Ler A Tatuagem de Camélia – Capítulo 33 Online
Usando brincos, colar, anel e até um chapéu, ele parecia impecavelmente elegante. Longe de parecer excêntrico ou exagerado, a combinação lhe caía perfeitamente bem.
Sua pele era bem cuidada e pálida, os cílios longos, e seus cabelos tinham uma textura fina.
Sim, ele era o homem de Shadroch que ela conhecia tão bem.
‘Mas… espera, Nick sempre foi tão… magro?’
Parecia que ele precisava de um pouco de exercício.
Entre as delicadas mulheres de Shadroch, ele se destacava como homem, mas entre os cavaleiros grandões e musculosos de Niflheim, a diferença era notável.
Por que parecia que um simples empurrão poderia derrubá-lo?
Sua saúde era, genuinamente, uma preocupação para ela.
— Todos queriam enviar presentes, mas alguém precisava entregá-los. É longe e perigoso para uma dama viajar, e claro, o Rei não podia vir pessoalmente. Eu me ofereci de bom grado.
— Ah… meu irmão. Como ele está? Está tudo bem?
— Claro, está perfeitamente bem. Ficou muito preocupado quando soube da situação aqui. Queria enviar um armazém inteiro, foi um trabalho e tanto convencê-lo a não fazer isso. Eu jamais conseguiria trazer tudo aquilo.
Nicholas brincou. Amber caiu na risada e então, finalmente, voltou-se para Igmeyer.
— Igmeyer. Embora vocês já devam ter se conhecido, deixe-me apresentá-lo novamente. Este é o jovem Marquês Nicholas, meu amigo de infância.
— Hum, amigo de infância, é?
— Sim. Nos conhecemos quando tínhamos seis anos. Somos próximos desde então.
A natureza atenciosa de Nicholas era exatamente como ela lembrava, especialmente perceptível em sua menção aos “presentes”.
Suas palavras transmitiam preocupação com a situação ali, mas ele nunca disse explicitamente “os suprimentos solicitados pela Princesa”. Ele evitou, talvez temendo que isso pudesse afetá-la negativamente.
— … Não podemos deixar um convidado que trouxe presentes do lado de fora. Vamos até o castelo conversar.
Igmeyer sorriu, aparentemente acolhedor, mas o repuxar involuntário dos músculos do rosto, enquanto ele forçava entusiasmo pelo visitante inesperado, era quase cômico.
— O quê? Você se tornou um médico oficial?
— Sim, olha isso, minha licença.
— Sério! Uau, isso é incrível. Parece que foi ontem que você se esforçava tanto para cuidar de animaizinhos feridos.
A cozinha, ciente do convidado especial, parecia especialmente tensa, e o jantar daquela noite estava particularmente requintado.
Durante a refeição, Nicholas conduziu a conversa com naturalidade, envolvendo principalmente Amber, mas ocasionalmente incluindo Igmeyer para evitar quaisquer constrangimentos.
Era a diplomacia característica de Shadroch em ação.
— Na verdade, eu queria muito mostrar isso a você na presença do Grão-Duque.
Enquanto serviam a sobremesa, Nicholas estalou os dedos. Um servo, que aguardava atrás, aproximou-se apressadamente com um pequeno baú.
Ao ver o baú antigo, adornado em prata meticulosamente trabalhado e o símbolo da árvore de pêssego de Shadroch, os olhos de Amber se arregalaram.
Algo emergiu das profundezas de suas memórias esquecidas.
— Isso é…?
— Sim. É o baú que a falecida rainha tanto estimava. Foi encontrado por Sua Majestade durante uma grande faxina.
O baú, com seu mecanismo de trava complexo, foi aberto com facilidade por Amber.
— Isto é…
Um momento depois, uma lágrima escorreu pela bochecha de Amber.
Seu peito se aqueceu, e a emoção foi tão intensa que ela não conseguiu conter o choro.
— São… roupas de bebê…
— Sim. Estas são as roupas que a Grã-Duquesa usou quando era bebê.
— Não acredito que minha mãe guardou isso…
— Talvez ela quisesse mostrar para a Grã-Duquesa quando tivesse seu próprio filho.
Nicholas sussurrou, como quem oferece conforto.
Sem pensar em enxugar as lágrimas, as mãos de Amber tremiam enquanto segurava as pequenas roupas. Ela tinha medo de que rasgassem com qualquer força excessiva. Ao desdobrá-las com cuidado, revelaram-se minúsculas.
— São tão pequeninas. Eu usei isso?
— Parece que sim.
Até Igmeyer, normalmente rápido com provocações, desta vez mostrou interesse genuíno.
— Sempre ouvi dizer que eu era menor do que a maioria dos bebês e que isso era uma preocupação. Parece que era verdade. As roupas são minúsculas.
Após acariciar o tecido macio várias vezes, Amber entregou a Igmeyer, esperando que ele, como futuro pai, começasse a se familiarizar com tais coisas.
— Hum, de fato. É bem pequenininha.
— Um bebê que cabe nisso deve ter mais ou menos o tamanho de duas das suas palmas juntas.
— …Hum.
Como se estivesse imaginando, Igmeyer franziu a testa, estendendo as palmas das mãos. Depois, inclinou a cabeça, confuso.
— Então, um recém-nascido é basicamente uma criaturinha feita só de cabeça?
— Isso mesmo, Igmeyer.
— Sério?
— É isso mesmo. Nunca viu um bebê?
— Não.
Sua reação surpresa divertiu tanto Amber que ela caiu na gargalhada.
E enquanto ela ria, Nicholas, que a observava atentamente, logo acrescentou com um sorriso:
— Por favor, olhe isto também. Há algo ainda mais precioso do que as roupas.
— Mais precioso?
— Esta pintura foi feita pessoalmente pela falecida rainha. Ela até assinou.
Nicholas retirou do fundo do baú vários pergaminhos desbotados. Os desenhos neles eram inegavelmente amadores, mas cada fio de cabelo, olho, nariz e boca estava imbuído com o carinho de quem os desenhou.
— Sou eu!
— Sim.
— Meu Deus, quando minha mãe teve tempo para isso?
Havia desenhos de Amber dormindo tranquilamente no berço, engatinhando, virando de bruços e agarrando-se à barra de um vestido, presumivelmente pertencente à sua mãe…
Enquanto Amber examinava cada um, Igmeyer bateu levemente na mesa para chamar sua atenção.
— Há algo escrito no verso.
— Sério?
— Acho que pode ser uma carta.
As pessoas de Shadroch, sejam nobres ou plebeus, costumavam escrever cartas. A própria Amber recebia cartas dos pais a cada aniversário enquanto crescia.
‘Mas, mãe… você nunca mencionou isso.’
A sala de jantar não estava vazia, vários cavaleiros, criados a observavam.
Tentar se conter era difícil com o coração apertado daquele jeito.
[Para minha amada filha, Amber.]
Apenas ler a primeira frase já embaçou a visão de Amber, tornando impossível continuar.
[Um dia, quando você crescer e tiver um filho, pensei em te mostrar esses desenhos. Sou grata por você crescer tão bem, apesar de ter nascido tão pequenina e o mundo ter sido tão duro com você.
Não sei quando você verá isso, mas espero que esteja sempre com saúde.
É só isso que sua mamãe deseja.]
Plinc, plonc.
As lágrimas caíram antes mesmo que ela pudesse pensar.
‘Mãe…’
Com o nariz ficando vermelho, Amber logo passou à próxima carta.
[Para minha querida e amada filha, Amber.
Hoje, você conseguiu se virar pela primeira vez. Estava fazendo biquinho e sorrindo, foi adorável.
Ao te observar, pensei: “Ah, é isso que chamam de amor?”
Não sei quais dificuldades enfrentará na vida… mas sei que você vai superá-las.
Sua mãe estará rezando por você.]
Receber essas cartas justo quando mais precisava de encorajamento parecia destino.
Amber fungou, procurando um lenço ao redor.
— Ah, aqui…
— Use este.
Antes que Nicholas pudesse vasculhar seus pertences, Igmeyer já estendia um lenço.
Pegando-o do marido, Amber pressionou-o contra os olhos para enxugar as lágrimas.
— Meus pais faleceram cedo, vítimas de doenças. Depois que meu irmão subiu ao trono, tornou-se quase impossível encontrar vestígios da minha mãe, mas ver isso agora…
— Parece que você foi muito amada.
— Sim, fui. Eles realmente me amaram.
O quanto o antigo casal real de Shadroch adorava sua filha era um fato conhecido, tão
intenso que doía falar.
Amber viveu uma vida de liberdade e felicidade, envolta por um amor imenso, diferente de qualquer outra princesa registrada na história.
Quisesse montar a cavalo, aprender bordado, praticar esgrima ou precisar de um novo vestido, seus desejos eram recebidos com apoio incondicional e entusiasmo.
Ela era alguém que recebia e dava amor por onde passasse.
‘Sim, essa era eu.’
Encontrar Nicholas trouxe de volta aspectos de si mesma que havia esquecido.
Se sentindo como alguém que saiu de um longo túnel escuro, Amber estava profundamente emocionada.
Antes, era como vagar na escuridão sem encontrar a saída. Depois de retornar, parecia que havia encontrado o caminho… e agora, com o futuro mudando, era como se finalmente tivesse chegado ao fim.
Sentia como se, ao sair, ela respirasse ar puro.
Agora, parecia banhada pela luz do sol.
Ainda não sabia qual caminho tomar ao sair da escuridão, mas ao menos tinha coragem para seguir em frente.
As cartas de sua mãe eram como esse sol quente.
‘Tudo bem continuar caminhando. Ainda sou jovem, e há infinitas possibilidades à frente.’
Segurando as cartas junto ao peito, Amber valorizava até as lágrimas que não paravam de cair.
‘Foi uma boa ideia pedir apoio a Shadroch.’
Caso contrário, talvez nunca tivesse recebido essas cartas.
Mesmo que seu irmão quisesse ajudar e entregá-las, não teria como enviar alguém sem um motivo válido.
— Igmeyer. Seria possível, nosso hóspede ficar no castelo por uma semana?
Ela queria mesmo que ele dissesse “um mês”, não só uma semana.
Olhando para os olhos marejados de Amber, Igmeyer abriu a boca lentamente:
— Ele pode ficar o tempo que você quiser.
Apesar dele parecer relutante, Amber sorriu radiante com a aprovação.
A perspectiva de continuar conversando com Nicholas lhe trazia uma alegria imensa.
Continua….
Tradução: Elisa Erzet
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Amber, era uma princesa tão linda quanto uma fada.
Seu marido, que viveu como mercenário, era muito diferente dela em todos os sentidos.
Devido a um casamento forçado, Amber caiu em desespero. Ao longo dos anos de seu casamento, se ressentia veementemente de tudo sobre seu marido.
No entanto, quando ele encontrou seu fim tentando protegê-la e ao filho que ela estava esperando, Amber foi tomada pelo arrependimento e desejou voltar no tempo…
O ponto de partida da regressão foi a noite de núpcias.
— Você não olhou para mim nem uma vez durante o banquete do casamento, pensei que estivesse chateada por se tornar esposa de um homem humilde.
Ela já era como cinzas queimadas, mas ele parecia um espírito de fogo dançando sobre as ruínas.
O abraço dele era forte demais para suportar, então Amber desviou finalmente o olhar.
🌸🌸🌸
‘Foi só após te conhecer que percebi que havia um vazio dentro de mim. E então fiquei feliz, sabendo que você vai completar esse vazio.
Mas conforme essa parte em mim era preenchida, fui ficando mais ganancioso.
Ah, se eu fosse um pouco mais perverso, eu teria devorado você inteira.
Ps: Meu outro maridinho