Ler A Tatuagem de Camélia – Capítulo 41 Online
‘Mesmo que seja maltratado no Norte, o Príncipe não poderá reclamar quando voltar para casa.’
Apenas alguns passos juntos foram suficientes para que as características do Príncipe ficassem claras para Amber.
Natureza impaciente. Um coração estreitado pela dor. Medo da morte. E um senso de pavor em relação aos seus irmãos de posição superior e ao Imperador.
A julgar pelas suas mãos, parece que ele tem aprendido esgrima, mas tinha uma estatura pequena. Provavelmente, isso fez dele um alvo entre os irmãos.
A frustração de não poder agir como desejava deve ter se transformado em sensibilidade excessiva…
Tendo completado sua análise, Amber ainda sorriu gentilmente enquanto abria a porta para ele.
‘Preparamos tudo da melhor forma possível. Espero que descanse bem aqui.’
Seu julgamento geral foi que o Príncipe era um jovem de temperamento difícil, distorcido pela sua criação, o que ele precisava era de estabilidade.
‘Posso tratá-lo como um adolescente entrando na puberdade.’
Não seria fácil, mas era o que a situação exigia.
Amber percebeu rapidamente que precisaria ser a mediadora naquele grupo de personalidades tão peculiares.
Se não o fizer, alguns incidentes podem acontecer.
A mesa do banquete naquela noite rangia sob o peso da imensa variedade de pratos.
Amber havia ordenado à cozinha que preparasse em abundância, dizendo que não se preocupassem com sobras, elas seriam colocadas em uma carroça e enviadas para as aldeias próximas após o banquete.
Isso acabou sendo uma decisão sábia. O Príncipe, que não parava de reclamar, calou finalmente a boca pela primeira vez.
— Estamos profundamente honrados com uma hospitalidade tão luxuosa. Sou grato a Deus e a vocês dois também.
— Nosso chef desenvolveu alguns pratos vegetarianos. Espero que sejam do seu agrado.
A conversa na mesa principal foi conduzida principalmente por Mikael e Amber.
Independentemente do verdadeiro motivo que trouxera Mikael até ali, o diálogo fluía bem, seu comportamento era agradável, o que facilitava conversar com ele.
— Posso perguntar por que o artefato de verificação de linhagem foi necessário? Espero não estar sendo indelicado.
Em meio a várias conversas banais, foi quase ao fim da refeição que Mikael fez essa pergunta em tom gentil.
Igmeyer respondeu a isso:
— Porque há alguém que precisa.
— Alguém que precisa?
— …
— Não há necessidade de saber hoje. Chamarei essa pessoa amanhã, e então poderá conhecê-la.
— Entendido. Deve haver um motivo importante.
A postura firme de Igmeyer fez Mikael recuar. Amber, que observava em silêncio, suspirou de alívio por dentro e bateu palmas.
Era hora da sobremesa.
O leve atrito começou por causa do sorvete.
— Ultimamente, tenho me sentido mais atraído pelo realismo de Dasen do que pelo estilo de Salinas. Me retratar mais bonito do que sou me parece uma mentira. E eu odeio mentiras.
— Entendo.
— O estilo de Salinas ainda parece popular em Shardroch, não?
— Era, até eu sair de lá. Ainda aprecio o seu esteticismo.
Quando o tema da pintura surgiu, o Príncipe compartilhou avidamente seus pensamentos.
Nada teria acontecido se tivesse parado por aí. Mas, como um potro indomado, o Príncipe resolveu também provocar Igmeyer.
— E quanto a você, Grão-Duque, qual é o seu estilo favorito de pintura? Estava pensando em presentear você com uma bela peça.
Foi um comentário extremamente rude, insinuando que Igmeyer era ignorante em relação à arte.
Seu tom arrogante e o olhar insolente de superioridade que parecia menosprezar Igmeyer.
Embora fosse desagradável, Igmeyer apenas soltou um breve suspiro. Ser menosprezado já não era novidade para ele.
Frequentemente imaginava como esses nobres, que empunhavam sua “cultura” como uma arma, se sairiam se fossem jogados vivos diante de um monstro.
Não durariam um minuto antes de implorar pela vida ao mesmo homem que desprezavam.
Cultura e sofisticação não valem nada diante da morte. Eles só tagarelam essas bobagens porque estão vivendo confortavelmente.
— Ah, não entende muito de pintura, certo? E quanto à música?
— Não aprecio particularmente nenhum dos dois.
Igmeyer não queria descer ao nível de discutir com uma criança. Respondeu com indiferença, mas o Príncipe pareceu ter outras ideias:
— Tsc, aff. E ainda vive com uma bela mulher de Shardroch. Se o seu nível cultural é baixo, você nem mesmo conseguiria conversar com sua esposa. Talvez sua esposa esteja fazendo muitos sacrifícios?
O ambiente esfriou instantaneamente. Mesmo assim, o Príncipe parecia alheio, lançando um olhar de superioridade a Igmeyer.
— Hã!?… — Igmeyer suspirou.
Fingia maturidade, mas não tinha o menor respeito ou consideração. Era apenas uma criança.
Zumbindo por aí, cutucando com espinhos por toda parte. Ele não era diferente de um ouriço mal-humorado.
‘Um monstro só precisaria mordiscá-lo levemente, e ele morreria sem um pio…’
O que dizer em resposta? Não poderia simplesmente arrastá-lo até o campo de treinamento e ensiná-lo à força o que era respeito.
Igmeyer lançou um olhar sombrio.
O Príncipe se eriçou em resposta.
— Por que não responde? Sabia que suspirar diante das palavras de um príncipe pode ser considerado insulto à Família Imperial?
Igmeyer decidiu ignorá-lo, sentindo que seu temperamento ruim começava a irritá-lo. Ele imaginou que a situação não se deterioraria muito antes do sumo sacerdote intervir.
E seu julgamento estava certo.
— …
— Alteza. — A voz baixa de Mikael ressoou. O Príncipe, que tagarelava furioso, enrijeceu.
— Por que tanta agitação em um dia tão agradável? Mantenha sua dignidade, por favor.
O Príncipe cerrou os punhos diante do aviso de Mikael, proferido com um sorriso.
Com isso, a situação pareceu se acalmar, e Igmeyer pensou em tomar outro gole de sua bebida.
Então—
— O senhor deveria se desculpar.
A voz, firme e fria, cortou o ar como uma lâmina.
Surpreendeu não apenas Igmeyer, mas todos à mesa. A expressão vinha de alguém totalmente diferente do habitual semblante sorridente.
O príncipe e o Sumo Sacerdote ambos se viraram para olhar Amber, que havia falado.
O Príncipe, em especial, parecia incapaz de compreender o que acabara de ouvir.
— As palavras sempre carregam a intenção de quem as diz. E como não é mais uma criança, imagino que não vá alegar ter falado sem pensar.
— Hã! Pedir desculpas? Por quê, exatamente?
As veias do Príncipe saltaram na testa. O rosto de Amber permaneceu inexpressivo.
Talvez por estar sempre sorrindo, sua expressão severa parecia ainda mais impactante.
Ao mesmo tempo, Igmeyer sentiu um leve arrepio, ele ficou de pau duro, um tesão absurdo atingiu o seu corpo.
— Primeiramente, peço que se desculpe por ter se referido a mim como “a bela de Shardroch”.
— E o que há de errado em chamar uma mulher bonita de bela?
— Aqui não é o palácio imperial, Alteza. Além disso, sou a Senhora do Norte. Foi bastante desagradável ser julgada, antes de tudo, por critérios superficiais.
Na verdade, se ele não fosse um príncipe, tal comentário poderia ter sido motivo para um duelo entre nobres.
Chamar uma dama nobre de “bela” é considerado indelicado.
E referir-se a ela como “a bela de Shardroch”, agora que fazia parte de Niflheim, era ainda mais ofensivo.
Na verdade, cada palavra que o príncipe dizia era desagradável.
Amber apontou exatamente isso.
— Odiar ser chamada de bela é novidade para mim. Tudo bem, digamos que esse foi meu erro. Se esse é o primeiro ponto, há outro?
Os lábios do príncipe se contraíram.
O sumo sacerdote optou por ficar em silêncio, e Igmeyer conteve o riso, mantendo a postura.
Nesse ambiente tenso, Amber falou novamente.
— Naturalmente, há. Em segundo lugar, peço que se desculpe por menosprezar o herói que enfrenta Nidhogg, meu marido, insinuando que lhe falta cultura.
Não havia traço de agressividade no tom. Do início ao fim, ela estava séria e calma.
Isso dificultou contra-argumentar. Como não havia nada de errado com a atitude de Amber, era impossível encontrar falhas para um contra-ataque.
— Quando eu disse isso?
— O senhor afirmou: “Se o seu nível cultural é baixo, você nem mesmo conseguiria conversar com sua esposa.” Acredito que todos aqui ouviram.
— Hã! Então um príncipe agora precisa medir as palavras? Eu, o filho do Grande Imperador?
Perdendo terreno diante da firmeza de Amber, Loki Asgarden mostrou sua verdadeira natureza.
Se pegar ao título para se defender, era o recurso mais baixo de todos. Um indivíduo tão superficial jamais venceria Amber.
— Me sinto ofendida. É Vossa Alteza quem mancha a imagem do Grande Imperador. Como pode, logo em seu primeiro dia na casa de outra pessoa, semear discórdia com palavras tão levianas?
Se isso tivesse sido em Shardroch ou no palácio imperial, Amber poderia ter atacado de uma maneira mais sútil.
Mas esta era sua casa, Niflheim, e ela era sua Senhora.
Por que deveria vigiar suas palavras? Nenhum anfitrião deve sacrificar o próprio conforto para agradar um hóspede insolente em sua própria casa.
Portanto, Amber foi bastante direta em repreender o príncipe.
Ela estava com raiva, mas isso também refletia o quanto já havia se adaptado em Niflheim.
— Eu me arrependo! Cometi um erro! Satisfeita?
Erro.
Arrependimento.
É assim que a realeza pede desculpas.
Loki Asgarden encarou Amber com um rosto que alternava entre vermelho e pálido.
Agora que seu olhar não era mais aquele de ver uma ‘mulher bonita’, Amber ficou satisfeita.
— Agradeço. E, por fim, peço também que se desculpe por presumir e ter julgado nosso relacionamento conjugal.
— O quê…?
— A menos que esse fosse o propósito de sua visita.
Depois de apontar tudo isso, Amber sorriu. Radiante o suficiente para roubar a alma de alguém.
Embora o Príncipe não tenha chegado a se desculpar de fato, era certo que não ousaria abrir a boca de forma descuidada novamente.
Disso, Amber tinha certeza.
— Droga! —
Após a refeição, Loki, que foi deixado sozinho, foi incapaz de conter sua frustração fervente e explodiu de raiva.
— Aquela mulher… ela me humilhou!
Continua…
Tradução: Elisa Erzet
Ler A Tatuagem de Camélia Yaoi Mangá Online
Amber, era uma princesa tão linda quanto uma fada.
Seu marido, que viveu como mercenário, era muito diferente dela em todos os sentidos.
Devido a um casamento forçado, Amber caiu em desespero. Ao longo dos anos de seu casamento, se ressentia veementemente de tudo sobre seu marido.
No entanto, quando ele encontrou seu fim tentando protegê-la e ao filho que ela estava esperando, Amber foi tomada pelo arrependimento e desejou voltar no tempo…
O ponto de partida da regressão foi a noite de núpcias.
— Você não olhou para mim nem uma vez durante o banquete do casamento, pensei que estivesse chateada por se tornar esposa de um homem humilde.
Ela já era como cinzas queimadas, mas ele parecia um espírito de fogo dançando sobre as ruínas.
O abraço dele era forte demais para suportar, então Amber desviou finalmente o olhar.
🌸🌸🌸
‘Foi só após te conhecer que percebi que havia um vazio dentro de mim. E então fiquei feliz, sabendo que você vai completar esse vazio.
Mas conforme essa parte em mim era preenchida, fui ficando mais ganancioso.
Ah, se eu fosse um pouco mais perverso, eu teria devorado você inteira.
Ps: Meu outro maridinho