Ler A Tatuagem de Camélia – Capítulo 73 Online

Modo Claro

— Está sujo.

Raphael hesitou novamente, percebendo que havia algo estranho, mas Amber não o ouviu.

Parecia uma corrente irresistível.

Como se alguém a empurrasse suavemente pelas costas, segurasse sua mão e a guiasse para frente.

Seus dedos inquietos finalmente tocaram o livro, e no instante seguinte…

— !

— Senhora!

Uma luz intensa irrompeu do livro, e centenas de mãos se estenderam, agarrando Amber.

Tudo aconteceu em um piscar de olhos.

— Ai…

Amber foi puxada e arremessada em algum lugar.

Foi um tratamento incrivelmente rude, mas as “mãos” que haviam surgido desapareceram tão rápido quanto vieram.

Sozinha, Amber esfregou a bunda e conseguiu se levantar, mas não via Raphael em lugar algum.

Ela estava sozinha.

‘O que aconteceu?’

Abriu a boca para gritar, mas nenhum som saiu. Era como se sua garganta estivesse bloqueada com um pano molhado; ela levou a mão ao pescoço, tentando forçar algum ruído, porém, por mais que tentasse, não conseguia falar.

‘Desisto.’

O que acabara de acontecer fora algo sobrenatural. Ou talvez a manifestação de algum poder. Seja o que fosse, estava além de sua compreensão, então não tinha escolha senão aceitar.

Surpreendentemente, Amber percebeu que se adaptava bem.

Além disso, não sentia medo por estar presa ali; parecia que o livro queria lhe mostrar alguma coisa.

Sentiu que, depois de ver tudo, a deixariam ir.

‘Não sei por que não consigo falar, mas… vou apenas aceitar.’

A próxima questão era: onde estava?

‘Isso me parece familiar….’

Enquanto observava o carpete gasto e as tapeçarias esfarrapadas no chão, Amber avançou lentamente.

Após alguns passos, a percepção a atingiu.

Este era o castelo de Niflheim. Não havia dúvida.

A razão de não ter reconhecido de imediato era… ele parecia tão decadente.

O carpete encharcado estava acinzentado, e a temperatura dentro do castelo era dolorosamente baixa, como se a lareira não tivesse sido acesa adequadamente. Não havia um único item decorativo à vista, e a poeira se acumulava nos parapeitos das janelas.

Era evidente que o lugar não vinha sendo cuidado.

‘Neve…’

Ali era pleno inverno.

Através da janela embaçada, Amber viu uma espessa camada de neve acumulada do lado de fora.

O estranho, porém, era que não havia nenhum caminho aberto para alguém passar.

‘O castelo está isolado?’

Ou talvez não houvesse mais servos para limpar a neve e abrir passagem.

Dado seu estado, isso parece bastante plausível.

O que devemos fazer?”

“Os moradores estão indo embora. Caso contrário, vão morrer de fome ou congelados.”

“Não há solução. Só restaram os caçadores.”

Naquele momento, Amber ouviu sussurros vindos de algum lugar dentro do castelo silencioso.

As vozes exaustas a levaram naquela direção.

Seja por descuido com a segurança ou por acreditarem que ninguém espionaria, a porta da sala de reuniões estava entreaberta.

Dentro, em vez dos móveis de madeira familiares a Amber, havia uma mesa redonda que parecia esculpida em pedra. Pessoas vestidas de maneira incomum estavam sentadas ao redor, engolindo seus murmúrios.

‘Os sapatos têm bicos pontudos. As calças são estranhas… e o que usam no pescoço é um estilo popular antes mesmo da época da minha avó.’

Sendo sensível às tendências, Amber percebeu que aquelas pessoas eram muito, muito antigas.

O que levantava uma questão crucial: De que geração eram?

“Estão todos reunidos?”

No instante seguinte, Amber deu um salto ao ouvir uma voz profunda e grave surgir atrás dela.

Sem ter sentido presença alguma, a voz atravessou seu corpo, deixando-a com a estranha sensação de ser um fantasma.

“Vossa Graça.”

“O senhor chegou.”

“Como está a situação?”

Os reunidos chamaram o último homem a entrar de “Vossa Graça”. Pelo título, Amber reconheceu quem ele era.

‘É o senhor de Niflheim de algumas gerações atrás. O Grão-Duque.’

O Grão-Duque barbudo parecia ter cerca de cinquenta anos, e um de seus olhos parecia turvo e cego.

Era grande e robusto, mais parecido com um mercenário do que com um nobre.

“Não está boa. Os animais selvagens estão quase extintos. Nem ursos em hibernação conseguimos encontrar. Se continuar assim, todos morreremos de fome.”

“Ah…”

Um suspiro pesado pairou sobre a mesa. Eram suspiros endurecidos como pedra, cheios de preocupação com comida e abrigo.

Observando melhor, Amber notou que todos tinham bochechas encovadas e olheiras profundas, sinais da fome a muito tempo ali.

Numa situação dessas, a família imperial não oferece apoio algum… Como isso é aceitável?!”

“Céus e terra sabem que o Grão-Duque não tem culpa. A nação inteira sabe, mas ainda assim…”

“Maldito Imperador!”

Bam!

Os cavaleiros bateram as mãos na mesa, tremendo de raiva.

Ouvindo a conversa, Amber aproximou-se mais. Mesmo ao tocar pessoas ou objetos, simplesmente os atravessava. Ninguém percebia sua presença.

“Não tem como enviar carroças carregadas de comida com as estradas cobertas de neve.” — Disse o Grão-Duque, com a voz pesada, tentando acalmar os cavaleiros.

Seus olhos aflitos estavam cheios de tristeza, mas Amber nada podia fazer ali. Além disso, era um evento ocorrido há muito tempo.

‘Oh, o cenário está mudando.’

Como se uma página de livro fosse virada, o ambiente ficou turvo e, poucos segundos depois, Amber estava em outro lugar.

Ainda dentro do castelo, mas diferente da atmosfera desolada anterior, aquele quarto era relativamente acolhedor. A cama estava coberta por grossos cobertores, havia muitas almofadas e, o mais importante, peles no chão que ajudavam a afastar o frio.

‘Este é o quarto da Grã-Duquesa.’

Durante o dia, o sol entrava ali, tornando-o um espaço claro e convidativo. Amber o reconhecia perfeitamente.

No entanto, ela não era a atual ocupante daquele quarto.

“Cof, cof!”

Uma mulher de aparência frágil estava sentada na cama, tossindo com tanta força que seu corpo inteiro parecia tremia. Tinha cabelos prateados como montanhas cobertas de neve e olhos azul-escuros que lembravam um lago tranquilo… e, no instante em que Amber a viu, um nome lhe veio à mente.

Raphael.

Ela não parecia uma nobre, mas sua graça e serenidade eram impressionantemente semelhantes às de Raphael.

“Seu estado está pior hoje. Está piorando a cada dia.”

“Bem-vindo… Vossa Graça.”

“Tsc. Eu disse para não falar. Nem tente se levantar quando não comeu nada ainda.”

O Grão-Duque aproximou-se e colocou um cobertor sobre os ombros da mulher, envolvendo-a com cuidado.

A mulher sem nome olhou para ele com um sorriso fraco, e o Grão-Duque franziu a testa.

‘Oh, eles estão apaixonados.’

Mesmo em meio àquela situação severa, estavam envolvidos em seu próprio romance.

Amber conseguia ver o amor florescendo em meio à desolação. No entanto, pelo modo como ela o chamava de “Vossa Graça”, parecia que não era sua esposa.

“Sinto muito… por minha causa…”

Eu disse para não falar isso. Não. Fique em silêncio.”

“Mas…”

Ao aproximar-se mais, Amber percebeu que a mulher tinha olhos suaves e inocentes. A preocupação neles fez o coração de Amber apertar.

Não é sua culpa. Eu enfrentaria qualquer inimigo para salvá-la. Consegui resgatá-la daquele bastardo, mas lamento que tenha terminado assim — te deixando passar fome.”

O Grão-Duque deitou-a com cuidado e acariciou seus cabelos. Ela aceitou o gesto com gratidão e sorriu levemente.

Um sorriso que parecia poder desaparecer a qualquer momento.

“Eu… me sinto melhor agora do que antes. Viver era um inferno naquele lugar…”

“Ainda assim, você não passava fome.” — Ele murmurou com amargura, mas ela balançou a cabeça.

Não. Mesmo que eu só possa comer raízes, é melhor agora. Apenas me deixe ficar ao seu lado.”

“…Como eu poderia deixá-la ir agora?”

“Não me deixe ir. Lembre-se de mim para sempre…”

Pelo que Amber deduziu, aquela mulher de cabelos prateados havia sido um brinquedo do Imperador. Embora não parecesse de origem nobre, sua beleza provavelmente a fizera sofrer dentro do palácio.

O Grão-Duque, apaixonado por ela, a resgatara das mãos do Imperador, o que provavelmente levou o Imperador a cortar todo apoio em retaliação.

‘Foi uma atitude que o Grão-Duque não deveria ter tomado. Mas…’

Amber não queria julgar. Às vezes, o amor transforma o impossível em possível e faz todo o resto desaparecer.

“Pai.”

Naquele momento, uma batida suave foi seguida por outra voz grave atrás de Amber.

Quando se virou, viu um jovem que claramente se parecia com o Grão-Duque.

Os caçadores capturaram uma rena.”

“É uma boa notícia. Mande preparar um ensopado para dividir com todos.”

“Sim.”

O jovem acenou para a mulher e saiu rapidamente. Ficava claro que não era filho dela.

‘Provavelmente uma criança nascida de um casamento político. O fato daquela mulher ocupar este quarto significa que a Grã-Duquesa já morreu. Então, o filho está apenas aceitando.’

De qualquer forma, parecia improvável que ela tivesse filhos.

Primeiro, por sua condição frágil; segundo… provavelmente não tinham um relacionamento físico. Suas interações pareciam limitar-se a gestos gentis, pelo modo como ele acariciava seus cabelos.

Talvez fosse apenas impressão, mas parecia haver uma diferença perceptível na intimidade entre aqueles que haviam compartilhado um relacionamento físico e aqueles que não.

“Se o Imperador continuar assim, terá de enfrentar todo o Norte. Portanto, não se preocupe, apenas descanse.”

Lágrimas se acumularam nos olhos da mulher diante da declaração direta, porém sincera, do Grão-Duque. Parecia prestes a desabar em choro, os ombros delicados tremendo.

Após alguns afagos reconfortantes, ela finalmente adormeceu, e ele soltou um suspiro pesado.

Eu te amo, Militta.”

Assim, Amber descobriu que o nome da mulher — provavelmente ancestral de Raphael — era Militta.

Continua…

Tradução: Elisa Erzet 

Ler A Tatuagem de Camélia Yaoi Mangá Online

Amber, era uma princesa tão linda quanto uma fada.
Seu marido, que viveu como mercenário, era muito diferente dela em todos os sentidos.
Devido a um casamento forçado, Amber caiu em desespero. Ao longo dos anos de seu casamento, se ressentia veementemente de tudo sobre seu marido.
No entanto, quando ele encontrou seu fim tentando protegê-la e ao filho que ela estava esperando, Amber foi tomada pelo arrependimento e desejou voltar no tempo…
O ponto de partida da regressão foi a noite de núpcias.
— Você não olhou para mim nem uma vez durante o banquete do casamento, pensei que estivesse chateada por se tornar esposa de um homem humilde.
Ela já era como cinzas queimadas, mas ele parecia um espírito de fogo dançando sobre as ruínas.
O abraço dele era forte demais para suportar, então Amber desviou finalmente o olhar.
🌸🌸🌸
‘Foi só após te conhecer que percebi que havia um vazio dentro de mim. E então fiquei feliz, sabendo que você vai completar esse vazio.
Mas conforme essa parte em mim era preenchida, fui ficando mais ganancioso.
Ah, se eu fosse um pouco mais perverso, eu teria devorado você inteira.
 
Ps: Meu outro maridinho

Gostou de ler A Tatuagem de Camélia – Capítulo 73?
Então compartilhe o anime hentai com seus amigos para que todos conheçam o nosso trabalho!