Ler Caminhando sobre às águas – Capítulo 16 Online
A razão pela qual mudou a disposição dos móveis da sala foi porque queria deixá-la um pouco mais ampla, mesmo que fosse tão pequena quanto sua mão. Eram mais ou mesmo onze horas da manhã quando a cama e o guarda-roupa foram arrastados para o outro lado perto da janela, e as cortinas lavadas foram torcidas e penduradas no parapeito da janela.
Limpou o queixo suado com as costas da mão e foi novamente até a sala ver se havia mais alguma coisa para organizar, Empa ronronou, estava um pouco sujo. Talvez tivesse rolado em um canto empoeirado da sala. Eventualmente, depois de dar banho no gato, que não parava de miar e esticar as garras, já eram mais de 11:30. Ele secou o pelo do gato e olhou em volta meio perdido imaginando o que deveria fazer agora.
[O que você está fazendo?]
Quando Janine ligou, estava sentado no chão apoiando o telefone entre o ombro e a orelha, passando pomada na parte de trás do pé. Não pode deixar de comparar sua postura com a de uma mulher sentada no sofá, passando esmalte nas unhas e conversando. Empa havia fincado as garras em seu tornozelo, enquanto tomava banho, o ferimento na parte de trás de seu pé era profundo e latejava.
— Colocando um pouco de remédio no meu pé.
[O quê? Porque você não toma um comprimido?]
— O gato me arranhou enquanto eu dava banho nele.
[ Você tem um gato? ]
— Sim.
Parecia que, embora tivesse criado Empa por um longo tempo, não sentia como se estivesse criando um gato. A maioria das pessoas ficavam surpresas quando dizia que eu tinha um gato. No entanto, a reação de Janine foi um pouco diferente.
[Isso é ótimo !]
Parou de falar e fechou a tampa da pomada que estava aplicando.
[Seu gato gosta de petiscos? Tenho um monte deles empilhados em casa. Você quer?]
— …Você também tem um gato? Mas se quiser me dar, tudo bem.
[Ah não. Teve um cara que me pediu para cuidar do gato dele por um ano. Bem, na verdade, meu ex-namorado, mas ele o levou de volta e há uma pilha de latas na minha casa. É um desperdício jogá-las fora e não há ninguém a quem dar, mas não ache que estou sendo legal com você.]
Enquanto Janine falava ao telefone, Empa, que estava sentado perto da janela e olhando para a paisagem da estrada através do vidro, saltou para o chão. Como se entendesse o que estava falando, Empa sentou em seu colo e colocou o queixo na barriga do homem e ronronou agradavelmente. Edd respondeu, encarando os olhos âmbar do gato no silêncio desolador da sala.
— Claro, quero sim.
Quando acariciou o pescoço de Empa, ele miou de forma fofa. Sempre ficava surpreso quando ele fazia isso. Como podia sussurrar tão docemente como uma garota mesmo sendo um macho. Janine disse em voz baixa.
[Então, por favor, venha à Union Square por volta das 12h30 de hoje. Vou levar os petiscos do gato como reféns.]
A personalidade brincalhona da mulher que se revelava sem dificuldade em qualquer circunstância era contagiante. Por outro lado, Edd não tinha nem um pouco de senso de humor. Tudo que tinha que fazer era pensar um pouco sobre as palavras dela e responder, mas só conseguiu retornar uma resposta chata.
— Certo.
Janine riu ao telefone. Para rir dessa resposta, ela realmente parecia estar com vontade de rir muito hoje.
Como o esperado, ela não tinha ligado só por causa do gato.
Se sentou na grade que cercava o canteiro de flores embaixo da estátua equestre do general George Washington na Union Square e esperou por ela. Janine estava andando de longe enquanto procurava os óculos escuros em sua bolsa sob o sol brilhante.
Janine usava uma longa camisa preta sem mangas com várias caveiras estampadas nela e, na parte de baixo, usava uma legging com padrões coloridos e bagunçados, como se Jackson Pollock tivesse borrifado tinta em uma tela. Vendo os acessórios barulhentos enrolados em seu punho e o estilo da mulher que mudava cada vez que a via, Edd reafirmava que ela era uma pessoa que gostava de transmitir partes de si mesma através da moda.
Comparado a ela, as roupas de Edd eram muito simples e nada estilosas. Ao contrário de Janine, Edd era uma pessoa que não era muito interessada em moda e também não gostava de chamar atenção através dela. Assim que o encontrou ela acenou com a mão. Janine estava com uma câmera em volta do pescoço e uma bolsa tão pequena quanto a palma de sua mão.
— Deixei as latas no trabalho. É perto do parque. Achei que seria pesado carregá-las de um lado para outro o tempo todo. Mas, baby, seu cabelo está curto, você cortou?
Antes mesmo do homem perguntar sobre as guloseimas para gato, Janine desabafou. Foi tão rápido que Edd mal pensou nas palavras dela e apenas balançou a cabeça.
— Eu geralmente o deixo curto.
— Sério? Você parece mais jovem.
Janine, que estava olhando para o cabelo liso e preto do homem, olhou diretamente nos olhos de Edd, e logo cobriu seus olhos com os óculos escuros.
Janine disse que no início da manhã, uma ideia passou como um raio por sua mente nebulosa. Ela não queria perder a inspiração de momento, então começou a trabalhar o mais rápido que pode, mas logo percebeu que não tinha os materiais suficientes.
Como muitas pessoas estavam de folga do trabalho, o lugar estava lotado, Edd só conseguia pensar que a mulher tinha ligado e lhe chamado para sair na hora certa. Claro, isso só foi possível graças aos petiscos de gato que Janine fazia de refém. Conversaram sobre o trabalho de Janine enquanto caminhavam pelo lugar, passaram pela estátua de cavaleiro e desceram as escadas.
— Estava pensando em como colar os ladrilhos de mosaico em todo o corpo do Jen, mas acho que agora tenho uma ideia nítida o suficiente em mente. Vou desenhar outra imagem de Jen e colar o mosaico por toda a extensão do desenho. Já estou contando uma história clara com a escultura, mas ao adicionar outra imagem em cima dela, vai passar uma mensagem dupla.
De acordo com a história de Janine, Jack Black conheceu Glenn McQueen por acaso antes mesmo de a empresa ser fundada. Ambos eram estudantes universitários em Nova York, Jack Black reconheceu Glenn McQueen, que filmava pornografia desde os 20 anos, no campus da universidade.
Três anos depois, eles se encontraram novamente em um festival pornô no porto. O homem que foi apresentado a Glenn McQueen, o fundador da empresa, era um homem gordo e claramente gay que havia conhecido há muito tempo no campus.
Jack Black, formado em um departamento relacionado à mídia de vídeo, não era mais o garoto de antes. Ele estava com uma peruca loira, e de forma bem engraçada usava maquiagem escura, e estava usando um vestido vermelho um pouco justo, mas nada esguio. O encontro permitiu que os dois começassem a filmar juntos para valer. A relação entre os dois era famosa dentro da comunidade gay, já que os vídeos criados pelos dois matou a sede de quem só vagava pelo visual e histórias de baixa qualidade do gênero pornô.
— Claro, embora não gostassem muito um do outro.
Assim que terminou de falar sobre a relação entre os dois, ela entregou um envelope para um balconista.
Os ladrilhos de mosaico eram feitos de porcelana e pesavam um pouco. Ela entregou o envelope em sua mão e saiu. Só conseguiram chegar ao restaurante chinês de que Janine estava falando depois de descer uma longa ladeira por uma estrada de terra, ignorando os semáforos, enquanto carregava uma bolsa pesada.
Janine, que estava exausta por causa do calor radiante da terra fervente, se sentou rapidamente em uma cadeira e bebeu um copo de água fria.
— Porque o verão tem que ser a estação mais implacável.
Edd balançou a cabeça enquanto tirava meus óculos de sol e os colocava na mesa. Ele também achava que trabalhar ao ar livre nunca tinha sido tão cansativo quanto neste verão úmido e quente. No entanto, os dois pediram dim sum, arroz frito e sopa de macarrão com caldo quente.
— É difícil andar por aí com essas bolsas, então vamos voltar ao escritório. Lá está bem fresco… Ugh, o tempo está muito quente.
Janine bebeu apressadamente a água enquanto colocavam sobre a mesa o suculento dim sum.
— Está tudo bem?
— Huh. Parece que está um pouco queimado, mas é um tanto… Enfim, vamos para o escritório quando terminarmos de comer. Os petiscos do gato também estão lá para você.
— Não foi seu dia de folga?
— Está tudo bem. Nossa empresa é composta por vários escritórios. De todos os andares, geralmente McQueen usa o 5º, então outros espaços são abertos. A equipe costuma entrar e sair, então o lugar fica aberto até a noite.
Edd logo lembrou da grande escada em espiral emergindo do centro do edifício. Janine disse que a escada branca levava a Glenn McQueen, que governava o reino da pornografia do ponto mais alto do prédio. Suas palavras responderam as dúvidas que Edd tinha. O proprietário do enorme prédio Brownstone no meio do East Village não era um grupo de pessoas ou uma empresa, mas do próprio McQueen.
— Quando cheguei no escritório esta manhã, encontrei Glenn no saguão. Você se lembra do poste que movemos antes? Eu o vi pendurado na parede com Taylor. A atmosfera no trabalho mudou um pouco.
Já haviam se passado mais de 10 dias desde que Janine falou sobre a proposta de Glenn McQueen. Quando ouvi que Janine tinha deixado os petiscos para o gato no trabalho, e senti mal já que tinham se passado todo esse tempo e ainda não havia dado uma resposta concreta.
— Está muito quente hoje. Vamos passar a tarde no escritório. Se você estiver entediado, pode assistir um filme no segundo andar.
Ele pensou se realmente deveria passar um tempo lá, mas não conseguiu pensar em uma desculpa adequada.
— Certo.
Janine sorriu com a resposta, enquanto colocava um dim sum nos lábios.
— Você entrou em contato?
— Contato?
— Com McQueen.
Só de ver o sorriso de Janine se aprofundando estranhamente, entendeu exatamente o que ela queria dizer.
— Não.
— Hmm. Sério?
— Isso é por causa da oferta anterior?
Em vez de responder rápido, a expressão de Janine congelou por um momento. Ela, que continuou olhando para Edd sem piscar por um tempo, disse, colocando o dim sum em seu prato desajeitadamente.
— Bem, não pense muito sobre isso. Se você filmou alguns episódios, é normal receber uma oferta para ser o Bottom pelo menos uma vez.
Edd que não sabia que estava tão quente, colocou um o dim sum nos lábios e fez uma careta. Janine falou depois de um longo tempo, parecia nervosa.
— Você está ofendido?
— Não!… Só um pouco.
— …
— … é algo que eu nunca pensei.
Ele riu e colocou os pedaços restantes na boca. Despejou um pouco de molho de soja em um pequeno prato na frente dela e logo depois no seu. Sentindo o olhar de Janine o encarando, colocou um pedaço de dim sum na ponta da língua e o mastigou.
— Como você tem vivido desde que foi transferido?
Janine mudou repentinamente de assunto.
— Eu continuo falando sobre mim, mas você nunca faz isso.
Os olhos de Janine estavam tão sérios que ele não sabia o que dizer, então riu sem pensar.
— É normal. Mesmo que você tivesse frequentado a mesma escola que eu, você ainda não me reconheceria como quando estudávamos na Merritt School.
— Vamos ver um dos momentos mais trágicos da minha vida.
— O quê?
— Literalmente. Hum… Deixe-me dar meu exemplo. No ensino médio, quando meu pai se divorciou pela terceira vez, eu acidentalmente descobri o motivo. Minha madrasta o pegou fodendo com um estudante universitário que morava na casa ao lado. Mas aquele estudante universitário era o garoto por quem tive um amor não correspondido. Não admira que ele sorrisse com uma cara triste sempre que me via. História pessoal infeliz, mas é uma boa história para comédia e pornografia. O título seria <The Goose Next Door(O franguinho da porta ao lado)>. Algo como isso?
Janine derramou suas palavras sem parar. Edd olhou para ela seriamente, mas Janine continuava com um sorriso no rosto.
— Antes, eu te falei que estava entediada com a cultura heterossexual existente, então mergulhei na cultura gay, mas honestamente, era uma mentira. Não sou estúpida o suficiente para entrar nesse mundo por um motivo tão ridículo. O verdadeiro motivo foi bem maior do que isso, mas decidi me dedicar às coisas que mais odiei. Se eu não soubesse sobre este mundo, não seria capaz de entender meu pai que foi para Holanda e se casou com uma pessoa do mesmo sexo. O casamento do meu pai acabou porque ele teve um caso, mas eu realmente gostava da minha terceira mãe. Bem, eu fui um pouco longe demais na rebelião contra meu pai, comecei a trabalhar na indústria pornográfica. Mas é engraçado, que tudo isso tenha começado por um ato de desespero.
Janine sorriu com uma expressão deprimida, pegou o macarrão da tigela vermelha e colocou no prato. Ela enrolou o macarrão em volta da carne e levou aos lábios, enquanto murmurava.
— Era um trabalho odioso, mas à medida que o tempo foi passando eu fui me acostumando. Tornou-se um prazer com culpa, como um “Guilty Pleasure”. O que eu estou tentando dizer. Bem, seria mesmo bom se você assumisse o papel de Bottom.
—…
— No final, você não vai sentir mais nem culpa nem nojo… Vai se acostumar com tudo isso.
Janine deu um leve sorriso e colocou um pedaço de dim sum na boca. Ela estava dizendo que deveria largar esse trabalho antes de se acostumar com ele ou que deveria continuar esperando até se acostumar? Ele bebeu a água que havia derramado no copo enquanto falava aquelas palavras vagas. Janine olhou para Edd e disse, enquanto passava a língua entre os lábios manchados:
— Você teve alguma experiência trágica?
— O quê?
— Eu estive falando de mim o tempo inteiro. Agora você tem que ser justo.
Com um sorriso brincalhão e cativante, Janine colocou seus pauzinhos no prato. Ela apoiou os braços cruzados na mesa e inclinou a cabeça. Olhou para a testa clara de Janine e seu lindo cabelo preso com uma grossa faixa preta.
Talvez ela quisesse perguntar quais circunstâncias que o fizeram filmar pornografia, de uma forma que não ferisse seu orgulho. Claro, não tinha a intenção de explicar a ela a situação lamentável em que vivia e que o fez chegar a esse ponto. Segundo ela, o pai se casou com um universitário que morava ao lado, não era uma história feliz, mas não era uma história tão grave que não pudesse ser contada em um tom de piada.
Edd, que se comprometeu a filmar pornografia, sentia uma culpa modera, mas sabia que aquilo não o mataria.
— Se é uma história trágica que você quer, okay. Quando eu era criança, minha avó, que morava na casa ao lado, foi enviada para uma casa de repouso na Califórnia.
Na verdade, foi uma grande tragédia, mas uma vida humana humilde às vezes podia ser resumida em uma única frase. Janine olhou para Edd como se estivesse olhando para um bichinho em uma caixa nas mãos de um jovem príncipe. Mas Janine não era um principezinho, então não podia tratá-lo como um lindo carneirinho.
— Eu sempre estava com ela.
Ele poderia ter ficado com a avó por mais tempo se ela não tivesse se transformado em um grande bebê velho.
Depois que a levaram embora, Edd passou uma adolescência terrivelmente solitária. Janine, que vinha pensando há tempos, por que a avó da casa ao lado, que fora enviada para uma casa de repouso, era sua maior tragédia, sorriu e disse enquanto franzia a testa.
— Existe algo mais fofo do que você?
***
Haviam muito mais petiscos para o gato do que eu pensava. Eram tantos que me perguntava como levar tudo para casa. Tinham tantos sabores, atum, salmão, carne bovina, frango, entre outros. Pensou em Empa, que se divertiria como nunca antes havia sonhado.
— Não sei se posso aceitar tudo isso.
— Apenas pegue. E não coma, não tire o lanche do gato porque parece gostoso.
Janine respondeu, colocando a comida enlatada em uma caixa de papelão em vez de em um saco plástico que poderia se rasgar com o peso. Glenn McQueen, que estava ao lado dela, riu.
— Suas piadas estão um pouco enferrujadas. Isso foi péssimo.
Janine franziu os lábios.
— Você não tem nada melhor pra fazer?
Em vez de responder, Glenn McQueen acenou com o livro que tinha nas mãos para Janine.
Ele estava olhando para os dois, que estavam colocando latas em uma caixa, com um livro em uma das mãos. Sempre estava vestido com uma camisa elegante e calças casuais, mas hoje estava vestindo uma camisa branca molhada de suor e um moletom de treinamento folgado. Edd não sabia, porque sempre estava escondida por uma camisa, mas havia uma tatuagem azul escura gravada na parte superior do braço, ombro e clavícula esquerda.
Seus olhos se moveram quando viu a comida enlatada empilhada na caixa. As mãos de McQueen pararam enquanto ele varria seu cabelo castanho suado. Então os olhos dos dois homens se encontraram.
As sobrancelhas grossas de Glenn McQueen arquearam. Edd queria evitar aquele olhar penetrante, ele não tinha nada a dizer. Então lentamente desviou seu olhar para baixo e olhou para a caixa com todas as latas.
— O que é que você comprou? Um filme? Vamos assistir ele hoje?
— Não é um filme novo. É um filme antigo.”
— Qual é?
— Mala Noche
< Mala Noche > foi o primeiro longa-metragem de Gus Van Sant. Em outras palavras, “noite ruim”. McQueen olhou para Edd que estremeceu sem perceber. E perguntou.
— Você já assistiu?
— …sim.
— Oh, meu Deus! Assim não é divertido. Seu gosto para filmes é extraordinário.
Glenn McQueen olhou para ele e tocou o queixo com a mão que segurava o livro. Ele olhou para Edd por um tempo, sorrindo como se o olhar do rapaz fosse engraçado.
— Vamos assistir juntos. Você quer assistir de novo?
Ele se levantou da cadeira com um sorriso.
A sala estava quente porque o ar condicionado não estava ligado. Ele disse para Edd esperar no segundo andar e desapareceu escada abaixo.
Quase uma hora depois, ele voltou a entrar no espaçoso corredor do segundo andar, caminhando para o interior abafado da sala, estava vestindo uma camisa preta e jeans azul desbotado. Com uma garrafa de vinho e algumas taças em uma bandeja, sentou-se entre Janine e Edd, e cruzou as pernas. Sua pele nua e fria esbarrou no antebraço do rapaz.
— Chama-se Sparkling Rose Strawberry. Fiz porque ainda tinha vinho. Experimente.
Ele levou uma taça com várias frutas, entregou a Janine e pegou o vinho. As frutas flutuavam em seu copo cheio e fumegante. Ele umedeceu a língua com um líquido vermelho escuro quente e pressionou o botão do controle remoto.
No quarto escuro, com as cortinas fechadas, fazia muito calor durante a tarde por causa do projetor perto da grande janela. Era estranho assistir a um filme em preto e branco dirigido por Goose Van Sant naquele calor escaldante. Os personagens principais eram três homens, um gay branco, o outro imigrante ilegal mexicano e o outro que está entre os dois.
Talvez porque o próprio Gus Van Sant seja gay, ele não fala sobre a homossexualidade em outros filmes comerciais. O fato de serem minorias sexuais não é particularmente destacado no filme, seu romance se desenrola com calma na grande tela de cinema. Na tela em preto e branco, a estrada parece interminável e as planícies são tão largas que os personagens principais se sentem enterrados nela. Vendo essas cenas impressionantes, Edd virou a cabeça.
Um filme que Glenn McQueen não havia assistido. Para ser preciso, ele estava olhando para imagem da tela da TV refletida no vidro da mesa. Ao contrário da tela da TV, o reflexo na mesa estava de cabeça para baixo. Eles estavam assistindo ao mesmo filme, mas ao mesmo tempo parecia estar olhando para outra direção.
Através da taça de vinho inclinada que já não estava bebendo mais, Edd observou suas mãos grandes e largas e seus cílios longos que as vezes piscavam lentamente.
Não sabia muito sobre o homem, mas às vezes o via perdido em pensamentos enquanto olhava para as coisas com um olhar vago. Quando estava com outras pessoas ele ria e conversava cantando, mas ele parecia ser capaz de sair de qualquer lugar quando quisesse. Era como se estivesse assistindo ao mesmo filme, mas não vendo a mesma coisa.
Existe alguma coisa que pode conter esse homem? Se existisse um objeto de desejo que pudesse receber sua paixão, qual seria?
Pouco antes de o vinho se inclinar e molhar o carpete no chão, McQueen ergueu a taça. Edd colocou o vinho na mesa com os lábios um pouco molhados e virou a cabeça, sentindo aquele olhar penetrante.
Não tem como não sentir isso. Na escuridão com a tela preto e branco, ele enfrentou os olhos âmbar de homem que brilhavam como o vidro. Algo sussurrou em meu coração.
— Por acaso você está entediado?
Seus lábios mexeram-se levemente, e o homem perguntou baixinho. Assim que Edd balançou a cabeça, o homem mostrou um pequeno sorriso em seus lábios, e então virou a cabeça novamente. Ele deu um tapinha no ombro de Janine e disse brincando.
— Oh, agora é a cena de sexo. Eu mal consigo evitar ficar entediado.
***
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°
Continua…
Ler Caminhando sobre às águas Yaoi Mangá Online
Este romance conta a história de Ed Talbot, um jovem de vinte e quatro anos que herdou uma dívida com um agiota.
Por acaso, ele acaba se envolvendo no mundo dos filmes pornôs gays amadores dirigidos por “Straight”.
Inicialmente, Ed pretendia se afastar da indústria após gravar apenas um vídeo de masturbação solo, mas sua mentalidade começa a mudar ao conhecer Glenn McQueen.
Glenn McQueen é um homem que comanda dezenas de produtoras de filmes pornográficos. E Ed, sem perceber, acaba se apaixonando por esse homem experiente e libertino.
Nome alternativo: Walk On Waterwow