Ler A Tatuagem de Camélia – Capítulo 30 Online
— Mesmo que Amber tenha reunido os médicos para garantir sua própria sobrevivência, qual é o problema nisso?
— Is-isso é verdade.
Gallard murmurou para si, rotulando Igmeyer como “fanfarrão”. Também não se esqueceu de acrescentar “parcial”.
Claro, ele nunca expressou esses pensamentos em voz alta. Sabia que era melhor não provocar um homem que nem sequer esboçaria um sorriso com uma piada.
— Mas isso realmente parece interminável.
— Eles sabem. Entendem que precisam me derrubar.
— Sim, mas… é um espetáculo.
Igmeyer e os cavaleiros estavam no topo de um penhasco.
As vastas terras de Hayim se estendiam abaixo, um lugar que normalmente ostentava uma paisagem imaculada de neve, mas agora estava marcada pelo fluido espinhal de monstros e pelas pegadas de botas militares.
Se havia algum consolo, era que multidões dessas criaturas amaldiçoadas bloqueavam a luz do sol, poupando-os da visão do solo imundo.
— Por que eles não estão atacando?
— Provavelmente têm algum ressentimento por humanos roubando os cérebros de sua espécie.
Igmeyer respondeu casualmente à pergunta ansiosa de Gallard e passou a mão pelo cabelo.
Fazia muito tempo que não fumava, mas hoje sentiu vontade.
Logo, um deles faria um movimento, e a batalha final contra as criaturas espectrais começaria.
Ambos estavam apenas ganhando tempo, mas “algo” começaria em breve.
Igmeyer tinha certeza de que aquelas criaturas estavam tramando algo terrível.
‘Ah… já que as atraímos para cá, o lado de Amber deve estar seguro.’
Mesmo que isso seja uma distração, com tantos deles aqui, o número de inimigos deve ser bem menor no castelo.’
Desde o começo seu plano sempre foi esse.
Deixar as defesas do castelo a cargo de Raphael, enquanto ele e Gallard cortariam impiedosamente as criaturas a caminho de Hayim.
Era uma estratégia possível apenas porque sabiam que essas criaturas tinham cérebros.
Se eram capazes de pensar, ficariam furiosas, e a raiva as atrairia para cá.
Quanto mais perigo ele enfrentasse, mais segura Amber ficaria. Por isso, Igmeyer acolhia com prazer à situação atual.
— Quero um charuto.
— Ah, vai fumar? Nada como uma tragada antes da batalha final, certo?
Ludwig, um cavaleiro parrudo que também fora mercenário, ofereceu um.
Charutos não eram exatamente do gosto de Igmeyer, mas ele inalou a fumaça profundamente nos pulmões.
— Quando eu terminar de fumar, irei à frente. Vocês me deem cobertura.
Os cavaleiros levantaram a cabeça ao comando, dado em um tom calmo, porém firme.
Seus olhos brilharam ferozmente.
Todos sabiam que suas opções eram cair mortos sobre o gelo ou voltar vivos. Ninguém queria morrer.
— Todos protejam suas costas!
— Sim!
— Mesmo que encontremos a morte, não será de maneira vergonhosa!
Gallard gritou, e os cavaleiros se levantaram com força nas pernas, respondendo com vigor.
Originalmente, para cavaleiros, morrer com um golpe nas costas era uma vergonha que mancharia sua família por gerações. Mas para os Cavaleiros do Gigante de Gelo, isso tinha um significado ainda mais especial.
O que carregavam nas costas era algo que jamais poderia ser perdido.
Assim, ninguém desejava morrer com as costas atingidas. Era uma afirmação de que não recuariam ou fugiriam.
— Vamos.
O charuto que Igmeyer segurava na boca caiu no chão. Simultaneamente, ele saltou, manifestando seus poderes.
O primeiro choque provocou uma enorme tempestade de neve. Os cavaleiros abaixo brandiam suas espadas ferozmente contra as Criaturas Fantasmagóricas que avançavam, mesmo no meio da tormenta.
Seus músculos pareciam prestes a se rasgar. Braços, pernas e pés doíam. A cabeça girava, a respiração estava fraca, e estavam ocupados demais para sequer olhar ao redor.
Ainda assim, estavam vivos. E enquanto permanecesse de pé, lutariam.
Sangue e fluidos verdes espirravam por toda parte.
O vencedor dessa batalha insana só seria conhecido… três dias depois.
Em um dia sem nuvens, no castelo principal.
Está estranhamente silencioso. Por quê?
De pé no topo da muralha do castelo, Amber estremeceu e puxou o casaco para mais perto do corpo.
Já faz uma semana desde que Raphael e os arqueiros enfrentaram as três Criaturas Fantasmas.
Desde então, ela estava extremamente tensa, esperando outra aparição das criaturas. Mas, estranhamente, o castelo permanecia seguro.
Era quase como se a guerra tivesse terminado.
Ela temia que um portal se abrisse sobre eles, mas nada disso aconteceu.
— Trouxe um chá quentinho para você, senhora.
— Obrigada, Betty.
Ao pegar a xícara quente de chá, Amber percebeu pela primeira vez que suas mãos estavam congeladas.
‘Estava tão absorta nos meus pensamentos… nem percebi o frio…’
Amber se perdeu em suas memórias turvas, refletindo sobre o passado.
‘Naquela época, quando foi que Igmeyer voltou? Demorou tanto assim?’
Ou será que era simplesmente porque seu coração havia mudado…? Agora, o tempo parecia passar mais devagar enquanto ela esperava por Igmeyer.
Se ao menos ela pudesse empunhar uma espada e se juntar à luta. Mas não podia, então o coração de Amber estava pesado.
— Se ficar mais tempo lá fora, você vai adoecer. Está aqui há duas horas.
— Já se passou tanto tempo assim?
O tom de Betty soava preocupado. Sem querer preocupar suas subordinadas, Amber decidiu voltar para seu quarto.
— Ah, senhora! Olhe, o senhor Raphael está ali. Ele deve ter terminado sua patrulha. Parece que não houve problemas hoje.
— Hãã, é verdade. Graças a Deus.
O cabelo prateado de Raphael, lembrando montanhas cobertas de neve, brilhava sob a luz do sol. Seus olhos frios e azuis, como um lago profundo, ergueram-se por um instante.
Amber sentiu-se aliviada ao ver aquele olhar confirmando sua segurança. Não porque ele estivesse ali para protegê-la, mas porque ela podia ter certeza que ele estava vivo.
‘Na verdade, eu nunca imaginei que Igmeyer deixaria Raphael aqui… No final, foi uma boa decisão.’
Raphael estava seguro porque não havia ido para o campo de batalha.
Ele seria certamente de grande ajuda no confronto final.
Com esse pensamento, Amber acalmou repetidamente seu coração agitado.
Vai ficar tudo bem.
Mesmo assim, ela desejava que ele viesse.
Não sabia quando começou a depender de Igmeyer tão facilmente. Nem mesmo conseguia compreender o que havia mudado.
Mas uma coisa era certa desde seu retorno a está vida… Toda vez que suas emoções transbordavam de forma insuportável, Igmeyer sempre esteve lá.
Sua presença, sem fazer perguntas ou exigir nada, apenas estando presente, era o que ela precisava.
Por isso, Amber agora o buscava instintivamente.
— Senhora, olhe!
Naquele momento, a voz de Betty soou surpresa.
Amber, que estava prestes a entrar, virou-se instintivamente ao som dos cascos dos cavalos.
Uma bandeira azul-escura era visível à distância.
O estandarte com o claro emblema do Gigante de Gelo ondulava vigorosamente contra o céu azul.
— Igmeyer!
Amber se inclinou sobre a muralha do castelo, esticando o corpo enquanto gritava.
Se pudesse, pularia dali e correria até ele.
‘Você está bem? Vencemos?’
Ela queria perguntar tudo isso.
Afinal, uma amiga pode se preocupar assim, certo?
— Vamos descer rápido. Avisa a todos para irem ao pátio receber o Grão-Duque e os cavaleiros.
— Sim, senhora.
Betty apressou-se a cumprir a ordem.
Amber segurou a barra pesada do vestido e caminhou em passos rápidos. Pelo ritmo da aproximação, eles logo estariam no castelo.
— Uau!
— Os cavaleiros voltaram!
O som de cascos misturado com aplausos era ensurdecedor.
Seu coração acelerou.
Enquanto ela permanecia imóvel, logo Igmeyer apareceu.
Seu rosto estava cansado e pálido, mas ele havia retornado com o espírito inabalado.
— Amber.
Sussurrando com a voz rouca, ele desmontou do cavalo e caminhou na direção dela. Vendo sua intenção de abraçá-la, Amber tirou as luvas de pele e abriu os braços primeiro.
Mas Igmeyer hesitou quando se aproximou e parou abruptamente.
— Eu… eu quero te abraçar, mas estou imundo.
— Não me importo.
Ele acabara de voltar de uma batalha feroz. O que ela teria para se importar?
‘Para ser sincera, eu costumava odiar isso, mas agora não.’
Ela quase podia visualizar as dificuldades que ele enfrentou. Enquanto suas mãos permaneciam limpas, ele deve ter caminhado sob uma chuva de sangue.
Pode soar estranho sentir orgulho e admiração pela tempestade que ele suportou, mas era exatamente isso que Amber sentia naquele momento.
Ela estava grata por seu retorno. E maravilhada.
— Senti sua falta. Mas como soube que devia voltar hoje?
— De alguma forma, só senti vontade de voltar rápido.
Os braços delicados envolveram Igmeyer com força e não o soltaram. A cena terna arrancou lágrimas de alguns espectadores.
— Amor!
— Querido!
— Papai!
Logo, os cavaleiros também se reencontravam com suas famílias, em abraços, risos e lágrimas.
Quando o alvoroço diminuiu, Igmeyer levantou a mão.
Os escudeiros trouxeram um carroção, sobre o qual estava uma bela pele prateada.
— Isso é…
— Um presente. Encontrei outro Fenrir.
— Ah!
— Desta vez, não faça luvas, certifique-se de usar como casaco. Olhe o que você está vestindo. É fino demais para este frio.
Igmeyer resmungou.
Era sempre constrangedor demais ser mimada. Se sentia estranha, mas não descontente. Desejava que ele cuidasse mais de si do que se preocupasse com ela.
Amber abriu um sorriso radiante em resposta, carregado de um calor primaveril capaz de derreter geleiras.
Nenhuma nobre normalmente abraçaria um cavaleiro coberto de sujeira.
Era um pouco constrangedor para ela dar um tratamento tão especial ao marido.
Para dissipar o desconforto, Igmeyer observou Amber atentamente.
Seu rosto parecia um pouco mais magro, a pele pálida como se faltasse sangue, ela parecia cansada, provavelmente por não comer direito.
Além disso, suas pontas dos dedos, que escapavam das luvas de pele, estavam avermelhadas. Devia ser de tanto tecer. Ela sempre foi teimosa, raramente descansava, mesmo quando ele pedia.
Continua….
Tradução Elisa Erzet
Ler A Tatuagem de Camélia Yaoi Mangá Online
Amber, era uma princesa tão linda quanto uma fada.
Seu marido, que viveu como mercenário, era muito diferente dela em todos os sentidos.
Devido a um casamento forçado, Amber caiu em desespero. Ao longo dos anos de seu casamento, se ressentia veementemente de tudo sobre seu marido.
No entanto, quando ele encontrou seu fim tentando protegê-la e ao filho que ela estava esperando, Amber foi tomada pelo arrependimento e desejou voltar no tempo…
O ponto de partida da regressão foi a noite de núpcias.
— Você não olhou para mim nem uma vez durante o banquete do casamento, pensei que estivesse chateada por se tornar esposa de um homem humilde.
Ela já era como cinzas queimadas, mas ele parecia um espírito de fogo dançando sobre as ruínas.
O abraço dele era forte demais para suportar, então Amber desviou finalmente o olhar.
🌸🌸🌸
‘Foi só após te conhecer que percebi que havia um vazio dentro de mim. E então fiquei feliz, sabendo que você vai completar esse vazio.
Mas conforme essa parte em mim era preenchida, fui ficando mais ganancioso.
Ah, se eu fosse um pouco mais perverso, eu teria devorado você inteira.
Ps: Meu outro maridinho