Ler A Espada de Deus – Capítulo 07 Online
Comparação de Duas Vidas
Não havia como aquilo ser verdade. Irene estava mais surpresa com a extravagância do quarto do que com as pessoas ao seu redor quando abriu os olhos. O ambiente lembrava o espaço amplo e luxuoso que ela via quando era convocada ao quarto da Princesa Cecília em sua vida passada. Naturalmente, ela assumiu que era um arranjo temporário e que seria realocada. Como poderia ser seu quarto?
— Isso não pode estar certo. Acabei de ser reavaliada e recebi o nono grau. Deveria estar num quarto menor, não em um lugar como este…
— Não, este é realmente o seu quarto, Irene — respondeu Michael, com firmeza.
Diante da resposta direta, Irene ficou sem saber o que dizer. Havia algo na segurança de suas palavras que a impedia de questionar.
‘Mas como?’
Em geral, purificadores de baixa patente só conseguiam acomodações melhores por meio de influência ou de grandes quantias de dinheiro. Porém, Michael, mesmo sendo o Comandante dos Cavaleiros, tinha autoridade apenas dentro dos limites do templo. Fora dali, nesta fortaleza sob jurisdição da Aliança dos Reinos, ele era tratado como um forasteiro. Por isso, parecia improvável que tivesse usado sua posição para garantir algo tão luxuoso.
Se não foi por influência, então teria sido com gastos excessivos. Mas Irene achou essa ideia absurda. Em sua vida passada, Michael nunca gastou um centavo com conforto pessoal. Ele se contentava com o básico oferecido pela fortaleza, nunca contratando um chef particular ou se permitindo alimentos luxuosos. O mesmo valia para outros aspectos de sua vida.
‘Para começar, ele nem deveria ter tanto dinheiro assim…’
Enquanto refletia sobre o estilo de vida modesto de Michael, Irene ficou ainda mais perplexa com o quarto luxuoso designado a ela.
Assim como os outros cavaleiros, Michael vendia os espólios das masmorras na casa de leilões da Aliança. Mas, diferentemente dos demais, ele doava todo o dinheiro ao templo.
Enquanto coçava a cabeça, ainda confusa, Michael finalmente explicou:
— Este lugar foi oferecido pelo Reino de Tyrenia. Antes de vir para esta fortaleza, ajudei a eliminar uma masmorra instável que surgiu em suas terras. Na época, recusei qualquer recompensa…
Ele continuou, com serenidade:
— Quando você desmaiou, o embaixador deles insistiu que esse alojamento já havia sido pago com antecedência. Eu não pude recusar. Acima de tudo, trouxe você para cá para garantir sua segurança e conforto.
— Ah… Entendo.
Irene ouviu atentamente, percebendo que ele não havia providenciado as acomodações. Parecia que o favor veio do Reino de Tyrenia.
Talvez recusar algo assim, depois de tantas tentativas de agradecimento, fosse realmente constrangedor.
Então, um pensamento súbito cruzou sua mente.
— Mas… como o senhor sabe meu nome?
Ela não se lembrava de ter se apresentado no banquete.
Michael respondeu sem hesitar:
— Nunca nos apresentamos formalmente. Me perdoe por usar seu nome sem permissão. Apenas ouvi os sacerdotes e membros da Aliança comentando sobre a senhorita.
— Não há do que se desculpar. Na verdade, eu é que deveria ter me apresentado direito. Sou Irene Rhodiam.
Irene endireitou a postura e inclinou levemente a cabeça. Em resposta, Michael ficou em posição ereta, levou uma mão ao peito e a cumprimentou como um cavaleiro.
— Sou Michael.
Foi uma apresentação breve, quase seca. O silêncio voltou a dominar o ambiente. Até que Irene, buscando quebrar o clima, retomou o assunto da noite anterior.
— Hm… Sobre ontem, no banquete…
Antes que ela pudesse terminar, Michael se adiantou.
— Peço desculpas pela minha grosseria ontem. Não percebi que realizar a purificação em público confirmaria automaticamente o emparelhamento.
Ele a olhou com sinceridade e fez uma pergunta direta:
— Você pretendia formar par com outro cavaleiro?
Ela tinha. Se Michael não tivesse aparecido, teria se juntado aquele cavaleiro, nem sequer lembrava o nome dele. Pensou por um instante e então balançou a cabeça:
— Não. Não tinha ninguém em mente.
— Que alívio — murmurou Michael. — Se já estivesse formado um par, teria sido bastante constrangedor.
Naquele momento, Irene sentiu um arrepio inexplicável, fazendo-a estremecer e esfregar o braço. Michael só estava afirmando o óbvio, mas algo em suas palavras a perturbou. Irene mordeu o lábio, tentando afastar aquela sensação.
Por mais que tivesse deixado o passado para trás, as lembranças ainda estavam com ela. E encará-lo daquele jeito era desconcertante.
‘Controle-se. Ele é alguém que você não verá novamente em alguns dias.’
A admiração e o amor que sentira por ele, os momentos que passaram juntos, agora eram parte do passado. Nem sequer aconteceram nesta vida atual. Então, ela enterraria tudo no coração e buscaria um desfecho diferente.
Por ora, havia assuntos práticos a resolver.
— Sir Michael, espero que não considere isso indelicado, mas gostaria de discutir a divisão das recompensas de masmorras.
Mesmo que a considerassem uma purificadora interesseira, Irene não se importava.
— O senhor pode achar esses assuntos mundanos desagradáveis, mas tradicionalmente, purificadores e cavaleiros negociam esses termos antes de formar pares.
— Está tudo bem. Pode prosseguir.
Imaginando se alguém já havia explicado isso a ele, Irene ficou aliviada ao ver nenhum sinal de desconforto no rosto de Michael.
— Sei que o senhor doa todas as recompensas ao templo — disse, com firmeza, e rapidamente expôs sua ideia: — Como líder dos Cavaleiros do Templo, isso é natural, e eu respeito sua conduta. Mas e-eu preciso de dinheiro para minha sobrevivência. Então…
Ela hesitou, observando sua reação.
— Todas as recompensas são legitimamente suas. Mas, ocasionalmente, será que posso ficar com as de algumas masmorras específicas que eu indicar?
— Isso é…
— Não será frequente. Mesmo que seja apenas uma vez por mês, já seria o bastante. Fora isso, tudo pode ser como desejar.
Michael refletiu por alguns segundos antes de assentir.
— Certo. Se isso a satisfaz, podemos proceder como sugeriu.
Ao ouvir sua resposta, Irene cerrou o punho discretamente.
‘Funcionou.’
Ela celebrou internamente sua disposição em aceitar a proposta sem resistência.
Apesar de todos os desvios do destino, o resultado estava se alinhando ao que ela precisava.
‘Michael continua o mesmo.’
Ficava a alguns passos de distância dela, exatamente como fazia no passado, como se não devesse se aproximar demais.
Na outra vida, aquilo a entristecia. Dava a impressão de que ele não queria estar ao lado dela, mesmo sendo parceiros. Mas agora, com seus sentimentos organizados e limites definidos, aquele distanciamento trazia certo alívio.
‘Se tudo continuar assim por mais alguns dias…’
Ela pensou ansiosa, na masmorra que indicaria, na qual planejava encontrar o Anel de Invisibilidade. Assim que o tivesse em mãos, colocaria o item no leilão oficial e deixaria aquele lugar.
— Então, Sir Michael — disse, fazendo uma reverência com elegância. — Contarei com o senhor até o fim do nosso contrato.
No dia seguinte, Irene respirou aliviada ao receber as informações dos batedores sobre uma nova masmorra.
‘Exatamente como antes.’
No fundo, temia que uma masmorra diferente da que lembrava aparecesse. Se isso acontecesse, todas as memórias seriam inúteis.
Felizmente, seu pior medo não se concretizou.
Justo quando Irene começava a se sentir mais tranquila…
De repente, alguém a esbarrou com brutalidade pelas costas. Surpresa, ela cambaleou e se apoiou contra a parede mais próxima.
‘O que foi isso?’
Virou imediatamente, assustada.
— Hãã…
Um suspiro pesado escapou de seus lábios.
— Wilhelmina…
Irene murmurou o nome da mulher que a encarava com hostilidade.
Nem tudo permanecer igual não era uma coisa boa.
(Elisa: *Wilhelmina seria Guilhermina em PTR, porém, como nome próprio não se traduz, deixo o nome horroroso dessa ridícula. Mas podem ler mentalmente Guilhermina )
Continua….
Tradução Elisa Erzet
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Esta noite, mais uma vez, ele ansiava pela purificação dela.
Foi uma vida infeliz.
Apesar de possuir o poder de purificação, Irene era considerada rank inferior, nunca tendo recebido amor ou aceitação de alguém em seus poucos anos de vida. Até mesmo em seus momentos finais, ela morreu sozinha e solitária —mas, estranhamente, ela se viu de volta ao passado.
E não era um momento qualquer, mas logo antes de conhecer seu marido, Michael, o homem que ela arruinara.
‘Este é o primeiro erro que devo corrigir nesta vida. Ou seja… não devo me envolver com Michael.’
No entanto, Michael parece estranho.
— Eu… eu preciso de você. Por favor, me purifique.
Ele pediu pela purificação primeiro.
‘Um paladino — este homem sagrado —vem até mim todas as noites.’
— Irene. Minha esposa. Minha bela e adorável Irene. Esta noite, quero ser purificado por você. Bem devagar e por muito tempo
‘Você com certeza era um paladino na minha vida passada, alguém que não ousava sequer me tocar, certo?’