Ler A Espada de Deus – Capítulo 02 Online
Noite do Contrato
A vida passada de Irene podia ser resumida em uma palavra: “infeliz”. Quando criança, seus pais foram mortos em uma masmorra, deixando-a para trás. Pouco depois, ela foi enviada a um orfanato.
Um sacerdote voluntário notou nela um potencial para purificação.
Com o surgimento das masmorras, os purificadores estavam em alta demanda.
Reconhecida por suas habilidades, Irene foi adotada pelo Conde Rhodiam — um nobre que generosamente financiava o orfanato.
— Não importa o que aconteça, ter um purificador ao lado sempre é uma vantagem. Cresça rápido e torne-se útil.
Os olhos do Conde brilhavam cheios de ganância ao olhar para ela. Afinal, qualquer um que entrasse em uma masmorra precisaria de um purificador para curar feridas e limpar a magia corrompida. Só eles podiam tratar os ferimentos causados por monstros e purificar a energia maligna que emitiam. O Conde imaginava que, quando adulta, Irene formaria um par com um cavaleiro e lhe renderia fortuna.
Porém, ao atingir a maioridade, a classificação de purificação de Irene — avaliada pelo templo — foi a mais baixa possível. Furioso com o resultado, o Conde, que esperava que ela gerasse lucro, percebeu que nenhum cavaleiro se interessaria por uma purificadora de rank inferior.
Prevendo prejuízos, o Conde planejava vender Irene para um nobre idoso, famoso por já substituir seis esposas.
— Sua inútil! Ainda bem que seu rosto é aceitável. Pelo menos alguém está disposto a comprá-la por isso.
Embora desejasse fugir, Irene sabia que, com o nome “Rhodiam” atrelado a ela, era praticamente propriedade do Conde
— Me dê seis meses! Encontrarei um cavaleiro para emparelhar, explorar masmorras e pagarei meu valor!
— Quem se juntaria a uma purificadora de rank tão baixo? Mesmo que algum tolo apareça, você acha que ele recuperaria o dinheiro que gastei com você? E os custos de alimentação e moradia?
— Só saberemos tentando. Por favor, me dê uma chance!
Nos seis meses seguintes, Irene tinha apenas uma opção: encontrar um cavaleiro na Noite do Contrato. Após isso, entrariam juntos nas masmorras e dividiriam as recompensas. Fora isso, não havia outro meio de conseguir os 100 mil de ouro em tão pouco tempo.
Irene foi imediatamente à fortaleza onde o evento ocorria — uma enorme cidadela construída pela Aliança dos Reinos na região onde surgiam as masmorras.
Lá, uma vez por mês, purificadores adultos buscavam cavaleiros para formar pares e firmar contratos.
— Talvez eu consiga encontrar alguém aqui…
Mas, como o Conde previra, sua esperança foi em vão.
— Uma purificadora de rank baixo? Prefiro entrar sozinho na masmorra do que dividir recompensas com você.
Por mais que os cavaleiros precisassem de purificadores, o poder de Irene era tão fraco que todos a rejeitavam.
Os poucos que consideravam o contrato agiam como se estivessem fazendo um favor.
— Bom, se formos só em masmorras de nível mais baixo, e eu ficar com 99% da recompensa enquanto você com 1%, até posso considerar. E mais uma coisa…
O cavaleiro a examinava de cima a baixo, lambendo os lábios.
— Você tera que me satisfazer todos os dias. Assim, a purificação seria mais eficiente. Ah, e não só antes das masmorras… sempre que eu quiser.
Diante das exigências do cavaleiro, Irene mordeu os lábios. Era conhecido que, para uma purificação eficiente, o contato íntimo era mais eficaz do que o simples toque físico. Quando os cavaleiros voltavam das masmorras, ficavam trancados com seus purificadores até estarem limpos da magia corrompida.
Aquele cavaleiro só pedia o esperado… mas o brilho nos olhos daquele homem mostrava que ele queria mais prazer do que purificação.
Além disso, a divisão de 1% para ela era exploração.
‘E ele pode nem se esforçar nas expedições depois do contrato…’
Ele poderia simplesmente usá-la e ir embora. Mas hesitar não era um luxo que Irene podia se dar. Se recusasse aquele contrato, seria vendida ao velho nobre.
Enquanto lutava com a decisão, uma figura surgiu no salão.
Era Michael, o renomado paladino admirado em todo o continente. O único cavaleiro justo, que entrava nas masmorras não por interesse próprio, mas para salvar vítimas dos monstros.
Sua presença na Noite do Contrato não era por escolha. A Aliança dos Reinos o forçara a comparecer, para mantê-lo sob controle, pois sua fama crescia demais.
Mesmo ele precisava obedecer à lei e encontrar um purificador para entrar em masmorras. O plano era apenas aparecer e ir embora. Mas, Irene o abordou.
Ela sabia que ele era sua única chance de um contrato justo.
— Por favor, faça um contrato comigo.
Ela se agarrou a ele como se sua vida dependesse disso.
As pessoas observavam com atenção. Michael era um paladino do templo. Se aceitasse, mancharia sua honra ao se juntar a uma purificadora. Se recusasse, seria visto como um homem cruel por abandonar alguém desesperado.
Ambas escolhas trariam desonra. Irene sabia disso, mas não tinha outra saída.
— Mesmo formando um ‘par’ com você, não aceitarei sua ajuda.
No fim, ele escolheu salvá-la.
— Mas a purificação da magia…
Ele a cortou com frieza:
— Meu poder divino resistirá à magia. Você não precisa se preocupar.
Ele se afastou, como se não precisasse dela. Nunca exigiu purificação depois disso.
Aqueles que ridicularizavam Michael, passaram a elogiá-lo novamente, enquanto Irene enfrentava escárnio. Para todos, ela era a mulher que manchou a honra do paladino para sobreviver.
Apesar disso, Irene não podia dizer nada. Era verdade.
Michael a visitava ocasionalmente, dividindo as recompensas da masmorra sem pedir nada em troca. Mesmo sem saber seu preço exato, o valor da dívida se acumulava, chegando perto dos 100 mil peças de ouro.
‘Logo serei livre do Conde.’
Assim que isso acontecesse, ela faria qualquer coisa para recompensar Michael.
Pouco depois, surgiu uma masmorra de nível altíssimo. Muitos morreram frente ao monstro colossal, sem chance de lutar. Só Michael sobreviveu, derrotando a criatura.
Mas ficou mortalmente ferido e corrompido por energia demoníaca.
Naquela noite, Irene uniu seu corpo ao dele para salvá-lo.
Mesmo inconsciente, seu instinto de sobrevivência o fez responder agressivamente.
— Ah! Mm…
Irene soltava gemidos enquanto ele a penetrava com força.
— Por favor… mais devagar… Ah!
Infelizmente ou não, durante o ato intenso, Irene se contorcia mais de prazer do que dor.
Michael passou dias explorando seu corpo, ainda inconsciente.
Quando finalmente recobrou os sentidos, sua expressão mudou.
— Por que você… Será que eu-
Ao perceber o que havia feito, se vestiu às pressas e fugiu. O local em que estiveram estava cheio de marcas do que fizeram, deixando Irene sozinha.
Depois disso, Michael nunca mais a visitou. Logo, veio a notícia de que havia sido excomungado do templo.
‘Eu… destruí a vida dele.’
Irene estava devastada. Mesmo tentando salvá-lo, não importava.
Enquanto isso, as masmorras começaram a desaparecer. Era hora de purificadores e cavaleiros romperem seus laços e voltarem para casa.
Irene procurou Michael pela fortaleza, carregando o dinheiro que ele lhe dera. Agora, ele viveria como um cavaleiro comum, longe do templo.
‘Quero compensá-lo de alguma forma.’
Ela queria devolver tudo, mesmo que isso significasse ser vendida pelo Conde.
Michael dedicara a vida a servir a Deus, e agora, por sua causa, perdeu tudo.
Ela não sabia como se redimir.
Ela procurou pela fortaleza improvisada, mas ele não estava lá.
Foi então que encontrou a Princesa Cecília, que sempre a desprezava. Movida pelo desejo de se desculpar, Irene perguntou se sabia onde ele estava.
— Você viu o senhor Michael?
Para sua surpresa, a princesa riu e respondeu:
— Vê aquela masmorra restante ali? Sir Michael foi limpá-la. Se quer se desculpar, é sua última chance. Vá, ele provavelmente já terminou de derrotar os monstros.
Irene entrou sozinha na masmorra para encontrá-lo e se desculpar.
Mas ainda havia monstros lá, e…
E foi assim que ela morreu.
Ela tinha certeza. Pelo menos, era o que deveria ter acontecido. Mas por que…?
Paff
— Inútil! É melhor vender você a um mercador!
Com uma dor ardente na bochecha, Irene viu o Conde explodindo de raiva diante dela.
Por quê?
Por que o passado estava se repetindo diante de seus olhos?
Continua…
Tradução Elisa Erzet
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Esta noite, mais uma vez, ele ansiava pela purificação dela.
Foi uma vida infeliz.
Apesar de possuir o poder de purificação, Irene era considerada rank inferior, nunca tendo recebido amor ou aceitação de alguém em seus poucos anos de vida. Até mesmo em seus momentos finais, ela morreu sozinha e solitária —mas, estranhamente, ela se viu de volta ao passado.
E não era um momento qualquer, mas logo antes de conhecer seu marido, Michael, o homem que ela arruinara.
‘Este é o primeiro erro que devo corrigir nesta vida. Ou seja… não devo me envolver com Michael.’
No entanto, Michael parece estranho.
— Eu… eu preciso de você. Por favor, me purifique.
Ele pediu pela purificação primeiro.
‘Um paladino — este homem sagrado —vem até mim todas as noites.’
— Irene. Minha esposa. Minha bela e adorável Irene. Esta noite, quero ser purificado por você. Bem devagar e por muito tempo
‘Você com certeza era um paladino na minha vida passada, alguém que não ousava sequer me tocar, certo?’