Ler Caminhando sobre às águas – Capítulo 41 Online
Já passava de uma hora da manhã quando saí do metrô. Esvaziei cerca de cinco garrafas de cerveja, e terminei vomitando uma água amarga. Depois de um tempo, dei um passo cambaleante em direção à entrada do edifício. Os degraus do edifício sem elevador eram pesados como mil bolas de ferro.
Embora seja um fato que ficou claro depois de mais de uma sessão de filmagem, o sexo anal não causava apenas dor física. Graças a isso, palavrões como “cuzão” não pareciam mais normais para mim. Havia tantos palavrões que tinham a palavra cu no meio que às vezes eu sentia o impulso de calar a boca de Ash. Achei que estava me incomodando com uma coisa idiota, então ri e girei a chave que havia colocado na fechadura.
— Wow… está quente.
Quando entrei na sala onde podia sentir o calor escaldante, minha cabeça tomada pelo álcool girou. Me encostei na parede, fechei a porta e tirei minhas roupas.
Empa estava deitado, dormindo nos tubos. É como uma cama de gato de verão, feita de vários canos planos, tinha o tamanho de uma almofada. Não há ar-condicionado, e também não poderia me dar ao luxo ligar um ar-condicionado em uma casa vazia, então essa foi a solução que encontrei. Os tubos foram enchidos com água e colocados no freezer, eu os tirava alternadamente todos os dias e colocava uma toalha fofa sobre eles.
A cama de Empa, o único lugar fresco da casa, já havia derretido e estava quente. Abracei o gato que estava dormindo como se tivesse desmaiado e coloquei os tubos no freezer. Embora estivesse exausto, meu corpo estava tão pegajoso que não consegui dormir sem tomar um banho.
Quando sai do banho enxugando a umidade do meu corpo molhado, Empa deu uma patada no meu pé. Vendo ele agir de maneira fofa, percebi que provavelmente estava atrás de um lanche. Abri a lata, coloquei na frente dela, peguei a calça que havia tirado e pendurei no cabide.
Então, o celular piscou. Uma mensagem chegou.
「Terminei a escultura. Você tem tempo para uma festa na quarta-feira à noite?」
Era uma mensagem de Janine. A mensagem foi enviada há apenas alguns minutos. Fiz uma ligação e depois de vários bipes, ouvi sua voz feminina.
[Oh. Você estava dormindo?]
— Cheguei em casa agora.
[Você está bêbado?]
— Uhm… eu não sei.
[ Quando você está bêbado fala muito. No passado, teria dito ‘Nossa’.]
— É assim mesmo.
[Humhum.]
Na sala abafada, quente e silenciosa, sua voz é a única coisa que escuto. Uma risada maliciosa escapou da minha boca ao ouvir a voz alegre dela.
Botei a camisa no cesto da lavanderia, coloquei o terno em um cabide e o pendurei na parede, procurei em meus bolsos por alguns resíduo de papel. Enquanto tirava anotações desnecessárias e recibos, encontrei um maço de cigarros com um camelo estampado nele.
[ Você está escutando?]
— …
[Edd. Está me ouvindo?]
— Hein?
[ Hein, o quê? Você não ouviu o que eu disse?]
— …Estou escutando.
[Então o que eu disse?]
— Bem… Você disse que ia dar uma festa.
No momento em que vi o camelo estampado no maço de cigarros, minha mente ficou em branco, mas não esqueci o que ela disse. Ela disse que havia concluído a escultura de Jennifer, que iria colocá-la no saguão da empresa amanhã à noite e daria uma festa.
[Você vem?]
— Tenho trabalho… É meio difícil.
[Que horas você sai?]
— Talvez…
Olhei para o meu relógio e respondi.
— Vou sair mais cedo, por volta das sete da noite. Por ser um evento de seminário… Eu não acho que vá acabar muito tarde.
[Eu posso atrasar a cerimônia aberta. Por favor, venha. Como eu disse, o processo de superar o bloqueio criativo e fazer arte foi bastante difícil. Você tem sido de grande ajuda.]
Eu também sabia o quão monumental era para ela. Na verdade, senti pena de Jack Black mas, por outro lado, fiquei curioso sobre sua reação. Eu respondi que iria à festa, sabia que ela estava pronta para me explicar todo o processo de criação, se eu não deixasse claro que iria.
Após a breve conversa, apaguei as luzes da sala. Me arrastei para a cama rangendo como uma máquina enferrujada. Tateei o colchão à procura do tapa-olho e percebi que ainda estava com o maço de cigarro na mão. Era o maço de cigarros fechado que McQueen tinha comprado para mim. As luzes da rua que cortavam a escuridão do lado de fora da janela refletiam fracamente no maço de cigarros. Na frente da caixa havia um desenho de camelo, parado sozinho sobre um fundo azul celeste e branco.
Fiquei olhando fixamente para ele e então, cansado e tomado pelo álcool, fechei os olhos. Com os olhos fechados, um camelo foi retratado caminhando pelo deserto. Um camelo caminhando sozinho pela vasta terra onde a Via Láctea se espalha sobre o céu, enquanto a lua nascia.
Na noite do deserto, o camelo solitário caminhando e olhando para as estrelas na escuridão congelante, logo se tornou eu. O camelo percorre a areia fofa do deserto, sem nada para fazer ou alguém para conversar.
No poema de Hortense Vlou < Deserto> o homem estava tão solitário que caminhou para trás para ver as pegadas à sua frente. Mas no deserto não me senti só, mesmo na solidão fria que cercava tudo. Como se fosse minha própria vontade ser lançado naquela solidão. A escuridão estrelada no silêncio era até pacífica.
Eu não estava sonhando. Quando voltei a abrir os olhos, me lembrei da realidade sem qualquer surpresa.
Eu olhei para o teto sem expressão e estendi minha mão. Acionei o alarme do celular enquanto sentia a textura do metal nas pontas dos dedos. Enquanto colocava o telefone na mesa ao lado da cama, me lembrei do rosto de Glenn McQueen, me dizendo para desligá-lo. Eu não desliguei o celular como havia me dito, mas mesmo dois dias após as gravações, não recebi nenhuma ligação de Lancer.
O que Glenn McQueen quis dizer quando me falou para desligar o telefone? Não importa o quanto eu pensasse sobre isso, não sabia dizer se era impaciência ou um impulso sem sentido. Fechei os olhos pensando no homem que se virou e foi embora, deixando apenas um maço de cigarros fechado, com um camelo estampado na caixa andando sozinho pelo deserto.
— Glenn McQueen.
Enquanto murmurava seu nome, outro pensamento passou pela minha cabeça. Logo foi varrido pelo cansaço e desapareceu.
***
Já passava das sete horas. O sol havia desaparecido além da terra e a escuridão se espalhou profundamente sobre a cidade.
Apressei meus passos por causa da promessa que fiz à Janine. Depois de sair da estação de metrô, corri um pouco. O vento estava frio por causa da velocidade de corrida, mas o calor se acumulou em meu corpo devido às passadas repetidas. Fiquei sem fôlego e meu estômago embrulhou.
Consegui chegar na frente do escritório de McQueen perto da East Village. Um suor quente escorreu pelo meu peito e não foi absorvido pelas roupas. Enquanto enxugava o suor da ponta do queixo com as costas da mão, olhei para dentro do edifício, iluminado no escuro.
Uma bandeira de arco-íris se agitava sobre o prédio, que estava iluminado até o terceiro andar. Sentindo meu coração bater forte sem motivo, respirei fundo e abri a porta.
Quando entrei, diferente das palavras de Janine, que seria apenas uma festinha, o saguão estava cheio de pessoas. Embora meu desconforto com o ambiente, a música da banda Scissor Sisters conhecida como “banda gay” estava tocando, e era boa. Haviam algumas mulheres, mas a maioria das pessoas eram homens. Eu não conhecia nenhum deles.
— Não é uma festa formal.
Vendo meu terno, o estranho franziu as sobrancelhas.
— Eu sei.
Ele riu da minha resposta. Bebendo um coquetel que segurava, se virou e sentou-se entre os homens sentados no sofá. Olhei para eles, falando alto e afrouxei um pouco a gravata apertada.
Eu abaixei minha mão antes mesmo de tirar meus óculos de sol e olhei ao redor do saguão. Todos estavam vestidos com roupas casuais. Eu era o único vestindo um terno ajustado. Passei pelas pessoas que não paravam de me encarar e fui até o meio do saguão. Havia uma escultura imponente lá. Ainda estava coberta com um pano branco antes de seu lançamento. Era muito maior do que eu esperava.
Peguei alguns canapés, atravessei o salão e abri a porta que dava para as escadas do outro lado do corredor. Quando subi para o segundo andar comendo os canapés, o estúdio também estava cheio de gente barulhenta. Enquanto isso, vi as costas de Janine, ela segurava um coquetel em uma das mãos e falava com muitas pessoas.
Olhei para ela por um tempo e depois fui até ela com um copo de Coca. Me aproximei e coloquei a mão levemente em seu ombro.
— Parabéns pela conclusão.
Ao olhar para trás Janine sorriu amplamente.
— Edd, você veio!
— A festa é maior do que eu pensava.
— Originalmente, eu iria manter as coisas mais simples, mas McQueen disse para convidar mais pessoas, para mostrar o que eu estava fazendo. Ele também contratou para um buffet de catering. Hades foi bem generoso.
— Mesmo?
— A comida está uma delícia. Coma bastante.
Eu balancei a cabeça e inclinei o copo de Coca. As pessoas ao meu redor também eram estranhas. Hmm, relaxei minha garganta, respirei um pouco, então limpei os lábios com as costas da mão.
— Eu… é, e quanto a McQueen?
Janine se virou para mim e perguntou. — Sim? Quando olhei para o olhar confuso no rosto da mulher, umedeci minha garganta novamente e disse.
— É… só que não vi ele em lugar nenhum.
— Ah… McQueen está se reunindo com alguns convidados.
— É mesmo?
— Ah, Taylor e Liam estão por aí, se você procurar vai encontrá-los. Jennifer foi a um distribuidor em Nova Jersey. Acho que não vai poder vir hoje, parece que há algo errado com o filme que gravamos no Reino Unido. Mas por que você está usando óculos escuros?
— É costume.
— Você está envergonhado?
Em vez de responder, eu ri. Não tem como todo mundo me conhecer, mas era desagradável estar à mostra assim. Tirei os óculos de sol, coloquei-os na caixa e botei na minha bolsa. Quando tirei meus óculos de sol, sua figura ficou mais evidente.
Ela havia descolorido o cabelo loiro o deixando quase cor de marfim. Usava um vestido curto vermelho, uma sombra de cor perolada nos olhos azuis celeste, e nos lábios, passou um batom vermelho. Em volta do pescoço, usava um colar de caveira adornado com suas contas favoritas. Eu disse, olhando para ela vestida como um bibelô de açúcar decorando um bolo:
— Está bonita.
— Você prestou atenção.
Na verdade, eu não gostei muito, mas ela riu mexendo no vestido.
— Você não inaugurou a estátua ainda.
— Eu ia fazer isso quando Jennifer chegasse, mas o cronograma ficou uma bagunça. Decidi revelá-la às nove horas.
O relógio na parede marcava oito e dez. Do outro lado da sala alguém chamou Janine.
— Vou falar com ele. Eu já volto.
— Não se preocupe comigo, faça o que tem que fazer.
Dando de ombros, ela acenou com a cabeça e atravessou para o outro lado do estúdio. As pessoas que a chamaram também eram desconhecidas. Eram homens que pareciam ter entre vinte e quarenta anos.
Achei que já tinha ido ao escritório de Glenn McQueen várias vezes, mas as únicas pessoas que estavam ali eram estranhos. Alguns estavam sem camisa, outros tinham piercings ou várias tatuagens grandes. Havia homens muito bonitos, também havia homens musculosos e desleixados e rapazes delicados.
Acho que saberia quem eram, sem precisar que eles se identificassem. Provavelmente eram pessoas envolvidas em pornografia, pornografia estritamente gay. Eles tinham uma atmosfera própria, sólida e única, a ponto de acharem engraçado se gabar da experiência de filmar vários gêneros amadores.
Posso ver que as coisas que vi, ouvi e experimentei até agora são apenas uma pequena parte do mundo da pornografia. Havia um muro alto entre eles e eu. A razão pela qual esta posição é desconfortável, talvez porque eu ainda sinta aversão a essas coisas.
— Esta não é uma festa formal.
O homem com quem Janine estava conversando a um tempo atrás, veio até mim e disse isso.
— Estou assim porque vim do trabalho.
— Ah, você trabalha em um escritório?
— Sim.
— É ótimo trabalhar em um escritório de terno.
Os dedos do homem se moveram sobre meus ombros como se ele estivesse tocando piano.
— Você é o Tommy certo?
Eu assenti.
— Você estava usando óculos escuros… eu não te reconheci porque você parecia muito diferente.
— Sim.
— Meu nome artístico é Sky Weston. Memorize. Não sei se vamos nos encontrar.
— Tommy? Quem é esse.
Um homem alto e robusto, vestindo uma camiseta branca com decote V grudada no corpo, olhou para mim e perguntou.
— É o cara que interpretou o passivo no gênero amador, daquela vez. Isso causou um rebuliço no fórum.
— Já faz muito tempo que não entro no fórum.
— Você sabe, aquele cara que fez o passivo com McQueen. Chester ficou louco. Você lembra?
— Ah… Aquele vídeo? Eu não vi ainda. Mas ele é famoso?
— Talvez? Sua estreia foi um tanto quente.
Weston murmurou e tirou a mão do meu ombro. Um homem mais alto que envolviam a cintura de outro com as mãos, disse:
— Você está tentando sair do gênero amador?
O homem me olhou de cima a baixo enquanto dizia isso. Ele provavelmente estava questionando a minha existência ali, que não parecia ser adequada para a festa.
— Não é bem assim. Vim por que sou amigo da Janine.
— Ah, aquela garota peculiar.
Ele olhou para Janine conversando com homens em roupas femininas do outro lado do estúdio.
— Eu também era um amador e me tornei profissional.
Continua…
Ler Caminhando sobre às águas Yaoi Mangá Online
Este romance conta a história de Ed Talbot, um jovem de vinte e quatro anos que herdou uma dívida com um agiota.
Por acaso, ele acaba se envolvendo no mundo dos filmes pornôs gays amadores dirigidos por “Straight”.
Inicialmente, Ed pretendia se afastar da indústria após gravar apenas um vídeo de masturbação solo, mas sua mentalidade começa a mudar ao conhecer Glenn McQueen.
Glenn McQueen é um homem que comanda dezenas de produtoras de filmes pornográficos. E Ed, sem perceber, acaba se apaixonando por esse homem experiente e libertino.
Nome alternativo: Walk On Waterwow