Ler A Tatuagem de Camélia – Capítulo 57 Online
‘O que eu faço… E se ela começar a me odiar?’
Naquele momento, Iona, que havia sido mandada para o corredor, roía ansiosamente as unhas e se remexia.
‘Não posso deixar que isso aconteça. Preciso causar uma boa impressão na Senhora. Tenho que ficar aqui o maior tempo possível.’
Iona havia aprendido a apreciar o sabor do pão macio. Ela sabia o quão delicioso era com bastante manteiga e geléia. Sentia uma alegria pura ao despedaçar pedacinhos de pão para mergulhar em cada última gota da sopa!
Também descobrira o sabor ácido das frutas secas e a doçura ocasional dos bolos.
Se ela não tivesse descoberto esse conforto e essa abundância, talvez tivesse vivido sem nunca saber o que estava perdendo. Mas agora que havia provado esse luxo, voltar à vida antiga era impensável.
‘Prefiro morrer a perder isso.’
Lágrimas começaram a se formar nos grandes olhos de Iona.
Madame Étoile ensinava as maneiras essenciais às mulheres que se preparavam para casamentos arranjados. Iona aprendera etiqueta à mesa e como usar os talheres.
No entanto, o que lhes era servido era pão duro como pedra e uma sopa que mal passava de água. Madame Étoile, conhecida por sua avareza, nunca oferecia refeições adequadas.
Tendo crescido acreditando que aquilo era normal, Iona acabou se encantando por todos os novos alimentos que encontrou ali.
‘Devo voltar e implorar agora? Devo admitir que, na verdade, não estou grávida, que não há bebê? Talvez ela entendesse…’
O medo tomou conta de Iona, e ela começou a pensar como uma criança, não como uma adulta.
Para alguém que crescera com a crença de que deve sempre obedecer e servir à Senhora, cada palavra de Amber, a ‘Senhora’, tinha um impacto surpreendentemente significativo.
Na verdade, ‘a Senhora’ se referia à Senhora Idosa. Ou seja, ela precisava causar uma boa impressão na mãe do homem que tentava enganar para se casar. Mas Iona nunca havia entendido essa parte.
Como muitas tradições orais, as histórias haviam perdido alguns detalhes e ganhado acréscimos ao longo do tempo. Iona crescera sem ouvir os termos ‘Senhora Idosa’.
Ela era um pouco distorcida, desalinhada, estranha, contraditória e confusa…
Sua criação foi caótica, e ela não era particularmente fã de estudar, então não sabia como pensar logicamente.
Sentir-se cheia ou com fome era praticamente o limite do que Iona conseguia compreender. Nesse contexto, Amber parecia um Deus para ela.
— Se-Senhora!
Assim que Amber apareceu, Iona tremeu e abriu a boca, seu chamado cheio de desespero como o grito dolorido de um pássaro ferido.
— Senhora, veja…
Iona correu em direção a Amber, hesitou antes de agarrar seu pulso e puxou a mão de volta, lembrando-se de como Amber detestara aquela ação antes.
— E-Eu consigo fazer. Tudo o que a senhora pedir. Não posso ser uma criada também?
A verdadeira Iona era muito diferente da persona que ela encenava. Quando começava a atuar, sua fala fluía, seu olhar mudava, sua postura também. Mas a Iona comum era assim.
Amber observava Iona, que parecia incapaz de se afastar dela, apenas rondando ao seu redor.
Para Amber, os sentimentos e o estado de Iona eram claros.
Uma criança em busca de amor, com medo de ser abandonada.
Ao mesmo tempo, Amber teve uma percepção instintiva.
Esta era a oportunidade.
‘Não gosto particularmente de manipular os sentimentos das pessoas assim.’
Mas não havia nada que ela não faria pelo que precisava ser protegido.
Além disso, Amber estava começando a achar os hóspedes indesejados no castelo cada vez mais insuportáveis.
— Iona, eu tenho uma pergunta.
— S-Sim, sim!
Pouco depois, Amber levou Iona até seu quarto.
Para o cômodo mais seguro e protegido do castelo.
Iona se encolheu enquanto esperava pelas perguntas de Amber.
— Quem te mandou aqui?
— I-isso é…
— Eu vou garantir a sua segurança. Você só estava seguindo ordens, não estava?
Amber a tranquilizou, suavizando o tom o máximo possível.
— Você não quer continuar aproveitando comida deliciosa e se mantendo aquecida, como agora?
— …Quero.
— Então me diga o que você lembra sobre quem te enviou e por quê. De onde você veio originalmente?
Amber já tinha ouvido falar de Madame Étoile por meio de Igmeyer.
Ela sabia que Raphael havia invadido a residência de Madame Étoile e estava conduzindo uma investigação minuciosa.
Todos os crimes de Madame Étoile seriam expostos, e ela não escaparia da execução.
Mesmo assim, até então, não havia informações sobre quem havia contratado Iona.
Essa era a situação até a noite passada. Como Igmeyer, que acabara de chegar, não mencionou progresso algum… devia ser o mesmo de antes.
Seria ótimo se Iona pudesse fornecer alguma resposta.
Vendo a hesitação de Iona, Amber fez questão de demonstrar decepção em sua expressão.
— Então você disse que queria me ajudar, mas tudo não passou de uma mentira.
— N-Não! Eu realmente quero ajudar. Por favor, acredite em mim…!
— Como eu posso acreditar? Você apareceu alegando estar grávida do filho do meu marido, o que era mentira.
— I-Isso… isso foi… mentira…
A voz de Iona ficou mais baixa.
‘Como eu suspeitava.’
Os olhos de Amber se estreitaram.
Parecia que Iona acreditava que Amber estava sendo gentil, ainda aceitando a história da gravidez.
— Se você não tem mais nada a dizer, então não há mais nada a discutir. Não há motivo para tratá-la melhor.
Com uma expressão fria, Amber se levantou e deu a ordem final.
— Saia.
— Se-Senhora. Só… só um momento. E-Eu lembro de algo…!
Ser abandonada era assustador, e ela odiava isso.
Madame Étoile costumava levar as crianças até becos em ruínas para mostrar as chamadas “mulheres descartadas”.
Para evitar tal destino, eram ensinadas a serem gratas pela comida limpa e água fornecidas por ela, e a sempre desempenhar bem seus deveres.
O choque daquela experiência ficou profundamente gravado na mente de Iona, moldando-a como uma criança obediente. Esse medo persistia mesmo agora, quando ela já era mais velha.
O medo do poder de Madame Étoile naturalmente se transferiu para um medo da autoridade de Amber. Da perspectiva de Iona, Amber era ainda mais aterrorizante do que a outra.
— O-Olhos verdes!
— …
— Olhos verdes. Eu não consegui ver o rosto direito por causa do capuz, mas lembro dos olhos verdes.
Quando Iona se curvou e se levantou, ela capturou um breve vislumbre disso.
Esperando que aquilo fosse uma informação útil, Iona apertou as mãos com força.
E Amber…
‘Olhos verdes! Então é o Mikael.’
Isso significa que, de agora em diante, Iona é uma testemunha que deve ser protegida. Ao mesmo tempo, ela deve ser monitorada para garantir que não fuja.
Com essa conclusão, Amber sorriu gentilmente e deu um leve tapinha no ombro de Iona.
Agora, a questão era o motivo.
Por que Mikael havia enviado Iona para cá?
Entender isso não foi fácil.
A igreja havia pressionado pelo casamento, e Mikael recebera a profecia. Então, por que ele estaria tentando separá-los?
Depois de muito pensar sem que respostas surgissem, a vida diária continuou.
No momento, Amber participava de uma reunião em que discutiam estratégias específicas para lidar com Nidhogg.
— Todos, deem uma olhada nisto. Esta é uma catapulta projetada especificamente para lutar contra Nidhogg. Poderiam chamá-la de arma exclusiva para Nidhogg.
Com a explicação de Amber, os olhos dos cavaleiros de elite se arregalaram de interesse.
Amber já fizera um pequeno modelo da catapulta por um artesão, e quando o exibiu, todos suspiraram maravilhados.
— Oh, então ele opera automaticamente, sem precisar que as pessoas movam as pedras manualmente?
— Isso mesmo.
— Uau! Como a nossa Senhora pensou em algo assim?
Gallard bateu palmas, expressando sua admiração.
Na verdade, essa era uma ideia que Amber já havia considerado no passado. Na época, não pôde colocá-la em prática, mas agora podia.
Igmeyer também ficara muito impressionado, acreditando ser uma ideia excelente. Com isso, poderiam até lidar com monstros voadores – uma solução dois em um, por assim dizer.
— Ah, e… Igmeyer.
Quando a reunião estava chegando ao fim, Amber chamou o marido. Apesar do clima tenso entre eles, havia coisas que precisavam ser ditas, especialmente porque esse era um pedido importante.
— Eu quero aprender autodefesa.
— Autodefesa?
— Sim. Jason também está aprendendo. Eu quero ser capaz de me proteger.
Igmeyer olhou para a esposa com uma expressão dolorida.
Ele se lembrava de quando ela se abria com ele sem tanta frieza. Saber disso tornava a distância atual ainda mais amarga.
Coçando a nuca, Igmeyer suspirou profundamente.
— Tudo bem, não é uma má ideia aprender. Mas a diferença de força é grande demais para eu te ensinar. A diferença de tamanho também tornaria isso perigoso.
— Certo.
— O instrutor de autodefesa do Jason…
Igmeyer hesitou antes de parar abruptamente.
Tentou se lembrar de quem era e recordou que se tratava de um cavaleiro bem jovem, ainda novato. Claramente solteiro e, pelo que lembrava, até que bonito.
‘De jeito nenhum.’
O cavaleiro que passaria tempo pessoal com Amber precisava ser grande, robusto e, acima de tudo, casado.
E apenas uma pessoa se encaixava em todos esses critérios.
— …É o Gallard. Você pode aprender com ele.
Gallard, que estava saindo da sala de reuniões naquele momento, endireitou-se e inclinou a cabeça, confuso com a declaração do seu senhor.
Igmeyer saiu rapidamente antes que seu amigo pudesse dizer algo constrangedor.
— Vamos nos encontrar no campo de treino daqui a uma hora.
— Entendido.
Gallard murmurou algo sobre não ter o tamanho adequado, mas Igmeyer o ignorou. Afinal, cavaleiros jovens e bonitos estavam fora de questão.
Se não fosse apropriado, então simplesmente não era.
Logo, Amber chegou ao campo de treinamento vestida com roupas confortáveis, segurando firmemente a mão de Jason.
— Bem-vinda, Senhora.
— Agradeço desde já.
— Hmm, por hoje, por favor, apenas observe o que Jason e eu fazemos.
Amber era inexperiente em tais assuntos. Então, ela simplesmente assentiu e recuou para observar.
— Hum… você ouviu as novidades, não é, jovem mestre?
— Sim.
— Então, vamos tentar?
Jason, que ouvira brevemente sobre o que acontecera na sala de reuniões hoje, estava dividido entre se deveria ficar contente ou inquieto.
Certamente, era maravilhoso poder aprender ao lado de Amber. Raramente tinham tempo juntos ultimamente.
Porém, o fato de Sir Gallard ser o instrutor era um pouco perturbador… o tamanho e a compleição de Gallard eram pelo menos quatro vezes maiores que os de Jason.
Claro, autodefesa é sobre superar oponentes maiores ou encontrar maneiras de escapar, mas a diferença de altura ainda era significativa.
‘Ele devia saber disso.’
Gallard erguia-se imponente como uma montanha de perto. Sua presença era intimidadora o suficiente para causar um leve medo — se não fosse sua expressão um tanto desajeitada e constrangida.
Continua …
Tradução: Elisa Erzet
Ler A Tatuagem de Camélia Yaoi Mangá Online
Amber, era uma princesa tão linda quanto uma fada.
Seu marido, que viveu como mercenário, era muito diferente dela em todos os sentidos.
Devido a um casamento forçado, Amber caiu em desespero. Ao longo dos anos de seu casamento, se ressentia veementemente de tudo sobre seu marido.
No entanto, quando ele encontrou seu fim tentando protegê-la e ao filho que ela estava esperando, Amber foi tomada pelo arrependimento e desejou voltar no tempo…
O ponto de partida da regressão foi a noite de núpcias.
— Você não olhou para mim nem uma vez durante o banquete do casamento, pensei que estivesse chateada por se tornar esposa de um homem humilde.
Ela já era como cinzas queimadas, mas ele parecia um espírito de fogo dançando sobre as ruínas.
O abraço dele era forte demais para suportar, então Amber desviou finalmente o olhar.
🌸🌸🌸
‘Foi só após te conhecer que percebi que havia um vazio dentro de mim. E então fiquei feliz, sabendo que você vai completar esse vazio.
Mas conforme essa parte em mim era preenchida, fui ficando mais ganancioso.
Ah, se eu fosse um pouco mais perverso, eu teria devorado você inteira.
Ps: Meu outro maridinho