Ler Cão Preso na Gaiola (Novel) – Capítulo 01.8 Online

Capítulo 1.8 Zona de alta criminalidade
Foi logo depois de terminarem o café da manhã simples.
— Heeyeon.
— Sim?
Diretor Yeon chamou seu nome com aquela voz gentil e familiar. Jung Heeyeon pegou a xícara de chá que ele ofereceu. Ao contrário da xícara do homem, que cheirava a café, a xícara de Heeyeon tinha um aroma perfumado. Curioso, ele levou a xícara ao nariz para sentir o cheiro. O homem sentado à sua frente riu baixinho. Depois de confirmar o aroma levemente amargo, Heeyeon olhou para ele, e Diretor Yeon inclinou-se para perto, falando em voz baixa com uma expressão gentil.
— Eu vou usar você.
Era a ameaça mais gentil que Jung Heeyeon já tinha ouvido.
— Sim.
Mesmo com a palavra usar, Jung Heeyeon apenas assentiu levemente e levou a xícara de chá morna aos lábios, sem esquecer de responder educadamente. Baixando o olhar, notou o líquido verde. Pensando que poderia estar quente, ele encostou os lábios na xícara com cuidado e a inclinou lentamente. O líquido morno tocou seus lábios, passou pela língua e desceu suavemente. Tinha gosto de chá verde levemente amargo.
Focado em beber o chá, ele não percebeu a sobrancelha do Diretor Yeon se erguer levemente.
— Você deveria dizer não.
Como se nunca tivesse tido uma expressão confusa, Diretor Yeon deu um sorriso fraco e bateu o pé levemente. Não era o tipo de conselho que se esperava de alguém que tinha declarado abertamente sua intenção de explorá-lo.
— Perdão? Mas… por quê?
Jung Heeyeon perguntou, com os olhos se arregalando um pouco. A mudança em sua expressão fez Diretor Yeon, que bebia café, encará-lo intensamente. Foi a primeira vez que viu qualquer outra expressão no rosto de Heeyeon; ele sempre mantinha um olhar neutro, mesmo quando estava no contêiner ou quando era chamado de bebê.
Embora ele tivesse sorrido fracamente mais cedo ao expressar gratidão por responder que estavam perto do mar, aquele sorriso tinha sido habitual. Agora, no entanto, sua expressão estava profundamente preenchida com uma emoção genuína pela primeira vez. Seus olhos, já complacentes, ficaram ainda maiores, assumindo um formato macio e arredondado.
— Você perguntou por quê?
— Fui ensinado que um ômega serve para ser usado por um alfa…
Diante da resposta de Jung Heeyeon, Diretor Yeon soltou um suspiro baixo e pousou sua xícara de café na mesa. O som do vidro encontrando o vidro soou um pouco áspero.
— Quem te disse isso?
— O mordomo disse.
— Foi ele o desgraçado que bateu em você?
O homem examinou a pele clara que espreitava por baixo do pijama do outro. Sob o escrutínio descarado, Jung Heeyeon baixou a cabeça para olhar o local onde os olhos do Diretor Yeon tinham pousado. Era um pijama de botão comum, mas estava levemente grande, deixando suas clavículas parcialmente visíveis. Uma marca azulada tênue se destacava.
— Oh… isso é só porque fui punido por fazer algo errado…
Jung Heeyeon ajustou o pijama, envergonhado por ter o hematoma visto. Por alguma razão, ele se sentiu estranhamente envergonhado pelo fato de o homem notar aquele vestígio de violência. Nunca o incomodou quando Lee Yootae ou os outros viam, mas o pensamento de Diretor Yeon ver aquilo o fez sentir um senso de vergonha.
Era como se um segredo que ele nunca deveria ter revelado tivesse sido exposto.
— Por fazer algo errado?
— Sim.
Diretor Yeon olhou brevemente para o hematoma no pulso de Jung Heeyeon. Quando ele levantou o braço para esconder o hematoma perto da clavícula, a manga do pijama deslizou para baixo, expondo seu pulso. Jung Heeyeon não pareceu notar, já que ainda segurava a frente do pijama perto do peito.
— Hmmm, é mesmo?
Ele também já viveu pensando que tudo era culpa sua. Diretor Yeon, suprimindo a raiva leve que não sentia há muito tempo, perguntou em um tom calmo.
— Então aquele mordomo te ensinou isso? Ou o presidente Jung disse a ele para fazer isso?
— Você conhece o presidente?
— Sim.
— Ah…
— Eu o conheço bem.
Diretor Yeon sorriu gentilmente enquanto olhava para Jung Heeyeon.
Ele tinha se perguntado se Jung Heeyeon pareceria diferente na luz da manhã, mas estava claro agora que Jung Heeyeon não tinha nada em comum com o presidente Jung. Era difícil acreditar que um garoto tão gentil e inocente viesse daquele homem repugnante. Talvez ele se parecesse mais com seu pai, o falecido filho do presidente, do que com o próprio presidente.
Se este ômega se parecesse com o presidente Jung, ele o teria tratado com a mesma bondade fingida de agora? Percebendo que este era um pensamento inútil, Diretor Yeon o afastou. De qualquer forma, Jung Heeyeon era uma vítima.
— Heeyeon.
— Sim?
— Não existe essa coisa… de um ômega ter sido feito para ser usado por um alfa.
Ouvindo isso pela primeira vez, Jung Heeyeon piscou, seus dedos apertando a xícara de chá com força, fazendo suas unhas rosadas ficarem brancas.
— Somos apenas o mesmo tipo de ser humano. Quem vai usar quem?
Jung Heeyeon encarava Diretor Yeon, tão focado que nem percebeu a tensão em suas mãos.
O homem que esclareceu que alfas e ômegas eram iguais estava apoiando um cotovelo no braço do sofá. Sua cabeça estava inclinada, com dedos longos apoiados contra a têmpora. Embora parecesse lânguido e relaxado, sua expressão era inabalavelmente firme.
— Então… Por que você disse isso para mim?
Jung Heeyeon perguntou, sua voz genuinamente confusa. Sua pergunta não continha a menor suspeita ou ressentimento em relação aos alfas, apenas pura curiosidade.
Ômegas e alfas eram o mesmo tipo de pessoas? Isso o fez lembrar da voz de Lee Yootae, sempre instruindo-o a dar aos alfas o que eles quisessem, e que usar ou explorar não eram palavras destinadas a ômegas. A correção do Diretor Yeon o fez questionar o que ele tinha aprendido por toda a sua vida.
— Oh, nosso Heeyeon é um bebê muito jovem para entender essas palavras completamente.
Diretor Yeon lembrou-se de que Heeyeon interpretaria cada palavra apenas em seu sentido mais literal, sem perceber que poderia significar algo totalmente diferente.
— Devo chamar de um acordo, então?
— Um acordo?
— Porque eu preciso de você.
Diante das palavras eu preciso de você, Jung Heeyeon assentiu calmamente. Ele estava acostumado a ouvir que alfas precisavam de ômegas. Percebendo que tinha ficado tenso, ele sentiu a rigidez em suas mãos relaxar lentamente com as palavras familiares. Jung Heeyeon olhou para a xícara de chá que segurava. Ainda estava morna. Suas unhas pálidas retornaram gradualmente a um tom rosado saudável.
— Como é um acordo, eu lhe darei o que você quiser quando terminarmos.
Jung Heeyeon levantou a cabeça lentamente diante disso e, depois de hesitar por um momento, murmurou com uma voz pequena.
— Mas eu não quero nada…
— Você não quer nada?
Diretor Yeon endireitou-se e perguntou. Apesar de ter vivido uma vida confinada, era difícil acreditar que um ser humano pudesse não ter desejos. Até o menor desejo serviria. Seu plano de usar Jung Heeyeon para derrubar o presidente Jung não tinha mudado, e, uma vez que as coisas acabassem, ele pretendia dar a Jung Heeyeon uma recompensa adequada.
— Um…
Jung Heeyeon começou cautelosamente, como se algo finalmente tivesse vindo à mente.
— Oh. O presidente Jung disse que eu absolutamente tenho que engravidar algum dia…
Ao ouvir isso, o rosto antes composto do alfa se contraiu levemente. Diretor Yeon fez uma careta ao pensar no presidente Jung. Parecia que ele ainda não tinha abandonado o hábito de vender ômegas com o propósito de gravidez. Ele sabia que o presidente estava tentando leiloar Jung Heeyeon para um alfa, mas ouvir isso diretamente da boca do ômega revirou suas entranhas.
Sentado à sua frente, Jung Heeyeon falava como se fosse a coisa mais natural do mundo. Em um instante, o humor do Diretor Yeon azedou. Um leve senso de simpatia ou parentesco por Jung Heeyeon agitou-se dentro dele. No entanto, em vez de revelar seus sentimentos, ele falou suavemente para acalmar Jung Heeyeon.
— Heeyeon.
— Sim?
— Isso soa mais como algo que o presidente Jung quer, não algo que você quer.
Jung Heeyeon ficou em silêncio diante da clara distinção de perspectiva. Até agora, ele acreditava que tudo o que o presidente quisesse era também o que ele mesmo deveria querer — ele tinha sido ensinado assim. Quanto mais conversava com Diretor Yeon, mais perdido ele se sentia.
Diretor Yeon esperou pacientemente que Jung Heeyeon falasse novamente.
— Eu tenho que… ter algo que eu quero? Eu não tenho certeza.
— Se você não tem desejos.
Diante da voz baixa do Diretor Yeon, Jung Heeyeon olhou para ele. A expressão do homem era tão relaxada quanto sempre, com um olhar preguiçoso e lábios curvados que pareciam indiferentes.
— A vida começará a parecer bem entediante.
No entanto, seu rosto guardava um cansaço inexplicável, como se sua vida tivesse perdido a alegria.
Jung Heeyeon encostou a testa na janela, observando a vista de Seul. O grande rio e o céu azul pareciam se fundir em cor, quase como se fosse um único céu, se não fosse pela longa ponte e pelos edifícios altos dividindo-os.
Não era tão intrinsecamente bonito quanto as luzes cintilantes da paisagem urbana que ele tinha visto na noite passada, mas, como alguém que pisava fora das muralhas pela primeira vez, a paisagem de uma vista tão alta era fascinante.
Diretor Yeon tinha saído, dizendo que tinha alguns negócios para tratar.
— Algo que eu quero…
Jung Heeyeon murmurou com uma voz quieta, semelhante a um suspiro. As palavras que o homem tinha dito continuavam a flutuar em sua mente — a afirmação de que ômegas não foram feitos para serem usados por alfas, que eles são apenas iguais a qualquer outro humano, a sugestão de considerar isso um acordo.
— Isso é difícil.
Tudo parecia difícil de entender.
Não era que ele não entendesse o que o homem estava dizendo, mas as emoções que surgiam eram confusas.
Com apenas algumas palavras simples, Diretor Yeon tinha negado tudo o que Jung Heeyeon tinha aprendido ao longo de sua vida, como se todos os seus ensinamentos estivessem errados. No entanto, parte dele achava estranho que ele estivesse tão abalado por aquelas poucas palavras.
Essas eram as palavras de um homem que ele tinha conhecido há menos de um dia. Logicamente, faria mais sentido confiar nas palavras do mordomo que estava com ele há tanto tempo, em vez das palavras deste homem. Mesmo assim, sua mente continuava entrando em confusão. Talvez fosse a expressão de desaprovação que Diretor Yeon fez, como se tivesse ouvido algo absurdo, que plantou fortemente o pensamento de que as palavras do homem poderiam realmente ser verdadeiras.
— Haa.
Ele teria ficado tão perplexo se outra pessoa tivesse lhe dito a mesma coisa? Apoiando a testa contra o vidro, Jung Heeyeon balançou a cabeça levemente. Este ainda era um problema difícil.
Continua…
⌀ ⌀ ⌀
✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna
Ler Cão Preso na Gaiola (Novel) Yaoi Mangá Online
Sinopse:
A sensação de flutuando na água. O cheiro de ferro enferrujado. Uma jaula cercada por todos os lados.
— O que é isso agora?
Um rosto tão frio quanto o ar do inverno.
— O que eu deveria receber era…
Uma cicatriz acima da pálpebra e,
— Não esse tipo de vira-lata.
Olhos ferozes, como se pudessem devorar alguém.
— …Ah.
E o cheiro salgado do mar.
Esse era um mundo que Jung Heeyeon nunca tinha visto antes.
Nem uma única vez.
—
Abrindo os olhos dentro de um contêiner vazio, Jung Heeyeon segue um homem que nunca conheceu antes sem resistência, simplesmente porque o homem é um alfa dominante.
Enquanto isso, o Diretor Yeon recebe uma ligação do Chefe Nam, que lhe enviou um “presente”, e descobre que o ômega no contêiner é parente do Presidente Jung, uma figura de um passado sombrio.
— Heeyeon.
— … Sim?
— Você tem dezenove anos?
— Sim.
— Então você é um bebê.
— Eu não sou um bebê.
— Bebês geralmente odeiam ser chamados de bebê.
— Não é assim… Quer dizer, eu tenho dezenove…?
Diante dessa resposta sincera, o Diretor Yeon solta uma risada suave.
— Você vai dar trabalho, não vai?
— Vou tentar… não ser um fardo.
— Não se preocupe, Heeyeon.
— ……
— Eu gosto de coisas que exigem muita atenção.
O homem, que trouxe Jung Heeyeon para dentro de sua casa, faz uma sugestão gentil.
— Que tal chamarmos isso de acordo?
— Acordo?
— Porque eu preciso de você.
Nome alternativo: Dog On The Hutch Co Preso Na Gaiola Cachorro Preso Na Gaiola