Ler Alphega (Novel) – Capítulo 03 Online


Modo Claro

— Episódio 03 —

Que falta de consideração.

Não estava falando sobre consideração para consigo mesmo. Era sobre a consideração com o ômega que estava nos braços daquele alfa.

— Haa…?! Ha, Haeil…, ah…!

O corpo do ômega estremecia. Era a imagem de quem se debate para sobrevivir nas garras de uma fera. Se o deixassem assim, o calor tomaria conta do corpo inteiro a ponto de ele não conseguir mais se controlar — ou pior, poderia desmaiar.

Que incômodo.

Kanghyeon era alguém que, em geral, não se metia na vida privada dos outros.

Mas desta vez não conseguiu se conter. A imagem daquele ômega tremendo se sobrepôs à do seu terceiro irmão, Baek Huiwoo.

Por isso, sem nem perceber, acabou se intrometendo.

Kanghyeon agarrou o braço do homem com força. Ao mesmo tempo, puxou o ômega para o próprio colo. Porque a forma mais rápida de proteger e acalmar um ômega da violência dos feromônios era envolve-lo com feromônios alfa ainda mais potentes.

Depois de confirmar que o ômega nos seus braços se acalmava num instante, Kanghyeon então olhou para o rosto do homem alfa.

Ah.

Uma exclamação quase escapou dos lábios de Kanghyeon ao encará-lo.

A primeira coisa que prendeu seu olhar foi a aparência marcante.

Feições definidas, nariz alto, e uma boca de linhas elegantes que parecia feita para sorrir — era uma impressão forte. O piercing de corrente prateada com uma pequena espada também chamava a atenção.

Em seguida, com uma altura perto de 1,90m e músculos sólidos que nem uma camisa conseguia esconder, era evidente: alfa é alfa.

Um alfa de beleza estonteante e impecável.

Mas ser um alfa bonito assim não significava que a violência por feromônios era permitida.

Kanghyeon encarou o homem alfa com frieza.

— O senhor não tem a menor educação?

Mesmo naquele momento, os poderosos feromônios alfa do homem continuavam a jorrar sem parar.

Alfa dominante.

Os feromônios do homem eram visivelmente superiores em quantidade e qualidade em relação a outros alfas. Até mesmo Kanghyeon sentia vontade de recuar diante da intensidade daqueles feromônios.

Em vez de recuar, Kanghyeon liberou seus próprios feromônios — poderosos o suficiente para devorar o homem. Com o choque dos dois enormes feromônios alfa se confrontando, o ômega nos seus braços tremia e se agarrava a ele. Os olhos do homem também brilharam com algo diferente.

Enquanto o ar ao redor faiscava como centelhas.

De repente, o homem recolheu seus feromônios de uma vez. Então deu um passo em direção a Kanghyeon e, de súbito, aproximou o rosto do pescoço dele.

Fss — o som de ar sendo inspirado pareceu uma língua deslizando pelo pescoço.

Kanghyeon se sobressaltou e tentou empurrar o homem com a mão, mas naquele instante seu pulso foi agarrado de repente.

O homem sorriu, puxando levemente os cantos dos lábios, e perguntou em voz baixa:

— Você, o que é?

Sua voz carregava tanto curiosidade quanto uma clara perplexidade.

— Que é alfa está claro, mas esse aroma…

Kanghyeon não esperou nem o homem terminar a frase e sacudiu a mão para se soltar. O homem sacudiu levemente a mão que latejava no ar, mas continuava olhando fixamente para Kanghyeon.

Então o canto dos olhos do homem se contraiu. O sorriso que havia nos seus lábios também havia se transformado num escárnio insatisfeito.

— Que merda, quem foi que pediu pra ser massacrado com feromônio.

Só depois de ouvir o comentário do homem é que Kanghyeon olhou para baixo, para o ômega no seu colo.

Entre a franja que balançava levemente, via-se os olhos esquentados do ômega. Seu olhar — assim como a parte de baixo que se erguia rubra e envergonhada ao se esfregar — estava voltado unicamente para Kanghyeon.

Kanghyeon perguntou ao ômega, que piscava os grandes olhos sem parar na sua direção:

— É verdade?

— Hã?

— Estou perguntando se o que aquele homem disse é verdade.

O ômega se sobressaltou e olhou rapidamente para o homem. Como se, desde que havia sido acolhido nos braços de Kanghyeon, tivesse esquecido completamente da existência do outro, sua expressão era de genuíno apuro.

— Ah, é… Eu, na verdade, gosto de, de ser pressionado por feromônios alfa… Haha…

O ômega, com o rosto já vermelho ficando ainda mais, murmurou sem jeito. Também sorriu envergonhado ao se lembrar do momento em que havia sido pressionado pelos feromônios alfa do homem.

Pelo jeito do ômega, não parecia que estava mentindo por causa da pressão do homem.

Só então Kanghyeon percebeu que havia se metido onde não era chamado.

Tinha ouvido que em alguns tipos de jogo entre parceiros usava-se a violência de feromônios. Se os dois estavam aproveitando aquilo de comum acordo, ele havia jogado água fria sem querer.

Mas então deveriam ter se trancado em algum lugar para fazer isso.

Para Kanghyeon, era impossível entender tanto o ômega que queria ser submetido a feromônios quanto o homem que fazia isso abertamente num corredor de uso coletivo.

Mas isso não significava que precisava se meter ainda mais. Encrenca desnecessária era a última coisa que queria.

Kanghyeon soltou os braços que envolviam o ômega.

— Parece que eu entendi mal. Me desculpe.

— Ah, não… Tá, tá bom.

Por alguma razão, o ômega se afastou lentamente, como se relutasse em se separar.

Assim que o ômega se distanciou, Kanghyeon encarou o homem com um olhar afiado.

Pelo que via, parecia ser o morador do apartamento ao lado. Por mais que fosse na frente da própria casa, o corredor do andar era claramente um espaço público. Ficar ali enroscado trocando carícias à vista de todos era um problema.

— Da próxima vez, por favor, tomem cuidado.

Kanghyeon advertiu com secura e virou o corpo em direção à porta do próprio apartamento. O olhar acalorado e insistente do ômega seguiu suas costas.

A senha do segredo eletrônico ele já sabia de cor, pois Huiwoo havia passado antes. Mas não tinha vontade de digitar a senha com calma na frente daqueles dois, então simplesmente pegou o cartão-chave.

Bip — a porta reconheceu o cartão e se abriu com um clique.

Em seguida, como se declarasse que não iria mais se meter nos assuntos alheios, a porta que engoliu Kanghyeon se fechou sem cerimônia.

— Ai!

O ômega, que até aquele momento não conseguia tirar os olhos da porta do apartamento de Kanghyeon, soltou um grito de repente. Foi porque o colarinho das costas da camisa foi puxado com brusquidão, comprimindo o pescoço de uma vez.

— Nossa omeguinha sem-vergonha é bem corajosa, hein.

O risinho de escárnio soou bastante sinistro.

— Kwo, Kwon Haeil! Solta, sol…!

Kwon Haeil, exatamente no momento em que o ômega ia dizer “solta”, o empurrou em direção ao elevador como se o jogasse. O ômega, que cambaleou, ficou tossindo e encarou Haeil com um olhar de “por que você está fazendo isso”.

— Vai embora.

— Hã? Assim de repente? Por quê?!

O ômega, confuso, estendeu a mão em direção a Haeil. Antes mesmo que a ponta dos dedos tocasse, feromônios carregados de uma hostilidade incomparável com os de antes explodiram.

— Hup…!

O ômega prendeu a respiração e se encolheu. Sua palidez naquele momento era suficiente para dissipar todo o calor que havia sentido até então.

O ômega compreendeu naquele instante que Kwon Haeil havia estado se contendo bastante até agora. Seus feromônios brutos eram poderosos e ferozes demais para o ômega suportar mesmo com sua própria resistência.

— Por causa de alguém, tudo esfriou.

Haeil não escondeu seu descontentamento diante do ômega que tremia apavorado. Seu olhar, frio e ameaçador, parecia capaz de despedaçar o ômega a qualquer momento.

O ômega recuou hesitante e acabou fugindo para o elevador. Assim que entrou, ouviu-se o barulho frenético de alguém apertando os botões, seguido do som da porta se fechando.

Mesmo após o ômega desaparecer, ainda restava no corredor o vestígio do aroma adocicado e aquecido. Mesmo assim, Haeil observava a porta do apartamento de Kanghyeon em silêncio, como se já tivesse esquecido completamente da existência do ômega.

Ao entrar no novo apartamento, Kanghyeon não teve nem tempo de apreciar com calma o interior, que era mais amplo do que esperava.

Ding dong — ding dong —

Alguém do lado de fora apertava a campainha sem parar. Com tanta insistência, o som cristalino da campainha não dava trégua.

Naquele momento no closet, Kanghyeon pendurou o paletó e soltou um suspiro. Ele tinha uma ideia de quem seria o visitante.

Que chateação.

Por algum motivo, tinha a sensação de que se ignorasse, a pessoa pararia de tocar a campainha e começaria a bater na porta com força.

Kanghyeon, ainda com a gravata, caminhou a passos largos até a porta de entrada.

Bruum —

— O que quer?

Assim que abriu a porta, jogou a pergunta para o outro lado sem cerimônia.

Era exatamente quem ele esperava: o alfa dominante sem educação, Kwon Haeil.

Com um sorriso debochado e um olhar levemente intimidador, Haeil perguntou diretamente:

— Desde quando você mora aqui? Ficou vazio por tanto tempo.

— Me mudei hoje.

— Hmm, é mesmo?

Kanghyeon franziu levemente o canto dos olhos ao ver Haeil responder com tanta naturalidade.

— Foi só para perguntar isso que chamou?

— Hmm, mais uma coisa.

Haeil inclinou levemente a cabeça para o lado e sorriu. O piercing de corrente na orelha direita emitiu um leve tilintar.

Naquele instante, o canto dos olhos de Kanghyeon se contraiu.

Uma onda enorme de feromônios alfa — claramente com a intenção de esmagar o outro — o atingiu. O ar calmo ao redor se transformou num ambiente faiscante e elétrico.

Os olhos de Kwon Haeil, que haviam criado aquele ar, começaram a avaliar algo através de Kanghyeon.

Continua…

⌀ ⌀ ⌀

✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna

Ler Alphega (Novel) Yaoi Mangá Online

Sinopse:
Baek Kanghyeon, o herdeiro oculto e quarto filho do presidente do Grupo Baekcheong, guarda um segredo: ele é um tipo raro com 99% de características Alpha e 1% de características Omega.
Tendo vivido toda a sua vida como um poderoso Alpha dominante, seu mundo muda repentinamente quando Kwon Haeil surge em seu caminho.
— Acho que posso morrer de tanto gostar de você, Baek Kanghyeon-ssi.
Kwon Haeil, um Alpha obstinado que só sabe seguir em frente para conseguir o que deseja, rapidamente se torna uma presença indispensável na vida de Kanghyeon—
— Parabéns. Você está grávido de seis semanas.

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