Ler Beije o Estranho (Novel) – Capítulo 86 Online


Modo Claro

⚝ Capítulo 86

— Olá, Yohan. Você acordou?
Acordei com a voz amigável de Meisa perguntando. Enquanto eu mal conseguia levantar minhas pálpebras pesadas, ela continuou falando com um sorriso amargo.
— Está tudo bem, continue deitado. Vamos comer depois de checar as feridas, que tal?
Aceitei a sugestão gentil e assenti silenciosamente com a cabeça. Eu estava vestindo uma camisa larga com alguns botões abertos nas costas o tempo todo; era para ajudar na cicatrização das feridas. Cuidadosamente, a enfermeira abriu o botão e retirou o curativo que prendia a gaze.
Recentemente, a frequência da desinfecção diminuiu significativamente, passando a ser feita uma vez por dia, e Meisa disse que não havia mais sangramento, então devíamos esperar que cicatrizasse. Mas, ainda assim, a dor aguda continuava toda vez que ela desinfetava e aplicava o remédio; era comum eu tremer e me assustar sempre que o algodão tocava minha pele.
— Como foi ontem, Yohan? Você dormiu bem?
Diante de uma pergunta que eu não sabia se era para me distrair ou se ela estava realmente curiosa, deixei escapar a resposta:
— Sim… foi como de costume.
— Entendo.
Senti a mão de Meisa tocando gentilmente a ferida. Provavelmente estava aplicando o medicamento.
— Sinto muito. Fazia tempo que eu não via a princesa, então fiquei tão feliz que não parei de conversar. Eu deveria ter lhe dado o jantar, mas vi que você já tinha pego no sono. Não quis te acordar porque você parecia estar dormindo profundamente.
Foi então que percebi por que acordei de madrugada. E, embora eu estivesse acordado há bastante tempo, parece que adormeci de novo antes de Asgyle despertar. Agora, eu estava deitado na cama sozinho.
Embora estivesse um pouco cansado, minha cabeça estava menos turva. Estava claro que eu estive grogue o tempo todo por causa do remédio.
— … Oh.
Talvez tenha sido a pior parte do curativo, pois deixei escapar um gemido entre os dentes. Meisa disse logo em seguida:
— Oh, está quase acabando. Seja paciente, Yohan.
Após me confortar, ela logo cobriu a ferida com uma gaze limpa. Movendo-se com cuidado, Meisa finalmente terminou o tratamento e falou:
— Não se preocupe muito. Como a ferida é extensa, o curativo é apenas para manter a gaze no lugar. Está cicatrizando bem.
— Sim, obrigado.
Enquanto eu agradecia arquejante, Meisa deu um tapinha no meu ombro e imediatamente disse à enfermeira para pedir que trouxessem a comida. A enfermeira falou com o atendente do lado de fora da porta, e eu me deitei novamente, recuperando o fôlego. A chuva tinha parado antes do amanhecer e o sol brilhava. O som do trovão de antes fora tão alto que parecia um sonho.
— … Doutora.
Quando falei com cuidado, Meisa, que estava organizando os instrumentos com a enfermeira, virou a cabeça. Lambi os lábios com esforço.
— Se as feridas já cicatrizaram o suficiente, eu quero sair daqui agora…
— O quê? Por quê? — Meisa perguntou, visivelmente perplexa. A enfermeira também arregalou os olhos, como se não esperasse por isso.
— E-este é o quarto do Príncipe Herdeiro… Eu fiquei aqui enquanto Vossa Graça tratava as feridas, mas estou muito melhor agora. Acho que tenho que voltar para onde eu estava. É o natural.
— Oh… entendo.
Meisa gaguejou de uma maneira incomumente confusa. Ela coçou a cabeça por um momento, suspirou e abriu a boca.
— Na verdade, Yohan, a razão pela qual pedi para você ficar neste quarto e continuar o tratamento é outra. Decidi que seria melhor deixá-lo em um só lugar do que movê-lo quando necessário, já que seus ferimentos eram muito graves… Então, bem…
— É por causa dele — eu disse sem rodeios, vendo-a lutar para escolher as palavras. — Sua Majestade tem um distúrbio do sono, e sou muito grato por poder ajudá-lo com isso. Presumo que ele tome medicação todas as noites.
Meisa pareceu confusa por um instante, mas logo assumiu uma expressão tímida.
— Sinto muito.
— Não, eu sou muito grato. Eu sou útil, mas… — continuei falando. — Não acho que possa continuar assim para sempre. A menos que encontrem outro jeito.
— Por que diz isso?
Desta vez, precisei de um pouco mais de preparação mental. Após respirar fundo, comecei:
— Sua Majestade vai se casar com a princesa.
Olhei para Meisa, que estava sem palavras, e acrescentei:
— Eu não pensei nisso ontem, mas tenho muita sorte que a princesa não esteja zangada. Na cama do noivo dela, um ômega como eu estar deitado… Se fosse eu, ficaria com ciúmes.
As lágrimas devem ter começado a cair, e eu chorei profundamente. Só de falar sobre o casamento de Najima e Asgyle agora, meu coração dói e sinto vontade de chorar; se eu os vir se casando, meu coração vai se despedaçar.
— A princesa e o príncipe herdeiro não pensam um no outro da maneira que você pensa, Yohan — Meisa disse timidamente, mas eu balancei a cabeça.
— Mas, ainda assim, aquele é o lugar da princesa.
Soluços surgiram e eu recuperei o fôlego rapidamente, limpei a garganta o máximo que pude e disse:
— De agora em diante, farei meu trabalho durante o dia. À noite, voltarei para o jantar… Mesmo assim, acho que seria melhor se prepararem com antecedência para o dia em que eu deixarei este lugar. A insônia dele… como poderá melhorar se eu não estiver?
— Existe tal coisa? O Doutor também falhou e fugiu.
— Mas eu não posso dormir entre a princesa e o Príncipe Herdeiro, certo? E o Doutor não falhou e nem fugiu.
A propósito, eu a corrigi, mas Meisa não pareceu interessada. Fiquei chateado por o Doutor estar sendo mal interpretado, mas fui forçado a me calar, pois eles tinham certeza de que não mudariam de ideia até que ele voltasse. Perguntei a Meisa, que ficou em silêncio por um momento:
— Então, o que você vai fazer? Vai voltar para o laboratório durante o dia?
— … Acho que ficarei a maior parte do tempo no ateliê.
Expliquei para Meisa, que inclinou a cabeça:
— Tenho algo que estava fazendo e preciso terminar, e também cuidar do meu gato… De qualquer forma, não tenho mais nada para fazer.
— Não deve ser fácil ficar sentado. E se suas costas doerem de novo?
O tom de Meisa tornou-se um pouco ríspido. Respondi seriamente:
— Eu também não gosto de sentir dor, então não vou exagerar. Se eu não me sentir bem, vou parar e avisar.
Ao sorrir para ela, ela fechou a boca com um olhar de desaprovação. De repente, o rosto do Doutor se sobrepôs ao dela. “Tudo bem?”, pensei. Fui tomado pela nostalgia por um momento, mas não era hora de me perder em pensamentos.
— Assim que o acesso ao palácio real for liberado, voltarei para onde eu vivia. Então, por favor, tente curar a insônia do Príncipe Herdeiro. Por favor.
Assim que o criminoso for pego e o assunto resolvido, as restrições de acesso serão levantadas. Eu deverei, então, partir.
Quando fiz essa nova promessa, o servo entrou com uma bandeja. Meisa disse, observando-o colocar a sopa e o pão sobre a mesa:
— Vamos comer primeiro, Yohan. Consegue caminhar?
— Sim.
Claro, eu disse que sim e me levantei, mas parei devido a uma súbita onda de vertigem. Franzi a testa e fechei os olhos; respirei fundo algumas vezes e os abri novamente. O rosto preocupado de Meisa refletia-se em minha visão agora nítida.
— Está vendo só? É porque ainda não está recuperado.
Sorri sem jeito e balancei a cabeça.
— Está tudo bem, de verdade. Fiquei tonto porque tentei levantar rápido demais.
Ainda assim, havia descrença no rosto de Meisa. Movi-me com cuidado e saí da cama. Levei um tempo para conseguir ficar de pé sozinho, mas não foi impossível. Ao caminhar apenas alguns passos e me sentar na cadeira, um suspiro de alívio escapou espontaneamente. Meisa me observou enquanto eu tomava a sopa e não disse uma palavra por um longo tempo.
— Já comi o suficiente.
Quando pousei a colher e fiz uma reverência, Meisa, que se mantivera em silêncio até então, disse:
— Vou agilizar o que for possível na investigação, Yohan. Deve ter sido muito difícil, sinto muito.
— Não, eu sou muito grato. — Balancei a cabeça rapidamente. — Fiquei muito feliz em poder ajudar.
Sorri sinceramente, mas Meisa não retribuiu o sorriso.
***
— Oh!
Já estava perto do crepúsculo quando retornei ao quarto de Asgyle. Levei um tempo considerável caminhando do quarto até o ateliê, e o tempo de volta foi o dobro. Graças a isso, tive apenas algumas horas para trabalhar. Quando cheguei lá, o almoço já tinha passado e Zahara já havia saído, então nem consegui ver o Rikal.
“Terei que sair um pouco mais cedo amanhã…”
Meisa, que vinha me buscar, correu em minha direção no corredor e voltamos juntos. Mas, assim que entrei no quarto, eu estava exausto e quase perdi as forças nos joelhos.
— Está vendo? Não exagere.
Eu queria dizer que estava bem, mas as palavras não saíram. Enquanto me deitava apoiado na cama, meus olhos se fecharam sozinhos.
— Yohan, tome o remédio.
A voz de Meisa desapareceu em um instante, e adormeci sem nem perceber que estava apagando.

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✦ Tradução, revisão e Raws: Jor&Belladonna

Ler Beije o Estranho (Novel) Yaoi Mangá Online

Sinopse:
Em um país do Oriente Médio onde a discriminação contra ômegas é profundamente enraizada, Yohan, um ômega abandonado após a manifestação de seu gênero secundário, vive sozinho em um oásis com apenas um gato como companhia. Um dia, ele resgata um homem ferido que perdeu completamente a memória do seu passado. Conforme passam o tempo juntos, Yohan se apaixona por ele… mas, um dia, o homem desaparece subitamente, sem deixar rastros.
Depois de esperar por ele em vão por muito tempo, Yohan encontra inesperadamente o príncipe herdeiro, um homem exatamente igual àquele que um dia amou. No entanto, o príncipe não o reconhece de forma alguma…
Nome alternativo: Kiss The Stranger Beije O Estranho

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