Ler A Tatuagem de Camélia – Capítulo 78 Online

Modo Claro

— Onde está a senhora?

Por fim, Igmeyer parou uma criada que passava e perguntou. A criada estremeceu e começou a tremer assim que viu a expressão distorcida do seu senhor. Mas Igmeyer não estava em condições de se preocupar com essas coisas.

— E-Eu cuido da limpeza no corredor, então não sei. Por favor, pergunte à Nora…

— Ah.

Isso mesmo. Amber havia dividido os funcionários em categorias para manter a ordem dentro do castelo.

Soltando a criada, ele cambaleou levemente e retomou o caminho em direção ao quarto.

Sua visão escureceu antes de clarear novamente. Era estranho, mas sentia uma espécie de certeza.

Uma certeza que não conseguia articular, não queria formular e jamais expressaria em voz alta.

— Onde está Amber?

— Ah!

— Estou perguntando onde está sua senhora.

Igmeyer não levantou a voz. Quanto mais furioso ficava, mais mergulhava numa calma fria e assustadora.

Ainda assim, todos o temiam.

— E-Ela… disse que queria ficar sozinha e dispensou todas nós.

— Ela comentou que estava com dor de cabeça…

As criadas, que ele viu algumas vezes antes, responderam, mas as palavras entravam por um ouvido e saíam pelo outro, ainda que roçassem seu tímpano.

‘Amber dispensou as criadas.

Por quê?’

Tum tum tum tum.

Seu peito estava apertado. Era como se alguém estivesse socando seu coração, e ele quis vomitar.

Hiperventilando, o homem ficou imóvel, ofegante, buscando por ar, o mordomo, percebendo seu estado, chamou os cavaleiros.

— O que há de errado? Por que está assim?

O primeiro a chegar foi Gallard.

Sua tentativa de amenizar o clima com uma piada era louvável, mas Igmeyer não estava em condições de rir.

Sua respiração vinha em arfadas, irregulares e acelerada.

Era como se estivesse afundando num pântano, ou alguém puxando seus cabelos e forçando sua cabeça para debaixo d’água.

Ou talvez fosse como estar preso num tanque de vidro com apenas o rosto acima da superfície, subindo e afundando repetidamente.

Curvando profundamente a cabeça, ele finalmente gritou:

— AMBER!

O grito trovejante ecoou por todo o castelo, fazendo todos taparem os ouvidos ao mesmo tempo. As molduras das janelas tremeram, testemunhando o quão alto fora o grito de Igmeyer.

Assustadas, as pessoas trocaram olhares apreensivos, sem saber o que fazer, e começaram a recuar hesitantes.

Se tivessem o mínimo de discernimento, perceberiam a gravidade da situação.

A Senhora desapareceu.

Por vontade própria ou não, aquilo era um acontecimento monumental.

— Todos, movam-se rapidamente! A senhora não tem passado bem ultimamente. Ela pode ter desmaiado em algum lugar fora de vista.

O mordomo, Huvern, deu ordens calmamente.

Não havia espaço para a ideia de que a senhora havia deixado o Norte por vontade própria. Além disso, eles não tinham como saber se ela realmente tinha partido ou não.

Então, como mordomo, Huvern tinha apenas uma tarefa: defender a dignidade da senhora, suprimir quaisquer rumores e impedir agitação entre os funcionários.

— Abram as portas de todos os cômodos. Se encontrarem a senhora desacordada, gritem bem alto para alertar a todos.

— Sim!

Enquanto os que observavam desapareciam às pressas, Igmeyer permaneceu imóvel.

Gallard o observou com profunda preocupação antes de falar em voz baixa:

— Ela estará segura, tenho certeza.

— …

— Ela não partiria por vontade própria. Há uma grande probabilidade de ter sido sequestrada. Deve ter sido… orquestrado pela família imperial.

Gallard genuinamente acreditava que Amber não poderia ter deixado o Norte por conta própria.

Ela jamais faria algo assim.

Era alguém que trabalhara incansavelmente por aquela terra. O quanto ela amava o Norte e seu povo!

Gallard estava convicto de que as ações de Amber até então eram genuínas.

— …Então você acha que enganaram Raphael e a sequestraram?

— Bem…

Claro, havia aspectos que não se encaixavam.

Raphael era um cavaleiro excepcional.

Mas não era só isso; ele possuía habilidades que estavam além da compreensão de Gallard.

De certo modo, lembrava o próprio poder de Igmeyer, mas não podia ser explicado apenas como instintos aguçados.

Mas poderia um grupo ter se movido sem que Raphael percebesse?

Se alguém com más intenções se aproximasse do castelo, Raphael perceberia imediatamente. Era por isso que Igmeyer confiava a segurança do castelo a ele.

— Vá… verifique o quarto novamente. Pode haver alguma pista.

Apenas certas pessoas podiam vasculhar o quarto do casal. Embora as criadas fizessem uma inspeção, Igmeyer sabia que a sugestão de Gallard significava mais do que apenas um simples “olhar”.

Era necessária uma investigação minuciosa.

Se o último local conhecido de Amber era o quarto, era lá que a maioria das evidências provavelmente seria encontrada.

— Saiam todos.

Ao seu comando, as criadas rapidamente se retiraram.

Fechando a porta atrás de si, Igmeyer ficou sozinho no quarto e piscou, absorvendo o silêncio.

‘Parece que entrei num lugar onde não deveria estar.’

A ausência de Amber criava um contraste tão gritante que quase sufocava.

Igmeyer hesitou por um momento, incapaz de avançar com firmeza para dentro do quarto.

Com os olhos fechados, concentrou-se no leve aroma de Amber que ainda pairava no ar. Quando abriu os olhos novamente, ativou seu poder singular.

Do quarto, sua energia se espalhou por todo o castelo, alcançando cada canto.

Sua energia, estendendo-se da encosta da montanha até o pico, estava viva e era capaz de encontrar qualquer coisa sem perder um único detalhe.

— Senhora!

— Onde está a Senhora?

— Será que ela realmente foi sequestrada?

— Não há como ela ter ido embora.

— Mas por que não percebemos?

Inúmeros sussurros fluíam em sua direção.

Afastando os murmúrios inúteis de sua consciência, concentrou-se no que buscava.

Um corpo frágil. Respirações superficiais. A suave curvatura de seus lábios. Longos cabelos dourados e brilhantes. Aqueles olhos rosados, que pareciam reunir todo o amor do mundo.

O perfume que ele conhecia.

Os sons que reconhecia.

O formato e o som dos passos que lembraria até o momento de sua morte.

Ainda assim, mesmo expandindo seus sentidos até os arredores do castelo, não conseguiu encontrar Amber.

Imaginando se havia algo errado consigo, retirou sua energia e tentou novamente, mas o resultado foi o mesmo.

Amber não estava em lugar nenhum.

O homem não sabia dizer se era porque ela realmente não estava ali ou se seu poder simplesmente não conseguia detectá-la.

Esperava que não fosse a segunda hipótese, mas saber que era a primeira não melhorava sua situação.

Cerrando os punhos com força até doer, Igmeyer tentou mais cinco vezes antes de finalmente desistir e lançar um olhar ameaçador para o quarto.

Ao examinar o ambiente, algo chamou sua atenção.

Em circunstâncias normais, poderia ter pensado: ‘Será que ela fechou a tampa errado?’ e ignorado, mas naquela situação até aquele pequeno detalhe parecia significativo.

Aproximando-se da penteadeira de Amber, notou a caixa de joias de platina que ela sempre mantinha por perto.

Era o tipo de caixa que podia ser aberta e fechada facilmente, mas a tampa estava posicionada incorretamente.

Em outras palavras, estava fechada do jeito errado.

Mas ele sabia que Amber não faria algo assim. Ela era sempre meticulosa e mantinha um senso de decoro.

Era o tipo de pessoa que não manuseava nenhum objeto descuidadamente e examinava tudo minuciosamente.

— …

Com um pressentimento sombrio, abriu a caixa de joias e descobriu um bilhete cuidadosamente dobrado.

Estendeu a mão trêmula para pegá-lo, mas não conseguiu desdobrá-lo de imediato.

Sentia que, ao abri-lo, revelaria as verdadeiras intenções dela.

Mas Igmeyer nunca se esquivara de nada, e sabia, no fundo, que acabaria lendo.

Mesmo que o ferisse profundamente.

Adiar apenas aumentaria sua ansiedade.

Quando finalmente abriu o bilhete, encontrou…

Seu próprio inferno.

Naquele momento, Amber estava no fundo da floresta, cavalgando em ritmo acelerado.

Já não conseguia mais ver, ao longe, o topo do castelo. Era sinal de que havia se afastado bastante.

Considerando as habilidades de Igmeyer e dos cavaleiros, ela sabia que não deveria parar ali, mas seu cavalo estava completamente exausto. Como não podia trocar de montaria, ela parou assim que avistou um riacho.

— Calma, calma.

O cavalo, espumando pela boca, estava encharcado de suor pela exaustão.

Sem demora, conduziu-o até o vale e deixou que bebesse água enquanto caminhava rio acima.

‘Ótimo. A partir daqui, teremos de seguir pela água.’

Amber havia aprendido técnicas básicas de rastreamento.

Se quiser esconder seus passos, caminhe pela água. Isso torna o rastreamento muito mais difícil.

— Vamos, amigão. Desculpe por forçá-lo tanto.

O cavalo, depois de saciar a sede, pareceu recuperar um pouco de energia e bufou.

Amber acariciou-lhe o pescoço e puxou as rédeas, seguindo rio acima. O fluxo se tornava mais forte à medida que descia, então precisava encontrar um ponto adequado acima e criar uma distração.

Tais distrações a ajudariam a se afastar ainda mais e, eventualmente, deixar o Norte.

‘Não posso ir para a vila. Todos conhecem meu rosto.’

Enquanto olhava distraidamente para a superfície da água, pensou como seu reflexo parecia pálido e abatido.

Não é bom cavalgar tão intensamente estando grávida.

‘Por favor, bebê, apenas aguente firme.’

Amber orou em silêncio enquanto pressionava os pés molhados contra a vegetação.

Ela já tinha cortado o cabelo uma vez e, sem arrependimentos, deixara fios espalhados no chão.

Igmeyer provavelmente já a estaria procurando.

A essa altura, ele deve ter achado o bilhete.

Mas ele não pode encontrá-la.

Mesmo agora, seu coração doía como se estivesse sendo rasgado… Ela lutava para respirar, mas, mesmo vivendo como um fantasma, acreditava que aquela era a escolha certa.

Não, não, não.

Ela já nem sabia mais o que era certo.

Era apenas o rumo que as coisas haviam tomado.

‘Se Igmeyer conseguir derrotar Nidhogg em alguns meses… então poderemos nos reencontrar.’

Ah, ela esperava que ele agisse de acordo com o bilhete.

Diversos pensamentos surgiam e afundavam repetidamente em sua mente e, ao mesmo tempo, lágrimas quentes escorriam por suas bochechas.

Continua…

Tradução: Elisa Erzet 

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Amber, era uma princesa tão linda quanto uma fada.
Seu marido, que viveu como mercenário, era muito diferente dela em todos os sentidos.
Devido a um casamento forçado, Amber caiu em desespero. Ao longo dos anos de seu casamento, se ressentia veementemente de tudo sobre seu marido.
No entanto, quando ele encontrou seu fim tentando protegê-la e ao filho que ela estava esperando, Amber foi tomada pelo arrependimento e desejou voltar no tempo…
O ponto de partida da regressão foi a noite de núpcias.
— Você não olhou para mim nem uma vez durante o banquete do casamento, pensei que estivesse chateada por se tornar esposa de um homem humilde.
Ela já era como cinzas queimadas, mas ele parecia um espírito de fogo dançando sobre as ruínas.
O abraço dele era forte demais para suportar, então Amber desviou finalmente o olhar.
🌸🌸🌸
‘Foi só após te conhecer que percebi que havia um vazio dentro de mim. E então fiquei feliz, sabendo que você vai completar esse vazio.
Mas conforme essa parte em mim era preenchida, fui ficando mais ganancioso.
Ah, se eu fosse um pouco mais perverso, eu teria devorado você inteira.
 
Ps: Meu outro maridinho

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