Ler As Circunstâncias de Vivian – Capítulo 12 Online
Ben franziu a testa como se a pergunta dela fosse absurda por algum motivo desconhecido.
— De repente, o qu—
As palavras inacabadas de Ben se dissiparam no ar. Vivian olhou para ele novamente com um sorriso relaxado.
— Parece que o Cavaleiro tem dúvidas sobre minhas habilidades.
As palavras lançadas após uma pergunta misteriosa foram bastante claras.
Ben se encolheu com a observação direta, depois endireitou o peito como se não tivesse nada a perder.
— Está certo. A senhorita, que pouco sabe da situação, parece disposta a nos seguir apenas para conquistar algum mérito.
Embora usasse uma linguagem formal, a verdade era que ele estava ocupado tentando diminuí-la.
Vivian assentiu, como se compreendesse Ben. Ao seu lado, Roger encostou-se à mesa e olhou para Vivian com olhos interessados.
— Muitas pessoas pessam assim. Eu não sei usar uma espada, nem lutar corpo a corpo. Por isso, pode parecer que não sou capaz.
Sua voz era firme demais para admitir fraqueza.
— Sempre sinto isso. Ah, os elementalistas restantes são uma existência muito rara.
— O quê?
— Você não sabe que tipo de habilidade eu tenho.
O olhar dela estava impregnado de confiança. Eles não sabiam o porquê, mas quando seus olhos encontraram os de Ben, ele pareceu perder o fôlego.
Não, era como se estivesse sendo estrangulado.
Ben, de repente, não conseguia respirar e agarrou o próprio pescoço. Seu ato repentino deixou os outros vice-capitães boquiabertos.
— O que…
As pernas de Ben vacilaram, e seus joelhos se dobraram. Sem conseguir respirar, sua visão rapidamente ficou turva e sua mente, confusa. Naquele ritmo, não seria estranho se ele desmaiasse.
Os olhos de Ben, voltados para baixo, avistaram dois pés. Eram sapatos brancos que não combinavam com o palácio dos Cavaleiros de Eckhart, tampouco com os pés rústicos dos cavaleiros.
Foi nesse momento que Ben percebeu.
Aquela jovem aristocrata, a quem ele tanto menosprezava, havia feito algo com ele.
Ben levantou a cabeça em direção a Vivian, com os olhos semicerrados.
— Eu poderia matá-lo aqui sem nem encostar em você.
Vivian falou calmamente assim que seus olhos se encontraram. Diferente de Ben, que estava caído no canto, sua postura era relaxada.
— É ridículo que um cavaleiro como você me julgue.
Vivian não fez mais nada e desativou sua habilidade, pois estava apenas dando um aviso. Assim que terminou, o ar invadiu o corpo de Ben como ondas. Só então ele conseguiu escapar da dor sufocante.
Ben tossiu violentamente e tocou o chão. Diante da gravidade da situação, Roger olhou surpreso para Vivian, chocado com o que acabara de presenciar.
— O que você fez?
Roger perguntou, olhando de relance para Ben, cujo peito arfava violentamente.
Era uma habilidade que ele nunca havia visto na vida. Principalmente para cavaleiros que só usavam espadas como armas e eram habilidosos apenas em esgrima.
— Usei as propriedades da terra para dissipar brevemente o ar ao redor.
Foi só então que Enka, parado a uma distância, entendeu a pergunta de Vivian. A pergunta era se aquele lugar estava conectado à terra.
Vivian conseguiu usar seus poderes porque o chão estava diretamente sob o prédio. Em outras palavras, tudo que respirava sobre a terra estava ao alcance de sua habilidade brutal.
Quase recuperado, Ben levantou-se com pernas trêmulas. Seu rosto estava branco como se tivesse visto um demônio. Seu comportamento anterior, que humilhava Vivian até um momento atrás, havia desaparecido. Tainy o ajudou, resmungando como uma repreensão.
— …Isso é possível?
Roger perguntou novamente, como se a explicação dela não tivesse ficado clara.
Vivian assentiu e olhou para Ben, que se levantava com dificuldade. Ela não se importava se ele acreditasse ou não.
— Na verdade, não me importo se você reclama de mim. Isso não muda o fato de que fui nomeada por Sua Majestade e incumbida de investigar o Oeste.
A voz suave de Vivian cortou o clima tenso que pairava no ar.
Ninguém disse uma palavra, mas todos entenderam sua habilidade. Dado o que ela fez com Ben há pouco, se fosse desrespeitada novamente, ninguém sairia vivo.
Todos na sala, ao perceber isso ao mesmo tempo, mergulhou no silêncio.
— Hahahaha.
Antes que o silêncio se prolongasse, uma risada que não combinava com o momento ecoou.
Vivian virou a cabeça para a origem do som. Era Roger, que estava ao seu lado. A risada breve logo virou uma gargalhada alegre. Roger cobriu a boca com o punho e riu por um longo tempo, como se algo fosse muito engraçado.
‘Nunca o vi sorrir tão radiante em meus sonhos,’ pensou Vivian, surpresa.
Logo, Roger parou de rir e deu um passo em sua direção.
— Ah, não me entenda mal. Não estava rindo das palavras da senhorita. Tudo isso… é muito interessante.
— Tudo bem…
Vivian estava tão atônita que não teve tempo para se ofender.
Roger, que havia parado de rir, virou a cabeça e encarou Ben, que agora olhava para Vivian. Seus olhos brilhantes eram ferozes, diferentes de antes.
— A Senhoria Lector está certa. Ben, não importa o que você diga, a viagem dela ao Oeste não vai mudar. E isso basta.
Tainy, que segurava Ben, piscou os olhos e assentiu. Ele queria dizer que apoiava Roger.
— Mas você deve se desculpar adequadamente. O que fez com a senhorita foi rude.
— …Me desculpe pela grosseria.
Ben disse, mordendo o lábio inferior. Depois de perceber que não poderia vencê-la, toda sua motivação desapareceu. A dor de sufocar foi uma experiência traumatizante. E era algo que não queria reviver.
— A Senhorita Lector é “um cavaleiro” cujo título foi concedido pessoalmente por Sua Majestade. Você não tem direito de questionar isso. No futuro, considerarei qualquer desrespeito à ela como um ato de desobediência a mim. Avise os outros que não estão aqui.
Roger acrescentou com a voz baixa. Ben inclinou a cabeça como se não tivesse argumentos, mesmo que tivesse dez bocas.
Vivian rapidamente ficou intimidada com a atmosfera pesada. Ela não usou seus poderes para causar tudo aquilo.
Quando a conversa quase terminou, Roger falou com Vivian.
— Vamos encerrar as apresentações por hoje. Acompanharei você até a frente do palácio.
— O quê? Não precisa. Eu posso ir sozinha.
— A senhorita é uma convidada, não posso permitir isso.
O Cachorro Louco a acompanharia, mas Vivian sorriu como se não fosse nada, embora achasse estranho. Roger estendeu a mão para a porta, e Vivian se moveu lentamente. Antes de sair, ela fez uma leve reverência aos três vice-capitães.
Os dois saíram, e a porta se fechou.
Dentro, onde apenas os vice-capitães permaneceram, Tainy coçou a nuca como se algo estivesse errado.
— Isso foi estranho. Vocês não acham que ele estava sendo bonzinho hoje?
— Acho que ele gosta dela.
Enka falou por Ben, que não tinha energia para responder. Tainy então caiu na gargalhada.
— O quê? Gosta? O líder? Parece que sim.
— Pode ser que tenha uma mulher de quem ele goste. A senhorita Lector é muito bonita.
— Há quanto tempo estamos juntos? Se fosse assim, a Senhorita, uma recém-chegada como ela não teria chamado a atenção do líder. Você sabe que ele não é do tipo que se impressiona com aparência.
Havia muita conversa, mas nenhuma conclusão clara.
Pelo menos, uma coisa era certa, Roger e Vivian, como os conheciam, eram muito diferentes.
— Ele é de origem humilde, mas é uma pessoa de bom coração.
No caminho para a saída do palácio, Roger de repente falou. Piscando os olhos, Vivian entendeu que ele estava justificando o comportamento de Ben.
Ela sorriu sem graça ao entrar na carruagem que já a esperava.
— E você?
— Sou um mercenário, não posso me comparar aos outros. Meu cérebro é só músculo.
— … Você é um mercenário?
Ela sabia que os cavaleiros da Ordem de Eckhart vinham de origens brutais. Mas achava que era meio brincadeira. Os rumores deveriam ser exagerados.
No entanto, ao ouvir que o campo de batalha era um local onde armas químicas voavam como flechas, percebeu que talvez não fosse mentira.
— E os outros dois vice-capitães…
Vivian perguntou, lembrando de Enka e Tainy, que apoiaram Ben.
— Esses dois também não são fáceis. Ambos eram mercenários… E estavam no corredor da morte antes.
No final da frase, Vivian congelou como uma estátua.
Ela duvidou de seus ouvidos.
— O que você está dizendo?
— Eu disse que eles estavam no corredor da morte antes.
Ela não ouvira errado.
Vivian não conseguiu controlar sua expressão e endureceu o rosto. Por um momento, lembrou-se das palavras de seus pais, preocupados com os Cavaleiros tanto quanto com as bestas demoníacas. Agora ela entendia.
Roger sorriu brevemente, como se compreendesse sua reação.
— Não há motivo para desconfiar agora que já passou.
Não era um comentário muito reconfortante. Enquanto Vivian lutava para limpar suas preocupações, Roger, que segurava a parte superior da porta, inclinou-se para dentro da carruagem. Mais do que tentar entrar, parecia um movimento para se aproximar dela.
— Mais do que isso, Senhorita Lector.
Vivian arregalou os olhos, surpresa com sua repentina aproximação.
— O quê?
— Você não quer aprender a usar uma espada?
— … Eu?
— Ainda temos um tempo antes de irmos para o Oeste.
Vivian desviou os olhos diante da sugestão inesperada.
— Achei que não seria ruim aprender. Talvez você precise usar uma espada no Oeste. Não é só para a missão, mas também para autodefesa.
Roger a persuadiu calmamente, diferente de como era voraz na cama. Olhando para ele assim, ela não conseguia dizer qual era seu verdadeiro eu. Vivian, depois de muito hesitar, finalmente aceitou a proposta. Isso aconteceu quando tentou recusar aqueles olhos insistentes que não a deixavam escapar.
— Mas com quem eu aprenderia?
Uma mão grande se aproximou do rosto de Vivian, que havia feito a pergunta. Vivian esqueceu-se de falar e prendeu a respiração.
Seus dedos, calejados pelo treinamento, roçaram suavemente ao redor dos olhos dela.
— Desculpe, havia um pouco de poeira.
A mente de Vivian congelou, a ponto de nem ouvir seu pedido de desculpas.
Continua…
Tradução Elisa Erzet
Ler As Circunstâncias de Vivian Yaoi Mangá Online
Vivian, a única elementalista do Império.
Ela teve um relacionamento íntimo com um homem que apareceu em seus sonhos, enquanto estudava magia no exterior por três anos.
Ela pensou que daria adeus ao parceiro dos sonhos quando voltasse para casa.
— Ah, Pai. O homem atrás de Sua Majestade… Quem é esse?
— De quem você está falando? Ah, você quis dizer Lorde Orpheu?
— O quê? Ah, Senhor Orpheu?
Sir Roger Orpheu, o “cachorro louco” de quem ela tinha ouvido falar?