Ler The First Commandment (Novel) – Capítulo 10.5 Online


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↫─ Capítulo 10.5

Depois de apagar o cigarro no cinzeiro sobre a mesa de cabeceira, Alexei deixou o braço pender. Ele olhou de relance para Valery e perguntou. Valery fez uma cara contemplativa e depois tocou levemente o braço de Alexei. Seus dedos longos acariciaram seu braço e depois se moveram para o peito.

— Eu posso fumar se o Alyosha passar para mim.

Uma risada escapou dele sem que houvesse como parar. Ele vinha rindo muito desde mais cedo. Ele não tinha memória de ter rido assim desde que fizera vinte anos. Enquanto ele ria assim, Valery começou a tocar sua pele nua com cuidado. Era gostoso a forma como ele varria seu abdômen e peito com um toque macio.

— Há muitas coisas que quero fazer com o Alyosha. Sair é uma delas.

Poderia ser aquilo o que ele queria dizer com querer sair? Alexei virou a cabeça silenciosamente. Valery estava com os olhos baixos, o rosto perdido em pensamentos.

— Não pudemos fazer muita coisa quando éramos jovens. Agora somos ambos adultos, e eu tenho algum dinheiro guardado…

Valery, que hesitou no resto de suas palavras, logo pareceu ter tomado uma decisão e disse em voz baixa:

— Seria legal irmos ver um filme juntos ou sairmos para comer.

As palavras que Valery proferiu eram uma parte tão normal da vida cotidiana que Alexei ficou em silêncio por um momento. Pensando bem, os dois irmãos nunca tinham feito aquilo. O número de vezes em que saíram juntos podia ser contado nos dedos de uma mão. Mesmo que não fossem irmãos, não era um ato que pessoas comuns fariam sem pensar duas vezes?

Olhando para Valery, que falava em querer fazer coisas tão triviais, Alexei tomou nova consciência de sua própria situação. Sim, vamos fazer isso. Ele queria responder imediatamente. Mas não podia. Era ainda mais sério em uma situação em que lhe disseram que Valery seria prejudicado se ele não matasse Rian. Ele já estava sob vigilância, e Igor certamente tomaria isso como um sinal. De que ele poderia estar aprontando algo. Em primeiro lugar, ele não estava em situação de sair tranquilamente com seu irmão.

Conforme o silêncio se prolongava, Valery ergueu o olhar. Podia-se ver um olhar tingido de resignação. Como se tivesse esperado por isso, Valery disse baixinho:

— Não podemos, não é?

Se ele ao menos tivesse implorado, ele poderia ter recusado, mas a visão dele adivinhando sem nem tentar trouxe uma sensação de culpa. Sua boca ficou seca e seu estômago embrulhou. Ao ponto de ele pensar: existe algum sentido em viver assim?

— A situação não está boa agora.

— Eu entendo.

Valery apenas aceitou assim. Alexei ficou em silêncio também. Ele tinha dito “agora”, e tinha evitado por um momento, mas logo Alexei teria que fazer algo que arriscaria sua vida. Quer ele fodesse com Igor de alguma forma, quer se tornasse abertamente um inimigo da polícia, as chances de ele continuar vivo eram baixas em ambos os casos.

Ele poderia viver no último caso, mas se fosse pego, não havia chance de Igor tirá-lo de lá. Ele tinha adivinhado desde o início que ele e Yuri estavam sendo usados como peças descartáveis, mas ele tinha declarado isso abertamente desta vez.

Portanto, resumindo, Alexei não tinha futuro. Também significava que ele só tinha mais alguns dias para conceder o que Valery queria. Conforme tomava nova consciência disso, sentia-se ridiculamente desesperado. Era literalmente ridículo. Em primeiro lugar, a razão de ter mantido Valery assim fora para salvá-lo, não para esperar por um futuro brilhante com ele. Parecia que esses curtos momentos eram tão pacíficos que ele havia se tornado ganancioso nesse meio-tempo.

— Alyosha.

Olhando para o rosto de onde o sorriso já havia desvanecido, Valery chamou suavemente o seu nome. Ele tentou sorrir tardiamente, mas não estava no clima. Ele nunca tinha tido medo da morte, mas nunca tinha imaginado não poder ver Valery nunca mais.

— Não podemos… fugir?

E Valery disse as palavras que lhe dissera quando era jovem. Em vez de odiar e investir contra seu irmão que tinha posto as mãos nele pela primeira vez em sua vida, ele tinha implorado para escapar, dizendo aquilo. Ele era esse tipo de garoto. A pessoa que não estava tentando abandoná-lo e fugir, mas a que estava tentando ficar com ele de alguma forma, ele o tinha transformado nisso. Não era o que ele pretendia, mas foi assim que acabou acontecendo. Se dependesse dele, Alexei teria pegado a mão de Valery e deixado este lugar há muito tempo. De alguma forma.

Mas fugir era, obviamente, impossível. Se fosse possível, ele já o teria feito há muito tempo.

Se deixar a organização fosse assim tão fácil, todos já teriam saído há muito tempo. Igor tinha olhos por toda a cidade. Quando se tratava dos caras que mantinha sob suas ordens, ele sempre os mantinha sob vigilância. Deixando todo o resto de lado, Alexei sabia o fim daqueles que tentavam fugir. Seus próprios pais não eram um exemplo disso?

Mesmo que fosse uma escolha extrema de matar Igor e depois a si mesmo, fugir só resultaria em ser perseguido e morrer miseravelmente. Uma sensação de repulsa emergiu instintivamente. Mesmo odiando tanto a Igor, as cenas do passado, gravadas no fundo de seus ossos por muito tempo, não davam a Alexei a opção de fugir. Já era difícil o suficiente mandar Valery embora sozinho, mas os dois, juntos?

Claro que não.

Alexei segurou a recusa ferozmente resoluta que estava prestes a sair. Qual fora o resultado de tais palavras? Só acabaria empurrando para longe o Valery que ele mal conseguira segurar. Agora não era hora para isso. Ele não queria, tampouco. Claro que, no final, Valery o deixaria por conta própria daqui a pouco, mas…

— Para onde?

Então Alexei perguntou lentamente de volta. Diante da pergunta, e não de uma recusa, uma cor viva se espalhou pelo rosto de Valery.

— Você disse que não gosta de lugares frios, Alyosha, então para o sul. Dizem que a Califórnia ou Miami são quentes. Ouvi dizer que o Texas é quente também.

Os lugares que ele escolheu como candidatos eram todos razoáveis, o que era fofo. A Califórnia estava boa, mas Miami não era um lugar para um cara que fazia o tipo de trabalho que ele fazia ir. Ele nem queria pensar no Texas.

— Não acho que o Texas seja um bom lugar para o balé.

— Então os outros dois lugares.

Alexei sorriu sem dizer uma palavra. Então Valery, depois de observá-lo por um momento, disse com uma expressão pensativa:

— Ou que tal o Canadá? Se o Alyosha tiver ficha criminal…

Surpreendentemente, Alexei ainda não tinha ficha criminal. Até que Kalish Vinter fosse designado, as pessoas de Igor não teriam pisado em uma delegacia de polícia daquela maneira. A menos que entrassem para matar alguém.

A preocupação de Valery era apenas fofa, e ele estava prestes a forçar um sorriso, mas Alexei pausou. Foi porque Vasily, que estava hospedado perto da fronteira, de repente veio à mente, e as pessoas que ele havia mandado embora no passado também passaram por sua mente. Até agora, Alexei só tinha mandado outros embora; nunca tinha pensado que ele próprio poderia escapar de tal forma. Era provavelmente porque Valery não estava incluído nessa suposição.

A escolha que aparecera de repente se estabeleceu em sua mente. Alexei continuou a pensar, fitando Valery com as sobrancelhas erguidas. A razão pela qual era difícil deixar a cidade por meios normais era porque os olhos de Igor estavam fixos na maioria dos lugares.

Ele era particularmente minucioso com aqueles a quem chamava de sua família, e os relatórios eram feitos na maioria das vezes assim que eles faziam algo não relacionado ao trabalho que ele havia encomendado ou iam a um lugar diferente de seu raio de atividades habitual. Essa fora, em última análise, a razão pela qual os pais de Alexei tinham acabado mortos. Alexei se lembrava vagamente de seus pais planejando cuidadosamente por um longo tempo para escapar. Lembrava-se de sua mãe e seu pai sussurrando com expressões sérias, da bolsa com o dinheiro que tinham guardado pouco a pouco em preparação para aquele dia, do rosto sério de seu pai dizendo-lhe o que fazer para aquele dia.

Pensando nisso agora, eles quase tinham conseguido. Se a pessoa que era subordinada de seu pai não tivesse confessado a Igor no último momento, talvez Alexei tivesse se tornado uma pessoa diferente. Ele poderia ter recuperado uma família normal com pais vivos.

Alexei fez uma suposição fugidia com uma expressão vaga, e depois riu secamente. Era uma suposição sem sentido. Uma vida sem Valery era o tipo de coisa que Alexei não conseguia imaginar, e seus pais tinham morrido há muito tempo. Eles estavam tola e simplesmente tentando cumprir seu dever e acabaram sendo pegos por Igor e tendo um fim miserável. Essa era a realidade.

Ele quase se iludiu por um momento. De que havia uma possibilidade. Valery segurou Alexei, que estava prestes a desistir antes mesmo de conseguir pensar em qualquer coisa direito.

— Alyosha, você está bem?

Valery tocou seu rosto com uma voz cheia de preocupação. Assim que sentiu a mão de Valery acariciando sua bochecha sem reservas, seu interior ficou rígido. Um sufocamento, como se suas costelas estivessem se pressionando firmemente, surgiu. Depois de se lembrar da perda, a única coisa que restava era Valery. A única razão pela qual Alexei tinha vivido, estava vivendo, estava bem diante dele.

— Me desculpe se eu disse algo desnecessário. Não ligue para isso, tá bom?

Ouvindo as palavras suaves e preocupadas, seu coração vacilou. A ganância se infiltrou através de sua vontade enfraquecida. Não era como se ele quisesse ficar também. Ele não queria mandar Valery embora e permanecer sozinho nesta terra fria. Queria ir para algum lugar juntos. Por muito tempo, sempre tinha sido assim.

— Não é isso.

Alexei virou a cabeça em direção à mão que tocava sua bochecha. Ele virou o queixo para que seus lábios tocassem a palma da mão e sussurrou baixinho:

— Eu estava pensando no que você disse.

Conforme seus lábios secos tocavam a palma da mão, eles foram esquentando. A mão de Valery se encolheu. Fitando com prazer a figura que se encolhia sem saber o que fazer, Alexei continuou devagar:

— O Canadá pode ser uma possibilidade.

Ele achou ridículo mesmo enquanto dizia isso. Sempre que assistia a filmes de desastre na casa de Yuri, Alexei costumava zombar do fato de que os americanos pensavam no Canadá como o fim da esperança. O fato de estar tratando o país do qual costumava zoar como sua última esperança, exatamente como eles, fez com que se perguntasse se tinha nascido neste país, embora sua origem fosse de outro.

— Mas talvez tenhamos que começar tudo de novo, você está bem com isso?

Havia muito a fazer, a começar pela fabricação de passaportes falsos. Ele tinha vivido uma vida começando do zero, então faria qualquer coisa, mas Valery era diferente. O Canadá era, afinal de contas, outro país, e todas as conexões que Valery havia construído desapareceriam. Como suas habilidades o acompanhariam, ele daria um jeito de alguma forma, mas teria que trilhar um caminho mais difícil do que o de agora. A única coisa afortunada era que Igor não estenderia seu alcance além da fronteira.

— Eu posso me dar bem em qualquer lugar, então tudo bem.

Valery estava surpreendentemente calmo. Era uma declaração simples, fazendo com que sua vida de praticar a cada momento em que não estava respirando parecesse sem sentido.

— Porque se responsabilizar pelo Alyosha é mais importante.

Valery disse isso e depois seus lábios se moveram. Ele não sabia o que pensara, mas podia ver suas bochechas corando levemente como uma flor de pessegueiro.

— …Se nós tivermos um filho, eu não vou poder fazer esse tipo de trabalho de qualquer maneira. Então acho que temos que sair daqui por causa disso.

Valery de algum modo terminou suas palavras, embora não conseguisse encontrar seus olhos porque estava envergonhado. Diante da palavra “filho”, Alexei piscou. Sua mentira, que ele esqueceria se não estivesse consciente dela, de repente o espetou com culpa. Seu coração, que tinha inflado com um momento de esperança, tinha se esquecido disso. A razão pela qual Valery permanecia ao seu lado era por causa de uma mentira terrível.

— …Se não houver filho?

Segurando-se para não dizer mais do que isso por um momento, Alexei perguntou dessa forma. Assim que viu o rosto questionador de Valery, ele adicionou:

— Eu sou um caso especial. Embora eu esteja grávido, para com segurança…

Não importava o quão desavergonhado fosse, terminar essa frase parecia uma enganação. Ainda assim, Alexei conseguiu abrir seus lábios pesados.

— Não há garantia de que eu possa dar à luz.

Diante das palavras que soavam de certo modo frias, as sobrancelhas de Valery se inclinaram. Olhando para os olhos de aparência surpreendida, seu coração ficou mais pesado.

— Vai ficar tudo bem.

Valery, que logo compôs sua expressão, sussurrou enquanto acariciava seus lábios. A sensação de ouvir um garoto muito mais jovem que tinha acabado de se tornar adulto reassegurando-o era amarga. Alexei olhou para Valery com uma expressão difícil de definir de uma só maneira.

— Eu tenho dinheiro guardado também, e vou arrumar um emprego fazendo qualquer coisa lá. Vou fazer com que o Alyosha não se sobrecarregue de jeito nenhum. Tá bom?

Será que sonhar com a esperança é um privilégio dos jovens? Alexei tentou se lembrar se era semelhante a Valery por volta dos vinte anos. Provavelmente não. Alexei teve que amadurecer mais rápido do que os outros. Pessimismo, resignação e olhar para o pior cenário possível era seu modo de sobrevivência. As palavras de Valery eram absurdas e ingênuas.

— …Tudo bem.

Mesmo sabendo disso, Alexei deu tal resposta.

— Vamos tentar.

↫─☫ Continua….

ᯓ★ Nenhuma das situações apresentadas neste capítulo referem-se/ se baseiam em fatos reais.

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✦ Tradução, revisão e Raws: Lᥙ꧑ᥲ Hᥲrtzᥣᥱr

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SINOPSE
— Eu te disse que podia fazer qualquer coisa por você.
Alexei, notoriamente conhecido como o cão de Igor na cidade onde Igor reina, é obcecado por seu irmão Valery, um bailarino, mas o trata com frieza. Ao saber que Valery estava saindo com Lian Vinter, um parente do policial Kalisz Vinter, que estava na cola de Igor, Alexei não pôde mais ficar de braços cruzados. Era evidente que Igor mataria Valery. Alexei implorou para Valery terminar com Lian, mas Valery, que há muito desprezava Alexei, ignorou suas palavras…
Nome alternativo: 1 The First Commandment

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