Ler A Tatuagem de Camélia – Capítulo 77 Online

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    1.   A Camélia Gravada em Meu Corpo

Igmeyer acordou hoje se sentindo estranhamente irritado no momento em que abriu os olhos.

Para ser justo, nos últimos dias sem ver Amber, quando foi que ele se sentiu minimamente bem? Mas desta vez parecia mais grave.

Era como se um sino estivesse tocando em algum lugar, fazendo uma barulheira em seus ouvidos.

Por causa disso, sua cabeça doía, e a intensidade parecia uma onda gigantesca ameaçando levar seu cérebro.

— Está tudo bem? Se está preocupado com o jovem mestre Jason… bem, parece que ele está se recuperando agora.

— Aff. Por que eu me preocuparia com aquele pirralho?

— Mesmo dizendo isso, o senhor esteve preocupado.

Gallard respondeu com um sorriso torto.

No entanto, nem mesmo a expressão de Gallard estava muito animada, já que Jason estivera à beira da morte.

Nos dois primeiros dias da caça aos monstros, tudo correra bem. Não houve problemas, e Jason se adaptou surpreendentemente bem.

Naquela manhã, quando pensaram que poderiam retornar ao castelo mais cedo do que o previsto, Jason de repente se contorceu e começou a convulsionar.

Nem mesmo o médico que os acompanhava compreendeu a condição de Jason e não conseguiu intervir.

Logo, Jason começou a gritar, e os cavaleiros tiveram de enfrentar os monstros que se aproximavam com os olhos arregalados de terror ao ouvir o som.

Quando a manhã finalmente chegou, os monstros haviam sido eliminados, mas Jason ainda estava em sofrimento.

Não podiam mover o garoto, que agora gritava e até vomitava sangue, e o médico aconselhou que não o fizessem.

No fim, tudo o que puderam fazer foi proteger Jason enquanto combatiam os monstros que se aproximavam.

Durante esse caos, a temperatura de Jason oscilava violentamente; sua pele ficava pálida em um momento e, no seguinte, ele suava em febre intensa.

Aqueles que presenciaram isso estava à beira do colapso de tanta preocupação.

Por fim, o menino desmaiou de exaustão, e seus gritos cessaram.

Jason só recuperou a consciência naquela manhã, com a garganta dolorida demais até para falar. Precisaria de uma semana inteira de descanso após retornar ao castelo.

— Vamos, Gallard.

— Sim!

De qualquer forma, precisavam voltar rapidamente. Algo parecia errado, e ele não conseguia afastar a sensação inquietante.

‘Amber. Preciso ver Amber. Isso vai me acalmar.’

Ela era seu único e verdadeiro amor, sua ternura, seu refúgio, sua respiração e  felicidade.

Ele precisava vê-la.

Por mais que quisesse abandonar tudo e simplesmente partir em disparada, franziu a testa e se conteve.

Dentro da carroça usada para transportar suprimentos estavam Jason e o médico.

Dado o diagnóstico de que até o menor solavanco poderia ser prejudicial, eles estavam se movendo a passo de tartaruga. Se ele simplesmente os abandonasse, sabia que Amber ficaria furiosa com ele.

Não era que estivesse ajustando o ritmo por preocupação com aquele pirralho insuportável.

Era apenas porque, se Jason começasse a convulsionar e gritar novamente, quem saberia que monstros poderiam aparecer.

AFF.

Ele bufou, apertando as rédeas com força, frustrado.

Por algum motivo, as nuvens que pairavam em seu coração não se dissipavam.

— Ah, estou vendo o castelo! Soem as trombetas!

Quando o topo do castelo surgiu à vista, os cavaleiros explodiram em comemorações.

Ver o castelo exatamente como estava quando partiram proporcionou a Igmeyer um pequeno alívio.

Ele não fazia ideia do que o aguardava ao chegar.

[Por favor, não me procure. Não até que Nidhogg esteja morto. Voltarei depois. Eu te amo.]

A princípio, ela pensou que seria melhor não acrescentar nenhuma frase desesperada, mas após longa hesitação, Amber finalmente incluiu essas duas linhas.

De qualquer forma, sabia que ele ficaria magoado, mas não queria que pensasse que partira por não amá-lo

Ao menos isso…

— Ei, doutor!

— Sr. Vance.

— Para onde está indo? O Grão-Duque está retornando agora.

— Qual o sentido de recebê-lo? Estou apenas saindo para fazer meu trabalho.

Enquanto isso, Amber estava espremida dentro da grande carroça.

Sinceramente, não tinha certeza se conseguiria escapar da percepção de Igmeyer. Por isso, naquele dia não usara o perfume de costume. Pegara roupas femininas emprestadas de Nicholas para se trocar.

Sentia que se preparara o melhor que pôde, mas o medo de que seu cheiro ainda permanecesse no ar a fez subir na carroça.

Os sentidos de Igmeyer — tanto visão quanto olfato — eram além dos humanos.

‘Graças a Deus. Consegui passar pelos portões do castelo.’

A carroça começou a sacudir e avançar.

Igmeyer provavelmente estava se aproximando pelo lado oposto.

Como planejavam evitar o caminho principal por onde os cavaleiros vinham, havia chance de ele não notar aquela carroça.

Toc, toc.

Nicholas, sentado à frente, bateu na parede.

Estava verificando se ela estava bem e se não apresentava sinais de desidratação.

Em resposta, Amber abriu a pequena porta interna e bateu levemente três vezes na parede.

Era seu sinal de que estava bem e pronta para seguir.

Além de evitar suspeitas, era crucial que Amber não se esforçasse, então Nicholas conduzia a carroça lentamente.

Enquanto Amber encarava o interior escuro da carroça, o som de inúmeros cascos ecoou ao longe, fazendo-a estremecer e recuar ainda mais.

Os cavaleiros estavam próximos.

Isso significava que Igmeyer também estava.

‘Eu quero vê-lo. Sinto tantas saudades.’

Seu coração disparou.

Um desejo frágil de se jogar nos braços do marido e chorar surgiu dentro dela.

Mas não podia permitir. Não deveria.

‘Só espero que Igmeyer veja meu bilhete e decapite Nidhogg…’

As coisas se desenrolariam tão facilmente?

‘Provavelmente não. Ele exigirá explicações.’

Então ela esconderia outro bilhete dentro daquela caixa.

Ele certamente encontraria a carroça e talvez lesse a mensagem.

Não sabia que pensamentos cruzariam a mente de Igmeyer depois disso, mas esperava que ao menos a escutasse.

‘Por favor, não me procure.’

Ele certamente tentaria salvá-la, mesmo que isso significasse se sacrificar ou que ambos morressem juntos.

Isso entrava em conflito com seu desejo de salvar os dois.

— Oh, doutor!

Naquele momento.

Amber instintivamente prendeu a respiração e cobriu a boca ao ouvir a voz familiar ecoando por perto.

Era Sir Gallard. Não havia dúvida.

— Para onde está indo?

— Tenho assuntos na cidade.

— Terá que fazer um desvio se pegar este caminho.

— Os cavaleiros estão retornando. Não posso bloquear a estrada.

Pensando bem, Nicholas era um ator nato. Sua voz permanecia firme, e o tom, tão gentil quanto sempre.

Ela se perguntou como estaria sua expressão, mas provavelmente parecia normal.

‘Por favor, sigam em frente. Apenas sigam.’

Amber respirou superficialmente e fechou os olhos com força.

Não queria imaginar o que aconteceria se fosse descoberta sem conseguir fugir.

Igmeyer provavelmente explodiria em fúria. Talvez até duvidasse de sua fidelidade.

Ela sabia que, ao fugir, nada poderia voltar a ser como antes. Ainda assim, queria evitar o pior.

— Ah, entendo. Tenha cuidado em sua jornada!

— Obrigado.

Sir Gallard, que conversava animadamente, seguiu adiante, e Nicholas retomou calmamente a condução da carroça. Depois mais alguns sons de trombetas anunciando o retorno dos cavaleiros ecoaram.

Nicholas imediatamente desmontou e abriu a porta da carroça.

— Você precisa ir agora.

— Está bem. E você, Nick?

— Não posso ir, pois só há um cavalo. Partirei como planejado, então cuide-se.

De fato, seria estranho atrelar dois cavalos à carroça, mas não havia escolha.

Como era uma partida urgente, provavelmente não tiveram tempo de preparar dois animais.

Após montar sozinha, Amber olhou para o amigo leal.

— Obrigada por não perguntar nada.

— Fico feliz por poder ajudar. Por favor, leve isto. É um remédio para enjoo matinal. Também preparei alguns outros itens essenciais.

Também não perguntou para onde ela iria.

Aquilo era uma clara demonstração de que pretendia manter seu paradeiro em segredo de todos.

— Então, uma última coisa — poderia cortar um pouco do seu cabelo? Preciso criar uma distração.

— Claro, aqui.

Amber puxou a adaga presa à cintura e cortou um punhado de cabelo, entregando a Nicholas. Ele o recebeu, observando pensativamente sua amiga de longa data e aquela a quem desejava servir, antes de fechar os olhos e se virar.

Não olharia para onde ela iria.

Se alguém perguntasse, diria que não sabia. E seria verdade.

Clop, clop!

Depois de ouvir o som do cavalo se afastando, Nicholas começou a correr em qualquer direção.

Isso dividiria o rastro em dois.

Cascos de cavalo e pegadas humanas.

Igmeyer certamente perseguiria ambos.

Pois suas pegadas eram pequenas como as de uma mulher comum, e ele deixaria fios dourados para trás.

‘Vá para bem longe. Se deseja partir, vá para onde quiser, minha princesa.’

Ele não se importaria se fosse capturado e torturado.

O que Nicholas desejava era simples.

A felicidade de Amber.

Era tudo o que queria.

— Amber?

Naquele momento, Igmeyer era atormentado por uma inquietação inexplicável.

Entre os que o recebiam estava Raphael, mas Amber não estava à vista.

Disseram que ela se sentia indisposta e permanecia no quarto, então ele correu até lá, apenas para não encontrá-la.

— Amber, querida.

Encontrou seu pente de marfim, seu perfume, a fronha, seus chinelos — e o frio na nuca se intensificou.

Igmeyer tentou manter a calma enquanto abria a porta do cômodo ao lado.

Seguiu para o escritório, e, pela primeira vez na vida, tropeçou.

Sua mente estava a mil, mas o corpo não acompanhava.

— Amber. Amber…!

Pensou que, ao abrir aquela porta, a encontraria dormindo ali dentro. Ela frequentemente cochilava no escritório.

Certamente olharia para ele e sorriria, dizendo: ‘Você chegou?’

Acreditando nisso, escancarou a porta, mas não havia calor algum no escritório. Apenas uma corrente de ar frio permanecia.

Não havia sequer vestígio de fogo na lareira, o que significava que Amber nem sequer entrara ali.

Então onde, afinal, ela poderia estar?

Continua…

Tradução: Elisa Erzet 

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Amber, era uma princesa tão linda quanto uma fada.
Seu marido, que viveu como mercenário, era muito diferente dela em todos os sentidos.
Devido a um casamento forçado, Amber caiu em desespero. Ao longo dos anos de seu casamento, se ressentia veementemente de tudo sobre seu marido.
No entanto, quando ele encontrou seu fim tentando protegê-la e ao filho que ela estava esperando, Amber foi tomada pelo arrependimento e desejou voltar no tempo…
O ponto de partida da regressão foi a noite de núpcias.
— Você não olhou para mim nem uma vez durante o banquete do casamento, pensei que estivesse chateada por se tornar esposa de um homem humilde.
Ela já era como cinzas queimadas, mas ele parecia um espírito de fogo dançando sobre as ruínas.
O abraço dele era forte demais para suportar, então Amber desviou finalmente o olhar.
🌸🌸🌸
‘Foi só após te conhecer que percebi que havia um vazio dentro de mim. E então fiquei feliz, sabendo que você vai completar esse vazio.
Mas conforme essa parte em mim era preenchida, fui ficando mais ganancioso.
Ah, se eu fosse um pouco mais perverso, eu teria devorado você inteira.
 
Ps: Meu outro maridinho

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