Ler Caminhando sobre às águas – Capítulo 24 Online

Modo Claro

Não pude sair por causa da tempestade que não parava de cair, então tirei uma foto para postar no site com o estúdio de fundo. Nesse momento McQueen não estava segurando a câmera e olhava para mim com uma expressão fria. Ele fingiu me beijar com uma cara séria e depois de ouvir alguns cliques do ¹obturador, enterrou os lábios na minha nuca. E isso foi tudo.

[1] O obturador é o nome dado a uma pequena “janela” dentro da câmera.

Jack Black colocou uma cópia da filmagem em uma capa segura e a enfiou em sua bolsa, Taylor e o cinegrafista moreno – chamado Lian – foram para casa. E Glenn McQueen, agora bem vestido, olhava para uma telinha LCD onde passava o vídeo que acabamos de filmar.

O interior da sala estava frio o suficiente para brochar o pênis que estava ereto para a filmagem. Jack Black me pediu para usar cueca box nas fotos em vez de samba canção. A cueca ficou colada no meu corpo como uma cinta, e a sensação daquela coisa grudada na minha pele era esquisita.

— Não pense em nada, apenas tenha uma boa noite de sono.

— Ok.

— Se você quiser assistir a um filme, diga a McQueen. A propósito, há muitos DVDs no segundo andar, mas muito mais no quinto. Deve haver algo que se encaixe no seu gosto.

— …Huh.

— Se não conseguir dormir, pode me ligar. Não vou dormir antes da meia noite mesmo. Okey?

— Certo.

— E, se estiver com fome, peça a McQueen para fazer algo para você. Não sei se ele fez compras já que vai ficar fora umas duas semanas, mas peça, e diga que foi eu quem pediu. Ele é um bom cozinheiro.

— …

McQueen, que estava sentado no sofá e assistindo ao vídeo que fizemos há pouco com olhos sérios, virou a cabeça na direção de Janine. Uma de suas sobrancelhas se ergueu. Ele deu um sorriso de canto e novamente virou o rosto para a tela da câmera.

— Huh, peça outras roupas. É desconfortável dormir com isso…

— Janine.

— Huh?

— Por que você está tão preocupada comigo?

Eu perguntei, colocando minha mão em seu ombro. Não que não soubesse por que ela estava preocupada comigo. As mulheres têm um sexto sentido mais desenvolvido do que os homens, de modo que ela pode ter sentido instintivamente alguns sinais da minha ansiedade. Claro, eu também não acho que a razão para o meu baixo-astral é simplesmente o cansaço e a dor no meu corpo, ou à culpa de ganhar dinheiro com pornografia. Isso era um pouco mais complicado.

Janine suspirou e disse.

— É só que….

Ela estava preocupada por algum motivo desconhecido. Empurrei suavemente a testa de Janine com o dedo indicador. Frustrada e distraída, Janine soltou um longo suspiro e encolheu os ombros.

— Então, eu te ligo quando eu chegar. Provavelmente estarei lá em uma hora.

— Ei, parem de fofocar, vamos embora. Você não está vendo que eu estou te esperando? Hein? Só de te olhar já me deixa puto.

Com um suspiro, Jack Black olhou para Janine na pose previamente construída de <Cego pela loucura>.  McQueen levantou a mão para Jack Black, que colocou as mãos nos ouvidos, olhando para Janine com uma expressão irritada.

— Venha aqui.

Com essas palavras, Jack resmungou e caminhou até ele.

— Esta cena. O close do rosto de Tommy.

— Sim.

— Por favor, alterne com a cena que você inseriu primeiro.

O olhar de Jack Black mudou para meu rosto estampado na tela. Eu queria fingir que não ouvia a conversa deles, mas meu rosto ficou quente e vermelho.

— Essa cena, que foi feita em um close-up para ter mais detalhes do ato, e você quer que eu a transforme em uma tomada completa?

— Huh… Sim.

— Por quê?

— Faça isso depois.

— Mas por quê?

Jack Black sussurrou em seu ouvido enquanto recebia cutucadas nas costelas de McQueen com o cotovelo. Eu podia sentir que seu olhar fixo na tela às vezes vinha em minha direção. Suspirei e coloquei a mão que estava no ombro de Janine no bolso. Acho que para eles, eu não passo de um idiota que sempre estava corado.

— Vamos, Jen.

— Huh. Ok.

Black se aproximou de Janine com uma expressão estressada e pegou suas malas. Pouco antes da porta do elevador fechar e desaparecerem dentro dele, os dois acenaram para mim e para Glenn McQueen, nos deixando sozinhos.

Apenas o som abafado das gotas de chuva se chocando contra as janelas fechadas ressonava na sala. Enquanto olhava para o céu noturno pela janela, de onde a chuva caia em meio a uma névoa cinza, tive um pensamento bobo. Sou como um peixe preso em um aquário.

O ar no estúdio agora estava tão frio quanto a chuva que caía lá fora. Esfreguei os braços e olhei em volta da sala espaçosa. Um silêncio arrepiante caiu no grande corredor do estúdio onde até há pouco tempo as pessoas tagarelavam, todos haviam desaparecido. Porém, mesmo agora que as últimas pessoas saíram, não conseguia entender por que a presença de outras pessoas tocando minha pele era tão nítida e forte. A sensação era ainda mais pesada agora.

Glenn McQueen continuava vidrado no nosso vídeo. Seus olhos indiferentes pareciam ter encontrado uma cena extremamente excitante que impressionaria os outros. Da tela sai um som cheio de ruído que poderiam vir de um rádio barato. Foi algo que não havia percebido enquanto conversava com Janine há pouco…

“Eu realmente chorei assim… Não, eu não posso ter implorado tanto para ele tirar.”

“Droga”

Cerrei meu punho com força. Meu coração batia forte enquanto me lembrava das sensações que tive há pouco tempo atrás. Tive vontade de arrancar minhas orelhas. Franzi a testa diante daqueles sons que não pareciam ser meus, e dei um passo para trás, então o som parou de repente. Ouvi o som da câmera sendo desligada e o barulho dele se levantando e caminhando na minha direção.

Eu não conseguia engolir, minha boca estava seca, então me inclinei, olhei pela janela e me virei para McQueen.

— Você deve estar cansado, vamos subir.

Ele deu um tapinha nas minhas costas.

Enquanto subíamos as escadas, a luz do sensor automático acendeu, era como se eu estivesse dirigindo na escuridão, acendia e voltava a escurecer quando passávamos.

Enquanto subia a escada em espiral que levava ao último andar, senti como se estivesse escalando uma torre sitiada da Idade Média. Mas quando McQueen abriu a porta do quinto andar, a sensação sumiu. Percebi que meus pensamentos sobre o lugar ser sombrio e escuro era apenas uma ilusão.

Quando ele acendeu a luz da sala de estar, a primeira coisa que chamou minha atenção foi uma imagem que preenchia um lado da parede.

Não, não era exatamente uma foto. Pequenos ladrilhos monocromáticos com tons diferentes criavam uma determinada imagem. Era um delicado mosaico preto e branco, com trilhos pretos se espalhando pela névoa que cobria a estação ferroviária do país. O nevoeiro era denso e o ponto de saída da ferrovia não era visível. O foco estava em um homem maltrapilho com uma capa de chuva esperando o trem, enquanto o resto estava coberto por uma espessa névoa, e a paisagem era apenas uma figura borrada.

A visão das costas do homem esperando o trem que não veio na névoa que tornava tudo opaco, era impressionante. A imagem enorme tinha contrastes claros e intensos. O trem certamente chegara no horário, mas o espaço na foto parecia cheio de incertezas como uma névoa densa. Havia algo que parecia libertador na imprecisão da espera eterna.

Devo ter me distraído com o mosaico sem perceber. Por algum motivo, essa imagem ficou gravada no meu coração. Eu perguntei a ele, de costas, enquanto olhava para a imagem, parado.

— Qual é o nome da obra?

Quando fiz a pergunta, pensando que deveria procurar o nome mais tarde, ele respondeu, inclinando a cabeça ironicamente.

— Bem, eu não tinha pensado nisso.

Ele olhou para a parede e murmurou, depois de pensar por um momento com um rosto inexpressivo.

— Bem, que tal <Life of an Ghost>?

Ele olhou para mim brevemente, e passando pela sala entrou no quarto. Como o título sombrio da obra, ele parecia desolado quando passou por mim, então esfreguei meus braços lentamente com as mãos.

De acordo com suas palavras, nas quais eu não esperava escutar, o intenso mosaico em preto-e-branco que ocupava amplamente a parede era sua obra, e não obra de outro artista. Poderia ser dele já que era bom no manuseio das câmeras. As palavras nas colunas de ferro da estação ferroviária não eram em inglês, provavelmente a obra foi feita em uma viagem a um país pobre da Europa.

“A Vida de um Fantasma”. O título que ele improvisou combinou bem com o mosaico, então tentei rolar o título silenciosamente com a ponta da língua. A vida de um fantasma que existe sozinho no mesmo espaço que nós, mas não podem ser sentidos ou vistos. Eu olhei para o mosaico que parecia estar preso na espera eterna. Acho que pude entender a causa do desânimo. O ar gelado estava saindo do ar-condicionado.

— Vou ligá-lo um pouco porque o tempo está úmido.

A temperatura havia caído devido à chuva contínua, então quando ele ligou o ar condicionado, eu tive alguns arrepios. Ele me entregou uma muda de roupa. Era uma calça de moletom preta, uma camiseta preta de algodão e um casaco de lã azul fino. Já sabia que ele era alto, mas as roupas que ele me deu eram compridas o suficiente para que eu tivesse que dobrar as bainhas.

McQueen estava na cozinha quando saí depois de me trocar. Ele estava esquentando algo em um fogão a gás. Caminhei pela espaçosa sala de estar e sentei na beirada do sofá fofo. Como ele disse, lá tinham muitos quartos, haviam cinco portas. Ao contrário do estúdio, olhando para o espaço moderadamente decorado, senti a personalidade individual de McQueen, e enquanto olhava tudo aquilo, me lembrei ligeiramente de seus movimentos mais cedo.

— Beba. Deve estar com frio.

O que ele entregou foi um mix de vinho quente, um Vin chaud.

Senti o cheiro da bebida feita com limões e laranjas, canela, cravo e vinho.

— Ela pode ser um pouco doce pela adição do mel.

Sentado ao meu lado, ele saboreou lentamente a bebida quente e fumegante. Como ele disse, o vinho fervido era muito doce.

— Desde criança, sempre que fazia frio, minha mãe preparava para mim. Embora fizesse sem álcool.

Com um sorriso seco, ele encostou a nuca no encosto. Olhei para o Vin chaud vermelho escuro em minha mão.

— Ouvi dizer que é um remédio tradicional francês.

— Hmm?

— Ela devia fazer isso para você não pegar um resfriado.

— Eu suponho que sim.

Balançando a cabeça, ele desligou o ar condicionado quando viu que a janela, que estava embaçada com a umidade, havia clareado. Mesmo que a maior parte do álcool tivesse evaporado, meu corpo estava mais quente do que antes.

— Você está se sentindo melhor?

Eu podia sentir seu olhar em mim. Ainda sentia uma sensação estranha, como se houvesse algo em meu buraco, mas respondi mesmo assim.

— Sim.

—Tentei não te machucar, mas eu…

Ele franziu a testa enquanto juntava as sobrancelhas. Eu estava curioso sobre o que ele estava pensando, mas ele não disse. McQueen, que suspirou por um longo tempo disse.

— Me diga se você estiver sentindo alguma dor. Eu tenho alguns analgésicos e pomadas que aliviam.

Olhando para ele sendo tão gentil e casual, eu disse com firmeza.

— Está tudo bem, então você não precisa se preocupar com isso.

Sua gentileza me lembrou da filmagem. Eu respondi firmemente e rejeitei seu favor, mas estava preocupado que minhas palavras pudessem ter sido muito frias. Mas McQueen não parecia se importar muito com o que eu dizia. Talvez ele não se importe nem um pouco com o silêncio constrangedor que tomou conta do ambiente nesse momento. Para ele, a partir do momento em que o sexo acabou, eu deveria ter me tornado uma existência com a qual não precisava mais se preocupar.

— Vamos comer alguma coisa?

Ele tomou um gole do Vin chaud moderadamente quente e se levantou.

— Estou com um pouco de fome porque comi muito pouco antes. Vou preparar algo para você também.

Não estava com o estômago vazio, mas também estava com um pouco de fome, então balancei a cabeça. Ele foi direto para a cozinha, abriu a geladeira e os armários e começou a fatiar, ferver e cozinhar. Enquanto ele se movia com destreza, liguei a TV com o controle remoto que estava na mesa em frente ao sofá e mudei de canal várias vezes.

Os DVDs e livros empilhados na estante ao lado da TV eram de vários gêneros. Glenn McQueen não é um mero ator pornô, ele é um homem culto. Se fosse apenas bom no sexo ele não teria construído esse império pornográfico. O fato de não se deixar levar por uma fantasia sexual exagerada definida apenas por seus desejos era a essência que teria absorvido da cultura. Deve ter sido esse o motivo de todos os seus filmes terem esse ar a mais.

— Você ligou a TV apenas para ver as propagandas?

Na tela, propagandas de compras para a casa, produtos de limpeza para vasos sanitários e ralos entupidos estavam sendo transmitidos. Antes que eu percebesse, ele se aproximou das minhas costas e perguntou com um sorriso malicioso. “Pensando em mim?” Eu ri um pouco porque não podia negar.

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Continua…

 

 

 

Ler Caminhando sobre às águas Yaoi Mangá Online

Este romance conta a história de Ed Talbot, um jovem de vinte e quatro anos que herdou uma dívida com um agiota.
Por acaso, ele acaba se envolvendo no mundo dos filmes pornôs gays amadores dirigidos por “Straight”.
Inicialmente, Ed pretendia se afastar da indústria após gravar apenas um vídeo de masturbação solo, mas sua mentalidade começa a mudar ao conhecer Glenn McQueen.
Glenn McQueen é um homem que comanda dezenas de produtoras de filmes pornográficos. E Ed, sem perceber, acaba se apaixonando por esse homem experiente e libertino.
Nome alternativo: Walk On Waterwow

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