida avó.
— Não sei do que está falando. Nunca vi seu rosto antes.
— Foi você que derramou bebida em mim, lembra?
Hayul ficou sem palavras e fechou a boca. No meio daquele caos, como é que ele ainda conseguia lembrar de um rosto visto apenas uma vez?
— E também ficou perambulando pelas arquibancadas roubando os pertences dos meus amigos. Não parecia ser a primeira vez que fazia isso, não é mesmo? Ninguém percebeu nada.
Hayul perdeu a fala. Então ele tinha visto tudo aquilo? O homem voltou a abrir a boca.
— Eu nunca esqueço alguém que vi uma vez. Especialmente pessoas marcantes como você.
O homem murmurou baixo e ergueu os olhos para encarar Hayul. Seus olhos azuis brilhavam de forma arrepiante. Ele o fitou em silêncio por alguns instantes antes que seus lábios se abrissem novamente.
— É verdade que eu estava trabalhando como staff naquele dia. Mas você tem alguma prova de que eu fui quem roubou sua carteira?
Decidiu negar até o fim. Se admitisse, poderia ser entregue à polícia imediatamente.
— É melhor me devolver de boa vontade. Se você me devolver a carteira, eu finjo que este furto nunca aconteceu.
O tom era suave e elegante, mas o olhar que o homem lançava para Hayul estava longe de ser gentil. No fundo, aquelas palavras significavam: Se continuar fingindo, vou te arrastar para a delegacia agora mesmo. O homem apenas o encarava em silêncio, observando cada movimento, enquanto Hayul pensava rapidamente em uma saída. O peso daqueles olhos azuis, sem sequer piscar, o incomodava. Pareciam enxergar todos os seus pensamentos.
Quando Hayul estava prestes a abrir a boca para falar qualquer coisa, o homem se adiantou:
— Você é um Beta?
A pergunta veio do nada. Hayul ficou momentaneamente sem palavras, encarando-o fixamente, antes de responder rapidamente:
— Sim.
— Não parece.
As sobrancelhas de Hayul estremeceram levemente. A mão sobre a mesa também tremeu. O homem pousou a xícara de café e, de repente, agarrou a mão que repousava sobre a mesa. Surpreso, ele tentou puxar de volta, mas o aperto só se tornou mais forte. O anel grosseiro do homem pressionava dolorosamente o dorso da sua mão.
— Não é, não.
O tom era inquisitivo. O brilho cortante nos olhos azuis o atravessava. ‘Mas o que diabos esse cara pensa que está fazendo?’ Hayul também o encarou, franzindo a testa, e resmungou:
— Que porcaria é essa? Vai soltar ou não?
— Se fosse realmente um Beta, não estaria aguentando meu feromônio agora.
Não havia um traço de sorriso em seu rosto. Sem aquela expressão impecavelmente bela, ele nem parecia humano. Com certeza estava liberando feromônio enquanto o segurava. E o fato de Hayul não reagir a isso só levantava ainda mais suspeitas.
— É um Sub-Beta, não é?
Em vez de responder, Hayul torceu os lábios num sorriso irônico.
— E daí?
Não era arrogância. Realmente não sabia o que o outro pretendia com aquilo. Ele se irritou, torcendo o punho e forçando o homem a soltá-lo. Dessa vez, o outro não resistiu.
— Consegue resistir ao meu feromônio… No dia da competição de canoagem também me tocou primeiro e não demonstrou nada. Será que todos os Subs-Betas são assim?
— E o que exatamente você quer com isso?
Seu pulso doía, latejando por causa da força bruta do homem.
— Eu sou um Alfa Real.
— Sim, eu sei.
— Todo ano, meus resultados no sistema de compatibilidade estão entre os mais altos.
‘Isso é hora de se gabar?’
Hayul franziu o rosto, impaciente.
— Ah, que ótimo. Deve ser maravilhoso ser tão incrível assim.
O tom ácido o fez rir de leve.
— O que quero dizer é que meus feromônios são mais potentes do que a maioria dos outros Alfas Reais. E, mesmo para um Sub Beta, é raríssimo resistir a eles. Foi o que sempre me ensinaram.
Quanto mais ele falava, menos Hayul entendia.
‘O que ele quer, afinal?’
— Então, o que exatamente você quer dizer com isso?
— Quero dizer que estou interessado em você.
— O quê?
Ele ficou tão atônito que sua boca se abriu sozinha. O homem largou aquelas palavras absurdas com a maior naturalidade, rindo em seguida, e voltou a tomar seu café com gosto. A testa de Hayul se franziu, formando rugas grossas.
‘Mas o que esse desgraçado tá querendo afinal?’
Nesse momento, o sino da porta soou e clientes habituais entraram no local. Ao verem Hayul sentado à mesa do canto junto daquele homem, se sobressaltaram e começaram a cochichar.
— O quê? Não é um Alfa Real?
— O que um Alfa Real está fazendo num lugar desses?
Eles não paravam de olhar de soslaio e tagarelar. Um dos clientes chegou a tossir violentamente. A simples presença daquele homem já era um incômodo. Um Alfa Real sentado tranquilamente em um bar comum, tomando café e espalhando livremente seus feromônios tóxicos por todo o ambiente… especialmente em um lugar frequentado apenas por Betas idosos, que eram ainda mais vulneráveis.
Os clientes estavam desconfortáveis, mas Hayul também não entendia que palhaçada era aquela. Queria apenas que aquele sujeito terminasse o café e fosse embora, mas parecia óbvio que ele não se levantaria enquanto não recuperasse a carteira.
— Sua carteira.
O homem levou a xícara aos lábios e olhou para Hayul.
— Tá bom…. Eu roubei sua carteira. Ela está na minha casa. Se quiser, pode ir comigo até lá para recuperá-la.
Hayul decidiu confessar, já que mentir não traria nenhum benefício. Quando foi sincero, o homem sorriu, mostrando dentes brancos e perfeitos. Seu rosto iluminou-se de um jeito quase ofensivo de tão bonito.
— Vou buscá-la amanhã. Agora preciso ir para a escola.
Finalmente, o homem colocou a xícara de café na mesa, pegou sua bolsa e se levantou.
— Mantenha sua promessa. Você disse que esqueceria tudo se eu devolvesse a carteira.
— Eu sempre cumpro minhas promessas. Ah, por acaso aceita dólares americanos? Normalmente não ando com dinheiro.
— Não importa.
O homem tirou algumas notas amassadas do bolso e as entregou junto à conta para Hayul.
— Uma é sua gorjeta, a outra é pelo café. Pode ficar com o troco, afinal, estou sem minha carteira.
‘Está me provocando?’
Como não estava acostumado a ver dólares em vez de libras, Hayul ficou por um tempo apenas encarando as notas que recebeu.
— Então, até amanhã, senhor Jin Hayul.
A campainha da porta soou, seguida do estrondo dela se fechando. Só então Hayul levantou os olhos, mas o homem já havia sumido.
‘Espere aí… Eu cheguei a dizer meu nome para ele? E como é que ele o pronunciou de forma tão correta?’
Assim que o homem saiu, o dono da loja voltou correndo, abrindo todas as janelas e a porta para ventilar o ambiente. Os clientes, que tinham permanecido afastados por precaução, só se aproximaram depois que o ar parecia ter voltado ao normal.
— O que foi aquilo? Não era um Alfa Real?
— Uau, foi a primeira vez que vi um Alfa Real. Mas que feromônios eram aqueles? Achei que ia morrer sufocado.
— Jin, quem era aquele cara? Vocês se conhecem? Como é que você conhece um Alfa Real?
Até o dono se juntou ao coro de perguntas, bombardeado e ainda atônito, apenas estendeu uma das notas para o dono.
— Chefe, ele disse que isso é para o café. Quanto vale essa nota?
O dono estreitou os olhos para examinar o dólar e, de repente, arregalou-os, deixando escapar um grito. Ao redor, os clientes também soltaram exclamações surpresas.
— Isso é uma nota de dez mil dólares! E já nem circula mais, então pode ser vendida por uma fortuna para colecionadores!
‘Quanto vale dez mil dólares?’
Hayul fez as contas mentalmente e, um segundo depois, sua boca também se abriu num suspiro de espanto.
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Continua….
Ler Cão Real. Yaoi Mangá Online
(Do mesmo universo de: Noite De Caça.)
O telefone tocou em uma noite chuvosa.
Do outro lado do aparelho flui a voz de um homem que carinhosamente chama Hayul de ‘Rosie’.
[Você não sente minha falta? Eu estou quase enlouquecendo de tanta saudade.]
A ligação vinha de um número desconhecido, mas a voz de alguma forma era bastante familiar.
[Espere, irei ver você em breve.]
‘Agora me lembro dessa voz. A única pessoa que me chama de ‘Rosie’ – Pavel Yates Headington, o homem que eu matei sete anos atrás.’
***
A história de como um (Cão real) que cortou sua coleira e mordeu o dono antes de fugir, se tornou uma (Noiva real.)
Nome alternativo: Royal Dog