Ler Beije o canalha. – Capítulo 09 Online

Modo Claro

— Como ele ousa fazer isso?!

O berro da senhora Campbell ecoou estrondosamente pela sala de estar. Era extremamente raro vê-la perder o controle a esse ponto. Em toda a vida, os filhos só tinham presenciado uma cena dessas uma única vez. Infelizmente, desta vez também a causa que a fez perder sua forte racionalidade foi a mesma. Claro que Winston não estava presente naquela ocasião do passado, mas, mesmo diante daquela versão inédita da mãe, ele não demonstrou grande perturbação. Como sempre, mantinha o rosto inexpressivo, mergulhado em pensamentos.

Diante da visão da mãe, que sempre preservara a frieza e a dignidade, agora gritando de raiva, os outros filhos apenas se entreolharam, incapazes de dizer qualquer coisa. E não era só isso. Sem conseguir conter a fúria, a senhora Campbell começou a andar de um lado para o outro na sala, amaldiçoando continuamente o marido que já não estava mais entre os vivos.

— Meu Deus, deixar um testamento desses! Tenho vontade de desenterrar Harold e queimar seu cadáver! Homem insolente e sem caráter, passou a vida inteira me atormentando e ainda deixa um testamento desses para aquele ser imundo, me humilhando dessa forma…!

A ideia de aquele prostituto se casar com seu precioso filho caçula e ainda ter um filho com ele era simplesmente absurda, algo que ela jamais poderia aceitar. E ainda deixar uma pensão para o amante maior do que a dela, a esposa legítima? Ferida no orgulho e tomada pela raiva, ela despejava seus verdadeiros sentimentos em palavras ásperas, algo totalmente fora de seu habitual.

— Lixo humano! Ele devia ter morrido naquele dia em que desmaiou! Eu devia ter matado aquele desgraçado antes que escrevesse o testamento! Devia ter feito isso, eu devia ter atirado na cabeça daquele homem!

Gordon começou a se preocupar de verdade, temendo que a mãe pudesse acabar desmaiando. Mesmo vendo a fúria colossal que ela despejava, os filhos não conseguiam fazer nada. Eles também estavam confusos, sem saber que atitude tomar diante daquela situação. A única coisa que podiam fazer era ficar do lado da mãe e condenar o pai.

— Não podemos simplesmente deixar isso passar. Precisamos fazer alguma coisa.

Quando Gordon tomou a iniciativa, Lady Catherine logo se juntou a ele.

— Claro que sim. Mandar a gente seguir um testamento tão absurdo desses… com certeza o pai não estava bem da cabeça. Isso é simplesmente inacreditável.

Sem conseguir pensar em palavras novas e apenas repetindo as mesmas frases, ela foi interrompida por George, que falou em seu lugar.

— Não deveríamos questionar primeiro se a avaliação mental do sogro foi realmente adequada? No mínimo, dois médicos deveriam ter confirmado…

— Não disseram que três médicos confirmaram? Velho astuto desgraçado.

Gordon xingou o próprio pai, e ninguém tentou impedi-lo. No fundo, todos compartilhavam do mesmo pensamento. Foi então que a mãe, que até agora estava ofegante e despejando sua fúria, virou-se subitamente.

— E você, Winston? O que pretende fazer?

Só então a atenção de todos se concentrou em um único ponto. A senhora Campbell voltou suas palavras para Winston, que permanecia sentado, imóvel e em silêncio, perdido em pensamentos desde o início.

— Vai deixar que levem tudo assim? Faça alguma coisa! É óbvio que aquele ordinário fez algo com o seu pai. É possível que ele estivesse se encontrando com o Harold pelas nossas costas? Sim, só pode ser isso. Caso contrário, como, como algo assim poderia…?

— Eu não penso dessa forma.

Pela primeira vez, Winston abriu a boca. Quando a mãe se calou e todos passaram a prestar atenção, ele continuou, falando mais devagar do que o habitual.

— As probabilidades de meu pai ter se encontrado com Yujin são mínimas. Ele passou bastante tempo apenas na mansão e, para ser mais preciso, em Delight. Se meu pai tivesse saído ou se encontrado com alguém, eu saberia imediatamente. Especialmente se fosse o Yujin.

A reação de Yujin mais cedo só confirmou sua suposição. Ao lembrar-se dele negando o testamento aos gritos, num estado entre o choque e o pavor, uma das sobrancelhas de Winston se contraiu levemente.

‘Insolente.’

Ele não fez nenhum movimento evidente, mas o aroma mais denso de seus feromônios ao redor bastou para que todos percebessem que Winston estava furioso. Claro, o motivo era bem diferente daquele que eles imaginavam.

Era Winston quem deveria ter gritado que aquilo era mentira e negado tudo. Deveria ter sido ele a dizer primeiro que o pai não estava em seu juízo perfeito às vésperas da morte. Mas, mergulhado nas fantasias de se lançar sobre Yujin, acabou perdendo o momento.

‘Como se atreve.’

Winston cerrou os dentes com força. Não fazia sentido algum Yujin rejeitá-lo. Quem deveria rejeitar era ele. Quem deveria despejar palavras de desprezo, dizendo que jamais se casaria ou teria um filho com um promíscuo como aquele, era Winston.

Mas foi Yujin quem fez tudo isso.

De forma atrevida.

Por isso, Winston não teve escolha a não ser admitir com a própria boca que o pai estava em plena consciência. Apenas para negar Yujin.

‘Ainda há um jeito.’

Ele relaxou a tensão no maxilar e mergulhou em seus pensamentos. Precisava resolver aquela situação de forma racional, custasse o que custasse. Acima de tudo, Winston confiava em si mesmo.

— Não se preocupem. Eu não vou simplesmente aceitar isso passivamente.

Falando em voz baixa, ele voltou a se calar. No meio das pessoas que observavam o clima pesado com cautela, Gordon tomou coragem e falou.

— Então… por hoje, acho melhor irmos embora. Winston também vai precisar de um tempo para pensar.

— Sim. Foi tudo muito repentino. Precisamos esfriar a cabeça — concordou George, levantando-se.

Lady Catherine também se ergueu, acompanhando-o. Um a um, todos deixaram a sala de estar. Por fim, a senhora Campbell, a última a se mover, parou ao lado do sofá onde Winston estava sentado e falou em tom baixo.

— Você não está se deixando abalar por aquela coisa, está?

Winston franziu a testa e ergueu o olhar de lado para ela. A senhora Campbell revelou a desconfiança que vinha guardando.

— O cheiro dos seus feromônios ficou mais forte lá no escritório. Não fui só eu que percebi. Os outros também notaram.

— Mãe, quando fico com raiva, meus feromônios também se intensificam.

Winston respondeu com naturalidade, desviando do assunto com habilidade. Diante da atitude do filho, igual à de sempre, ela pareceu se tranquilizar um pouco e falou com a voz mais branda.

— Claro… deve ter sido isso.

Ela segurou o ombro do amado filho caçula e beijou-lhe a têmpora, como quem diz que confia nele.

‘Deixar mais herança para aquela coisa do que para mim…’ Saindo da sala de estar, ela voltou a ranger os dentes. Jamais perdoaria. Nem Harold, nem aquele amante.

Somente depois que todos se foram e ficou sozinho, Winston conseguiu, enfim, organizar os pensamentos com mais frieza. O conteúdo do testamento era claro. Casar-se com Yujin e ter um filho dentro de um ano. Depois disso, o divórcio seria possível e a herança estaria garantida. À primeira vista, parecia simples. Mas o problema eram as condições.

“Yujin, eu te amo.”

Ao lembrar das últimas palavras de Harold, Winston quase deixou escapar um xingamento. Até o fim, Harold não conseguiu abandonar seus sentimentos pelo amante jovem. A ponto de fazer uma confissão tão ardente até em seu testamento.

‘Que tipo de pai deixa o amante como herança para o próprio filho?’

Foi por isso então, que Harold tentou casar Winston com Yujin. Preocupação atenciosa com o futuro do amante que ele tanto prezava, mesmo depois da própria morte? Antes de qualquer emoção, o que lhe vinha era o cinismo. Onde estava a consideração pelos familiares que ficariam para trás? E, se o estimava tanto assim, por que não o procurou antes e o manteve ao seu lado? No final, não foi Harold quem desempenhou o maior papel para afastar Yujin desde o começo?

‘Se você não tivesse dormido com ele, eu nunca teria desistido, até o fim.’

Rangendo os dentes, Winston forçou seus pensamentos a retornarem. Não era hora de se distrair com isso. A questão era como sair daquela situação miserável. Esse era o único problema em que precisava se concentrar. Não em quem era o pai da criança que Yujin já tinha, mas sim na criança que eles teriam no futuro.

‘Essa criança será minha.’

Era uma conclusão óbvia demais. Jamais permitiria que uma pessoa sem a menor vergonha como ele criasse seu filho. Se ele desse dinheiro o suficiente, Yujin desistiria de todos os direitos, tanto de custódia quanto paternos.

‘Será que ele teve o filho que está criando agora na esperança de receber pensão alimentícia?’

Os pensamentos voltaram a Yujin. Sem se dar conta, Winston continuou a refletir.

‘Claro, se soubesse quem era o pai, teria feito isso.’

Mas, ao chegar a essa conclusão, a dúvida surgiu na cabeça de imediato. Mas então, isso significaria que ele está criando uma criança que não tem utilidade alguma para ele, e essa parte não fazia sentido.

Há muitos casos em que descobrem tarde demais a gravidez, passam do tempo de abortar e acabam tendo o filho porque não há outra escolha.

Mesmo grávidos, ômegas muitas vezes não apresentam barriga e, não raro, só percebem a gestação pouco antes do parto. Winston deduziu sem dificuldade que Yujin devia ter vivido de qualquer jeito e um dia acabou dando à luz.

O estado atual de Yujin, visto por qualquer ângulo, não indicava que ele tivesse dinheiro. Pelo que ouvira do advogado, até a casa onde morava havia pegado fogo, e agora ele vivia em uma igreja. Era evidente que estava encurralado em uma situação extrema. A herança deixada por Harold devia ser ainda mais vital para ele.

‘Então, por que ele não abandonou a criança?’

Winston descartou a possibilidade de Yujin saber quem era o pai biológico. Se soubesse, com certeza teria exigido dinheiro e não estaria vivendo naquela miséria. É comum que, depois do nascimento, surja um apego inesperado ao filho. Mas isso não se aplicava a Yujin.

Com certeza havia algum valor de uso nisso.

Talvez fosse uma carta na manga para usar caso o pai biológico aparecesse algum dia. Provavelmente era isso. Caso contrário, não haveria motivo para ele criar aquela criança.

Quando chegou a esse ponto, uma ideia sinistra cruzou sua mente de repente.

‘Então… Será que ele criou aquela criança porque…’

Não queria admitir de forma alguma, mas aquela era a única hipótese plausível. Com expressão contrariada, Winston acabou aceitando-a.

‘Porque é filha do meu pai.’

O motivo era claro demais. Assim, fazia sentido que, mesmo sabendo quem era o pai biológico, ele não pudesse exigir pensão. Provavelmente Yujin estava esperando o momento certo. A hora em que a fúria do pai diminuísse o suficiente para revelar a existência da criança e arrancar uma quantia absurda de dinheiro.

‘Mas meu pai morreu, e essa chance desapareceu.’

Então, havia apenas um motivo para Yujin ter permanecido em silêncio sobre a criança até agora. Ele devia estar sendo extremamente cauteloso, com medo de perder a única oportunidade se agisse de forma precipitada.

“É impossível. Esqueceu o que você mesmo disse? Foi tudo uma mentira desde o início.”

Quando Winston perguntou se ele realmente havia engravidado naquela época, Yujin respondeu assim. Havia grandes chances de essa também ter sido uma mentira. Afinal, ele não passava de um prostituto e um vigarista.

‘Tentar me enganar de novo com um truque tão barato…’

“Winnie.”

Outra vez a visão surgiu. O corpo nu, branco como a neve, de braços abertos sobre a cama, o rosto levemente sorridente voltado para ele. A voz suave que sussurrava.

Em seguida, a lembrança do doce aroma que se espalhava pelo ambiente fez as rugas entre suas sobrancelhas se aprofundarem ainda mais.

“Não fui só eu que percebi. Os outros também notaram.”

O cheiro dos feromônios estava tão forte, e mesmo assim Yujin não reagiu em nada. Como se tivesse tomado uma decisão definitiva de jamais reagir aos feromônios de Winston. Ao lembrar disso, o incômodo só aumentou.

Seu pai já estava debaixo da terra. Não fazia sentido, a essa altura, desenterrar o túmulo para um teste genético. Em vez disso, Winston decidiu usar outro método. Pegou o celular e discou um número; logo a voz do outro lado atendeu. Sem rodeios, ele foi direto ao ponto.

— Descubra a data de nascimento da filha do Yujin.

— Entendido.

Depois de ouvir a resposta, Winston encerrou a ligação. Mais uma vez, o silêncio tomou conta do ambiente.

‘As coisas não vão acontecer do seu jeito, de forma alguma.’

Ele apoiou um braço no apoio da poltrona, encostou o polegar no queixo e, com o indicador, passou lentamente pelo lábio inferior. O sol já havia se posto e a escuridão começava a descer na sala de visitas, mas ele permanecia sentado, imóvel, imerso em seus pensamentos.

 

***

 

‘Como ele consegue ser tão frio assim?’

Yujin roía a unha do polegar enquanto andava de um lado para o outro pelo quarto sem parar. Depois de ouvir algo tão absurdo, Winston não moveu sequer uma sobrancelha. Parecia um homem sem sangue nem lágrimas, um verdadeiro homem de gelo.

Já tinham se passado horas desde que voltou para o quarto, mas a imagem de Winston no escritório continuava grudada em sua mente, sem dar trégua.

‘Winston Campbell não tem mais nada a ver com minha vida.’

Era isso que ele pensava até chegar ali. Então como tudo acabou desse jeito? Quanto mais pensava, mais absurdo parecia. Afinal, o que Harold tinha na cabeça para deixar um testamento daqueles? E ainda dizer que o amava? Que sentia muito?

Se era assim, não deveria ter deixado um testamento daquele jeito.

Ele simplesmente não conseguia entender as intenções de Harold. Se realmente o amava e queria se desculpar, bastava deixar uma quantia em dinheiro.

‘Mas não. Ele decidiu lançar uma bomba desse tamanho.’

Só então a proposta da senhora Campbell lhe veio à mente, trazendo junto uma onda de arrependimento.

‘Eu devia ter aceitado o dinheiro naquele momento e ido embora daqui para sempre.’

Mas já era tarde demais. Ele já tinha ouvido o testamento. Não havia como voltar atrás. Se não se casasse com Winston, Yujin não receberia sequer uma moeda. Todo o esforço de ter vindo até ali seria em vão, e ele acabaria na rua com a filha.

Ele nem esperava uma parte tão grande assim.

Nem precisava ser uma quantia absurda. Bastaria o suficiente para pagar alguns meses de aluguel, algo em torno de três meses. Ao lembrar que, por um tempo, chegou a confiar em Harold como se fosse um pai, o sentimento de amargura e ressentimento só aumentou.

‘Harold, como você consegue ser tão cruel comigo até o fim?’

Era difícil de acreditar que ele tivesse sido traído outra vez. A ponto de querer perguntar por que, afinal, ele o odiava tanto.

‘Dizer que me amava? Que piada. Se realmente amasse, como poderia fazer algo assim? E ainda por cima duas vezes.’

— Papai, papai.

Com os olhos marejados pela raiva, Yujin se apressou em esfregar o rosto ao ouvir a voz de Ângela. Virou-se um segundo depois e deu de cara com a expressão ansiosa da filha. Só então percebeu o erro e, apressado, forçou um sorriso enquanto se abaixava.

— Oi, Angie. Desculpa… o papai te assustou?

Ajoelhando-se para ficar na altura da criança, ele perguntou. Ângela hesitou por um instante e então o abraçou forte pelo pescoço. Enquanto Yujin envolvia o pequeno corpo com os braços, ela falou:

— Papai, o que foi? Nosso nome não estava no testamento?

Às vezes, Yujin se preocupava se não estaria deixando a filha assistir TV demais por causa do trabalho. Mais uma vez, ela claramente repetia algo que devia ter visto em algum drama. Engolindo um suspiro, ele respondeu:

— Não, tinha sim. Ele nos deixou dinheiro também.

Não era exatamente mentira, só não era a história toda. A filha, esperta como era, se afastou um pouco e perguntou, desconfiada:

— Então por que você tá triste?

Como explicar aquilo? Depois de pensar por um instante, Yujin escolheu as palavras com cuidado.

— Tem uma condição para receber o dinheiro. E o papai está pensando em como resolver isso.

— É difícil?

— Hmm…Um pouco?

Não era só “um pouco” difícil. Era simplesmente impossível. Casar com Winston e ainda ter um filho com ele… Seria melhor se ele simplesmente tivesse dito que não nos deixaria um tostão da herança.

Yujin voltou a se sentir completamente perdido quando Ângela, com os olhos brilhando, falou:

— Papai, não se preocupe. Eu vou te ajudar.

Ajudar… como? Aquilo era algo que ninguém além dele poderia resolver. Ainda assim, o sentimento da filha era tão bonito que Yujin não conseguiu fazer outra coisa senão abraçá-la com força.

— Obrigado, Angie. Isso me deixa muito mais tranquilo.

A criança também o abraçou pelo pescoço e apoiou a cabeça em seu ombro. Para eles, o mundo se resumia àquele momento. Sempre foi assim, e sempre seria.

‘O Winston vai pensar em alguma coisa.’

Era desesperador ter justamente aquele homem como única pessoa em quem poderia se apoiar, mas não havia alternativa. Ele não tinha visto com os próprios olhos? Winston despejando insultos sem pudor, sem esconder o desprezo que sentia por ele. Yujin se agarrou a isso, lembrando o quanto Winston o odiava. O homem também não iria aceitar aquele testamento absurdo de bom grado. Tudo o que podia fazer era esperar pela proposta dele.

E dois dias depois, após um jantar cedo, depois de dar banho na filha e voltar para o quarto para, como sempre, ler um livro para ela, um som de batidas na porta ecoou de repente. O rosto de Winston atravessou sua mente num instante. Ele tinha visto, pela janela, o carro do homem chegar havia pouco mais de trinta minutos. O horário era inesperado, mas não havia outra razão para alguém bater à porta do quarto onde ele e a filha estavam. Tentando parecer o mais normal possível, Yujin ajeitou a expressão e abriu a porta. Como esperado, era a criada.

— O senhor Campbell está chamando.

Finalmente. Yujin respirou fundo uma vez e então se virou para Ângela.

— Já volto, Angie.

— Tá bom, papai. Boa sorte!

Depois de dar um beijo na bochecha da filha, que erguia o punho fechado no ar em sinal de incentivo, Yujin sorriu para ela e saiu para o corredor. Assim que a porta se fechou atrás dele, a criada começou a caminhar à frente. Ele a seguiu em silêncio, tentando à força acalmar o coração que só então começou a disparar. Era algo esperado, mas quando o momento chegou de fato, foi inevitável ficar tenso. A falta de preparo emocional para uma situação tão repentina também pesava.

‘Não era algo que acabaria acontecendo de qualquer maneira?’

Embora relutante, Yujin admitiu a contragosto que essa “preparação mental” talvez nunca viesse. Se pudesse, ele gostaria de fugir desta mansão com Ângela em seus braços. Claro, isso era impossível.

‘Dessa vez, vou aceitar a proposta, imediatamente.’

Recusar o envelope da senhora Campbell tinha sido uma estupidez. Tudo bem, pensou ele. Bastava usar o erro do passado como lição e não repeti-lo.

‘Tudo fica bem quando acaba bem.’

Repetindo para si mesmo as palavras que sempre usava como lema, ele tomou uma decisão. Seguiria tudo o que Winston dissesse. Não era idiota a ponto de cometer o mesmo erro outra vez. Subitamente, uma memória do passado passou por sua mente e ele abriu suavemente o punho que, sem perceber, havia cerrado.

‘Ele já havia cometido estupidez suficiente para durar uma vida.’

Caminhando em silêncio, logo chegou ao escritório. O mesmo lugar onde o testamento havia sido lido. A criada bateu na porta de forma mecânica, esperou um instante e então abriu, afastando-se para o lado. Yujin respirou fundo uma vez antes de dar o primeiro passo. O som dos seus sapatos pareceu alto demais. Depois de avançar três ou quatro passos para dentro do escritório, ele parou. No instante em que seus olhos encontraram os do homem à sua frente, ele prendeu a respiração sem perceber.

O homem, com mais de dois metros de altura, estava sentado na beirada de uma enorme escrivaninha de madeira maciça, observando Yujin. Vestia um terno, mas sem o paletó; em vez disso, usava um colete que mal conseguia conter o peito largo.

Ele ainda era impressionantemente musculoso e, como sempre, enorme. Um homem tão imenso que fazia o ambiente, antes amplo o suficiente para acomodar quase dez pessoas sentadas à uma distância umas das outras, parecer de repente estreito demais. Ao se lembrar de que aquele homem havia sido capitão do time de futebol americano no colégio, Yujin ouviu o som da porta do escritório se fechando atrás de si.

E então, dentro do escritório, restaram apenas os dois.

 

°

°

Continua…

 

Ler Beije o canalha. Yaoi Mangá Online

Interesse Romântico Seme / Gong: Winston Campbell (terceiro filho e caçula. Alfa dominante. Herdeiro do conglomerado familiar. 28 anos) Protagonista masculino. 198 cm/90 kg. Cabelo castanho-escuro. Olhos roxos. Homem de físico enorme e musculoso.
Há cinco anos, manteve um relacionamento amoroso com Seol Yujin, mas acabou se separando ao acreditar que ele havia cometido adultério com seu pai.
— Querido, ninguém neste mundo sabe melhor do que eu que tipo de vadia barata você é.
***
Personagem Principal Uke/Su: Seol Yujin (ômega. 28 anos) 178 cm/60 kg. Órfão. Corpo magro, de ossatura longa. Cabelo castanho-claro. Olhos castanhos. Pele branca. Teve uma filha, Angela, com Winston, mas é acusado de que a criança seria de outro homem.
— O que aquele homem faria se soubesse que Angela é filha dele?
***
— De quem é essa criança?
Eles foram um casal apaixonado cinco anos atrás, mas se separaram devido a um grave mal-entendido. Winston ainda acredita que Yujin manteve um caso com seu próprio pai. Após ser descartado de forma cruel, Yujin passou a viver acreditando que nunca mais voltaria a encontrá-lo e, enquanto lutava para sobreviver com a filha, acabou perdendo tudo quando um incêndio destruiu seu apartamento, deixando-os na rua.
Em meio ao desespero, ele descobre que Harold Campbell, pai de Winston, deixou um testamento em seu nome. Na esperança de conseguir ao menos alguma ajuda, Yujin decide retornar à mansão.
O reencontro com Winston é marcado por ódio ainda mais intenso. Enquanto Winston continua desprezando-o, Yujin deseja apenas receber rapidamente a herança e ir embora. Para sua surpresa, Harold lhe deixou uma herança muito maior do que o esperado. No entanto, há uma condição.
Ele deve se casar com Winston e engravidar dentro de um ano.
Yujin tentou recusar, mas a realidade não era tão simples. Como forma de vingança pelas humilhações constantes que sofre de Winston, ele acaba aceitando o casamento. O alfa, por sua vez, deixa claro que tudo não passa do cumprimento do testamento e que entre eles não resta absolutamente nada.
No entanto, contra suas expectativas, eles não conseguem controlar a atração constante que sentem um pelo outro. Ambos tentam ignorar isso, convencendo-se de que não passa de desejo carnal…
mas será mesmo?
Nome alternativo: Kiss The Scumbag

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