Ler Alphega (Novel) – Capítulo 88 Online


Modo Claro

- Capítulo 88 –

Estes dois apartamentos no último andar pertenciam, na verdade, cada um a um dos pais de Kwon Haeil. Quando jovens, se conheceram como vizinhos, se casaram e passaram a viver juntos, então a casa vazia foi herdada pelo filho único, Kwon Haeil. Como os próprios pais foram morar nos Estados Unidos há três anos, o apartamento ao lado de Haeil acabou ficando vago.

Os pais, desde o início, não tinham intenção de alugar a casa de Haeil nem a ao lado para outras pessoas. Como era um local com memórias de sua juventude e eles não precisavam de dinheiro, era compreensível que tivessem mantido os imóveis por tanto tempo.

Por isso, Haeil também achava que o apartamento ao lado ficaria vazio para sempre ou que seus pais voltariam a morar ali. Mas, de repente, Baek Kanghyeon se mudou.

Depois que descobriu que o vizinho do lado, Baek Kanghyeon, era o filho mais novo da Baekcheong, ele passou a achar tudo mais compreensível.

Porque a mãe de Haeil, a antiga dona do apartamento ao lado, era tão próxima da matriarca da Baekcheong que chegaram a viajar juntas pelo mundo, como desta vez.

— Momento estranho? Foi uma transação justa, dei o que tinha e recebi o que queria. E ouvi dizer que o filho mais novo daquela irmã viria morar aqui. Pensei que, como vocês têm idades parecidas, seria bom fazerem amizade.

— Se queria que fizéssemos amizade, deveria ter me avisado antes. Por pouco não fiquei com uma impressão ruim.

— Você foi rejeitado?

— Não fui rejeitado, dona.

Do outro lado da linha, sua mãe, que ria baixinho, perguntou agora com uma voz emburrada.

— E você? Se sabia que eu tinha colocado a casa à venda, não pensou em me ligar pra saber o que estava acontecendo?

— Quem foi que disse que não daria notícias por um tempo porque ia viajar pelo mundo?

— …Ahahaha-!

A mãe de Haeil riu alegremente, como quem não tinha resposta. Ao fundo, dava para ouvir seu pai rindo junto, com um comentário típico de quem acha a esposa a coisa mais linda: “Querida, você é mais bonita quando ri”.

Haeil afastou levemente o telefone do ouvido com a risada alta.

Se sua mãe tivesse entrado em contato primeiro, seria diferente, mas como ele não tinha como falar com ela, chegou a perguntar ao pai sobre a situação. Perguntou por que a casa ao lado, que tinha um novo morador, havia sido colocada à venda de repente.

As respostas que recebeu foram apenas “não sei” e “sua mãe deve ter querido assim”. Realmente, era uma pessoa de pouca ajuda.

De qualquer forma, o importante agora era que Baek Kanghyeon morava ao seu lado. Por enquanto, ele não podia deixar de agradecer à sua mãe.

— Fez bem em colocar a casa à venda. Pra que manter uma casa que não se usa? É melhor vender e fazer o dinheiro render.

Como eram pessoas que entendiam bem de fazer dinheiro render, ele imaginava que elas já tinham feito o melhor negócio.

— Verdade. E, de qualquer forma, quando formos à Coreia, é só dormir na casa do nosso filho, não é?

— Não venham. Agora, só tem uma pessoa que pode dormir na minha casa.

— Nossa, será que você arranjou um namorado? Quem é? Que tipo de pessoa? É bonita?

Com a empolgação da mãe, Haeil mais uma vez pensou em Baek Kanghyeon. Os cantos de sua boca se ergueram de bom humor.

— É. Meu namorado é pra caralho bonito.

Na verdade, eles ainda não estavam oficialmente namorando, mas se relacionavam como se fossem namorados, então ele achou que não havia problema.

A curta resposta de Haeil fez com que as duas pessoas do outro lado da linha se assustassem.

— Olha só ele! Enquanto a mãe estava fora, ele foi e arrumou um!

— O quê?! Namorado?! O Kwon Haeil finalmente…!

— Fica quieto, querido!

Depois de um breve alvoroço, sua mãe, recuperando a compostura, perguntou com carinho:

— Então, como é esse seu namorado?

Haeil refletiu profundamente sobre Baek Kanghyeon, que ocupava sua mente, e respondeu:

— É uma pessoa que faria a senhora pirar se visse.

Se dissesse que era o vizinho do lado e o filho mais novo da Baekcheong, ela provavelmente morreria de alegria.

— Seja bem-vindo, Taerim.

— Olá, Secretário Jeong.

Taerim, que chegou ao restaurante na hora marcada para o jantar com Baek Kanghyeon, cumprimentou Jeong Wonwoo, que tinha vindo recebê-lo na entrada.

— Entre. A estrutura é um pouco complicada para garantir a segurança, então é fácil se perder.

— Obrigado.

Taerim seguiu Wonwoo, que ia à frente, para dentro.

De repente, ele viu o relógio no pulso de Wonwoo.

— Você trocou de relógio, pelo visto?

— Ah, isto aqui?

Wonwoo ergueu levemente o relógio de pulso e sorriu. Era um relógio caro, com base preta e detalhes em dourado, que revelava um tom azul claro dependendo do reflexo da luz.

— O diretor-geral escolheu e me deu de presente.

— Como esperado, o hyung tem bom gosto.

— Não é?

Enquanto trocavam uma conversa animada, Wonwoo olhou brevemente para trás dele. Felizmente, a equipe de segurança que esperava do lado de fora do restaurante parecia não ter entrado.

Wonwoo baixou a voz e disse:

— Taerim, sei que não é minha função dizer isso, mas… se possível, marque encontros com o diretor-geral com mais frequência.

Taerim, que tinha dado uma olhada rápida para trás na mesma direção que Wonwoo olhou, baixou a voz igualmente.

— Aconteceu alguma coisa com o hyung?

— Não é só a segurança, mas ultimamente há muitos olhos vigiando o diretor-geral. Felizmente, a ordem do presidente é que, quando ele estiver com o Taerim, vocês possam ficar à vontade sem quebrar o clima.

A voz de Wonwoo era bastante amarga.

Wonwoo, que havia sido um desses “olhos vigiando”, agora que tinha decidido seu lado, pretendia ficar ao lado de Kanghyeon. Não queria, com suas próprias mãos, apertar o pescoço de alguém que já vivia sufocado.

Taerim franziu os olhos.

— Vigilância? Isso é por causa do noivado?

— Sim, provavelmente…

Taerim fez uma expressão de incredulidade.

Ele já sabia o quanto Baek Kanghyeon havia obedecido às ordens de seu pai, o presidente Baek Jungman.

Na opinião de Taerim, a maioria das ordens de Baek Jungman anulava os esforços de Kanghyeon ou ignorava sua vontade.

Tudo vinha com a etiqueta de “para o bem de Baek Kanghyeon”. Para quem não sabia de nada, parecia apenas uma enxurrada de benefícios incríveis. Mas, mesmo assim, como era uma imposição unilateral que Kanghyeon não queria, se fosse ele, teria feito um escândalo centenas de vezes.

Ouviu dizer que, em todas essas ocasiões, Kanghyeon, mesmo com o rosto abatido, nunca dizia uma palavra de recusa. Como alguém com reféns, ele simplesmente seguia em silêncio a vontade de seu pai.

‘Reféns… Bem, estritamente falando, ele tinha. E ainda tem.’

Taerim pensou nos irmãos ômegas de Kanghyeon e mal engoliu um suspiro que subia até sua garganta.

Provavelmente, Baek Jungman ficou bastante surpreso desta vez.

Porque Kanghyeon, que sempre fora obediente, mostrou uma forte resistência.

A razão pela qual ele colocou vigilância no filho por ter recusado o noivado era óbvia.

Era para descobrir se havia um namorado ou alguém equivalente. Se houvesse, ele planejava se livrar da pessoa rapidamente.

‘Assim fica muito difícil para o hyung.’

Taerim sabia que Kanghyeon, embora não o chamasse de namorado, já tinha uma pessoa com quem mantinha um relacionamento profundo. Pelo clima, ele achava que Kanghyeon já o considerava mais que um namorado.

O problema era que essa pessoa era um “alfa”.

‘Se fosse uma ômega de alto status, mesmo que fosse pobre, haveria esperança…’

O presidente Baek Jungman, que evitava extremamente ômegas, era tolerante apenas com as de alto status. O fato de o presidente do Grupo Muyeol, que ele reconhecia, e seu filho serem ômegas de alto status também influenciava, mas principalmente por causa da alta probabilidade de nascer um alfa de alto status da união de dois de alto status. Se não fosse por isso, ele mesmo não teria sido cogitado como candidato a noivo de Kanghyeon.

De qualquer forma, a situação atual não era nada boa.

Se aqueles olhos vigilantes descobrissem aquele alfa que era como um namorado para Kanghyeon, o presidente Baek Jungman não ficaria parado. Poderia acontecer de, um belo dia, uma pessoa simplesmente desaparecer sem deixar vestígios.

De repente, Taerim estranhou o fato de Wonwoo ter falado sobre vigilância e pedido para ele se encontrar mais com Kanghyeon.

Quando seus olhos se encontraram, Wonwoo colocou o indicador sobre os lábios e sorriu discretamente. Como se lesse os pensamentos de Taerim, ele sussurrou:

— Estou sempre do lado do futuro presidente.

No pulso dele, com o indicador erguido, via-se o relógio que Kanghyeon lhe dera de presente.

Em pouco tempo, eles passaram por algumas salas e chegaram à porta mais silenciosa. Wonwoo bateu duas vezes e abriu a porta para Taerim.

Kanghyeon, que estava sentado à mesa com apenas uma xícara de chá, olhando o celular com a paisagem noturna como pano de fundo, ergueu a cabeça. Ele parecia estar trocando mensagens com alguém e, até o momento em que cumprimentou Taerim, não havia apagado o sorriso do rosto.

— Chegou.

Taerim, achando que sabia com quem Kanghyeon estava se comunicando, colocou os pés na sala. Atrás dele, o som da porta sendo fechada cuidadosamente por Wonwoo ecoou.

— Olá, hyung. Já está esperando há muito tempo… hein…

Um passo, dois passos, à medida que se aproximava, a frase de Taerim se dissipou suavemente. Seu rosto também ficou desconfiado, como se tivesse sentido algo estranho.

Quando deu mais um passo,

Taerim se aproximou de Kanghyeon com o rosto tenso.

— Hyung, o que exatamente você fez?

Sentindo a tensão na voz de Taerim, Kanghyeon apagou o sorriso dos lábios e perguntou de volta.

— Do que você está falando?

— Isso aqui agora, hyung você…

Taerim, em pé ao lado de Kanghyeon, começou a falar com um tom de “como você não sabe disso”, mas hesitou.

— …Você não sente nada estranho, hyung?

— Não sei do que você está falando. Vai com calma e me explica. O que tem de estranho?

Taerim, com uma expressão indecifrável, pareceu pensar por um momento e olhou para o celular que Kanghyeon segurava. Naquele momento, a tela acendeu brevemente, indicando que uma mensagem havia chegado.

Imaginando quem havia enviado aquela mensagem, Taerim perguntou:

— E aquele alfa? O que aquele alfa de alto status diz? Ele não sente nada estranho em você?

— É isso que eu estou tentando entender, o que é essa tal de coisa estranha…

Kanghyeon ia abrindo a boca com frustração, mas de repente lembrou das palavras que Haeil tinha dito entre o sono, alguns dias atrás.

— Ultimamente, o cheiro doce do Baek Kanghyeon parece um pouco mais forte.

— Como dizer… o cheiro doce em si continua fraco, mas parece que a intensidade original do aroma ficou mais forte.

Como ele estava dormindo e as palavras eram difíceis de entender, Kanghyeon havia considerado aquilo um devaneio. Acima de tudo, se tivesse realmente sentido algo claramente anormal, Kwon Haeil não teria escondido dele.

Kanghyeon repetiu para Taerim exatamente as palavras que Haeil lhe dissera um dia. Então, os olhos de Taerim se contorceram.

— Ele só sentiu isso? Para ser sincero, eu estou me sentindo até um pouco incomodado agora.

Taerim aproximou o rosto de Kanghyeon e respirou fundo. Como se tivesse sentido algo, seus olhos se contraíram visivelmente.

— Provavelmente, outras ômegas não sentiriam, mas o feromônio de ômega misturado com seu feromônio de alfa está um pouco agressivo. Não é algo extremamente forte, mas é como se tivesse uma agulha muito fina misturada… Parece que está me vigiando intensamente.

A palavra “agressivo” não combinava com feromônios de ômega. Estritamente falando, feromônios de ômega são extremamente defensivos, e é impossível que eles se afiem para causar desconforto ao outro.

Mesmo assim, o feromônio de ômega de Kanghyeon apresentava uma força repulsiva de alerta contra o mesmo traço, como um feromônio de alfa de tendência agressiva.

— Será que o alfa não sente essa agressividade? Ou será que é por ele ser quem é…?

Taerim ficava murmurando.

Ele estava levando bastante a sério a anomalia de Kanghyeon. Naquele momento, o corpo estranho evidente misturado ao feromônio de alfa de Kanghyeon estava mexendo com os sentidos aguçados de Taerim, aqui e ali.

— Deixa eu fazer uma ligação rápida.

Taerim pegou o celular de repente e saiu da sala apressadamente. Como o clima não estava bom para perguntar ou segurar, Kanghyeon não teve escolha a não ser esperar que ele voltasse logo.

A ligação de Taerim não durou muito.

— Hyung, você pode arranjar um tempo na semana que vem? Só um momento.

Quando entrou na sala em seguida, ele pediu com o rosto ainda sério.

— Vamos ao hospital juntos.

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Sinopse:
Baek Kanghyeon, o herdeiro oculto e quarto filho do presidente do Grupo Baekcheong, guarda um segredo: ele é um tipo raro com 99% de características Alpha e 1% de características Omega.
Tendo vivido toda a sua vida como um poderoso Alpha dominante, seu mundo muda repentinamente quando Kwon Haeil surge em seu caminho.
— Acho que posso morrer de tanto gostar de você, Baek Kanghyeon-ssi.
Kwon Haeil, um Alpha obstinado que só sabe seguir em frente para conseguir o que deseja, rapidamente se torna uma presença indispensável na vida de Kanghyeon—
— Parabéns. Você está grávido de seis semanas.

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