Ler A Tatuagem de Camélia – Capítulo 50 Online
Amber refletiu por muito tempo sobre o significado das palavras de Igmeyer.
Felizmente, a jornada até o Monte Cyprus era longa e traiçoeira. Isso lhe deu tempo para pensar.
‘Definitivamente, Igmeyer mudou, mas não consigo apontar exatamente o que.’
Mais do que amigos ou cúmplices?
Claro, amigos ou cúmplices não compartilham intimidade física. Ela estava bem ciente de que a conexão física deles era muito forte.
Quando via as coxas musculosas de Igmeyer, seu abdômen definido e suas costas, ela também sentia algo se agitando dentro de si.
‘Eu quero ser abraçada por ele.’
Só de pensar nisso… sim.
‘Nós não somos apenas amigos.’
Foi uma percepção repentina. Talvez porque ela nunca tenha desejado ser mais do que amiga dele.
Mas isso não significava que não quisesse. Era mais como se fosse algo grande demais para se esperar.
‘Será que nosso relacionamento poderia se tornar… algo mais?’
Amber olhou para o homem que guiava o cavalo enquanto a segurava.
Seu maxilar angular que se destacava foi a primeira coisa que ela notou. À primeira vista, sua aparência podia parecer fria e severa.
Mas, ao observar melhor, era possível perceber que seus olhos ferozes se suavizavam quando se voltavam para ela.
Ao contrário do que acontecia com os outros, seu comportamento suavizava e sua voz se tornava mais gentil quando ele estava com ela.
Ela não conseguiria reconhecer essas coisas se meramente o temesse. Elas eram sutis, só perceptíveis após uma observação cuidadosa.
Mais importante ainda, ele sempre prestava muita atenção nela quando estavam juntos. Se ela demonstrasse o menor desconforto, ele ajustava sua posição para deixá-la mais confortável. A cada espirro, ele lançava um olhar preocupado. Quando ela estava doente, ele a visitava diariamente, ficando ao seu lado o máximo que podia.
Então, nesta vida, Amber não havia passado um único dia sentindo-se sozinha ou sofrendo com a solidão.
Só isso já era motivo suficiente para ser grata…
— Amber?
Enquanto ela estava perdida em seus pensamentos e olhando para ele, Igmeyer momentaneamente baixou o olhar para encontrar os olhos dela.
Enquanto encarava seus olhos vermelhos vibrantes, cheios de vida como um espírito de chama dançante, Amber calmamente estendeu a mão e acariciou sua bochecha.
— Não acredito que estou cavalgando no mesmo cavalo que você, indo a algum lugar.
— É mesmo?
— Nós realmente nos tornamos próximos. Muito próximos…
‘Eu não desgosto de estar com você.’
Estar assim tão perto, a ponto de ouvir não só sua respiração, mas também as batidas do seu coração, sem sentir nenhum desconforto.
Em vez disso, Amber sentiu-se envolta em uma grande sensação de segurança.
— …Querido.
Seus lábios macios se separaram e o termo especial escapou, fazendo Igmeyer parar o cavalo abruptamente.
— Igmeyer?
Quando ele ficou imóvel por um longo momento sem se mover, Amber inclinou a cabeça com curiosidade.
— … Essa palavra. É bom ouvir.
— Querido?
— Sim, essa mesma. Soa bem.
Igmeyer pigarreou constrangido algumas vezes antes de se recompor e fez o cavalo seguir novamente. Amber fechou calmamente os lábios e apoiou a cabeça contra seu peito.
Tum, tum.
Tum.
O som do coração do homem ecoou em seus ouvidos.
O mais surpreendente era que o próprio coração batia com a mesma intensidade.
— Sobre Jason. Ele realmente tem o dom da previsão, hm… Será que devemos verificar depois que o príncipe e seu grupo partirem?
— Parece uma boa ideia.
Amber, sentindo-se constrangida, tentou aliviar o clima.
Era estranho. O fato de ambos os corações estarem batendo assim.
Isso não é algo que se sente por apenas um amigo ou cúmplice. E também não parecia algo que se sentiria por um cônjuge unido apenas por um acordo político.
Seu coração, antes preenchido por ódio e repulsa, agora se movia por um tipo diferente de emoção.
Mesmo assim, Amber não conseguia acreditar totalmente.
‘Será que eu poderia… amar o Igmeyer?’
Isso parecia improvável.
Claro, agora ela sabia que ele era uma boa pessoa. Gostava de seus abraços, de seus beijos, de segurar sua mão… mas ainda assim.
O sentimento que estava considerando não podia ser aquele que imaginava.
Provavelmente não era.
Não havia motivo para não ser, mas, de alguma forma…
Amber estava um pouco assustada com a possibilidade de se apaixonar por este homem.
Em um trecho silencioso da estrada, Igmeyer finalmente quebrou o silêncio com uma pergunta.
— Antes de vir para Niflheim, você tinha alguém com quem se envolvia?
Amber apenas assentiu. Seu movimento era leve, mas suficiente para que ele o sentisse contra seu peito.
— Entendo.
— E você?
— Eu não tive… É por isso que esses sentimentos são novos para mim.
Ele franziu a testa, como se estivesse vestindo roupas agradáveis, mas que não lhe serviam direito.
— Tudo o que você me dá parece estranho, como se não fosse realmente meu. Mas, ao mesmo tempo, sinto como se estivesse esperando por isso a vida inteira.
Ele deixou seus sentimentos profundos fluírem com sinceridade. Amber ouviu em silêncio, achando curiosamente doce a voz dele misturada ao som dos cascos do cavalo.
— Desde o momento em que a vi pela primeira vez, eu me senti assim. Tive uma estranha sensação de que já nos conhecíamos… Era impossível, mas eu sentia sua falta. Como se tivesse encontrado algo que havia perdido.
— …!
— Tenho sonhos recorrentes em que te perco. São pesadelos absurdos.
Naquele momento, Amber quase mordeu a língua.
O que ele estava dizendo?
Que tipo de sonhos eram aqueles?
— …É por isso que você tem dificuldade para dormir?
Ao perguntar com a voz trêmula, Igmeyer apenas deu de ombros.
— Não, não é necessariamente por causa disso.
— Se for um sonho em que eu morro… posso perguntar o que acontece nele?
Certamente, certamente não.
Isso não podia ser verdade.
Ela esperava que não, e Igmeyer respondeu.
— É um sonho em que Nidhogg ataca você e nosso filho. Eu não consigo impedir e falho em proteger vocês dois.
— Meu Deus.
— Acordo me culpando por ser fraco e inútil, e quando adormeço novamente, vejo a mesma cena. Não sei por que tenho esses sonhos.
Igmeyer soltou um suspiro raso.
Ela sabia a resposta, mas não conseguia pronunciá-la. Ainda não tinha certeza se deveria falar sobre a bênção do arrependimento.
‘Devo perguntar sobre a bênção quando enviar alguém a Shadroch para investigar o esqui.’
A bênção do arrependimento era algo extremamente secreto, não revelado nem mesmo aos homens ou às filhas mais jovens da família real de Shadroch.
Como filha única e herdeira da bênção, Amber, agora casada com Niflheim, era esperada para continuar a tradição pela linhagem materna.
Por isso, ela sentia a necessidade de aprender mais sobre isso.
‘Será que a babá da minha mãe ainda está viva? Seria bom se estivesse.’
A mulher, quase centenária, talvez não conseguisse viajar até Niflheim.
Portanto, Amber estava considerando enviar Nora. Se houvesse algo a ser ouvido, ela esperava que Nora pudesse aprender e relatar.
Embora Betty fosse confiável para lidar com assuntos práticos, Nora era quem Amber mais confiava.
— Provavelmente é só um sonho bobo, então estou tentando não me preocupar mais com isso.
— Certo.
— Vamos acelerar o passo. Seria bom chegar à aldeia antes do anoitecer. Segure firme.
Como haviam mudado repentinamente o trajeto do Monte Camellia para o Monte Cyprus, Amber não pôde trazer seu próprio cavalo.
Mas cavalgar juntos assim também não era ruim.
Ela sempre quis fazer as coisas de forma independente, mas… sim, aquilo era surpreendentemente agradável.
Quando Jean informou que o passeio do Grão-Duque e da Grã-Duquesa seria prolongado, o casal já havia chegado à vila inferior do Monte Cyprus.
— Bem-vindos, Vossas Graças!
— Houve algum problema?
— Nenhum.
Como esperado, havia uma base militar perto da aldeia, tradicionalmente referida como a aldeia baixa. Cavaleiros e soldados patrulhavam e vasculhavam regularmente o lugar e as montanhas ao redor.
Enquanto Igmeyer conversava com um cavaleiro que não via havia muito tempo, Amber voltou a percorrer a vila.
Onde deveriam construir uma pousada grande? Com isso em mente, tudo parecia novo e significativo.
‘Este local parece bom. Poderíamos até desenvolver uma área de mercado aqui.’
Amber sorriu ao encontrar um terreno baldio cheio de arbustos espinhosos que poderiam ser removidos sem deslocar nenhuma casa local. Antes, ela se preocupava com a inutilidade daquele terreno, mas agora ele parecia uma mina de ouro.
Dependendo da perspectiva, era engraçado e fascinante como as coisas podiam parecer tão diferentes.
— Amber.
— Sim?
— Não parece que haverá uma nevasca, o que você acha de assistir ao pôr do sol do topo da montanha?
Igmeyer se aproximou com a proposta, e os olhos de Amber brilharam.
Por que ela recusaria? Com Igmeyer ao seu lado, nem mesmo monstros perigosos a intimidariam.
— Eu adoraria. Podemos ir agora?
— O chef disse que prepararia comida suficiente para durar até amanhã, então só precisamos esperar um pouco.
A ideia de passar a noite em Cyprus a deixou animada.
Ouvir ele falar sobre os pesadelos de sua morte havia clareado sua mente.
‘Certo, não adianta se preocupar com coisas fora do meu controle agora.’
Em vez disso, ela se concentrou no que eles poderiam fazer no presente.
Que era subir a alta montanha para ver se ela seria adequada para o evento de esqui.
Claro, Igmeyer faria a escalada e ela seria carregada, mas ainda assim.
Rangido, rangido.
As tábuas de madeira desencontradas torciam e rangiam a cada passo.
Mikael franziu a testa ao olhar para baixo. Ele não estava acostumado com coisas velhas, apagadas e sujas. Desde o nascimento, Mikael fora cercado apenas por coisas brilhantes, novas e belas.
Mikael entrou no prédio do beco porque sabia que as pessoas da luz não poderiam cumprir o que ele estava buscando.
— Você chegou.
Aquele lugar era um bordel. Cada quarto estava cheio de mulheres e clientes, e o ar era denso com gemidos incessantes e vulgares.
Uma mulher com maneiras suaves o recebeu.
Ela o reconheceu como um “cliente” pelo broche em forma de pomba preso em seu peito.
— Está tudo pronto?
— Claro. Desde que você possa pagar, podemos fornecer qualquer pessoa que desejar.
A mulher era a dona do bordel.
Conhecida como “Madame Étoile”, seu principal negócio era administrar o bordel. No entanto, ela também tinha um negócio paralelo: arranjar casamentos fraudulentos.
Embora fosse velha demais para se envolver em tais casamentos, selecionava as mulheres mais atraentes e bem-comportadas das que empregava e as treinava para vários papéis.
Então, quando surgia um pedido como aquele, ela enviava uma delas. Não se importava se a mulher retornaria ou não, desde que recebesse um pagamento inicial generoso do cliente.
Continua…
Tradução: Elisa Erzet
Ler A Tatuagem de Camélia Yaoi Mangá Online
Amber, era uma princesa tão linda quanto uma fada.
Seu marido, que viveu como mercenário, era muito diferente dela em todos os sentidos.
Devido a um casamento forçado, Amber caiu em desespero. Ao longo dos anos de seu casamento, se ressentia veementemente de tudo sobre seu marido.
No entanto, quando ele encontrou seu fim tentando protegê-la e ao filho que ela estava esperando, Amber foi tomada pelo arrependimento e desejou voltar no tempo…
O ponto de partida da regressão foi a noite de núpcias.
— Você não olhou para mim nem uma vez durante o banquete do casamento, pensei que estivesse chateada por se tornar esposa de um homem humilde.
Ela já era como cinzas queimadas, mas ele parecia um espírito de fogo dançando sobre as ruínas.
O abraço dele era forte demais para suportar, então Amber desviou finalmente o olhar.
🌸🌸🌸
‘Foi só após te conhecer que percebi que havia um vazio dentro de mim. E então fiquei feliz, sabendo que você vai completar esse vazio.
Mas conforme essa parte em mim era preenchida, fui ficando mais ganancioso.
Ah, se eu fosse um pouco mais perverso, eu teria devorado você inteira.
Ps: Meu outro maridinho