Ler Cão Real. – Capítulo 05 Online

Modo Claro

 

— Um casamento com um dote enorme?

Hayul assentiu com a cabeça.

— Sim. Está certo. A família Headington é uma família nobre de longa tradição, mas o duque Headington não tinha grande talento para negócios e acabou acumulando enormes dívidas. Ele via os filhos alfas reais como patrimônio. Achava que, se criasse bem um filho, poderia usá-lo para entrar na família real.

— Está falando da família real britânica?

— O sonho do duque Headington era entrar para a família real britânica, mas parece que isso não foi fácil. Então, surgiu uma proposta de casamento vinda da família real marroquina.

Marco soltou uma grande risada irônica.

— Que absurdo. E como ele lidava com seus desejos sexuais? O cara é um alfa Real.

— Com supressores ou através de… masturbação.

E também recorrendo à boca e às mãos de outras pessoas. Sem qualquer relação direta, apenas utilizando a boca ou as mãos para aliviar o desejo sexual de Pavel. Esse era um dos trabalhos que Hayul realizava.

— Então ele realmente não transou com ninguém?

— Pelo que sei, foi assim. Além disso, ele não era do tipo que transbordava de desejo sexual.

— Um sujeito excessivamente perfeito… a ponto de ser irritante. Todos os alfas reais que conheço são devassos. Como diabos ele conseguiu se conter?

— Foi criado sob um pai extremamente rígido. Todos os filhos daquela casa eram iguais. Retos e moralmente impecáveis, como se tivessem saído de um molde.

De fato, o duque Headington que Hayul conhecia era um homem excessivamente severo.

Apesar de viver de forma devassa e egoísta, ele mantinha a própria família sufocada. Todos na família Headington precisavam ser racionais, inteligentes e, geneticamente, superiores. Eram o modelo perfeito de família aristocrática, como se tivessem sido pintados – e qualquer membro que se desviasse minimamente daquele molde recebia castigos severos.

Isso não significava que o duque não amasse seus filhos. Pelo contrário, após a morte da esposa legítima, ele desenvolveu um carinho especial pelo filho caçula, nascido de um ardente romance com uma bela mulher que conheceu na Rússia.

Pavel, criado sob esse amor, era um filho excepcional desde criança. Um Alfa Real perfeito, atendendo a todos os padrões do duque. Como sua mãe morreu logo após o parto e seu único parente de sangue era o próprio pai, Pavel se esforçou ainda mais para corresponder às expectativas dele. Queria sempre ser o filho amado. Já era um garoto excepcional, mas, com esforço árduo, chegou a beirar a perfeição.

Ele obedecia incondicionalmente às palavras do pai e jamais se desviava do caminho de sucesso que ele traçará. Pavel Headington era o maior orgulho do duque Headington – sua obra-prima perfeita.

Quando Hayul viu Pavel pela primeira vez, pensou apenas uma coisa:

‘Como pode existir alguém assim?’

Era como se fosse o exemplo perfeito de “Alfa Real” tirado de um livro.

Um sorriso encantador, olhos azuis cheios de vida que completavam uma aparência bela e harmoniosa. Roupas perfeitamente alinhadas, corpo esculpido, postura elegante. Uma aura confiante e arrogante. Um alfa real que, mesmo tendo aparência e físico perfeitos, falava sobre votos de castidade e jamais tivera qualquer relação sexual.

Hayul, que já tinha visto de tudo enquanto vivia nos subúrbios pobres, jamais havia encontrado alguém assim. Nunca tinha visto alguém tão intocavelmente puro.

Onde quer que fosse, ele hipnotizava as pessoas com seus olhos incrivelmente azuis – mas eles nunca se fixavam em ninguém. Ele era sempre gentil e cortês com todos, mas havia uma barreira invisível entre ele e os outros.

Pavel Headington era como uma obra de arte guardada numa vitrine de museu. Muitos se aproximavam, mas ninguém era permitido dentro da vitrine. Por mais que estendessem a mão, ele permanecia inalcançável.

Contudo, quando aqueles olhos azuis que hipnotizavam todos se voltavam para Hayul, algo mudava. O azul claro e cristalino se tornava denso e pegajoso. A única coisa que preenchia aqueles olhos, antes como contas de vidro, era um desejo sexual avassalador. Pavel olhava para Hayul com um brilho intenso e o chamava com  voz grave e perigosamente doce:

“Venha aqui, Rosie.”

O único que podia entrar naquela redoma de vidro ultra protegida, era Hayul. E só ele conhecia a verdadeira natureza escondida por trás daquela casca perfeitamente bela.

— Mas o duque de Headington te manteve como secretário do filho dele mesmo sabendo que você era um sub-beta?

A voz de Marco o fez despertar dos pensamentos.

— Justamente porque sou um sub-Beta. Se o filho dele se cansasse e me quebrasse, poderia me descartar facilmente.

Marco fez uma expressão de quem entendia.

— Mas acho que não foi só por isso. Talvez eu fosse um substituto para o cachorro morto.

Na época, o nome Rosie que Pavel deu a Hayul era o mesmo do cachorro que ele tanto estimava e que havia morrido.

— Substituto de um cachorro? Que pervertido, hein?

Ele realmente era um pervertido. Mas não era como se alguém que tinha dado a ele, um ex-integrante das forças especiais, o apelido de Anjo e o obrigava a chupar seu pau, tivesse moral para falar.

— Pavel é cinco anos mais novo que eu. Como ele não tinha um bom relacionamento com os irmãos, acho que me via como um irmão mais velho e se apegou a mim.

— Ah, claro, que bonitinho.

Marco riu com deboche, como quem já sabia a verdade. Hayul não respondeu. Porque era verdade. A obsessão de Pavel por ele não tinha nada de fraterna. Era densa, insistente, quase doentia. Dizer que ele confiava e o seguia como um irmão mais velho… até soava engraçado. Que tipo de louco deitaria o “irmão” e o montaria como um animal?

— Talvez fosse só o tédio da vida dele, precisando de alguma emoção. Alfas têm disso. Nascem com tudo, então a vida parece sem graça. Mas você… você é interessante. É diferente. Tem um charme que chama atenção, sabe?

— É mesmo? — perguntou Hayul, com um tom seco, sem qualquer emoção. Marco soltou um riso curto.

— Por que acha que eu te mantive vivo? Você nem é meu tipo.

Marco só se relacionava com asiáticos, mas seu gosto pessoal era por garotos magros e delicados. No caso de Hayul, nem o rosto nem o corpo eram o que ele normalmente preferia.

Com 1,80m de altura, um físico robusto para um asiático, cabelos pretos tão densos quanto as sobrancelhas e olhos igualmente negros, pele bronzeada de anos no exército, e um jeito quase sempre fechado, Hayul era mais um homem de presença máscula do que um belo garoto.

— Sou exigente. Você não é meu tipo, mas é uma obra de arte. Sinceramente, quando te vi pela primeira vez, achei que fosse um alfa.

— No exército, todo mundo achava o mesmo.

De fato, pela aparência, Hayul lembrava muito mais um alfa.

— E aí descubro que nem beta você é, mas um sub-beta. Confesso que fiquei surpreso.

— As ervas daninhas e os mestiços são sempre os mais resistentes.

Felizmente, Hayul havia nascido com um corpo saudável, sem nenhum problema. Entre as crianças do subúrbio, ele era o mais forte. No tempo das forças especiais, aguentou treinamentos infernais que até soldados alfa desistiram no meio, surpreendendo os instrutores.

Marco o olhou como quem avalia uma relíquia rara comprada a um preço alto num leilão, estreitando os olhos e examinando todo seu corpo.

— Eu gosto de estímulo. De coisas novas. Desde a primeira vez que te vi, você foi intenso, e continua sendo sempre diferente. É como uma chama que nunca se apaga, queimando o dia todo. Quente e selvagem. Mas, por dentro da boca, é macio como veludo.

Era um elogio exagerado. Hayul, não acostumado a ouvir esse tipo de coisa, sentiu o corpo todo se contorcer de desconforto.

— Além disso, você é bonito. Não são só as rosas de um jardim bem cuidado que são belas. As flores silvestres, crescendo ao acaso no campo, também têm sua beleza.

A vergonha e o constrangimento quase reviravam seu estômago.

Pela beleza convencional, Marco, como Alfa, era muito mais bonito. Com aquele porte esguio característico, pele clara e rosto impecável, parecia saído de um quadro. Quando Hayul o viu pela primeira vez, ele vestia um terno branco sob medida, e seus cabelos, banhados pela luz intensa do sol, junto do rosto reluzente, o faziam parecer um anjo.

Palavras como ‘bonito’ ou ‘lindo’ eram para homens como aquele. Nem quando era criança Hayul tinha ouvido alguém chamá-lo de bonito. Ele sempre foi uma criança brava como um cão selvagem. Mesmo na favela, era famoso por seu gênio terrível.

E mesmo agora, nada mudou. Até os membros da organização faziam de tudo para evitar Hayul. Ao andar pela rua, bastava franzir um pouco o rosto para que os transeuntes ao redor se assustassem e se afastassem. Compará-lo a uma flor? Aquele sujeito definitivamente não tinha juízo.

Marco sorriu e voltou a falar:

— Vamos voltar a falar de Pavel Headington.

— Não tenho mais nada a dizer. Ele era um homem sem qualquer mácula, não se metia em encrenca. Levava uma vida saudável, estudava, fazia esportes, ia à igreja… não havia nada de problemático nele.

— E um cara que matou três pessoas nessa idade não era problemático?

— O… quê?

Hayul ergueu a cabeça, surpreso. Aquilo o deixou genuinamente atônito. Era a primeira vez que ouvia aquilo. Pavel havia matado três pessoas?

— Por que está surpreso? Não sabia disso?

— Não. Eu trabalhei naquela casa apenas alguns meses, então…

Marco semicerrou seus belos olhos amendoados, olhando fixamente para Hayul sem dizer nada. Era impossível adivinhar no que ele estava pensando.

— E deixando de lado a família Headington, que tipo de relação você tinha com Pavel?

A maneira casual, mas carregada de significado, com que ele jogou a pergunta no ar, parecia cortar fundo. O olhar penetrante dava a sensação de atravessar a alma de Hayul.

— Eu era apenas o faz-tudo de Pavel Headington.

Respondeu de forma firme, sem mudar a expressão, cortando o assunto ali mesmo.

— Duvido que Pavel Headington não te via apenas como um simples faz-tudo.

Hayul tinha uma boa ideia do que ele queria insinuar, mas não queria admitir. Independentemente de como o visse, para ele, Pavel não passava de um patrão cruel como um cão raivoso. Nada mais, nada menos.

— Então… você seria capaz de matar Pavel Headington?

— Sim.

Respondeu olhando Marco diretamente nos olhos, sem hesitar nem por um segundo. Não havia motivo para vacilar. Se Pavel aparecesse diante dele agora, ele seria capaz de atirar na cabeça dele sem pensar duas vezes.

— Se houver alguma missão relacionada a Pavel Headington, por favor, me deixe cuidar disso pessoalmente.

Acrescentou com firmeza. Marco pareceu satisfeito com a resposta, recostando-se na cadeira com um sorriso. A madeira rangeu.

— Eu odeio Alfas Reais.

Nesse ponto, eles dois concordavam. Hayul também odiava profundamente os Alfas Reais. Pessoas que nasciam com genes superiores, “escolhidas por Deus”, que reinavam como reis, explorando, esmagando e oprimindo os outros com arrogância.

Marco, que nascera como um alfa comum e que, mesmo que morresse e renascesse, jamais subiria ao topo da elite, nutria uma inveja rancorosa por eles. Por isso, ele aceitava apenas trabalhos que os tinham como alvo. Parecia sentir prazer em poder controlar o fio da vida deles. Como Hayul também os desprezava, sentia uma satisfação particular neste trabalho.

E, entre todos os Alfas Reais que detestava, Pavel Headington era o que mais odiava. A ponto de querer despedaçá-lo dezenas de vezes.

Marco girou a cadeira, levantou-se e aproximou-se de Hayul. Agarrou com força a parte inferior do corpo dele, que estava ereta desde algum tempo atrás. Segurando-o pelo ponto sensível, fez Hayul estremecer, e roçou os lábios contra a sobrancelha dele, sussurrando de forma úmida:

— Por que você está assim, tão duro?

— Eu também tenho desejo sexual.

Marco soltou uma risada baixa. A mão dele continuava a acariciar e apalpar a parte inferior do corpo de Hayul sem qualquer cerimônia. Os movimentos dos dedos tateando pelas nádegas eram tão claros que podiam ser sentidos mesmo por cima da roupa, fazendo as coxas dele estremecerem levemente. Sentiu a cueca se encharcar. Quando as mãos se fecharam em suas nádegas, Marco mordeu seu ouvido e sussurrou:

— Como costuma aliviar esses desejos? Tem alguém?

— Não.

— Vai a algum bordel ou chama uma garota de programa para resolver isso?

— Eu não gosto desse tipo de coisa. Também não quero satisfazer meu desejo sexual com dinheiro.

Marco deixou escapar um leve riso.

— E se masturbar?

— Às vezes.

Os dedos dele deslizaram pelo tecido, acariciando suavemente a protuberância por cima da roupa. O toque era intencionalmente úmido, provocador.

— Você só chupou ou já experimentou ser penetrado?

— Nunca. E sugiro que nem tente. Se me valoriza, é melhor deixar pra lá. Sou mais frágil do que pareço.

Marco soltou uma gargalhada alta.

— Frágil? Quem? Você, Anjo? Até hoje quantos você já matou?

— Mesmo assim, eu não passo de um sub-beta, não é?

— É por isso que gosto de você.

Ele riu baixo e, aproximando-se, deu um beijo estalado na orelha de Hayul. Tirando a mão que mexia lá embaixo, Marco usou-a para dar leves tapinhas nas nádegas dele.

— Confio que vai resolver tudo direitinho, Anjo.

Mesmo que ele não dissesse, Hayul já tinha decidido que desta vez faria tudo com perfeição. Tanto com Steve quanto com Pavel Headington. Nunca mais falharia.

— Não me traia. Eu não quero ter que matar você com minhas próprias mãos.

A última frase de Marco, jogada pelas costas enquanto Hayul se virava para sair, veio carregada de um espinho afiado.

 

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Continua…

 

 

Ler Cão Real. Yaoi Mangá Online

(Do mesmo universo de: Noite De Caça.)
 
O telefone tocou em uma noite chuvosa.
Do outro lado do aparelho flui a voz de um homem que carinhosamente chama Hayul de ‘Rosie’.
[Você não sente minha falta? Eu estou quase enlouquecendo de tanta saudade.]
A ligação vinha de um número desconhecido, mas a voz de alguma forma era bastante familiar.
[Espere, irei ver você em breve.]
‘Agora me lembro dessa voz. A única pessoa que me chama de ‘Rosie’ – Pavel Yates Headington, o homem que eu matei sete anos atrás.’
***
A história de como um (Cão real) que cortou sua coleira e mordeu o dono antes de fugir, se tornou uma (Noiva real.)
Nome alternativo: Royal Dog

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