Ler Caminhando sobre às águas – Capítulo 32 Online

Modo Claro

[Há quanto tempo.]

Janine disse com uma voz sonolenta. O relógio do hotel na parede marcava 7h40.

— Parece que você estava dormindo.

[ Uh… Sim. Acabei de chegar da Inglaterra. ]

A voz ao telefone estava lenta e abafada como se ele tivesse acabado de acordar.

— Você deve estar cansada. Vá dormir. Eu te ligo outra hora.

[Bem, desculpe. Eu te ligo amanhã quando eu acordar.]

— Certo.

Desliguei o telefone depois de ouvir a voz cansada de Janine, parecia estar um pouco enjoada depois da viagem. Já que Janine voltou da Inglaterra e estava descansando em casa, Glenn McQueen também deve ter chegado em seu escritório.

Não posso dizer com certeza, mas lembro vagamente de ver o título do filme <You, the Living> na lista de DVD no arquivo organizada por Glenn McQueen. Depois de me lembrar disso em uma locadora de DVD há alguns dias, o desejo de assistir a esse filme ocasionalmente me perseguia.

Foi por isso que liguei para Janine para saber se McQueen havia retornado ao escritório. A primeira coisa que ele fez foi dizer que me emprestaria um DVD a qualquer momento.

Além disso, o escritório de Glenn McQueen ficava a apenas 10 minutos a pé, já que eu havia trabalhado em um evento que foi realizado em uma galeria de arte no East Village. Eu queria ligar para avisar, no caso dele estar dormindo como Janine, mas não sabia seu número de telefone. No final, decidi ir procurá-lo, mesmo que fosse por gentileza excessiva, ele me disse que emprestaria um DVD se eu quisesse.

O antiquado edifício marrom com bandeiras coloridas da cor do arco-íris penduradas nas paredes internas estava com as luzes desligadas. O único lugar um pouco iluminado era o quinto andar, onde Glenn McQueen geralmente passava seu tempo. Empurrei a porta da entrada, mas estava fechada.

Fiquei parado, olhei para a porta fechada e finalmente pressionei o interfone. Quando toquei a campainha pela segunda vez com um intervalo pequeno de tempo, uma voz familiar veio do interfone.

[Quem é?.]

— Err… sou eu, Edd Telbot.

Ou ele se esqueceu da existência do nome Edd, ou ficou intrigado com a aparição de um homem a quem não esperava a visita. Ele permaneceu em silêncio durante um longo tempo, só se escutava o chiado do interfone. No momento em que abri minha boca, me perguntando se deveria ter dito Tommy, uma voz fluiu pelo interfone.

[Vou te falar a senha, então digite e entre.]

Quando digitei os números complexos de seis dígitos e entrei, ouvi a porta atrás de mim trancando automaticamente.

Já passava das oito horas. Entrei no elevador pensando que só deveria pegar o DVD emprestado e voltar sem atrapalhar seu descanso. Como o elevador era conectado ao 4º andar, desci, abri a porta do 5º andar e subi as escadas.

A primeira coisa que vi foi um enorme mosaico em preto e branco cujo Glenn McQueen improvisou há mais de 10 anos. A imagem densa e sombria de um homem perdido em meio à névoa ainda estava gravada na fotografia sombria e intensa, chamada <Life of a Ghost>.

Parei para olhar o mosaico impressionante e virei a cabeça. Então vi Glenn McQueen sentado no sofá da sala.

Ele estava vestido casualmente com um casaco de lã preto fino, digitando no teclado do laptop que estava em seu no colo. Ele estava trabalhando, usava óculos de aros prateados finos apoiado na ponta do nariz.

Ele deve ter sentido a minha presença, mas não virou a cabeça. Como se fosse alguém que podia se dar ao luxo, continuei parado olhando em volta, depois de despejar todos os meus pensamentos. No entanto, contrariando as expectativas de que a espera seria longa, ele logo colocou o laptop sobre a mesa e se virou.

— O que posso fazer por você?

Embora parecesse cansado da viagem, não parecia tão sonolento quanto Janine, nem parecia incomodado com a visita repentina. Eu apenas respondi em um tom firme, ao contrário de antes.

— Não queria incomodar, só vim pegar um DVD emprestado.

— DVD?

— DVD… Você  disse antes que me emprestaria.

— Ah… Sim, foi.

Como se estivesse tentando se lembrar, ele suspirou em resposta. Eu ri sem jeito, meio constrangido. Se eu soubesse que seria assim, provavelmente não teria vindo. O homem olhou para mim, lentamente tirou os óculos, colocou sobre a mesa e se levantou.

— Hum. Você parece ter emagrecido nesse meio tempo.

— É porque está muito quente.

— Quente?

— É, o calor me faz perder o apetite.

Havia muitos outros motivos complexos, mas também era verdade que o calor tinha me feito perder o apetite nos últimos dias. Ele acenou com a cabeça e me entregou os dois arquivos azuis grossos ao lado da TV.

— Sente-se e escolha.

— Sim.

Quando se sentou, olhou para as letras escritas na tela branca do laptop, cruzou os braços e olhou para mim.

Apenas o som das páginas do arquivo sendo viradas ecoaram na sala silenciosa. Ele ficou parado, esperando que o “não-convidado” escolhesse o DVD. Não havia nada para diminuir entre eu e ele, mas senti que a distância havia aumentando nos últimos 10 dias. Foi um sentimento engraçado.

— Você viu o vídeo upado?

De repente, ele fez a pergunta. Olhou para cima e sorriu ligeiramente.

— Vi sim.

— O que achou?

Quando eu vi o leve sorriso nos lábios do homem, de alguma forma senti que ele queria se aproximar de mim.

‘Eu me masturbei depois de assistir o vídeo.’

Só de olhar para ele me deu vontade de ser um pouco arrogante, como se eu quisesse provocá-lo.

‘McQueen, você também se masturba enquanto assiste pornografia?’

Eu queria perguntar isso, mas resisti. Não consigo descobrir o motivo desse desconforto, que deixou meu corpo repleto de tensão com suas palavras.

Finalmente desviei o olhar que estava fixo no homem. Meus dedos em contato com as páginas do arquivo estavam dormentes, então eu fechei e abri meu punho discretamente.

— Não foi ruim.

— Eu não fui tão ruim.

Ele disse com um sorriso seco.

— A resposta tem sido boa. Eu ouvi dizer que foi o melhor episódio de GlennMcQueen.com já carregado.

— Isso é ótimo.

Engolindo a saliva seca, apontei para a lista de arquivos com a ponta dos dedos.

— Esse… Mesmo sabendo que é um pouco rude querer pegá-lo emprestado…

— <You, the Living>?

— Sim.

— Se você assistir a este filme, vai ficar com sono.

Ele sorriu e me devolveu o arquivo.

— Há mais algum DVD que você queira ver? Vamos, pode pegar mais alguns emprestados agora.

— Da próxima vez.

Ele pegou os arquivos das minhas mãos e os empilhou ao lado da TV, dizendo sem um sinal de aborrecimento ou desconforto.

— Me siga. Eu vou te mostrar onde está.

Eu o segui, atravessando a espaçosa sala de estar.

Havia algo no homem que me fazia sentir sufocado…

Enquanto caminhava atrás das suas costas, lembrei-me de uma frase que havia sido desnecessariamente selada em minha mente. Na verdade, acima de tudo, queria saber mais sobre o significado daquelas palavras que me incomodavam.

Ele se virou e olhou para mim enquanto abria a porta do escritório

— É a primeira vez que o vejo de terno.

— Porque eu nunca vim aqui usando um.

O olhar de McQueen lentamente caiu sobre mim. Eu podia sentir seus olhos percorrendo todo o meu corpo, de cima a baixo.

— Fica bem em você.

Ele exalou, deu um pequeno sorriso e virou a cabeça novamente. Então ele abriu a porta, entrou e acendeu a luz do quarto.

Eu sorri levemente em vez de responder a observação do homem dizendo que ficava bom em mim. Ele pode não ter visto isso.

Não teria sido fácil encontrar os DVDs na estante se ele não tivesse os organizado em arquivos. As capas não estavam organizadas em ordem alfabética ou por diretor, mas cada uma foi listada por uma determinada taxonomia. Se eu tivesse que dividir, seria classificado por gênero.

Olhando ao redor da grande estante, ele tirou uma caixa de DVD da prateleira mais próxima do teto. Olhou para a capa azul-celeste sem dizer uma palavra e me entregou o DVD.

— Você deve estar interessado na mensagem que o filme deixa. Não será fácil encontrar se vier sozinho, porque os critérios de classificação nas prateleiras são ambíguos.

— Achei tudo muito bem organizado…

Não sei por quais critérios foram organizados. Ele colocou alguns adesivos em cada prateleira como se fossem códigos.

— Bem, não está tão bem organizado, mas não está ruim ao ponto de eu não conseguir encontrá-los novamente. Eu costumava trabalhar meio período na biblioteca da escola quando estava no ensino médio.

Ele olhou rapidamente para o nada como se estivesse relembrando da infância, então se virou e caminhou entre as prateleiras. O fato de que Glenn McQueen, que agora havia se tornado um adulto e construído um reino com a pornografia, viveu uma época em que ganhava um baixo salário com trabalho duro, e que não tinha nada a ver com sexo, me pareceu estranho. As costas do jovem Glenn McQueen, colocando livros em uma estante em meio ao pó bolorento da biblioteca pareciam ser retratadas diante dos meus olhos.

Enquanto ele caminhava na escuridão, onde pouca luz o alcançava, virou para a direita e desapareceu entre a bagunça das prateleiras.

Depois de um tempo, ele ficou de costas para mim e de frente para uma prateleira. Eu pude vê-lo abaixando a cabeça sobre a caixa e pegando o DVD.

Observei os longos cílios do homem tremularem, tinha as unhas bem cortadas, mãos grandes e compridas, com tendões esticados como os dentes de um pente. No momento em que nossos olhos se encontraram, ele inclinou a cabeça de lado e disse:

— Você gostaria de assistir <Swedish Love Story>? É um filme do mesmo diretor.

Os DVDs que o homem escolheu foram puxados das prateleiras e entregues a mim.

— Normalmente, leio livros ou assisto aos filmes do mesmo escritor ou diretor. Existem alguns casos em que artistas compartilham sua visão de mundo em outras obras, então é divertido descobri-las. Acima de tudo, fica mais fácil entender o criador.

Peguei a caixa. Prestei atenção no que ele disse, mas ao contrário da reputação do homem como produtor e ator pornô, não havia nenhum filme pornô em sua biblioteca.

— Eu acho que você realmente gosta de filmes. Deve ter sido exaustivo vir até aqui por causa de um DVD.

— Na verdade não. Passei por aqui quando voltava do trabalho para casa.

Respondi à pergunta, virei e olhei para a caixa que entregou. A capa do filme era uma foto de um menino e uma menina parados se abraçando em uma estrada em preto e branco. Quando vi a contracapa onde mostrava que os produtores e atores venceram o Grande Prêmio do Festival de Cinema de Berlim, ela se sobrepôs ao outro DVD que eu segurava na mão esquerda.

— Se não houver mais nada, podemos sair daqui.

Assim que acenei com a cabeça, ele se virou e saiu.

O relógio na parede marcava pouco mais de oito horas. Peguei o DVD e coloquei na bolsa, Glenn McQueen recostou-se no sofá e colocou o laptop no colo. Como já tinha pego o DVD que queria, não havia necessidade de ficar mais, também não queria interromper seu trabalho. Ele abriu o laptop que estava dobrado. Na tela branca o texto preto estava organizado horizontalmente.

Como disse Remy de Gourmon, temos que ser felizes até para proteger nosso orgulho. Eu sou assim agora, mas você acha que eu ainda posso orgulhosamente me agarrar ao meu respeito próprio?

Glenn McQueen olhou para mim enquanto eu calmamente lia as palavras na tela. Suas sobrancelhas franziram quando ele me olhou parado na frente da tela.

— Você gostaria de uma xícara de chá?

Eu deveria ter me virado imediatamente sem hesitar, mas ele parecia estar me encarando finamente. Levantei e peguei minha bolsa, me perguntando se tinha ficado muito tempo, mesmo sem ser um convidado, tanto que ele se sentiu obrigado a me servir uma xícara de chá.

— Não, eu tenho que ir.

— Onde você trabalha?

Ele também se levantou do sofá e me perguntou.

— Nas proximidades de Upper West Side…

— E bem longe da sua casa.

— Vale a pena o passeio.

Ele acenou com a cabeça e caminhou para a cozinha. Olhei para ele colocando os grãos de café na máquina de café e disse:

— Então, eu já vou.

— Vamos tomar uma xícara de café. Você está ocupado?

O som de grãos sendo moídos ecoou por toda a sala. Era ele quem parecia realmente ocupado, mas não parecia imerso o suficiente para se concentrar no que estava fazendo.

Quando balancei a cabeça, ele me disse para me sentar.

Depois de pegar duas canecas grandes de café gelado, ele me deu a branca e ficou com a caneca preta. Enquanto tomava o café colocou o laptop no colo, olhou para o monitor e disse:

— Já faz um tempo que estou curioso sobre isso.

— …

— Você disse que tinha feito um teste de câmera. Deve ter sido um teste para um filme.

Eu disse isso para Glenn McQueen? Eu ponderei quando disse isso a ele. Provavelmente foram poucas palavras, quando ele estava tirando algumas fotos minhas na pequena piscina ao ar livre no dia que nos conhecemos.

— Bem, quando eu era jovem achava isso legal.

— Você não via isso como algo inútil…?

— Não era inútil, porque eu estava no grupo teatro… É… Eu fazia parte da equipe.

Ele apenas acenou com a cabeça, respondendo com uma exclamação vaga e arrastada. Desviando o olhar da tela, ele olhou para mim sentado na beira do sofá.

— Quer saber?

Ele ergueu lentamente o olhar que estava na minha cabeça e olhou diretamente para o meu rosto.

— Você não termina as frases quando fala.

Ele disse, enquanto mastigava o gelo na caneca.

— Eu sou o tipo de pessoa que descaradamente empurra as conversas até o fim, não importa se as outras pessoas acham isso chato. Você tem que dizer o que tiver vontade. Bem, não estou dizendo que seu método é ruim, eu só quero que você saiba.

Suas palavras soaram como se eu não tivesse confiança em mim mesmo. Não que eu não soubesse que não termino bem minhas palavras. Talvez minha maneira evasiva de falar o deixasse frustrado. No entanto, ao contrário de mim, ele não era do tipo que deixava de falar enquanto observava as reações da outra pessoa.

— É assim.

Eu sorri levemente, ele olhou para mim suavemente e tomou o café em silêncio. Colocou o copo na mesa e esfregou levemente o queixo com a mão. E logo virou a cabeça para o monitor novamente.

Sentado ao lado dele, pude ver o texto que McQueen estava escrevendo no monitor. Eu li ‘você acha que eu ainda posso orgulhosamente me agarrar ao meu respeito próprio?’ Eu apenas me esqueci de continuar lendo.

Como as filmagens no Reino Unido já tinham terminado, ele parecia estar escrevendo para um novo cenário de filme pornô. Eu não conseguia imaginar um ator de pornografia dizendo essa frase: ‘você acha que eu ainda posso orgulhosamente me agarrar ao meu respeito próprio? A conversa entre as duas pessoas no texto não era adequada para um filme pornô.

— Acho que você está escrevendo isso para o próximo episódio, não?

— Próximo episódio?

O rosto de Glenn McQueen estremeceu quando ele olhou para mim. McQueen, que olhou para mim com um olhar curioso, sorriu e soltou um suspiro.

— Ah, isso não é um cenário de pornô. Eu jamais usaria linhas tão integrantes como essa na pornografia. Quem gostaria de ouvir uma fala dessas enquanto se masturba?

— …

— Isso… É apenas algo que estou escrevendo.

Glenn McQueen respondeu rapidamente como se quisesse dar uma desculpa, olhando por um longo tempo para o cursor piscando na tela. Ele bebeu o café da caneca, deixando apenas o gelo.

Senti como se tivesse visto uma expressão fria no rosto de Glenn McQueen por um momento. Olhei para ele enquanto o homem inclinava sua caneca.

Ele não tinha nada a dizer, e eu também não. Coloquei a xícara de café vazia na mesinha, pensei que agora seria uma boa hora para me levantar. Ainda assim, não conseguia entender por que ele continuava sentado me olhando quando não havia nada a dizer.

— Bem, obrigado pela bebida. Eu já vou.

Se isso não funcionasse, eu teria que chegar a alguma conclusão.

— Vou trazer o DVD na sexta-feira.

— Ed. A Janine falou com você?

Ele olhou para mim enquanto eu levantava. Pendurei a bolsa no ombro e olhei para ele.

— Pedi a Janine para fazer isso por mim.

— O quê…?

— É, acho que ainda não disse. É no final de agosto. Hum.

Olhando para o calendário na parede, ele continuou.

— Você está livre no próximo dia 26?

Eu olhei para o calendário na parede. Era domingo.

— Se for à tarde, sim.

— Isso é ótimo.

Ele sorriu como se estivesse aliviado.

— Recebi outra ligação de Lancer já que da outra vez a programação foi cancelada.

Ele parou de falar como se observasse minha reação e sorriu timidamente.

— Ele disse que ainda queria filmar com você. Seria possível filmar na noite do domingo?

Embora fosse uma expressão eufemística, não mudava o fato de que o homem estava agindo como um cafetão.

Pensando bem, Kyle me fez a mesma pergunta. E eu apenas sorri evasivamente e não respondi nada.

— Eu gostaria que vocês dois filmassem juntos.

Senti minha cabeça queimar quando ouvi as palavras de Glenn McQueen. Parecia não haver palavras no mundo para descrever esse sentimento. Eu apenas senti que tinha encontrado a explicação para a melancolia que vinha sentido nas últimas semanas.

Eu provavelmente tive uma ilusão ridícula enquanto assistia à prévia de Glenn McQueen. Meus pensamentos clarearam como se uma luz forte penetrasse o meu cérebro.

— Vou pensar sobre isso.

Eu olhei diretamente para o rosto de Glenn McQueen pela primeira vez.

— Se você me pagar os 6.000 dólares como antes… tudo bem.

Só espero não ter dito isso como se estivesse me esforçando demais. Não, parece que consegui soar mais alegre do que antes. Olhando para mim, sorrindo sem jeito, ele disse com uma expressão aliviada.

— Então, vamos marcar a filmagem para daqui a duas semanas. Se houver uma mudança repentina, Ed, vamos seguir seu horário.

Acenei com a cabeça.

— É improvável, mas se houver alguma mudança, entrarei em contato com você através de Janine.

Falei o mais rápido que podia para terminar logo com a conversa.

— Ligarei para você no dia 26.

Eu ainda encarei o rosto tranquilo de Glenn McQueen, então ajeitei novamente a alça da bolsa que havia deslizado de meu ombro relaxado.

— Eu já vou.

Em vez de responder, Glenn McQueen acenou com a cabeça em uma breve saudação e abriu a porta para as escadas. Pouco antes de fechar a porta, virei minha cabeça por cima do ombro e olhei para trás, Glenn McQueen estava parado em um ângulo reto, com as duas mãos nos bolsos me encarando.

Quando saí do prédio, um calor sufocante me atingiu. Enxuguei o suor do queixo com as costas da mão e inspirei o ar quente.

Não havia nada na minha mente. Uma emoção que só podia ser vista como uma estranha sensação de perda e angústia crescia. Devo ter entendido mal. Não posso negar o fato de ter interpretado as palavras e ações que Glenn McQueen disse, sem qualquer intenção particular, como um pouco de interesse em mim. A razão pela qual sua atitude parecia profissional hoje é porque meu relacionamento com ele é exclusivamente profissional.

‘Isso é uma idiotice.’

Merda!

Fiquei parado sob o semáforo em frente ao edifício na calçada. Ignorei as várias mudanças do sinal, parado no meio da multidão de pessoas que cruzavam a rua enquanto olhava para o semáforo vermelho.

Mesmo depois do pôr sol, a terra fervia de calor. No momento em que fechei meus olhos com força e os abri, minha cabeça, que parecia borbulhar com o calor, estremeceu. Surpreendentemente, me lembrei que aceitei filmar com o Lancer sem qualquer hesitação por causa daquele sentimento.

‘Você é tão idiota.’

— Tsk, caralho.

Chutei o paralelepípedo duro da calçada. Quando olhei para trás, as luzes no último andar do escritório da McQueen Entertainment estavam apagadas.

 

 

 

Ler Caminhando sobre às águas Yaoi Mangá Online

Este romance conta a história de Ed Talbot, um jovem de vinte e quatro anos que herdou uma dívida com um agiota.
Por acaso, ele acaba se envolvendo no mundo dos filmes pornôs gays amadores dirigidos por “Straight”.
Inicialmente, Ed pretendia se afastar da indústria após gravar apenas um vídeo de masturbação solo, mas sua mentalidade começa a mudar ao conhecer Glenn McQueen.
Glenn McQueen é um homem que comanda dezenas de produtoras de filmes pornográficos. E Ed, sem perceber, acaba se apaixonando por esse homem experiente e libertino.
Nome alternativo: Walk On Waterwow

Gostou de ler Caminhando sobre às águas – Capítulo 32?
Então compartilhe o anime hentai com seus amigos para que todos conheçam o nosso trabalho!