Ler Alphega (Novel) – Capítulo 77 Online


Modo Claro

- Capítulo 77 –

Ao mesmo tempo que a fala de Kanghyeon terminou, Haeil tapou de leve a própria boca. Sua boca, oculta dentro da mão, se contorcia como quem tem espasmos.

“Porra… Isso agora, ele está falando com consciência disso?”

Que cócegas.

Passa de cócegas a chegar a latejar.

Haeil, agarrando às escondidas o peito, que ficava com cócegas a ponto de não conseguir de jeito nenhum ficar quieto, engoliu o riso. E, ao mesmo tempo, escondendo ao máximo as emoções, perguntou fingindo indiferença:

— Que sentido tem isso?

— É exatamente o que eu disse.

O contorno nítido dos olhos de Kanghyeon baixou-se com suavidade.

Que outros o detestassem ou o ignorassem, não importava nem um pouco.

Mas só de trocar aquela palavra “outros” por “Kwon Haeil”, estranhamente o peito latejava. Era como se sentisse de novo aquela latejante desagradável, como quem arranha o estômago, que sentira ao vomitar o inibidor.

Isto também, como Kwon Haeil dissera, seria porque ele era especial?

Kanghyeon disse com a própria boca algo um tanto embaraçoso, mas ocorreu-lhe também o pensamento de que, bem, que mal havia.

De qualquer forma, não era que tivesse sentido a especialidade às escondidas, e, sendo uma relação em que ambos reconheciam o que havia pra entender, haveria mesmo necessidade de dizer de forma indireta?

Kanghyeon disse mais uma vez a Kwon Haeil, cuja expressão de modo algum se conseguia distinguir por ele estar cobrindo o canto da boca com a mão:

— Eu gostaria que o senhor Kwon Haeil não passasse a me detestar por causa do meu feromônio.

Ao menos desta vez, Kwon Haeil também não conseguiu fingir demência quietinho.

Haeil, que baixou a mão do canto da boca, abraçou Kanghyeon de supetão. Seu rosto já estava agradavelmente afogueado a ponto de até Kanghyeon conseguir sentir o calor.

— Ahahá-!

Haeil, que abraçou forte Kanghyeon, riu de forma revigorante, como se o riso que reprimira até então tivesse explodido de uma só vez. Era um som de riso límpido, capaz de fazer até quem o ouvia escapar um risinho.

Kanghyeon não conseguia entender por que Haeil ria de forma tão divertida assim. Só que, como a causa de Haeil rir daquele jeito devia ser ele mesmo, sentiu-se sem querer embaraçado.

Kanghyeon, ainda abraçado, ficou sério.

— Ria com moderação.

— Cbf, hehe, desculpa.

Os ombros de Haeil, que se desculpava, tremiam sem descanso.

“De vez em quando ele entra assim, sem nem dar seta. Isso, quem sofre o acidente de trânsito sempre fui eu, porra.”

Haeil, que dava risadinhas com a cabeça enfiada no ombro de Kanghyeon, só depois de levar um beliscão um tanto dolorido no flanco é que ergueu a cabeça soltando um ai, ai.

Kanghyeon pôde encarar bem de perto o rosto de Haeil, todo vermelho como quando faziam sexo.

A cabeça quente de Kwon Haeil encostou de leve na testa lisa de Baek Kanghyeon.

Toc, toc.

A pulsação aos saltos de Kwon Haeil ia e vinha pela testa em contato.

— Hah… Se não fosse o banheiro, eu ia chupar, lamber e engolir você de uma vez, sério.

— Chupar…, o quê?

— Nada, é que eu tô tão feliz que soltei uma bobagem.

Na voz de Haeil ainda restava um tom de riso.

A Kanghyeon, com a expressão de quem não entende a razão, Haeil dirigiu a palavra com uma voz gentil, como quem fala com uma criança pequena:

— O nosso senhor Baek Kanghyeon, no fundo, é bom de ter pensamentos inúteis, né?

Como se quisesse negar a parte de “pensamentos inúteis”, o cenho de Kanghyeon se moveu de leve. Haeil, mesmo sabendo disso, não parou de falar.

— Esqueceu? Que eu sou o cara que é doido pelo feromônio do senhor Baek Kanghyeon.

Que tipo de coisa era o feromônio de que Haeil falava, Kanghyeon também sabia. Pelo que ouvira por alto, quando o próprio feromônio de alfa ficava mais intenso, ou seja, quando se excitava, o cheiro doce também se adensava junto, era isso?

O perspicaz Kwon Haeil parecia conseguir muito bem selecionar e engolir o cheiro doce mesmo em meio àquele feromônio de alfa penetrante.

Mas, por mais que fosse, havia uma diferença descomunal entre desfrutar do sexo em juízo perfeito e o rut.

— Desta vez vai jorrar muito mais feromônio de alfa do que na ducha de feromônio. Com certeza vai ser desagradável.

— Poder apanhar do feromônio do senhor Baek Kanghyeon três dias a fio não é uma baita coisa para se agradecer?

— Você entendeu direito mesmo?

— Se tiver algum cara que entendeu tão bem quanto eu, manda aparecer. Que eu pego e arrebento.

Haeil, que ria à toa mesmo diante do olhar afiado de Kanghyeon, segurou de leve com as duas mãos ambos os flancos de Kanghyeon. E, dali, deslizou de forma insinuante até a lombar e, por hábito, entrelaçou os dedos e puxou de leve. Os peitos firmes de cada um se encostaram naturalmente.

— Hyung Kanghyeon.

Diante do tratamento alterado, Kanghyeon se sobressaltou.

Percebeu que, instintivamente, acabaria se deixando enredar por Kwon Haeil.

Porque quem sabia melhor que ninguém o quão grande era a força que aquele tratamento, que soava claramente diferente de quando Seong Taerim o chamava, era o próprio Baek Kanghyeon.

— O parceiro de rut do hyung, será que eu não posso ser?

Usar aquele tratamento em sequência é falta.

Kanghyeon percebeu tardiamente que a pulsação rápida, que ia e vinha como quem vagueia, sem que se percebesse, já invadia até o fundo de seu peito. Por algum motivo, a sensação de cócegas não ia embora.

Haeil, esfregando os lábios suaves no rosto de Kanghyeon, que não respondia, sussurrou como quem se aflige:

— Eu quero muito fazer, será que não dá? Se você mandar eu me ajoelhar no chão do banheiro e implorar de joelhos, eu até faço.

A fala de Haeil era sincera. Também dos lábios que encostavam sucessivamente em seu rosto se sentia a intensidade.

— Vai ficar tudo bem mesmo?

— Claro que sim.

Depois de ouvir até a fala convicta de Haeil, não conseguiu mais empurrá-lo para longe.

Kanghyeon, aplacando o coração ansioso, no fim teve de aceitá-lo.

— …Se você achar que não dá, tem de sair na hora. Não pode aguentar à força.

— Isso não vai acontecer, mas tá. Vou fazer assim.

— Então, conto com você.

— Obrigado.

Uma situação em que quem faz o pedido é quem recebe o agradecimento.

Kanghyeon não pôde deixar de avaliar Kwon Haeil, que estampava repetidamente lábios de cócegas em seu rosto, como uma pessoa estranha, como sempre.

˚˚˚

Madrugada, passada a meia-noite.

Kwon Haeil, bem agora, pela primeira vez, pôs os pés na casa de Baek Kanghyeon.

“Viver de forma árida também tem limite.”

Haeil, olhando ao redor da casa de Kanghyeon, que, apesar de ter a mesma estrutura que a sua, mal dispunha da mobília básica, estalou a língua.

Ele previra, mas parece que Baek Kanghyeon de verdade não tem interesse em nada além do trabalho.

O interior da casa de Kanghyeon era, literalmente, deserto a mais não poder, a ponto de não se poder deixar de ter esse pensamento.

“Depois vou ter de encher isto de móveis. Esta parede aqui está especialmente vazia, então seria bom pôr um quadro que combine exatamente com o clima do senhor Baek. E este lugar aqui, com um igualzinho ao que deixei na minha casa…”

— Senhor Kwon Haeil, venha cá.

Kanghyeon, em trajes confortáveis, chamou para o quarto Haeil, que olhava atentamente ao redor da sala. Haeil, que caminhou num átimo como um cachorrinho obediente, ficou com os olhos brilhando.

“Então é aqui o quarto do senhor Baek.”

Haeil, parado em frente à porta, passou os olhos pelo interior do quarto. Tanto na sala quanto no quarto era igual só ter posto a mobília necessária, mas a sensação era bem diferente. Seria por ser o lugar em que o vestígio de Baek Kanghyeon estava impregnado em maior quantidade?

Kanghyeon, vendo Haeil examinar minuciosamente o quarto, no íntimo ficou embaraçado.

“No fim, será que um hotel teria sido melhor.”

Originalmente, pensara num hotel como lugar para passar o rut. Quando tinha de passar o rut com um parceiro, sempre fora assim.

Para Baek Kanghyeon, deixar outra pessoa entrar em seu espaço particular não era nada fácil. Como os nervos ficavam à flor da pele e só a vigilância aumentava, ele não queria gastar emoção com algo assim.

Ainda assim, havia um motivo para ter chamado Kwon Haeil à própria casa, e ainda por cima até ao quarto.

Do lado de fora havia muitos olhos observando. Movimentando-se lá fora, quem era seu parceiro de rut poderia, por um descuido, chegar ao conhecimento do pai. Como tomar como parceiro de rut um alfa, e não um ômega, de forma alguma era coisa comum, isso poderia acabar estimulando a curiosidade inútil do pai.

“E também… tinha um pouco a sensação de estar em dívida.”

Kanghyeon relembrou quanto tempo ele mesmo passara até então na casa de Kwon Haeil.

O peso maior fora por Kwon Haeil ter insistido e o prendido, mas, de todo modo, as ocasiões em que ficara na casa dele eram incontáveis. O sexo também sempre fora feito na casa de Kwon Haeil e, nos fins de semana, com frequência chegava a abrir os olhos no quarto de lá.

Por isso, ocorreu-lhe o pensamento de que, numa situação como a de agora, em que a cama ia acabar suja por causa dele, o certo era ceder a própria casa.

Embora, olhando aqueles olhos de Kwon Haeil que brilhavam de forma grave, também lhe ocorresse o pensamento de que talvez tivesse feito aquilo à toa.

Haeil, que entrou por completo no quarto, olhava para a cama impecável e branquíssima e depois se dirigiu à mesa redonda que havia perto dela.

Na mesa estavam preparadas algumas barras de proteína e petiscos leves. No minirrefrigerador que havia embaixo dela estavam guardados algumas garrafas de água mineral de 500 ml, café, bebida isotônica e também alguns lenços umedecidos, bons para limpar o corpo.

Haeil, que examinava a mesa e o minirrefrigerador, deu uma risada de escárnio.

— O que é tudo isso?

Diante da pergunta de Haeil, Kanghyeon disse como se fosse óbvio:

— Deixei preparado com coisas que dá pra comer de forma simples. Eu não vou estar no meu juízo perfeito, então tanto faz, mas com o senhor Kwon Haeil não é assim, ora. Se ficar com fome ou com sede, coma.

Haeil estava, mais uma vez, admirado.

Era a primeira vez que via uma pessoa preparar tudo assim tão minuciosamente para o parceiro que passa o ciclo junto.

Por volta de quando lhe ocorria até o pensamento de que era curioso.

Kanghyeon acrescentou, abrindo a gaveta do criado-mudo ao lado da cama:

— E nesta gaveta aqui eu também vou deixar cordas e algemas, então use.

— O quê?!

Haeil, que se assustou, aproximou-se depressa. Na gaveta do criado-mudo que Kanghyeon abrira estavam guardados duas longas cordas de seda, algemas de couro para prática de SM e até mesmo grilhões.

Haeil, que segurou as algemas de couro na mão, tremia sem parar entregando-se a todo tipo de fantasias indecentes. Kanghyeon, ao ver aquela cena, ergueu o canto dos olhos e bateu de leve em seu flanco.

— Não tenha pensamentos estranhos. É só pra você me amarrar quando quiser descansar.

Baek Kanghyeon em cio, dificilmente soltaria o parceiro. Por isso, o sentido era: na hora de comer algo ou de ir ao banheiro, ou de pregar os olhos, amarre-me no momento certo e se movimente à vontade.

Mas Kanghyeon ainda não conhecia bem o ser humano chamado Kwon Haeil.

“Prática de imobilização liberada, francamente que ele não tem medo mesmo.”

Ainda que corresse o risco de ficar exausto, parece que não vou conseguir descansar de tão excitado.

Bem quando Kanghyeon encarava com ansiedade o canto da boca escancarado de Haeil.

Kanghyeon, por um instante, sentiu o próprio feromônio se agitar com força. O baixo-ventre esquentava depressa e, à respiração, aos poucos se misturava calor.

“Já chegou a hora.”

O rut de Kanghyeon sempre começava por volta de um pouco depois da meia-noite. Hoje também era, sem falha, o mesmo momento.

Kanghyeon, sentindo o feromônio de alfa revirar a ponto de ser difícil controlar, abriu a boca:

— Senhor Kwon Haeil, agora aos poucos…

O corpo de Kanghyeon, que dava sequência à fala, num átimo cambaleou. Fora porque o calor que subira depressa lhe embaralhou de uma vez a cabeça e a visão.

No instante em que Haeil ia segurá-lo às pressas.

De Kanghyeon, de repente, o feromônio de alfa explodiu para fora como uma explosão. Ao mesmo tempo, o corpo de Haeil, que foi agarrado com truculência pela gola, foi arremessado sobre a cama com uma força descomunal.

— Ugh, Baek Kanghyeon… senhor…?

Quando Haeil, arremessado, ergueu a cabeça, Kanghyeon já havia montado de supetão sobre seu corpo.

Haeil, fitando de baixo para cima Kanghyeon, de costas para a luz da lâmpada do teto, engoliu em seco.

Por ser contraluz e por Kanghyeon estar de cabeça baixa, o rosto não se via direito. Só se conseguia perceber que, tanto quanto o feromônio de alfa que se agitava a ponto de arrepiar, o clima dele também mudara consideravelmente.

“Quando se olha de baixo para cima, é essa a sensação.”

Haeil sentiu uma considerável intimidação vinda de Kanghyeon. Ocorreu-lhe até uma agradável preocupação de que, de repente, ele fosse dilacerar seu pescoço com uma mordida.

— Senhor Kwon Haeil.

Os lábios de Kanghyeon se moveram. Seus dois olhos, que se ergueram devagar, faiscavam junto com o calor.

Haeil, que cruzou o olhar de Kanghyeon, recebeu uma pressão como quem tem o pescoço estrangulado pelo feromônio de alfa dele. Mas, junto com isso, o cheiro doce que se exalava com intensidade era, literalmente, tão doce, a ponto de fazer perder a cabeça.

— Abra a boca.

Conforme a ordem de Baek Kanghyeon, Kwon Haeil abriu a boca de bom grado. Então, lábios vermelhos que traziam um intenso aroma de romã irromperam apressados.

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Continua….

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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna

Ler Alphega (Novel) Yaoi Mangá Online

Sinopse:
Baek Kanghyeon, o herdeiro oculto e quarto filho do presidente do Grupo Baekcheong, guarda um segredo: ele é um tipo raro com 99% de características Alpha e 1% de características Omega.
Tendo vivido toda a sua vida como um poderoso Alpha dominante, seu mundo muda repentinamente quando Kwon Haeil surge em seu caminho.
— Acho que posso morrer de tanto gostar de você, Baek Kanghyeon-ssi.
Kwon Haeil, um Alpha obstinado que só sabe seguir em frente para conseguir o que deseja, rapidamente se torna uma presença indispensável na vida de Kanghyeon—
— Parabéns. Você está grávido de seis semanas.

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