Ler A Tatuagem de Camélia – Capítulo 80 Online

Modo Claro

Corvos são criaturas perturbadoras, mesmo quando há apenas um. Sua inteligência e astúcia frequentemente levam a situações problemáticas para os humanos.

Mas agora, quantos daqueles corvos havia?

O céu estava escurecido por uma nuvem de corvos, algo nada menos que aterrorizante.

Até mesmo Jean, pálido, observava a massa negra descer, enquanto apenas duas pessoas, Igmeyer e Raphael, permaneciam calmas.

Crá, crá!

O bando circulava acima, criando um redemoinho de sombras.

Um corvo, com três pernas e três olhos, mergulhou e pousou no braço de Raphael.

Era evidente que aquela ave não era uma criatura comum.

— Então você é o líder. Peço que leia minha mente e a encontre.

O corvo grasnou como se entendesse o pedido de Raphael.

O som que produziu lembrava a risada estridente de uma pessoa, fazendo todos franzirem a testa e taparem os ouvidos. O corvo líder, aparentemente divertido, grasnou energicamente e alçou voo de volta ao céu.

Será que aquele bando realmente conseguiria encontrar a Senhora?

Todos engoliram em seco e entrelaçaram as mãos com força.

‘Por favor, por favor, encontrem-na.’

— …Hã!

Quanto tempo ela havia dormido? Ou quão profundamente tinha sido?

Ao ouvir grasnados vindos de algum lugar, Amber despertou sobressaltada e, ao perceber que ainda estava escuro do lado de fora, suspirou aliviada.

Pelo visto, não havia passado tanto tempo assim.

Com a mente mais clara, sentiu que poderia partir imediatamente.

— Ah, pão… ainda bem.

Ela havia se preocupado em não ter comida, mas não era o caso.

Nicolas havia preparado uma bolsa com provisões suficientes para encher seu estômago vazio.

Enquanto rasgava pequenos pedaços de pão para comer, Amber teve a impressão de ver algo brilhando na escuridão.

Inclinando a cabeça, recuou levemente, e o brilho se aproximou.

Assustada, Amber congelou, mas, felizmente, a criatura era pequena.

— O-O que é isso?

Parecia algum tipo de animal.

Naquele momento, um feixe de luz da lua iluminou o espaço ao seu redor.

Apoiando-se na luz do luar, Amber piscou algumas vezes para focar e finalmente percebeu que a criatura era um corvo.

— Está com fome?

Mesmo estando faminta, Amber adorava dividir o que tinha.

O corvo inclinou a cabeça como se entendesse a pergunta e soltou um breve grasnado.

Amber imediatamente rasgou um pedaço do pão que estava comendo e o espalhou no chão.

Preferiria entregar o pão diretamente ao corvo, mas seu tamanho a deixava um pouco insegura.

Depois de compartilharem o pão, Amber sentiu sede e se levantou com dificuldade. Para sua surpresa, o corvo bateu as asas e pousou em seu ombro.

— Hum? Você quer vir comigo?

De novo, o corvo respondeu com um grasnado, como se a compreendesse.

Amber acariciou suavemente sua cabeça e saiu da caverna com cautela.

Felizmente, o cavalo que amarrara a uma árvore ainda estava lá, e Amber pegou as rédeas, seguindo em direção à água.

Ela planejava se hidratar e seguir o riacho novamente.

‘A lua está sumindo. Logo amanhecerá.’

Quanto mais precisava avançar para escapar do Norte?

Talvez fosse o cansaço, mas sentia a mente turva.

Amber acariciou a barriga e fechou os olhos por um momento.

De fato, seu maior desejo era estar aninhada nos braços do marido.

Reprimir esse sentimento era doloroso.

Suspiro

A uma distância considerável de onde Amber estava, Raphael cobriu um dos olhos e cambaleou levemente.

Mas logo se recompôs e ficou ereto.

— …Eu a encontrei.

— Onde?

— Ela acabou de sair de uma caverna. Fica a sudoeste daqui, a décima quinta caverna na Floresta de Krenthal.

— Eu sei onde é.

Igmeyer sorriu de lado.

Isso não era piada nem exagero; ele realmente conhecia cada centímetro da região norte.

O problema em si não era saber onde Amber estava, mas sim que ele podia, de fato, ir buscá-la.

— Não deixem ninguém me seguir. Eu irei sozinho.

— Entendido.

Com essas palavras, a forma de Igmeyer desapareceu.

Ele disparou para frente e parou na entrada da floresta.

Naquele momento, pouco antes do amanhecer, o mundo inteiro estava mergulhado na escuridão.

Se encontrasse Amber agora, certamente a assustaria. Talvez até entrasse em pânico e tentasse fugir.

‘Isso não pode acontecer. De jeito nenhum.’

Crack!

A árvore contra a qual ele se encostou caiu impotente no chão.

Observando aquilo, Igmeyer respirou fundo várias vezes e relaxou o aperto.

Precisava acalmar os músculos tensos. Tinha que suavizar a expressão e domar a ferocidade nos olhos.

Não podia deixá-la fugir ao vê-lo.

Afinal, se tentasse escapar e tropeçasse no processo, o que aconteceria então?

‘Por favor, não me abandone, Amber. Não me deixe.’

Embora tivesse uma ideia do motivo pelo qual ela tentava partir, lutava contra o impulso de especular.

Queria ouvir diretamente dela.

Precisava entender a razão por trás daquele olhar quando fitava seus olhos.

Por isso, não tiraria conclusões precipitadas nem faria suposições.

Igmeyer tomou essa decisão ao adentrar a floresta, rezando para que o céu clareasse logo.

Não importa quantas distrações fofas Amber criasse, ela não poderia escapar de seu olhar.

Quando se tratava de rastrear vestígios, não havia ninguém melhor que Igmeyer.

— Amber. Minha Amber.

Igmeyer decidiu abrir mão do uso desnecessário de seus poderes e, em vez disso, confiou apenas nos seus instintos.

Entre as árvores densamente crescidas e os caminhos do vento que passava, em algum lugar dentro dali, ele captou o cheiro de Amber.

Era o perfume de camélias.

Naquele momento, Amber estava perdida, vagando pela floresta.

O corvo em seu ombro continuava a grasnar, o que podia soar como zombaria ou, talvez, como um aviso de que estava indo na direção errada.

Ainda assim, ela era grata pela presença do corvo. Além do ocasional som dos cascos do cavalo, a floresta estava opressivamente silenciosa, causando arrepios em sua espinha.

Era como se a floresta inteira prendesse a respiração, antecipando a chegada de um predador supremo.

Sem sequer o pio comum de um inseto para ser ouvido, a atmosfera parecia estranhamente sinistra.

— Ah, uma bifurcação…

Para que lado deveria seguir?

Precisava sair dessa floresta rapidamente, mas parecia estar apenas andando em círculos.

Desmontando do cavalo, Amber aproximou-se das duas trilhas e inclinou o pescoço para observar.

Queria avaliar qual direção tomar, mas, cercada pela escuridão, não havia como distinguir. Os caminhos completamente escuros pareciam abismos profundos levando ao inferno.

Fosse para a direita ou esquerda, tinha a sensação opressiva de que ambos conduziam à ruína, e instintivamente respirou fundo.

Mas ela precisava seguir.

Mesmo na incerteza, não queria ficar parada.

Crá, crá!

Então, de repente, o corvo levantou vôo, batendo as asas em direção à esquerda.

Seu grasnar alto parecia convidá-la a segui-lo.

‘…Devo confiar nele?’

Corvos são criaturas inteligentes. Talvez quisesse retribuir o pão que ela compartilhara.

Com esse pensamento, Amber deu um passo, seguindo o corvo.

Avançou com cautela, confiando na fraca luz da lua, arranhando braços e pernas pelo caminho, mas não ligou.

Crá, crá!

O corvo circulava acima da sua cabeça, como se esperasse que ela o alcançasse, depois voava à frente e parava novamente para esperá-la.

Após várias repetições, um caminho finalmente surgiu diante dela.

— Ah…!

Os olhos de Amber se arregalaram de alegria.

Claro! O corvo estava tentando ajudá-la.

Sentindo-se grata, pisou na trilha.

Ao passar por árvores altas e emergir da vegetação densa, subitamente percebeu uma sombra densa pairando sobre ela.

Naquele momento, uma fragrância familiar, muito familiar, a envolveu.

— …Amber.

Era uma voz baixa e sombria.

Ao ouvir aquele único chamado, ela olhou para cima atordoada.

Devia ter ouvido errado. Não podia ser ele. Não havia como ele estar aqui…

Mas Igmeyer estava.

De pé diante dela, o rosto do homem parecia tão ferido, como o de um filhotinho abandonado.

Vê-lo assim era como sentir o coração se despedaçar.

Parecia que ele sentia o mesmo, pois as primeiras palavras que saíram de sua boca estavam cheias de preocupação por ela.

— O que está fazendo aqui? Você deveria estar descansando em algum lugar seguro.

— …!

— Achou mesmo que eu aceitaria seu desaparecimento depois de deixar apenas um bilhete? Não, Amber.

Sim, isso estava errado.

Mas ela pensou que o homem entenderia.

Acreditou que ele a deixaria ir e que consideraria às razões por trás de seu bilhete… Ela confiou nisso.

‘Ah, foi apenas meu egoísmo.’

Igmeyer se aproximou, seus olhos carregados de dor claramente vermelhos.

Tendo-o conhecido no passado e no presente, Amber percebeu o quanto ele estava reprimindo suas emoções. Ela podia ver o quão profundamente ele estava… magoado.

‘Fui eu que infligi essa dor nele.’

Desejou não ter feito isso.

Deveria ter contado tudo e buscado um caminho juntos.

Sabia que o homem ficaria magoado. Mesmo assim, pensou que era pelo bem dele. Melhor do que morrer. Melhor do que perder tudo.

‘Isso é mesmo verdade? Não foi por mim?’

Talvez Igmeyer tivesse preferido morrer com ela…

— Amber.

Sobrecarregada por inúmeros pensamentos, Amber deu um passo hesitante para trás.

Já não conseguia encarar seus olhos profundos.

Sentia-se tão culpada — culpada demais — que preferiria derramar o próprio sangue em lugar do dele.

‘Meu coração… parece que está sendo esmagado.’

Ofegante, Amber virou o corpo.

Ela sabia que isso era fuga, mas não conseguia suportar mais.

Como poderia encarar seu amado marido, o homem que se tornara um destroço por causa dela?

Mesmo que fosse por ele e pelo filho deles, Igmeyer não sabia disso; devia ter se sentido completamente abandonado.

— Não me evite.

Igmeyer tinha uma necessidade profunda de afeto.

Ela não percebera isso na vida passada, mas nesta veio a conhecer essa verdade.

Continua…

Tradução: Elisa Erzet 

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Amber, era uma princesa tão linda quanto uma fada.
Seu marido, que viveu como mercenário, era muito diferente dela em todos os sentidos.
Devido a um casamento forçado, Amber caiu em desespero. Ao longo dos anos de seu casamento, se ressentia veementemente de tudo sobre seu marido.
No entanto, quando ele encontrou seu fim tentando protegê-la e ao filho que ela estava esperando, Amber foi tomada pelo arrependimento e desejou voltar no tempo…
O ponto de partida da regressão foi a noite de núpcias.
— Você não olhou para mim nem uma vez durante o banquete do casamento, pensei que estivesse chateada por se tornar esposa de um homem humilde.
Ela já era como cinzas queimadas, mas ele parecia um espírito de fogo dançando sobre as ruínas.
O abraço dele era forte demais para suportar, então Amber desviou finalmente o olhar.
🌸🌸🌸
‘Foi só após te conhecer que percebi que havia um vazio dentro de mim. E então fiquei feliz, sabendo que você vai completar esse vazio.
Mas conforme essa parte em mim era preenchida, fui ficando mais ganancioso.
Ah, se eu fosse um pouco mais perverso, eu teria devorado você inteira.
 
Ps: Meu outro maridinho

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