Ler 7 Minutes of Heaven (Novel) – Capítulo 49 Online

❀ 7 Minutes Of Heaven 6
Side Story – Loophole
O primeiro semestre como o casal oficial de calouros de Harvard terminou em segurança. Naquele tempo, curto, mas de certa forma também longo, muitas coisas aconteceram.
O momento mais emocionante foi, sem dúvida, o “The Game”. Na tradicional partida de futebol americano entre Harvard e Yale, realizada no terceiro sábado de novembro, Chase integrou a escalação como o quarterback titular.
Durante todo o jogo, ele entregou jogadas impressionantes das quais era impossível desviar o olhar, liderando, por fim, sua equipe à vitória.
Jeong-in usou a camisa dele com o número 12 e tinha o “12” pintado em ambas as bochechas enquanto torcia entusiasticamente. Naquele dia, ele gritou até sua voz ficar rouca e aplaudiu até suas mãos quase formigarem, sem se importar com os olhares ao redor. Claro, Justin estava ao seu lado também.
Após o jogo, o treinador aproximou-se com olhos expectantes, tentando sutilmente persuadir Chase a jogar na próxima partida, mas Chase recusou firmemente.
Logo depois vieram as preparações para os exames finais. Eles passaram dias ocupados transitando entre a biblioteca, o dormitório e o condomínio de Chase, mal tendo um momento para respirar.
Como as notas de Jeong-in foram melhores do que o esperado, não houve necessidade de se preocupar com sua bolsa de estudos. Chase também parecia mais acostumado à atmosfera estudantil cercada por nerds. Sua atitude parecia mais relaxada, e uma estabilidade calma infiltrou-se em sua vida diária gradualmente adaptada. Chase tornar-se um membro honorário da Associação de Estudantes Coreanos também esteve entre os eventos importantes.
E agora, eles estavam voltando para Bellacove para o Natal.
O Aeroporto Logan já estava preenchido pelo espírito natalino. O portão de embarque estava lotado de pessoas, todos movendo-se apressadamente com suas bagagens de vários tamanhos. Através das janelas, o céu de Boston pendia pesadamente nublado, enquanto as decorações de Natal penduradas no teto do aeroporto captavam as luzes fracas e brilhavam suavemente.
Felizmente, eles embarcaram no avião sem atrasos e, logo, o anúncio da comissária de bordo ecoou.
— Senhoras e senhores, bem-vindos a bordo. Este voo está partindo do Aeroporto Internacional Logan de Boston com destino ao Aeroporto Internacional de Los Angeles (LAX). Antes da decolagem, por favor, configurem todos os dispositivos eletrônicos para o modo avião…
Embora fosse um voo doméstico, a jornada estendia-se por seis horas e meia. Chase assistiu a um filme e depois tentou dormir com uma máscara de dormir. Enquanto isso, Jeong-in não conseguia conter sua empolgação, alternando entre ler um livro que havia comprado na loja do aeroporto e olhar pela janela.
E finalmente.
Através da janela do avião, a costa familiar de Bellacove surgiu à vista. Havia se passado apenas alguns meses, mas o coração de Jeong-in batia como se estivesse retornando a uma cidade natal muito sentida.
Ele sacudiu gentilmente Chase, que estava dormindo.
— Chase! Chase! Chegamos!
Chase levantou a máscara de dormir e abriu os olhos sonolentamente. Sob seu cabelo dourado bagunçado, olhos azuis ainda nublados pelo sono olharam para ele.
Cedendo à empolgação de Jeong-in, Chase olhou pela janela, soltou uma risadinha e bagunçou o cabelo dele de brincadeira. Jeong-in estava feliz demais para ficar irritado e apenas sorriu largo.
Assim que saíram pelo portão do aeroporto, Jeong-in avistou Suzy. Ela estava vestindo a camiseta “Harvard Mom” que ele havia enviado e segurava uma placa feita de brincadeira.
[Bem-vindos ao Lar, Lim & Prescott]
Jeong-in largou sua mala de mão e correu até Suzy, abraçando-a com força. Ela sorriu amplamente e o envolveu firmemente.
Chase pegou a mala que ele havia abandonado e caminhou em direção a eles.
— Muito bem! Nossos estudantes de Harvard!
Suzy deu tapinhas nas costas de ambos alternadamente. Jeong-in estivera esperando por esta oportunidade e imediatamente começou a reclamar do clima de inverno de Boston.
Ele exagerou um pouco, dizendo que as temperaturas caíam abaixo de zero de manhã e à noite, como se tivesse suportado um desastre terrível.
Os três deixaram o aeroporto e entraram no Camry vermelho de Suzy. Quando ela deu a partida, uma música pop leve fluiu do rádio. Do lado de fora da janela, o céu limpo da Califórnia e as palmeiras deslizavam.
— Casa!
No final da Willow Street, Jeong-in exclamou com empolgação ao avistar a pequena casa de dois andares à distância. O lar modesto com sua entrada verde-sálvia, a pequena varanda e os vasos de plantas de cada lado, tudo banhado pela luz do sol; aquele cenário familiar preencheu o coração de Jeong-in com calor.
Chase sentiu o mesmo aconchego ao se lembrar do conforto daquela casa. Ao observar Jeong-in praticamente pular do carro e correr para a entrada, um sorriso natural espalhou-se pelo rosto de Chase.
Assim que a porta se abriu, um aroma picante e rico atingiu seus narizes. O cheiro de kimchi bem cozido misturado com carne saborosa. Jeong-in reconheceu o menu sem sequer vê-lo e comemorou.
— Não me diga, é ensopado de porco com kimchi?
Suzy assentiu com um sorriso.
— Vou aquecê-lo. Vão lavar as mãos.
Jeong-in, com o rosto animado, puxou Chase para o banheiro.
Embora tivessem se tornado frequentadores assíduos de vários restaurantes coreanos perto de Harvard, do que Jeong-in mais sentia falta ainda era da comida de sua mãe. Após lavarem as mãos, os dois naturalmente ajudaram Suzy a arrumar a mesa.
Logo, arroz brilhante e o ensopado de porco com kimchi que estivera fervendo em uma panela de barro foram colocados na mesa. Era uma refeição simples, apenas com algas marinhas, rolinhos de ovo e alguns acompanhamentos. Mas tudo parecia recém-feito. Jeong-in estava um pouco preocupado se Suzy estaria comendo adequadamente quando estava sozinha.
Suzy olhou para Chase com certa preocupação, imaginando se a comida seria apimentada demais para ele. No entanto, após dar uma bocada no arroz coberto com kimchi e carne, ele estava comendo bem, sem ficar vermelho ou suar. Inclinando a cabeça levemente com curiosidade, ela perguntou:
— Oh, puxa, Chase. Você se acostumou com comida apimentada?
— Tenho treinado com sopa de tofu apimentada duas vezes por semana com o Jeong-in.
“Treinar” era realmente a palavra perfeita. Ele tinha sido apaixonado por adaptar seu paladar aos gostos coreanos. Foi um esforço nascido de seu desejo de entender Jeong-in um pouco melhor.
Suzy deu uma risadinha e serviu mais arroz para Chase. Ele naturalmente pegou a colher e deu outra mordida. A ardência fazia sua língua formigar levemente, mas sua expressão permanecia relaxada.
— Da próxima vez eu vou tentar de novo aquele… como era o nome daquele frango afogado em lava, Jeong-in?
— 〈Frango refogado apimentado.〉
— …Isso, esse mesmo.
Chase pareceu relutante em tentar a pronúncia e desconversou. Observando-o com satisfação, Suzy disse em tom de brincadeira:
— Sabem, na Coreia, há uma tradição de cozinhar frango para o genro quando ele vem visitar.
— Mas eu não sou uma filha.
— Não tenho certeza de qual comida servir quando o parceiro do mesmo sexo do meu filho vem aqui.
Enquanto comia, como se subitamente lembrasse de algo, Jeong-in olhou para Suzy e perguntou:
— Mãe, você se inscreveu naquele aplicativo de namoro?
— Esse garoto… dizendo qualquer coisa até com o Chase aqui.
Jeong-in largou a colher e disse seriamente:
— Eu te disse para se inscrever. Como você vai conhecer alguém se só trabalha?
— Ah, duas vezes foi o suficiente. Vou passar a terceira.
Suzy deu uma risadinha e balançou a cabeça. Naquele momento, Chase interveio brincando:
— Devo pesquisar isso para a senhora?
Suzy lançou um olhar leve para Chase.
— Oh, céus, você também?
O riso espalhou-se naturalmente pela mesa.
Chase, após desfrutar de uma refeição farta na atmosfera calorosa, saiu cedo para casa. Era o seu jeito de dar a Jeong-in tempo para aproveitar plenamente estar com Suzy.
Pela primeira vez em muito tempo, Jeong-in ficou lado a lado com Suzy lavando a louça. Jeong-in enxaguava os pratos enquanto Suzy os secava e os guardava.
Entre eles, inúmeras histórias foram trocadas. Histórias sobre Harvard, encontros com Chase e as pequenas mudanças em Bellacove de que Jeong-in sentira falta.
Após terminarem amigavelmente na cozinha, Jeong-in subiu para seu quarto no segundo andar.
O quarto, no qual entrou depois de muito tempo, estava exatamente como antes de Jeong-in partir. Livros e cadernos que não haviam sido totalmente organizados ainda eram visíveis na mesa.
Jeong-in caminhou até a cama e pegou Snowball, que estivera guardando corajosamente o quarto, abraçando-o com força. Ele não esqueceu de perguntar como o bichinho estivera passando todo esse tempo.
Após desfazer as malas e tomar um banho morno, ele se deitou cedo. Assim que sua cabeça encostou no travesseiro, um cansaço lânguido se espalhou por seu corpo.
Justo quando estava prestes a fechar os olhos lentamente, seu celular vibrou brevemente.
Era uma mensagem de Chase. E o conteúdo foi o suficiente para espantar o sono de Jeong-in completamente.
[Chay: Meu pai convidou você para um jantar em família]
Jeong-in sentou-se abruptamente, encarando a tela.
[Chay: Ir ou não depende de você]
Chase também parecia preocupado, já que as reticências indicando que ele estava digitando algo apareciam repetidamente.
Jeong-in segurou o telefone em silêncio e respirou fundo. Logo, a próxima mensagem chegou.
[Chay: Eu realmente espero que você não se sinta pressionado por isso]
Jeong-in largou o telefone e perdeu-se em pensamentos por um momento.
Era esperado. À medida que seu relacionamento com Chase se aprofundava, a ansiedade sobre esse dia inevitável crescia. Eventualmente, ele se viu querendo apenas acabar logo com isso e confrontar a família dele.
Ele sabia que não seriam fáceis de lidar. Mas não importava. Jeong-in estava disposto a enfrentar qualquer coisa que se colocasse entre Chase e ele mesmo.
Com determinação, Jeong-in pegou o telefone novamente. E digitou apenas uma frase.
[Para Chay: Eu irei]
* * *
Uma sensação de batalha iminente preenchia o quarto de Jeong-in.
Parado em frente ao espelho, Jeong-in respirou fundo. A textura rígida do tecido tocando as pontas de seus dedos parecia estranha.
Jeong-in havia pegado o terno que Steven lhe comprara antes, o qual ele usara em um evento de caridade. Era um terno que ele vestira há quase dois anos, mas, infelizmente, ele não havia crescido mais, então ainda servia perfeitamente.
Abotoando calmamente o paletó e puxando levemente as mangas para baixo, Jeong-in examinou seu reflexo no espelho.
— Eu consigo fazer isso.
Era como uma promessa para si mesmo. Jeong-in cerrou e abriu o punho levemente, então pegou o telefone para verificar as mensagens. A conversa com Chase ainda estava lá.
[Chay: Um carro irá buscá-lo na hora.
Sim, não se preocupe, apenas confie em mim.
Eu realmente escolhi um bom namorado, tão confiável e bonito]
Jeong-in murmurou “eu consigo” mais uma vez antes de sair do quarto. Agora, era hora de ser o cavaleiro que resgataria a princesa presa no castelo Prescott. Uma princesa loira. De alguma forma lembrando da Rapunzel, Jeong-in sorriu de leve.
Ao sair, um sedã de luxo esperava silenciosamente à beira da estrada. Era um Rolls-Royce preto, liso e brilhante.
Um homem grande em um terno impecável inclinou levemente a cabeça assim que viu Jeong-in e abriu a porta traseira para ele.
— Sr. Lim.
Jeong-in sentiu-se ligeiramente intimidado por um momento, mas rapidamente recompôs-se, tentando não ser sobrecarregado. Ele caminhou até o carro com passos confiantes e entrou.
O sedã preto, com seu motor roncando suavemente, partiu sem solavancos, e a paisagem do lado de fora da janela começou a passar lentamente.
Com o Natal se aproximando, a Crestview Drive, número 1, exibia uma atmosfera diferente da habitual.
O exterior da mansão estava luxuosamente decorado em vermelho e verde natalinos. Laços vermelhos e galhos de abeto envolviam os pilares do portão, e uma grande guirlanda de Natal que parecia ter pelo menos um metro de diâmetro estava pendurada em frente à entrada.
Luzes cintilantes fluíam ao longo dos galhos das árvores do jardim que cercavam o exterior da mansão. Na borda do gramado, ornamentos de renas banhados a ouro brilhavam sob a luz.
Ao entrar pela porta da frente, o mordomo Clive Pembrook cumprimentou Jeong-in. Ele vestia um smoking preto com seu cabelo grisalho perfeitamente penteado para trás. Suas mãos com luvas brancas, sem uma única ruga, pareciam precisas e adequadas.
Clive fez uma leve reverência em direção a Jeong-in.
— Sr. Lim, por aqui, por favor.
Sua voz era baixa e polida. Sua cortesia contida parecia representar a autoridade daquela casa.
O som de dois pares de passos ecoou no chão de mármore.
Logo, uma porta de mogno grande e pesada surgiu no caminho de Jeong-in. Seguindo Clive, que abriu as portas duplas, Jeong-in entrou e presenciou uma cena surpreendente.
Era como uma cena tirada diretamente de um drama de época. À sua frente, estendia-se uma mesa de jantar longa e majestosa. Parecia grande o suficiente para acomodar pelo menos vinte pessoas. Uma toalha de mesa branca como a neve a cobria, e os talheres de prata e copos de cristal dispostos sobre ela brilhavam sob a luz do lustre.
No entanto, apenas quatro pessoas estavam sentadas naquela mesa magnífica e enorme. Os presentes levantaram-se simultaneamente assim que a porta se abriu.
Não havia a menor imperfeição em seus movimentos. Era algo elegante, porém preciso, como se adquirido através de um longo treinamento. Parecia que uma educação de etiqueta impecável havia sido enraizada neles.
Jeong-in recordou momentaneamente o que aprendera nas aulas de história europeia.
Ele aprendera que o chefe da família senta-se à cabeceira da mesa longa, e a senhora da casa senta-se na extremidade oposta. Hoje, é claro, Dominic Prescott e Lillian Prescott ocupavam essas posições, respectivamente.
Dominic Prescott vestia um terno azul-marinho escuro com uma gravata combinando e uma camisa branca impecável. Até as rugas sutis em seu rosto contribuíam para sua aparência digna.
Lillian Prescott usava um vestido de tweed que não era excessivamente chamativo. Um delicado colar de pérolas adornava seu decote elegantemente exposto.
O olhar de Jeong-in deslocou-se para o lado deles. Uma estranha ao lado de Chase chamou sua atenção.
Jeong-in fora apresentado à mulher de cabelos castanhos através de fotos de família na sala de estar de Chase.
Sophia Prescott. Ainda mais bonita pessoalmente, ela usava um vestido de seda azul profundo que lhe caía perfeitamente. A linha do vestido, de ajuste modesto, acentuava sua figura tonificada. Um colar de diamantes delicadamente cravejado brilhava sobre o vestido.
Chase, em seu terno preto, e ela sentavam-se lado a lado, e o assento à frente deles fora deixado vazio para o convidado.
— Bem-vindo.
A voz de Dominic era baixa e firme. Seu olhar varreu Jeong-in de cima a baixo. O que podia ser lido claramente em seus olhos era: “Você não pertence a este lugar”.
— Olá — cumprimentou Jeong-in sem perder a confiança, mantendo-se ereto. Após cumprimentar Dominic, ele assentiu educadamente para Sophia e Lillian, sucessivamente.
Os olhos de Lillian estreitaram-se levemente enquanto ela olhava para Jeong-in. Seria possível que ela se lembrasse do breve encontro de dois anos atrás?
Enquanto isso, o olhar de Sophia continha uma mistura de curiosidade, cautela e cinismo. Ela examinava Jeong-in como se estivesse lhe dando uma nota. Era um olhar que parecia estar julgando que tipo de pessoa ele era.
Jeong-in esforçou-se ainda mais para sorrir. Não havia um ditado que dizia que não se pode cuspir em um rosto sorridente? Como se para mostrar a todos, ele deu a Chase seu sorriso mais radiante.
— Oi, Chase.
Um sorriso sutil espalhou-se pelos lábios de Chase. Como se incapaz de esconder sua diversão diante da audácia de Jeong-in, ele fingiu limpar a garganta, levando o punho à boca.
Era um tanto divertido e um tanto lamentável que Chase sentisse que precisava manter as aparências na frente de sua família. Chase teria vivido a vida inteira em lugares como este?
Um criado aproximou-se silenciosamente e puxou uma cadeira. Jeong-in naturalmente assentiu em agradecimento antes de se sentar. Era o assento em frente a Chase, em algum lugar entre Chase e Sophia.
Sobre a mesa, pratos de porcelana com bordas de ouro e talheres de prata foram colocados em intervalos precisos. Cada item estava perfeitamente alinhado, como se medido com uma régua.
Jeong-in olhou silenciosamente para os utensílios de prata dispostos à sua frente. Eram muitos. Apenas os garfos somavam quatro. Jeong-in conhecia apenas a etiqueta básica de que se deve usar primeiro os utensílios mais externos.
— Tragam a comida — disse Dominic.
Ao seu comando, os criados aproximaram-se sem demora e colocaram o primeiro prato na mesa.
No prato descido de uma pequena bandeja de prata, havia um tartare de salmão montado com esmero. O salmão fora cortado perfeitamente em cubos, coberto com cebolinha finamente picada, raspas de limão e pimenta-do-reino moída espalhada como pontos, satisfazendo também o prazer visual.
Jeong-in tensionou-se momentaneamente ao olhar para o prato, então relanceou para Chase. Chase, de forma demonstrativa, pegou o garfo mais externo com um movimento de mão relaxado.
Jeong-in imitou o gesto, pegando também o garfo mais externo. Não parecia particularmente difícil seguir a etiqueta de jantar adequada se ele apenas tivesse que observar Chase.
Dominic, manuseando elegantemente seu garfo e faca, dirigiu-se a Jeong-in.
— Jay, não era?
— Sim.
Jeong-in pousou o garfo e endireitou as costas ao responder.
— Eu esperava que você tivesse algum nome exótico.
Ele estava tentando enfatizar que Jeong-in era um imigrante, que ele não pertencia àquele lugar? Estava tentando dizer que aquele não era o seu mundo?
Jeong-in manteve um sorriso natural e respondeu calmamente:
— Eu tenho um nome coreano, mas só permiti que o Chase o use. Por favor, apenas me chame de Jay.
Por um momento, ouviu-se uma risada contida. Veio da direção de Sophia. Ela rapidamente recompôs sua expressão e tomou um gole de seu copo de água.
— Com licença.
Os ouvidos de Jeong-in ficaram atentos à voz rouca de Sophia. Um som baixo, suave, mas claramente ressonante. Ambos os irmãos não tinham apenas aparências marcantes, mas também vozes perfeitas. Isso naturalmente o fez pensar no quanto o mundo era injusto.
Enquanto isso, Chase parecia ainda mais cativado pela postura confiante de Jeong-in, que não vacilava naquela situação. Ele apoiava ambos os cotovelos na mesa enquanto observava Jeong-in.
Lillian, que estivera comendo elegantemente com os olhos baixos, pontuou calmamente, como se soubesse sem precisar olhar:
— Chase, os cotovelos.
Chase baixou rapidamente os cotovelos. Jeong-in, pegando a deixa, também baixou discretamente o único cotovelo que havia apoiado na mesa.
Ao ver isso, os lábios de Sophia curvaram-se ligeiramente. Era um sorriso de interesse.
O que é isso, ela gosta de mim? Jeong-in inclinou sutilmente a cabeça, confuso.
Dominic tomou um gole de sua taça de vinho e dirigiu-se a Jeong-in novamente.
— Imagino se você ficou surpreso com este convite repentino.
— Está tudo bem.
— Deve ser algo bastante estranho, mas o Chase pode ajudá-lo. Ele foi educado desde cedo para ser atencioso com os outros.
O significado oculto em suas palavras foi claramente sentido. Significava que Chase era de um calibre superior ao de Jeong-in, e que Jeong-in só conseguia se encaixar ali graças à consideração de Chase.
Dominic empregava os padrões de fala da aristocracia, falando de forma indireta sem ser pego. Era a retórica típica usada por pessoas nos negócios ou na política.
Eles não declaram suas opiniões com precisão, mas as generalizam. Expressam-se indiretamente para que a outra pessoa não encontre base para um ataque. Não é direto, mas sim uma forma educada e astuta de rebaixar o outro.
Na superfície, parecia imbuído de consideração e gentileza, mas, na realidade, era sutilmente desdenhoso com Jeong-in.
Para evitar ser influenciado, Jeong-in reforçou sua determinação mais uma vez, dizendo a si mesmo para permanecer alerta.
O prato seguinte foi blini com caviar. Era uma pequena panqueca coberta com crème fraîche — um creme francês com a gordura removida do leite — e guarnecida com caviar premium.
Após saborear a comida por um momento, Dominic fez um sinal para Clive, que aguardava a um canto da sala.
— O caviar está bom. Envie meus cumprimentos à cozinha.
— Sim, senhor.
Dominic olhou na direção de Jeong-in. Desacostumado com a textura que estourava na boca e o aroma levemente de peixe do caviar, Jeong-in hesitou em tocar naquele prato.
— Você sabia que o caviar são ovos de tubarão?
Jeong-in olhou como se tivesse ouvido a pergunta mais absurda do mundo. Ele era do tipo que, tipicamente, não conseguia esconder bem suas expressões.
Dominic continuou falando, girando suavemente a base de sua taça de vinho com as pontas dos dedos.
— Ouvi dizer que predadores de topo, como os tubarões, têm um impacto tão significativo no ecossistema que o desaparecimento de apenas um não pode ser ignorado.
Dava para adivinhar o que ele estava tentando dizer. Chase era um predador de topo e precisava permanecer em seu lugar. Aquela era a ordem natural, e desviar-se dessa ordem não deveria ser permitido.
Jeong-in tocou os lábios com o guardanapo e calmamente começou sua refutação. No passado, quando representou o Iêmen — um dos países mais pobres do Oriente Médio — no Modelo da ONU, Jeong-in havia humilhado o representante americano usando nada além de fatos e lógica.
— Com todo o respeito, o caviar vem de ovas de esturjão. Mas o senhor sabia que os esturjões não são taxonomicamente tubarões? Tubarões são peixes cartilaginosos, enquanto esturjões são peixes ósseos comuns. Portanto, não são ovas de tubarão, mas apenas ovas de um peixe comum, para ser preciso.
O rosto de Dominic endureceu visivelmente enquanto ouvia Jeong-in. Seus dedos tensos ao redor da taça aplicaram uma leve pressão no cristal.
Naquele momento, Sophia inclinou-se para Chase e sussurrou suavemente:
— Diga-me honestamente. Onde você encontrou essa Hermione?
Chase deu uma risadinha, e Lillian virou a cabeça para apontar a falta de modos de Sophia.
— Sophia.
— Ahem. Peço desculpas.
Enquanto isso, Dominic percebia gradualmente que aquele garoto não era um oponente comum. Ele não era alguém que pudesse ser descartado usando seus métodos habituais.
Em meio à atmosfera tensa, os criados moviam-se silenciosa mas ocupadamente, e prato após prato continuava a chegar. O jantar da família Prescott era estruturado em torno do serviço formal europeu tradicional, com nada menos que sete pratos preparados.
No momento em que a sobremesa foi servida após o prato principal de filé mignon, Jeong-in já estava completamente satisfeito.
Há um ditado que diz que conversas importantes devem acontecer quando a outra pessoa está cheia, pois é quando suas defesas estão mais baixas. Estaria ele ciente dessa estratégia? O olhar de Dominic mirou Jeong-in.
— Ah, Sr. Lim.
Dominic chamou Jeong-in como se um pensamento acabasse de lhe ocorrer.
— O senhor certamente está ciente do fundo fiduciário que o Chase recebe.
Como se percebesse que o discurso indireto não traria resultados, a maneira de falar de Dominic tornou-se muito mais direta. Ele enfatizou a palavra “certamente”, com um tom sugerindo que Jeong-in era um interesseiro que se aproximara de Chase por sua riqueza.
— Não. Imaginei que ele fosse um herdeiro de fundos, mas não conheço os detalhes.
— É verdade. Ele nunca me perguntou sobre isso, e eu nunca lhe contei — interveio Chase, dando peso à resposta de Jeong-in.
Crianças que herdam grandes somas através de fundos fiduciários são comumente chamadas de trust fund kids. Um desses herdeiros estava sentado à frente de Jeong-in.
Dominic soltou uma risadinha nasal.
— Então é melhor que saiba agora. O fundo fiduciário do Chase totaliza 500 milhões de dólares.
— Perdão?
Os olhos de Jeong-in se arregalaram. Ele estava genuinamente surpreso.
$500.000.000 é muito dinheiro. 5 milhões de dólares é uma quantia que a maioria das pessoas comuns nunca veria na vida. 50 milhões é um nível de riqueza difícil até de imaginar. Mas 500 milhões?
Jeong-in olhou imediatamente para Chase e perguntou:
— Por que você sequer vai à faculdade? Você está mesmo planejando conseguir um emprego?
Sua expressão mostrava curiosidade genuína.
Chase não pôde evitar rir da reação totalmente honesta de Jeong-in. Ele rapidamente cobriu a boca sorridente com a palma da mão.
Sophia também tinha o semblante de quem tentava segurar o riso. Apenas Lillian permaneceu calma, bebericando seu vinho.
A testa de Dominic franziu-se, perguntando-se se aquele pequeno homem asiático o estava provocando.
— Isso assumindo que ele o receberá sem problemas.
O olhar de Dominic varreu lentamente a mesa. Todos mal haviam provado suas sobremesas antes de pousar as colheres.
— Já que a refeição parece ter terminado, chamarei um convidado. Clive?
— Sim, senhor.
Como se fosse combinado, Clive saiu silenciosamente da sala. Pouco depois, um homem em traje formal entrou. Um terno marrom que inspirava confiança, óculos de aro prateado equilibrados na ponta do nariz e documentos segurados em seus braços. Mesmo para o leigo Jeong-in, ele era claramente um advogado.
Eles haviam chamado até um advogado. Sentindo que algo sério estava prestes a se desenrolar, Jeong-in preparou-se mais uma vez. Ficar desnecessariamente agitado poderia arruinar tudo. Mantenha a calma.
A cifra de 500 milhões de dólares era certamente chocante. Mas era apenas um número. Apenas papel. Não era um dinheiro que poderia ser dele de qualquer maneira.
O advogado que trouxe os documentos falou em um tom preciso e calmo, como um ator cuja vez de declamar as falas tivesse chegado.
— Como sabem, o fundo fiduciário de Chase Prescott foi iniciado quando ele completou 20 anos e, atualmente, Chase recebe dividendos anuais gerados pelo fundo.
Sua fala era impecavelmente fluida. Cada frase, cada palavra parecia estar nitidamente organizada com significado jurídico.
— No entanto, caso seja revelado que as condições do contrato de fideicomisso foram violadas, o fundo pode ser imediatamente encerrado.
Jeong-in levantou a mão instintivamente. Era um hábito inconsciente dos tempos de escola ao responder às perguntas dos professores. Como se esquecesse o quão séria era a situação atual, a pura curiosidade respondeu primeiro.
— O que exatamente é um dividendo anual?
— O fundo do Sr. Chase Prescott começou quando ele completou 20 anos, e ele atualmente recebe 5 milhões de dólares anualmente. Além disso, aos 25 anos, ele pode decidir se recebe o valor restante como uma quantia única ou se continua recebendo na forma de uma anuidade.
Jeong-in virou-se imediatamente para olhar para Chase com olhos incrédulos.
— Espera, e você ainda me fez pagar a lavanderia do dormitório da última vez?
— Eu não tinha moedas na hora. E também não levei meu cartão.
Naquele momento, Dominic redirecionou a conversa que se deteriorava de volta ao seu curso original.
— Você pode realmente ter que cobrir as despesas de lavanderia dele algum dia. Se o Chase violar os termos do contrato do fundo, ele não receberá mais dividendos. Ele ficaria sem um tostão.
Parecia uma fala proferida por um vilão de cinema. Não, era mais próximo de algo que um pai em um melodrama coreano poderia dizer.
— Ah, para esclarecer ao Sr. Lim, estas não são condições que eu criei ou modifiquei. Elas têm sido passadas pela família Prescott há cinco gerações.
Transferindo a responsabilidade para seus ancestrais, Dominic deu um leve aceno para o advogado. Um sinal para continuar.
— O contrato de fideicomisso do Sr. Chase Prescott tem três cláusulas principais. Primeira: a cláusula de manutenção acadêmica e de notas. O herdeiro da família Prescott deve frequentar uma escola da Ivy League, e a matrícula marca o início do fundo.
Jeong-in animou-se.
— O Chase está frequentando Harvard, então esta condição está cumprida. Não há especificação sobre em qual departamento ele deve ingressar. Isso significa que ele poderia receber o fundo mesmo se fosse para a faculdade de medicina.
Diante das palavras de Jeong-in, Sophia ergueu uma sobrancelha e murmurou:
— Faculdade de medicina?
Dominic, com os lábios cerrados em uma linha, girou lentamente o dedo indicador no ar. Um sinal para continuar.
O advogado limpou a garganta e retomou calmamente.
— Segunda: a cláusula de manutenção da imagem social. O herdeiro da família Prescott deve ter uma reputação ilibada. Sem escândalos públicos, sem investigações policiais, prisões ou envolvimento em crimes. Além disso, se for reportado negativamente na mídia, o fundo pode ser imediatamente revogado.
Os olhos de Jeong-in se estreitaram.
Imagem social? Qual era o propósito de incluir uma expressão tão ambígua?
— Você não acha que isso pode se tornar problemático? — Dominic perguntou com uma voz relaxada. Tanto seu tom quanto sua expressão facial permaneciam compostos.
Mas todos os presentes sabiam que Dominic estava visivelmente mais inquieto do que quando o jantar começou. As pequenas gotículas de suor que se formavam na borda de sua testa provavam isso.
Ele estava claramente suando para lidar com esse pequeno homem asiático.
— Como assim?
Dominic soltou uma risada de deboche, como se a própria pergunta fosse absurda.
— O senhor está pensando que pode ser um problema pelo fato de eu ser um imigrante de uma minoria?
Dominic quase cuspiu o vinho que estava bebendo. Ele nunca havia encontrado alguém que falasse de forma tão direta. Geralmente, as pessoas falavam de maneira indireta ou vaga, mas não havia nada daquela circunlocução culta ali.
— Eu sou atualmente um cidadão americano, e não houve desqualificações legais na minha obtenção da cidadania.
A testa de Lillian franziu-se ligeiramente, parecendo irritada com a franqueza contínua de Jeong-in. Chase observou cautelosamente a reação de sua mãe. Mas nada poderia parar Jeong-in, que viera preparado para a batalha.
— Certamente o senhor não faria objeções com base em relacionamentos entre pessoas do mesmo sexo, especialmente quando o casamento homoafetivo foi legalizado. Se fosse divulgado que o senhor se opôs por tais razões, o senhor é quem poderia ser retratado negativamente na mídia.
Sophia curvou o canto dos lábios levemente, como se achasse interessante. Então, ela assentiu devagar.
Hoje em dia, promover o ódio é o maior problema. Nesta era, questionar o gênero, a raça, a origem ou a identidade sexual de alguém prejudica imediatamente a imagem de uma pessoa. Isso poderia baixar o valor de mercado de uma corporação que se move com base no crédito, e os acionistas poderiam objetar. Era precisamente com isso que Dominic precisava ser mais cauteloso.
— …Continue.
Os lábios de Dominic moveram-se várias vezes em direção a Jeong-in antes de ele finalmente soltar um suspiro profundo. Então, ele gesticulou para o advogado novamente.
— Terceiro, a cláusula de corte e casamento.
Lá vinha ela. Jeong-in engoliu em seco e ouviu atentamente.
— O herdeiro da família Prescott deve namorar e casar com alguém reconhecido pela família. O cônjuge deve ser um graduado da Ivy League.
Naquele momento, o coração de Jeong-in afundou. Sendo um estudante de Harvard, ele atendia ao requisito da Ivy League. No entanto, não havia como ele cumprir a cláusula anterior. A família Prescott jamais o reconheceria.
Ao ver a expressão sombria de Jeong-in, um sorriso fraco espalhou-se pelos lábios de Dominic. Seus olhos brilharam com uma sensação de vitória.
— Se você ama alguém, não deveria também entender as tradições familiares dessa pessoa?
Agora Dominic exibia uma expressão de piedade, como se sentisse pena de Jeong-in. Mas era tudo fingimento e decepção.
O desespero obscureceu os olhos outrora brilhantes e vivos de Jeong-in. A terceira cláusula era um problema que Chase não poderia mudar, por mais que tentasse.
Mas Jeong-in logo ergueu a cabeça. Hoje, ele era um cavaleiro vindo para resgatar uma princesa presa em um castelo. Ele lembrou-se da promessa que fizera a si mesmo enquanto olhava no espelho antes de vir para cá.
Não importava se Chase não pudesse acessar um fundo que Jeong-in nem sabia que existia. Chase pensaria o mesmo. Na verdade, doeria mais se Chase sugerisse o término para que pudesse receber o fundo. O Chase que Jeong-in conhecia definitivamente se sentiria assim.
Jeong-in falou com determinação:
— Eu mesmo o sustentarei.
— Ha!
Dominic explodiu em uma risada de deboche, como se tivesse esquecido todas as boas maneiras e dignidade.
— Planejo me tornar um pesquisador farmacêutico. É uma das profissões mais bem pagas da América — disse Jeong-in.
Pfft— Sophia não conseguiu conter o riso.
Aquele garoto estava essencialmente dizendo que se tornaria um pesquisador e sustentaria Chase. Não qualquer pessoa, mas Chase Prescott, herdeiro da família Prescott.
No entanto, Chase não riu nem um pouco das palavras de Jeong-in. Ele olhou para ele em completo silêncio, como se tivesse esquecido de respirar.
Durante toda a noite, ele mal havia dito uma palavra, observando Jeong-in como se estivesse encantado enquanto ele lutava por ele. Seu olhar resoluto, sua voz inabalável, tudo aquilo comoveu profundamente o coração de Chase.
Foi Lillian Prescott, que estivera observando silenciosamente o tempo todo, quem quebrou o silêncio.
— Eu permitirei.
De repente, a temperatura na sala mudou. Todos ficaram visivelmente surpresos: Jeong-in, Dominic, Sophia, Chase e até os criados. Todos os olhos voltaram-se para Lillian.
— Se ninguém se esqueceu, o nome Prescott segue o meu também.
A voz de Lillian era calma e suave, mas simultaneamente intimidadora.
— Querida!
Dominic bateu o punho na mesa e levantou-se de um salto. Mas Lillian não lhe deu atenção. Ela segurava sua taça de vinho em uma das mãos, girando-a suavemente para liberar o aroma enquanto continuava.
— Eu até que gosto dele.
Seu olhar entediado e cínico derivou em direção a Jeong-in.
— Como eu diria… ele parece ter um certo cavalheirismo.
Os olhos de Jeong-in se arregalaram. Ah, ela se lembra de ter me conhecido no evento de caridade. Bem, estou usando exatamente a mesma roupa.
Lillian sorriu suavemente para o marido.
— Além disso, qualquer coisa que te faça espumar pela boca desse jeito, por que eu me oporia?
O rosto de Dominic ficou pálido. Ele cerrou a mão apoiada na mesa.
— Kingsley!
Ele chamou urgentemente pelo advogado. Mas o advogado balançou a cabeça em sinal de desculpa. Significava que não havia nada que ele pudesse fazer.
Jeong-in falou com um sorriso gentil no rosto:
— Isso também é com todo o respeito; mesmo para alguém tão desinformado quanto eu, as condições do fundo que acabei de ouvir parecem cheias de brechas.
Uma brecha (ou loophole) refere-se a uma lacuna ou buraco em leis ou regulamentos. Descreve uma situação em que alguém parece estar seguindo as regras na superfície, mas está, na verdade, explorando partes ambíguas ou expressões vagas para contornar ou evitar essas regras.
Chase acrescentou: — Mas o que podemos fazer? É a nossa tradição familiar, passada por cinco gerações.
Dominic sibilou entre dentes cerrados:
— Chase! Se você continuar assim, darei minhas ações para a Sophia.
— Uau. Eu estou bem com isso, pai.
Sophia interveio rapidamente, seus olhos cinzentos brilhando com uma luz predatória. Ela parecia uma fera pronta para abocanhar a presa que caía.
— Sim, bom pensamento! Me dê uma chance. Ao contrário dele, eu posso dedicar tudo ao império Prescott. Tenho talento mais do que suficiente. Quem mais fora da família você poderia confiar para o negócio da família?
— Não é hora para esse tipo de conversa!
Sophia estalou a língua, cruzou os braços e fez beicinho.
Nesse momento, Lillian inclinou calmamente sua taça de vinho e disse: — Então, peça o divórcio.
— O quê?
Lillian continuou com naturalidade:
— Se você tentar jogar com as ações, darei minha parte ao Chase para contra-atacar você.
— Ha! Suas ações? Que ações você reivindica quando tudo o que faz é olhar para retalhos de pinturas?
Lillian sorriu com escárnio, como se tivesse esperado por essa resposta.
— Seria bastante divertido reivindicar minha contribuição durante o processo de divórcio. Você sabe muito bem o quanto os ativos da Prescott Capital Holdings cresceram graças à minha família quando nos casamos.
O canto da boca de Dominic tremeu ligeiramente.
— Você está agora…
— Precisa de um exemplo? Dez anos atrás, o presidente Warren Adams. Quando sua esposa se divorciou dele, ela reivindicou metade das ações da empresa com base no crescimento dos ativos antes e depois da fusão, e eles acabaram dividindo 50-50. Como resultado, o controle do Grupo Adams tornou-se instável.
Tremendo de raiva, Dominic finalmente jogou o guardanapo do colo sobre o prato e saiu. Foi essencialmente uma declaração de derrota.
Suas costas desapareceram pelo portal, mas as pessoas restantes não demonstraram preocupação nem se inquietaram com ele. Essa era a distância que esses membros da família mantinham uns dos outros.
Lillian dispensou todos os criados e, assim que apenas a família restou, Sophia agarrou Chase pelo colarinho.
— Você vai mesmo para a faculdade de medicina?
Seus olhos quase cinza-prateados brilharam agudamente. Chase removeu calmamente a mão dela de seu colarinho e respondeu:
— Sim.
— Por quê? Não, como você teve uma ideia dessas?
Um animal criado em uma coleira não se aventurará além do raio em que foi amarrado, mesmo após a coleira ser removida. Como poderia Chase, que cresceu atado a uma coleira de platina, ir tão longe?
— Conheci alguém que despertou meu sonho.
O olhar de Chase voltou-se naturalmente para Jeong-in.
A vida de Chase nunca fora exclusivamente sua. Suas conquistas eram conquistas da Prescott, e seus fracassos tornavam-se manchas da Prescott. O que quer que Chase quisesse, qualquer caminho que escolhesse, seu dever como alguém carregando o sangue Prescott sempre tinha prioridade.
Mas depois de conhecer Jeong-in, sua vida mudou. Pela primeira vez, suas escolhas tornaram-se verdadeiramente suas.
Ele decidiu abandonar a coleira que o prendia e caminhar de mãos dadas com Jeong-in. Cada passo nesse caminho era preenchido por felicidade e liberdade além das palavras.
Sophia olhou para Jeong-in e depois de volta para Chase, como se mal acreditasse na situação.
— Irmão, eu apoio sua nobre missão e seu espírito elevado como profissional médico.
— Isso não significa que estou abandonando tudo completamente. Ainda preciso exercer minha autoridade.
Lillian, que ouvira em silêncio, estalou a língua. Sua expressão mostrava claramente sua desaprovação. Ela virou-se para o filho e perguntou:
— Um médico? Por que você iria querer fazer algo tão mal pago e difícil? Foi ele quem te convenceu disso?
— Claro que não — respondeu Chase com um sorriso. Lillian então direcionou sua pergunta a Jeong-in:
— Falando nisso, por que “vocês” gostam tanto de se tornar médicos?
“Vocês”. Foi algo um tanto racista. Mas, a essa altura, tais comentários dificilmente eram surpreendentes. Ele também sabia que não havia malícia por trás disso.
— Por que alguém não deveria se tornar um médico? — Jeong-in rebateu calmamente.
A pergunta de Lillian reflete um estereótipo comum sobre a comunidade asiático-americana e sua representação na medicina. Estatisticamente, a presença de descendentes de asiáticos na profissão médica é notável: embora representem cerca de 7% da população dos EUA, os asiáticos compõem aproximadamente 17,1% dos médicos ativos e cerca de 22% dos estudantes de medicina.
Essa tendência é frequentemente atribuída a uma combinação de valores culturais que priorizam a estabilidade financeira, o prestígio social e a educação rigorosa, além de um histórico de políticas de imigração que favoreceram profissionais qualificados em áreas de STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática).
Jeong-in, no entanto, não se deixou abalar pela generalização. Ele sabia que, para Chase, a medicina não era sobre estatísticas ou expectativas familiares, mas sobre a primeira escolha autêntica de uma vida inteira.
— Uma licença médica não é algo que se possa herdar. Curioso por que vocês estão tão desesperados para se tornarem médicos ou advogados. Por que ir a tais extremos? Vocês podem simplesmente contratá-los. Por que se esforçar tanto para se tornarem servos vocês mesmos?
Era a perspectiva de alguém que vivera em um mundo completamente diferente. Na mentalidade de Lillian, contratar um médico era muito mais natural do que se tornar um. Chase fora criado com esse pensamento desde a infância. O fato de ele ter desenvolvido o sonho de ser médico era, portanto, ainda mais notável.
— O meu povo valoriza a diligência. Consideramos alguém que trabalha honestamente por seus 100 milhões de dólares mais honrado do que alguém que os herda.
Jeong-in devolveu a frase de Lillian à altura, enfatizando deliberadamente as palavras “meu povo”. Sophia ergueu uma sobrancelha ligeiramente. Seus olhos carregavam um toque de admiração, como se pensasse: Este aqui é especial.
— Bem, façam como quiserem. Estou cansada e preciso me deitar.
Lillian levantou-se de seu assento languidamente e, de repente, olhou para Jeong-in.
— Não é uma família fácil de lidar. Você pode ver isso por si mesmo.
Seus olhos carregavam emoções complexas. Após um momento de silêncio, Lillian acrescentou:
— Mas alguém como você pode acabar conseguindo.
Assim que Lillian saiu da sala, ouviu-se o som de uma cadeira arrastando pelo tapete. Antes que Jeong-in pudesse virar a cabeça, Sophia correu até ele. Com quase 1,80 m de altura e usando saltos, ela era muito mais alta que ele. Aproximando-se com olhos brilhantes, ela segurou firmemente as bochechas de Jeong-in com as duas mãos.
— Com licença por um momento.
As bochechas dele foram espremidas, fazendo seus lábios saltarem como os de um peixe. Ela baixou a cabeça e plantou um beijo em seus lábios, puxando-o em seguida para um abraço. Foi uma expressão de gratidão bastante agressiva.
— Sophia Prescott! — gritou Chase.
Ele correu e tentou afastar Sophia, mas ela era surpreendentemente forte, dando trabalho até para Chase. Ao finalmente soltar Jeong-in, Sophia exibia uma expressão de suprema satisfação.
— Eu sempre vivi com esse sentimento. O sentimento de ter tudo tirado de mim pelas pessoas mais próximas.
Chase ficou sem palavras. Sua indiferença em relação aos outros havia se estendido até mesmo à sua irmã. Apesar de suas qualidades excepcionais, Sophia nunca recebeu a oportunidade de competir pelos direitos de gestão. A tradição antiga de que o herdeiro da família Prescott devia ser homem havia bloqueado seu caminho. Chase sempre sentira pena de sua irmã, mas nunca expressara adequadamente esses sentimentos ou tentara mudar algo.
Enquanto Chase se perdia em autorreflexão, Sophia agarrou-se a Jeong-in novamente.
— Eu sabia! Me disseram que eu encontraria um benfeitor antes do ano acabar. Era você o tempo todo!
Sophia segurou o rosto de Jeong-in novamente e plantou beijos frenéticos em sua testa e bochechas. Jeong-in apertou os olhos como um piscar enquanto suas bochechas eram beijadas, mas não recusou, sugerindo que não se importava. Ele até riu como se estivesse sentindo cócegas. Chase era o único que parecia angustiado.
— Certo, eu entendi perfeitamente. Sinto muito mesmo, Sophia. Deixe-o ir agora.
Só então Sophia recuou com um rosto satisfeito. Tendo recuperado Jeong-in e sentado-o ao seu lado, Chase suspirou profundamente e perguntou a Sophia:
— Mas o que é isso de benfeitor? Do que você está falando?
— Eu fiz uma leitura de cartas de tarô antes de vir.
— Você faz esse tipo de coisa?
— É surpreendentemente preciso, sabe? Basta olhar para a situação atual.
Fazia bem mais de dois anos que os irmãos não conversavam de forma tão natural. No último Natal, Sophia tinha ido esquiar em Aspen, e a última vez que se encontraram fora no Dia de Ação de Graças do ano anterior. Sophia expirou com uma sensação de libertação e jogou-se de volta em seu assento. Desta vez, ela descansou casualmente um braço sobre a cadeira em uma postura muito relaxada.
— A propósito, eu não esperava que a mamãe reagisse assim.
— …Nem eu.
Chase pensou em Lillian, que havia ficado do seu lado. De fato, ela era diferente daqueles nascidos Prescott.
— E o que é isso de cavalheirismo?
Chase e Sophia, os irmãos de aparência semelhante, viraram simultaneamente o olhar para Jeong-in.
— Isso é um segredo entre a sua mãe e eu.
Sophia deu de ombros, como se dissesse que não importava.
Jeong-in relaxou as costas, que estiveram rigidamente eretas, e espreguiçou-se confortavelmente. Agora que a tensão havia diminuído, ele começou a notar os detalhes mais sutis ao seu redor. Como o cabelo de Sophia, por exemplo.
A cor do cabelo dela era incomum. Era clara perto do couro cabeludo, mas tornava-se gradualmente um castanho mais escuro em direção às pontas. Quase como alguém que não tivesse tingido as raízes grisalhas.
Mas normalmente era o oposto. O couro cabeludo costuma ser mais escuro, com o cabelo clareando nas pontas conforme sofre a ação do sol.
Incapaz de conter sua curiosidade, Jeong-in inadvertidamente murmurou:
— Seu cabelo…
Sophia juntou casualmente uma mecha do cabelo, como se não fosse nada significativo.
— Oh, isto? Eu tingi. Estava farta de ser loira de tantas maneiras.
Sophia Prescott também era loira. A teimosia genética da família Prescott era verdadeiramente notável.
Embora nascida como a filha mais velha carregando orgulhosamente o nome Prescott, ela nunca recebeu qualquer autoridade. Tingir seu cabelo loiro de castanho escuro fora seu primeiro ato de rebeldia. Embora parecesse trivial, talvez fosse a resistência mais forte que ela conseguia exercer.
Jeong-in esqueceu que suas palavras poderiam ser indelicadas e falou como se estivesse em transe:
— Não tinja.
— Por quê? — Ela inclinou a cabeça e perguntou.
— Porque é bonito do jeito que é. Oh, me desculpe se isso foi rude. Eu apenas…
— Bem, não é tão rude assim.
Jeong-in desviou o olhar para o cabelo loiro de Chase. Era como ouro esticado em fios. O cabelo em si era fino, porém abundante, levemente ondulado, mas com uma textura suave. Jeong-in gostava particularmente de enrolar o cabelo de Chase nos dedos de brincadeira.
— É como… um presente de Deus.
Aquela afirmação simples, proferida da maneira lenta e calma de Jeong-in, criou uma ressonância estranhamente profunda. Fazia quem ouvia sentir como se houvesse algum significado mais profundo por trás, compelindo-os a ponderar novamente.
Os olhos de Sophia vacilaram ligeiramente. Mas logo ela evitou o olhar de Jeong-in com um sorriso sem jeito.
— …Acho que não vou tingir então. Era um incômodo ter que fazer isso todo mês de qualquer maneira.
Chase deu uma risadinha ao ver a expressão deliberadamente indiferente de Sophia. Como se para insistir que não fora convencida pelas palavras de Jeong-in, Sophia acrescentou:
— Pensando em assumir o controle da empresa, interpretar o estereótipo da loira pode não ser ruim. Aqueles idiotas que fazem negócios jogando golfe compartilhariam livremente os segredos da empresa comigo.
Sophia levantou-se. Quando estava prestes a sair da sala de jantar, parou brevemente e virou a cabeça em direção a Chase.
— Estou com um pouco de inveja.
— Hm?
— Se eu tivesse alguém que lutasse por mim desse jeito, eu daria qualquer coisa.
— Até os negócios da família?
— Bem, não tanto assim.
Após Sophia sair, restaram apenas os dois na espaçosa sala de jantar.
Jeong-in levantou-se e olhou para Chase, sentado ao seu lado, estendendo a mão.
— Vamos também?
Os olhos azuis de Chase ondularam como ondas.
Tendo nascido com tudo, ele nunca sentira a necessidade de ser salvo. Podia ter qualquer coisa que quisesse, e tudo fluía conforme desejava. Tudo era tão fácil que o fazia bocejar. Cinismo e tédio seguiam como uma progressão natural.
Para ele, Jeong-in fora o primeiro a ensiná-lo sobre falta e anseio.
Ele sentia-se como o Homem de Lata que finalmente recebera um coração. Agora que o tinha, a dor de um coração batendo, sua natureza avassaladora e o medo, todos chegaram simultaneamente. Mas, pela primeira vez, ele podia sentir o que significava estar vivo.
Chase pegou a mão de Jeong-in e virou-a gentilmente para revelar as costas da mão. Então, sem hesitar, baixou a cabeça e a beijou. Aquele beijo, cheio de gratidão e respeito, era quase reverente, como a execução de um ritual sagrado. Chase envolveu o braço de Jeong-in com firmeza, sentindo sua presença real.
Ele olhou para o próprio reflexo no espelho dourado da parede, notando como parecia diferente do homem apático que costumava ser.
— Sim. Vamos.
Chase olhou para Jeong-in com os olhos de um seguidor devoto.
E segurou firmemente a mão estendida por seu salvador.
Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Othello&Belladonna
Ler 7 Minutes of Heaven (Novel) Yaoi Mangá Online
Aviso: ※ Conversas em coreano são expressas usando 〈 〉, enquanto conversas em inglês e outros idiomas utilizam travessão —
Sinopse:
Lim Jeong-in é um nerd acostumado a ser tratado como se fosse invisível na selva do ensino médio. Ele participa de duas atividades de clube com seu melhor amigo, Justin Wong. Uma é o clube de matemática ‘Mathleet Society’, e a outra é o ‘Clube de Ódio ao Chase’.
— Longa vida ao Clube de Ódio ao Chase.
Escrever um ‘livro da vergonha’ que repete boatos sobre o maior galã da escola, Chase Prescott, era um dos pequenos prazeres dos dois nerds. No entanto, através de uma reviravolta inesperada, o caderno de Lim Jeong-in é descoberto por Chase.
Mas, em vez de ficar zangado, Chase demonstra interesse por Jeong-in.
— Você é realmente engraçado.
— O livro? Quando você vai devolvê-lo?
— Hmm. Quando você parar de me odiar?
Ironicamente, o relacionamento que começou com o livro da vergonha torna-se gradualmente especial e, à medida que Jeong-in descobre os lados ocultos de Chase, ele se vê cada vez mais atraído para o mundo dele.
[Então, você gosta um pouco mais de mim agora?]
A verdade é que você me cativou não apenas agora, mas muito antes. Desde o momento em que bati os olhos em você pela primeira vez.
Jeong-in entra em confusão ao encarar seus verdadeiros sentimentos, que ele deliberadamente ignorou e escondeu até agora. Amizade, estudos e uma paixão de longa data.
Nesse relacionamento instável com alguém que abala todo o seu mundo, será Jeong-in capaz de manter o seu lugar?
Nome alternativo: 7 7 Minutes In Heaven