Ler Beije o canalha. – Capítulo 04 Online
Já era quase noite quando chegaram à mansão. Diante do céu escuro inteiramente coberto de estrelas, Yujin permaneceu parado, olhando para a imponente construção que se erguia à sua frente, enquanto uma mistura caótica de emoções se enroscava dentro do peito.
No caminho até ali, quando chegou a hora do jantar, Brown os levou a um pequeno restaurante à beira da estrada. Lá, Yujin comeu um filé de bacalhau grelhado, enquanto Ângela pediu o menu infantil, um cheeseburger acompanhado de sorvete de morango. Na verdade, ele não estava com muito apetite, mas precisava comer sempre que tivesse oportunidade. Aquilo era uma lição aprendida à custa de experiências duras que passou ao longo da vida e, além disso, em uma situação em que não se sabia o que poderia acontecer, acumular energia com antecedência era mais importante do que qualquer outra coisa. De qualquer forma, era evidente como o fogo que a situação que o aguardava dificilmente seria favorável.
Enquanto Yujin forçava o bacalhau garganta abaixo, Brown devorou sozinho um enorme bife bem passado. Depois disso, eles voltaram ao carro e dirigiram por mais algumas horas até finalmente chegarem à mansão.
Com a criança adormecida nos braços, Yujin desceu do carro e ficou imóvel, encarando a mansão. Brown, depois de entregar a chave do carro a um empregado, aproximou-se dele e disse:
— Vamos entrar. Não sei se todos já estão dormindo.
Brown subiu as escadas da entrada principal sem hesitar, tomando a dianteira, Yujin o seguiu em silêncio. Pelo que ouvira durante o trajeto, Brown havia sido recrutado pelo escritório de advocacia de McCoy três anos antes e, antes disso, trabalhava em outra cidade. Sendo assim, era natural que ele não soubesse absolutamente nada sobre o que aconteceu quando Yujin foi expulso da família Campbell. McCoy, e certamente nenhum membro da família, teria mencionado aquele assunto.
‘Devem ter me apagado completamente, como se eu nunca tivesse existido.’
Yujin pensou isso, mas não chegou a se sentir magoado. Ele também havia apagado aquelas pessoas da própria vida, então estavam quites. Poderiam ter deixado tudo enterrado no passado e seguido cada um o seu caminho para sempre, mas, contra a vontade dele, o passado fora desenterrado. Tudo por causa do testamento deixado por Harold Campbell.
‘Afinal, o que estará escrito nele?’
O simples fato de McCoy ter se dado ao trabalho de localizar Yujin e ainda avisar que ele sairia perdendo se não comparecesse ao funeral, deixava claro que o conteúdo lhe seria vantajoso. E aquilo seria de grande ajuda em sua desesperadora situação atual. Pelo menos, era nisso que Yujin acreditava, caso contrário, jamais teria voltado àquela mansão.
Mesmo sabendo perfeitamente como seria tratado.
— O senhor chegou, senhor Brown.
O mordomo que atravessou o salão cumprimentou primeiro o advogado. Ele certamente tinha visto Yujin parado atrás, mas fingiu não notar sua presença. Ignorando-o completamente, como se fosse invisível, o mordomo trocou cumprimentos apenas com o advogado. Yujin observava a cena com o rosto inexpressivo. Talvez, se pudesse, o mordomo teria simplesmente se virado e ido embora, como se não tivesse visto nada. Mas, claro, isso era impossível, pois havia um terceiro ali que não fazia ideia da situação.
— Kane, este é Yujin Sol, de quem falei ao telefone. Yujin, este é Kane, o mordomo da família Campbell. Ele trabalha aqui há muitos anos. Por acaso o conhece?
— Claro que conheço.
Depois de trocar algumas frases protocolares, o advogado apresentou Yujin ao mordomo. Antes que Kane pudesse abrir a boca, Yujin respondeu primeiro:
— Kane já era o mordomo quando eu morava aqui. Quanto tempo, Kane. Vejo que ainda está vivo.
Ele acrescentou aquilo com um sorriso irônico, abrindo um sorriso leve, mas o único que riu foi Brown. Era natural, pois aquilo não tinha nada de piada. Kane permaneceu de pé com uma expressão inexpressiva, como uma máscara. Yujin também deixou o sorriso desaparecer e o encarou de frente. Brown, que até então ria sem pensar, percebeu tarde demais que havia algo estranho no ar e alternou o olhar entre os dois, visivelmente constrangido. Diante daquela situação nada comum, ele se apressou em mudar de assunto.
— Eu já vou indo. Kane, então… cuide do resto. Com licença.
Depois de se despedir de Yujin e de Kane, Brown virou-se rapidamente e saiu da mansão. Pensando que ele realmente tinha um bom faro para situações delicadas, típico de um advogado, Yujin manteve o olhar fixo em Kane.
Ele não parecia muito diferente da última vez em que o viu. Naquela época, ele dedicava toda sua lealdade a Harold, o chefe da família Campbell. Agora que Harold não estava mais ali, não era difícil imaginar a quem aquele homem dedicava sua lealdade. Sendo assim, o fato de ele tratar Yujin com frieza talvez fosse até natural. Kane estava apenas seguindo a vontade de seu mestre.
— Onde fica o meu quarto? Quero colocar a criança na cama.
Yujin perguntou, encarando-o diretamente. ‘Eu só vim até aqui por causa do testamento. Em breve vou desaparecer de novo, então não precisa se preocupar.’ Por dentro, ele ironizou.
O mordomo lançou um olhar rápido para a garotinha profundamente adormecida em seus braços e depois voltou a encarar Yujin.
— Por aqui, por favor.
Sem dizer mais nada, o mordomo se virou e saiu andando à frente. Yujin o seguiu em silêncio, ainda carregando a criança. O braço que sustentava a filha já começava a doer, mas o calor do corpo adormecido e o peso dela lhe davam uma coragem e uma força inesgotáveis.
Em seu mundo, existiam apenas os dois. Antes, agora e sempre.
Ao abrir uma porta lateral no fim do corredor, o mordomo começou a subir uma escada em espiral. Girando e girando por degraus cujo número Yujin não conseguia sequer contar, ele sentiu um cansaço extremo, mas continuou seguindo em silêncio. No passado, ele mal podia se aproximar da mansão, quanto mais entrar nela. Tudo o que via era o exterior grandioso e luxuoso e, ocasionalmente, fragmentos do interior espiados por portas ou janelas abertas.
No fundo, nada havia mudado.
Enquanto caminhava por dentro daquela mansão, Yujin sentia tanto surpresa quanto uma estranha familiaridade. No centro da casa havia uma escadaria ampla e confortável, e de um dos lados também existia um elevador. No entanto, a escada pela qual o mordomo o conduzia parecia ter sido escondida de propósito: estreita, íngreme e sem uma única janela, encostada em uma parede cega.
‘Deve ser o corredor usado pelos empregados.’
Ele sabia muito bem que não pretendiam tratá-los como hóspedes. Antes, isso o teria feito chorar de humilhação, mas agora não sentia nada disso. Em sua mente havia apenas um pensamento indiferente, “eles continuam os mesmos”, acompanhado do desejo simples de descansar logo com a filha.
Finalmente, quando o mordomo abriu uma porta com dificuldade, um suspiro de alívio escapou involuntariamente de Yujin.Enquanto seguia o mordomo carregando a criança, o ambiente estava mortalmente silencioso. Não se ouvia nada além dos passos do mordomo e dos seus próprios. Depois de caminhar por um corredor que parecia interminável, Kane enfim parou diante de um quarto. Yujin quase deixou escapar um suspiro em voz alta, mas se recompôs às pressas. Enquanto isso, o mordomo tirou um molho de chaves do bolso, escolheu uma delas, enfiou na fechadura, girou e abriu a porta. Yujin entrou rapidamente no quarto, carregando a filha.
O interior era diferente do que ele esperava. Ao contrário do estilo antigo e solene típico de uma mansão com mais de cem anos, aquele era um quarto estreito, como se tivesse sido improvisado às pressas, com apenas um único móvel. Encostada contra a parede, havia uma cama que, para piorar, era de solteiro. A mensagem era clara.
Apesar do desprezo evidente dirigido a eles, Yujin permaneceu calmo. Tentativas infantis como aquela para humilhá-los não surtiriam efeito algum. Afinal, ele e Ângela sempre haviam dormido abraçados em camas estreitas a vida inteira.
‘Não é nada demais.’
— Onde fica o banheiro? Gostaria de tomar um banho.
A mansão tinha inúmeros quartos e banheiros. Em vez de responder qual deles deveria usar, o mordomo disse outra coisa.
— Antes disso, há alguém que o senhor precisa encontrar. Venha comigo.
— Só um momento.
Yujin falou apressadamente e então cuidadosamente deitou Ângela na cama. Felizmente, a filha estava profundamente adormecida, roncando suavemente. Depois de dizer ao mordomo que sairia em breve e fechar a porta, Yujin tirou os sapatos e as roupas da filha e a vestiu com o pijama. Ele deveria dar-lhe um banho, mas ela dormia tão profundamente, e a situação não ajudava, então decidiu generosamente deixar para lá naquele dia.
‘Um dia não vai fazer mal.’
Depois de arrumar a bagagem de qualquer jeito, Yujin abriu o caderno de desenho da filha e escreveu uma mensagem grande em uma folha em branco. Em seguida, colocou-o ao lado da cabeça da criança, para que ela visse assim que acordasse, caso despertasse enquanto ele estivesse fora. Ângela, felizmente, já sabia ler e escrever, além de se sair muito bem em contas simples. Em momentos como aquele, a inteligência da menina era uma ajuda imensa. Yujin agradeceu em silêncio e beijou-lhe a testa.
Ao sair do quarto, o mordomo ainda estava ali, em pé, com a postura impecável. Yujin, agora sem a criança, perguntou ao mordomo, que se virou sem dizer uma palavra:
— Quem é a pessoa que eu preciso encontrar?
Já estava perto da meia-noite. Que tipo de conversa justificaria fazê-lo esperar até aquela hora? Com uma inquietação crescente no peito, ele viu o mordomo interromper os passos e virar a cabeça.
— A senhora Campbell.
Ah… ele quase deixou escapar um suspiro em voz alta. Naquela família, só havia uma pessoa chamada de “senhora Campbell”. A filha mais velha, que fora brevemente casada com um nobre britânico, insistia em ser chamada de “Lady”, e a única nora, embora tivesse adotado o sobrenome Campbell, jamais fora chamada de “senhora Campbell”. Apenas ela recebia esse tratamento. Desde que Yujin entrou naquela casa ainda muito jovem, até hoje.
Como se não houvesse mais nada a dizer, o mordomo se virou e voltou a andar. Yujin também fechou a boca e o seguiu em silêncio.
Na mansão silenciosa, apenas os passos do mordomo e de Yujin ecoavam de forma sombria. A grande casa, que um dia fora cheia de risadas, parecia conter a própria respiração, como se soubesse da ausência de seu dono. Sentindo uma pressão sufocante no peito, Yujin continuou andando sem dizer nenhuma palavra. O mordomo refez o caminho por onde haviam passado antes, abriu novamente a porta lateral e, desta vez, seguiu escada abaixo.
Depois de descer por um tempo que pareceu interminável, ao abrir outra porta, um corredor tão longo que arrancou-lhe um suspiro, surgiu diante de seus olhos. Enquanto caminhava, segurando a vontade de gritar que já bastava, Yujin percebeu de repente que aquele corredor era claramente diferente do anterior. As paredes estavam cobertas por fileiras de quadros, todos retratando paisagens da mansão ou rostos que pareciam ser de antepassados. Quando seus olhos encontraram um retrato de uma mulher usando um vestido antigo, provavelmente uma antiga senhora da casa, morta havia muitos anos, o mordomo parou de repente. Yujin observou em silêncio enquanto ele dava duas leves batidas na porta, aguardou um instante e então girou a maçaneta para abrir. Em seguida, o mordomo entrou sem hesitar e falou:
— Senhora Campbell, trouxe o visitante.
A voz era tão neutra quanto alguém lendo o manual de um eletrodoméstico. Vendo o mordomo estender um braço, indicando que ele deveria entrar, Yujin quase deu um grande suspiro, mas conseguiu se controlar e passou por ele deliberadamente sem trocar um olhar. Como esperado, a sala de estar preparada para receber visitas tinha a senhora Campbell sentada ali, acompanhada de outro homem. Era Gordon, o filho mais velho. No instante em que os viu, sentiu o próprio rosto enrijecer, mas dessa vez não havia como evitar.
Diferente da senhora Campbell que estava sentada ereta com a postura impecável, Gordon permanecia esparramado na poltrona com as pernas bem abertas, um braço apoiado sobre a coxa, o tronco inclinado de forma displicente, encarando Yujin com uma postura que lembrava a de um valentão.
Yujin apertou discretamente a mão que pendia ao lado do corpo. Está tudo bem, ele pensou consigo mesmo. Não é como daquela vez. Agora ele tinha Ângela. Por ela, poderia se tornar mais forte do que qualquer pessoa no mundo.
Então está tudo bem.
Enquanto tentava se convencer disso, o mordomo falou de repente:
— Deseja que eu prepare algo para beber?
— Não, obrigado.
Yujin recusou de imediato. Provavelmente, a pergunta não era para ele de qualquer forma. Mas sua intenção de não prolongar a situação foi claramente transmitida. O mordomo lançou-lhe um olhar rápido e então voltou os olhos para a senhora Campbell, como quem aguardasse instruções. Ela fez um gesto leve com a mão, dispensando-o.
Logo depois, ouviu-se o som da porta se fechando atrás dele. O homem havia saído da sala. Yujin continuou parado onde estava, sem se mexer um centímetro sequer, exceto por entrelaçar discretamente as mãos atrás das costas.
Quem quebrou o silêncio desconfortável foi a senhora Campbell. Ela franziu a testa e estalou a língua num som baixo.
— Você continua o mesmo. Ainda não sabe como cumprimentar as pessoas?
A voz especialmente cheia de farpas fez com que Yujin apenas a encarasse com o rosto impassível. No passado, por estar intimidado, ele não conseguia encontrar o momento certo para cumprimentar e acabou sendo mal-interpretado. Agora, porém, era simplesmente porque não tinha vontade alguma de puxar conversa. O garoto ainda jovem que se magoava com esse tipo de desprezo já não existia mais. Não havia mais nada que eles pudessem usar para feri-lo. Nunca mais, definitivamente.
Diante da ausência de reação de Yujin, Gordon soltou uma risada de desdém e falou em voz alta, como se fizesse questão de que ele ouvisse:
— O que a senhora esperava desse sujeito? Um moleque que viveu vendendo o próprio corpo, que educação ele poderia ter?
Ainda bem que ele deixou Ângela dormindo no quarto. Yujin soltou um suspiro de alívio silencioso e abriu a boca com um tom duro, rígido:
— Era só isso que vocês tinham para dizer? Já está tarde, eu gostaria de descansar.
Com a pergunta de Yujin, tanto a senhora Campbell quanto Gordon se sobressaltaram. Era evidente que não haviam sequer imaginado que ele ousaria falar de forma tão insolente.
‘Claro que não.’
Se fosse o Yujin de antes, aquilo teria sido impensável. O garoto do passado se encolhia do jeito que eles queriam, com os olhos marejados, sem saber o que fazer, implorando como se tivesse cometido um pecado imperdoável.
‘Vocês deviam estar esperando que eu voltasse a alimentar esse sentimento de superioridade e arrogância de vocês.’
Mas já haviam se passado cinco anos. E, nesse tempo, ele havia mudado. Não tinha mais motivo algum para se humilhar diante deles como antes.
Diante do olhar firme de Yujin, a senhora Campbell pareceu ficar sem palavras por um instante e levou a xícara de chá aos lábios, bebendo um gole. Depois de ganhar tempo para conter as emoções, ela retomou sua postura habitual e falou:
— Não seria melhor evitar esse incômodo todo?
Ela pousou a xícara e ergueu o rosto. Seus olhos, frios como os de uma cobra, se voltaram para ele.
— Que tal simplesmente sair da mansão agora mesmo? Desaparecer sem deixar vestígios de que esteve aqui. Em troca…
Quando a senhora Campbell arrastou o final da frase, como se aquilo fosse um sinal, Gordon tirou algo do bolso interno do paletó e colocou sobre a mesa. Ao ver o envelope branco diante de si, Yujin ouviu-a continuar:
— Você não é um garoto burro, então acredito que tenha entendido. Coloquei uma quantia razoável aí dentro. Que tal ir embora agora? Afinal, não há ninguém aqui que o queira por perto.
Sair da mansão levando aquele envelope e desaparecer para sempre não era uma opção ruim. Desde o início, o objetivo dele era dinheiro, e qualquer um saberia que aquilo era muito mais certo do que uma herança de conteúdo desconhecido. Além disso, quando decidiu voltar, ele já estava preparado para tudo. Se conseguisse dinheiro, estava disposto a suportar qualquer humilhação e desprezo ao retornar àquela família. Se pudesse obter um cheque de forma tão simples, aquilo era, na verdade, fácil demais comparado ao que havia se proposto a aguentar. Não havia motivo algum para recusar.
Não havia mesmo.
E, ainda assim, Yujin hesitou, incapaz de estender a mão para o envelope de imediato. Não era por orgulho. Esse já tinha sido esmagado há muito tempo.
‘Então por quê?’
Sem conseguir entender o próprio sentimento, ele ficou encarando o envelope fixamente, até que Gordon falou com um sorriso zombeteiro:
— Não adianta quebrar a cabeça tentando arrancar mais alguns trocados. Se for ganancioso demais, pode acabar não levando nem isso. Pense bem. Um dinheiro desses você nunca conseguiria juntar, mesmo explorando esse seu corpinho barato a vida inteira.
Gordon caiu na gargalhada.
— Afinal, aquele “seu pai” também morreu. Quem você acha que vai bancar um lixo como você agora? A menos que a pessoa seja cega.
Ao ouvir aquilo, a senhora Campbell pigarreou com um “hmm”. Yujin percebeu que ela quase explodiu em gargalhadas, mas se conteve por pura questão de elegância. Teria sido melhor se parassem ali, mas Gordon, empolgado com a reação dela, continuou falando sem parar.
— Ouvi dizer que você trouxe a criança. Não me diga que é filha única? Não deve ser possível. Não estava pensando em sair por aí parindo um monte de bastardos sem pai e depois tentar dar um golpe, alegando que era filha de meu pai estava? Se for isso, sinto muito. Hoje em dia existe algo chamado exame de DNA, sabia? Esse tipo de golpistas sempre vão parar na cadeia. Se fizer alguma besteira, você vai para prisão e esse pirralho sem raiz nenhuma vai direto para um orfanato. Um filho seu, que nem se sabe de quem é, com um pai golpista, jamais será adotado. Vai acabar como você, vendendo o corpo, se afundando em drogas e morrendo largado na rua. Então crie juízo, pegue isso e suma daqui agora mesmo. Se fizer isso, agiremos como se nada tivesse acontecido.
Gordon, que despejou insultos sobre a criança sem hesitação, bateu com a mão no envelope sobre a mesa, produzindo um som alto, duas vezes consecutivas. Eles estavam cheios de certeza da própria vitória e, por isso mesmo, transbordavam arrogância. Quando a cena do animal miserável à sua frente agarrando o envelope e fugindo às pressas da mansão se desenhou com nitidez em suas mentes, Yujin, que até então apenas escutava em silêncio, finalmente falou.
— Eu recuso.
Por um instante, os dois congelaram, ainda com o sorriso no rosto. O ambiente ficou subitamente silencioso, como se o tempo tivesse parado. Yujin repetiu, com a mesma calma:
— Agradeço a gentileza, mas recuso.
— O quê acabou de dizer?
Gordon cuspiu as palavras com a voz áspera, enquanto a senhora Campbell franzia o cenho. Ao ver aquela reação, Yujin desfez o entrelaçar das mãos atrás das costas. Saboreando uma pequena vitória, continuou friamente:
— Era só isso que tinham a dizer? Então vou me retirar. Quero descansar, vim de longe.
— Ei, espera!
Gordon, que se recuperou tardiamente, levantou-se de um salto e chamou Yujin, que tentava sair.
— Não ouviu o que eu disse? Esses seus truques baratos não funcionam comigo! Vou te denunciar por fraude! Desta vez, você não vai escapar ileso como da última vez!
Ele rugiu como uma fera, mas Yujin permaneceu ainda mais calmo.
— Ótimo. Se eu estiver tentando aplicar algum golpe, façam o exame de DNA imediatamente. Fraude é crime, não é? Então é claro que eu deveria ir pra cadeia.
Diante da resposta de Yujin, a senhora Campbell e Gordon trocaram olhares nervosos. Se o exame fosse feito, o choque seria deles. Por um momento, Yujin até se pegou esperando por isso, mas sabia que jamais chegaria a acontecer. Eles também sabiam muito bem que, se aquilo fosse verdade, quem acabaria em apuros seriam eles próprios. Não ousariam avançar levianamente. Se o teste fosse realizado, o resultado seria um desastre muito maior do que imaginavam.
Talvez, no fim das contas, a senhora Campbell preferisse que a criança fosse mesmo filho de Harold.
— Se você acha que o Harold deixou algo extraordinário para você, está enganado.
A senhora Campbell falou por fim. Encarando aqueles olhos transbordando de fúria, Yujin respondeu:
— Nesse caso, se eu perder essa oportunidade, quem vai sair no prejuízo sou eu. Não é ainda melhor para a senhora Campbell?
Dizendo “Até logo”, ele se virou e rapidamente saiu da sala de visitas. Não queria lhes dar mais nenhuma chance de atacá-lo. Mesmo assim, até colocar os pés no corredor, seu coração batia como se fosse explodir. Só depois de sair e fechar a porta às pressas é que um suspiro trêmulo escapou de seus lábios.
‘Eu consegui.’
Era difícil de acreditar. Ele realmente tinha dito tudo aquilo, tudo o que estava entalado havia tanto tempo. Sua voz não tremeu. Ele não se desesperou, não choramingou.
‘Consegui.’
A emoção foi tão grande que, por um instante, até o cansaço desapareceu. Yujin soltou mais um suspiro profundo e satisfeito, ergueu a cabeça… e congelou. O mordomo estava parado no corredor, observando-o. O homem lançou um rápido olhar para suas mãos vazias e então voltou a encarar o rosto de Yujin.
— Se já terminou seus assuntos, vou acompanhá-lo até o quarto.
Com o mesmo tom monótono de sempre, o homem lançou um olhar por sobre o ombro. Só então Yujin percebeu a presença de uma criada ali atrás. Depois de entregá-lo a ela, o mordomo entrou sem hesitar na sala de estar, como se fosse lá que estivesse a pessoa a quem ele realmente devia servir. Yujin desviou o olhar e apressou o passo para seguir a criada que já caminhava à frente.
Ao retornar pelo longo corredor e abrir a porta lateral, as escadas logo apareceram. Assim como antes, era a escada usada pelos empregados. A criada seguiu em frente sem sequer olhar para trás, como se fosse o mais natural do mundo, e Yujin a acompanhou em silêncio.
Depois de subir aquela escada interminável, a criada finalmente abriu outra porta e voltou a pisar em um corredor. Foi nesse momento que Yujin sentiu uma leve tontura, havia perdido completamente o senso de direção e já não fazia ideia de onde estava.
Enquanto caminhavam em linha reta por aquele corredor comprido, a criada, assim como o mordomo, não disse uma única palavra. Com o silêncio contínuo, a excitação de antes já havia se dissipado há muito tempo e, quando o cansaço começou a pesar a ponto de ele sentir que poderia desabar a qualquer instante, a criada enfim parou diante da porta de um quarto. ‘Finalmente vou poder descansar.’ Só de pensar em ver o rosto de Ângela, parecia que a exaustão já começava a desaparecer.
Diferente do mordomo, a criada segurou prontamente a maçaneta, girou-a, abriu a porta e deu um passo para trás. Foi então que Yujin percebeu que aquela porta era diferente da anterior.
‘…Hã?’
O tamanho do quarto, visível à primeira vista, era simplesmente enorme. Por um momento, Yujin ficou perplexo e olhou para a empregada, como se perguntasse o que estava acontecendo. A mulher falou com uma voz extremamente profissional:
— Então, descanse bem.
— E-espera um momento.
Ele a chamou às pressas. Quando a criada parou e se virou, ele perguntou rapidamente:
— Minha filha… eu não vou ficar no mesmo quarto que a minha filha? Que quarto é este?
— Dormir no mesmo quarto que a criança?
Pela primeira vez, a criada demonstrou emoção. Ainda assim, foi apenas uma leve elevação no final da frase, como se estivesse surpresa. Ao ouvir aquilo, Yujin logo entendeu a situação. Naquela mansão, ninguém dormia com uma criança. Desde o nascimento, elas dormiam sozinhas em seus próprios quartos.
Mas Yujin não fazia parte daquela família.
— A Angie vai ficar ansiosa ao acordar. Eu vou dormir com a minha filha.
— Isso não é permitido.
Mesmo decidido a escancarar todas as portas se fosse preciso, a criada o barrou sem hesitar.
— É proibido causar qualquer confusão na mansão. Se insistir, não teremos escolha a não ser conduzi-lo ao anexo.
A expressão dela era inflexível. Era claro que, ao menor alvoroço, ele seria expulso imediatamente. Ele já havia passado por algo parecido uma vez e sabia melhor do que ninguém que eles eram perfeitamente capazes de fazer aquilo. No instante em que o medo tomou conta dele, a criada voltou a falar:
— Não se preocupe. Pela manhã, nós o levaremos até a criança. Houve uma ordem para que o senhor utilizasse este quarto hoje.
Com isso, Yujin percebeu que tudo aquilo já estava planejado desde o início. Provavelmente, se ele recusasse a proposta, eles já tinham preparado esse desfecho. Pensando assim, tudo fazia sentido, desde o mordomo observando suas mãos vazias, até aquele momento.
‘Então é assim que pretendem me humilhar.’
Yujin mordeu o lábio e ergueu a cabeça. Essa forma infantil de desprezar as pessoas continuava exatamente a mesma. Talvez estivessem até esperando que ele causasse um escândalo. Para usar isso como pretexto e expulsá-lo? Nem pensar.
— Está bem. Então não há o que fazer.
Antes de entrar no quarto, ele fez mais um pedido à criada:
— Se a Ângela, minha filha, acordar, por favor me avise. Sem falta.
Embora tivesse deixado uma mensagem, Yujin ainda não conseguia se livrar da preocupação com a criança. Ângela era mais calma e madura do que outras crianças da mesma idade, mas, ainda assim, não passava de uma criança. Acordar sozinha em um lugar desconhecido certamente a deixaria ansiosa. No entanto, naquele momento, não havia nada mais que ele pudesse fazer.
— Entendido.
Sem qualquer mudança de expressão, a criada respondeu de forma breve e voltou a se calar. Diante daquela reação, como se ela estivesse aguardando algo, Yujin disse:
— Obrigado. É só isso.
Depois de dizer isso e fechar a porta, o entorno mergulhou no silêncio. Yujin permaneceu ali por um tempo, parado no mesmo lugar, e então contou mentalmente até mil antes de abrir a porta com cautela. Como se zombasse da expectativa que ele nutria, seus olhos se encontraram com os da criada.
— Precisa de mais alguma coisa?
Diante da voz ainda rígida, Yujin não teve alternativa senão recuar, murmurando um não. Ao fechar a porta, seu rosto se contorceu em profunda frustração. Desse jeito, seria impossível ir até o quarto da filha. A criada parecia disposta a passar a noite inteira de guarda ali, bem em frente à porta. Não sabia se a ordem havia partido do mordomo ou da senhora Campbell, mas a intenção era cristalina.
— Droga…
Yujin xingou em voz baixa. Se Ângela tivesse ouvido, teria arregalado os olhos de susto, mas, por outro lado, se estivesse com a filha, não teria motivo algum para xingar.
Por vontade própria, ele sairia correndo naquele instante para ficar ao lado da menina, mas as pernas simplesmente não obedeciam. Talvez fosse exatamente isso que eles quisessem. Roendo as unhas, Yujin andou de um lado para o outro, inquieto. Bastaria um pretexto mínimo para que fosse expulso da mansão, e então a situação ficaria ainda pior. Ele sabia muito bem que só havia uma escolha possível. Quando as lembranças que mal havia conseguido esquecer vieram à tona, seu corpo inteiro começou a tremer sem que ele pudesse controlar. As pessoas que o desprezavam, mãos surgindo de todos os lados para agarrar seus braços e pernas, arrastando-o à força para fora da mansão e jogando-o no chão… e então, aqueles olhos violeta, escurecidos pelo ódio e pelo desprezo direcionados a ele.
A lembrança, tão nítida como se tivesse acontecido ontem, fez Yujin se sobressaltar. Ele fechou os olhos e tentou, à força, afastar o medo que insistia em retornar.
‘Não tenho escolha a não ser obedecer.’
A raiva contra a própria impotência ferveu em seu peito, mas a realidade era implacável. Ao se dar conta de que, mais uma vez, havia perdido para as artimanhas deles, a pequena sensação de vitória que sentiu instantes antes desapareceu por completo.
‘No fim das contas, eu…’
Tomado por uma onda súbita de desânimo, ele balançou a cabeça com força. ‘Acorda, não é hora de desmoronar assim.’ Repreendendo a si mesmo, forçou a imagem do rosto da filha em sua mente.
‘De manhã eu vou vê-la.’
‘O máximo que eles conseguem fazer é esse tipo de provocação infantil. No fim das contas, quem eles querem sou eu, então não vão machucar a Ângela.’
Repetindo isso para si mesmo, Yujin se virou. Só então o cenário do quarto entrou em seu campo de visão, fazendo-o parar instintivamente.
Era um quarto enorme e luxuoso, incomparável àquele de onde havia acabado de sair depois de colocar a criança para dormir. O amplo interior, com uma sala de estar separada, era maior do que toda a casa em que Yujin vivia com a filha. O teto era tão alto que dava dor no pescoço olhar para cima, e nas paredes do quarto estavam penduradas obras de pintores famosos, emolduradas em quadros gigantes. Além disso, ocupando um lado inteiro do quarto, havia uma imensa porta de vidro que dava para um terraço espaçoso de piso em mármore. Ali, ligado longamente à sala de estar, havia uma mesa redonda e cadeiras, como se fosse um lugar perfeito para tomar chá enquanto se apreciava tanto o interior da casa quanto a paisagem ampla e aberta.
Era tão extravagante que deixou Yujin perplexo por terem lhe cedido um quarto daqueles.
‘Será que foi de propósito? Enquanto minha filha fica em um quarto tão modesto, eu sou colocado em um lugar desses… querem que eu me sinta culpado?’
Se esse era o objetivo, desta vez tinham conseguido. Todas as humilhações que sofreu até então não haviam lhe causado grande impacto, mas quando o assunto era a filha, a história era outra. Desde que retornou a Delight, Yujin sentia, pela primeira vez, uma dor profunda. Ele soltou um suspiro como se estivesse gemendo e ficou parado ali por um momento antes de começar a andar lentamente. Ao abrir a porta de vidro que dava para a varanda e confirmar com os próprios olhos a vista que se estendia diante dele, um suspiro de pena saiu naturalmente.
‘Quão feliz seria se eu pudesse tomar o café da manhã aqui com a Ângela…’
Perdido em pensamentos felizes, Yujin ficou por um instante atordoado, tomado pela saudade e pela culpa em relação à filha. Logo em seguida, porém, balançou a cabeça. Eles iriam embora dali em breve. Não era hora de se perder em fantasias absurdas, precisava manter a mente em alerta. Afinal, não fazia a menor ideia de que tipo de “evento” eles estavam preparando para ele.
Yujin endureceu a expressão mais uma vez e começou a tirar a roupa com pressa.
‘Por ora, preciso descansar. Assim que amanhecer, preciso pedir para ser levado ao quarto da Angie. E nunca mais me separarei da minha filha.’
Até o dia da leitura do testamento, não podia baixar a guarda.
Com a determinação renovada, ele entrou imediatamente no banheiro conectado. Como esperado, seus ombros se encolheram involuntariamente diante do enorme espaço que se estendeu na frente de seus olhos. Sentindo o ar frio que emanava do ambiente todo revestido de mármore, abriu a torneira do chuveiro às pressas.
Depois de ajustar a água fria e quente até chegar a uma temperatura agradável, a tensão do corpo finalmente começou a se dissipar. Após lavar o corpo inteiro e o cabelo naquele banheiro confortável, vestiu o roupão que estava pendurado ali. O roupão era absurdamente grande, a ponto de ele precisar dobrar as mangas várias vezes, mas o toque do tecido era excelente. Yujin secou o cabelo de qualquer jeito com o secador e voltou para o quarto.
Ah.
Foi então que percebeu que não tinha roupas para trocar. A culpa era sua por não ter trazido a bagagem que havia deixado no quarto da Angela. Achou, naturalmente, que voltaria para lá, mas tinha sido uma suposição ingênua. Se desde o início o plano fosse fazê-lo dormir naquele quarto, o óbvio seria transferirem sua bagagem também. No entanto, esse tipo de serviço só seria oferecido a hóspedes bem-vindos naquela casa. Em outras palavras, a alguém à altura do “padrão da família Campbell”. Não havia motivo algum para o mordomo ou os empregados demonstrarem esse tipo de consideração por Yujin.
Ainda assim, não dava para chamar alguém àquela hora e mandar buscar suas coisas. Ele até pensou em vestir novamente a roupa que usava antes, mas eram peças que estava usando desde o amanhecer, cheias de poeira. Só de imaginar colocá-las de novo depois de ter acabado de tomar banho e estar prestes a se deitar, fez um sentimento de repulsa surgir imediatamente.
‘Não tem jeito.’
De qualquer forma, pela manhã alguém viria acordá-lo. Poderia pedir então que trouxessem sua bagagem. ‘Assim que trocar de roupa, posso ir encontrar Angie.’ O fato de não estar usando nem roupa íntima o incomodava, mas não havia alternativa. Depois de chegar a essa conclusão a contragosto, Yujin subiu na cama vestindo apenas o roupão.
Os lençóis eram ainda mais macios do que ele imaginara, e o conforto do colchão arrancou-lhe um suspiro involuntário. Debatendo-se um pouco sobre a cama enorme, só depois de alcançar o centro e se acomodar foi que ele finalmente se deitou, soltando um suspiro de alívio.
Ha…
Assim que suspirou, o silêncio caiu de repente. A quietude era tamanha que nem mesmo o som do vento se fazia ouvir, o que deu a Yujin uma sensação inquietante. Deitado imóvel, fechou os olhos com força. Até o som da própria respiração parecia alto demais, então passou a respirar o mais lenta e discretamente possível. Ele achou que não conseguiria dormir, tomado pela preocupação com a filha e pela ansiedade quanto ao que viria pela frente, mas, para sua surpresa, não demorou a cair em um sono profundo.
No sonho, ele estava deitado na cama. Assim como o homem deitado ao seu lado, Yujin também estava nu. Os dois, deitados frente a frente naquela cama enorme, ainda estavam atordoados pela nova experiência que haviam acabado de compartilhar. Vendo Yujin ofegante, com o rosto ainda corado, o homem, também reprimindo a respiração pesada, perguntou:
“Doeu?”
“Não.”
Foi a resposta de Yujin.
“Mentira.”
Ele disse, mas, como se não desgostasse da resposta, sorriu. Yujin acabou sorrindo também.
“Doeu um pouco…”
Confessou em voz baixa.
“Nossa…”
O homem franziu as sobrancelhas e acariciou a bochecha de Yujin.
“Desculpa… fui idiota, é que eu sou grande demais.”
“Não…”
Yujin segurou silenciosamente a mão, tão grande quanto aquilo do homem, e sussurrou baixinho.
“É só eu me acostumar.”
Assim que falou, percebeu o que tinha acabado de dizer. Os dois arregalaram os olhos, surpresos, mas as reações foram completamente diferentes. O rosto de Yujin ficou vermelho em um instante, enquanto o homem caiu na gargalhada.
Quando Yujin tentou escapar da cama às pressas, tomado pela vergonha, o homem o puxou por trás e o envolveu em um abraço. Braços grossos aprisionaram o corpo esguio de Yujin contra o peito dele.
“Você não vai a lugar nenhum.”
Ele disse, ainda rindo, enquanto beijava o ombro exposto de Yujin.
“Você agora é meu.”
“E você também é meu…”
Yujin sussurrou baixinho.
“Sim.”
Ele respondeu, sorrindo.
“Eu sou seu. Desde muito tempo atrás, e vou continuar sendo. Para sempre.”
Logo em seguida, seus lábios se encontraram. Aceitando de bom grado o peso do homem que se movia sobre ele novamente, Yujin o abraçou com alegria. Teve a vaga sensação de que seria difícil sentir uma plenitude tão perfeita em sua vida quanto aquela, novamente.
“Eu te amo.”
Sussurrou Yujin.
O homem sorriu e inclinou a cabeça. Com os lábios sobrepostos, ele sussurrou:
— Meu…
Clac.
O som pesado do metal despertou uma parte de sua consciência. Yujin franziu as sobrancelhas por reflexo, e só então seu corpo enrijeceu. O ar parecia pesado, pressionando-o por inteiro, dificultando a respiração. Sem se mexer, abriu lentamente as pálpebras. O único som que ouvia era o da própria respiração, tomada pelo pavor. O quarto escuro estava inundado pela luz da lua que entrava pela enorme janela. O sonho doce desapareceu num instante, dando lugar a uma realidade arrepiante. Apenas uma coisa permanecia inalterada: o enorme corpo do homem sobre Yujin.
Com a cabeça de costas para a fraca luz da lua, o rosto do homem ficava mergulhado na sombra, difícil de distinguir. Ainda assim, Yujin sabia exatamente quem ele era. Tão certo quanto o cano frio da arma apontado para ele. E então percebeu o que havia sido aquele som que o acordou.
O homem, que puxou o ferrolho com a arma pressionada contra a têmpora dele, sussurrou com uma voz doce como açúcar:
— Bem-vindo de volta, querido.
Winston Campbell.
Seus olhos violetas brilharam na escuridão. Pálido como papel, Yujin apenas arregalou os olhos e encarou o homem que um dia tanto amou.
°
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Continua…
Ler Beije o canalha. Yaoi Mangá Online
Interesse Romântico Seme / Gong: Winston Campbell (terceiro filho e caçula. Alfa dominante. Herdeiro do conglomerado familiar. 28 anos) Protagonista masculino. 198 cm/90 kg. Cabelo castanho-escuro. Olhos roxos. Homem de físico enorme e musculoso.
Há cinco anos, manteve um relacionamento amoroso com Seol Yujin, mas acabou se separando ao acreditar que ele havia cometido adultério com seu pai.
— Querido, ninguém neste mundo sabe melhor do que eu que tipo de vadia barata você é.
***
Personagem Principal Uke/Su: Seol Yujin (ômega. 28 anos) 178 cm/60 kg. Órfão. Corpo magro, de ossatura longa. Cabelo castanho-claro. Olhos castanhos. Pele branca. Teve uma filha, Angela, com Winston, mas é acusado de que a criança seria de outro homem.
— O que aquele homem faria se soubesse que Angela é filha dele?
***
— De quem é essa criança?
Eles foram um casal apaixonado cinco anos atrás, mas se separaram devido a um grave mal-entendido. Winston ainda acredita que Yujin manteve um caso com seu próprio pai. Após ser descartado de forma cruel, Yujin passou a viver acreditando que nunca mais voltaria a encontrá-lo e, enquanto lutava para sobreviver com a filha, acabou perdendo tudo quando um incêndio destruiu seu apartamento, deixando-os na rua.
Em meio ao desespero, ele descobre que Harold Campbell, pai de Winston, deixou um testamento em seu nome. Na esperança de conseguir ao menos alguma ajuda, Yujin decide retornar à mansão.
O reencontro com Winston é marcado por ódio ainda mais intenso. Enquanto Winston continua desprezando-o, Yujin deseja apenas receber rapidamente a herança e ir embora. Para sua surpresa, Harold lhe deixou uma herança muito maior do que o esperado. No entanto, há uma condição.
Ele deve se casar com Winston e engravidar dentro de um ano.
Yujin tentou recusar, mas a realidade não era tão simples. Como forma de vingança pelas humilhações constantes que sofre de Winston, ele acaba aceitando o casamento. O alfa, por sua vez, deixa claro que tudo não passa do cumprimento do testamento e que entre eles não resta absolutamente nada.
No entanto, contra suas expectativas, eles não conseguem controlar a atração constante que sentem um pelo outro. Ambos tentam ignorar isso, convencendo-se de que não passa de desejo carnal…
mas será mesmo?
Nome alternativo: Kiss The Scumbag