Ler Caminhando sobre às águas – Capítulo 18 Online

Modo Claro

Ben olhou curioso para os curativos de cor marfim na ponta do queixo de Edd.

— O que houve com seu queixo, você se barbeou com os pés?

Claro que Edd não achou graça das piadas, mas seus colegas de trabalho dentro do carro estavam ocupados rindo. Entre eles, quem mais riu foi Derek, seu amigo de longa data.

— Eu faria melhor do que isso, mesmo se me barbeasse com os pés.

— Apenas compre uma boa navalha.

— Ou faça uma remoção permanente. É mais barato do que você pensa. Bem querido, você quer que eu te recomende o lugar onde minha irmã depilou as axilas permanentemente?

Todos os que estavam no carro soltaram suas piadinhas. Ignorando seus colegas risonhos, Edd encostou o rosto na janela do carro. Logo as piadas pararam, e os risos e grunhidos diminuíram.

O evento em que iam trabalhar estava sendo realizado em um memorial próximo ao Battery Park.

A celebração foi realizada em um ambiente pesado e sério, pois se tratava de um evento onde se reuniram as famílias dos soldados que morreram em combate. Embaixo de uma tenda branca, havia homens de cabelos grisalhos que prestavam sua homenagem silenciosa. Enquanto isso, ficaram em silêncio sob o sol com as mãos atrás das costas.

O homem de cabelos grisalhos lendo um discurso sob uma estátua de águia negra em ascensão havia perdido o pai um ano após seu nascimento. Ao longo de meio século, poucas pessoas derramaram lágrimas por aqueles que deram suas vidas em combate, esperado que com o passar do tempo a lembrança da dor fosse superada. A cerimônia de memorial estava ocorrendo sem qualquer perturbação porque não apareceram celebridades e não havia ninguém que pudesse se tornar notícia. Não houve outra dificuldade a não ser impedir a entrada de turistas no local.

Antes que percebesse, o sol estava se pondo. O serviço memorial terminou com os familiares depositando flores na frente das lápides de pedra que continham os nomes dos mortos. Depois de preencher alguns formulários para relatar a Ash por escrito, foi para o estacionamento onde Ben estava.

Em torno do porto próximo ao parque, havia uma longa fila de pessoas tentando pegar a balsa que levava para a Estátua da Liberdade em Liberty Island. Derek que tinha sangue nova-iorquino adorava ver a euforia dos turistas, principalmente das belas mulheres hispânicas. Edd deu um tapa na nuca de Derek, que não parava de encarar as mulheres bonitas.

— O comércio de carros usados ​​que você mencionou antes.

Derek se virou e olhou para Edd com uma expressão vazia no rosto.

— Que carro usado?

— A pessoa que você disse que compra e vende. Me apresente.

— Você vai vender seu carro? Está com pressa?

— Bem… eu nem mesmo entro nele.

— Seu carro é tão velho que você ganharia mais vendendo alguns quilos de sucata.

— Você está falando demais.

— Aceite que seu carro é uma merda.

Edd encarou Derek que estava olhando para o rapaz com uma expressão melancólica. Eventualmente, Edd ergueu os cantos dos lábios e sorriu. Derek, que cutucou as costelas do rapaz e bagunçou seu cabelo, disse:

— Você está saindo com uma garota?

Olhou para o rosto de Derek surpreso com a pergunta que veio do nada.

— Com o que você fica tão ocupado nos seus dias de folga?

— …Eu tenho coisas a fazer.

— Que tipo de coisas?

— Estou um pouco ocupado… e tenho que procurar uma casa nova.

— Por que você não arranja um colega de quarto, talvez o cara de quem falei antes?

— Seu ex-colega de faculdade? Vou pensar sobre isso.

— Não há muito em que pensar.

— É melhor eu pensar bem antes de decidir qualquer coisa.

Derek riu das palavras amargas do rapaz. Ele varreu os cabelos castanhos caindo sobre sua testa, em seguida, desferiu um tapa na nuca de Edd como o rapaz havia feito há pouco. Rapidamente, pegou seus óculos de sol que estavam prestes a cair no chão. Edd pensou seriamente em dar um soco na cara estúpida de Derek. Talvez por terem compartilhado seus dias de juventude, não conseguia escapar ileso das brincadeiras do homem.

— Você está com raiva?

Derek apunhalou novamente as costelas do rapaz com o cotovelo. Edd conhecia o carinho escondido nos olhos brincalhões do homem. Ele deu um suspiro, estendeu o dedo médio e entrou em uma van.

Derek ao seu lado, disse:

— Vamos tomar uma cerveja mais tarde. Para consolar Ash.

— Se Ash pagar.

— Você não precisa se preocupar com isso. Estou meio louco ultimamente, posso pagar pra você,melhor do que gastar com mulheres.

Derek riu enquanto falava. Edd não teve escolha a não ser rir junto com a risada dissimulada de Derek.

Depois de se tornar oficialmente um homem divorciado há uma semana, o estresse de Ash estava no auge. Aparentemente, a casa  que tinha comprado com Sarah havia sido confiscada. Ele não poderia estar são, porque perdeu uma casa em Manhattan devido ao divórcio e dificilmente conseguiria comprar outra, mesmo que economizasse dinheiro pelo resto da vida.

Durante todo o caminho de volta ao trabalho dentro de uma van que parecia mais uma sauna na onda de calor, Derek teve que ouvir a história de uma jovem brasileira. Ela disse que ficou impressionada com <Sex and the City> e veio para Nova York em busca do amor. Derek, é claro, não assistiu ao drama, ele tinha uma espécie de antipatia por esse tipo de drama, mas graças a série de TV que não havia assistido, ele foi um dos idiotas que recebeu uma atenção especial.

Em busca do amor, não havia armadilha melhor para um homem promíscuo feito Derek. Ao longo de seu relacionamento com Derek, ela vai perceber. O amor perfeito que aparece nos filmes só existe na TV.

O clube em que foram beber com Ash era o mesmo lugar onde havia ido com Janine e Kyle a algumas semanas atrás. Edd, Derek, Esh e Ben caminharam até a entrada do clube e olharam em volta. Fortes batidas de música hip-hop ecoavam do interior da boate, onde tintas luminosas haviam sido jogadas ruidosamente sobre as escadas. Inúmeras pessoas pulavam sob iluminação psicodélica.

— Estou farto de mulheres.

Ash murmurou com uma voz histérica, olhando para a multidão fervilhando. O cheiro de álcool estava espalhado no ar. Ben já havia fugido com uma garrafa de cerveja porque não queria cuidar de Ash, que estava podre de bêbado até pouco antes de entrarem na boate.

— Você tem que esquecer suas decepções com as mulheres. E se divertir.

Com um sorriso malicioso, Derek deu um tapinha no ombro de Ash. Ash estalou a língua diante da leveza nas palavras de Derek, e pensou em seu divórcio, como o coração partido.

— Eu pareço alguém que seduz  garotas em um clube?

— Se não está interessado, apenas dance.

— Eu não gosto desse clube. Cale a boca, vamos parar o bar e me escute. Eu só quero conversar.

— Eu estou te ouvindo há duas semanas. Eu realmente não consigo mais fazer isso.  Apenas olhe para a parede e fale. Por que você está agindo como chefe agora?

Enquanto observava os dois homens grandes resmungando infantilidades, tomou um gole de cerveja. Derek e Ash continuaram elevando suas vozes e estressando um ao outro. Edd pensou que talvez não fosse o melhor dia para beberem álcool, principalmente se estavam com raiva um do outro.

— Onde você vai?

Edd colocou a garrafa vazia no balcão e se virou, Derek olhou para ele com olhos angustiados, como se pensasse que o rapaz iria deixá-lo sozinho com Ash e fugir como Ben.

— Banheiro.

— Se você fugir, eu vou te matar.

— OK.

Passou pela multidão e foi em direção ao banheiro. Quando entrou no espaço fechado, seus ouvidos, que haviam sido afetados pelo som da música alta, estavam atordoados. Lavou o rosto vermelho com água fria e secou com a camisa de algodão branco. Assim que levantou a cabeça, batendo levemente no rosto com as palmas das mãos, um rosto familiar apareceu.

Era Kyle, o coração de Edd disparou.

“Ele veio ao clube hoje para provar sua masculinidade, que havia sido reprimida pelas filmagens? “A presença de Kyle era vividamente sentida como

se ele tivesse esfregado o pescoço com cubo de gelo frio.

— Uh?

Kyle apontou o dedo para Edd como se estivesse atirando.

— Uau, já faz um tempo. Como você está?

Ao se aproximar, ele sorriu, e tocou o ombro de Edd com firmeza. Edd olhou para ele e respondeu, como se estivesse satisfeito por encontrar um velho amigo.

— Bem.

— O que você está fazendo aqui?

— Eu vim aqui para beber com meus colegas.

— Ah… sim. Você disse que trabalha como guarda-costas, certo?

Kyle riu alegremente.

— Janine veio comigo. Ouvi dizer que vocês eram colegas de classe no ensino fundamental? O mundo é muito pequeno.

Edd deu um leve sorriso enquanto tocavam as palmas das mãos e olhava para ele surpreso com a situação. Também estava sentindo que o mundo era minúsculo depois que encontrou Kyle no clube.

— Se você não estiver muito ocupado, venha e diga um oi a Janine.

Embora tivessem se visto ontem, Edd assentiu com a cabeça porque pensou que não seria ruim dizer um olá.

— Então espere um minuto. Vou cuidar disso primeiro.

Com um leve sorriso, Kyle tocou a virilha. Quando Kyle viu Edd no banheiro ficou tão entusiasmado que se esqueceu que estava apertado. Embora Edd estivesse esperando por ele, decidiu esperar do lado de fora. Quando abriu a porta, a música alta perfurou seus tímpanos.

Eles vagaram pela multidão e entraram em um espaço isolado por vidro temperado longe do palco. Parecia que seus ouvidos cansados ​​estavam respirando com a música mais calma. Passaram por uma mesa com um sofá vermelho em volta, e entraram na sala ao lado. Como esperado, havia outras pessoas acompanhando Janine que estava sentada. Kyle não parecia querer provar sua masculinidade, ele sentou ao lado de um rosto familiar. No momento em que os olhos de Edd encontraram os dele, o homem sorriu.

— Você está vestindo um terno? Está aqui com o pessoal do trabalho?

— Sim.

— Pode ficar aqui um pouco?

— Tenho que voltar logo.

— Seu rosto…

Janine estendeu a mão olhando para os curativos em seu queixo. Edd lembrou de Derek, que havia recomendado a depilação permanente, ele riu silenciosamente e sentou-se na cadeira vazia ao lado de Janine.

Afrouxou o nó da gravata que estava apertando seu pescoço. Janine olhou para ele de óculos escuros como se estivesse contando o número de curativos. Ela estava usando óculos de sol brancos de formato único com pontas nas bordas.

— Quer uma bebida?

— Eu já bebi.

— Você estava muito bêbado ontem, você estava bem?

— Sim.

Para ser exato, ele estava envergonhado por ter se embriagado, mas não se machucou nem feriu ninguém. Parecia que Glenn McQueen não havia mencionado muito sobre a noite passada. Os resquícios daquele momento vieram à mente novamente. O rosto de McQueen, olhando para ele com aquele olhar estranho. Balançou a cabeça tentando afastar a imagem residual do homem sorrindo.

Janine cobriu a boca com a palma da mão, e tocou o ombro de Edd.

— Nós filmamos eles dois hoje.

Encostados em um sofá vermelho fofo a frente, Lancer e Kyle estavam conversando.

— Foi uma combinação muito boa.

Janine disse alegremente. Como Janine raramente dizia isso, ele olhou para os dois homens sentados do outro lado.

Kyle, que tem 21 anos, e Lancer, que está na casa dos 20 anos no máximo, ambos heterossexuais. Já sabia por experiência própria que homens heterossexuais podem desenvolver uma boa química entre eles. Olhou para o rosto sorridente de Kyle que estava sentado matando o tempo com um homem no clube, embora fosse quase meia-noite.

— Você não parece querer provar a sua masculinidade hoje.

Janine, que ficou surpresa com as palavras do rapaz, soltou uma gargalhada e bateu nos joelhos do rapaz com as palmas das mãos.

— Kyle não vai estar pensando em conseguir uma garota hoje. Ele está com Lancer, então não preciso provar nada.

— Vocês já filmaram juntos antes?

— Não, eles conheciam os rostos um do outro, mas hoje foi a primeira vez que  filmaram juntos. Nós filmamos um flip-flop direto entre os dois. Acho que você não vai filmar outro episódio com ele. Se você aceitar ficar por baixo, Kyle não é um top, então provavelmente não vai filmar com Kyle novamente.

Enquanto Janine estava falando, Edd perguntou meio constrangido.

— Flip Flop? (Chinelo de dedo)

Edd se perguntou se a mulher realmente estava falando sobre um simples chinelo, que geralmente se usa entre o dedão e o dedo indicador. Ele olhou para Janine, confuso, em busca de uma resposta.

— Bem, é quando os atores se revezam, na parte de top e bottom durante as filmagens. Mas eu realmente preciso te dizer isso? Não me pergunte isso.

Janine respondeu com um olhar perplexo. Ela pareceu um pouco fofa fazendo beicinho.

Estava cansado porque tinha ficado em pé o dia todo. Além disso, não conseguiu se livrar da ressaca que vinha acumulando desde a noite anterior. Ele umedeceu os dedos em um copo de gelo que estava na mesa na frente da cadeira de Janine e pressionou os cantos dos olhos.

—  Sabe, Tommy.

Enquanto bebia um martini, Kyle abaixou o copo e se inclinou em direção à mesa. A distância ficou mais próxima, mas sua voz quase não foi ouvida por causa da música barulhenta. Eventualmente, Edd se inclinou na direção dele.

— Eu gostei de assistir seu vídeo com Luke.

Lancer, que estava sentado ao lado de Kyle, riu silenciosamente com as palavras. Talvez ele também tenha visto.

— Hades ainda não pediu para você ser o Bottom?

— Ele pediu, mas….

— Se você vai fazer isso, faça com ele.

Kyle empurrou o ombro de Lancer em direção a Edd. Lancer gritou e ergueu o braço para evitar que a bebida em seu copo derramasse. Edd ficou quieto diante da atitude de Kyle que agia como um cafetão casamenteiro.

— É melhor fazer isso com um cara que fode bem e com força. Ele é muito bom.

Com uma risadinha, Kyle disse em voz baixa.

Lancer virou um copo cheio de álcool nos lábios, mas o copo não escondia o olhar penetrante do homem como se estivesse procurando pela outra pessoa. Os lábios sobre o vidro se curvaram lentamente. O homem à sua frente era uma figura que Hitler teria considerado um germânico ideal.

— Eu estava curioso sobre você.

Lancer estendeu a mão. A mão direita do homem se levantou para apertar a mão rígida e cheia de calos de Edd. Cabelos loiros, sobrancelhas grossas, olhos azuis e um corpo muito mais alto e sólido do que o de Edd. A personalidade cínica do homem, que parecia ter se desenhado na mente de Edd, era abreviada apenas por sua aparência angelical. Ele estava vestindo uma camiseta branca com decote em V e jeans azul escuro, mesmo assim se destaca muito.

— Você é um pouco mais magro do que eu pensava.

Suas palavras pareciam criticá-lo, então Edd abaixou a mão que tinha estendido  para cumprimentá-lo. Edd já sabia o nome dele, mas não tinha certeza se deveria fingir que não o conhecia.

— Posso me apresentar como Lancer? É um nome falso, mas bem, você pode me chamar de Lancer.

— …O meu é Tommy.

— Oh, eu sei o nome dele. Eu assisti o vídeo.

Lancer sorriu, revelando seus dentes. “Claro… Ele não sabe meu nome verdadeiro. Minha altura e tamanho do meu pênis estão em no meu perfil que também mencionava que sou pênis era circuncidado.” Edd também conhecia o estilo de sexo bruto do homem. Ele se perguntava se saber sobre essas coisas era suficiente para dizer que conheciam a fundo um ao outro.

— Eu também vi o seu.

— Oh sério?

Depois de beber rapidamente, Lancer se levantou e ficou de pé na frente de Edd.  Era estranho ver aquele brilho refletindo em seus olhos. Edd pensava que normalmente, os vídeos de sexo seriam uma fonte de constrangimento para as pessoas que foram filmadas. Mas em vez de sentir vergonha, ele parecia confortável com a situação.

— É o que você achou?

— Você é hábil….

— Só isso?

Edd respondeu, pensando que talvez fosse a resposta errada.

— Você é bem intenso…

— Bem, isso mesmo. Eu posso ser bastante intenso.

Ao responder, o homem deu um grande sorriso e perguntou. — Querido, foi difícil para você, eu fui muito intenso? — Janine e Kyle caíram na gargalhada quando Lancer perguntou a Kyle. Edd era o único que não conseguia se adaptar ao ambiente.

— Você tem um cronograma?

— O que você quer dizer com cronograma?

— Você não está filmando? Você é o novo new face do site, todos querem mergulhar em águas doces, e estamos no meio de uma nova temporada .

— …Eu não tenho uma programação ainda.

— Então, gostaria de filmar comigo neste domingo? Eu sou realmente bom.

O homem sorriu gentilmente de forma amigável. — Bem. — Enquanto ele encolhia os ombros e confundia suas palavras, Lancer se inclinou um pouco mais em sua direção. No momento em que Edd começou a falar, Janine bateu um em seu joelho.

— Vou participar de uma filmagem fora do país desta vez. Vocês gostariam que eu trouxesse algo?

Janine disse, enquanto inclinava a cabeça entre Edd e Lancer. A voz da da mulher  tinha um tom de constrangimento.

— Em que local você vai filmar.

—  Eu assinei um contrato com uma agência britânica e decidi filmar duas séries. Acho que vou ficar uns dez dias. Tem alguma coisa que você queira que eu compre?

Kyle disse com os olhos brilhando.

— Ah, eu quero sim. Posso dizer?

— Um cartão-postal com o rio Tamisa? Ou um cartão-postal do Palácio de Buckingham?

— Basta dizer que você não quer comprar para mim.

— Bem, não necessariamente isso, mas se quiser pode pensar dessa forma.

Janine riu alto com as reclamações de Kyle. E logo virou a cabeça para Edd.

— Não quero nada.

— Tem certeza?

Janine acenou com a cabeça e aceitou suas palavras sem nenhum sinal de insistência. Ela provavelmente tocou no assunto porque percebeu como Edd se sentiu desconfortável com o difícil convite de Lancer. Ela havia lhe dito, há muito tempo atrás, que caminhar pelo desconhecido não era tão ruim quanto viver toda a vida com medo. Naquele momento, ela não parecia mais a mulher que o encorajou a filmar pornografia e ter uma experiência diferente.

— Você já vai?

— Eu tenho que voltar para os meus colegas.

Não achou que pudesse se sentir confortável ali depois de toda aquela conversa, então cumprimentou Janine e se levantou. Além disso, se ele demorasse mais Derek iria pensar que tinha fugido e o deixado sozinho com Ash. Quando se virou e abriu a porta, a música alta, que havia sido bloqueada pelo vidro temperado, atingiu seus tímpanos.

O interior do clube, onde as pessoas entravam e saiam, era como uma sopa espessa fervendo. Apesar da brisa do ar-condicionado que soprava do teto, o suor de sua testa escorria para a nuca por causa do calor. Ao passar pelos alto-falantes, o som ganhou uma forma física e atingiu todo seu corpo. Edd estava com pressa por causa da música alta. Naquele momento, alguém puxou o ombro do rapaz e o virou. Foi Lancer.

As luzes avermelhadas iluminaram o rosto do homem. Ele se aproximou com um  olhar questionador e inclinou levemente a cabeça.

— Você não. respon…

Não podia ouvir bem o que dizia o homem porque estava ao lado do alto-falante. Edd não conseguia entender e olhou para ele, e o homem se aproximou um pouco mais. Os lábios úmidos do homem tocaram sua orelha.

— Eu não pude ouvir sua resposta a pouco, então, que tal fazer sexo comigo na semana que vem.

Edd não queria, mas estremeceu com a sensação quente em sua orelha e recuou. Lancer havia lhe tocado deliberadamente com palavras provocativas. Edd sorriu desconfortavelmente, sentindo vergonha por algum motivo desconhecido.

— Me deixe pensar.

— É melhor fazer isso com um cara bonito. Que também é bom de cama.

Lancer riu enquanto encostava os lábios novamente nas orelhas de Edd. O hálito quente misturado com o leve riso fez Edd encolher os ombros.

Ele não estava errado. Na verdade, como ele disse, se tiver que fazer isso, é melhor fazer com alguém bonito e atraente. Edd balançou a cabeça enquanto viu o olhar confiante no rosto do homem. Não tinha certeza se o homem havia entendido isso como um sim ou um não, mas de qualquer maneira ele afastou os lábios da orelha de Edd com uma expressão de satisfação. Edd olhou para ele constrangido pela situação, Lancer tocou literalmente no ombro do homem, sorriu e se virou. A multidão dançante o engoliu em um instante.

Se as expressões e o jeito de falar dos dois homens não fossem claros, ele não teria acreditado nas palavras de Janine. Tanto Lancer, que havia filmado uma dúzia de episódios, quanto Kyle, que tinha feito mais de vinte como Bottom, não mostravam vergonha ou desconforto ao falar sobre sexo entre homens. Além da atitude de Kyle em tentar provar a masculinidade pegando mulheres em um clube, o jeito deles ao conversar sobre fazer sexo de forma tão casual e agradável fez Edd se sentir desconfortável.

No entanto, as atitudes casuais e espontâneas dos dois homens fez Edd olhar para situação com outros olhos. Talvez essa fosse a justificativa que ele precisa para se libertar de qualquer condenação desnecessária por filmar pornografia.

Talvez só precisasse de convicção para tomar uma decisão. Seu salário como segurança era miséraval, mas em compensação, ele não precisou se sentir pressionado a fazer sexo em troca de dinheiro. Edd ficou parado por um longo tempo no lugar onde Lancer desapareceu.

Já passava das duas da manhã quando chegou em casa. Deitou e esperou por um sono que não veio. Finalmente desistiu, levantou e ligou o computador. Glenn McQueen provavelmente sabia que isso ia acontecer. Fosse por curiosidade ou por rebeldia, ele eventualmente iria acessar o site.

Passou um tempo assistindo as entrevistas dos episódios, as cenas dos bastidores e o sexo entre os homens. Assistir pornografia gay era assustadoramente diferente. Era muito estranho. Edd achava que o mundo do pornô gay seria estranho para ele mesmo depois de dez mil vezes.

Dois dias depois, quando ligou, ouviu a voz de Glenn McQueen após um longo som tumm tumm. Enquanto ouvia a voz risonha do homem, se lembrou da expressão que Lancer tinha dito sobre mergulhar em água doce. Edd já não sabia o que pensar. A partir do momento em que ficou diante da câmera, soube que não havia mais nenhum paraíso para onde ir, a sensação de estar cometendo o pecado original, a culpa e a vergonha tomaram conta de si.

[Tudo bem. Vamos fazer isso às 4 horas neste domingo. ]

Uma voz baixa de homem soou ao telefone. Como esperado, Glenn McQueen não perguntou por que ele havia tomado essa decisão. Edd riu silenciosamente ao ouvir a voz do homem, que era superficial, mas estranhamente reconfortante.

” De qualquer forma, para ele, eu não sou mais do que uma simples mariposa. ”

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Continua…

Ler Caminhando sobre às águas Yaoi Mangá Online

Este romance conta a história de Ed Talbot, um jovem de vinte e quatro anos que herdou uma dívida com um agiota.
Por acaso, ele acaba se envolvendo no mundo dos filmes pornôs gays amadores dirigidos por “Straight”.
Inicialmente, Ed pretendia se afastar da indústria após gravar apenas um vídeo de masturbação solo, mas sua mentalidade começa a mudar ao conhecer Glenn McQueen.
Glenn McQueen é um homem que comanda dezenas de produtoras de filmes pornográficos. E Ed, sem perceber, acaba se apaixonando por esse homem experiente e libertino.
Nome alternativo: Walk On Waterwow

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