Ler A Tatuagem de Camélia – Capítulo 65 Online

Modo Claro

 

            1.  Dilema

O pulso esguio de Amber movia-se graciosamente.

O pincel que ela segurava dançava livremente sobre a tela, mas a pintura que surgia estava em franco desacordo com seu entusiasmo.

— Boa tarde, minha senhora. Vejo que hoje também não deixou de pintar.

— Olá, senhora!

Os cavaleiros a cumprimentavam ao atravessar o jardim. Amber respondia com um aceno e logo voltava a se concentrar na pintura.

Era um dia pacífico.

Desde o dia em que Igmeyer partira para caçar na Floresta Yolkie, o Sumo Sacerdote estava desaparecido.

Amber tinha uma vaga ideia do que poderia ter acontecido, mas não fez perguntas. Se ele quisesse contar, contaria.

Notavelmente, nem o palácio nem a igreja responsabilizaram ninguém pelo desaparecimento do Sumo Sacerdote.

Os sacerdotes que haviam sido expulsos do Norte anteriormente — e que, no momento crucial, não puderam contar com a ajuda do Sumo Sacerdote — odiavam Igmeyer tanto quanto odiavam Mikael.

Embora a família de Mikael tivesse causado alvoroço exigindo o envio de uma equipe de investigação, Igmeyer fora categórico ao afirmar que eles não seriam bem recebidos.

Ainda assim, a equipe foi enviada… e voltou praticamente de mãos vazias.

Os nortenhos se recusaram a cooperar, não havia guias dispostos a ajudar e ninguém parecia saber nada sobre os monstros. Honestamente foi quase um milagre que tivessem retornado vivos.

O Príncipe Loki, por outro lado, havia retornado à capital de forma muito mais tranquila do que o esperado.

Parecia que Igmeyer lhe dissera algo no final, mas Amber não conseguiu entender o quê. De qualquer forma, Loki não protestou contra seu confinamento.

Assim, a paz voltou ao palácio.

Os dias passavam, e Amber ficava cada vez mais ansiosa, pois Nora não dava sinal de retorno.

Já fazia bastante tempo desde que Nora partira, e ainda assim não havia sequer uma carta. Por quê?

Amber temia que algo tivesse acontecido, mas mantinha a aparência serena, fingindo não se preocupar. Ocupava-se com a pintura, esforçando-se para manter a compostura.

‘Mas para onde Iona foi?’

No dia em que o Sumo Sacerdote desapareceu, Iona também havia sumido.

Enquanto todos se concentravam no Sumo Sacerdote, apenas Amber pensava na pobre mulher.

‘Está começando a ficar frio… Será que ela foi mesmo para longe porque a expulsei?’

Se Iona estivesse escondida em algum lugar do Norte, Amber não se daria ao trabalho de procurá-la. Mesmo que os soldados pudessem encontrá-la, ela já não era necessária.

— Ha…

Assim, na superfície, tudo parecia resolvido, então por que aquela sensação incômoda persistia?

Talvez porque ela não conhecesse as verdadeiras intenções de Mikael.

Ela duvidava que Igmeyer tivesse lidado com Mikael sem descobrir isso, mas, como ele não lhe dissera nada, o mistério permanecia.

Amber hesitou em insistir, acreditando que havia um motivo para ele não compartilhar a verdade.

Embora seu relacionamento com Igmeyer estivesse melhor do que nunca ultimamente, os assuntos não resolvidos sobre Mikael e Iona pesavam em sua mente e causavam aflição.

Assim, Amber aguardava, dia após dia, por notícias de Nora. Esperava ouvir algo sobre a Bênção do Arrependimento, o esqui… e qualquer pessoa capaz de esclarecer tudo aquilo.

— Oh.

Perdida em pensamentos, ela estragou sua pintura quando o pincel escorregou.

Rapidamente, largou-o e usou um pedaço de pão para absorver a tinta.

‘Deixa para lá. Tudo está bem, desde que nada tenha acontecido e ninguém importante para mim tenha se machucado.’

Isso deveria ser suficiente. Precisava bastar.

Amber apertou as mãos trêmulas e respirou fundo.

Quando Nora voltar, as coisas devem melhorar. Ela se concentraria no evento de esqui e começaria a trabalhar em formas do Norte ser autossustentável, sem deixar espaço para pensamentos perturbadores.

— Amber, essa pintura de hoje é uma meditação sobre a morte? A sombra da rena solitária morrendo sozinha realmente me tocou.

— …É uma natureza-morta de pão e sombras!

Pouco depois, Igmeyer surgiu atrás dela e fez seu comentário com a maior seriedade.

Amber sentiu-se na defensiva — não era a primeira vez que suas naturezas-mortas eram confundidas com paisagens ou arte abstrata.

— Minha pintura é tão ruim assim?

— Não, Amber. Cofcof… devo ter visto errado. Meus olhos devem estar pregando peças. Que tal eu ir me lavar e voltar depois?

Igmeyer rapidamente tentou melhorar o humor de Amber com sua lábia, percebendo que ela estava desanimada ultimamente.

Ele não estava totalmente alheio ao motivo de sua angústia.

No entanto… como poderia abordar isso? Como poderia falar sobre o primeiro segredo de Niflheim?

‘Geralmente, é porque eles não se amam. Quando se ama a esposa, a perspectiva de o próprio filho ter que matar o pai no futuro se torna algo triste, então eles deliberadamente escolhem uma mulher que possa dar à luz um herdeiro forte, mas que não exista amor.  Como dizer a ela que um dia nosso filho terá que me matar?’

Ele não podia revelar o primeiro segredo de Niflheim.

As razões para não ter filhos — ou não desejá-los — eram coisas que não podiam ser ditas.

Se revelasse uma parte, todo o resto viria à tona. E não havia nada que pudesse compartilhar.

Além disso, os cavaleiros que conheciam esse segredo haviam feito um juramento de silêncio diante dele.

E aquele juramento não era algo que pudesse ser quebrado à vontade.

No momento em que fora pronunciado em território de Niflheim, tornara-se um feitiço vinculante de silêncio.

‘De qualquer forma… há dias em que fico genuinamente feliz ao receber uma carta daquela pessoa. No fim, tudo é uma questão de viver o bastante para presenciar certas coisas.’

Para animar Amber ou pelo menos desviar seu foco, Igmeyer havia planejado algo.

Embora detestasse a ideia e a achasse extremamente desagradável… decidiu chamar Nicholas Eaton de volta ao castelo. Sabia onde ele prestava serviços médicos, então era possível localizá-lo.

Assim, a carta era uma resposta à que Nicholas havia enviado e incluía perguntas sobre o bem-estar de Amber.

— Tenho algo para você, Amber.

— Hm?

— É uma carta. De Nicholas Eaton.

— Nick?!

Como esperado, o rosto de Amber se iluminou ao ouvir o nome de Nicholas. O brilho em seus olhos foi tão intenso que fez o estômago de Igmeyer revirar, mas ele conseguiu forçar um sorriso.

Se isso pudesse melhorar o humor dela, já seria o suficiente.

Embora desejasse poder revelar tudo, não podia. Aquilo era o máximo que conseguia fazer.

— O Nick está vindo? Você o chamou? Meu Deus…

— Sim. Você anda meio desanimada ultimamente. Achei que reencontrar um amigo pudesse animá-la.

— Obrigada, meu amor!

Amber leu a carta rapidamente e, emocionada, chamou Igmeyer de forma mais carinhosa.

Honestamente, ela não havia se esquecido de Nicholas — um amigo próximo que conhecia toda a história de Shadroch. Apenas evitara mencioná-lo para não gerar discussões desnecessárias com Igmeyer.

Mas o fato de o marido compreender seus sentimentos e agir por conta própria…

Poderia ela ser mais feliz?

— Não acredito que fui chamado de “meu amor” apenas por isso… É bom, mas um pouco estranho. Acho que sou mesmo mesquinho.

Igmeyer riu baixinho, segurou a mão de Amber e a puxou com delicadeza para mais perto, depositando beijos suaves por toda a sua pequena mão.

Continua…

Tradução: Elisa Erzet

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Amber, era uma princesa tão linda quanto uma fada.
Seu marido, que viveu como mercenário, era muito diferente dela em todos os sentidos.
Devido a um casamento forçado, Amber caiu em desespero. Ao longo dos anos de seu casamento, se ressentia veementemente de tudo sobre seu marido.
No entanto, quando ele encontrou seu fim tentando protegê-la e ao filho que ela estava esperando, Amber foi tomada pelo arrependimento e desejou voltar no tempo…
O ponto de partida da regressão foi a noite de núpcias.
— Você não olhou para mim nem uma vez durante o banquete do casamento, pensei que estivesse chateada por se tornar esposa de um homem humilde.
Ela já era como cinzas queimadas, mas ele parecia um espírito de fogo dançando sobre as ruínas.
O abraço dele era forte demais para suportar, então Amber desviou finalmente o olhar.
🌸🌸🌸
‘Foi só após te conhecer que percebi que havia um vazio dentro de mim. E então fiquei feliz, sabendo que você vai completar esse vazio.
Mas conforme essa parte em mim era preenchida, fui ficando mais ganancioso.
Ah, se eu fosse um pouco mais perverso, eu teria devorado você inteira.
 
Ps: Meu outro maridinho

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