Ler A Tatuagem de Camélia – Capítulo 66 Online
— Se eu soubesse que você ficaria tão feliz em ver o Nicholas Eaton, talvez o tivesse convidado antes… embora uma parte de mim deseje que ele nunca tivesse vindo. É bem contraditório.
Só então Igmeyer percebeu o que aquele sentimento era.
Ciúme.
Afinal, ele sentia ciúme de praticamente tudo ao redor de Amber, então não era estranho que Nicholas também despertasse isso.
— Mesmo assim, obrigada por tê-lo convidado, meu amor. Pelo que diz a carta, Nick deve chegar em uma semana!
— Então providenciarei uma carruagem para que ele chegue com todo o conforto.
Pelo menos agora ele sentia tranquilidade suficiente para pensar assim. Ultimamente, o homem tinha a sensação de que seu relacionamento com Amber nunca estivera tão bom. Dormiam juntos todas as noites e acordavam na mesma cama.
Durante o dia, levavam vidas diferentes, mas ainda assim ele sempre dava um jeito de ir vê-la. E Amber o recebia, todas as vezes, com o mesmo sorriso caloroso. Um sorriso e um olhar que o aquecia instantaneamente. Talvez por isso Igmeyer estivesse envolto em uma sensação de estabilidade que jamais havia experimentado.
Ele nunca soubera o quão maravilhosa uma família poderia ser. Se não fosse por Amber, talvez nunca tivesse descoberto. Por isso, ele era incrivelmente grato a ela.
‘Espero que tudo permaneça assim para sempre.’
Com um olhar amoroso para Amber, que estava empolgada, Igmeyer fez uma prece ao céu. Esperava que não perdessem a felicidade que tinham acabado de encontrar.
Assim que um método para tornar o Norte autossustentável fosse estabelecido, ele poderia matar o Nidhogg atual. Se o atual Grão-Duque matar Nidhogg sem um herdeiro, a maldição será quebrada com a geração dele. Até lá, ele só podia torcer para que nada desse errado.
Enquanto Amber trabalhava na autossuficiência do Norte, havia uma coisa que Igmeyer não devia esquecer: continuar com a contracepção eficaz.
Dizem que coisas boas acontecem em sequência. No dia anterior à visita de Nicholas ao castelo, quase milagrosamente, Nora retornou. E não trouxe apenas alguém que conhecesse os jogos de esqui, mas alguém da própria terra onde os jogos se originaram.
— Senhoooooora! Senti tanto a sua falta!
— Nora, bem-vinda de volta! O que aconteceu? Por que não mandou nenhuma notícia?
— Então… é que…
Enquanto abraçava Nora, que chorava e fungava sem parar, Amber ouviu atentamente toda a história. No caminho de Nilfheim para Shadroch, Nora e seu pai foram sequestrados. Presos em uma carruagem, Nora entrou em pânico, mas conseguiu manter a sanidade porque estava com o pai.
Apesar do terror, Nora nunca esqueceu sua missão e expressou sua preocupação sobre como deveria investigar o esqui com seu pai.
Por acaso, naquela mesma carruagem havia alguém que conhecia o esporte. Embora não falassem a mesma língua, a pessoa entendeu o termo “esqui” mencionado por Nora e os dois acabaram cooperando.
— E então… e então… snif… nós escapamos… eu fiquei responsável por distrair… fui corajosa!
— Céus…
— Mas essa pessoa acabou sendo um nobre, e logo alguns cavaleiros vieram e me resgataram. Mas insistiram que eu fosse com eles… snif, fui levada à força, não sabia como mandar uma carta… não conseguia me comunicar…
Lágrimas brotaram nos olhos de Nora. Vendo o quanto ela tinha sofrido sozinha, Amber deu a ela um abraço caloroso e acariciou suas costas.
— Sinto muito que tenha passado por tudo isso por minha causa.
— Não foi nada! Até que foi emocionante. Eu vi os jogos de esqui pessoalmente! Os esquiadores ouviram minha história e quiseram vir… então eu os trouxe comigo.
Embora inesperados, eram convidados ilustres. Amber enxugou os olhos de Nora com um lenço e a ajudou a assoar o nariz. Enquanto isso, Igmeyer conversava com os convidados, com Jean atuando como tradutor. Embora Niflheim não tivesse intérpretes oficiais, Jean conseguia se virar bem.
— Eles estão elogiando o clima daqui. É a primeira vez que ouço alguém dizer que gosta do clima de Niflheim.
A tradução não era perfeita, mas transmitia a ideia geral. Jean transmitia a mensagem com sua maneira e tom únicos.
— Eles dizem que o clima é tão agradável que gostariam de morar aqui para sempre, apesar da neve nas monthas. Eu também nunca ouvi isso antes.
— Elogiando Nilfheim? Gosto bastante.
Os homens eram altos, corpulentos, de cabelos quase brancos e olhos azuis surpreendentemente gentis, contrastando com seus físicos imponentes. Vinham de uma terra chamada Kroneden. Apesar de distante de Niflheim, ficava relativamente próxima de Shadroch.
Cinco esquiadores, o Lorde Heraldry, que foi sequestrado com Nora, e o Conde Heraldry, que veio com seu filho. Além deles, dez criados. Dezessete convidados no total. O castelo ficaria bem movimentado.
Sentindo-se cheia de energia, Amber abriu rapidamente os quartos de hóspedes já preparados, providenciou acomodações separadas para os servos e ordenou à cozinha que preparasse mais comida. O vinho reservado seria servido no banquete daquela noite. Com a chegada de Nicholas no dia seguinte, parecia que ela ficaria ocupada conversando com novos visitantes por um bom tempo.
— Com licença, senhora… e, hum…
Depois que a situação caótica se acalmou, Nora se aproximou de Amber silenciosamente e sussurrou:
— Eu também trouxe a pessoa de Shadroch que a senhora mencionou. Mas ela é bem idosa e parece não querer ser vista por mais ninguém, então pedi que ficasse na carruagem… o que devo fazer?
— Vou vê-la agora. Obrigada pelo seu esforço. Não esquecerei o que você fez.
— Hehe, não foi nada. Foi minha primeira viagem, então eu também gostei. Meu pai ficou assustado no início, mas agora se enturmou com aquelas pessoas e até tomou algumas bebidas.
Nora sorriu radiantemente. E, à distância, estava um jovem observando Nora nervosamente com um olhar ansioso: Lorde Heraldry. Ele era exatamente a pessoa que havia sido sequestrada junto com ela.
‘Então eles devem ter levado Nora para o país deles porque ele gostou dela, mesmo sem conseguir se comunicar?’
Ele era bem-apessoado, alto e tinha uma expressão gentil. Até parecia um pouco brincalhão. Mas Nora não demonstrava o menor interesse.
‘Minha nossa.’
Era claramente um sentimento unilateral. Por estar apaixonada, Amber percebia essas coisas com muita clareza.
— A propósito, o que aconteceu com aquela mulher insuportável? A senhora a expulsou, não foi?!
O jovem, que persistia em olhar para Nora, foi finalmente levado embora pelo pai. Apesar disso, ele continuava olhando para trás. Era até fofo. Amber sorriu levemente e respondeu a Nora:
— Não sei para onde Iona foi. Ela simplesmente desapareceu… temo que tenha fugido.
— O quêêê? A gente devia ter capturado ela! Se eu estivesse aqui, teria vigiado sem dormir por quarenta e oito horas…!
— Está tudo bem. Já acabou.
Olhando para trás, tantas coisas aconteceram enquanto Nora estava fora. Na época, fora doloroso e frustrante, mas agora parecia apenas parte do passado. E qualquer problema futuro também acabaria passando. Se ela não esquecesse disso, sentia que poderia suportar qualquer coisa.
— É aquela carruagem.
— Certo. Vou falar com ela em particular. Vá descansar.
— Sim!
Nora parecia transbordar de felicidade por estar de volta. As outras criadas, que aguardavam por ela, estavam reunidas um pouco mais adiante. Amber observou Nora correr até as amigas e respirou fundo. Agora, era hora de investigar as bênçãos que desciam de Shadroch.
Creeeec.
Com o som da porta da carruagem se abrindo, a idosa lá dentro virou a cabeça lentamente. Apesar da idade, ela ainda tinha um rosto bonito. Seus lábios, embora marcados por rugas, estavam suavemente fechados. Suas costas eram curvadas, mas havia uma graça sutil e digna na maneira como ela apoiava as mãos sobre as coxas.
Amber se apresentou à mulher, que não podia enxergar.
— Faz tanto tempo, Vovó Linda. Sou a Amber… você se lembra de mim?
— Como poderia esquecer nossa princesinha? Estou verdadeiramente feliz em vê-la antes de morrer, velha como estou.
A mulher era conhecida como Vovó Linda. Ela fora a babá da falecida rainha, mãe de Amber, e permanecera no palácio até que Amber completasse dez anos. Embora a protagonista tivesse sua própria babá, Linda era conhecida como a babá-chefe; cuidava das situações que as mais jovens não conseguiam lidar.
Como quando Amber fazia birra ou chorava sem parar… Vovó Linda resolvia tudo com facilidade. Ela sempre soubera compreender os sentimentos de Amber. Antes que a porta se fechasse e Amber se sentasse, Vovó Linda falou com carinho:
— Fiquei muito preocupada quando soube que você se casaria. Mas, ao vê-la agora, percebo que minhas preocupações eram infundadas. Você parece feliz, princesa.
— Ah… dá mesmo para perceber?
— Com toda certeza. Até seus passos estão diferentes. Quando a princesinha ficava zangada, pisava com tanta força…
— É verdade, eu fazia isso.
Amber relembrou brevemente seus dias de infância, quando segurava a barra da saia e marchava vigorosamente quando chateada, e riu baixinho. Embora tenha passado muito tempo, sentar ali com a Vovó Linda parecia um retorno a um passado querido.
— Mas… a julgar pela urgência com que você veio procurar esta velha, parece que você já voltou no tempo uma vez.
— !
— Não precisa ficar tão surpresa. A bênção do arrependimento não é algo que deva ser mantido em segredo.
A velha senhora começou com uma expressão genuinamente feliz. Amber temia que aquele assunto devesse permanecer em segredo; agora, sentiu um enorme alívio.
— Existem histórias sobre essa bênção, sabia? Parece que esta velha conseguiu viver tempo suficiente para contá-las a você.
— Há algo diferente do que eu ouvi?
— Talvez haja. Talvez não. Então, princesa… o que exatamente você mais deseja saber?
Sim, a Vovó Linda sempre foi direta assim. Ela não dava voltas, mas perguntava diretamente, algo que Amber sempre apreciou.
Continua…
Tradução: Elisa Erzet
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Amber, era uma princesa tão linda quanto uma fada.
Seu marido, que viveu como mercenário, era muito diferente dela em todos os sentidos.
Devido a um casamento forçado, Amber caiu em desespero. Ao longo dos anos de seu casamento, se ressentia veementemente de tudo sobre seu marido.
No entanto, quando ele encontrou seu fim tentando protegê-la e ao filho que ela estava esperando, Amber foi tomada pelo arrependimento e desejou voltar no tempo…
O ponto de partida da regressão foi a noite de núpcias.
— Você não olhou para mim nem uma vez durante o banquete do casamento, pensei que estivesse chateada por se tornar esposa de um homem humilde.
Ela já era como cinzas queimadas, mas ele parecia um espírito de fogo dançando sobre as ruínas.
O abraço dele era forte demais para suportar, então Amber desviou finalmente o olhar.
🌸🌸🌸
‘Foi só após te conhecer que percebi que havia um vazio dentro de mim. E então fiquei feliz, sabendo que você vai completar esse vazio.
Mas conforme essa parte em mim era preenchida, fui ficando mais ganancioso.
Ah, se eu fosse um pouco mais perverso, eu teria devorado você inteira.
Ps: Meu outro maridinho