Ler A Tatuagem de Camélia – Capítulo 48 Online

Modo Claro

— Com essa abordagem, poderíamos criar e vender uma variedade infinita.

Disse Jean, fechando o livro de registros em que estava trabalhando e engajando-se mais seriamente na conversa.

Amber pegou uma folha limpa de papel e uma pena, esboçando o desenho de um esqui. Era uma prancha larga, de forma oval, com uma borda afiada na parte inferior e mecanismos para prender ambos os pés.

— Eu mesma nunca esquiei, mas ainda me lembro de como eles são. 

— As bordas devem ser afiadas?

— Sim.

— Sim, quanto mais afiadas, melhor. Se ficarem cegas, não vão cortar a neve ou o gelo direito.

— Interessante…

Jean também tirou uma folha de papel e desenhou vários esquis, adicionando pequenas ilustrações neles.

Amber observou com espanto, surpresa com o quão bem Jean conseguia desenhar.

— Por que está me encarando?

— Só estava pensando se há alguma coisa que você não consiga fazer, Jean.

— Nenhuma.

Sua resposta foi direta e confiante, mas ela não se importou.

Embora soubesse menos sobre Jean do que sobre qualquer outra pessoa, eles haviam encontrado um terreno comum em sua discussão sobre esqui, e isso deixou Amber feliz.

— Estou pensando em enviar uma carta a Shadroch. Deve haver algumas pessoas lá que sabem sobre esqui. Vamos convidá-las para o Norte.

— Você acha que virão?

— Com certeza. Porque sou eu quem está pedindo.

Sua atitude confiante, nascida de ser uma princesa amada, fez Jean balançar a cabeça, espantado.

Jean também sabia pouco sobre Amber. Era compreensível — uma relação próxima entre um assessor e a Grã-Duquesa só geraria rumores.

Desde que a guerra terminou, não havia motivo para eles serem próximos, mas, sentados ali, discutindo o desenvolvimento do Norte, parecia que estavam ficando mais familiarizados.

— Devemos encontrar uma montanha adequada para sediar competições de esqui.

— Você acha que poderíamos plantar camélias ao longo do caminho?

— Por que não? Dê pás na mão direita dos soldados e bônus generosos na esquerda, e eles moverão montanhas até o dia seguinte.

Jean abriu o cofre do escritório, retirou um mapa enrolado e o estendeu sobre a mesa.

O mapa não era algo usado por plebeus nem algo genérico do Norte mantido na capital. Era um mapa militar detalhado, marcado com inúmeros caminhos, ninhos de monstros e até fontes de água nos picos das montanhas.

— Veja esta montanha. Esta é a Montanha Camélia. Há um bosque de camélias na encosta intermediária, mas ela não é alta o suficiente para a competição.

— Sim, você tem razão.

— Mas e esta montanha no caminho para Hayum?

Niflheim tinha muitas montanhas. Entre elas, havia algumas rochosas e íngremes e colinas suaves, mas, apenas ouvindo falar de esqui, Jean já havia identificado a montanha perfeita para a competição.

Era a habilidade de alguém que supervisionava toda a administração de Niflheim.

— Monte Cyprus. Sim, há uma vila relativamente grande nas proximidades.

— Como você sabe? Por suas visitas, ela não foi muito afetada pelos acontecimentos recentes.

Como Amber havia viajado bastante pelo Norte, era mais fácil para Jean discutir assuntos com ela.

Se tivesse que explicar tudo desde o começo, seria demorado e frustrante. Mas, como ela não era uma dama que ficava confinada ao castelo, a conversa fluía sem dificuldades.

Jean começou a se empolgar.

— Devemos estabelecer estalagens nessa vila. Que tal construir cinco para começar?

— Ótima ideia. Use o ouro das minas para construí-las o mais grandes, luxuosas e confortáveis possível. Queremos que as pessoas voltem.

— Claro.

A pena de Jean se movia rapidamente. Depois de pensar por um momento, Amber falou devagar.

— Quando a competição de esqui acontecer, não serão apenas os atletas que virão; as famílias deles também.

— Ah, é mesmo?

— Sim. Se houver crianças na família, elas também virão.

— Isso é ótimo. O potencial de valor agregado só aumenta.

Jean sorriu amplamente e escreveu: ‘Famílias significam mais dinheiro’. Amber tocou na frase e sorriu.

— Vamos fazer bonecos de monstros.

— Perdão?

— Bonecos de monstros. As crianças vão adorar. Elas vêm de tão longe, mas não há muito para elas fazerem. Os pais acabarão comprando um boneco para mantê-las entretidas. E se esses bonecos fossem dos monstros lendários de Niflheim?

— Venderão bem. Entendido. Vou colocar um preço acessível.

Era bom não precisar explicar tudo em detalhes.

Amber assentiu e continuou.

— Vamos fazer também broches e alfinetes de camélia. Ficariam fofos em crianças. Ou uma mãe e filha poderiam usar modelos iguais.

— Hoo… essa é uma ideia brilhante.

— Em Shadroch, é comum ver famílias fazendo isso. Era incrivelmente encantador.

Um país onde a cultura e as artes florescem indica que as pessoas podem pensar em mais do que apenas sobreviver.

Ali, apenas os nobres usavam joias, mas em Shadroch até plebeus podiam comprar brincos ou colares se quisessem.

Claro, eram feitos de gemas falsas, então inevitavelmente havia muitas peças idênticas. Enquanto os nobres não toleravam que alguém tivesse o mesmo item, os plebeus eram diferentes.

Eles frequentemente tratam isso como uma espécie de jogo, presenteando entes queridos com itens iguais como forma de demonstrar afeto.

— As taxas de hospedagem não devem ser muito altas. Caso contrário, as pessoas vão hesitar ao pensar em gastar tanto.

— Em vez disso, compensaremos vendendo esses itens variados?

— Exatamente. Se a hospedagem for acessível, elas sentirão que estão economizando dinheiro. Quando chegarem, ficarão animadas e mais dispostas a gastar.

— E quando virem todos esses itens diferentes à venda?

Jean e Amber trocaram olhares cúmplices. Se alguém os tivesse visto, poderia chamar aquilo de “uma amizade forjada no lucro”.

Naquele momento, eles estavam em perfeita sintonia.

— Deixe-me desenhar o que estou imaginando.

Amber pegou várias folhas de papel com entusiasmo. Jean rapidamente acenou com as mãos em protesto.

— Oh, não. Por favor, apenas descreva para mim. Eu desenho.

— Eu também sei desenhar bem.

— Ahem. Como você poderia usar suas mãos delicadas para desenhar? Deixe isso comigo.

No fim, Amber venceu a discussão brincalhona.

Teimosamente, ela desenhou broches e alfinetes de camélia com todas as forças, e o resultado foi…

— Isso é um caracol?

— Não é!

O resultado ficou longe de ser impressionante.

Como Jean havia mencionado, Igmeyer não foi ao quarto naquela noite.

Normalmente, ela não questionava o paradeiro dele, então não podia culpá-lo por suas ações.

No entanto, estava um pouco irritada porque esperara por ele até adormecer e, mesmo ao acordar, o homem não estava em lugar algum.

Se ele estava ocupado, claro que não podia vir. Ultimamente, ele vinha treinando à noite nas montanhas nevadas com o príncipe e os sacerdotes.

Tecnicamente, ele não era quem treinava, mas quem supervisionava o treinamento — ainda assim.

‘Eu sei que é raro casais se verem todos os dias. Eu sei. Normalmente, nem fico tão curiosa sobre onde ele está.’

Então, por que ela estava tão emburrada hoje?

Amber percebeu que estava de mau humor.

— Senhora, devo ir até o portão do castelo para ver quando ele volta?

Nora, percebendo o humor dela, falou com cautela.

— Por que faria isso? Ele virá quando puder.

Ao perceber que havia demonstrado irritação o suficiente para que seus criados notassem, Amber pigarreou e ajustou a expressão.

— Estou perfeitamente bem.

— Mas… é a primeira vez que ele demora tanto para voltar.

Sério? Pensando bem, isso já havia acontecido antes. O que tornava hoje diferente era que ela tinha algo para discutir com ele.

Os horários de sono de Amber e Igmeyer muitas vezes não coincidiam.

Honestamente, ela frequentemente se perguntava se ele sequer dormia. Tinha ouvido dizer que ele tirava pequenos cochilos, já que seu poder único fazia com que não precisasse de tanto sono quanto pessoas comuns.

Assim, Amber muitas vezes dormia sozinha e frequentemente acordava para descobrir que ele havia saído.

— Acho que nunca tive a sensação de esperar por ele antes. Nunca percebi o quanto é difícil esperar por alguém.

Enquanto Amber suspirava, Nora balançou a cabeça.

— Não é isso. Normalmente, cerca de três horas depois que a senhora adormece, Sua Graça entra.

— …Sério?

— Oh, achei que soubesse. Ele faz isso todas as vezes… Fica observando a senhora dormir por um tempo antes de sair novamente. Mas ele não fez isso na noite passada…

A voz de Nora foi diminuindo, como se estivesse preocupada por ter falado demais. O silêncio de Amber não se devia às palavras de Nora, mas aos próprios pensamentos.

‘Eu não fazia ideia. Ele entra sorrateiramente enquanto estou dormindo, como um ladrão, e depois sai em silêncio.’

Sentindo uma mistura de surpresa e diversão, Amber não sabia que expressão fazer.

‘E depois age como se nada tivesse acontecido durante o dia?’

Que tipo de homem faz isso?

Com a mente em confusão, Amber afagou a cabeça de Nora distraidamente e caminhou até a janela.

Agora tinha mais uma coisa para discutir com Igmeyer, mas ele ainda não dava sinais de voltar.

O mais frustrante era que ela não tinha como sair para procurá-lo.

Suspirando, Amber conferiu a hora. Logo a aula matinal de Jason terminaria. Talvez hoje ela o levasse para passear.

— Pronto.

Naquele momento, Igmeyer estava em uma loja decadente num beco afastado. A loja, inteiramente preta, era tão antiga por dentro quanto parecia por fora, embora estivesse meticulosamente limpa, apesar da idade. Igmeyer esteve naquela loja por oito horas, da noite até de manhã.

— Tome cuidado nos próximos dias. Não se esforce demais nem se envolva em brigas. Se o ferimento abrir novamente, o desenho será arruinado.

— Mais alguma coisa que eu deva saber?

— Certifique-se de aplicar a pomada em camada fina e com frequência. Nunca lave com água quente.

— Muita coisa para lembrar.

Um homem casado passar a noite fora não era algo bom, especialmente quando não era por causa de treinamento, mas por um motivo completamente diferente.

Ainda assim, Igmeyer não fizera nada do que pudesse se envergonhar diante da esposa. Isso ficou claro pela conversa que tinha com o dono da loja.

Continua …

Tradução: Elisa Erzet 

Ler A Tatuagem de Camélia Yaoi Mangá Online

Amber, era uma princesa tão linda quanto uma fada.
Seu marido, que viveu como mercenário, era muito diferente dela em todos os sentidos.
Devido a um casamento forçado, Amber caiu em desespero. Ao longo dos anos de seu casamento, se ressentia veementemente de tudo sobre seu marido.
No entanto, quando ele encontrou seu fim tentando protegê-la e ao filho que ela estava esperando, Amber foi tomada pelo arrependimento e desejou voltar no tempo…
O ponto de partida da regressão foi a noite de núpcias.
— Você não olhou para mim nem uma vez durante o banquete do casamento, pensei que estivesse chateada por se tornar esposa de um homem humilde.
Ela já era como cinzas queimadas, mas ele parecia um espírito de fogo dançando sobre as ruínas.
O abraço dele era forte demais para suportar, então Amber desviou finalmente o olhar.
🌸🌸🌸
‘Foi só após te conhecer que percebi que havia um vazio dentro de mim. E então fiquei feliz, sabendo que você vai completar esse vazio.
Mas conforme essa parte em mim era preenchida, fui ficando mais ganancioso.
Ah, se eu fosse um pouco mais perverso, eu teria devorado você inteira.
 
Ps: Meu outro maridinho

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