Ler Beast Alert (Novel) – Capítulo Epílogo Parte 02 Online


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❀ Epílogo Parte 02

Ao olhar para Jung Soonja, Jeongseo sentiu que finalmente entendia por que Pyo Yoontae não gostava de falar sobre sua família. De repente, a imagem do pequeno Yoontae chorando copiosamente no meio da neve surgiu em sua mente, fazendo Jeongseo abrir e fechar o punho que mantinha escondido sob a mesa.

— Eu não quero desistir de momentos felizes só porque eles podem ser difíceis. Como a senhora disse, eu e o Yoontae podemos enfrentar problemas juntos. Mas, se fugirmos por medo, no fim não sobrará nada. Entendo a preocupação da senhora, mas eu assumirei as consequências das escolhas que eu fiz.

Terminando de falar, Jeongseo finalmente se levantou. Han Jaehee o observava com o olhar vacilante.

— Sinto muito, mas acho que não será possível jantarmos juntos hoje, então vou indo primeiro. E, para ser sincero, agora não sei se a senhora está preocupada com o Yoontae ou com as aparências.

O olhar de Jeongseo, enquanto pegava a mochila no chão, atingiu Jung Soonja por um instante antes de se desviar. O fato de uma mera doninha ter a audácia de enfrentá-la fez com que a máscara que Jung Soonja ainda tentava manter caísse por completo. Seu rosto se contorceu em uma expressão medonha.

Foi nesse momento que a porta se abriu de supetão e Pyo Yoontae apareceu, com a respiração ofegante. Apenas uma pessoa ficou surpresa com sua chegada. Jung Soonja olhou para ele com incredulidade e logo franziu o cenho, encarando Han Jaehee com fúria.

— Yoontae!

Jeongseo se aproximou com um sorriso radiante, mas Yoontae estendeu o braço rapidamente, puxando-o para trás de si. Em seguida, encarou a avó e a mãe com um rosto gélido.

— O que pensam que estão fazendo?
— Você é quem deveria se perguntar isso! Se vai namorar espalhando para o mundo todo, que fosse com alguém decente…!

Antes que o clima piorasse, Han Jaehee levantou-se num salto e, com uma expressão carregada de culpa, empurrou suavemente o braço de Yoontae em direção à porta.

— Filho, vá embora logo. Eu chamei o Jeongseo de repente e ele não comeu nada. Jeongseo, sinto muito por hoje. Vou mandar um dinheiro para o Yoontae, então comprem algo gostoso para comerem juntos, tudo bem?

De dentro da sala, ouvia-se o grito de Jung Soonja perguntando se ela não pretendia voltar, mas Han Jaehee fingiu não ouvir e gesticulou para que partissem. Surpreso com a atitude dela, Yoontae a encarou por um momento, mas logo segurou a mão de Jeongseo e desapareceu rapidamente. Quando Han Jaehee entrou novamente no recinto, Jung Soonja explodiu:

— Que falta de educação é essa, mandá-los embora enquanto eu ainda falava!

Diante daquele grito, Han Jaehee não sentiu medo; em vez disso, seu rosto esquentou de vergonha.

— Mãe, isso é tão humilhante para nós, de verdade.

Até aquele garoto estava disposto a arcar com as próprias escolhas. Han Jaehee se perguntou se, em toda a sua vida, ela já havia tentado assumir as consequências de suas decisões. Ela apenas queria que todos se dessem bem, mas o que lhe restava agora? Com um semblante vazio, ela observou a mãe, cujas rugas se acentuavam pela expressão de raiva. Aquele rosto que antes lhe parecia tão assustador, agora provocava apenas um sentimento de desolação.

Ignorando a oferta do motorista de levá-los para casa, Pyo Yoontae saiu do prédio com o semblante rígido. Jeongseo, com o pulso agarrado por ele, quase era arrastado, até que acabou tropeçando nos próprios pés. No instante em que ia cair de cara no chão, ele tentou encontrar algo onde se segurar, mas Yoontae foi mais rápido em envolvê-lo e ampará-lo.

— Ah! Obrigado.

Ainda bem que não caí, pensou Jeongseo. Mas, ao olhar para cima, ele paralisou.

— Yoontae… você está chorando?

Yoontae o olhava com os lábios cerrados, parecendo sofrer enquanto tentava engolir algo. Ele permaneceu em silêncio por um longo tempo antes de conseguir responder em voz baixa:

— …Desculpe.

Ao ver a tristeza refletida naqueles olhos secos, parecia que seria melhor se ele simplesmente chorasse. Jeongseo sentiu o coração apertar e estendeu a mão para acariciar o rosto de Yoontae.

— Por que você está pedindo desculpas? Não tem motivo nenhum para isso.
— …Minha avó disse coisas estranhas?

Várias frases de Jung Soonja passaram pela cabeça de Jeongseo, mas as palavras não saíam com facilidade. Para Yoontae, aquilo foi resposta suficiente. Ele soltou um suspiro pesado de confirmação e esfregou o rosto bruscamente com uma das mãos.

— Não achei que ela viria direto para cá. Se eu soubesse que ela agiria assim, teria te avisado antes. Eu não queria te preocupar… E não queria que você visse algo assim.

Ele murmurou a última frase como se falasse consigo mesmo, em um tom ainda mais baixo. Nunca Jeongseo vira Yoontae com uma expressão tão amargurada. Suas pupilas amarelas, que tremiam levemente, alternavam entre olhar para Jeongseo e para o vazio. Ele cerrou os lábios novamente, sem sinal de que voltaria a falar.

— Yoontae, você sabe que não tem problema mostrarmos nossos lados menos bonitos um para o outro. Eu não vou te culpar ou ficar decepcionado por causa disso, você sabe, não sabe?

Os cílios negros de Yoontae tremeram acompanhando o movimento de suas pálpebras. O calor da mão que ainda envolvia seu rosto era reconfortante. Ele cobriu a mão de Jeongseo com a sua e a afastou gentilmente para baixo.

— Seu braço… deve estar doendo. Vamos para casa primeiro? Vou chamar um táxi…

Enquanto Yoontae tirava o celular do bolso, o olhar de Jeongseo foi capturado por um ônibus que passava. Ele se deu conta de que, em Seul, ainda não tinha andado de ônibus. Havia uma atmosfera e uma paisagem únicas que só o ônibus proporcionava, diferente do táxi ou do metrô.

— Em vez de táxi, vamos de ônibus? O que acha?
— Ônibus?

Diante da proposta inesperada, Yoontae hesitou por um segundo, mas Jeongseo sorriu e puxou a mão que ainda segurava.

— Vamos pegar aquele!
— Aquele?

Mesmo com a pergunta surpresa de Yoontae, Jeongseo correu em direção ao ponto. Sem perceber, Yoontae foi arrastado e os dois chegaram à porta do ônibus segundos antes de ela se fechar.

— Duas pessoas!

Antes que Yoontae pudesse pegar seu cartão, Jeongseo já havia aproximado o dele do leitor. Com o sinal sonoro, Jeongseo percorreu o interior do veículo com um sorriso. Felizmente, havia muitos assentos vazios. Ele caminhou até um banco de dois lugares e fez um sinal com os olhos para Yoontae.

— Senta na janela, Yoontae.
— Ah, sim.

O ônibus partiu. Yoontae ainda olhava para Jeongseo com uma expressão confusa antes de conferir o número da linha. Ao pesquisar rapidamente no aplicativo de mapas, viu que não era exatamente a direção oposta de casa, mas dava uma volta considerável e ainda exigia uma baldeação. Ele se perguntou se Jeongseo havia pegado aquela linha de propósito, mas parecia que não. Sem entender o motivo de estarem ali, Yoontae estendeu o celular para Jeongseo e disse:

— Jeongseo, temos que descer aqui para fazer a baldeação. Acho que vai levar uma hora e meia para chegar em casa, no próximo ponto…
— Nossa, eu nunca estive nesse lugar! Você já veio aqui?

Diante da pergunta radiante, Pyo Yoontae engoliu o que ia dizer em seguida e balançou a cabeça.

— Não, também é minha primeira vez.
— Então vai ser uma paisagem que nunca vimos antes.
— …É verdade.

Yoontae ainda não conseguia entender o motivo de terem pegado aquele ônibus. No entanto, o som constante do motor e a vibração sutil pareciam, aos poucos, dissipar os sentimentos de raiva, vergonha e injustiça que o dominavam até instantes atrás. Dentro do ônibus, às 13h37 de uma tarde de dia útil com pouquíssimas pessoas, Yoontae lançou o olhar distraidamente pela janela.

A luz forte do sol, semicerrada pelos prédios, refletia em suas pálpebras. Sentindo aquele calor acolhedor, Yoontae inclinou o corpo levemente e encostou sua cabeça na de Jeongseo. Então, murmurou como se sussurrasse:

— O motivo de eu ter me perdido na montanha e chorado quando era criança também foi por causa da minha avó. Ela me odeia… ou melhor, me detesta e me despreza, seria o termo mais correto. Por isso eu odiava ir para a casa da família da minha mãe; lá não havia ninguém ao meu lado.

Era o passado que ele jamais quisera revelar a ninguém e o presente que mantinha escondido. Pyo Yoontae abria o coração pela primeira vez, mas, por algum motivo, não sentia tensão nem desconforto. Talvez fosse porque o barulho do motor garantia que sua voz seria ouvida apenas por Seo Jeongseo, ou talvez fosse graças à mão pequena que, sem que ele percebesse, segurava a sua com suavidade.

— Só de a minha avó estar por perto, eu sentia vontade de fugir. Meu estômago chegava a revirar de ansiedade, pensando em que motivo ela usaria para se zangar daquela vez. Sempre que eu ia para lá, sentia que era um ser que não deveria existir.

Yoontae deixou que seus segredos mais tristes e profundos fluíssem de forma baixa e serena para a pessoa de quem mais desejara escondê-los. Ele fazia longas pausas enquanto falava e, às vezes, observava a reação de Jeongseo. Quando toda a história terminou, como se tivessem planejado, já haviam chegado à porta de casa. Seus olhares se cruzaram diante da porta, mas não houve troca de palavras. Sentindo um leve embaraço que só agora o atingia, Yoontae digitou a senha da fechadura eletrônica e disse:

— Por isso, Jeongseo, de agora em diante, se minha mãe ou minha avó pedirem para te encontrar sem eu estar junto, apenas use a minha desculpa e não vá. Minha mãe vai ficar um pouco chateada, mas… ela vai entender.

A porta se abriu e Jeongseo seguiu Yoontae naturalmente para dentro de casa. Yoontae sempre parecera muito maior e mais confiável que ele, mas hoje, por algum motivo, parecia extremamente frágil.

“Vou fazer filhotes logo.”

Aquela frase sobre fazer filhotes assim que encontrasse seu primeiro amor… Na época, Jeongseo achou que era uma mentalidade avançada demais para um estudante do ensino médio, mas agora ele começava a compreender.

“Formar um par e viver feliz olhando apenas um para o outro até o dia da morte.”
“Vou para a escola e vou trabalhar para conquistar isso.”

A obsessão por ter sua própria família e o apego ao primeiro amor que viu brevemente na infância eram partes de Yoontae que nunca haviam sido preenchidas. Ao lembrar novamente do rosto do pequeno Yoontae chorando, Jeongseo sentiu um nó na garganta e, ao mesmo tempo, uma imensa admiração por ele.

Como Jeongseo permanecia parado na entrada sem tirar os sapatos, Yoontae o olhou intrigado e soltou um riso baixo.

— Por que você está querendo chorar, Jeongseo? Não chore, isso parte o meu coração.
— Você deve ter sofrido tanto… É admirável que tenha crescido e se tornado uma pessoa tão carinhosa. Se fosse eu… eu passaria o tempo todo apenas guardando rancor e não conseguiria amar ninguém.

Mesmo naquele ambiente solitário, Pyo Yoontae escolheu amar em vez de odiar os outros ou sentir inveja da felicidade alheia. Se Jeongseo tivesse tido uma infância tão desprovida de afeto, certamente teria crescido de forma tortuosa. Ele não saberia como dar ou receber amor. Yoontae baixou o olhar por um instante e o ergueu novamente, dizendo:

— É graças ao fato de você estar ao meu lado na minha infância e agora que eu estou bem. Você foi carinhoso comigo, Jeongseo. Minha gentileza nasceu de você.

Jeongseo não conseguiu responder de imediato. Realmente… Pyo Yoontae era uma pessoa impossível de não amar. Dizer algo assim em uma situação dessas… Jeongseo sentiu as emoções transbordarem tanto que o peito doeu e, sem nem tirar os sapatos, abriu os braços e o abraçou com força.

— Eu estarei sempre do seu lado, Yoontae. Eu te amo de verdade.

Surpreso com o abraço repentino, Yoontae sorriu levemente após um instante e respondeu:

— Eu também. Gosto muito de você e te amo, Jeongseo.

O calor de ambos era transmitido nitidamente através das roupas até a pele. Antes que Jeongseo se afastasse, ele roçou sua bochecha na de Yoontae. No momento em que ia recuar, seu queixo foi segurado de leve e erguido. O rosto de Yoontae já estava perigosamente perto do seu. Sem tempo de dizer que ia tirar os sapatos, seus lábios se sobrepuseram. Roçando suavemente a pele dos lábios dele, Yoontae mordeu levemente o lábio inferior de Jeongseo antes de soltá-lo.

O aroma dos feromônios dele se espalhou pelo ar, fazendo Jeongseo sentir um formigamento arrepiante da cintura para baixo. Não perdendo a brecha dos lábios entreabertos, a língua de Yoontae invadiu junto com o perfume intenso. A mão que segurava o queixo agora envolvia as costas de Jeongseo, obrigando-o a ficar na ponta dos pés. O que antes era apenas um toque brincalhão na ponta da língua, agora pressionava e massageava o céu da boca sensível.

— Ah…

Sentindo o toque lento naquela região rugosa, uma cólica estranha de prazer atingiu seu baixo ventre. Suas línguas se entrelaçaram e o calor se espalhou por todo o corpo. Cada vez que Jeongseo soltava um suspiro arfante, o doce aroma de cacau fluía, fazendo Yoontae afastar os lábios por um breve segundo apenas para devorá-los novamente com urgência. O corpo de Jeongseo foi sendo empurrado até que suas costas tocaram a parede da entrada.

Nesse momento, o som nítido da porta se fechando ecoou com um “baque”, fazendo o corpo de Jeongseo sobressaltar e sua consciência despertar bruscamente. Por mais que aquela casa tivesse um bom isolamento acústico, a entrada era um local onde o som costumava vazar com mais facilidade. Mesmo agora, era possível ouvir passos baixos vindos do corredor.

— Yoontae, chega, vamos para den… tro…

De repente, o corpo de Jeongseo foi virado, ficando de frente para a parede. Sem entender o que estava acontecendo, ele tentou olhar para trás, mas Yoontae sussurrou baixinho:

— Jeongseo, você consegue segurar bem o som, não consegue?

O significado daquelas palavras era óbvio demais para precisar de explicação. Jeongseo estava apenas atordoado, sem entender por que a situação havia tomado aquele rumo tão de repente.

— Por que…? Por que quer fazer aqui?

Continua…

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✦ Tradução, revisão e Raws: Othello&Belladonna

Ler Beast Alert (Novel) Yaoi Mangá Online

Sinopse:
“Predadores, nem falem comigo.”
Um alfa dominante, um transmorfo de pantera negra e herdeiro de um chaebol.
Yoontae, que parece o herói de um drama de TV, se muda para a cidade rural de Jeongseo, dizendo que está à procura de seu “primeiro amor”.
Jeongseo, um feroz transmorfo de doninha, odeia predadores!
Ele achou que fazer amigos estava fora de questão desta vez também…
— Jeongseo, seja meu amigo.
— E-eu não faço amizade com pessoas de gênio ruim.
Por algum motivo, Yoontae continua se envolvendo com Jeongseo.
Mas o que ele deve fazer?
Parece que o “primeiro amor” que Yoontae está procurando… provavelmente é Jeongseo.
— Então, o que você faria se encontrasse seu primeiro amor?
— Eu acasalaria com ele na hora.
“Certo, eu nunca posso deixar que ele descubra!”
Mas Jeongseo não sabe. Já é tarde demais.
Nome alternativo: Predator Alert

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