Ler Beije o Estranho (Novel) – Capítulo 140 Online


Modo Claro

⚝ Capítulo 140

O mundo parecia ter ficado sem som; o lugar inteiro mergulhou no silêncio. Eu não podia ver com meus próprios olhos, mas conseguia sentir através desse silêncio o quão chocadas as pessoas estavam. Eu mesmo fiquei tão atordoado que parei de respirar. Naquela quietude, a voz ressonante de Asgyle surgiu:
— Vocês esperaram por muito tempo, então que o julgamento comece agora.
— Sim, meu senhor.
Foi quando o juiz respondeu. De repente, meu tio gritou:
— Eu não posso aceitar isso!
Por um momento, levei um susto tão grande que quase pulei da cadeira. Se o Príncipe Herdeiro, que segurava meu pulso até então, não tivesse me contido com sua mão, eu teria saltado. Em vez de levantar, encolhi-me no assento; a cadeira inclinou-se para trás e fez um ruído estridente que me sobressaltou.
Prendi a respiração em pânico, mas Asgyle, que agarrava meu pulso, apertou-o com firmeza uma vez e depois relaxou.
“Está tudo bem, você pode ficar tranquilo.”
O calor da mão que agora envolvia meu pulso frouxamente diminuiu um pouco. Quando me calei, meu tio protestou novamente com uma voz áspera:
— O próprio Príncipe Herdeiro encarregado da defesa? Isso levanta sérias dúvidas sobre a imparcialidade deste julgamento! Ele não estaria usando a autoridade real para intervir no processo?
— Cuidado com suas palavras! Acusar de uso indevido de autoridade…!
O juiz tentou interrompê-lo com voz severa, mas meu tio recusou-se a parar:
— Meritíssimo, pode jurar por Deus a imparcialidade deste tribunal? Eu me pergunto se o Príncipe Herdeiro será capaz de julgar plenamente os pecados do Ômega que está defendendo sem hesitar um segundo sequer. Se não me prometerem justiça, não posso aceitar o resultado deste julgamento! Este julgamento é injusto!
Ele estava extremamente furioso e gritava. A sala permanecia em silêncio absoluto. Apenas os gritos cheios de raiva do meu tio ecoavam em meus ouvidos. Baixei a cabeça, incapaz de fazer qualquer coisa com meus ombros naturalmente encolhidos.
O protesto dele era bastante compreensível. O fato de Asgyle ter vindo aqui por mim já era motivo suficiente para ser grato. Como um ômega, eu não esperava consideração especial pelo fato de estar sendo julgado. Foi quando fechei meu coração para esse pensamento.
— Desde que entrei neste tribunal como advogado, permanecerei fiel ao meu papel. Seria possível que o Senhor Al-Fatih duvidasse das minhas intenções?
A voz de Asgyle estava carregada de sarcasmo. Recentemente, eu não a ouvira e tinha me esquecido, mas percebi que, em algum momento, eu escutara tons como aquele até me cansar. É claro que nunca era um tom agradável para a outra parte, mas o Príncipe Herdeiro não se importava com isso.
— Por favor, perdoe minha impiedade, meu senhor. Mas não é absurdo que Vossa Alteza esteja aqui, em primeiro lugar, para defender um Ômega ou algo do tipo? Como o senhor quer que eu reaja a esta situação?
— Não tenho a menor intenção de pedir que você me perdoe.
Asgyle impôs um limite com um tom de voz extremamente frio. O tio parou de falar e o Príncipe continuou:
— Por que eu precisaria do seu consentimento apenas por representar o Yohan? Eu me formei em Direito no Reino Unido e sou um advogado licenciado neste país. Por que não poderia fazê-lo?
— Eu não disse isso, Vossa Alteza…
O tio continuou a protestar, mas Asgyle não tolerou.
— Senhor Al-Fatih.
O tio silenciou diante daquela voz calma. Ele prosseguiu:
— Agora você ousa me insultar? Está sugerindo que, por estar aqui como advogado, vou usar minha autoridade de Príncipe para manipular o julgamento?
Era exatamente o que meu tio queria dizer, mas ele hesitou, incapaz de confirmar. É claro que é impossível dizer que as palavras do Príncipe estão totalmente “corretas” dada a sua posição. Que expressão ele teria agora? Eu me perguntei de repente.
Ao imaginar sem dificuldade o rosto do meu tio, distorcido e com uma expressão de extrema injustiça, Asgyle perguntou novamente:
— Como pode dizer que a defesa desse humilde ômega é algo indigno para o Príncipe Herdeiro?
A mão de Asgyle, que segurava meu pulso frouxamente, ganhou força e eu franzi o cenho involuntariamente. A voz do príncipe chegou aos meus ouvidos, mal contendo sua fúria:
— Por que eu teria que dar explicações a você?
A sala silenciosa congelou. Ele estava realmente zangado. Meu tio também percebeu que havia ultrapassado o limite, tanto que mal conseguia respirar. Asgyle continuou a falar, as palavras saindo entre dentes como uma ameaça:
— Eu deveria ter dito apenas que vim aqui como advogado? Se você realmente deseja isso, usarei minha autoridade para esmagar sua cabeça agora mesmo, assim não precisaremos perder tempo com um julgamento tão problemático.
— Eu… meu senhor!
Meu tio chamou por ele com urgência. A voz vinha de baixo, como se ele estivesse ajoelhado.
— Oh, eu estava errado. Por favor, perdoe este homem perverso. Eu jamais faria algo contra Vossa Majestade. Eu juro por Deus. Por favor, perdoe-me!
Lembrei-me de Asgyle, que mandou cortar os pulsos dos servos sem hesitação e dava ordens implacáveis. Se ele tomasse uma decisão, o que disse agora se tornaria realidade. Ele não hesitaria nem um pouco. Enquanto minhas costas tremiam, Asgyle disse:
— O perdão só vem uma vez. Não haverá misericórdia depois disso.
— Oh, obrigado! Obrigado, meu senhor!
Ele gritava e repetia as mesmas palavras sem parar. Asgyle finalmente relaxou a força da mão que prendia meu pulso, mas meu braço inteiro estava dormente e eu tinha vontade de chorar.
— Está tudo bem, não se preocupe.
De repente, ouvi um som baixo e pisquei. Asgyle sussurrou no meu ouvido. Ele achou que eu estava abatido por preocupação com o julgamento? No entanto, sem tempo para corrigi-lo, o juiz anunciou o início oficial do julgamento e logo a voz do promotor foi ouvida em meio ao silêncio mortal:
— Respeitado juiz, neste tribunal, peço que puna o criminoso hediondo que matou nada menos que dezessete pessoas, entre homens e mulheres, e deixou duas delas paralisadas e inconscientes.

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✦ Tradução, revisão e Raws: Jor&Belladonna

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Sinopse:
Em um país do Oriente Médio onde a discriminação contra ômegas é profundamente enraizada, Yohan, um ômega abandonado após a manifestação de seu gênero secundário, vive sozinho em um oásis com apenas um gato como companhia. Um dia, ele resgata um homem ferido que perdeu completamente a memória do seu passado. Conforme passam o tempo juntos, Yohan se apaixona por ele… mas, um dia, o homem desaparece subitamente, sem deixar rastros.
Depois de esperar por ele em vão por muito tempo, Yohan encontra inesperadamente o príncipe herdeiro, um homem exatamente igual àquele que um dia amou. No entanto, o príncipe não o reconhece de forma alguma…
Nome alternativo: Kiss The Stranger Beije O Estranho

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