Ler Cão Preso na Gaiola (Novel) – Capítulo 06.6 Online


Modo Claro

Capítulo 6.6 Vínculo

Seu corpo encolhido parecia um bicho-de-conta, pequeno e frágil. Se pressionado, parecia que tremeria e seria esmagado facilmente, como um inseto insignificante. Jung Heeyeon agarrava o estômago com os dois braços, suportando a dor em silêncio. Todo o seu corpo doía, da ponta dos dedos das mãos à ponta dos pés, mas a dor em seu abdômen era a pior — era insuportável. Parecia que todos os seus órgãos internos haviam sido moídos.

Esta era a dor familiar que sempre se seguia a uma injeção. Como era uma dor à qual ele estava acostumado, esse momento da noite também era familiar. Pela manhã, seria tolerável. Ele só precisava aguentar até o amanhecer.

— Ugh…

Com grande esforço, ele moveu os braços trêmulos e puxou para baixo o cobertor que o cobria até a cabeça. Seus lábios, agitando-se incontrolavelmente, abriram-se ligeiramente antes de ele morder o cobertor branco puro, enfiando-o na boca. Por um breve momento, ele achou que podia detectar o cheiro de tecido seco ao sol, mas a dor rapidamente entorpeceu todos os seus outros sentidos.

Mordendo o cobertor, Jung Heeyeon fez o seu melhor para abafar os gemidos. Se ele cerrasse os dentes sem nada entre eles, eles seriam danificados, e se seus dentes fossem danificados, o mordomo ou o Presidente certamente o repreenderiam. Ele conseguia suportar ser espancado, mas ser trancado dentro do cercado como punição era algo que ele não podia suportar.

Suor frio escorria de seu corpo, escurecendo os lençóis recém-trocados em um cinza opaco. Enquanto sua mente febril oscilava em agonia, ele de repente se lembrou das palavras do médico assistente, que havia aplicado a injeção naquela manhã, como sempre.

— Não é como se você fosse um boneco.

Seu médico era um homem de poucas palavras. A menos que fosse necessário para um diagnóstico, ele raramente iniciava uma conversa. Naquele dia, após administrar a injeção, ele havia murmurado baixinho para si mesmo enquanto olhava para Jung Heeyeon. Talvez ele achasse estranho que um ômega pudesse permanecer tão sem emoção, apesar de conhecer a dor que inevitavelmente viria a seguir.

— Você não tem expressão, não tem emoção.

Em vez de responder, Jung Heeyeon simplesmente o encarou. O homem beta era um médico especializado em feromônios. Mas ele não era um homem ético. Se fosse, não teria feito vista grossa ao aprisionamento de um menor. Além de apenas tolerar o abuso, ele havia, ao longo dos anos, administrado injeções de infertilidade em um ômega dominante — algo que ia além da mera falta de ética e, em vez disso, desconsiderava completamente o Juramento de Hipócrates.

E, no entanto, parecia que ele não era inteiramente desprovido de simpatia. Em raras ocasiões, quando Lee Yootae não estava por perto, ele falava com Jung Heeyeon em uma voz extremamente baixa, mal movendo os lábios.

Ele não dava palavras de conforto. Talvez fossem apenas murmúrios ociosos. O médico havia diagnosticado Jung Heeyeon com síndrome de privação emocional. Como ele havia sido privado de todos os relacionamentos humanos e experiências externas durante seu período de crescimento, suas emoções também foram arrancadas à força.

Jung Heeyeon não era tolo o suficiente para ignorar as implicações negativas desse diagnóstico.

Mas mesmo quando o ouviu, ele apenas o aceitou sem pensar muito. Afinal, seu único dever era esperar até a idade adulta, casar-se com o alfa que o Presidente arranjasse para ele e gerar o filho dessa pessoa.

Para isso, as injeções eram necessárias. Ofegante, Jung Heeyeon logo esqueceu a conversa com o médico. A dor era avassaladora demais para ele pensar em qualquer outra coisa.

— Hngh… Ugh.

Nem mesmo lágrimas fisiológicas vinham. Ou talvez sua mente estivesse nublada demais para notar se elas vinham. Enquanto a agonia implacável o dilacerava, Jung Heeyeon finalmente cuspiu o cobertor que estava enfiado em sua boca. Suor e saliva haviam penetrado nos lençóis, deixando-os úmidos. Seus olhos sem foco olharam fixamente para algum ponto indistinto no quarto antes de ele de repente franzir as sobrancelhas. As ondas de dor tornaram-se mais agudas, apunhalando todo o seu corpo.

Em um esforço para suportar a dor, Jung Heeyeon mordeu o próprio braço. Ele precisava desviar a dor para outro lugar — só assim o tormento em seu estômago poderia ser atenuado, mesmo que ligeiramente. Parecia que algo rastejava por suas veias como uma cobra. Vagamente, ele percebeu que esse algo eram seus próprios feromônios.

Sempre que recebia uma injeção, seus feromônios rastejavam por seu corpo, arranhando e rasgando suas entranhas. A única vez que ele podia realmente sentir seus próprios feromônios era dentro da dor familiar dessas noites escuras.

Algo dentro dele devia estar quebrado, porque nos dias em que não recebia a injeção, ele não conseguia sentir seus feromônios de jeito nenhum. Essa também era a razão pela qual ele nunca percebia quando eles vazavam incontrolavelmente. E era por isso que o Presidente Jung o chamava de vira-lata — embora ele não soubesse desse fato.

— Dói…

Enquanto afastava os lábios do braço, ele murmurou fracamente. Ele havia se debatido de dor por tanto tempo que não tinha mais forças para se morder. Através de sua visão embaçada, ele viu a marca distinta de seus dentes em seu braço. Provavelmente ficaria roxo, mas seu corpo já estava coberto de hematomas, mais um não faria muita diferença.

Deixado sozinho, o Ômega fechou os olhos. Amanhã estaria tudo bem. Sempre ficava.

Lentamente, Jung Heeyeon abriu os olhos. Suas palmas estavam úmidas, talvez de suor frio. Parecia que ele acabara de acordar de um pesadelo, mas nenhuma imagem específica vinha à mente. Além da grande janela, o céu noturno se estendia infinitamente. Um brilho fraco cintilava à distância, provavelmente a lua, escondida atrás de nuvens espessas.

— ……

Estranhamente, a visão do céu o tranquilizou. Ser capaz de ver o céu significava que ele estava em um apartamento de alto padrão, a casa de Yeon Woobeom . Como se para confirmar isso, um pequeno globo de neve repousava silenciosamente perto da janela.

— …Ah.

Enquanto Jung Heeyeon tentava se sentar, ele gemeu e segurou o abdômen. Uma sensação desconhecida acumulava-se pesadamente dentro dele. Por alguma razão, seu rosto parecia quente.

Ele piscou lentamente. Então, sem que ele percebesse que ela estava lá, uma única lágrima escapou de seu olho e caiu nas costas de sua mão.

Suas bochechas estavam queimando, mas suas lágrimas pareciam mornas.

Foi só isso. Felizmente, as glândulas lacrimais ressecadas não liberaram outra gota de lágrima. Jung Heeyeon olhou fixamente para o líquido morno infiltrando-se nas costas de sua mão, então virou lentamente a cabeça. O céu escurecido infiltrou-se em sua visão.

A janela descoberta revelava totalmente as profundezas do céu noturno.

Se havia uma coisa inútil no quarto, era sem dúvida aquela cortina. Ela nunca servira uma única vez ao seu propósito de bloquear a vista, nem à noite nem durante o dia. Isso era porque o dono do quarto gostava da visão do céu através da grande janela. Era uma vista que ele nunca imaginara, muito menos ousara desejar, na época em que vivia entre os muros.

Um suspiro profundo finalmente escapou de seus lábios. Estaria ele inconscientemente prendendo a respiração? O pequeno suspiro prolongou-se silenciosamente por um longo tempo. Piscando vagamente, Jung Heeyeon levantou-se lentamente e caminhou em direção à janela. Abaixo de seus pés, inúmeras luzes brilhavam.

— Tão bonito.

A luz nunca deixara de ser bela uma única vez. Talvez fosse uma luz que ele jamais teria pisado em sua vida. Se ele não tivesse seguido aquele alfa desconhecido até este lugar.

Ele nunca havia realmente pensado no porquê de gostar do céu visto do alto ou das luzes espalhadas abaixo dele. Mas agora, sentia que finalmente entendia. Porque era completamente diferente da vista que ele tinha dentro dos muros.

Jung Heeyeon colocou a mão contra o vidro. O céu escuro da noite infiltrou-se em sua palma.

Sempre que percebia de repente que estava sozinho, uma emoção desconhecida se infiltrava. E a cada vez, olhar para o céu à sua frente e para a paisagem se estendendo abaixo o fazia se sentir um pouco melhor. Olhando para trás, parecia que aquela emoção desconhecida fora ansiedade. Ser deixado sozinho aqui não era diferente de estar dentro dos muros, e ele temia isso.

Talvez fosse por isso que capturar momentos que ele jamais poderia ter visto de dentro daqueles muros o fazia se sentir melhor. Afinal, este lugar era praticamente uma zona livre de crimes.

Jung Heeyeon lentamente deixou os braços caírem e brincou distraidamente com o globo de neve. Então, ele se agachou em frente à janela. Seria bom se Yeon Woobeom estivesse aqui, mas ele não era tão infantil a ponto de ir ao quarto dele porque acordou no meio da noite. Mesmo que lhe faltasse interação com os outros, ele não era sem-vergonha o suficiente para ser completamente ignorante quanto à etiqueta.

— …Ah. Já deve estar quase na hora da minha injeção.

Murmurando para si mesmo, ele subitamente recordou o conteúdo vago de seu sonho. Abraçando os joelhos, ele mexeu os dedos dos pés. Ele não tinha ideia do porquê de algo tão trivial ter aparecido em seu sonho ou do porquê de lágrimas terem surgido.

Encostando a cabeça contra a parede, a sensação fria passou de sua têmpora para sua bochecha corada. Ele não podia confirmar, mas sentia como se suas bochechas devessem estar tingidas de vermelho. Jung Heeyeon olhou fixamente para o globo de neve repousando entre seu colo e seus braços. As partículas brilhantes e a neve branca permaneciam assentadas silenciosamente no fundo da cúpula de vidro em vez de flutuarem no ar. Ainda assim, era uma visão bela.

— Se você não quiser mais depois… Então pode simplesmente jogá-lo fora, Heeyeon.

As palavras que Yeon Woobeom dissera casualmente quando lhe deu o globo de neve ressurgiram em sua mente. Jung Heeyeon tocou levemente o vidro frio com o dedo e fechou os olhos lentamente. Este era um presente dele. Não havia como ele se cansar disso.

Continua…

⌀ ⌀ ⌀

✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna

Ler Cão Preso na Gaiola (Novel) Yaoi Mangá Online

Sinopse:
A sensação de flutuando na água. O cheiro de ferro enferrujado. Uma jaula cercada por todos os lados.
— O que é isso agora?
Um rosto tão frio quanto o ar do inverno.
— O que eu deveria receber era…
Uma cicatriz acima da pálpebra e,
— Não esse tipo de vira-lata.
Olhos ferozes, como se pudessem devorar alguém.
— …Ah.
E o cheiro salgado do mar.
Esse era um mundo que Jung Heeyeon nunca tinha visto antes.
Nem uma única vez.

Abrindo os olhos dentro de um contêiner vazio, Jung Heeyeon segue um homem que nunca conheceu antes sem resistência, simplesmente porque o homem é um alfa dominante.
Enquanto isso, o Diretor Yeon recebe uma ligação do Chefe Nam, que lhe enviou um “presente”, e descobre que o ômega no contêiner é parente do Presidente Jung, uma figura de um passado sombrio.
— Heeyeon.
— … Sim?
— Você tem dezenove anos?
— Sim.
— Então você é um bebê.
— Eu não sou um bebê.
— Bebês geralmente odeiam ser chamados de bebê.
— Não é assim… Quer dizer, eu tenho dezenove…?
Diante dessa resposta sincera, o Diretor Yeon solta uma risada suave.
— Você vai dar trabalho, não vai?
— Vou tentar… não ser um fardo.
— Não se preocupe, Heeyeon.
— ……
— Eu gosto de coisas que exigem muita atenção.
O homem, que trouxe Jung Heeyeon para dentro de sua casa, faz uma sugestão gentil.
— Que tal chamarmos isso de acordo?
— Acordo?
— Porque eu preciso de você.
Nome alternativo: Dog On The Hutch Co Preso Na Gaiola Cachorro Preso Na Gaiola

Gostou de ler Cão Preso na Gaiola (Novel) – Capítulo 06.6?
Então compartilhe o anime hentai com seus amigos para que todos conheçam o nosso trabalho!