Ler Caminhando sobre às águas – Capítulo 13 Online
Como de costume, Edd acordou de madrugada e deu a volta em um parque próximo. Mesmo depois de aquecer uma comida chinesa enlatada de procedência duvidosa, que custa três por um dólar e tomar um banho, ainda era noite. No entanto, não poderia ir para o East Village antes do amanhecer. Enquanto lia um livro que havia pegado emprestado da biblioteca, pegou o metrô preencher a lacuna por duas horas.
A porta estava aberta, mas não havia ninguém na frente do prédio. Quando subiu ao segundo andar procurando por alguém, viu Glenn McQueen assistindo a um filme. Ao abrir a porta sem pensar, percebeu o quão aficcionado ele era com filmes e conferiu o relógio do celular.
Eram 9:33 da manhã. Estava encostado na porta entreaberta, pensou que talvez fosse muito cedo para chegar.
O filme que Glenn McQueen estava assistindo era japonês e se chamava <Nobody Knows>.
Um dia, uma mulher e um menino se mudam para um apartamento carregando uma grande mala. Eles cumprimentam os moradores locais, que não gostam de barulho de crianças, e logo em seguida entram no apartamento apertado. Fecham a porta da casa e abrem a mala. Dentro dela saem as três crianças restantes que estavam escondidas do proprietário. Embora isolada do mundo sem sequer ter seu nascimento documentado, a vida delas, que eram felizes à sua maneira, se transforma em tragédia depois que a mãe se apaixona por outro homem e desaparece.
Ninguém sabia sobre sua existência, mas, paradoxalmente, ninguém no mundo queria saber sobre eles. ‘Eu também não era diferente daquelas pessoas. Jogar fora toda a realidade miserável do mundo com o fundamento de que não era minha responsabilidade não exigia muita culpa’.
O céu estava coberto com nuvens escuras, como se estivesse prestes a chover, então o interior da sala que já não era iluminado estava bem escuro. Dentro do recinto estava quente e o ar parecia úmido. Glenn McQueen pressionou o botão do controle remoto pausando a imagem na cena em que uma panela caía da janela do apartamento. Com a tela pausada, ele olhava para a panela flutuando no ar.
O que Janine havia dito sobre o homem que tinha talento para estimular a sensualidade em outros homens, repentinamente veio à mente de Edd. Ela havia dito que o apelido dele era Hades! O deus do submundo, que dizem trazer riqueza de lá para os humanos. O rosto de Hades é tão brilhante quanto o dos seus pais “Cronos e Reia”, mas ele sempre tinha uma expressão sombria com os seus longos cabelos caídos sobre a testa.
O perfil de Hades ou McQueen foi tingido pela cor de tela da TV azul. Ele parecia hipnotizado, como se estivesse olhando para uma parede, e não para a tela da TV. Sem saber que o rapaz o observava, olhava para a tela com um olhar vazio.
Enquanto Edd o olhava, lembrou-se do mundo famoso ao qual esse homem governava, e dos $5.000 que saíram do submundo e entraram em sua conta, e logo pensou na prévia que o mesmo havia escrito. McQueen tem uma aura bastante única. “Eles estão implorando para serem chupados” “Abra sua bunda e nos mostre seu buraco”. Ele não hesita e apenas cospe essas palavras vulgares. Isso não faz dele nada mais do que apenas administrador de um enorme estabelecimento, com inúmeros prostitutos. Quando pensou no homem dessa maneira, Edd se sentiu um pouco melhor.
O rosto de Glenn McQueen moveu-se lentamente na direção de Edd, ele suspirou inconscientemente. Quando os seus olhos se encontraram, a luz azul da tela de TV refletiu sobre os olhos âmbar de McQueen, os fazendo brilhar ainda mais. O homem que estava sentado no sofá levantou e voltou a se sentar lentamente, e olhou para Edd estreitando os olhos.
— Nossa, já está aqui?
McQueen perguntou.
— Acho que cheguei muito cedo.
Enquanto caminhava para dentro da sala, ele enxugou as mãos suadas em suas calças. Se sentou em um sofá de couro de búfalo que parecia macio e ao mesmo tempo sólido. Cruzando as pernas, McQueen desligou o DVD pausado e o colocou em um canal onde passava um show barulhento.
— Você dormiu bem?
— Sim.
— Não sei se você já soube, mas o episódio que você filmou com Kyle teve uma boa resposta.
— Sim.
McQueen sorriu com resposta dura. Ele não parecia se incomodar muito com a presença de Edd, mas ficar sozinho com ele era extremamente estranho.
McQueen voltou seu olhar para a tela. Edd teve aquela sensação novamente, ele parecia ser um mestre no ato consciente de deixar a outra pessoa confortável. Provavelmente se Edd não tivesse entrado naquele site, eles não se conheceriam, e não estariam sentados juntos em um sofá de couro de búfalo de qualidade. O rapaz também não tinha a capacidade de conversar confortavelmente com muitas pessoas. Entre eles, Glenn McQueen era um oponente difícil que realmente não combinava com Edd.
Não tinha para quem ligar, mas se abaixou e vasculhou a bolsa que havia colocado no chão procurando pelo celular. Sentiu o olhar de McQueen por cima do seu ombro. Pegou o celular, mas só verificou a hora.
— Eu tenho uma coleção completa de Stanislavski, e se estiver interessado apenas pegue emprestado.
Ele olhava para Edd com o queixo tenso. Seus rostos ficaram tão próximos que o rapaz hesitou e moveu seu corpo ligeiramente para trás.
— Você carrega um livro sobre atuação em sua bolsa. Vamos, você pode pegar qualquer um emprestado. Não me importo se não os devolver.
Enquanto Edd pensava no que dizer diante de sua gentileza repentina, o homem apontou para a parede com uma estante cheia de DVDs.
— Se você quiser alugar um filme, pode pegá-los emprestado. Não faça nada parecido com downloads ilegais. Eu… Eu realmente odeio as pessoas que assistem vídeos ilegais.
McQueen sorriu. Como todas as outras categoria de filmes, também parece haver pessoas faziam download ilegal de pornografia.
— Eu não baixo esse tipo de coisas.
Uma risada alta fluiu pela tela. No interior da sala escura, ele coçou o pescoço enquanto olhava para o rosto tingido pela luz brilhante da tela da TV.
— Há uma loja de DVD perto da minha casa… Sou um visitante regular, quase como um VIP. Às vezes pego emprestado, mas se algo acontecer na devolução, posso ser multado. O cara que trabalha na locadora é meu colega, então às vezes eu passo por lá… Enfim.
‘Não acredito que estou tentando me explicar sobre isso’. Não queria parecer estúpido porque não era bom o suficiente com as palavras. Ele soltou um suspiro e disse novamente.
— Eu não baixo essas coisas.
Os olhos de Glenn McQueen se arregalaram com a conclusão difícil e patética a que chegou. Ele olhou para Edd por um tempo e de repente riu, fazendo um som esvoaçante.
— Verdade… Isso é um bom hábito.
Pareceu sarcástico, mas o sorriso permaneceu em seu rosto.
— Ouvi dizer que seu sonho era se tornar um ator de ação. Janine me contou. Bem, era algo que eu não deveria saber?
— Não.
— Quando estou na empresa, às vezes pesquiso as histórias dos atores que apareceram. Mas você foi um pouco inesperado.
McQueen colocou a mão no queixo e olhou para ele. Edd não sabia o porquê do homem ficar surpreso com seu sonho de ser ator, mas sem nenhuma explicação adicional, Glenn McQueen olhou diretamente para ele sem piscar. Edd pensou que se fosse hábito seu olhar para pessoas dessa maneira, acabaria sendo mal interpretado por muitos.
Edd tentou abaixar a cabeça e logo virou o rosto sem jeito, mas McQueen, que levantou o queixo, olhou para o homem por um bom tempo. Ele disse, mudando o canal para um programa chamado o ‘show do Booby’ que nunca havia visto.
— É porque você não passa as vibrações masculinas que os atores de ação geralmente têm. Você parece mais um ator de drama.
Era um programa de comédia no qual os atores principais apareciam e faziam algumas brincadeiras. A risada do público saltava para fora da tela. Glenn McQueen estava olhando para a TV, mas também não parecia prestar atenção. Como prova, mesmo sendo cenas engraçadas, seus lábios não se abriram e nem um sorriso apareceu em seu rosto. Edd achou que era uma forma leve de dizer que ele não parecia com um ator de ação, mas o homem não parecia ter dito isso com essa intenção.
— O que você quer dize…
Ele lentamente virou a cabeça na direção de Edd e abriu a boca. Naquele momento, a porta se abriu.
— O que você está fazendo no escuro?
Ao lado da porta, um homem de estatura mediana estava encostado na parede. As luzes azul-fluorescente do corredor refletiam em sua pele pálida e em seus cabelos loiros brilhantes.
— O que você está fazendo?
O homem estava olhando para McQueen com um cigarro na boca. McQueen olhou para ele e disse:
— O que te traz aqui a essa hora?
— Existe algum lugar onde eu não possa ir? Então depende só saber a hora certa de vir aqui.
Estalando a língua, o homem apalpou a parede com a mão acendendo uma luz da sala. Glenn McQueen perguntou, franzindo a testa com o brilho da luz repentina na escuridão.
— E quanto à criança?
— A velhinha da porta ao lado está com ele.
O homem apertou suavemente o filtro do cigarro entre os dentes, caminhou em direção ao sofá com as mãos no bolso. Seu olhar, estava no relógio na parede, passou por Edd e se voltou para McQueen. Sentado no sofá oposto, o homem loiro de pernas cruzadas tirou um isqueiro do bolso.
— Ouvi dizer que você estava indo para a Inglaterra.
— Eu decidi ir.
— Leve-me também.
McQueen apenas franziu a testa e não respondeu. O homem indiferente ao olhar de McQueen, exalou uma forte fumaça de cigarro.
— Leve-me para as filmagens no Reino Unido.
— Os papéis já foram todos decididos.
— Não seja assim, apenas me deixe ser seu parceiro.
O homem sorriu com os olhos. O ângulo em que seus olhos se curvaram era impressionante. McQueen sorriu maliciosamente ao observar as pontas dos dedos de um homem sacudindo as cinzas do cigarro na mesa de vidro sem cinzeiro.
— Eu vou cuidar de você. Eu tenho que alimentar uma criança também.
O sorriso desapareceu do rosto de McQueen com a cabeça erguida. Ele olhou para o homem loiro com um olhar seco, penetrante.
O homem ainda estava sorrindo, mas em algum lugar de seu rosto sorridente, uma lâmina delicada de cinismo e pessimismo foi sentida. Olhando a situação de fora, Edd supôs que o homem era um ator profissional que fazia o papel de um Bottom, também parecia estar criando um filho pequeno.
A atmosfera nítida dos dois fez com que Edd se sentisse exausto sentado ao lado deles. Levantou do sofá, enquanto enxugava o suor nas palmas das mãos nos joelhos. Não tinha que suportar esse constrangimento.
Saiu fechando a porta, bloqueando aquela discussão. Então se lembrou que tinha deixado seu celular na sala. Agora, iria se sentir patético se entrasse na sala para pegar o celular, então desceu as escadas que se curvava em uma espiral como a forma de uma concha de caracol. Através do vidro grosso que cobria o teto, podia ver o céu cheio de nuvens escuras. Uma fina rajada de chuva atingiu o vidro. O calor e a umidade, fizeram um suor frio escorrer pelo seu pescoço.
As pinturas nas paredes da escada eram todas abstratas de cores claras. Havia uma calma nessa escada, que parecia destoar em um prédio impregnado por sensualidade flamejante. Então se sentou na escada e apreciou as pinturas na parede com um humor calmo.
Ouviu o som da porta abrindo bruscamente. Quando olhou para trás, viu o homem loiro saindo com pressa. Seu rosto estava vermelho e ele parecia irritado como se tivesse sido humilhado. O homem que murmurava xingamentos extravagantes com uma aparência chamativa olhou nos olhos de Edd. Enquanto descia as escadas com pressa, seus movimentos diminuíram e uma estranha irritação a qual o rapaz não podia interpretar surgiu no rosto do homem.
Pálido, espinhoso e bonito. O homem desceu as escadas correndo, deixando uma imagem forte, como uma cena do filme Nouvelle Bag.
Sem expressão, ele desviou o olhar e olhou na direção da porta principal e desapareceu da frente. Se uma sensação fria não tivesse descido por suas costas, ele estaria estupidamente olhando na direção em que o homem desapareceu.
— Droga!
Quando estremeceu devido à frieza que desceu pelo seu pescoço, uma risada fina veio de trás.
— Bebê, por que você está parado aqui?
Era Janine. Edd sentiu-se estranho com a palavra “bebê” e a doce voz.
— É porque você não tem ninguém com quem brincar?
Ele voltou a si, e franziu a testa ao ouvir a voz alta e brincalhona de Janine. Mesmo estando um degrau acima, olhou para Janine, que ainda era menor do que ele, e esfregou levemente a testa com as pontas dos dedos.
— Não tire sarro de mim.
Janine deu um grande sorriso. Era uma risada que fazia cócegas como uma brisa em um dia de primavera.
Hoje Janine estava vestindo uma blusa branca e calças de couro preto de cintura alta que lembrava um espartilho. Exceto pelo broche de robô e pelo colar de caveira pendurado em seu peito, ela estava vestida de uma maneira muito feminina, ao contrário do normal.
— Você chegou cedo.
— É muito cedo?
— Não, foi bom. Tem algo que eu preciso mover, então me ajude.
Seu pedido era para mover vários painéis enormes do quarto andar para a entrada do primeiro andar. Como McQueen, que não saiu do escritório, e seus homens ainda não tinham chegado para trabalhar, então ela pediu a ajuda de Edd já que sozinha seria quase impossível. Segurando as duas pontas do painel, ele voltou para o elevador.
— Estou tentando movê-lo há uma semana, mas não consegui.
— Ninguém está te ajudando?
— Bem, eu nem pedi ajuda ainda. Quando eu vi você, de repente pensei que deveria fazer isso.
Pressionou o botão número 1 no painel do elevador. Encostado contra a parede do elevador, podia sentir o olhar de Janine direcionado para as pontas de seus dedos enquanto seus braços estavam cruzados.
— As pontas dos seus dedos…
— São lisas?
Interceptando suas palavras, ela apertou seu punho lentamente. Seus dedos não eram muito longos, mas também não eram curtos, mas a ponta dos dedos de Edd estavam tão lisas que pareciam a mão de uma criança.
— Sim. As pontas dos meus dedos sempre foram assim.
Havia uma garota, com quem namorou há muito tempo, ela costumava dizer que uma das coisas fofas que Edd tinha era essa pequena mão desajeitada que não combinava com a sua aparência. Não sabia realmente se isso era fofo como ela disse, mas por causa dessas mãos com unhas curtas, meu avô dizia que “mãos são mudadas com trabalho’. Quando pensou nisso, a campainha do elevador tocou enquanto olhava para suas mãos, relembrando da sua vida cheia de trabalho. Chegaram ao primeiro andar.
Olhou para Janine levantando o painél com dificuldade, ela o ergueu um pouco mais alto para reduzir o peso que carregava. Depois de colocá-lo de um lado da parede do saguão, Janine olhou para um grande quadro como se estivesse apreciando a pintura.
— Pronto, irei mudar, então vou pedir a Taylor para pendurá-lo mais tarde.
— Vai mudar esse aí do seu lado?
Em um grande pôster havia algumas fotos de homens com os rostos em close, eles apontavam na direção de duas pessoas, tinha título “Perfeição” escrito nele.
— É parecido com o pôster de DVD que filmamos no ano passado. Já se passaram quase 2 anos desde que foi trocado. Costumávamos alterar os paineis todos os anos, mas todo mundo aqui é muito preguiçoso, sabe.
Assim como o título ‘Perfeição’ dizia, havia homens muito bonitos e bem vestidos em um fundo branco. No centro do pôster estava Glenn McQueen, com os olhos semicerrados revelando longos cílios negros. E ao lado dele estava um homem loiro com o queixo levantado e uma expressão um tanto arrogante. Era o homem loiro que discutiu com McQueen um tempo atrás.
Olhou para os belos olhos azuis do homem que pareciam o encarar de volta do pôster. Era de um azul puro sem nenhum ponto marrom.
— Foi dirigido por McQueen e foi um DVD que vendeu muito há dois anos. Até ganhou um prêmio.
— Prêmio?
— Pode não ser familiar, mas também há uma cerimônia de premiação aqui. GayVN tem a melhor gozada, o melhor Bottom, o melhor Top, e também há os prêmios de melhor filme e de melhor diretor. Não é engraçado, hein?
Claro, era engraçado, mas a expressão de Janine era séria, então não podia rir. Se ela se sentia orgulhosa e fazia deste lugar seu trabalho, não queria fazer nada que ridicularizasse suas raízes. Para ser honesto, achou muito engraçado quando ela falou sobre a melhor gozada.
Quando viu os posters pornográficos decorando o saguão, lembrou dos filmes +18 que evitava ver perto de adultos na casa de um amigo. As ricas alegrias e tristezas da vida, atos emocionais e diálogos embaraçosos bem dirigidos que transmitiam todas essas emoções, como um bom trabalho de câmera por trás, o que torna as histórias irresistíveis. Essas histórias sempre reciclavam os clichês que estavam prestes a ser descartados, as descrições sexuais exageradas giravam em torno dos filmes adultos.
Então o que dizer dos filmes adultos produzidos por Glenn McQueen? Como o título do pôster diz, ele teria conseguido chegar a “Perfeição” escapando do clichê dos outros filmes adultos? Pensou em um livro da aula de cinema repleto de estudos sobre filmes clássicos.
No entanto, mesmo com todo esse trabalho, quando as cenas de sexo entre homens fossem incluídas no filme que estava filmando, não seria nada mais do que um filme pornô bem feito.
— Você quer um chiclete?
Janine vasculhou os bolsos e tirou um pacote de papel do tamanho de um polegar. Edd baixou os olhos lentamente, o colocou entre os lábios e começou a mascar o chiclete sabor de cereja olhando diretamente para o rosto mais jovem de McQueen.
— Você acha que foi um bom filme?
— Bem, foi pouco experimental, mas…. Mas ainda assim cumpriu seu propósito de ser categorizado como gênero adulto. Além disso, é um filme muito erótico, e não só pelo sexo. Você quer pegá-lo emprestado? Gostaria de vê-lo?
— Sim.
— Oh, você viu o perfil do parceiro com quem vai filmar hoje?
— Sim, eu vi.
Um homem chamado Luke, que queria filmar comigo, disse que faria 31 anos este ano, ele era gay.
— Ele estará aqui em quatro horas. Disse que precisava sair logo após as filmagens. Ele é um corretor de imóveis, parece que tem um cliente agendado para a noite.
— Um agente imobiliário?
— Sim. Luke é um corretor de imóveis bem conhecido em Nova York.
Ele olhou para o rosto de Janine como uma idiota e, depois de muito tempo, franziu a testa e riu.
— Ele sempre disse que queria filmar quando um homem que o atraísse aparecesse. O que deveria dizer… Luke é um homem com um forte desejo sexual, então quando um homem com seu tipo sai, ele pede para filmar. Às vezes, muito ao acaso, aparecem pessoas assim.
Não sabia exatamente o que havia comovido esse cara chamado Luke no último episódio solo e na cena com Kyle. ‘Mesmo que esteja fazendo isso apenas pelo dinheiro, é estranho pensar que existem homossexuais que me olham como um objeto de desejos sexuais agora’.
— Não se sinta pressionado. Eu não sou o tipo de pessoa que insiste muito.
Embora Edd não estivesse preocupado com a situação, Janine olhava para seu rosto, com um brilho de angústia nos olhos.
— Na verdade, Lancer também disse que queria filmar com você, mas bem, isso é um assunto para outro dia…
Janine deixou escapar um nome entre suas palavras. O nome Lancer aparecia vagamente em sua memória, então pensei onde tinha escutado. No entanto, o som de gritos no saguão não interrompeu seus pensamentos.
— Janine me ajude! Eu vou acabar com isso!
Jack Black estava empurrando a porta do saguão e correndo com alvoroço. O som da chuva na rua ecoou dentro da casa quando a porta foi aberta por um tempo. Enquanto isso, a chuva só ficava mais forte.
Jack Black entrou gritando, estava com as duas palmas das mãos na cabeça.
— Oi, Jen.
— Huh? Uh-huh. Isso…
Jack Black alternou seu olhar entre o relógio na parede e Janine. Não esperava que houvesse outra pessoa no saguão, ele se escorou em um sofá, tremendo. A maquiagem preta escorria sob seus olhos como se tivesse chorado durante muito tempo.
— Sua maquiagem…
— Ah eu nem tô!
Jack Black virou a cabeça ruiva, fazendo beicinho com os lábios. Correndo para o elevador como uma criança mal-humorada, fechou rapidamente a porta do elevador e desapareceu.
Janine, que havia feito um grande balão rosa em seus lábios, encostou-se levemente na parede, e estourou o balão fazendo soar um barulho alto, voltou a mascar o chiclete, olhou para Edd e disse.
— Não é fofo?
—…
— Quero dizer, Jen.
Janine se virou completamente para Edd.
— Estou fazendo uma estátua do corpo inteiro de Jen em casa atualmente. Fiz uma estrutura de ferro e coloquei cimento sobre ela. O cimento está completamente sólido agora. Tudo o que preciso fazer é quebrar o ladrilho de vidro em pequenos pedaços e colá-lo. Quando estiver concluída, penso em trazê-la para o lobby da empresa. E vou chamá-la de *<Blinded by Madness>.
(Cego pela loucura)
Olhou para os grandes olhos verdes de Janine. Ela falou isso com uma expressão cheia de orgulho, não havia dúvida de que a mulher falou isso para me fazer rir.
Edd achou incomum usar Jack Black como material para fazer arte, mas depois de ouvir o estranho nome da obra, começou a imaginar sua própria obra de arte. No entanto, a imaginação de um artista que às vezes parecia como uma ilha deserta não poderia ser entendida por uma pessoa como ele.
— Jack… digo, Jennifer não parecia muito feliz.
— O namorado de Jen é uma estrela pornô gay. Vamos filmar uma locação no Reino Unido e Jen não gosta disso. Da última vez, Jen não conseguiu controlar suas emoções durante as filmagens, então ela foi adiada e houve uma grande briga com McQueen. Eu estava vendo tudo de fora, realmente… foi divertido.
—…
— Quando se trata de amor isso acontece, mas a loucura de um homem cego pelo ciúme… não é brincadeira. Quando a pessoa que se ama consegue lidar com esse tipo de situação por causa da superioridade emocional, a pessoa mais sensível se sente inferior. Algumas pessoas simplesmente superam depois de dizer friamente: ‘Vamos terminar!’, mas Jen não consegue. Ele sempre desaba feio no chão. Não conseguia tirar os olhos de Jen quando estava histérico de ciúmes. Veja só por hoje, de novo. Saiu correndo na chuva sem guarda-chuva.
Em silêncio, Janine soprou um grande balão de chiclete. Ela cutucou as costelas do homem, então juntou o chiclete na boca e mastigou novamente.
— Eu gosto mesmo de você.
Edd olhou para ela surpreso pelo comentário inesperado. A mulher o encarou com um olhar afetuoso.
— Porque existem pouquíssimas pessoas no mundo que ouvem minhas bobagens em silêncio.
Janine riu, sacudindo os ombros com os braços cruzados como se estivesse achando a situação engraçada. Depois de rir por muito tempo, ela suspirou. Inclinou a cabeça e encostou no ombro do rapaz, olhou para ele e logo para baixo.
— Não sei por que não conheci você quando era criança. Nós estudamos na mesma escola.
Balançando os dedos dos pés, Janine levantou a cabeça novamente e olhou para Edd. Depois de bater em suas costas com a palma da mão, ela disse algo com o que não concordou muito.
— Edd, você é um homem maravilhoso.
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Continua…
N.R Quartz: Ah, o flerte meu deus…
Ler Caminhando sobre às águas Yaoi Mangá Online
Este romance conta a história de Ed Talbot, um jovem de vinte e quatro anos que herdou uma dívida com um agiota.
Por acaso, ele acaba se envolvendo no mundo dos filmes pornôs gays amadores dirigidos por “Straight”.
Inicialmente, Ed pretendia se afastar da indústria após gravar apenas um vídeo de masturbação solo, mas sua mentalidade começa a mudar ao conhecer Glenn McQueen.
Glenn McQueen é um homem que comanda dezenas de produtoras de filmes pornográficos. E Ed, sem perceber, acaba se apaixonando por esse homem experiente e libertino.
Nome alternativo: Walk On Waterwow