Ler Blood Poker (Novel) – Capítulo 01 Online


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Blood Poker 01

[Neo. Distrito Haon, Setores 1-3.]

Um suspiro, denso como uma névoa espessa, escapou do homem sentado com as costas apoiadas na parede. Quando ele abaixou a cabeça, uma mecha de cabelo, incapaz de suportar o próprio peso, caiu sobre seu rosto. Suas feições estavam obscurecidas pela franja, restando apenas o contorno nítido de seu nariz proeminente.

Ele parecia prestes a desmoronar. Apesar de seu porte físico considerável, emanava dele uma aura de perigo e fragilidade.

Uma sucessão de tosses convulsivas o atingiu. Ele cobriu a boca, tentando acalmar a respiração frenética. O som de seu fôlego pesado ecoava ruidosamente contra a palma de sua mão.

— …

O sangue que manchava imundamente suas mãos e mangas parecia exalar um odor metálico insuportável apenas ao olhar. Seus olhos, caídos e sem vida, recusavam-se a processar qualquer imagem à frente.

Tateando o chão, sua mão alcançou a pistola descarregada. Ele apalpou o peito e retirou um carregador reserva do bolso interno. Sem sequer olhar, trocou o carregador mecanicamente. A destreza de suas mãos ao recarregar rapidamente a arma, acompanhada pelo estalido metálico, contrastava drasticamente com sua expressão vazia.

Naquele momento, o som de uma sirene de ambulância passando ao longe reverberou em seu crânio. O homem franziu o cenho. Quando o risco de amplificação estava alto, até o menor ruído causava um estresse extremo. Todos os sentidos do corpo tornavam-se aguçados apenas para o negativo. Seu corpo emitia sinais de alerta como se fosse uma bomba-relógio prestes a explodir. Cada som ao redor se transformava em um espinho que perfurava sua pele. Ele rangeu os dentes, sustentando o corpo com dificuldade. Engoliu o gemido que subia pela garganta com a indiferença de quem já estava habituado àquilo.

A seus pés, o sangue vermelho-escuro estava espalhado por toda parte. Não era dele. Eram os vestígios de sangue do Oni que ele havia aniquilado. A equipe de processamento de incidentes, que chegou primeiro após o chamado do homem, movia diligentemente os blocos de terra ensanguentados ao redor dele.

Os monstros chamados Oni (Lodo), cujo nome significava “lama suja”, eram mais rápidos que os humanos e agiam puramente por instinto, sem consciência própria. A única coisa que possuíam era um apetite atroz por carne humana. A única raça capaz de matá-los eram os Espers, e aquele homem era do tipo físico Classe A — especificamente um Backspl, o posto mais alto mesmo entre os Classe A.

— “Mesmo com habilidades excepcionais, enfrentar dois de Classe 3 sozinho foi demais?”, pensou ele. Não, talvez seu corpo estivesse nesse estado justamente porque ele atacou mesmo sabendo que seria um exagero. Ele sentira uma expectativa interna por não ter certeza de quem venceria, mas, como sempre, apenas a amplificação e ele mesmo restaram.

— …

Na superfície do sangue espalhado, refletia-se de forma turva um rosto onde não se encontrava nenhum traço de emoção.

A dor que atravessava sua coluna era difícil de suportar. Quando o homem soltou um gemido baixo e franziu o rosto, rugas se formaram em seu nariz bem desenhado. Ao sentir o buço úmido, percebeu que seu nariz sangrava. Ele fungou e limpou o nariz com as costas da mão. Naturalmente, a mão ficou encharcada de sangue. Se perdesse o momento ideal para o guia, morreria de hemorragia. O limiar da morte estava sempre por perto.

Nesse momento, alguém tocou levemente em seu ombro. No entanto, ele não tinha forças nem para levantar a cabeça.

— Você está bem?

— …

Isso não era algo que acontecia pela primeira vez. Ele estava prestes a dizer que estava bem por cortesia, mas o sangue subiu subitamente por sua garganta.

Quem falara com o homem era um paramédico do Centro. Após pedir permissão e verificar o dispositivo no pulso do homem, o paramédico franziu a testa como se tivesse visto algo terrível. O pequeno visor do dispositivo indicava o nível de surto do homem. Se o Centro não estivesse por perto, seria necessário enviar um helicóptero apenas para trazer um Guia até ali.

— Vamos transportá-lo imediatamente para o Centro. Consegue se levantar?

— Sim.

A voz que saiu enquanto ele limpava a boca com a manga não tinha força alguma.

O homem gesticulou para o paramédico que tentava ajudá-lo. Ele insistiu em se levantar sozinho. Enquanto caminhava cambaleante em direção à ambulância, o paramédico ligava urgentemente para algum lugar.

— Esper Jaeil Ha, risco de amplificação em 80%. Solicito chamada de emergência para o Guia responsável.

Oitenta por cento. Para um Esper comum, esse seria um nível em que ele estaria desesperado pela morte. Mas o homem subiu na ambulância por conta própria, mantendo a compostura. Espers de nível médio, que assistiam de longe àquela figura rígida e resiliente, sussurravam entre si. Eram paranormais que haviam chegado um passo depois do homem.

— Uau. Eu só tinha ouvido falar, mas… ele não é um monstro?

— Matar dois Classe 3 sozinho…

Os Espers, alternando o olhar entre a ambulância que se afastava e o local do combate, ficaram boquiabertos. Por mais que Jaeil Ha fosse um Esper do tipo físico próximo ao tipo múltiplo e um atirador de elite com precisão extrema, matar dois Classe 3 sozinho era um resultado difícil de compreender.

— Mas vem cá, você ouviu o nível de risco de amplificação dele?

Outro Esper, parado ao lado do que estava de boca aberta, balançou a cabeça negativamente, com uma expressão de total descrença.

— …Aquele é um nível que alguém consegue suportar?

↫────☫────↬

Joy tinha o rosto mais ansioso do que em qualquer outro momento do dia. Ao roer a unha do polegar, o som estalado ecoava irritantemente no espaço confinado. O interior do elevador estava impregnado com a tensão que ela exalava. Seu olhar, fixo nos números que subiam, oscilava com nervosismo.

Após bater o pé no chão algumas vezes, ela abaixou a mão bruscamente. Não dava mais. Com a mão estendida de forma irritada, ela cutucou o peito do homem ao seu lado e disse:

— Daqui a pouco, você entra primeiro.

O rosto do homem empalideceu instantaneamente, como se tivesse acabado de ouvir uma sentença de morte.

— N-não quero.

Diante da resposta dele, Joy franziu o cenho. “Inútil como sempre”. Desta vez, ela deu uma cotovelada certeira na costela dele.

— Ai, dói!

Joy torceu os lábios enquanto o homem se contorcia e soltava um gemido de dor. Ela nem tinha batido forte; era puro drama.

— Vamos entrar juntos de qualquer jeito. Só quero que você abra a porta primeiro.

— Se vamos entrar juntos, que diferença isso faz?

— Já que não é importante, então você pode abrir a porta.

— Já disse que não quero.

— Ah, você é o mais velho. Aja como um irmão mais velho por uma vez!

— Engraçado, você só me chama de “irmão” nessas horas, não é?

Quem rebatia a teimosia absurda de Joy era seu irmão gêmeo, Rowan. Por ter nascido três minutos e trinta segundos antes, ele acabou se tornando o irmão mais velho, mas era um título puramente formal; ele era frequentemente desprezado e mal era reconhecido como tal.

— Sinta-se grato por eu pelo menos te chamar de irmão.

Rowan fez um bico quando Joy disparou aquelas palavras. “Até parece que ela me chama assim normalmente”. Enquanto ele resmungava com as bochechas infladas por alguns segundos, o som de chegada do elevador ecoou.

— Ah… que inferno. Vou enlouquecer.

Joy soltou um palavrão, incapaz de conter a ansiedade. Ela já tinha uma boca suja por natureza, mas desde que entrou no Centro, não sabia quantas vezes já tinha dito “merda”, “droga” e “cacete”. Rowan, que era obrigado a ouvir tudo aquilo, sentia que seus ouvidos estavam apodrecendo.

— Vamos devagar.

Como Joy estava enrolando, Rowan, sendo o mais racional da dupla, puxou a mão dela.

— Você quer deixar o Jaeil morrer?

Joy e Rowan não eram muito altos. Na verdade, eram considerados baixos. Tendo herdado os genes de seus pais pequenos, qualquer um percebia que eram irmãos. Joy mal passava de 1,55m e Rowan também era baixo para um homem. Dentro do Centro, rodeados por Espers, eles pareciam ainda menores.

O casal de loiros de olhos azuis discutia em frente ao elevador. Espers que passavam por ali os notaram e começaram a cochichar entre si.

— Olha, são os esquilos.

— É mesmo, parecem dois esquilinhos.

Falaram alto, claramente para que eles ouvissem.

— Ei, seus idiotas! Não vão calar a boca?!

Joy, que já estava sensível, finalmente explodiu. Quando ela gritou, os Espers encolheram seus corpos gigantescos enquanto olhavam para trás. Foi um encolhimento nitidamente teatral.

— Ui, que medo.

Era óbvio, considerando como sorriam de deboche com rostos cínicos.

— Sigam o seu caminho! Seus estúpidos! Ou eu vou dar um *Surboarding* em vocês!

Quando Joy deu um passo largo à frente fazendo a ameaça, eles se assustaram de verdade desta vez. Na verdade, foi por causa da palavra *Surboarding*. Os homens mudaram de atitude instantaneamente, batendo palmas ruidosas e levantando os polegares.

— Força, Joy!

— Isso aí, Joy! Rowan, aguenta firme também!

Cada um deles se afastou de fininho com um sorriso no rosto.

— Argh… um dia eu ainda acabo com eles.

— J-Joy… que medo.

Embora fossem baixos, Joy e Rowan eram Guias que faziam os Espers tremerem. O nível deles era nada menos que Classe A, com a subcategoria Backspl. As subcategorias utilizavam termos do pôquer, e Backspl era o nível mais alto de todos. Obviamente, os Espers usavam a mesma tabela de classificação, mas enquanto existisse a cláusula legal de que o Guia sempre tem prioridade sobre o Esper, mesmo no mesmo nível, o Esper sempre estaria abaixo.

A proporção de Backspls entre todos os Guias era de apenas 5%. Além da raridade numérica, os gêmeos possuíam habilidades de guia excepcionais, o que lhes garantia um tratamento VIP no Centro do Distrito Haon. O detalhe peculiar era que eles só podiam realizar um guia de nível Backspl quando estavam juntos. Individualmente, o nível de guia de cada um era Classe A, com a subcategoria “Poker”, inferior ao Backspl.

Um Guia podia realizar o guia em um Esper de mesmo nível ou inferior. Em situações críticas, podiam guiar um Esper de nível superior, mas essa era uma prática evitada, exceto em tempos de guerra. A eficácia variava muito conforme a taxa de sincronia e, se algo desse errado durante o processo, o Guia poderia perder a consciência, ter hemorragias graves ou até correr risco de vida.

Joy e Rowan, juntos, podiam guiar quase qualquer nível de Esper, mas qualquer nível acima do Stright Flush Classe A — o nível imediatamente abaixo deles — era um fardo pesado. Isso ocorria porque, quanto maior o nível, mais energia era drenada para o guia. Além disso, o Esper de hoje era especialmente difícil. Joy voltou a roer as unhas enquanto caminhava pelo corredor.

— Para mim, o Jaeil Ha não é um Backspl.

Eles estavam a caminho após receberem o chamado para guiar Jaeil Ha. Rowan tentou consolar Joy diante de sua reclamação.

— Não existe Guia Classe S em Neo. Além disso, você sabe bem que, se a taxa de sincronia for baixa, até uma Classe S não serve de muita coisa.

Joy balançou a cabeça, recusando-se a aceitar. Era quase uma teimosia cega.

— Ou será que ele está quase lá? Não é possível que eu sinta vontade de vomitar toda vez que o guio se ele for apenas isso.

— …

— Sabe como é? No papel ele não é Classe S, mas é difícil dizer que ele não é superior a um Backspl. É o que eu acho.

— Nossa Joy está sofrendo muito, não é?

Era natural que Joy estivesse tão apavorada antes mesmo de começar o guia.

Ao guiar o Esper chamado Jaeil Ha, a palavra “limite” não era suficiente para descrever a experiência. Era, literalmente, como morrer e voltar à vida. Mesmo com os dois, que tinham uma alta taxa de sincronia, despejando toda a energia de um dia inteiro, ainda era exaustivo. Quem acabava esgotado e jogando a toalha branca eram sempre Joy e Rowan.

Nessas horas, Jaeil costumava sussurrar um “desculpe”. Os Espers geralmente eram atraentes, mas Jaeil Ha era especial. Ele era famoso dentro e fora do Centro, possuindo uma beleza tão estonteante que tinha até fã-clube. Seus olhos lânguidos impregnados de tédio, o nariz afilado e a linha do maxilar masculina harmonizavam-se de forma incrível.

De qualquer forma, ao ver aquela figura lamentável com aquele rosto lindo, de olhos baixos e mordendo o lábio inferior, era impossível não sentir piedade.

“De que adianta apenas estancar a hemorragia?”. A dor dele continuaria a mesma. Rowan balançou a cabeça bruscamente ao lembrar de quando usou energia demais por pena e ambos ficaram de cama no dia seguinte com dores no corpo. “Não vou fazer isso de novo”.

— Eu vou abrir a porta e entrar primeiro — disse Rowan em tom solene em frente à Sala de Guia. Joy se escondeu atrás de Rowan e abraçou sua cintura.

— Obrigada. Você é o melhor irmão do mundo.

Quando ela disse isso com a voz embargada, Rowan fez um bico, mas por um motivo diferente. Sentiu um orgulho repentino.

“Não vamos ser gananciosos. Apenas estancar o sangue e baixar o risco de amplificação para 30%. Não importa o quão digno de pena o Jaeil Ha pareça, não vamos ceder. Precisamos sobreviver, não há necessidade de arriscar a vida”. Rowan prometeu a si mesmo repetidas vezes. No momento em que ele engoliu em seco e estava prestes a abrir a porta, uma mão do tamanho de uma tampa de panela surgiu do nada. Ela segurou a mão de Rowan e girou a maçaneta com força.

— Hã?

— Hein?

Diante daquela força bruta, os olhos de Joy e Rowan se arregalaram simultaneamente. Quem era esse sujeito com essa força estúpida?

— Jaeil Ha, seu desgraçado!

Um homem com um porte físico tão grande quanto suas mãos escancarou a porta gritando a plenos pulmões. Os dois pequenos esquilos cambalearam.

O homem, que caminhou direto em direção a Jaeil, parecia furioso. Sem dizer uma única palavra, ele desferiu um tapa sonoro na nuca de Jaeil, que tentava erguer o tronco debilmente enquanto curvava a cabeça.

A cabeça de Jaeil pendeu bruscamente para frente, mas ele permaneceu calmo, como se já esperasse a atitude do homem. Não parecia particularmente ofendido. Seus cabelos desalinhados caíram sobre o rosto. Embora o golpe tenha sido forte o suficiente para produzir um estalo seco, ele apenas massageou a nuca com indiferença.

Joy e Rowan, lembrando-se da diretriz implícita do Centro de que o homem que apareceu subitamente era Bern, o líder da equipe de Jaeil, e que um Bern furioso deve ser contido imediatamente, não conseguiram se mover de imediato. Isso porque, assim que a porta se abriu, a aura emanada por Jaeil Ha os deixou sem fôlego. No instante em que Joy e Rowan cobriram a boca, a mão de Bern ergueu-se novamente em direção à cabeça de Jaeil.

— Por que está batendo em alguém que está ferido?!

Rowan agarrou imediatamente a cintura de Bern. Joy hesitou por um momento e depois escondeu Jaeil atrás de suas costas. Ao esbarrar no braço de Jaeil, ela estremeceu involuntariamente.

Bern era um Esper do tipo físico com mais de 1,90m de altura. E era um Stright Flush Classe A. Rowan era pequeno e fraco demais para enfrentá-lo. Ele agarrou a cintura do homem para impedir sua ação, mas não passava de uma cigarra pendurada em uma árvore. Seria um milagre se ele não fosse arremessado, quanto mais conseguir puxá-lo. Mesmo assim, Rowan segurou obstinadamente a cintura de Bern e implorou:

— Líder! Não pode fazer isso. O Jaeil nem começou o guia ainda!

— Me solta! Por que diabos eu daria um guia para esse desgraçado que está ansioso para morrer?!

A voz do homem furioso rugiu como a de uma fera.

— O senhor também vai acabar entrando em surto. Acalme-se. Por favor.

Para salvar um único indivíduo, o pequeno casal de Guias agia como um escudo humano diante de Bern. Jaeil, que os olhou de relance, limpou o sangue do nariz com as costas da mão e curvou a cabeça para Bern.

— Sinto muito.

É claro que Jaeil Ha estava errado. Ao enfrentar um Oni de Classe 3 ou superior, os tipos físico e mental especializado devem obrigatoriamente agir em dupla. Isso ocorre porque o corpo do monstro é grande demais para que apenas um tipo físico localize o núcleo. Mesmo que Jaeil fosse capaz de controlar a telecinésia e a situação fosse crítica, o pedido de apoio e o relatório da situação deveriam vir primeiro. Independentemente de sua habilidade para resolver as coisas sozinho, como membro do exército, ele deveria seguir as leis militares. Além disso, lutar com civis por perto… Era natural que Bern estivesse furioso, mas a urgência imediata era o estado de Jaeil.

Joy, conhecendo bem o temperamento do líder, continuou apressadamente:

— Mesmo que vá dar uma bronca, faça isso depois do guia. Se entraram em contato conosco, é porque a situação é perigosa.

— …

Não era apenas uma desculpa para acalmar os ânimos. O estado de Jaeil Ha era realmente grave. Embora ele fingisse estar bem, os olhos de um Guia viam tudo. Além da aura sombria e irregular que disparava sem parar, Joy, em contato com Jaeil, sentia nitidamente o movimento caótico do sangue sob a pele dele.

— Rowan, venha aqui. O Jaeil está sofrendo.

— Ah, sim.

Rowan, segurando a mão estendida de Joy, deitou Jaeil enquanto pensava: “Uau, hoje está realmente feio”. As mãos dos irmãos, entrelaçadas na mesma direção, pressionaram suavemente o coração de Jaeil. Ao liberarem suas habilidades, suas pálpebras tremeram levemente.

— Joy. Na cabeça, sim. Ali está totalmente congestionado. Precisamos cuidar disso primeiro.

Seguindo as instruções de Rowan, Joy estendeu a outra mão. No momento em que tocou a testa de Jaeil, ela se sobressaltou e retirou a mão imediatamente. Foi um milagre absoluto que nada tenha explodido quando Bern lhe deu o tapa na cabeça.

— Ah… esse cara é inacreditável.

Enquanto Joy balançava a cabeça com uma expressão séria, Jaeil desculpou-se em tom baixo:

— Não se esforcem demais.

— Não é isso. É que eu fico pensando como você aguentou isso.

Joy costumava reclamar o tempo todo antes de chegar, mas era sempre assim. Ao ver um Esper sofrendo, o instinto de Guia falava mais alto. “Ele sofreu tanto assim. Ele estava aguentando”. Comovida pela piedade, ela sempre acabava abrindo seus canais de energia completamente.

— Então, vamos começar.

Bern, observando os três em plena batalha sobre a cama, soltou um suspiro profundo. Seu olhar, que estava baixo, subiu lentamente e parou nos punhos de Jaeil. Era visível que ele os cerrava com tanta força que estavam pálidos e trêmulos.

O guia era possível apenas colocando a palma da mão sobre o coração do Esper. No entanto, qualquer contato além do toque manual tornava o guia muito mais fluido, independentemente da localização. O motivo pelo qual a maioria das pessoas ignorava o fato de que o contato físico inconsciente pudesse ter conotações sexuais era justamente por sua eficácia.

Mas Jaeil Ha se abstinha do contato com o Guia de forma quase obstinada. Bern desviou o olhar furioso e soltou outro suspiro pesado.

— Ai… Rowan…

Quando o sangue jorrou do nariz de Jaeil, Joy estremeceu de horror.

— Está tudo bem. Concentre-se.

A reação de Rowan foi mais experiente e firme do que a de qualquer outro. A assustada Joy logo recuperou a calma. Rowan estancou o nariz de Jaeil com um lenço retirado às pressas e colocou a mão sobre o coração dele novamente. O tempo de guia deles era sempre assim: intenso e urgente.

Não fazia muito tempo que o guia havia começado. Ele certamente ainda sentia dor. Bern, que olhava para o cenho franzido de Jaeil com insatisfação, acabou virando as costas.

Quanto mais poderoso é o Esper, mais qualidade de guia é exigida. Jaeil, que despertou novamente da Classe C para a Classe A, precisava de um Guia adequado mais do que qualquer outro. Se ele tivesse um Guia exclusivo que dominasse todo o seu ser, não haveria esses surtos desesperados e o imenso vazio em seu coração, que parecia uma doença crônica, seria preenchido.

Mas esse desejo vago sempre terminava em um palavrão. “Droga, quantos Guias Backspl existem por aí? Ou melhor, ele deveria pelo menos se afeiçoar ao Guia que ele já tem para que as coisas funcionem. Como um ser humano pode ser desse jeito?”.

Bern tentou conter a fúria que fervia em seu peito. No momento exato, o dispositivo em seu pulso tocou. Era uma chamada de emergência. Ao verificar o visor, Bern rangeu os dentes com tanta força que produziu um estalo.

Após quase dez anos de paz em Neo, os Onis começaram a reaparecer. Até mesmo em Haon, a capital considerada a mais segura, um Oni de Classe 3 havia surgido. A situação estava se tornando alarmante.

Bern segurou a maçaneta, abriu a porta bruscamente e a empurrou com força. Ele não estava em condições de controlar sua força. A porta se fechou com um forte estrondo.

— …

— …

O olhar de Jaeil fixou-se na maçaneta por um momento e depois voltou para o teto. Na Sala de Guia, impregnada com uma aura tão sinistra quanto a de um Oni, ouviam-se apenas a voz concentrada de Rowan e as respostas curtas de Joy.

↫────☫────↬

A área ao redor da fronteira da supernação “Neo” era coletivamente chamada de “Setor 13”. Diferente dos sub-setores de outros distritos, o Setor 13 não seguia uma ordem numérica, sendo usado como um nome independente.

Embora fosse terra além da linha de demarcação militar, por estar fora da vigilância do governo, tornou-se um local que se desenvolveu de forma anormal à medida que desajustados, vagabundos e antigovernamentalistas começaram a viver juntos. O governo sempre se gabava de que iria limpar o Setor 13, mas, como a área além da fronteira era território dos Onis e extremamente perigosa, isso nunca se concretizou. Afinal, o número limitado de paranormais era insuficiente até mesmo para proteger Neo.

Esse setor ambíguo, que não era nem fácil de gerir nem fácil de abandonar, era sempre uma dor de cabeça para Neo.

As antigas terras que os humanos perderam para os Onis, o Setor 13, conservavam a aparência do velho mundo. A selva de prédios com uma sensação sombria e desolada era o último refúgio dos marginalizados. A maioria dos que ali viviam eram pessoas que foram descartadas ou se afastaram por vontade própria durante a criação de Neo, mas a origem não importava mais. Tudo já havia se misturado e diluído, tornando-se passado. Há muito tempo, o local se tornara o abrigo de um grupo indefinido que não se encaixava — e nem se encaixaria — em Neo.

Os prédios onde as pessoas do Setor 13 se escondiam tinham janelas extremamente pequenas ou simplesmente não as tinham. Isso porque bloqueavam completamente qualquer brecha de invasão para evitar os ataques dos Onis. Uma cidade morta que teve até mesmo suas aberturas de ventilação seladas. A vida ali era infinitamente mais árdua e feroz do que em Neo.

E, no Setor 13, na região de “Erto”, considerada a menos perigosa, o pôr do sol começou a surgir.

Quando a escuridão cai, os Onis, que amam sangue, dominam o lugar. Era preciso se esconder antes que escurecesse mais. Até mesmo os comerciantes da “Rua Chron”, a área mais movimentada, começaram a recolher suas mercadorias uma a uma. A maioria das coisas expostas nas bancas eram produtos usados, contrabando, alimentos de baixa qualidade e até sucata, mas para quem vivia no Setor 13, eram itens essenciais de sobrevivência.

Enquanto todos se apressavam para se esconder em suas próprias fortalezas, a porta de um prédio localizado no fim da rua se abriu.

— Obrigada.

Uma mulher, totalmente agasalhada da cabeça aos pés para que seu gênero não fosse identificado, saiu e curvou-se diante da porta.

— Não foi nada. O sol está se pondo. Entre logo.

Um homem, com o tronco levemente inclinado para fora da pesada porta de ferro, exibiu um sorriso amigável. O homem, que aparentava ter cerca de trinta e cinco anos, usava óculos de armação redonda e um jaleco de médico.

— Sim. É só dobrar aquele prédio, então não se preocupe.

— E volte quando os remédios acabarem.

A mulher curvou-se profundamente e agradeceu. O homem, sem jeito com os sucessivos agradecimentos, gesticulou para que ela fosse logo, dizendo que já bastava.

Ele observou as costas dela até que desaparecesse completamente, e então deu um longo bocejo. Ao se virar para trancar a porta cuidadosamente antes que ficasse mais tarde, seus olhos pousaram na placa do [Consultório Gratuito], onde o caractere “Gra” havia caído. O homem franziu o cenho.

— Ah… preciso consertar aquilo.

Já fazia cinco anos que ele pensava nisso. No entanto, ficava apenas no pensamento. Embora agora fosse chamado apenas de “Tório Gratuito” em vez de Consultório Gratuito, o homem sempre encerrava o assunto com um curto lamento.

— Será que eu tiro o “Gratuito” também?

Murmurando sozinho, o homem logo balançou a cabeça. Se a palavra “gratuito” desaparecesse, as pessoas que já eram pobres teriam ainda mais receio de vir. A propósito, seria por causa da escuridão? Por que sua visão estava tão embaçada?

Ao tirar os óculos, o homem viu as lentes foscas e estalou a língua. Pudera, hoje houve tantos pacientes que ele nem teve tempo de limpar os óculos. Ele limpou as lentes na barra da camisa por falta de opção e entrou pela pesada porta de ferro.

Como teve que atender pacientes enquanto comia, ele acabou perdendo a refeição e saciou a sede com café frio. O café que ele tomou sem pensar tinha um gosto horrível. Café barato fica ainda pior quando esfria. O rosto do homem se contorceu levemente enquanto ele engolia o líquido por pura necessidade.

O único médico da Rua Chron chamava-se Kyungsoo Kim.

— Uau, que cansaço.

Quando ele, vindo de Erto — um local tão desenvolvido quanto Haon —, disse que iria fazer trabalho voluntário no Setor 13, seus conhecidos disseram que ele estava louco. Mesmo nove anos depois, Kyungsoo ainda era chamado de louco. Mas sua convicção era mais firme do que a de qualquer um, e sua compaixão, incapaz de ignorar a tragédia local, também era excepcional. Já fazia nove anos que ele ouvia que era louco. No árduo trabalho de cuidar dos pacientes, nove anos já haviam se passado.

Kyungsoo deu uma mordida em um sanduíche com marcas de dentes e organizou superficialmente a mesa bagunçada. Como tudo ficaria sujo de novo, não havia necessidade de limpar com esmero. Ao erguer o calendário de mesa que estava sob alguns livros técnicos, sua mão parou por um instante.

— Ah… eu esqueci daquilo.

Dando outra grande mordida no sanduíche, ele entrou na sala de exames e passou os olhos rapidamente pelas prateleiras onde os instrumentos médicos estavam expostos. “Deve estar por aqui em algum lugar”. Após tatear por um tempo, ele finalmente abriu uma tampa de plástico preto do tamanho de um monitor de computador. No centro da máquina, que exalava uma aura de antiguidade, havia uma pequena tela onde a palavra “CONCLUÍDO” piscava. Enquanto esperava a impressão do resultado do exame, Kyungsoo girou a cintura dolorida.

— Bem, vamos ver.

A máquina que ele usou era um modelo inicial de teste de tipo paranormal, que hoje em dia quase não era usado. Normalmente, qualquer instituição médica deveria ter uma obrigatoriamente, mas ali era o Setor 13. Pensando que pelo menos deveria manter as aparências, a máquina que um amigo de Haon lhe enviara há um ano acabou ocupando o centro da sala de exames por causa de um homem que apareceu há três dias.

Ele tinha uma imagem forte de rapaz, sendo difícil chamá-lo de homem. Tinha cabelos negros brilhantes e grandes olhos sem pálpebra dupla que eram impressionantes. Kyungsoo costumava não acreditar nos nomes e idades que as pessoas dali forneciam, mas achou as informações que ele preencheu bastante honestas. A idade registrada na ficha médica e a aparência do homem combinavam perfeitamente. Embora achasse que conhecia quase todos ao redor após viver ali por sete anos, ele era um rosto novo, talvez vindo de longe.

Kyungsoo deu ao homem que entrou um sorriso amigável, como fazia com todos os outros. As pessoas do Setor 13 tinham vidas tão áridas que muitas vezes eram rudes até no sorriso. A maioria dos que visitavam o consultório pela primeira vez ficava confusa ou desconfortável com o sorriso radiante de Kyungsoo, mas aquele homem foi diferente. Ele franziu as sobrancelhas como se o sorriso de Kyungsoo fosse inesperado, mas logo relaxou a expressão. O movimento de um canto da boca subindo assimetricamente era lento, porém elegante. Era um sorriso suave que não combinava com o Setor 13, saturado de pobreza e decadência.

— Onde está doendo?

O olhar curioso dele percorria cada canto do consultório. Vestindo um sobretudo escuro fora de moda, o homem mexeu no colarinho diante das palavras de Kyungsoo. Olhou de relance para a porta de ferro por onde entrou e baixou a cabeça até os pés. Seus cabelos negros desalinhados caíram para frente.

— Um conhecido está doente, então vim buscar atendimento por ele. Escrevi os sintomas aqui.

O homem tirou um pedaço de papel amassado do bolso. Kyungsoo recebeu o papel. Nele estavam escritos a idade, o gênero e sintomas leves de resfriado.

— Mas…

— Sim.

— Bem… quer dizer…

O homem hesitou por um momento enquanto coçava o nariz, e seus olhos brilharam intensamente.

— Vocês também fazem teste de tipo aqui?

Quando ele sussurrou as palavras, como se tivesse receio de dizê-las em voz alta, as sobrancelhas de Kyungsoo se arquearam.

— Hã…

Teste de tipo. Fazia muito tempo que ele não ouvia aquele termo. Em Neo, ao atingir certa idade, era obrigatório fazê-lo e também passar periodicamente por testes de redespertar, mas ali era o Setor 13, a terra abandonada. Os paranormais já haviam partido para Neo há muito tempo, e a última pessoa a solicitar um teste de tipo fora há dois anos.

— Sim! Claro que sim.

Kyungsoo ficou surpreso internamente, mas manteve o sorriso fingindo naturalidade. “Este lugar também é uma instituição médica legítima. É claro que devo fazer”. No entanto, onde ele havia guardado aquilo? Kyungsoo conseguiu se lembrar da localização da máquina de exames que fora deixada de lado como um estorvo.

O exame era um processo simples que exigia apenas a coleta de sangue. Enquanto levantava a manga do homem, Kyungsoo disse sem muita expectativa:

— Por acaso você está fazendo o exame já sabendo que é um paranormal? É um redespertar?

O homem encontrou o olhar de Kyungsoo com uma expressão de embaraço. Sem conseguir falar prontamente, ele comprimiu os lábios uma vez e depois os soltou. O homem hesitava em responder à pergunta de Kyungsoo. As bochechas, antes pálidas, estavam avermelhadas de vergonha. Após hesitar por um longo tempo, ele vasculhou os bolsos.

— Eu não sei direito sobre essas coisas.

— …

— É que eu vi… isto.

— Hm?

O papel dobrado e amassado era um panfleto publicitário. Nele, a imagem de Espers totalmente equipados e em pose marcial servia de fundo.

[Você também pode ser um paranormal latente.]

— Instituição de teste de tipo reconhecida pelo Estado —

— Ah.

Kyungsoo finalmente entendeu. Aquele homem nutria esperanças de ascensão social. Pensar que ainda existia alguém no Setor 13 com tal esperança… Ele decidiu esconder sua piedade por trás de um sorriso.

Como ele já passava dos vinte anos, não seria um despertar inicial. Mesmo que fosse um paranormal, as chances de ser um redespertar eram altas. O homem parecia não ter um conceito claro sobre o despertar, mas essa era uma reação natural para alguém nascido no Setor 13.

— Por acaso você tem algum paranormal na família ou entre parentes?

A característica dos paranormais era ter um forte histórico familiar. O motivo pelo qual o teste de tipo se tornou sem sentido no Setor 13 foi que as linhagens capazes de produzir paranormais já haviam morrido ou partido para Neo há muito tempo.

— Não tem?

Como seria difícil acreditar que ele veio apenas atraído pelo panfleto, Kyungsoo fez a pergunta, mas o rosto do homem escureceu visivelmente. O homem não conseguia abrir a boca com facilidade e ficava apertando as mãos entrelaçadas. Chegou até a pigarrear.

— Se você está falando de família ligada pelo… sangue, eu não tinha…

O clima esfriou instantaneamente.

— …Ah… entendo. Sinto muito.

Ele acabou tocando em um ponto sensível sem querer. Diante da situação extremamente constrangedora, ele se repreendeu mentalmente: “Seu idiota, Kyungsoo Kim, por que diabos perguntou isso no Setor 13?”.

— Tudo bem.

O homem parecia acostumado com situações assim. Logo voltou à sua expressão indiferente.

— Você não teve febre nem nada parecido?

— Tive um resfriado muito forte há uma semana.

— Você mediu a temperatura naquela época?

— Não cheguei a medir, mas senti como se meu corpo estivesse derretendo.

Como se a memória daquele momento estivesse vívida, o homem franziu o rosto e murmurou que realmente sentiu como se estivesse morrendo e voltando à vida. Uma febre extrema era um bom sinal. Kyungsoo exibiu um sorriso leve.

— É um sintoma comum que os despertos costumam ter.

— Mas… o que é aquilo?

O homem mudou de assunto de forma desajeitada. Seu olhar apontava para o esfigmomanômetro.

— É uma máquina para medir a pressão arterial. Se você colocar o braço no buraco redondo, podemos verificar a saúde dos seus vasos sanguíneos.

— Ah.

— Bem, a agulha vai entrar. Vai dar uma picadinha.

Após a coleta de sangue, quando Kyungsoo voltou da colocação do sangue na máquina, o homem já havia partido. Em seu lugar, onde antes estavam os remédios para resfriado, havia algumas notas de dinheiro.

Kyungsoo dissera que o resultado do exame sairia em um dia e que ele poderia vir a qualquer momento depois disso. No entanto, hoje já era o terceiro dia desde que o homem partira. Kyungsoo se culpava por não ter verificado o resultado antes devido ao cuidado com os pacientes desesperados, mas também achava estranho o homem não ter aparecido até agora. “Será que ele fez isso por brincadeira? Não me pareceu o caso”. Kyungsoo deu de ombros e ergueu o papel do resultado.

Os modelos iniciais não conseguiam distinguir níveis detalhados e valores de habilidade. Naquela época, os postos não eram tão segmentados e não havia tecnologia disponível para tal. Só era possível saber a sequência genética para testes de sincronia, se era Guia ou Esper, e qual era o posto principal.

— O quê?

Os olhos de Kyungsoo se arregalaram ao verificar o resultado.

O homem era, surpreendentemente, um Guia Classe A. Ele pensou que seria no máximo Classe C, mas a inscrição [G-A] estava nítida. Kyungsoo olhou fixamente para o resultado e verificou novamente o nome do homem escrito na amostra de sangue. “Será um erro da máquina?”. Mas, exceto pelo fato de ser um modelo antigo, era um produto fabricado oficialmente em Neo e que seu amigo usava constantemente. Além da aparência velha, funcionava perfeitamente. E, como era uma máquina que julgava por princípios muito básicos, a possibilidade de erro era extremamente baixa.

A história de Neo começou com a guerra contra os “Oni” e o nível superior deles, os “Gon”, e embora estivesse em um estado de calmaria, ainda era um processo contínuo. Isso porque eles eram seres que jamais desapareceriam enquanto a terra existisse.

Os únicos seres capazes de enfrentar esses monstros em pé de igualdade eram os Espers, mas os únicos seres capazes de controlar e subordinar esses Espers eram os Guias.

Embora fossem talentos e ferramentas úteis e indispensáveis em Neo, os Espers possuíam a falha fatal do surto. Sem um Guia, eles não passavam de bombas-relógio. Quanto maior o nível de habilidade do Esper, mais ele precisava de um Guia.

O sangue de um Esper podia matar monstros. No entanto, o sangue de um Guia não apenas salvava os Espers, como também tornava os Gons e Onis mais fortes. Esse era o motivo pelo qual aqueles blocos de lama eram especialmente loucos pelo sangue dos Guias. Ao consumirem o sangue de um Guia, os monstros ganhavam temporariamente uma resistência maior contra os Espers. Naturalmente, tornavam-se mais difíceis de eliminar.

— Uau, isso… é possível.

Kyungsoo não conseguiu conter a surpresa ao olhar novamente para o resultado.

Pensando bem, o homem nem conhecia direito o medidor de pressão automático e parecia ter pouco conhecimento sobre os paranormais. Havia uma alta probabilidade de ele ter nascido aqui. Como ele dissera que os pais não eram paranormais, parecia ter despertado pulando gerações. Entre as pessoas que viviam no Setor 13, não havia ninguém que não tivesse uma história complexa. Kyungsoo presumiu que ele seria descendente de uma das famílias de paranormais que pereceram protegendo os que ficaram aqui após a fundação de Neo.

Para atingir a Classe A em um redespertar após o despertar inicial, o nível base deveria ser pelo menos Classe B. Embora existissem casos de redespertar que saltavam dois níveis, eram extremamente raros. Há oito anos, exceto pelo caso do filho mais novo da família Ha que teve um redespertar de dois postos, não houve nenhum outro caso até agora.

— Será que não foi um redespertar?

Mas isso também era difícil. Despertar após a idade adulta também era algo raro.

Seu corpo, que antes estava imóvel, tornou-se agitado. Kyungsoo moveu-se apressadamente e vasculhou de imediato a ficha médica do homem. O nome era Seunghyun Ji, idade 23. Informações sobre o tipo dos pais indisponíveis.

— Ah. Como eu encontro esse homem?

Enquanto Kyungsoo refletia acariciando o queixo, ele pareceu se lembrar de algo e pegou o telefone via satélite. Após uma curta espera, a outra pessoa atendeu. O tom de voz era sofisticado, porém cínico.

— [Parece que encontrou um pedaço de carne interessante? Pelo fato de estar até ligando.]

— Não fale desse jeito. Não é isso, apareceu um Guia Classe A.

Ouviu-se uma risada do outro lado da linha.

— [Preciso verificar a taxa de sincronia primeiro, não? Se não servir, usarei apenas o sangue. Que tal dar aos Onis como suplemento vitamínico?]

Kyungsoo franziu o cenho enquanto a pessoa do outro lado despejava palavras cruéis com naturalidade. Sentia que sua mente ficaria perturbada se continuasse ouvindo o homem.

— Primeiro, descubra o paradeiro dele. Mande o pessoal procurar.

Houve um momento de silêncio pois o outro não respondeu.

— [Kyungsoo.]

— Sim?

— [Desta vez, tenho um bom pressentimento.]

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Continua…

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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby,Belladonna&Nala

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Sinopse:
Jaeil é um Esper Backsplash de nível A que vive em um estado sempre perigoso, pois não consegue encontrar um Guia compatível com ele. Devido a um incidente do passado, ele não confia facilmente nas pessoas e evita contato físico até mesmo com Guias. Mesmo nessas condições adversas, Jaeil tem pouco apego ao mundo e se leva ao limite. Até que um dia, ele recebe uma notícia: um novo Guia Backsplash de nível A virá ao centro. No entanto, esse Guia, Seunghyun, é do Distrito 13. O único problema? Ele não recebeu nenhuma educação e nem sequer sabe como ser um guia!?

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