Ler Cachorro e Pássaro (Novel) – Capítulo ↫─☫ Extra 29 Online


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Dog And Bird. AU — 02.2

A plataforma de streaming de vídeo onde esta obra seria lançada era famosa por não economizar em investimentos. Especialmente para obras promissoras — seja por terem temas inovadores ou por serem dirigidas por diretores renomados —, era comum receberem investimentos de dezenas a centenas de bilhões de won.

Não sei quanto desse orçamento de produção era destinado a elevar o moral da equipe e do elenco, mas foi agendado um jantar de confraternização geral, no qual era recomendado que todos participassem, se possível. Foi exatamente no dia seguinte ao sofrimento de Seo Gyuha na neve, ou seja, hoje.

O pensamento que ele teve ao abrir os olhos de manhã foi este:

“Ser jovem é bom, né.”

Ontem, sua condição física fora decaindo cada vez mais com o passar do tempo. Ao entrar no carro, ele tinha certeza de que pegaria uma gripe forte, mas tomou um soro a caminho de casa, enrolou-se no cobertor e dormiu profundamente a noite toda, e agora estava de volta ao normal. Era uma capacidade de recuperação impressionante que surpreendeu até a ele mesmo.

Graças a isso, Seo Gyuha pôde comparecer ao jantar de confraternização sem problemas. Assim como nas lojas pelas quais passara no caminho, o restaurante estava decorado com enfeites de Natal delicados por todos os lados.

No restaurante, que devia ter sido alugado por inteiro, já havia um número considerável de pessoas ocupando os lugares. Um funcionário do set, cujo rosto era minimamente familiar, indicou o caminho para Seo Gyuha.

— Seu lugar está reservado ali no fundo, ator.

— Obrigado.

Depois de cumprimentar com um leve aceno de cabeça, Seo Gyuha caminhou mais para o fundo. Como dito, viu-se que os principais membros da equipe de produção e alguns atores com papéis de destaque estavam sentados juntos.

Entre eles estava Lee Chayoung.

— Você veio?

Aquele rosto lindamente másculo continuava o mesmo. Era apenas o segundo dia que o via, já que as agendas de gravação de ontem foram diferentes, mas, por algum motivo, parecia que fazia muito tempo. Diante do convite para se sentar ali, Seo Gyuha não recusou e sentou-se pesadamente ao lado dele. Como eram os dois protagonistas, ninguém diria nada por estarem sentados juntos.

— Ouvi dizer que você sofreu ontem.

Pouco depois, Seo Gyuha franziu o cenho diante das palavras ditas em voz baixa por Lee Chayoung. Era porque a lembrança do susto ainda não havia desaparecido completamente.

— Nem me fale. Achei que ia morrer congelado.

Ele respondeu em um tom que apenas Lee Chayoung pudesse ouvir, fingindo beber a água do copo. Com o roteirista principal sentado bem na mesa ao lado, ele não era tão sem noção a ponto de reclamar abertamente.

— Como está sua condição física?

— Bem. Melhorei depois que dormi e acordei.

— Que bom. Tenho algo para te dar, então passe no meu carro por um instante quando o jantar terminar.

— Você trouxe carro?

— Sim. Vim com meu empresário.

— Talvez eu devesse ter vindo com o meu também…. Enfim, o que é que você tem para me dar?

— Veja você mesmo mais tarde.

— Por que? O que é?

Ele perguntou repetidamente por curiosidade, mas Lee Chayoung apenas sorria radiante, dizendo “mais tarde”. No momento exato em que o diretor apareceu, Seo Gyuha seguiu as pessoas que se levantavam e também se levantou para recebê-lo.

Formalidades desnecessárias existiam em qualquer lugar. Pelo menos o brinde foi curto e, após todos segurarem seus copos e gritarem “fighting”, o jantar começou oficialmente.

O local do jantar de hoje era um restaurante especializado em carne coreana (Hanwoo) de primeira linha. Seo Gyuha pensou em pegar o pegador por educação, mas, felizmente, ali também os funcionários grelhavam a carne pessoalmente.

“Uau, deve estar uma delícia.”

Embora estivesse sentado com uma expressão neutra, seu olfato estava totalmente focado no cheiro da carne. Como sabia que o jantar seria em uma churrascaria e não comera nenhum lanche, ele estava com bastante fome.

Enquanto isso, Lee Chayoung servia bebida para o diretor. Seo Gyuha também observou o momento certo e, assim que o copo do diretor esvaziou, pegou rapidamente a garrafa e disse:

— Aceite uma dose minha também, diretor.

— Ora, obrigado.

O diretor, com um sorriso amigável no rosto, respondeu de forma brincalhona e estendeu o copo. Ele agia como um homem gentil quando conversava casualmente, apesar de ser muito rigoroso no set de gravação.

Após virarem a bebida do brinde leve, o diretor também mencionou o que aconteceu ontem.

— Sofreu muito ontem, não foi? Não ficou doente?

— Não, estou bem.

— Fiquei realmente emocionado por você ter dado o seu melhor sem se poupar. Vou garantir que isso entre no making-of. Bem, vamos todos fazer um brinde.

Os copos reunidos se chocaram, produzindo um som refrescante. Enquanto comiam e bebiam animadamente, Lee Chayoung de repente procurou por alguém.

— A propósito, o diretor assistente não vem hoje? Acho que não o vi.

— Ouvi dizer que ele teve um assunto importante em casa. Ele disse que viria mesmo que fosse tarde, então vamos esperar.

— Entendido.

Talvez porque as gravações estivessem correndo bem, o clima do jantar estava ótimo. Depois que um certo tempo passou, o diretor começou a ter uma conversa profunda com o roteirista principal ao seu lado. Nomes de roteiristas que não se sabia de que país eram e críticas sobre obras que não se sabia se eram filmes ou romances saíam incessantemente da boca dos dois.

Mesmo assim, ele não se sentiu particularmente isolado. Isso graças a Lee Chayoung, que puxava conversa em momentos oportunos.

Os temas da conversa eram comuns, porém leves. Que não jogava videogame há muito tempo, que um novo item fora atualizado no menu daquele restaurante onde foram antes, e assim por diante; os dois passaram um bom tempo trocando conversas sobre temas razoavelmente interessantes.

— Temos que ir jogar boliche mais uma vez. Mas não estou conseguindo tempo de jeito nenhum.

— Da próxima vez não vou facilitar.

— Você facilitou? Eu me lembro de você jogando com sangue nos olhos.

— Eu joguei leve. Só para você se destacar.

— Então, na próxima, apostamos o jantar?

— Fechado.

A mesa ao lado também estava barulhenta. No começo, pareciam agir com discrição, talvez conscientes do diretor ao lado, mas, conforme a bebida entrava, começaram a falar livremente conforme o fluxo de consciência. Especialmente o diretor de iluminação, que, com o rosto avermelhado, chegou a mencionar um assunto um tanto sensível.

— Ah, a propósito, vocês ouviram aquele boato? Dizem que o Park Young-chan foi pego usando drogas e está prestes a ser convocado para depor.

— Park Young-chan? Não era o Yoon Tae-seong?

— Sim. Eu ouvi que era o Park Young-chan. Mas o Yoon Tae-seong também usa? Ele não parecia nada do tipo.

— Só de olhar para o rosto não dá para saber. Enfim, parece que tem muito “nóia” por aí.

— Pois é. O que será que estão tentando abafar desta vez….

— Ah, se fosse para abafar, teriam estourado algo com alguém de um escalão maior. Honestamente, o Park Young-chan não é desse nível todo. Se fosse o Kang Yun-ha do mesmo grupo, aí sim.

Por um instante, Seo Gyuha hesitou com o copo na mão. Isso porque ouviu um nome que conhecia muito bem.

“Kang Yun-ha? Será que é o Kang Yun-ha que eu conheço?”

Ao olhar para a mesa ao lado sem perceber, o funcionário, sentindo o olhar, também olhou para cá. O funcionário, confundindo a expressão de surpresa com uma de desagrado, desculpou-se imediatamente.

— Desculpe. Estávamos fazendo muito barulho, né?

— Não, tudo bem.

Na verdade, ele queria perguntar se era do Kang Yun-ha que ele conhecia que estava falando. No entanto, no momento em que ia mover os lábios, Lee Chayoung, sentado à sua frente, interveio suavemente primeiro.

— Aceite uma dose.

— Hã? Ah, obrigado….

— Eu é que agradeço. Graças ao diretor de iluminação, eu sempre saio bem na tela. Conto com você daqui para frente também.

Por causa disso, Seo Gyuha perdeu a oportunidade de dar continuidade ao assunto. Enquanto bebericava a bebida injustiçada, ele pensou:

“Ele tem mil e uma maneiras de fazer alguém calar a boca.”

Dava para perceber, por intuição, que Lee Chayoung não ofereceu a bebida porque estava realmente grato ao diretor, mas sim com a intenção de fazê-lo calar a boca. O diretor também devia ter um pouco de senso, pois, depois disso, sentiu-se que ele passou a tomar mais cuidado com o que dizia.

— Vamos brindar uma vez?

Graças a Lee Chayoung, que propôs um brinde no momento certo, o clima que quase ficou estranho voltou ao normal rapidamente.

Enquanto várias histórias iam e vinham novamente, o celular de Lee Chayoung sobre a mesa vibrou. Em seguida, ele pediu licença por um momento e atendeu a ligação.

— Alô? Sim. Estou em um jantar de confraternização agora.

Devido ao volume baixo, a voz da outra pessoa não era audível. Independentemente disso, Seo Gyuha preparou um embrulho de alface bem recheado, focado na carne.

— Sim. Acho que não vou ter tempo naquela hora…. Entrarei em contato quando tiver um tempo. Sim, tchau, Yun-ha.

Enquanto mastigava a comida que enfiara na boca, seu pescoço virou-se automaticamente para o lado ao ouvir o nome.

“Yun-ha? Por acaso é o Kang Yun-ha?”

Ele poderia ter ignorado, mas, coincidentemente, a história que o diretor de iluminação estava contando há pouco se sobrepôs e o rosto dele veio à mente. Observando um momento adequado, Seo Gyuha acabou inclinando a cabeça levemente e perguntou em um sussurro para Lee Chayoung:

— Era o Kang Yun-ha?

— Sim.

— Parece que vocês continuam se falando.

— Ele entra em contato com frequência.

O rosto de Kang Yun-ha veio à mente repetidamente. Bem, naquela época, ele demonstrou seu lado fã de forma tão aberta…. Será que eu acabei entregando o peixe para o gato….

— Está com ciúmes?

Seo Gyuha, que estava perdido em pensamentos por um momento, recuperou o juízo com aquelas palavras. Lee Chayoung, que sorria com os olhos semicerrados, parecia estar se divertindo bastante, por algum motivo.

— Do que você está falando?

— Porque você está com cara de quem está com ciúmes.

— Você enlouqueceu? Por que eu sentiria algo assim?

Ciúmes era um absurdo total, mas ele estava um pouco indignado. Isso porque, desde aquele encontro, ele não recebeu uma única ligação de Kang Yun-ha.

Mesmo assim, ele decidiu não pensar que fora usado. Cada um tem pessoas diferentes para quem quer ligar primeiro e encontrar, e ele apenas não era tão íntimo de Kang Yun-ha. Claro, o mesmo valia para a existência de Kang Yun-ha para Seo Gyuha. O número estava salvo, mas não era alguém para quem ligaria a menos que houvesse algo especial; era um contato com um certo distanciamento, até para perguntar como as coisas iam.

— Hmm, seria bom se você estivesse com ciúmes.

— O que você está dizendo? Já ficou bêbado?

Como o rosto que continuava sorridente era irritante, ele queria até empurrá-lo com a palma da mão, mas havia olhos demais observando para ele realmente fazer isso. Para que a conversa trocada em tom de brincadeira não causasse mal-entendidos desnecessários, Seo Gyuha encerrou a situação fingindo indiferença.

— Você está abusando da sorte só porque ficamos um pouco próximos ultimamente.

— Ei, quando foi que eu fiz isso?

— Agora. Ufa.

Várias risadas explodiram quando ele soltou um suspiro exagerado. Em seguida, alguém liderou outro brinde e, graças a isso, a situação passou naturalmente.

Quanto tempo mais se passou? Como comeu e bebeu bastante, ele estava satisfeito e começou a pensar em ir para casa. O diretor parecia não se cansar, ainda imerso na conversa com o roteirista.

“Será que vão me olhar torto se eu disser que vou primeiro? Acho que já cumpri minha parte por lealdade.”

Enquanto checava discretamente o relógio no celular, sentiu uma agitação do lado de fora. Ao olhar para ver o que era, viu o diretor assistente, que dissera que se atrasaria, chegando e recebendo cumprimentos dos juniores.

Seo Gyuha percebeu rapidamente a realidade. “Ih, não vou conseguir sair cedo.”

Enquanto isso, o diretor assistente, como um salmão subindo o rio, aproximou-se até aqui e cumprimentou o diretor primeiro.

— Cheguei.

— Bem-vindo. Estávamos esperando por você.

— Sente-se aqui.

— Ora, eu não posso tomar o seu lugar.

— Imagina. Eu estava esperando para ver o diretor assistente antes de ir. Já que nos vimos, vou indo.

Ele sentiu muita inveja da roteirista principal, que se preparava para sair com confiança. Em seguida, ela partiu, e Seo Gyuha não perdeu a oportunidade desta vez para demonstrar suas habilidades sociais.

— Aceite uma dose, diretor assistente.

— Ah, sim, claro.

— Quer que eu peça mais carne para o senhor?

— Eu já comi antes de vir, mas….

— Mas seria decepcionante se não comesse. A carne aqui é muito boa.

Após o pedido, seguiu-se outro momento de brinde. O diretor assistente, que hesitou dizendo que já tinha comido, comeu a carne com muito gosto assim que ela foi grelhada.

Enquanto isso, Seo Gyuha acabou descobrindo uma informação irrelevante sobre o diretor assistente, independentemente de sua vontade. Com apenas dois copos de bebida, o rosto dele ficou desagradavelmente avermelhado, como o de alguém embriagado.

“Dizem que quem não tolera álcool fica assim.”

Na verdade, ele parecia ser fraco para bebida. Talvez fosse impressão, mas ele já se dirigiu a Seo Gyuha com uma pronúncia levemente arrastada.

— Como foi que você melhorou?

— Perdão?

— Sua atuação. Toda vez que você gravava uma cena de romance com o Chayoung, cometia erros (NGs) seguidos. Mas na gravação de anteontem, fiquei surpreso com o quanto você mudou.

Na obra, os dois ainda estavam em um cabo de guerra emocional instável. “Cena de romance” tinha uma conotação ambígua, mas o importante não era isso. Ao ouvir a pergunta sobre como melhorara, naturalmente veio à mente a lembrança daquele momento, ou seja, de quando praticara atuação com Lee Chayoung no hotel.

Mas, se dissesse as coisas como foram, seria perfeito para causar mal-entendidos desnecessários. Havia muitos ouvidos ao redor, e ele sabia bem o quanto as palavras que saíam da boca podiam ser distorcidas ao passarem por apenas um intermediário.

Felizmente, sua mente não estava totalmente travada, e ele respondeu com um improviso.

— Na verdade, eu nunca tinha feito um papel de casal antes. Fiquei muito atrapalhado por ser estranho, mas achei que seria um problemão se continuasse assim, então me dediquei muito ao estudo do personagem.

O diretor assistente, que fizera a pergunta, parecia ter focado em algo inesperado.

— Você nunca fez um papel de casal? Sua carreira de ator não é considerável?

— Sim. Mas eu não gravei muitos gêneros de romance….

Enquanto falava, Seo Gyuha parou sem perceber. Isso porque alguém segurou sorrateiramente sua mão, que estava largada sob a mesa.

O diretor assistente, sem saber o que estava acontecendo, soltou uma voz de estranhamento.

— Gyuha?

— Sim?

— Por que parou de falar? Disse que não gravou muito romance?

— Ah, sim.

— Então sua gama de atuação vai se expandir ainda mais com o que está gravando agora. Se você fizer como fez anteontem, propostas de comédias românticas vão chover. Pode acreditar no que eu, com 30 anos de estrada, estou dizendo.

— Obrigado pelas boas palavras.

Até aquele momento, a mão de Lee Chayoung continuava cobrindo a mão de Seo Gyuha, como se a envolvesse. E, para completar, ele entrelaçou os dedos discretamente.

Ele olhou para o lado pensando “o que é isso?”, mas Lee Chayoung conversava calmamente com a pessoa à sua frente. Aproveitando uma brecha adequada, Seo Gyuha sussurrou rapidamente com os dentes cerrados, como se estivesse fazendo ventriloquismo:

— O que você está fazendo?

Só então o rosto sorridente se voltou para Seo Gyuha.

— Praticando atuação.

— Que conversa fiada é essa?

— O que você disse?

Diante da voz de Seo Gyuha, cujo tom subira levemente, o diretor assistente, que mexia no celular por um momento, ergueu a cabeça. Lee Chayoung respondeu em seu lugar dizendo que não era nada e sussurrou baixinho no ouvido de Seo Gyuha:

— Só porque eu quis segurar.

— ……

Seo Gyuha ficou boquiaberto, balbuciando diante de uma resposta que jamais esperaria. Em seguida, os pensamentos começaram a fluir lentamente.

“Só porque quis segurar? Por quê? …Será que esse cara tem segundas intenções comigo?”

Quase simultaneamente, Seo Gyuha puxou a mão que estava sendo segurada. Seu coração começou a bater rápido, como se estivesse fazendo uma corrida sem sair do lugar.

— O que houve?

— …Nada. Vou ao banheiro um instante.

Com isso, ele se levantou abruptamente e saiu da mesa. Indo direto para o banheiro, Seo Gyuha jogou água no rosto com as duas mãos na pia. Após repetir o ato várias vezes, ao erguer a cabeça, gotas de água escorreram pelo seu queixo e caíram no chão.

“O Lee Chayoung sente algo por mim?”

“…Impossível.”

Era um equívoco fruto de excesso de autoconfiança, até para ele. Ele devia estar cercado de mulheres bonitas, e seduzir qualquer uma seria moleza se ele quisesse. Por que um cara desses, por estar carente de algo, sentiria algo por ele, que é homem, e ainda por cima por alguém que ele acredita ser Beta?

Mas, por outro lado, para simplesmente descartar a ideia, as ações de Lee Chayoung eram enigmáticas.

“Ser gentil faz parte da personalidade dele, então tudo bem, mas aquele negócio que fizemos sob o pretexto de treinar atuação é meio estranho agora que paro para pensar….’

Sem nem conseguir pensar em secar a água que continuava escorrendo, Seo Gyuha segurou as bordas da pia com as duas mãos e continuou mergulhado em seus pensamentos. “Dizem que existem pessoas que só dormem com o mesmo tipo de natureza, ou que, mesmo sendo Alfa ou Ômega, só se interessam por Betas. E se o Lee Chayoung for desse tipo? E se ele estiver realmente dando em cima de mim?”

No momento em que lembrou do sorriso gentil dele, o rosto de Seo Gyuha ardeu como se alguém tivesse ateado fogo. Ele mesmo ficou surpreso com sua própria reação. Além disso, o sentimento que a acompanhava não era de nojo ou repulsa, mas, absurdamente, uma palpitação.

Em seguida, veio o choque. “Depois de tudo que passei para viver. Por não conseguir aceitar o fato de ser um Ômega, desperdicei vários anos, e só de encostar em um Alfa masculino eu sentia calafrios, como isso é possível?”

O ponto de chegada dos pensamentos que se encadeavam foi Lee Chayoung. Como alguém de personalidade simples e direta, ele capturou a essência rapidamente desta vez também.

“Porque é o Lee Chayoung.”

Sim, porque é o Lee Chayoung. O cara que deu em cima dele foi o Lee Chayoung. É por isso que ele caiu na conversa sem nem perceber, e por isso que não sente repulsa. Como dito antes, se alguém com aquele rosto seduzir, não haveria quem não caísse.

Ele decidiu não pensar que “é porque eu sou um Ômega”. Entre as pessoas ao seu redor, certamente havia alguns Alfas, mas só de pensar em um deles dando em cima de si, xingamentos surgiam naturalmente.

— Splash, splash.

Ao jogar água no rosto mais uma vez, sua lucidez voltou totalmente. Depois de secar o rosto com toalhas de papel que puxou com força, Seo Gyuha continuou seus pensamentos enquanto quase encarava a si mesmo no espelho. Isso porque ainda restava outra possibilidade.

“E se ele realmente me ajudou apenas em prol da obra?”

“Obrigado, já que graças a isso não houve problemas nas gravações.”

“E se não for um sentimento sério, mas ele só estiver pensando em se divertir um pouco? E se ele for um cara galinha que dá em cima de qualquer um com facilidade?”

“Eu faço o mesmo.”

“Sim, é só eu fazer o mesmo.”

Como alguém que detesta coisas complexas, foi um pensamento longo, algo raro para ele. Graças a isso, ele pôde chegar a uma conclusão relativamente clara.

“O Lee Chayoung não tem segundas intenções e eu estou criando expectativas sozinho? É só deixar passar como um incidente pessoal.”

“É um lance passageiro? Eu aproveito exatamente nessa mesma medida.”

“É sério? Na verdade, isso não faz sentido.”

Ele se assustou há pouco porque ele do nada segurou sua mão e deu em cima, mas, pensando bem, sentimentos sérios não faziam sentido. Não havia como um Alfa dominante estar falando sério com um homem Beta, a menos que estivesse louco. Mesmo que, por uma chance em um milhão, ou melhor, dez milhões, fosse o caso, ele estaria em apuros.

Seo Gyuha era alguém com certa determinação. Seu sonho de se aposentar silenciosamente e viver de forma pacata assim que ganhasse o suficiente para viver razoavelmente para o resto da vida continuava intacto.

Mas e se ele se envolvesse em um escândalo com o Lee Chayoung?

O país inteiro ficaria em polvorosa com um escândalo sem precedentes, e só de pensar em ser linchado publicamente por todos os lados, seu estômago doía de estresse.

Além disso, talvez por ter percebido isso só agora, seus sentimentos por Lee Chayoung não eram tão profundos. Provavelmente o outro lado também pensava assim, então, se ele enviasse um sinal de que queria dormir com ele, parecia que ele poderia simplesmente aproveitar de forma adequada.

“Naquela hora, ele mandou muito bem….”

BUM—

— Ai!

Seo Gyuha levou um susto enorme com o som da porta sendo aberta abruptamente. O funcionário que abriu a porta parecia igualmente surpreso.

— Eu não sabia que tinha alguém aqui. Desculpe.

— …Tudo bem.

Como ele não tinha o menor desejo de estar presente enquanto outra pessoa fazia suas necessidades, Seo Gyuha saiu do banheiro às pressas. Olhando agora, parecia que as pessoas tinham ido embora um pouco nesse meio tempo. Assim que ele voltou ao lugar, Lee Chayoung puxou conversa.

— Você foi lá fora?

— Não.

— Você demorou tanto que eu quase fui te buscar.

Seo Gyuha olhou para Lee Chayoung por um momento sem responder. Se ele fazia isso sem nenhum significado especial e não como uma investida, ele era realmente um homem “culpado”.

Como todos já deviam estar satisfeitos, o número de pessoas que iam embora um por um aumentou. Como já vira o diretor assistente, Seo Gyuha decidiu se juntar ao grupo que ia embora.

— Com licença, eu também vou indo.

Assim que ele falou, o olhar do diretor se voltou para cá. Felizmente, ele não ficou sério nem tentou segurá-lo; em vez disso, ele considerou a posição do outro.

— Você deve estar cansado, vá e descanse bem.

Em seguida, ele sondou a intenção do outro ator principal.

— O Chayoung vai ficar mais um pouco, não vai? Vamos para a “segunda rodada” beber mais uma dose.

— Não. Eu também já estava pensando em ir.

— É preciso ter alguém que aguente o tranco para ser divertido.

— Na próxima vez, eu mesmo organizo algo. Então, vou indo agora.

Por causa disso, Seo Gyuha acabou saindo ao lado de Lee Chayoung. Como dar significado a cada detalhe não teria fim, ele saiu do restaurante pensando que Lee Chayoung também devia estar apenas esperando o momento de ir para casa.

Mesmo assim, como era questão de educação se despedir, ele disse para Lee Chayoung enquanto colocava a máscara que tirara do bolso:

— Tchau.

— Espera um pouco.

Ele teve o braço segurado antes mesmo de dar um passo. Por um momento, seu coração bateu forte de novo, mas o sentimento se desfez rapidamente ao ouvir o que ele disse em seguida.

— Eu disse que tinha algo para te dar.

…Ah, é verdade. Que cabeça de vento a minha.

Ele tinha esquecido completamente. Seguindo Lee Chayoung, que se dirigia ao estacionamento subterrâneo, Seo Gyuha colocou o capuz da jaqueta. Foi para esconder as orelhas que ficaram vermelhas por causa da expectativa precipitada.

O carro que chegou não era a van que ele vira antes. Quando o empresário destravou o carro com a chave, os faróis de um carro importado, com um emblema que qualquer um reconheceria, brilharam intensamente.

— É o seu carro?

— Sim.

— Que carrão.

“Eu também dirigia carros bons quando tinha vinte anos. Mas perdi a casa e tive que vender tudo.”

Enquanto ele relembrava o passado com nostalgia, Lee Chayoung tirou algo do porta-malas do carro. Em seguida, uma caixa luxuosamente embalada foi entregue a Seo Gyuha.

— Pegue.

Ao estender a mão sem pensar muito, Seo Gyuha levou um susto.

— O que é isso? Por que é tão pesado?

— É melão.

— Melão?

— Sim. Alguém me deu há pouco tempo, mas achei doce demais para o meu paladar.

Ele quase disse “e você me dá isso por causa disso?”, mas se conteve. De qualquer forma, ele estava grato por ganhar algo…. Mas, para ser honesto, ele ficou um pouco decepcionado. Internamente, ele esperava algo melhor. Tsc.

— Vou comer com gosto.

Ele achou que tinha controlado sua expressão, mas ela devia ter transparecido em seu rosto, pois Lee Chayoung riu e acrescentou uma frase.

— Não dê para outra pessoa, coma sozinho. Cada um custa alguns milhões de won.

— O quê? Não minta para mim.

— É verdade. Se não acredita, pesquise.

Tinha certeza de que era uma brincadeira, mas, como ele disse com aquele rosto que inspirava confiança, ele ficou na dúvida. No fim, Seo Gyuha pegou o celular discretamente. Ele pesquisou o nome do melão que lhe fora dito e arregalou os olhos de surpresa.

“O quê? É verdade?”

— ……

O melão que ele segurava pareceu subitamente duas vezes mais pesado. Sem perceber, ele colocou mais força nas duas mãos, temendo deixá-lo cair. Lee Chayoung falou com ele novamente:

— Você trouxe carro?

— Não.

— Então vamos juntos. Eu te deixo em casa.

— Não precisa. Por que se dar a esse trabalho?

— É o meu caminho, de qualquer forma. E com essa carga, você é quem vai ter trabalho.

As pontas dos dedos longos dele apontaram para a caixa de melão que Seo Gyuha segurava. Enquanto Seo Gyuha hesitava sobre o que fazer, o empresário de Lee Chayoung também ajudou com um sorriso amigável.

— Aceite a carona, ator. Vou levá-lo com toda a segurança.

— …Então, vou aceitar o favor.

Graças a isso, Seo Gyuha subiu no banco de trás do carro com Lee Chayoung, fingindo ceder. Assim que saíram do estacionamento e viraram à direita, pararam no sinal de pedestres. E, logo adiante, via-se um grupo de pessoas de meia-idade olhando para a estrada, tentando encontrar um táxi vazio.

“Ainda bem que aceitei a carona.”

Ele sentiu gratidão a Lee Chayoung ao pensar que, se não fosse por isso, estaria parado naquele frio segurando uma caixa de melão sem rumo. Como se tivesse percebido o pensamento dele, Lee Chayoung falou no escuro.

— Você vai dormir logo quando chegar em casa?

— Vou.

— Que horas é sua gravação amanhã?

— À uma hora. Não sei que horas termina.

— Hmm, então quer tomar mais uma dose na minha casa antes de ir? Ganhei um vinho muito bom de presente.

Ao ouvir aquilo, o pescoço de Seo Gyuha virou-se para a direita sem perceber.

— É seu aniversário? Você também não disse que o melão foi presente de alguém?

— Tem muita gente que cuida de mim por aí.

— Deve ser bom ser popular.

Ele fez bico e reclamou, mas não estava realmente com ciúmes ou sentindo complexo de inferioridade. Como dito, ciúmes se sente de alguém com quem se pode competir; se a diferença for grande demais, nem surge a vontade.

— Eu não sou muito fã de vinho branco, mas vi que você bebeu bem antes, Gyuha. Tenho queijo azul em casa também, deve combinar bem.

“…Parece delicioso.”

Só de imaginar a imagem, ele começou a salivar. No entanto, como era meio estranho responder prontamente que iria, ele fez uma pergunta por educação.

— Não tem mais ninguém da sua família em casa? Já está meio tarde.

— Não. Eu moro sozinho.

— E que horas é sua gravação amanhã?

— Às onze. Mas eu sou uma pessoa matinal, costumo acordar cedo de qualquer forma.

Ser uma pessoa matinal combinava perfeitamente com Lee Chayoung. Enfim, como o dono da casa, que morava sozinho, o convidara, ele pensou que não seria julgado e aceitou o convite dele.

— Então vou passar lá rapidinho.

O apartamento onde Lee Chayoung morava tinha uma segurança muito rigorosa. Depois de passar várias vezes por portarias que não permitiam a passagem de quem não fosse morador, eles finalmente entraram pela porta principal.

— Entre.

A sala que ele encontrou ao caminhar pelo corredor interno não era muito diferente do que ele imaginara vagamente. Exagerando um pouco, era vasta como um ginásio, e além da janela panorâmica da sala, a vista noturna deslumbrante da cidade se estendia como uma pintura.

— Fique à vontade. Vou trocar de roupa e já volto.

— …Tá bom.

Seo Gyuha logo se sentou no sofá da sala. Graças ao dono da casa ter se ausentado por um momento, ele pôde olhar ao redor da casa à vontade.

“Está limpo pra cacete. Deve contratar alguém para limpar…. Hehe, o que é aquilo?”

Em meio a tudo perfeitamente organizado, a única coisa destoante o fez rir. Sobre uma pequena mesa perto da parede, havia uma árvore de Natal minúscula e, bem ao lado, um boneco de Papai Noel dançarino balançava o bumbum freneticamente.

“Essas coisas normalmente não fazem barulho? Ele tirou o som?”

Desta vez, ele olhou para o outro lado. Para quem mora sozinho, o que aquele cara fazia com duas mesas, e havia até um minibar elegante na divisa entre a cozinha e a sala? Parecia ser o suficiente para criar um clima e beber em casa sem precisar sair.

Lee Chayoung, que reapareceu de algum lugar, vestia uma camisa de malha com gola V e calças de algodão. A imagem dele se movendo e fazendo barulho na cozinha refletia-se nitidamente nos olhos de Seo Gyuha.

Ao ver que ele não perdia a elegância nem em casa, Seo Gyuha ficou impressionado internamente. “Será que ele mesmo limpa tudo?”

Enquanto isso, Lee Chayoung voltou para a sala com as mãos cheias. Ele colocou uma bandeja redonda com várias coisas sobre a mesa e abriu a rolha com um abridor. Em seguida, o vinho de cor amarela clara preencheu adequadamente as taças.

— Vamos brindar?

Diante da taça oferecida com um rosto sorridente, Seo Gyuha aceitou sem reclamar e brindou levemente. Mesmo assim, seguindo a etiqueta básica, ele não entornou tudo de uma vez; ele apreciou o primeiro gole lentamente antes de engolir.

— E então?

— É docinho e gostoso.

Ele não sabia o que era, mas tinha um aroma profundo e um sabor que grudava na boca. Se fosse um vinho assim, ele sentia que poderia esvaziar uma garrafa inteira ali mesmo. Aproveitando o embalo, Seo Gyuha acrescentou alguns elogios.

— Teria sido um desperdício se eu não tivesse vindo.

— Não é? Eu sabia que você ia gostar.

Em seguida, Lee Chayoung levantou-se novamente. Ele pensou que ele fosse buscar algo, mas não era isso; ele apertou os interruptores na parede. Logo, a iluminação mudou como a de um bar de luxo, e uma música jazz começou a tocar na caixa de som Bluetooth. Graças à árvore e ao boneco, que eram pequenos mas tinham uma presença clara, o clima de Natal ficou intenso.

Ligar a música foi uma escolha excelente. Graças a isso, mesmo quando a conversa parava, não se sentia o vazio. Quando estava terminando a segunda taça, Lee Chayoung, virando o corpo levemente em direção a Seo Gyuha, fez uma pergunta.

— Você está saindo com alguém?

— Não.

Embora o sabor doce a escondesse, o teor alcoólico parecia ser alto. Seo Gyuha respondeu distraidamente com o rosto levemente avermelhado e, com atraso, acrescentou algumas palavras.

— Se eu estivesse, você acha que eu teria feito aquilo?

Ele disse isso com o sentido de “por quem você me toma?”, mas Lee Chayoung pareceu focar em algo inesperado. Logo, um questionamento imprevisto saiu da boca dele.

— Que tipo de coisa?

— O quê?

— O que seria “aquilo”?

“Nossa, olha só para esse cara.”

Seu rosto ficou ainda mais vermelho ao reviver a lembrança daquela época que ele tinha deixado passar tranquilamente. Ao contrário de Seo Gyuha, que calou a boca, Lee Chayoung foi além.

— Beijar sob o pretexto de treinar atuação?

— Ei….

— Ou, quem sabe, a masturbação?

— …….

Ele sentiu o que era ficar sem palavras. Lee Chayoung estendeu a mão para Seo Gyuha, que estava visivelmente paralisado. Enquanto acariciava o lóbulo da orelha dele de forma sensual, ele finalmente lançou o xeque-mate.

— Quer dormir aqui hoje?

— ……!

A menos que ele não tivesse o menor senso, era impossível não perceber que aquilo não era um simples convite para oferecer roupas de cama. Diante da sedução explícita, Seo Gyuha ficou boquiaberto com um rosto atônito, mas conseguiu recuperar o juízo e mover os lábios.

— Você sabe que eu sou um Beta, né?

— Eu sei.

— …E mesmo assim, você quer isso?

— A natureza não importa. O que importa é a pessoa.

— ….

— Você já deve ter percebido, mas eu estou interessado em você. Se você não se importar, Gyuha, eu gostaria de te encontrar seriamente.

Mais do que paralisado, ele ficou perplexo. “Seriamente”. Ele jamais esperara que a primeira hipótese, que ele descartara como impossível, fosse a resposta correta.

Lee Chayoung tinha olhos retos e sem a mínima hesitação. Ao ver aquelas pupilas que brilhavam como joias negras mesmo sob a iluminação fraca, seu coração começou a palpitar com uma intensidade cada vez maior.

— É sério?
— Com certeza.
— Mas por que diabos?
— Por que será? Porque eu gosto de você.

Não era nem uma questão de “A é A”. Seo Gyuha franziu a testa, insatisfeito com aquela resposta vaga. Enquanto massageava suavemente o vinco entre as sobrancelhas dele para relaxá-lo, Lee Chayoung acrescentou mais algumas palavras.

— Não vou pedir para você aceitar agora. Saia comigo algumas vezes e, se não gostar, pode me rejeitar a qualquer momento.
— …….
— Mas você também gostou do meu corpo, não gostou? — Ele acrescentou com um sorriso brincalhão, fazendo Seo Gyuha sentir um sobressalto momentâneo. Não era mentira; as coisas que haviam feito enquanto se beijavam naquele dia permaneciam como uma lembrança bastante satisfatória.
— Ei, droga… Assim você faz parecer que eu sou um lixo que só quer o seu corpo.
— Não me importo. Já é um começo se você gosta pelo menos do meu corpo.
— Ha…
— Quer me beijar?

Não houve tempo para hesitação ou resposta. Logo após lançar a pergunta, Lee Chayoung estendeu a mão novamente, envolveu a nuca de Seo Gyuha e puxou-o para selar seus lábios.

— ……!

Antes que pudesse processar o susto de arregalar os olhos, uma língua invadiu sua boca. Em pânico, tentou empurrá-lo, mas, como esperado, aquele corpo sólido como uma rocha não se moveu nem um centímetro.

*Acho que já passei por isso antes…*

O pensamento não durou muito. Assim como da última vez, o prazer que se espalhava rapidamente era familiar.

Por fim, Seo Gyuha desistiu de pensar e cedeu ao beijo. Enquanto entrelaçavam as línguas sem reservas e trocavam saliva, Lee Chayoung começou a despi-lo com agilidade. Seo Gyuha também removeu a blusa de tricô de Lee Chayoung e abraçou suas costas nuas.

— Haah…

Quando os lábios se separaram, um fio longo de saliva transparente se estendeu entre eles.
Lee Chayoung envolveu o pescoço de Seo Gyuha com suas mãos grandes novamente e distribuiu beijos pontuais ao longo de sua garganta. A cada lambida lenta, Seo Gyuha sentia um calafrio percorrer sua espinha.

— Não deixe marcas.
— Eu sei. Não vou deixar onde apareça. — Com um baque suave, as costas de Seo Gyuha atingiram o sofá.

Sentindo-se sem jeito, ele mexia no próprio cabelo, mas logo deu um sobressalto e olhou para o próprio peito.
Não era ilusão. Ao ver seu mamilo esquerdo sendo abocanhado por Lee Chayoung, ele soltou um som agudo.

— Não precisa fazer nada aí.

Lee Chayoung levantou ligeiramente a cabeça e perguntou com naturalidade:

— Você não gosta porque é sensível? Ou nunca foi tocado aí?
— É claro que não. Por que alguém mexeria nisso?
— Então, aproveite esta oportunidade e deixe comigo. Provavelmente vai ser bom.

Terminada a frase, Lee Chayoung desceu os lábios para o mamilo novamente. Começou tocando levemente com a ponta da língua e, em seguida, abocanhou a pele ao redor, sugando com força.

*Será que ele tem fetiche por peitoral? Podia só me masturbar logo.* Como há nervos no mamilo, era óbvio que ele sentia o toque, mas a única sensação era de estranheza. Enquanto soltava um suspiro, pensando que ele estava gastando energia à toa… de alguma forma, conforme o tempo passava, aquela sensação começou a mudar gradualmente.

No início era apenas algo desconhecido e estranho, mas a partir de certo momento, começou a sentir pontadas de prazer no peito, semelhantes às que sentia quando se masturbava.
Ele percebeu isso com clareza quando os lábios de Lee Chayoung se moveram para o outro mamilo. No instante em que a língua úmida e escorregadia tocou a ponta do mamilo, Seo Gyuha estremeceu involuntariamente e arqueou o quadril.

Naquele momento, ele teve um pressentimento. Mesmo sem precisar tocar para conferir, sentia que estava ereto.

— Pare agora.

Com a voz embargada, Seo Gyuha tentou empurrar Lee Chayoung. No entanto, o outro não deu sinais de que recuaria facilmente. Após responder que ainda não era o suficiente, ele esticou a língua e provocou a ponta do mamilo de um lado para o outro, de forma ostensiva. Diante daquela cena visualmente obscena, Seo Gyuha desviou o olhar rapidamente, como se tivesse se queimado.

*Filho da puta louco.*

Ele mordeu o lábio inferior com força, temendo que um gemido escapasse. Seu rosto estava ruborizado até o pescoço.
Finalmente, ao sentir que Lee Chayoung se afastava, Seo Gyuha voltou a cabeça para a posição original. Ao olhar para baixo de relance, viu seus dois mamilos eretos e brilhantes de saliva.

*Cacete, mamilos de homem também ficam assim.*

— Você excitou.
— ……!

Em um instante, a mão de Lee Chayoung tocou o centro de seu corpo. Para não ficar atrás, Seo Gyuha também estendeu a mão para a ereção do outro e logo exibiu um sorriso de vencedor.

— Olha quem fala.

Mesmo por cima das calças, a ereção de Lee Chayoung estava tão firme que emanava um calor intenso. Pensando que não havia motivo para recuar agora, Seo Gyuha usou a mão esquerda para abrir o cinto e o zíper das calças dele. Ao puxar a cueca para baixo, o membro pulsante saltou para fora.

— Toque logo.

Diante do pedido feito sem nenhum pudor, Seo Gyuha reclamou novamente:

— Você não tem vergonha?
— Por que eu teria? Sexo é sobre se envolver vendo tudo o que há de bom e de ruim, não acha ridículo se fazer de comportado?

Pensando bem, ele não estava errado. Como ele disse, ambos estavam expondo suas partes mais íntimas e mostrando seus lados mais embaraçosos. Por exemplo, gemendo ou movendo o quadril em busca de prazer.

Sem conseguir esperar, Lee Chayoung estendeu a mão novamente para o tronco de Seo Gyuha, beliscou o mamilo protuberante e insistiu mais uma vez:

— Toque para mim, Gyuha.

O fato de até o seu nome, que qualquer um chamava, soar obsceno na voz dele era prova de que ele estava ficando louco. Antes de ser dominado por sensações ainda mais estranhas, Seo Gyuha envolveu o pau dele com a palma da mão.

Pela forma como estava rígido, era de se esperar que já estivesse vazando, mas o membro apenas pulsava como se tivesse vida própria, e a sensação ao toque era bastante seca. Sem escolha, ele cuspiu na própria palma da mão, envolveu o tronco novamente e começou a mover a mão para cima e para baixo.

— Espera um pouco.

Lee Chayoung despiu suas próprias roupas rapidamente e depois tirou todo o resto da roupa de Seo Gyuha. Em seguida, segurou seu braço e o fez levantar.

— Vamos para a cama.

Enquanto Seo Gyuha o seguia meio sem jeito, viu uma porta firmemente fechada. No momento em que Lee Chayoung abriu aquela porta, Seo Gyuha sentiu um formigamento na pele, como se fosse eletricidade estática.

Ele sabia instintivamente o motivo. Antes de entrar, as palavras saíram apressadas de sua boca:

— Espera.
— O quê?

Seo Gyuha moveu os lábios, mas não conseguiu dizer a verdade. Se dissesse que não queria entrar por causa dos feromônios dele, com certeza ele acharia estranho.

— Tudo bem. Pode entrar.

Achando que Seo Gyuha estava hesitando por ser o quarto de outra pessoa, Lee Chayoung puxou seu braço mais uma vez e entrou. Assim, Seo Gyuha acabou entrando na área mais íntima de um Alfa.

*Ah, droga…*

Enquanto caminhava até a cama, Seo Gyuha não sabia o que fazer.
Seus mamilos, que haviam sido provocados de forma persistente, latejavam, e ele tinha a ilusão de que algo estava escorrendo de dentro de seu corpo. Ele já tivera algumas experiências sexuais, mas aquela sensação era inédita.

O quarto de Lee Chayoung era amplo como a sala, mas passava uma sensação mais desoladora. Ao chegarem à cama posicionada sozinha no centro, Lee Chayoung acendeu o abajur no criado-mudo. Em seguida, naturalmente empurrou Seo Gyuha para se deitar e posicionou-se entre suas pernas.

Sob as sombras projetadas no rosto de Lee Chayoung, Seo Gyuha sentiu seu coração bater aceleradamente.

— Por que acendeu a luz?
— Se estiver escuro, não dá para ver nada. Por acaso seu gosto é fazer de olhos vendados?
— Que merda você está falando?
— Ficou irritadinho, é suspeito.
— Cala a boca, sério.

Pensando que precisava desviar a atenção dele para calar aquela boca, Seo Gyuha segurou o membro de Lee Chayoung novamente. Ao apertar com um pouco mais de força de propósito, viu Lee Chayoung franzir levemente a testa.

Ele fez aquilo com essa intenção, mas, inesperadamente, sentiu uma derrota. Até aquela expressão parecia sexy.
Além disso, Lee Chayoung apelou para o uso de itens.
Ele pegou um gel na gaveta sob o abajur, despejou uma quantidade generosa na palma da mão e começou a tocar o membro de Seo Gyuha. Enquanto o masturbava com a mão direita, usava a esquerda para beliscar seu mamilo.

— Hng!

Um gemido escapou antes que ele pudesse controlar. O toque simultâneo em dois pontos sensíveis elevou a excitação ao dobro.

— Mmm…

Inclinando o corpo, Lee Chayoung buscou os lábios de Seo Gyuha. Assim que ele abriu a boca sem hesitar, suas línguas macias se entrelaçaram. Enquanto se beijavam e se tocavam mutuamente, a vontade de ejacular foi crescendo de forma sólida. Quando parecia que ele ia gozar em instantes, Lee Chayoung subitamente soltou a mão e também segurou a mão de Seo Gyuha, impedindo-o.

— Vou chupar para você.

A irritação que estava prestes a explodir desapareceu ao ouvir que ele o chuparia. Aproveitando que ele havia perdido o tempo da reação, Lee Chayoung empurrou a parte de trás dos joelhos de Seo Gyuha para cima, abrindo-o completamente. Então, enterrou os lábios na coxa perto do escroto e mordiscou a pele.

— Haah…

As duas mãos de Seo Gyuha agarraram o cabelo de Lee Chayoung. Ele achou que, se ia chupar, obviamente seria o pau, mas Lee Chayoung movia os lábios muito lentamente, apenas sugando a pele da coxa repetidamente. Mesmo assim, o líquido pré-ejaculatório escorria da uretra em gotas, como se a glande estivesse sendo sugada.

*O que ele está fazendo, afinal?*

Ansioso e sem conseguir mais esperar, no momento em que levantou metade do corpo, Seo Gyuha percebeu o que Lee Chayoung estava fazendo e sua expressão congelou.

— Eu disse para não deixar marcas.
— Está tudo bem. Aqui não dá para ver.
— …….
— A menos que você abra as pernas na frente de um espelho, nem você vai ver.
— Seu…

Era a enésima vez que ele perdia as palavras. Enquanto abria e fechava a boca como um peixe, surpreso, um pensamento atravessou a mente de Seo Gyuha: *Onde foi que apareceu um prostituto desses?*

Embora não fosse raro haver pessoas com uma imagem pública diferente da real, ele nunca imaginou, nem em sonhos, que Lee Chayoung seria assim. O rosto do Gerente Yang, que elogiava Lee Chayoung dizendo que ele era “o homem mais gentil e educado entre todas as celebridades”, passou por sua cabeça. *Gerente, você foi completamente enganado por esse cara. Acorde.*

As atrocidades de Lee Chayoung não pararam por aí. Quando ele finalmente abocanhou a ponta do pau, Seo Gyuha arqueou o quadril de alegria, mas isso durou pouco. Ele ficou horrorizado com o toque em um lugar inesperado. Enquanto envolvia o tronco e o beijava após soltá-lo da boca, Lee Chayoung apalpou o buraco lá embaixo.

— O que você está fazendo?

Mais uma vez, Lee Chayoung expressou seu desejo sem rodeios.

— Quero colocar dentro.
— …!
— Deixe-me colocar, Gyuha.

Não era preciso perguntar o que ele queria colocar.
Lentamente, o olhar de Seo Gyuha se dirigiu ao centro de Lee Chayoung. Ao levantar a cabeça novamente, o rosto de Seo Gyuha trazia uma expressão de “não minta para mim”.

— É brincadeira, né?
— Claro que não.
— …Quer me matar?

Ele disse aquilo sentindo uma ameaça real à sua vida, mas Lee Chayoung interpretou como piada e soltou uma risada agradável.

— Você quer dizer que quer que seja tão bom a ponto de morrer? Vou me esforçar.
— Que merda você está falando?

Mesmo naquela situação, ele manteve sua perspicácia.

— Não fique tão sério. Ah, por acaso você nunca fez por trás?
— Eu… já fiz, é claro que já fiz.

Uma bravata totalmente inútil saiu da boca de Seo Gyuha por hábito. Ele nem teve tempo de julgar o fato de que ter experiência anal não era algo comum. Lee Chayoung não perdeu a oportunidade e o pressionou.

— Então você já sabe que é muito melhor do que apenas uma masturbação.

*Porra, sabe o quê?*

— Não, foi uma droga.
— Aquele cara devia ser um incompetente. — Parecia que alguém havia escrito um roteiro, pois não importava o que Seo Gyuha dissesse, Lee Chayoung rebatia com uma eloquência sem igual.
— Você ainda não tentou comigo. Tente primeiro e depois julgue.

Seo Gyuha estremeceu com o toque da mão que circulava a glande de forma sugestiva, como se pedisse para ele acreditar e se deixar enganar. De fato, pensando bem, tanto o beijo quanto a habilidade com as mãos não eram comuns.

— Vou fazer você se sentir bem, hum?

Os pelos de seu corpo se arrepiaram com a carícia dos lábios dele em seu lóbulo. Seus mamilos, que haviam se tornado sensíveis, ficaram rígidos novamente.

— Ou quer fazer uma aposta? Se eu encontrar o ponto sensível lá dentro em 10 minutos, fazemos até o fim. Se não, eu desisto de vez.

Enquanto isso, suas mãos continuavam provocando apenas os lugares sensíveis. Graças a isso, Seo Gyuha sentiu-se tentado. Ele ouvira em algum lugar que Alfas e Ômegas masculinos também têm pontos erógenos internos.

*Dizem que é bom pra caramba… Será que é mesmo?* Originalmente, a noite tem um poder mágico de estimular a sensibilidade das pessoas. Somado à embriaguez moderada e aos feromônios de Alfa que provavelmente preenchiam aquele quarto, era o suficiente para dissipar qualquer pensamento racional.

Seu membro, que fora abandonado no meio da diversão, ainda pulsava carregando um calor não resolvido. Por fim, Seo Gyuha, dominado por uma curiosidade perigosa, acabou soltando as palavras sem volta:

— …Cumpra a promessa. Só 10 minutos.
— Sim. Não se preocupe.

Em seguida, conforme Lee Chayoung pediu, Seo Gyuha deitou-se de bruços na cama e empinou levemente o bumbum. Ele decidiu não pensar na vergonha. Como ele disse, sexo era se envolver mostrando o melhor e o pior, então não havia motivo para ter vergonha.

Enquanto isso, Lee Chayoung tirou o que precisava do criado-mudo. Na falta de uma dedeira, ele colocou um preservativo comum no dedo médio e deu dois tapinhas leves nas nádegas elásticas de Seo Gyuha.

— Relaxe e fique à vontade.

Pelo contrário, Seo Gyuha sentiu a tensão aumentar ainda mais com aquelas palavras. Uma mistura de curiosidade por algo nunca vivido e incerteza o fazia se sentir estranho.

*Será que eu não me meti onde não devia?*

Mas já era tarde para voltar atrás. Ele sentiu algo deslizar lentamente pela entrada algumas vezes e, logo em seguida, algo grosso começou a entrar devagar em seu corpo.

Enquanto Seo Gyuha lutava contra sensações peculiares, Lee Chayoung movia cuidadosamente o dedo médio que ocupava o interior dele. Seu olhar estava fixo na visão traseira. O tronco em forma de triângulo invertido com músculos bem definidos, as escápulas protuberantes e as nádegas firmes entraram em seu campo de visão, despertando seu desejo e fazendo seus feromônios fluírem naturalmente.

Seu pau, ereto a ponto de doer, pulsava por conta própria.
Sua vontade era de enfiar tudo de uma vez, mas o resultado de agir apenas por desejo era óbvio. Ele não queria causar a humilhação de uma fissura anal naquele rapaz que parecia ter um orgulho tão forte, nem queria que aquela relação terminasse como algo de uma única vez, então Lee Chayoung se segurou na razão. Ao adicionar o dedo indicador junto ao médio, a sensação de pressão tornou-se nitidamente mais forte.

— Está tudo bem. Relaxe.

Era uma sorte ele estar de bruços. Embora seus olhos estivessem cheios de luxúria, sua voz não perdia a doçura enquanto Lee Chayoung continuava a explorar o interior dele. Ele entrava e saía, amansando-o lentamente, e depois pressionava a parede interna em movimentos circulares enquanto estava totalmente inserido. Ao estimular um ponto específico, ele ouviu Seo Gyuha estremecer bruscamente e soltar um gemido. Naquele momento, Lee Chayoung exibiu os dentes em um sorriso selvagem.

— É aqui.
— Ah!

Ao pressionar aquele lugar com força novamente, Seo Gyuha mostrou uma reação clara mais uma vez. Com isso, o jogo estava praticamente ganho, mas Lee Chayoung, querendo lembrá-lo da promessa feita há pouco, sussurrou deliberadamente no ouvido de Seo Gyuha:

— Passaram 3 minutos. A promessa continua de pé, certo?
— ……!

Até aquilo serviu de estímulo, e ele sentiu o aperto lá atrás aumentar. Graças a isso, outra crise de autocontrole surgiu, mas Lee Chayoung conseguiu resistir heroicamente e adicionou mais um dedo.

A partir do terceiro dedo, ele removeu o preservativo e, em vez disso, despejou bastante gel para alargar a entrada de Seo Gyuha. Os feromônios de Alfa continuavam a emanar suavemente. Enquanto cobria Seo Gyuha — que estava vulnerável de costas, expondo seus pontos fracos — com seus próprios feromônios, ele repetia a pressão forte sobre o ponto sensível dentro do corpo dele.

— Haah, haah… Hng…

Por causa disso, só Seo Gyuha estava sofrendo. Seria melhor se ele continuasse tocando até que ele gozasse de vez, mas como não sabia quando viria o estímulo, ficava tenso e, ao mesmo tempo, desejava que ele continuasse mexendo ali.

Havia outras reações corporais incontroláveis. Mesmo estando apenas deitado quieto, estranhamente sua respiração ficava cada vez mais pesada e sua pele formigava. Além disso, como já havia passado um tempo considerável, a resistência lá embaixo também diminuíra. A ponto de ele pensar involuntariamente: *Nesse nível, acho que consigo aceitar até aquela coisa do tamanho do braço de uma criança.*

Quem finalmente se rendeu diante do estímulo desconhecido e intenso foi Seo Gyuha. Sem aguentar mais, ele olhou para trás e disse a Lee Chayoung:

— Para com isso e coloca logo.
— Tem certeza? Acho melhor relaxar um pouco mais.
— Já chega, só coloca logo.

Apenas a ideia de prolongar mais o tempo o fazia sentir que ia perder o fôlego. Na verdade, desde que se deitara de bruços, o líquido pré-ejaculatório escorria intermitentemente de seu membro intocado.

— Tudo bem. Então vou colocar.
— Use camisinha.
— Não se preocupe.

Lee Chayoung rasgou o plástico do preservativo com os dentes e o colocou no pênis. Só depois de ver aquilo, Seo Gyuha relaxou e voltou a cabeça para a posição inicial. Em troca, seu corpo ficou mole e a tensão que havia sumido por um momento voltou a subir.

— Vou colocar.

*Bem, deve ficar tudo bem.*

Seo Gyuha abraçou o travesseiro novamente, tentando se autossugestionar de que não seria nada demais. No entanto, sua previsão errou feio. Assim que Lee Chayoung empurrou o quadril, a entrada se dilatou até o limite e ele sentiu uma dor surda terrível.

— Ei, cacete. Tira rápido!

Pensando que aquilo não ia dar certo, Seo Gyuha gritou para ele tirar e começou a se debater. Mas então, por algum motivo, sua pele formigou e, instantaneamente, ele perdeu as forças. Não perdendo a oportunidade, Lee Chayoung empurrou o quadril um pouco mais.

— Ah, hng…

A sensação de algo rígido sendo empurrado para dentro de seu corpo despertou até um medo repentino. Logo, Seo Gyuha olhou para trás com os olhos marejados e soltou um palavrão.

— Porra, não ouviu para tirar?
— Desculpa. Mas deu tanto trabalho para colocar que seria um desperdício tirar agora.
— Desperdício o caralho, ah!

Lee Chayoung desceu uma das mãos e agarrou o membro de Seo Gyuha com força. Ele massageou firmemente o que havia murchado um pouco e, enquanto pressionava o baixo ventre, empurrou o quadril na direção oposta. Graças a isso, Lee Chayoung conseguiu a penetração quase até a base.

— Haah…

A pressão considerável fez as sobrancelhas de Lee Chayoung se franzirem pela primeira vez. Como o prazer de estimular os nervos periféricos também era maior do que o imaginado, Lee Chayoung logo agarrou o quadril de Seo Gyuha e começou a estocar.

— Ei, ha, hng!

No instante em que Seo Gyuha abriu a boca para protestar novamente, seu ponto sensível interno foi pressionado com força, fazendo faíscas saltarem diante de seus olhos. Sua mudança de reação foi transmitida integralmente a Lee Chayoung através do contato físico. A partir daí, Lee Chayoung começou a usar a glande grossa como arma para golpear especificamente aquele lugar.

— Ah, hu, hng, aaht!

Gemidos inevitáveis escapavam a cada batida que ecoava por dentro. Seo Gyuha não conseguia manter a sanidade. Sentia medo com o movimento que parecia revirar suas entranhas, mas, ao mesmo tempo, um formigamento em algum lugar do baixo ventre o fazia sentir que ia ejacular a qualquer momento.

*Eu vou gozar?*

Desconfiado, ele desceu a mão tateando o próprio centro e foi recebido por algo chocante. Há pouco, quando Lee Chayoung tocou seu pau, não houve muita reação, mas agora ele estava ereto e completamente molhado e escorregadio.

— Ah!

Ao circular a ponta da glande molhada por hábito, um prazer como um raio o atravessou. Somado ao outro prazer que Lee Chayoung lhe proporcionava, Seo Gyuha acabou ejaculando ali mesmo, sem chance de impedir.

— ……!

O sêmen expelido saltou com vigor. Após esperar um pouco por Seo Gyuha, que espasmava silenciosamente, Lee Chayoung deitou o corpo sobre as costas dele e provocou seu lóbulo com os lábios novamente.

— Gozou?

Ele sentiu Seo Gyuha estremecer e apertar lá embaixo. Ao segurar o queixo dele por trás, virando-o levemente para si e beijando-o, Seo Gyuha cedeu os lábios docilmente.

O ato de esfregar as línguas era o mesmo de antes, mas, por algum motivo, a sensação era muito mais lasciva e sensível. Pouco depois, Lee Chayoung afastou os lábios e ergueu o tronco.

Seo Gyuha agora estava completamente deitado de bruços na cama, mas isso não era problema para continuar o sexo. Lee Chayoung massageava as nádegas elásticas dele com vontade enquanto, ao contrário de antes, entrava e saía lentamente. A cada estocada profunda, o interior apertava como se estivesse tenso, e quando ele retirava quase tudo, a carne rosada interna parecia ser puxada levemente para fora. A cena era mais obscena e provocante do que ele imaginava, a ponto de fazê-lo quase soltar um palavrão.

— Ha, porra.

Inclinando o corpo novamente, Lee Chayoung buscou os lábios de Seo Gyuha repetidamente. Durante todo esse tempo, as metades inferiores dos dois permaneciam perfeitamente encaixadas. Enquanto sugava os lábios e a língua macios com avidez, Lee Chayoung balançava o quadril, grudado como um cão no cio.
Terminado o beijo, ele lambeu a orelha dele e soltou uma voz baixa.

— Está gostando, Gyuha?
— Por que, você está, ah, perguntando isso?
— Porque eu só sei se você me disser.

*…Até parece.*

Se estivesse apenas doendo, ele já o teria chutado com a intenção de matar ou morrer. Além disso, Lee Chayoung era esperto pra caramba. Era óbvio que ele sabia que ele tinha gozado enquanto era penetrado, então perguntar se ele estava gostando era pura provocação. No entanto, se ele não respondesse ou tentasse mudar de assunto, parecia que ele o atormentaria até ouvir a resposta que queria.

— Cala a boca e continua estocando. …Não está ruim.
— Hmm, sério?
— É.
— Então preciso me esforçar um pouco mais.

Por um momento, Seo Gyuha hesitou sem perceber. Logo em seguida, olhou para Lee Chayoung com uma expressão de quem ouviu algo que não deveria.

— O quê?

Segurando a mão de Seo Gyuha e dando um beijo leve, Lee Chayoung disse algo arrepiante:

— Sei que você me deu permissão depois de muito pensar, então se estiver apenas “nada mal”, eu me sentiria mal por você, Gyuha. Vou me esforçar mais.
— Não, não. Estou satisfeito.
— Não precisa mentir.
— É sério.
— Está satisfeito de verdade?
— É.

Seo Gyuha respondeu balançando a cabeça enfaticamente.
Dizem para esticar as pernas de acordo com o lugar onde se deita; ele sentiu medo do que poderia acontecer se continuasse resistindo.
Então, Lee Chayoung o pegou de surpresa da melhor forma. Ele beijou mais uma vez a mão que ainda segurava e exibiu um sorriso radiante.

— Fico feliz que tenha dito isso. Vou fazer você se sentir ainda melhor, Gyuha.

Diferente de suas palavras, ele recuou o quadril, fazendo Seo Gyuha pensar por um instante: *Acabou?*, mas, obviamente, era um engano. Lee Chayoung virou Seo Gyuha de barriga para cima sem esforço, abriu suas pernas e posicionou-se entre elas.

O pau de Lee Chayoung, que ainda não havia ejaculado, continuava imponente. Seo Gyuha desviou o olhar abruptamente ao presenciar aquela cena sem querer, mas a imagem já estava gravada em sua mente como um rastro. Mesmo usando um preservativo brilhante de gel, o membro de Lee Chayoung estava tão ereto que as veias saltadas no tronco eram visíveis.

Enquanto isso, Lee Chayoung se preparava para a inserção novamente. Aproximando o corpo ainda mais, ele alinhou a ponta do pau ao buraco de Seo Gyuha. Ao entrar com força, as pregas se abriram e engoliram a glande como se o sugassem. Aquela visão ficou gravada nos olhos de Lee Chayoung.

— Está entrando muito melhor do que antes, Gyuha.

Sendo o próprio corpo dele, era impossível ele não saber. Talvez por já ter sido agitado vigorosamente uma vez, a resistência era claramente menor do que antes.
Isso não significava que o desconforto tivesse desaparecido completamente. Não fazia sentido estar tudo bem com algo daquele tamanho invadindo seu corpo.

— Vou me mexer.
— Devagar, devagar.
— Tudo bem.

Talvez para passar confiança, o início foi realmente bem contido. Lee Chayoung repetia o movimento de entrar e sair lentamente enquanto observava a reação de Seo Gyuha. O rosto dele estava ruborizado e, a cada respiração, seu tórax e o abdômen abaixo subiam e desciam de forma lasciva.

Lee Chayoung, sem perceber, umedeceu os lábios secos com a língua.
Aquela cena, que poderia não ser nada demais, parecia extremamente provocante para ele, e o desejo que ele tentava suprimir foi estimulado instantaneamente.

— Ha, Gyuha…

O movimento de entrar e sair tornou-se gradualmente mais rápido. Quando ele liberou novamente os feromônios que decidira não controlar propositalmente, parecia que, por efeito da sensação, o interior de Seo Gyuha pulsava e mordia o pau com mais firmeza.

— Agora não dói mais, né?
— Se eu disser, ah, que dói, você vai parar?
— …Não.

Mesmo que alguém apontasse uma arma para sua cabeça e o ameaçasse de morte, ele não conseguiria parar agora. Lee Chayoung estava imerso naquela relação. Originalmente, seu plano para hoje era priorizar o prazer de Seo Gyuha e focar no significado da penetração, mas o prazer que superava em muito suas expectativas o impedia de parar.

Ele abraçou as coxas de Seo Gyuha com força, mantendo os joelhos dele dobrados, e começou a bombear o quadril em transe, como alguém que só conhece o caminho para frente. Não demorou muito para que Seo Gyuha soltasse a voz com dificuldade, em um tom agudo.

— Eu, ha, acho que vou…!
— Eu também.

O prazer avassalador subiu rapidamente em direção ao clímax. Seo Gyuha, que estava sendo golpeado com o bumbum elevado, atingiu sua segunda ejaculação primeiro. Lee Chayoung também estava no limite. Ao mesmo tempo em que enterrava violentamente o membro, que retirara quase totalmente, até a base, ele ejaculou dentro de Seo Gyuha com a intensidade de quem despeja tudo o que tem.

Como havia segurado por muito tempo, a ejaculação foi demorada. Após aproveitar o rescaldo movendo levemente o quadril no final, Lee Chayoung retirou o pênis lentamente.

Ao sentir o sinal de que ele estava saindo, Seo Gyuha virou a cabeça e logo exibiu uma expressão de horror. Só de olhar para a camisinha, era óbvio que ele tinha ejaculado, mas o centro de Lee Chayoung ainda parecia carregado de energia.

— Tem água?
— Vou buscar.

Após dar um nó no preservativo usado para descartá-lo, Lee Chayoung saiu da cama. Enquanto isso, Seo Gyuha apenas respirava com o rosto exausto. Para ser sincero, a única coisa que ele fizera na cama foi ser penetrado, mas sentia um esgotamento maior do que quando era ele quem penetrava alguém.

Quando Lee Chayoung voltou com o copo, ele ainda estava nu. Mesmo revelando tudo diante dos olhos de outra pessoa, ele não demonstrava nenhuma vergonha. Como o pênis semiereto estava visível de forma tão explícita, era Seo Gyuha quem se sentia constrangido.

— Beba.
— Valeu.

Ao beber a água moderadamente gelada, ele sentiu que podia respirar melhor. Enquanto olhava ao redor procurando um relógio para ver que horas eram, Seo Gyuha parou de repente ao notar uma cena que captou sua atenção.
Logo, uma voz com um tom de “não é possível” saiu de sua boca.

— Por que você está colocando isso de novo?

E não era para menos; Lee Chayoung estava pegando um novo preservativo e colocando em seu pau. Diferente de Seo Gyuha, que estava horrorizado, Lee Chayoung exibiu seu sorriso característico de “bom rapaz”.

— Tenho que usar um novo.
— Estou perguntando por que você vai usar.

Lee Chayoung não respondeu, apenas sobrepôs seu corpo ao dele, diminuindo a distância. Então, começou a mexer no lóbulo da orelha de Seo Gyuha, lançando um ataque visual.

— Vamos fazer mais uma vez, Gyuha. Deu tanto trabalho para relaxar você que seria um desperdício parar com apenas uma.

O processo árduo antes da penetração passou pela mente de Seo Gyuha. Se fosse uma asneira qualquer, ele o golpearia no topo da cabeça, mas pensando no tempo que levou para abrir o caminho e na humilhação que teve de suportar, parecia que terminar com apenas uma seria mesmo um prejuízo.
Além disso…

*Foi um mundo novo, de fato.*

Ao pensar no momento em que seu ponto sensível interno fora pressionado, o prazer voltou com força. Ele sempre achou que ser o ativo era a maior fonte de prazer sexual, mas ao se tornar o passivo, descobriu que existia outro tipo de estímulo.

— Vou fazer você se sentir bem desta vez também. Hum?

Lee Chayoung não perdeu o sinal de hesitação e o seduziu mais uma vez. Por fim, Seo Gyuha moveu os lábios como quem cede.

— Só mais uma vez.
— Sim.

Uma ponta de ansiedade surgiu diante daquele rosto sorridente e polido, mas pensando que o chutaria se não desse certo, Seo Gyuha abriu as pernas novamente.
Cerca de 30 minutos depois.
Para sua sorte ou azar, sua ansiedade tornou-se realidade. Enquanto exploravam o corpo um do outro, ora de forma avassaladora, ora preguiçosa, o tempo marcado pelo calor e pelo prazer estendeu-se até tarde da noite.

***

↫─☫ Continua….

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✦ Tradução, revisão e Raws: Desire BL`s

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Sinopse:
Em um mundo onde há 99,9% de chance de Alfas serem homens e Ômegas serem mulheres.
Seo Gyuha nasce como a rara exceção: um Ômega masculino. No entanto, tendo crescido mais como um beta, ele quase não está ciente de sua própria identidade omega.
Após uma noite de bebida e festa como de costume, ele acorda em uma manhã de fim de semana com uma dor de cabeça insuportável — apenas para se deparar com uma situação surpreendente…
Nome alternativo: Perros Y Pajaros Cachorro E Pssaro Dog And Bird

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