Ler A Tatuagem de Camélia – Capítulo 74 Online

Modo Claro

‘Eu não vi tudo? Por que a cena ainda não terminou?’

Muito tempo depois de o Grão-Duque deixar o quarto, a mulher se mexeu e despertou do sono.

Por um instante, ela ficou olhando fixamente para o vazio antes de erguer as mãos frágeis para cobrir o rosto. Amber podia ouvi-la murmurar baixinho:

“Não, não… assim não vai dar certo.”

Ela estava certa. Continuar daquela maneira levaria todos à fome. Amber se perguntou como atravessariam aquela crise.

Por algum motivo, um arrepio percorreu seu corpo, e ela continuava cerrando e abrindo os punhos, dominada por uma sensação inexplicável de pavor.

Eu preciso fazer alguma coisa.”

Conforme as palavras sussurradas de Militta se dissiparam, o ambiente ao redor gradualmente se turvou, como antes. Quando a luz retornou ao mundo, Amber se viu diante do Grão-Duque e Militta, que estavam num lugar desolado.

…É aqui que faremos?”

A voz do Grão-Duque era pesada e sombria.

Militta assentiu, o corpo vacilando, mas os olhos brilhando intensamente de determinação.

Havia um brilho em seus olhos, semelhante ao de alguém que tomou uma grande decisão — ao mesmo tempo assustador e pungente — e Amber não conseguia desviar o olhar.

Nosso sacrifício salvará o Norte.”

“Se for só eu, não me importo. Mas por que você também precisa fazer isso? Ainda não entendo.” — disse o Grão-Duque.

“Porque eu amo você. Eu te amo, e por meio deste ritual, nossas almas ficarão juntas para sempre.”

No tom firme de Militta, Amber não percebeu loucura, mas um amor genuíno. Um amor tão precioso que, mesmo na morte, ela não o largaria, querendo simplesmente estar junto.

Enquanto Militta sussurrava essas palavras, o Grão-Duque lentamente assentiu.

Está bem. Vamos fazer isso.”

“Eu me pergunto que tipo de árvore me tornarei. Com certeza será uma árvore grandiosa e bela.”

“…Sim, será. Será.” — O Grão-Duque suspirou, murmurando estas palavras.

Um vento seco começou a soprar de algum lugar, envolvendo os cabelos prateados de Militta e avançando em direção ao Grão-Duque.

Então… dentro de meio mês, quando a lua cheia surgir.”

Militta sussurrou calmamente enquanto estendia a mão. O Grão-Duque apertou-a com força e não disse nada. Aquecendo-a com a sua.

Observando essa cena, Amber se viu chorando sem perceber. Não sabia o que planejavam ou o que aconteceria em meio mês, mas a emoção silenciosa que emanava daquele momento pesava em seu coração.

Parecia que algo estava sendo renunciado— mas não era resignação.

Sacrifício.

‘Ela mencionou sacrifício?’

Havia, afinal, um sucessor para herdar Niflheim.

‘Parecia um sacrifício que lhes custaria a vida. Ela mencionou se tornar uma árvore.’

Enquanto observava os dois se afastarem, Amber olhou ao redor, mas não conseguia identificar onde estavam. A terra era tão árida que parecia impossível que algo sobrevivesse ali.

‘Ah, está mudando de novo.’

Desta vez, a cena se transformou rapidamente, como se alguém estivesse folheando as páginas de um livro.

O entorno se transformava de branco para escuro e vice-versa, e em meio a tudo isso, Amber pôde ver um altar sendo construído.

Era inconfundivelmente a cena de um ritual.

Ao final dele, estava Militta.

Ela segurava um livro junto ao peito, um que Amber reconhecia de antes.

“Nossa história será registrada aqui. Os dignos poderão ‘ver’ tudo e saber a verdade, enquanto os indignos lerão uma história distorcida.” — disse Militta, colocando o livro no chão e estendendo uma das mãos à frente.

Ao cortar a própria palma com uma adaga cerimonial de bronze, o Grão-Duque estremeceu e fechou os olhos com força, como se o ferimento dela lhe doesse mais do que qualquer dor que ele pudesse suportar.

“Um dia, se o Norte encontrar um caminho para prosperar novamente, que o digno veja isto e compreenda tudo. Eu, Militta, sangue de bruxa, filha de xamã, filha das trevas e da magia, assim desejo.”

O sangue que encharcou o livro brilhou de forma estranha com uma luz dourada.

A demonstração de magia — ou seja lá o que fosse — era tão chocante que Amber sentiu como se estivesse enraizada no lugar, incapaz de se mover.

Militta abriu os braços enquanto o Grão-Duque se aproximava.

Firme e inabalável.

O herdeiro e os vassalos que observavam atrás, assim como os cavaleiros ainda vivos, inclinaram profundamente a cabeça.

Venha aqui, meu amor. Ficaremos juntos para sempre.”

“Sim.”

“Todas as almas de Nidhogg estarão comigo, então não será doloroso. Ficaremos juntos até o dia em que todos sejamos libertados.” — falou o Grão-Duque.

‘Espere, Nidhogg?’

Amber ficou atordoada. ‘Por que Nidhogg é mencionado aqui?’

Antes que pudesse processar seus pensamentos, o herdeiro deu um passo à frente e olhou para o pai.

“Entendo que não há outro caminho, Pai.”

“Verdade. Não se preocupe comigo.”

“Já que atualmente não existe uma forma de o Norte sobreviver, terei um herdeiro com uma mulher que não amo. Quando essa criança crescer, atravessarei o mar e retornarei aqui.” — disse o garoto.

Meu filho é muito lamentável que eu precise passar este fardo para você.”

Tum, tum, tum!

O coração de Amber disparou violentamente, como se fosse explodir do peito.

‘Não, não é possível…’

‘Isso significava que Nidhogg era algo transmitido de geração em geração?’

Então… tinha continuado ininterruptamente até agora?

Até mesmo… os antigos Grão-Duques foram encarnações de Nidhogg?

‘Isso não pode ser verdade!’

Ela gritou em negação, mas a situação já se desenrolava daquela maneira.

Crack!

Um som estranho, como ossos se partindo, ecoou, e as costas do Grão-Duque se arquearam dolorosamente. Militta abraçou  suavemente o homem em sofrimento e começou a cantar.

Krraaaak!”

Quando o Grão-Duque soltou um grito horripilante, suas costas se abriram, revelando as asas coriáceas. Num instante, seu corpo inchou e se transformou num imenso dragão.

Por fim, Nidhogg, agora plenamente um dragão, rugiu.

Era o mesmo rugido que Amber sempre temeu…

Você se tornou um dragão magnífico, meu amor.”

Militta, abraçando o dragão, sorriu radiante. Gradualmente, ela também começou a se transformar em uma árvore.

Raízes se estenderam de suas pernas, e galhos brotaram de seus braços.

Ao fim desse espetáculo bizarro, havia uma árvore branca semelhante a Militta e um dragão negro enrolado ao redor dela, protegendo-a.

O Grão-Duque, agora Nidhogg, abriu a boca:

“Vá, meu filho. Vá e proteja o Norte.”

‘Como isso pôde acontecer?’

Como…?

Amber observou as figuras que partiam, então fechou os olhos, exalando um longo suspiro enquanto fitava o ofegante Nidhogg, antes de o olhar para o céu negro e turbulento.

Monstros caíam dos céus.

Mas não era o suficiente para destruir o Norte.

‘Ah… agora eu entendo. Finalmente.’

Nidhogg não era um inimigo. Apenas a fizera pensar que era.

Sua origem, no fim, servia para proteger o Norte.

Uma onda de vazio a invadiu, acompanhada por um medo crescente.

‘Então… e o meu bebê?

E quanto a Igmeyer?’

Isso significava que, um dia, Igmeyer se tornaria Nidhogg?

‘Isso nem sequer é uma maldição. Existe uma forma de se libertar disso?’

Ela queria fugir. Não queria mais ver nem saber de nada.

Mas compreendeu que não era possível.

Quando o ambiente voltou a escurecer, o que ela viu desta vez foi o herdeiro e os cavaleiros.

Então… segundo a bruxa, há cinco cenários possíveis.”

[Se não houver maneira de o Norte se sustentar.

Se surgir uma forma de o Norte se sustentar.

Se os gritos de Nidhogg levarem a uma destruição irreversível, tornando impossível a regeneração do Norte.

Se surgir uma forma de autossustentação, mas nascer um descendente com o sangue de Niflheim.

Ou se um humano puder renunciar ao próprio coração e valorizar apenas o Norte.]

Enquanto Amber encarava fixamente o pergaminho que o ajudante havia escrito, sentiu arrepios percorrerem seus braços.

“Se não houver maneira de autossustentação, o Grão-Duque deverá ter herdeiros apenas com mulheres que não ama”— disse o mordomo idoso, com pesar.

O jovem, que acabara de se tornar Grão-Duque, murmurou em resposta, em voz baixa:

De fato. Amar um filho com todo o coração e morrer… isso não deve acontecer nesta geração.”

No ambiente sombrio, o jovem voltou a falar:

Quando o filho crescer e se tornar adulto, o Grão-Duque, já enlouquecido, deverá atravessar o mar sozinho. Ele devorará o Nidhogg envelhecido e renascerá como o novo Nidhogg.”

“…Sim.”

O Norte será passado ao herdeiro adulto, e este ciclo se repetirá. Nidhogg enviará monstros para garantir a sobrevivência do Norte… Todas essas coisas serão transmitidas em um sonho no dia em que o Grão-Duque passar seu título.”

Era cruel. Como podia ser tão impiedoso?

Amber ficou sem palavras, completamente atônita.

Sua boca podia estar firmemente fechada, mas aquilo era realmente sensato?

Ainda assim, apesar de seus pensamentos, a conversa continuou.

Se por acaso um de nossos descendentes encontrar uma forma de o Norte se sustentar e o Grão-Duque reinante matar Nidhogg, então essa maldição será quebrada.”

“Sim.”

“E isso deve acontecer sem ter filhos.”

Assim que a menção a filhos surgiu, Amber concentrou-se ainda mais.

Não era justamente essa questão de ter filhos a mais importante agora?

“Se uma criança com o sangue de Niflheim for concebida, a maldição imediatamente se preparará para passar à próxima geração. E, uma vez que o bebê nasça, a maldição se tornará irrevogável.”

O Grão-Duque assentiu com as palavras de outro vassalo.

Se a maldição for ativada, a loucura trazida por esse poder acelera.”

“Exatamente.”

“Então adiarei ter filhos o máximo possível. O Norte precisa estar minimamente estável primeiro.”

Em meio às discussões calmas dos demais, apenas Amber se sentia completamente desnorteada.

‘Eles realmente acreditavam que aquilo fazia sentido?

Por que ninguém tentava detê-los?

E quanto à criança destinada a se tornar Nidhogg, o herdeiro… e quanto a Igmeyer?’

Que crime haviam cometido?

‘Meu filho, nosso bebê … que pecado cometeu? Por que precisa ser assim? Por que deve carregar os fardos do passado quando nem sequer nasceu ainda?’

Era difícil manter a calma.

Continua…

Tradução: Elisa Erzet 

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Amber, era uma princesa tão linda quanto uma fada.
Seu marido, que viveu como mercenário, era muito diferente dela em todos os sentidos.
Devido a um casamento forçado, Amber caiu em desespero. Ao longo dos anos de seu casamento, se ressentia veementemente de tudo sobre seu marido.
No entanto, quando ele encontrou seu fim tentando protegê-la e ao filho que ela estava esperando, Amber foi tomada pelo arrependimento e desejou voltar no tempo…
O ponto de partida da regressão foi a noite de núpcias.
— Você não olhou para mim nem uma vez durante o banquete do casamento, pensei que estivesse chateada por se tornar esposa de um homem humilde.
Ela já era como cinzas queimadas, mas ele parecia um espírito de fogo dançando sobre as ruínas.
O abraço dele era forte demais para suportar, então Amber desviou finalmente o olhar.
🌸🌸🌸
‘Foi só após te conhecer que percebi que havia um vazio dentro de mim. E então fiquei feliz, sabendo que você vai completar esse vazio.
Mas conforme essa parte em mim era preenchida, fui ficando mais ganancioso.
Ah, se eu fosse um pouco mais perverso, eu teria devorado você inteira.
 
Ps: Meu outro maridinho

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