Ler Beije o Estranho (Novel) – Capítulo 89 Online


Modo Claro

⚝ Capítulo 89

Meu corpo tremeu antes mesmo que eu pudesse perceber. Meus joelhos cederam e eu caí no chão. Mesmo assim, não conseguia tirar os olhos dele; estava tão aterrorizado que não conseguia mover um único dedo.
Asgyle me encarava sem dizer uma palavra. Ele sequer se mexia. Eu não conseguia decifrar o que ele estava pensando apenas olhando para aquele rosto inexpressivo.
“Por que está me olhando assim? O que está esperando? Por que chegou tão cedo hoje? Por quê, por quê…”
Muitas perguntas surgiram em minha mente, mas nenhuma foi feita. Eu não conseguia sequer mover os lábios, muito menos emitir um som. Minha boca tremia enquanto meus dentes batiam. O olhar de Asgyle voltado para mim, que estava ali sentado, incapaz de reagir, permanecia gélido. Ele finalmente abriu os lábios e falou:
— O que você está fazendo?
Calafrios percorreram minha espinha e arrepios surgiram por todo o meu corpo. Ao me ver respirando ainda mais rápido, Asgyle ordenou:
— Aproxime-se.
Seu aroma doce tornou-se mais forte. Talvez ele estivesse furioso. Por um momento quis escapar, mas não conseguia nem me levantar.
“Tenho que levantar, tenho que me aproximar, tenho que seguir as ordens.”
Não conseguia.
Quando o joelho que eu mal tinha conseguido erguer caiu novamente, Asgyle franziu a testa. Quando parei de respirar involuntariamente, ele de repente se afastou da janela. arregalei os olhos de surpresa. Asgyle caminhou em minha direção.
De repente, os arredores ficaram silenciosos e os servos apressadamente se curvaram e recuaram. A cada passo que Asgyle dava, o cheiro se intensificava várias vezes, até finalmente se instalar profundamente, como se estivesse interrompendo minha respiração.
“Eu tenho que implorar.” Abri a boca às pressas, mas nenhum som saiu. Eu estava apavorado e minha mente era um turbilhão. “Tenho que me desculpar imediatamente, se eu o ofender, então, de novo, eu…”
— Não, me desculpe, ha… Oh!
Mal consegui emitir um som, mas meus dentes se chocaram tão forte que mordi a língua. Um grito escapou contra minha vontade; eu estava ensopado por baixo e tremendo por inteiro, apenas observando-o se aproximar. Como um ceifador, o homem enorme e sombrio chegava mais perto, passo a passo.
“Haa… haa…”
Eu arquejava pesadamente. Minha visão ficou turva e eu não conseguia respirar. Tinha medo até de piscar, então o observava conforme ele passava. Minha boca estava seca e minha língua, rígida. E finalmente, Asgyle parou na minha frente.
— … Ah.
Um gemido baixo escapou enquanto eu tentava me recompor. Sem dizer nada, recuperei o fôlego e olhei para cima. Asgyle parecia infinitamente grande e eu me sentia minúsculo sentado diante dele. A sombra projetada por ele cobria todo o meu corpo. Eu estava tão ofegante que me faltava oxigênio. Meu coração disparava e meu estômago doía, mas não havia escapatória. Asgyle abriu a boca.
“Traga o chicote.”
Quando a memória daquele dia subitamente se sobrepôs ao homem à minha frente, ele franziu o cenho. Foi então que percebi que minhas pernas estavam molhadas. Notei vagamente que havia urinado involuntariamente.
— …Ah.
Asgyle soltou um suspiro que eu não sabia dizer se era de cansaço ou irritação. Talvez fosse surpresa. Pude sentir vagamente ruídos e movimentos, como fofocas ao meu redor. Ele parecia intrigado, mas não havia tempo para verificar. Eu estava completamente dominado pelo medo. Parecia que o futuro já estava decidido. Eu clamava por socorro, implorando para que não me batesse, mas nenhuma voz saía. Quando minha visão embaçou, Asgyle subitamente estendeu a mão.
— …Hic!
Ele me agarrou; eu gritei de surpresa, me encolhendo. Então, desta vez, meu corpo foi erguido sem que eu tivesse tempo de reagir.
— … … !
Tardiamente, percebi que Asgyle tinha me levantado. E não foi só isso. Ele me posicionou sobre um braço enquanto segurava meu corpo com o outro. Quando nossos olhos se encontraram, Asgyle disse a mim, que estava paralisado em estado de choque:
— Se você vomitar agora, eu arranco a sua língua.
Era uma voz baixa, mas o efeito foi imediato. Ergui uma mão livre, cobri rapidamente a boca e assenti. Os servos ao redor estavam agitados, sem saber o que fazer, mas um deles reuniu coragem e deu um passo à frente.
— Vossa Majestade, hã, como pode essa sujeira… Deixe conosco.
Ele estava certo. Era vergonhoso pensar em mim naquela situação. Fiquei inquieto com a ideia de minhas roupas de baixo molhadas encostando no braço dele. Mas a atitude de Asgyle foi clara:
— Saiam.
O servo, que mal havia reunido coragem, não pôde fazer nada diante do comando silencioso e acabou recuando. Logo depois, Asgyle avançou com passos largos; eu balançava a cabeça e cobria a boca com força. Apenas o som de seus passos ecoava no corredor silencioso. Não era apenas o cheiro de feromônios que revirava meu estômago. Conforme ele se movia, senti tontura e calafrios. Eu mal conseguia me conter, mas o suco gástrico continuava subindo.
Pensando bem, eu quase não tinha comido nada naquele dia. Graças a isso, o risco de vomitar era baixo, mas a náusea era incontrolável. Pisquei ansiosamente, tentando recuperar o fôlego.
“Ah!”
De repente, a imagem do Camar de antigamente apareceu em minha mente. Com isso, as memórias esquecidas voltaram à vida, e o cheiro de feromônio que me atormentava junto com a saudade mudou subitamente, fazendo meu coração doer em um instante.
Mesmo naquela época, Camar me abraçava assim.
“Yohan.”
Meus olhos ficaram marejados. Ele colhia frutas para mim, me beijava e dizia que gostava de mim. Havia tantas memórias. Eu o amava tanto e o queria tanto… “Então, por que ele não consegue se lembrar de um dia sequer daqueles tempos? Eu pedi para ficarmos juntos. Eu disse que iríamos morrer juntos.”
“Para sempre.”
“Camar, você realmente não se lembra de nada?”
Tudo o que eu podia fazer era cerrar os dentes e prender a respiração porque estava prestes a chorar.
— … uh, uh.
O som de soluços contidos escapou da minha boca, mas Asgyle não parou de caminhar. Ele sequer olhou para mim. Observei seus volumosos cabelos negros e tive que cerrar os dentes para resistir ao impulso de beijar sua testa.
Enquanto isso, Asgyle, que atravessou o longo corredor, aproximou-se de uma certa porta. Os homens que guardavam a entrada o viram, curvaram as cabeças rapidamente e abriram a porta. O servo que o seguia perguntou apressadamente:
— Senhor, podemos preparar o banho?
— Não, está tudo bem.
Asgyle entrou sem olhar para trás e a porta se fechou. Inesperadamente, ele parou e eu olhei ao redor com cautela. O teto abobadado era muito alto e as paredes eram todas de mármore; parecia haver um grande banheiro e uma banheira de um lado, e outro espaço mais interno. Embora parecesse que ninguém o usava há tempos, o ar dentro daquele espaço imenso tornou-se quente, e eu me encolhi por um momento.
Asgyle, percebendo meu corpo tremer, olhou imediatamente para mim. Inconscientemente, franziu a testa de novo enquanto eu paralisava de susto.
— … Ah!
Sem tempo para qualquer reação, Asgyle agarrou meu braço e me puxou para baixo. Ele falou enquanto olhava para mim, que havia desabado antes mesmo de meus pés tocarem o chão:
— Tire tudo.
Não pude evitar me agachar no chão, gemendo, e comecei a tirar minhas roupas. Desta vez, eu precisava obedecer a sua ordem. Não pensei no que viria depois; estava apenas com pressa de resolver o que estava acontecendo bem diante dos meus olhos.
Mal consegui tirar toda a roupa e, ficando nu, me encolhi. Eu não conseguia sequer verificar que tipo de expressão Asgyle tinha enquanto me olhava. Mas seu olhar sobre mim estava tão fixo que eu o sentia muito bem, mesmo sem olhá-lo. Asgyle ordenou novamente:
— Levante-se.
Conforme instruído, levantei-me e fiquei de frente para Asgyle, que me encarava. Seu olhar moveu-se lentamente do meu pescoço e ombros para o meu peito, descendo pelo estômago. Ouvi um estalar de língua curto e levantei a cabeça involuntariamente. Imediatamente, vi Asgyle franzindo a testa. Ele me odiava agora.
Claro que sim. Conformado, minha cabeça naturalmente pendeu para baixo. Asgyle cruzou os braços e disse:
— De costas contra a parede.
Era melhor do que encará-lo de frente. Quase caí ao tentar me virar às pressas. Vendo-me assim, Asgyle soltou um suspiro irritado atrás de mim. De repente, uma sensação de dúvida me invadiu e, com a cabeça baixa, encostei na parede como instruído.
Senti-o se aproximar por trás. Prendi a respiração e pressionei as mãos contra a parede, mas não conseguia impedir meus joelhos de tremerem. Arrepios surgiram em minha pele ao sentir sua presença. Asgyle disse atrás de mim, que estava rígido e tenso:
— Esta é a primeira vez que vejo um ômega como você.
Após um murmúrio que parecia um monólogo interno, sua mão tocou meu ombro e seu calor corporal começou a acariciar gentilmente minha pele.

⌀ ⌀ ⌀

✦ Tradução, revisão e Raws: Jor&Belladonna

Ler Beije o Estranho (Novel) Yaoi Mangá Online

Sinopse:
Em um país do Oriente Médio onde a discriminação contra ômegas é profundamente enraizada, Yohan, um ômega abandonado após a manifestação de seu gênero secundário, vive sozinho em um oásis com apenas um gato como companhia. Um dia, ele resgata um homem ferido que perdeu completamente a memória do seu passado. Conforme passam o tempo juntos, Yohan se apaixona por ele… mas, um dia, o homem desaparece subitamente, sem deixar rastros.
Depois de esperar por ele em vão por muito tempo, Yohan encontra inesperadamente o príncipe herdeiro, um homem exatamente igual àquele que um dia amou. No entanto, o príncipe não o reconhece de forma alguma…
Nome alternativo: Kiss The Stranger Beije O Estranho

Gostou de ler Beije o Estranho (Novel) – Capítulo 89?
Então compartilhe o anime hentai com seus amigos para que todos conheçam o nosso trabalho!