Ler A Tatuagem de Camélia – Capítulo 36 Online
Jean havia confirmado que nasceram 14 crianças naquela aldeia. No entanto, o chefe da vila havia relatado apenas 13.
Não poderia ser um caso de morte, já que este era um lugar onde ninguém havia morrido.
‘Preciso investigar isso.’
Sem mencionar nada aos moradores, Amber partiu depois de organizar os materiais.
Raphael a acompanhou como escolta, e só quando chegaram à tranquila entrada da aldeia Amber sussurrou:
— Avise aos cavaleiros para vasculharem os arbustos e os depósitos da aldeia em busca de uma criança desaparecida. Está faltando uma.
— Entendido.
Se fosse uma baixa de guerra, talvez fosse compreensível. Mas, se não é esse o caso… para onde essa criança poderia ter desaparecido?
— O chefe da aldeia não parecia uma má pessoa. Mas nunca se sabe.
Amber nem sempre havia se preocupado tanto com crianças.
Mas agora, ela se sentia diferente.
Ver uma criança a fazia sorrir. Ela queria ajudar, proteger, cuidar, e amá-las.
— Quer que revistem as casas também?
— Se os cavaleiros não encontrarem nada, a criança pode estar sendo vítima de maus-tratos.
A simples possibilidade causou uma dor aguda em seu coração.
Por que o chefe da aldeia teria relatado uma a menos?
O que estaria acontecendo com aquela criança que vivia aqui?
Não poderia ter sido um erro. Chefes de aldeia não se enganam quanto ao número de moradores.
Amber olhou para o chefe da vila à distância novamente.
A primeira vista parecia gentil… Era decepcionante.
— Amber? Por que você está aqui?
Foi então que o grupo de patrulha, enviado para verificar se restavam monstros nos arredores, retornou.
Igmeyer, que liderava o grupo, aproximou-se assim que a viu. Amber o abraçou e sussurrou:
— A contagem de crianças está errado. Está faltando uma. Você encontrou alguma coisa suspeita lá fora?
— Hmm… Nada.
— Então ela ainda deve estar na aldeia.
A vila não era muito grande, com apenas cerca de trinta casas, algumas das quais completamente vazias.
Depois de pensar um pouco, Amber decidiu que precisavam verificar essas casas abandonadas.
— Quero que os cavaleiros se dividam em dois grupos para revistar as casas vazias sem que os aldeões ou o chefe da vila percebam… Quero falar com a criança primeiro, assim que a encontrarmos.
— Certo.
— Raphael já está com os outros verificando os arbustos e os depósitos da aldeia. Você pode seguir direto para as casas.
Enquanto Igmeyer dava ordens aos cavaleiros, Amber observou a vila com mais atenção.
Seu olhar foi atraído por um grupo de meninas brincando com o ursinho de pelúcia.
‘Ah, certo. E se eu perguntasse a essas meninas?’
Elas não eram crianças duronas de becos escuros, meninas de uma vila assim dificilmente mentiriam.
Era uma lição que aprendera em Shadroch… Mas será que aqui seria diferente?
Amber se aproximou das pequenas e se abaixou graciosamente para ficar na altura delas.
— Olá, crianças. Estão se divertindo?
— Ah…! A Grã-Grã-Duquesa!
— Posso brincar com vocês?
— Sim! Claro! A Grã-Duquesa pode ser… a mamãe!
Nessa idade, as crianças costumam discutir para decidir quem será a “mamãe”, então o fato de elas terem cedido tão facilmente foi comovente.
Amber sorriu com ternura e se misturou ao grupo infantil sem qualquer barreira.
Os moradores da vila, ao observarem a cena, sorriram com afeto.
— Ei, e eu? Posso brincar também?
— Nick. Já terminou com os pacientes?
— Sim. Por ora, prescrevi o que era possível. Os que precisam de cirurgia… depende deles decidirem.
Quando o charmoso Nicholas se aproximou, as meninas soltaram um pequeno gritinho de animação.
— O doutor tem um cheiro bom.
— Sim! Verdade!
— Eu posso ser o bebê, se o Doutor for o papai!
De repente, transformados em “mamãe” e “papai”, Amber e Nicholas riram alegremente.
— Então, vamos nessa?
— Isso me lembra quando éramos pequenos, não é?
— Exato. Naquela época, você insistia em não ser nem mamãe ou papai, mas um cavalo selvagem.
— Como você lembra dessas coisas?
Amber riu, fingindo alimentar as crianças com arroz feito de grama amassada. As pequenas, em resposta, imitaram passarinhos famintos com entusiasmo.
Depois de cerca de cinco minutos, Amber falou com delicadeza:
— Eu notei que está faltando um de vocês. Sabem onde ele pode estar?
— Um de nós?
— Sim. Todos ganharam um ursinho, e estou preocupada se alguém ficou sem.
As crianças, que até então brincavam com pedrinhas como se fossem pratinhos, se entreolharam apreensivas. Em seguida, começaram a cochichar, como se esquecessem que coisas importantes também podem ser ouvidas.
— Ela deve estar falando daquela criança, sabe…
— Sim, mas o chefe da vila disse que não podemos falar sobre isso…
— Idiota. A Grã-duquesa é mais importante que o chefe da vila.
— Ah, é mesmo! Então podemos falar?
Algo definitivamente estava acontecendo.
Amber esperou com um leve sorriso no rosto.
Enquanto isso, a equipe de Raphael revistava os arbustos e depósitos da vila. A de Igmeyer entrava nas casas vazias.
Esperando que alguém da equipe trouxesse uma resposta, Amber permaneceu atenta.
— Aquele menino é estranho.
— É… Por isso que não podemos ser amigas dele.
As crianças murmuravam entre si, concluindo sua própria deliberação.
— Ele está sempre olhando para o céu.
— Até mentiu dizendo que sabia quando e onde um portal ia se abrir.
— Mas errou.
— Isso mesmo, errou.
Amber conseguiu disfarçar sua surpresa ao ouvir aquilo.
‘Afirmar saber quando e onde os portais vão se abrir?’
Essa afirmação indicava uma habilidade extraordinária, algo que ia além de talento. Seria considerado uma bênção.
‘Talvez seja algo parecido como a maldição do arrependimento, passada pela minha linhagem materna.’
Se o garoto não estivesse blefando, mas falando a verdade, só havia uma razão para ele ter “errado” sua previsão:
A própria presença de Amber, que havia voltado no tempo e alterado o futuro!
‘Preciso conhecê-lo. Quero ouvir a sua história…’
Fosse verdade ou não, ela decidiu: aquele menino precisava ser levado ao castelo.
Enquanto pensava nisso, as meninas continuaram compartilhando informações.
— Ela não tem mãe e pai.
— E não é devido à guerra… Nunca teve mesmo.
— Dizem que nasceu depois de devorar a própria mãe.
— E nunca vi o pai!
Provavelmente, eram coisas ditas casualmente pelos adultos ao redor. Afinal, as crianças refletem o que ouvem dos mais velhos.
Pensar no quanto essa criança deve ter sofrido sem pais doeu o coração de Amber. Mas Nicholas, com um tom repentinamente sério, se manifestou:
— Foram os adultos que disseram isso? Eles não deveriam falar assim.
— !
— Eu tinha uma boa impressão desta vila, mas agora estou decepcionado.
Nicholas se levantou, pronto para confrontar o chefe da vila, mas Amber o deteve rapidamente.
— Espere, ainda não. Vamos encontrar a criança primeiro. Depois lidamos com isso.
— Ah!
— Nick estamos no meio da busca por ela.
Diante do pedido, Nicholas se acalmou e parou.
— Entendido. Vou ajudar a procurar também.
— Então, por favor, procure em arbustos ou lugares onde uma criança possa se esconder ou estar trancada.
Nicholas era muito empático. Provavelmente cuidaria bem da criança depois de saber das palavras duras que o menino ouviu enquanto crescia.
Embora Amber não soubesse em que estado encontraria a criança, parecia improvável que estivesse ilesa.
— Alguém sabe onde ela está?
Apesar da pergunta tardia, as crianças, já assustadas, cerraram os lábios, recusando-se a responder.
‘Eu entrei na brincadeira e me aproximei devagar exatamente por isso.’
Com um suspiro suave, Amber afagou a cabeça de cada criança.
— Mesmo que os adultos digam essas coisas, crianças boazinhas sabem que não devem repetir.
— Sim…
As crianças, desanimadas, trocaram olhares e logo saíram correndo. Amber as deixou ir e foi atrás de Nicholas.
Foi então que ela ouviu:
— É só um bichinho! Ele não fez nada de errado!
O grito de Nicholas chegou até ela de algum lugar.
Surpresa com a urgência em sua voz, Amber se apressou.
‘O que aconteceu?’
Acelerou o passo e chegou ao local, onde encontrou um confronto tenso.
— Como podem pensar em matar um filhote? Vamos, digam alguma coisa!
O apelo ingênuo parecia não ter fim.
Igmeyer, por outro lado, estava cada vez mais impaciente.
Seguindo as instruções de Amber, ele havia revistado minuciosamente as casas vazias quando um cavaleiro chegou correndo, relatando que encontraram um monstro.
O nome do monstro era Gato das Sombras.
Essa criatura, embora estivesse entre os monstros mais fracos e frequentemente caçados por outros, sempre se escondia nas sombras para se mover. Sua fraqueza era a luz do sol, então dormia no mato ou no escuro durante o dia e ficava ativa à noite.
Apesar de sua fragilidade, um monstro ainda é um monstro. Caçava humanos, principalmente os mais vulneráveis: idosos, mulheres e crianças.
Pelos padrões de Igmeyer, era uma criatura desprezível.
Contudo, o Gato das Sombras possuía uma peculiaridade: podia parecer pequeno quando em desvantagem, mas aumentava seu tamanho quando caçava.
‘Defendê-lo só porque parece pequeno… Ele pode acabar sendo devorado.’
Ele merecia morrer por ser tolo, mas, infelizmente, ele era convidado de Amber. Além disso, ela estava presente.
Se ela não estivesse ali… Bem, como lição por sua ignorância, deixá-lo perder um braço talvez fosse justo. Um pouco de malícia não faria mal, certo?
Igmeyer não o deixaria morrer, não por causa do homem em si, mas porque temia o quanto Amber sofreria com a perda. E por quanto tempo ela se lembraria disso se ele morresse no Norte.
— Ninguém aqui sente pena desse animalzinho?
Enquanto Nicholas continuava seu protesto alto, Igmeyer organizava seus pensamentos. O povo do Norte, sabendo muito bem o quão perigosa essa criatura aparentemente fofa poderia ser, mantinha a boca fechada.
Mesmo achando Nicholas ingênuo, não ousavam repreender um nobre.
Felizmente, alguém estava pronto para intervir.
Os olhares dos aldeões se voltaram, quase como por instinto, todos fixos em Igmeyer.
Continua…
Tradução Elisa Erzet
Ler A Tatuagem de Camélia Yaoi Mangá Online
Amber, era uma princesa tão linda quanto uma fada.
Seu marido, que viveu como mercenário, era muito diferente dela em todos os sentidos.
Devido a um casamento forçado, Amber caiu em desespero. Ao longo dos anos de seu casamento, se ressentia veementemente de tudo sobre seu marido.
No entanto, quando ele encontrou seu fim tentando protegê-la e ao filho que ela estava esperando, Amber foi tomada pelo arrependimento e desejou voltar no tempo…
O ponto de partida da regressão foi a noite de núpcias.
— Você não olhou para mim nem uma vez durante o banquete do casamento, pensei que estivesse chateada por se tornar esposa de um homem humilde.
Ela já era como cinzas queimadas, mas ele parecia um espírito de fogo dançando sobre as ruínas.
O abraço dele era forte demais para suportar, então Amber desviou finalmente o olhar.
🌸🌸🌸
‘Foi só após te conhecer que percebi que havia um vazio dentro de mim. E então fiquei feliz, sabendo que você vai completar esse vazio.
Mas conforme essa parte em mim era preenchida, fui ficando mais ganancioso.
Ah, se eu fosse um pouco mais perverso, eu teria devorado você inteira.
Ps: Meu outro maridinho