Ler Autobahn Romance (Novel) – Capítulo 01 Online

Autobahn Romance Vol 1 — P1
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Explicação significado dos nomes:
╰┈➤ Gong Pyeonghwa = Justiça, Paz
╰┈➤ Shin Saebyeok = Amanhecer, Novo dia
╰┈➤ Isul = Orvalho
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Verbena
— Ainda que a vida o engane, não se entristeça nem se enfureça. — Acho que existia um ditado assim, mas e se a vida me enganar e eu ficar confuso pra caralho, o que eu faço?
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A reunião de ex-alunos que tive logo após me formar na faculdade parecia, com um pouco de exagero, um mangá shounen cheio de sonhos e esperanças, mas em poucos anos os meus colegas que haviam se tornado adultos tinham engordado bastante ou estavam com menos cabelo.
Será que envelhecer e se tornar adulto é tudo assim?
O cara que disse na última reunião que ia abrir um negócio faliu grandiosamente e nem deu as caras desta vez.
O sujeito que começou um novo empreendimento ficou alugando quem estava ao lado perguntando se não precisava de um purificador de água, e outro que tinha mudado de emprego estava vendendo seguros.
A realidade deve ser isso mesmo.
Eu achava que bastava envelhecer para todo mundo virar adulto, mas ser um adulto comum exigia um esforço tremendo.
Que amargo.
Parecia que não era só eu, já que todos tentavam engolir a amargura com bebida.
Um gole relembrando os tempos em que éramos corajosos e ingênuos por não conhecer o mundo, um gole pensando que quando o fim de semana acabasse teríamos que ir trabalhar e quebrar a cabeça, mais um gole pensando no primeiro amor que mudou.
Bebendo e inventando um motivo para cada gole, e depois outro gole só porque já estavam bêbados.
O cara que foi chamado de otário durante toda a época de escola estava exatamente igual àquele tempo.
De óculos, com jeito de CDF, ombros estreitos mas com barriga saliente, um pouco calvo e ainda com a pele ruim, mas a risada dele era a mais alta.
Um sujeito cujo nome eu nem lembrava, ah, não lembrava o nome, mas lembrava da nuca dele. Era o cara que sentava sempre na primeira fileira para fazer perguntas.
O rapaz que não conseguia se impor na época de escola tinha virado médico e estava se gabando de uma namorada oito anos mais nova, espera, ele não é um vigarista? Aquele ali.
Oito anos? Nós temos vinte e oito, uma namorada oito anos mais nova? Isso não é ilegal?
Não apenas ele, mas todos os que tinham algo do que se gabar estavam com os ombros estufados e rindo alto. Parecia que tinham esperado apenas por este dia, a ponto de fazer meus ouvidos doerem.
Sem romance e apenas com segundas intenções, a reunião de ex-alunos aos vinte e oito anos era desse jeito.
A reunião que perdeu o romance era puramente instrumental.
Pedidos de indicação de emprego, ouvir informações sobre ações, venda de mercadorias, se gabar, inflar o ego com arrogância, distribuir convites de casamento…
Até eu tinha vindo porque disseram que Gong Pyeonghwa apareceria desta vez, mas pelo visto era um boato falso.
Gong Pyeonghwa, tenho muito a dizer sobre esse cara.
Fomos da mesma sala do primeiro ao terceiro ano do ensino médio, e eu me orgulhava de dizer que éramos bem próximos, mas rompemos o contato assim que nos formamos.
— A propósito, não disseram que o Gong Pyeonghwa vinha?
— É porque ele está envergonhado. A família dele faliu, sabe.
Pelo que ouvi, disseram que a família dele tinha falido.
Gong Pyeonghwa era um cara tão famoso na época que não havia ninguém na nossa escola que não o conhecesse.
Para começar, ele tinha uma aparência que chamava a atenção, e até a sua condição como alfa era única. E, acima de tudo, ele era imaturo.
Para você ter uma ideia do nível de imaturidade, Gong Pyeonghwa lembrava uma criança do ensino fundamental.
Ele lançava tendências estranhas. Coisas como telefone de copo de papel, amigo secreto e coisas do tipo.
Para nós, que estávamos morrendo de vontade de não estudar, eram propostas radiantes, então aceitávamos de bom grado, mas honestamente, quando ele sugeriu jogar batata frita um, dois, três no corredor durante o horário de estudo autônomo, achei que ele fosse um louco.
Claro que eu acabei jogando também. Foi divertido.
Teve uma vez que fomos pegos jogando batida com tsurus de papel e fomos arrastados.
Também fomos pegos entrando escondidos na sala de transmissão para tocar música.
Ei, espera aí. Pensando bem agora, será que eu fui reprovado no vestibular por causa desse desgraçado?
Enfim, Gong Pyeonghwa era esse tipo de cara.
Pensando bem, ele é um tremendo filho da puta. Será que as memórias realmente são romantizadas com o tempo?
Os caras que compareceram à reunião desta vez deviam estar divididos meio a meio.
Aqueles que queriam ver Gong Pyeonghwa depois de muito tempo e aqueles que queriam avaliar o estado de Gong Pyeonghwa agora que ele envelheceu.
Os primeiros deviam ser caras como eu, e os últimos provavelmente…
— Eu disse que fazer sucesso quando jovem não adianta nada.
— O presente é o que importa. Eu não ia falar para não parecer que estou me gabando, mas desta vez eu…
Devem ser caras como esses.
Não vieram da outra vez, mas correram para cá ao ouvir o boato de que Gong Pyeonghwa viria. Que coisa.
Já tinham se passado trinta minutos desde o início da reunião e, vendo que não havia sinal dele, parecia mesmo que Gong Pyeonghwa não viria.
Ao perceberem que Gong Pyeonghwa provavelmente não viria, um por um começou a falar pelas costas.
Os caras que não estavam interessados na conversa sobre Gong Pyeonghwa ficaram mexendo nas bolsas, parecendo que a qualquer momento um convite de casamento surgiria em cima da mesa.
Tenho que sair antes de ser assaltado pelo dinheiro do presente de casamento.
— Vou fumar um pouco.
Eu não tinha nenhuma bagagem, tinha vindo apenas com o corpo, então bastava sair assim.
Como já tinha comido o suficiente para não desperdiçar a taxa de participação, não tinha arrependimentos.
Vou fumar apenas um cigarro na área de fumantes e ir para casa deitar. E nunca mais vou sair de casa.
Colocando o cigarro na boca, eu estava traçando um plano genial de apenas respirar em casa durante todo o fim de semana, mas o fluido do isqueiro parecia ter acabado, pois ele nem ameaçava acender.
— Ei, me empresta um fogo.
— Sim.
Peguei o isqueiro emprestado de um cara cujo nome eu não lembrava, mas de quem tinha uma vaga lembrança de termos feito a mesma aula, só que o dele também estava nas últimas, igual ao meu.
Mesmo girando a engrenagem a ponto de gastar a digital do polegar, apenas faíscas saíam.
Será que alguém está fazendo macumba para eu não fumar? Hoje não deve ser o meu dia.
Mas você acha que eu não vou fumar por causa disso?
Voltei para a mesa e peguei um isqueiro emprestado.
Por medo de sofrer um golpe e jogarem um convite de casamento no meu bolso, levantei-me apressadamente e, naquele momento, vi uma luz.
— Ah…?
— Ah, ah…!
Todos perderam as palavras.
Eu também me assustei e perdi o isqueiro.
Mesmo com o isqueiro rolando pelo chão, ninguém se deu ao trabalho de juntar. Era compreensível. Eu mesmo não pensei em juntar.
Porque vi algo chocante demais.
— Buá! Buá!
Um bebê recém-nascido aparecendo no local da reunião de ex-alunos? Isso seria apenas algo para se surpreender um pouco porque o bebê era fofo, não era algo chocante.
— O tetê da nossa Isul? Tetê?
Mas e se o pai daquele bebê fosse alguém que eu conhecia?
E se um amigo com quem eu não tinha contato há quase dez anos aparecesse na reunião de ex-alunos carregando um bebê num canguru na frente, de mãos dadas com um homem? E se ele estivesse usando uma roupa combinando com a desse homem? E se estivesse balançando um chocalho falando com voz de bebê?
Não seria chocante?
É como eu estou agora.
Gong Pyeonghwa, que não fazia a menor ideia de como estava o meu coração, falou com um ex-colega que estava por perto com um rosto amigável, fingindo conhecê-lo.
— Nossa, quem é esse? Não é o Mansu?
Mas aquele cara não era o Mansu.
— Ah, não, eu sou o Kang Yunseong.
Isso. É o Yunseong.
— Ah, eu sei. Eu sei. É brincadeira.
O cara que deu tapinhas no ombro do outro fingindo intimidade tinha a voz calma, mas as pupilas tremiam violentamente.
Todos os presentes perceberam. Que Gong Pyeonghwa estava fingindo conhecer um ex-colega de quem nem lembrava o nome.
Mesmo assim, ninguém cobrou ou chamou a atenção dele.
Porque havia algo mais curioso antes disso.
Gong Pyeonghwa, que tinha desaparecido sem deixar rastros, Gong Pyeonghwa, a quem ninguém na escola desconhecia, o cara bonito, imaturo e que era apenas uma criança grande do primário, ainda tinha uma aparência vistosa.
A pele dele parecia brilhar e, como já era alto antes, parecia ter crescido ainda mais nesse tempo, exibindo uma ótima aparência.
Ao contrário dos rótulos desonrosos associados a Gong Pyeonghwa, como o de que a família tinha falido ou que ele tinha ido para a cadeia, Gong Pyeonghwa parecia o mesmo de sempre.
Ainda sorria de forma radiante, ainda parecia muito brincalhão, ainda parecia imaturo e ainda parecia o Gong Pyeonghwa de sempre.
Não, ele parecia ainda melhor do que o Gong Pyeonghwa da minha memória, de quando ele era um garoto ingênuo.
Encontrar um amigo depois de muito tempo e vê-lo aparecer sem mudar nada é algo alegre, de certa forma. Não, deveria ser algo alegre.
— Buá! Buá! Buá!
Mas por que o bebê?
No meio da confusão, meus olhos se cruzaram com os de Gong Pyeonghwa. Passando por Kang Yunseong, ele imediatamente fingiu me conhecer com alegria.
— Oh. Quem é esse! Meu querido amigo, não é o Woojeong?
Nossa. Esse cara realmente continua o mesmo, hein?
— Não é Woojeong. É Seon Woojung . É nome de uma sílaba só, seu desgraçado.
— Woojung e Pyeonghwa. Ainda me lembro.
— A sua memória está errada.
Na verdade, não era uma memória totalmente errada.
Na época, como o espaço no meu crachá não foi respeitado, tínhamos o apelido irônico de a gangue da Amizade e da Paz.
O motivo de eu ter sido reprovado no vestibular certamente foi por causa de Gong Pyeonghwa.
— Você continua com a mesma cara. Que bom te ver. Quanto tempo faz?
Eu tinha muitas curiosidades sobre Gong Pyeonghwa.
Por que ele tinha desaparecido assim sem dizer nada, por que não tinha ido à cerimônia de formatura, se ele realmente tinha matado alguém como diziam os boatos, se estava vivo.
Mas enquanto eu estava tão curioso, parece que esse desgraçado só não veio porque dormiu demais. E deve ter jogado o celular na sopa.
Mesmo assim, eu pensava vagamente que ele estaria vivendo bem em algum lugar, mas o rosto dele está bom demais, não acha?
Ainda assim, por garantia, puxei Gong Pyeonghwa para fora.
Esse desgraçado, mesmo sendo arrastado por mim, ficava mandando beijos voados para o parceiro dele, dizendo para não se preocupar.
Ah. Que irritante.
Tentei ignorar a irritação que subia aos poucos e arrastei Gong Pyeonghwa para trás da loja, onde parecia não haver ninguém.
Havia algo que eu queria dizer primeiro quando o encontrasse, mas agora tanto faz. Decidi tirar minhas dúvidas primeiro.
— Fale a verdade. O que…
— Tudo bem. Vou falar a verdade. Vou direto ao ponto.
Eu ainda não terminei de falar, seu desgraçado.
— Esta semana é a festa de primeiro ano da nossa princesa. Faça questão de comparecer para honrar o evento com a sua presença.
Antes que eu pudesse dizer algo, esse filho da puta, não, esse amigo, não, esse tremendo filho da puta me entregou um convite de festa de primeiro ano.
Ele jogou um convite de festa de primeiro ano bem na cara de alguém que estava calculando como fugir para não receber um convite de casamento. Esse desgraçado.
Gong Pyeonghwa era filho de uma família rica.
O cara que na escola ia escondido à cantina durante a aula para comer pão, e que se não gostasse da merenda reunia os moleques escondido atrás do campo de esportes para pedir frango frito, o desgraçado que lambia a tampa do iogurte com uma dedicação tremenda, na verdade era um jovem mestre. Eu já tinha sentido isso quando fui à casa dele, ele certamente era um cara cheio da grana.
O jovem mestre precioso de uma casa onde residiam um mordomo e empregadas.
Nem preciso falar da sensação de traição daquela época.
O desgraçado que sempre comia o meu miojo dizendo — Só uma mordida. — quando eu cozinhava, tinha muito dinheiro?
Fiquei meio irritado, mas como o miojo feito pelos outros sempre parece mais gostoso do que um miojo com tudo dentro, achei que dava para aceitar.
De qualquer forma, como um cara rico assim rompeu o contato e desapareceu sem deixar rastros junto com a formatura, achei que a família dele realmente tivesse falido como diziam os boatos.
Inclusive cheguei a ir à casa dele, e embora não houvesse selos vermelhos de penhora, o dono da casa tinha mudado.
Achei que ele não tinha conseguido falar comigo porque teve que fugir no meio da noite, e ele me dá um convite de festa de primeiro ano do nada?
Não é nem casamento, é festa de primeiro ano?
Isso é um alívio, mas o que significa tudo isso, afinal?
— O que aconteceu com você?
— Aconteceram muitas coisas, e também passei por muitas dificuldades…
Pensando no passado, as pupilas de Gong Pyeonghwa ficaram marejadas.
Não me diga, não me diga…
Pensando bem, ele veio de mãos dadas com um homem agora há pouco, e ainda estava acalentando o bebê no canguru.
Por mais que eu pensasse, era difícil pensar em uma direção positiva.
Um amigo que sumiu e apareceu na reunião de ex-alunos segurando a mão de um homem desconhecido e carregando um bebê.
Gong Pyeonghwa, que cresceu na fartura, mas sumiu após a falência da família e nem foi à formatura.
Um cara que só tinha o corpo saudável pode ter trabalhado em obras de construção civil.
Porque, embora o interior fosse de uma criança do primário, a carcaça externa dele era excelente.
E então uma madame cheia da grana fisgou o Gong Pyeonghwa criança grande que não sabia de nada? E depois de uma gravidez não planejada e do parto, jogou o bebê nos braços de Gong Pyeonghwa?
— Enfim, você só precisa ir à festa de primeiro ano para honrar o evento com a sua presença.
Vendo que não há nenhuma menção sobre casamento e ele vai direto para a festa de primeiro ano… no final das contas é dinheiro? Ele está precisando de dinheiro? Ainda não pagou tudo? Precisa de dinheiro rápido? Apareceu de repente na reunião para arrecadar dinheiro? Com razão. O bebê parece já ter uns dois anos.
— Caralho. Fale a verdade. Você, você, de quanto precisa? Quanto eu tenho que te dar? Quanto basta!
— Você pode ir apenas com o corpo.
— Deixe o orgulho de lado e fale a verdade!
Na minha imaginação, Gong Pyeonghwa já tinha se tornado um prostituto trágico.
Gong Pyeonghwa, que foi abandonado pela madame e vagava pelas ruas com o bebê até ser recolhido por um homem gay.
Embora ele não tivesse a menor capacidade de ganhar a vida, por ser um alfa com um corpo robusto, acabou sendo acolhido por um homem gay que estava de olho no corpo dele.
E aquele homem é o mesmo que entrou de mãos dadas com ele agora há pouco.
Aquele homem é o seu sugar daddy ou algo assim?
É crise de ciúmes ou o quê?
Uma pessoa que nem é ex-aluno vir de mãos dadas e com roupas combinando não faz sentido se não for crise de ciúmes.
— Não, é sério. Estou falando sério. E não grite. Vai acordar a nossa Isul.
O jeito de acalentar o bebê não era nem um pouco desajeitado. Parecia acostumado. Estranhamente, Gong Pyeonghwa parecia uma boa esposa e mãe sábia.
Não pode ser. Coisas que acontecem nos romances que a filha da minha mãe lê acontecendo na realidade.
— Você, por acaso, dá o… dá o corpo por dinheiro ou algo assim, desse jeito? Seu louco. Você tem que viver de forma honesta. Um cara com os membros perfeitos vendendo o corpo por falta do que fazer.
— Do que você está falando?
Gong Pyeonghwa tombou a cabeça para o lado com uma cara de bobo, como se não estivesse entendendo.
— Você, você, você, dá o corpo para o homem que entrou com você agora há pouco, é isso!
— O homem que entrou comigo?
Gong Pyeonghwa deu um sorriso malicioso.
— Ah, eu dou para ele? Ah? Eu dou para ele? Humm, então eu dou para ele no final das contas? Quer que eu dê uma hoje também? Quer que eu faça um irmãozinho para a nossa Isul?
O que é esse tiozão pervertido? Como se a palavra malicioso existisse apenas para Gong Pyeonghwa, ele deu um sorriso verdadeiramente malicioso.
Gong Pyeonghwa tapou os ouvidos do bebê enquanto falava asneiras.
— Mas acho que tem que ser assim, né? Vai parecer muito com a noite de núpcias, né? Como é a primeira vez na Coreia? Vai ser muito inovador, né?
O que, o que ele está falando, esse desgraçado.
— Rapaz, a noite de hoje vai ser meio quente, hein? O que eu faço? Ah, o que fazer, vou amar pra caralho.
Até onde as suas bochechas vão subir? Que coisa horrível de se ver.
O rosto que eu não via há quase dez anos me cansou em apenas dez minutos. Acho que já vi esse desgraçado por tempo demais.
— Você não está saindo com um homem por causa de dinheiro?
— Seu louco. Você não faz jus ao seu nome, hein? Não tem consideração. Não tem consideração. Eu saio com ele porque o amo, que história é essa de dinheiro?
De repente, eu me tornei uma pessoa materialista.
Que injustiça do caralho, hein?
— Eu pareço tão sem dinheiro assim? Por que você pensa isso? Não foi só você, os outros caras também disseram a mesma coisa.
— Correu um boato enorme de que o negócio da sua família tinha falido.
— Ah, nossa. Eu não te contei?
— O quê?
— Você está com o celular aí agora?
Tirei o celular do bolso sem dizer nada e o estendi.
Mas Gong Pyeonghwa não pegou o celular, apenas apontou com o dedo e disse:
— Isso é feito pela empresa do meu pai.
— …
— A nossa casa está prosperando pra caralho.
Esse filho da puta?
No lugar do prostituto trágico Gong Pyeonghwa, desenhou-se o segundo filho de uma família de conglomerado.
Uma sensação de traição indescritível me invadiu. Que tremendo filho de uma puta.
— …Então você é simplesmente gay? Aquele homem é o seu… a… amor? Algo assim? E você não ia à escola porque estava confuso com a sua identidade sexual?
Então o bebê nos braços dele foi adotado? Pois é, histórias como as dos romances que a filha da minha mãe lê não teriam como existir na realidade.
O fato de o meu amigo ser gay era um pouco chocante, mas ainda bem que ele não estava sendo perseguido por cobradores de dívidas nem vendendo o corpo como um prostituto trágico.
— Ah. Teve um motivo para isso. Não foi por esse motivo…
Eu estava confiante de que conseguiria aceitar qualquer que fosse o motivo. No dia da formatura, um portal poderia ter se aberto e ele poderia ter sido transportado para outra dimensão para salvar o mundo, voltando quando a formatura já tivesse terminado.
— Antes de ir ao intercâmbio, fui fazer um mochilão e acabei ficando perdido lá.
Que desgraçado maluco que faz a preocupação parecer inútil. É tão absurdo que nem consigo pensar em nada.
— …Certo. Que bom que você parece ter encontrado o seu verdadeiro amor.
Vamos manter a calma.
— Acho que formam um belo casal, e a festa de primeiro ano… Ei. A minha cabeça diz para dar trezentos mil won, mas o meu coração diz que até três mil won é desperdício com você, o que eu faço?
— Não é?
Você pelo menos tem semancol.
— Nós combinamos pra caralho, né?
Filho da puta. Eu achava que ele só não tinha semancol, mas ele também não tem semancol nenhum.
— Todo mundo ficou de boca aberta. Bom, desde antigamente você, Woojung , era meio aberto e sem preconceitos.
Não. Eu também me assustei pra caralho e deixei o isqueiro cair. Na verdade, ainda estou muito assustado.
— Mas eu achei que você saberia, já que me casei com o Saebyeok e não com outra pessoa.
— O quê?
— O Manseok me perguntou. Por que nós dois estavamos de mãos dadas.
Não é Manseok, é Yunseong. Não, espera aí, isso não é o importante, quem?
— Ei. Quem? Quem?
— Manseok.
— Yunseong, seu desgraçado.
Ah, é mesmo. É mesmo. Gong Pyeonghwa sorriu de forma descontraída e corrigiu .
— Saebyeok?
Antes eu estava tão assustado que não consegui olhar direito para a pessoa que estava ao lado de Gong Pyeonghwa.
Pensando bem agora, parecia ser um rosto familiar. Ou seja, pensando bem…
— Shin Saebyeok?
— Hã?
— O Shin Saebyeok que você vivia provocando?
— Hã?
— Shin Saebyeok?
— Hã? Sim!
Você é uma foca para ficar fazendo hã, hã…
Sim, Shin Saebyeok. Na verdade, quando se falava em Gong Pyeonghwa, Shin Saebyeok não podia ficar de fora.
Não num bom sentido, e pelo que eu via, Shin Saebyeok era bonzinho e deixava passar quieto, mas aquilo era violência escolar.
Aquele Gong Pyeonghwa, não sei que rancor ele guardava de Shin Saebyeok, não fazia isso com os outros garotos, mas era hostil especialmente com Shin Saebyeok.
Gong Pyeonghwa, surpreendentemente para a sua situação, era bom nos estudos. Ele ficava vadiando comigo, mas as notas dele ficavam no topo da escola inteira.
E Shin Saebyeok, exceto pelo primeiro ano, foi o primeiro lugar isolado da escola até se formar.
Ou seja, os dois eram rivais no que dizia respeito às notas.
E entre os dois, quem guardava ressentimento contra o outro era definitivamente Gong Pyeonghwa, e não Shin Saebyeok.
Ele provocava o garoto com tanto empenho que eu sentia pena só de olhar, e sempre que os dois iam ficar juntos, eu me enfiava no meio para intervir.
Mas os dois estão num relacionamento amoroso. E até se casaram.
Isso não é uma questão de preconceito, é confuso pra caralho.
Eu sou alguém que sabe como Gong Pyeonghwa provocava Shin Saebyeok. Eu.
— My lovely fiancé cute pretty beauty done.
— Ah, chega de cafonice… Não, tanto faz, desde quando?
— O quê.
Desde quando os dois estão de rolo?
Se eu fosse o Shin Saebyeok, mesmo que Gong Pyeonghwa viesse me pedir em namoro trazendo três bilhões de won em dinheiro limpo e sem preocupações com impostos, eu pegaria os três bilhões de won e o denunciaria à polícia…
Isso é o quê, aquele tal de arrependimento das histórias que a filha da minha mãe lê? Eu sabia que ele era como uma criança do primário, mas será que ele demonstrava que gostava através de provocações?
Esse Shin Saebyeok não é um otário? Não, será que ele foi chantageado? Se for o Gong Pyeonghwa, ele seria bem capaz de…
— Ah. Nós começamos a namorar no segundo ano do ensino médio. O primeiro ano foi a paquera.
O quê.
Parece que o mundo está me enganando agora. Isso não é uma reunião de ex-alunos, é o Show de Truman.
— Eu não te contei?
— Só não conte.
Eu já levei choques suficientes por hoje. Ainda bem que sou um ser humano, se eu fosse um airbag, já teria perdido a utilidade.
— Lembro daquela época.
— Não estou curioso.
— Há exatos vinte e três anos, quando eu estava na minha fase de muita curiosidade…
— Ei, você não está me ouvindo?
As pupilas de Gong Pyeonghwa brilharam com nostalgia.
— O nosso Saebyeok, que conheci quando tinha cinco anos, era fofo pra caralho e muito mal-educado. Eu me esforçava para puxar conversa e ele me ignorava.
Você também está sendo mal-educado agora, ignorando o que eu digo e falando apenas o que quer. Um cara que nem é fofo.
Gong Pyeonghwa e Shin Saebyeok se conheciam desde a infância.
Como se costuma dizer sobre o mundo em que eles vivem, o mundo deles era assim.
— Saebyeok, olhe ali, está vendo aquele garoto? O de roupa azul.
Os pais competiam entre si, e os filhos herdaram a competição.
— Gong Pyeonghwa. Escute bem. Se não prestar atenção, não tem lanche hoje.
— Epa! Isso não seria abuso infantil?
— Como você fala bem. Enfim. Hoje você não pode bater em ninguém. Aqui é mais importante do que o jardim de infância. Entendeu?
Graças aos pais que praticavam o ditado de mantenha os inimigos por perto, as crianças se conheceram cedo.
— Não perca para ele nem no pedra, papel ou tesoura! Entendeu?
— Hoje especialmente é assim, mas nunca mostre nenhuma fraqueza para ele. Não mostre um lado fraco, entendeu?
Gong Pyeonghwa e Shin Saebyeok também se conheceram assim.
E Gong Pyeonghwa não conseguia entender aquela situação.
Até pouco antes, estavam cobrindo o garoto de elogios dizendo que ele se manifestaria como alfa quando crescesse e que parecia muito esperto, e do nada mudaram de expressão dizendo para não perder.
— O mundo dos adultos… Que coisa. Falam coisas absurdas para um filho tão fofo.
Pensando assim, Gong Pyeonghwa se aproximou de Shin Saebyeok primeiro. Fosse o que fosse, ele preferia alguém da mesma idade do que os adultos sem graça.
— Vou brincar com ele. Vou chamar para comer pudim.
Ignorando a recomendação dos pais, Gong Pyeonghwa correu até Shin Saebyeok.
— Ei. Você gosta de pudim? Quer comer pudim?
— …N-Não quero!
— É? Então do que você gosta? Ei. Você gosta de dinossauro?
— …
Gong Pyeonghwa já não tinha outra intenção a não ser fazer amizade com Shin Saebyeok.
— Se o espinossauro e o tiranossauro lutarem, você sabe quem ganha?
— …
— Ignorando. Que arrogante.
Gong Pyeonghwa tinha hábitos de linguagem poluídos por ter um irmão bem mais velho.
— Que antipático.
A primeira impressão de Shin Saebyeok para Gong Pyeonghwa não foi boa.
— Como posso dizer, foi como se os sentimentos tímidos de um garoto tivessem sido pisoteados.
— Não estou curioso.
— Continuamos nos encontrando depois disso por causa dos nossos pais, sabe? Ele era antipático toda vez que o via.
— Está me ignorando?
Seon Woojung , que tinha hábitos de linguagem incorretos, xingou por dentro também.
— Ignorando. Gong Pyeonghwa é um desgraçado arrogante pra caralho.
Gong Pyeonghwa, que não se importava se Seon Woojung o ignorava por fora ou por dentro, continuou falando o que queria.
— Afinal, o pai do Saebyeok, quer dizer, agora ele é meu sogro. Como os negócios do meu sogro continuavam coincidindo com os do meu pai, passamos a nos encontrar com ainda mais frequência.
Gong Pyeonghwa e Shin Saebyeok frequentavam a mesma região escolar.
Tanto quanto os negócios dos pais de ambas as famílias, Gong Pyeonghwa e Shin Saebyeok eram comparados e batiam de frente. Querendo ou não, eles costumavam ser assunto na boca dos outros.
Mesmo sem trocar uma única palavra, o ambiente os levava a estarem conscientes um do outro e a se odiarem.
Gong Pyeonghwa, que tinha gostado de Shin Saebyeok à primeira vista porque ele tinha a pele clara, a voz suave e os olhos arredondados, agora odiava Shin Saebyeok.
Parecia que, mesmo jogando futebol juntos, se Shin Saebyeok caísse sozinho, inventaria que quebrou um osso só para abrir um processo.
— Garoto fraco. Um homem que não pratica esportes e só estuda todo dia, por isso é tão pálido. Por causa desse desgraçado, só eu levo bronca por não estudar. E as minhas aulas particulares aumentam… Droga. Que antipático.
Isso mesmo. Na verdade, Gong Pyeonghwa apenas odiava estudar.
E o ser humano é projetado de tal forma que não consegue gostar do filho perfeito da amiga da mãe.
Ainda mais quando não se tratava de um delírio da mãe, mas sim de Shin Saebyeok, o primeiro lugar da escola real e existente.
Como tinha que sentir a presença do filho da amiga da mãe através da classificação da escola a cada exame, Gong Pyeonghwa não tinha um único motivo para gostar de Shin Saebyeok.
Gong Pyeonghwa acreditava piamente que era o único a odiar Shin Saebyeok.
— Como você não consegue ganhar dele nem uma vez.
— Se o meu pai tem mais dinheiro, já basta! Por que colocar pressão no filho!
— Esse dinheiro é seu? Hã? É seu?
Droga… Gong Pyeonghwa, como um covarde, transferiu toda a culpa para Shin Saebyeok.
Como Shin Saebyeok só estudava, o fogo cruzado sobrava para ele desse jeito.
As notas dele eram apenas um pouquinho, um pouquiiinho menores do que as de Shin Saebyeok, e ele tinha mais amigos e era melhor em artes e esportes do que Shin Saebyeok. A ganância humana realmente não tem limites.
— É por isso que eles se tornam capitalistas?
Cansado dos pais que nunca se satisfaziam, Gong Pyeonghwa acabou marcando todas as respostas como número dois na prova do exame bimestral e foi dormir, para mostrar quem mandava.
Os pais de Gong Pyeonghwa, que aceitaram rapidamente que o chicote não funcionava, começaram a oferecer a cenoura aos poucos.
Ao ouvir a promessa de que receberia mais um por cento de participação nas ações se ganhasse de Shin Saebyeok neste exame, o coração pacífico de Gong Pyeonghwa oscilou.
Para garantir uma aposentadoria confortável, Gong Pyeonghwa estudou como se a vida dependesse disso e alcançou a façanha de gabaritar todas as provas pela primeira vez.
— Tudo isso foi uma sujeira, nunca mais vou estudar.
Gritando por liberdade, Gong Pyeonghwa pensou em queimar os livros didáticos que tinha lido tanto a ponto de decorar, e as apostilas de exercícios que tinha resolvido inúmeras vezes.
— Gong Pyeonghwa gabaritou?
— Ficou vadiando comigo e gabaritou?
— Não minta.
Não conseguem acreditar? Extra! Extra! Gong Pyeonghwa distribuiu as suas orgulhosas provas gabaritadas.
Não dava para estar mais orgulhoso. Com apenas este exame, mais um por cento de participação! Todo o sofrimento e amargura do passado desapareceram como a neve derretendo.
De qualquer forma, o irmão mais velho herdaria a empresa, então receber dividendos sem trabalhar? Não era uma delícia?
Mergulhado na felicidade, Seon Woojung cutucou a costela de Gong Pyeonghwa repetidamente e disse baixinho:
— Ei. Acho que o Shin Saebyeok está chorando.
Hã? Shin Saebyeok chorando? Gong Pyeonghwa achou estranho.
Olhando para o lugar de Shin Saebyeok, como ele estava de cabeça baixa, à primeira vista parecia mesmo que estava chorando. Mas vendo os punhos trêmulos, a raiva parecia maior do que a tristeza.
— Shin Saebyeok está tremendo de raiva por minha causa?
O quão distorcido estaria o rosto de Shin Saebyeok agora? Gong Pyeonghwa usou toda a sua imaginação para desenhar aquele rosto na mente, mas não conseguiu desenhar bem.
Mas, mesmo assim.
— Ah. Isso é excitante pra caralho, hein?
Ver a figura de Shin Saebyeok caminhando fraco e cambaleante fez parecer que uma descarga elétrica subia da ponta dos meus pés. Uma emoção excitante circulou tensa pelas veias.
— Por quê? Levou um choque estático?
— Divertido pra caralho.
— Você é masoquista? Tarado desgraçado. Não chegue perto de mim.
Seria isso o que chamam de dopamina? Ver que Shin Saebyeok ficou frustrado por causa dele o deixou mais feliz do que ganhar mais um por cento de participação.
Ele queria ver a frustração de Shin Saebyeok novamente.
— Vou estudar pra caralho. E ganhar dele de novo.
Sentindo uma forte catarse que experimentava pela primeira vez em dezesseis anos de vida, Gong Pyeonghwa decidiu estudar por vontade própria pela primeira vez na vida.
Foi o primeiro dia da vida de Gong Pyeonghwa.
↫─❀─↬
Shin Saebyeok odiava Gong Pyeonghwa tanto quanto Gong Pyeonghwa o odiava.
— Nunca posso perder para o Gong Pyeonghwa. Não posso perder nem no pedra, papel ou tesoura.
Ele sentia medo e ódio de Gong Pyeonghwa, que parecia brincar todo dia, mas o perseguia de perto.
O dia de Shin Saebyeok era extremamente curto. Quando a escola terminava, ia para o cursinho; quando o cursinho terminava, ia para outro cursinho; quando o outro cursinho terminava, tinha aula particular; quando a aula particular terminava, tinha a lição de casa, além de adiantar e revisar a matéria.
Dormindo entre duas e quatro horas por dia, ele estudava arduamente todos os dias. Era assim que ele mantinha o posto de primeiro lugar da escola. Mas, injustamente, mesmo jogando bilhetes durante a aula e brincando de briga de galo a cada intervalo, Gong Pyeonghwa sempre ficava entre os cinco melhores da escola.
Ele não podia ser mais irritante.
Estar com Gong Pyeonghwa sempre dava a sensação de brincar de pega-pega. Parecia que Gong Pyeonghwa era sempre o pegador, e ele era o perseguido.
Ele corria com todas as forças, mas parecia que o único ansioso era ele.
Seja porque o cansaço acumulou por falta de sono, seja porque a cabeça dele ficou estranha de tanto estudar, ou por ambas as coisas, Shin Saebyeok andava ainda mais sensível ultimamente.
E no exame final do segundo semestre do terceiro ano do ensino fundamental.
— Caramba, rapaz. Eu arrasei pra caralho.
Gong Pyeonghwa jogou para o alto as provas que ele mesmo tinha corrigido.
Gong Pyeonghwa e os moleques divertidos recolheram as provas de Gong Pyeonghwa como as respigadoras do quadro e disseram:
— Nossa. Gong Pyeonghwa gabaritou?
— Gabaritou?
— Por que o Gong Pyeonghwa gabaritou?
O quê? Gong Pyeonghwa gabaritou? As mãos de Shin Saebyeok tremeram intensamente.
— Essa é a diferença entre vocês e eu. Entenderam?
E as mãos que tremiam intensamente fizeram um risco diagonal na última questão.
Apenas uma questão de diferença, apenas uma.
Pela primeira vez, ele perdeu para Gong Pyeonghwa. Nunca, pelo menos nos estudos, ele tinha perdido nenhuma vez.
— O quanto eu me esforcei.
A sensação era de que a visão estava turvando. Não, na verdade turvou um pouco.
— E o tempo que dediquei até agora?
Mesmo fazendo tudo aquilo, ele perdeu. Então, o quanto mais de esforço teria que fazer no futuro? O quanto mais teria que fazer? O que mais teria que fazer a partir daqui? Os pensamentos rodaram como um tufão.
— O que vou dizer ao chegar em casa?
A última questão começou a borrar.
O colega de carteira, que não sabia do estado de Saebyeok, apenas por curiosidade cutucou o braço de Saebyeok e perguntou:
— Ei, o que você colocou na última resposta? Não consegui ouvir porque eles estavam barulhentos.
Só então Shin Saebyeok percebeu que estava chorando e escondeu a prova às pressas, dizendo:
— Número três. Número três.
— Ah… Obrigado.
Após a última chamada do dia, Shin Saebyeok caminhou fraco e cambaleante diante da realidade inacreditável.
Melancólico, melancólico de novo, e despedaçado. A risada de Gong Pyeonghwa estava ainda mais insuportável de ouvir hoje.
— Sim, deve estar adorando.
Vê-lo arrastando os garotos em bando, sugerindo ir à lan house ou jogar jogos de tabuleiro, também estava mais insuportável de ver hoje.
— Para um garoto que vive saindo para brincar desse jeito, eu…
No dia da histórica primeira derrota, Shin Saebyeok foi para casa e chorou a noite inteira.
Chorando sem fazer barulho, depois chorando alto, ele teve febre a noite inteira.
E naquele dia, Shin Saebyeok se manifestou como ômega.
Foi o pior dia da vida de Shin Saebyeok.
— Foi a partir daí que peguei gosto pelos estudos, sabe. Passei as férias inteiras estudando a matéria adiantada, quase morri.
— Não estou curioso, então vou para casa agora.
— Ei, escute. Ainda falta muito para chegar ao motivo de estar te dando o convite da festa de primeiro ano da nossa Isul.
— Não estou curioso.
Mesmo com Seon Woojung se enfurecendo, dizendo que bastava distribuir o convite já que estava na hora da festa de primeiro ano e questionando por que ele tinha que voltar mais de dez anos no tempo, Gong Pyeonghwa, fazendo jus ao título de ícone da falta de comunicação, continuou falando apenas o que queria.
— Ah… Por sua causa esqueci de onde deveria continuar falando. Woojung . Eu aguento em consideração à nossa amizade.
Seon Woojung queria quebrar alegremente a amizade com Gong Pyeonghwa e ir embora para o seu canto.
— Não tenho escolha a não ser te contar tudo de novo desde o começo.
— Você é um psicopata?
— Então, sobre como tivemos a nossa primeira conexão emocional… Tenho que contar a história do primeiro ano do ensino médio.
— Ainda não é tarde. Vamos romper a amizade.
Apesar da declaração de rompimento de Seon Woojung , Gong Pyeonghwa continuou tagarelando sem se abalar.
Seon Woojung sentiu uma injustiça. Ele nem tinha feito menção de abrir a caixa de Pandora, mas a caixa se abriu sozinha e liberou o desastre.
— Eu me manifestei como alfa por volta daquela época, sabe?
Gong Pyeonghwa não tinha a menor dúvida de que seria um beta.
E com razão, já que o pai era beta e a mãe também era beta. O irmão mais velho e o irmão mais novo também eram betas.
Então, naturalmente, ele também deveria ser um beta.
Mas?
— Eu ter me manifestado como alfa ou ômega… Eu… Sou um filho adotado…? Minha mãe dizia que me recolheu debaixo da ponte… Não era uma metáfora, era um prenúncio? Droga. Quem espalha um prenúncio desses ao longo da vida inteira. Onde já se viu colher o prenúncio depois de dezessete anos.
Gong Pyeonghwa, que percebeu o fato chocante de que poderia ter um segredo de nascimento junto com a manifestação, deixou de comer e beber.
— Com razão o desgraçado do meu irmão sempre fazia aquilo comigo por eu ser adotado… Ah, com razão… Filho da…
Gong Pyeonghwa atribuiu significado a todas as ações do passado e adoeceu de tanto sofrer, como se carregasse toda a infelicidade do mundo nas costas.
Num mundo onde a grande maioria era de betas, o status social que um alfa possuía era bem alto. Era objeto de admiração. Mesmo assim, Gong Pyeonghwa não conseguia ser feliz.
Mesmo que o mundo inteiro parabenizasse Gong Pyeonghwa pela manifestação como alfa, ele não estava no clima para receber parabéns.
— É bom fazer exames de feromônio periodicamente. E também combinando com a educação sexual sobre os ômegas…
— Doutor.
— Sim?
— …Ah, não é nada.
O doutor não entende o meu coração. Gong Pyeonghwa não teve coragem de perguntar sobre o segredo de nascimento e apenas soltou um suspiro.
— Será a puberdade? Ouvi dizer que o garoto era imaturo, será que a crise do segundo ano do ensino fundamental chegou um pouco tarde?
O médico da família não deu muita importância e ensinou com dedicação sobre alfas e ômegas, o período de cio e o período de Rut, a correlação entre feromônios e saúde, entre outras coisas.
Gong Pyeonghwa ouviu as palavras do médico da família sem prestar muita atenção e engoliu o choro por dentro.
Ter uma condição diferente da família trazia uma dor no peito sem igual.
— Snif! Agora vou me tornar um eterno estrangeiro.
A sensibilidade de Gong Pyeonghwa continuou inclusive à mesa de jantar.
Ele só não derramou lágrimas, mas com olhos que continham toda a tristeza do mundo e suspiros que pareciam perfurar o chão, a família achou que Gong Pyeonghwa tivesse sofrido uma desilusão amorosa ou algo do tipo.
Achavam que ele melhoraria se o deixassem quieto por alguns dias, mas como o estado melancólico continuava, o irmão mais velho, Gong Jeong, acabou perguntando como representante:
— Aconteceu alguma coisa?
— Aaa… O que teria acontecido comigo? Não é? Só estou, um pouco, sem apetite. Pai, mãe, passaram bem o dia? Como estou sem apetite, vou me retirar primeiro…
Quando Gong Pyeonghwa falou de forma melancólica e fez uma reverência, só então os pais perceberam a gravidade da situação.
Os familiares, exceto Gong Pyeonghwa, uniram as cabeças para discutir.
— Olhe só, eles são próximos, exceto eu… Eu era mesmo um filho adotado…
O alfa isolado Gong Pyeonghwa sentiu intensamente o coração de um estrangeiro e foi para a escola de forma melancólica, a bordo do Rolls-Royce conduzido pelo motorista.
A maioria dos betas parecia pacífica demais.
— Paz é o meu nome… Mas todos estão em paz, exceto eu…
O garoto sensível Gong Pyeonghwa olhou para a nuca de Shin Saebyeok e suspirou repetidamente por dentro.
— O Shin Saebyeok deve ser um beta… Se fosse um alfa, teriam falado na reunião. Inveja pra caralho… Se eu também fosse um beta, não teria motivo para sentir esse isolamento.
Gong Pyeonghwa, que nunca tinha sentido uma sensação de derrota mesmo sendo derrotado sempre nas notas, sentiu o gosto amargo diante de Shin Saebyeok pela primeira vez.
— Mas ainda bem que não me manifestei como ômega.
Disseram que, raramente, homens também se manifestam como ômega em alguns casos.
Afinal, a percepção social do alfa era melhor do que a do ômega.
Não apenas isso, Gong Pyeonghwa não sentiu a sensação de cansaço no corpo após se manifestar como alfa. Ele ficava bem mesmo jogando videogame a noite inteira por uns dois dias.
— Mas de que adianta isso. Eu sou um filho adotado.
Agora ele não sabia se a participação nas ações ou qualquer outra coisa iria por água abaixo.
— Eu era apenas um meio para conter o Shin Saebyeok. Snif.
Gong Pyeonghwa, que esqueceu completamente o fato de que os avós tinham condições especiais, apenas via o seu futuro como algo sombrio.
— Shin Saebyeok, você deve ser um filho biológico… Eu tenho inveja de você…! Snif.
Gong Pyeonghwa, que nem sonhava que Shin Saebyeok tinha se manifestado como ômega, apenas tinha inveja de Shin Saebyeok.
↫─❀─↬
Shin Saebyeok se tornou um ômega do dia para a noite.
Não era alfa nem beta, era ômega.
Um homem ômega.
A casa se transformou num velório.
Diante do fato de que o único filho, o filho que herdaria a empresa, tinha se tornado ômega e não alfa, o pai de Shin Saebyeok levou a mão à nuca e a mãe ficou com os olhos marejados.
Shin Saebyeok se tornou um pecador do dia para a noite.
Mesmo sem ter feito nada de errado, ele se ajoelhou e pediu perdão repetidamente, implorando pelo seu erro.
Diante daquela cena, a mãe acabou caindo no choro e o irmão mais novo chorou alto abraçando Saebyeok.
O pai de Saebyeok soltou suspiros o tempo todo parecendo aflito, mas no fim não abraçou Saebyeok.
— Tudo bem, Saebyeok, tudo bem, meu filho, meu pobrezinho…
Shin Saebyeok, que passou de filho orgulho a meu pobrezinho num instante, não conseguia erguer a cabeça por causa da culpa.
— A mamãe vai dar um jeito…
Enquanto Gong Pyeonghwa brincava com os amigos durante as férias e adiantava as matérias do ensino médio, Shin Saebyeok adoecia todos os dias tomando todo tipo de remédios em fase de testes clínicos e supressores.
Seja por ter se tornado ômega ou por causa dos remédios, a cabeça dele estava sempre pesada e o corpo mole.
Mesmo assim, Shin Saebyeok estudava suportando o sono e o cansaço. Ele achava que a culpa diminuiria se ganhasse de Gong Pyeonghwa.
Parecia carregar uma pedra na cabeça, o corpo desabava e o sono vinha mesmo quando estava de pé.
E quando sonhava, Gong Pyeonghwa aparecia nos sonhos.
Gong Pyeonghwa desaparecia ao longe sorrindo ostensivamente, e aquela distância parecia mostrar a lacuna intransponível entre ele e Gong Pyeonghwa. Quando ele corria desesperadamente para diminuir aquela distância, o pai aparecia do nada, soltava um suspiro prolongado, virava as costas e desaparecia.
Shin Saebyeok tinha pesadelos todos os dias.
Experimentando o pior todos os dias e resistindo achando que não haveria nada mais doloroso do que aquilo, Shin Saebyeok ouviu algo que foi como um raio em céu azul.
— Disseram que o segundo filho daquela casa se manifestou como alfa.
Uma realidade mais assustadora do que os pesadelos surgiu de repente.
Disseram que Gong Pyeonghwa se manifestou como alfa.
Já havia uma distância quando eram beta e ômega, e agora ele tinha se tornado um alfa.
— Então o que mais eu tenho que fazer…
Shin Saebyeok tentava se hipnotizar dizendo que ficaria tudo bem, que não haveria grande diferença sendo alfa ou beta, que não seria nada de mais.
E aquela hipnose se despedaçou completamente junto com a cerimônia de início das aulas do ensino médio.
— Gong Pyeonghwa. Ouvi dizer que você virou alfa. Mas parece que não mudou nada.
— O que você saberia… Seu beta.
Um aroma que não existia antes foi sentido vindo de Gong Pyeonghwa. Ele achou terrível o fato de o seu coração palpitar por causa de um aroma suave que dava vontade de encostar o nariz para cheirar.
Gong Pyeonghwa realmente tinha se tornado alfa, e ele realmente tinha se tornado ômega.
A sensação era de ter recebido uma sentença de morte.
— Era o destino.
— De qual parte, afinal.
— O Saebyeok e eu nos odiamos simultaneamente. Tivemos o mesmo sentimento na mesma linha do tempo. E ainda por cima éramos da mesma sala. Destino pra caralho.
— Caramba. Por essa lógica, o uniforme escolar também é uma roupa de casal.
Seon Woojung sentiu um cansaço repentino.
Ele só queria concordar, voltar logo para a casa que comprou reunindo até a alma, deitar e fazer valer o investimento.
Com uma montanha de empréstimos no banco, ele ainda tinha que ir a uma festa de primeiro ano. Pensando que não deveria ter vindo à reunião de ex-alunos, Seon Woojung abriu a boca.
— Certo, o que é aquilo? Atração do destino? Vocês sentiram? E após várias brigas, colheram o fruto do amor. Já que namoram desde aquela época, deu muito trabalho enganar o mundo, e é muito emocionante. Ah, romântico. Certo, eu vou à festa de primeiro ano, então vou para casa…
— Do que você está falando?
— O que foi. De novo. O quê.
— Você realmente não tem romance.
Gong Pyeonghwa estalou a língua e olhou para Seon Woojung com uma cara de pena.
— Nós seguimos os passos direitinho desde a paquera, de forma tradicional. Se tivéssemos começado a namorar direto só por saber das nossas condições, pareceria que fomos derrotados pelo desejo carnal. Nós fomos muito platônicos. Não cubra o nosso amor com desejos físicos.
Seon Woojung quis rebater dizendo — Então por que não dormiram só de mãos dadas, como é que nasce um bebê se vocês dormiram juntos? —, mas achou que daria muito trabalho e fechou a boca.
— De qualquer forma, você não tem romance. Estalo de língua.
— O que ele está dizendo. O desgraçado que ficou perdido depois de fazer uma viagem romântica.
Seon Woojung rezou para que Gong Pyeonghwa ficasse perdido agora mesmo, mas não havia nenhum deus que atendesse ao pedido de Seon Woojung , que se tornava um religioso intermitente apenas quando era conveniente para si.
— Não tenho escolha a não ser te contar como foi a nossa paquera. Células de romance mortas do Woojung , escutem bem?
Gong Pyeonghwa falou dando tapinhas no peito de Seon Woojung com um rosto cheio de compaixão.
— Não, eu não quero escu…
— Há exatos… o tempo era o exame bimestral do primeiro ano do ensino médio.
Gong Pyeonghwa falou olhando para o céu de forma nostálgica, com olhos cheios de melancolia.
— Filho da puta…
Acreditando piamente que o seu valor de existência era apenas ser o oponente de Shin Saebyeok, Gong Pyeonghwa se dedicou aos estudos.
Mesmo se Shin Saebyeok não estudasse bem, continuaria sendo o filho daquela casa, mas se ele não estudasse bem, poderia ser excluído do registro familiar.
— Então eu me tornaria um mendigo e vagaria pelas ruas…
Gong Pyeonghwa só estudava, como se os estudos fossem a única coisa que restasse na sua vida. Tanto que Seon Woojung o levou de mãos dadas ao hospital, de tanto que ele só estudava.
Diante do comportamento bizarro e inédito de Gong Pyeonghwa, Shin Saebyeok ficou ansioso.
Durante as férias, ele tinha conseguido fazer apenas metade da quantidade de estudos planejada, mas Gong Pyeonghwa, que nunca dava nem sinal de estudar na vida, estava estudando abertamente.
A mente de Shin Saebyeok estava impregnada de remédios, fazendo-o cochilar com frequência inclusive durante a aula.
Gong Pyeonghwa era alto, por isso o seu lugar ficava mais atrás do que o de Shin Saebyeok.
O som de páginas virando e o som da lapiseira arranhando deixavam Shin Saebyeok ansioso. Era como se alguém estivesse sempre correndo atrás dele.
Mesmo levado ao limite física e mentalmente, Shin Saebyeok alcançou a façanha de ficar em segundo lugar na escola.
No entanto, ficou frustrado com o fato de que a pessoa acima dele era Gong Pyeonghwa.
— Esse exame não foi difícil pra caralho?
— É. Foi difícil pra caralho.
— Para um desgraçado que diz que foi difícil pra caralho, essa prova está certa?
— Tem coisas que acontecem… Um beta não precisa saber.
Aquele Gong Pyeonghwa que exibia a prova cheia de círculos de respostas certas, aquele Gong Pyeonghwa com o rosto liso parecendo não conhecer o cansaço, aquele Gong Pyeonghwa que sorria exalando um feromônio fresco, estava insuportável de odiar.
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Gong Pyeonghwa, que nem sonhava com o sentimento que Shin Saebyeok guardava, voltou para casa sem forças.
Parece que Shin Saebyeok ficou em segundo lugar. Ele pode ter ganho desta vez por sorte, mas achava que não teria chance no exame final.
Shin Saebyeok cochilava toda vez que o via. Para olhar para o quadro-negro, ele era obrigado a ver a nuca de Shin Saebyeok, e a cabecinha dele girava tanto naquelas horas.
— O quanto ele estuda à noite para ficar girando a cabeça o tempo todo durante a aula todos os dias?
Gong Pyeonghwa sentia medo de Shin Saebyeok.
Parecia possuído por um fantasma dos estudos.
E ele sentia ressentimento dos pais. Se queriam arranjar uma briga, deveriam arranjar com alguém do mesmo peso, colocar para brigar com um fantasma dos estudos parecia uma punição cruel demais.
Assim que o exame terminou, Gong Pyeonghwa abriu a apostila engolindo o choro.
De tanto ler livros, as letras pareciam se contorcer. Experimentando uma ilusão de ótica que nunca tinha sentido antes, Gong Pyeonghwa achou novamente que Shin Saebyeok era implacável.
— Ele tem essa cara mansa e faz esse tipo de coisa desde os cinco anos. Desgraçado persistente. Eu já sabia desde quando ele me ignorava pra caralho quando eu puxava conversa.
O rancor esquecido dos cinco anos de idade chegou a ressurgir.
Gong Pyeonghwa estudou tremendo de raiva, e a família não conseguiu esconder o espanto ao ver aquela cena.
— Eu disse para não fazê-lo estudar.
— Ele enlouqueceu, enlouqueceu…
— Será que ele está sofrendo bullying na escola?
↫─❀─↬
Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna
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Sinopse:
Por serem de empresas rivais, suas famílias tinham uma relação ruim desde a infância.
Por isso, eles mantêm um relacionamento secreto há 10 anos, escondendo-se dos pais e dos amigos.
Mas eles não podem esconder seu amor para sempre.
Agora, com um filho, já não conseguem mais manter isso em segredo!
— Nossa princesa vai comemorar seu primeiro aniversário esta semana. Esperamos que você venha celebrar conosco.
É por isso que eles estão, sem medo, entregando convites para a festa de 1 ano da filha a colegas de classe que não veem há 10 anos.
Também chegou a hora de revelar tudo para os pais!
Não há obstáculos para o nosso amor! Nosso amor é uma autobahn!
— Só nos deixem amar um ao outro… Ai! Isso dói!
O romance caótico, mas sem engarrafamentos, de Gong Pyeonghwa e Shin Saebyeok!
Romance na Autobahn!
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