Ler The First Commandment (Novel) – Capítulo 1.2 Online

↫─ Capítulo 1.2
No exato momento em que o cabelo loiro brilhante se refletiu no espelho, uma voz cheia de desprezo foi ouvida. Um sorriso apareceu instantaneamente no rosto de Alexei, que antes estava tingido de uma cautela fria e imperceptível. Seus olhos afiados se fecharam em uma curva refrescante, e o homem logo sorriu, mostrando os dentes como um garoto. A impressão que parecia fria instantaneamente se iluminou. Os dentes caninos ligeiramente revelados pareciam afiados sob seus lábios finos e vermelhos.
— Lerusha.
Valeri, meu amado irmão mais novo. Alexei alegremente o chamou pelo apelido. Como Valeri era mais alto do que ele, Alexei podia examinar o rosto do irmão sem sequer virar o corpo. Pelo espelho, ele viu que as sobrancelhas marrom-douradas e bem-feitas estavam franzidas de desgosto, e os bonitos olhos estavam abaixados, não escondendo seu desconforto.
— Não chame meu nome com essa boca imunda e apenas me responda.
— Você está fazendo uma pergunta estúpida. É claro que eu vim te ver.
Alexei virou o corpo. Embora fosse divertido admirar aquele rosto bonito no espelho, isso não se comparava a vê-lo pessoalmente. Alexei ergueu a mão e bagunçou o cabelo encharcado de suor de Valeri. O cabelo loiro fino, úmido e emaranhado, prendeu-se em seus dedos. Apesar da sensação potencialmente desagradável, Alexei sorriu encantado.
— Acredito ter te avisado para não vir.
Valeri não permitiu que Alexei desfrutasse daquele prazer por muito tempo. Com um gesto brusco, ele o afastou com um tapa. A força do golpe, que parecia carregar uma intenção genuína, era ameaçadora, como se mostrasse que ele não devia ser comparado aos tolos incompetentes sob o seu comando. Isso compensou o desagrado de Alexei, que decidiu perdoar graciosamente a grosseria de seu irmão. Ficaria um hematoma avermelhado nas costas de sua mão, mas era uma marca de força, então podia ser perdoado. De fato, ele sempre costumava deixar passar tais palavras e ações vindas de seu irmão.
— Qual é o problema de um irmão mais velho vir ver seu irmão mais novo?
— Não acha que um assassino vir aqui é um problema por si só? Pensando bem, se você fosse o tipo de pessoa que considerasse tais coisas, não teria vindo aqui, para começo de conversa.
Embora houvesse uma diferença de idade de seis anos, o tom de Valeri era excessivamente rígido para uma conversa entre irmãos. O desprezo e o ódio que continha eram um bônus.
Alyosha sorriu sem dizer nada enquanto olhava para o rosto bonito que expressava sua aversão sem filtros. Ele já estava acostumado com isso há muito tempo, mas, às vezes, aquela expressão e aquele tom faziam uma parte de seu coração doer. Como agora.
No passado, Valeri costumava segui-lo por toda parte, como um cachorrinho. O garoto de 13 anos era baixo, por isso era delicado e adorável, como se fosse desmoronar se tocado.
— Alyosha, para onde você está indo? Eu quero ir também!
Como o rosto dele era bonito quando estendia as duas mãozinhas e agarrava sua perna. Chegava ao ponto de se sentir culpado por ver um rosto daqueles antes de ir espancar alguém. De qualquer forma, houve uma época em que ele o chamava de Alyosha e sorria o tempo todo. Definitivamente houve dias assim, embora Alexei os tivesse pisoteado com suas próprias mãos.
No momento em que a imagem de Valeri, ensanguentado e espalhado pelo chão, veio à mente, Alexei apagou o pensamento. Apegar-se a lembranças era um ato ocioso que não lhe convinha.
Diante do silêncio incomum de Alexei, que não retrucou imediatamente como de costume, a expressão de Valeri endureceu. Uma emoção difícil de interpretar cintilou no rosto que estava preenchido apenas por desgosto. Alexei não viu isso, pois estivera encarando algum ponto no ar vazio. Por fim, endireitou-se e deu um tapinha leve na bochecha de Valeri.
— Um assassino, isso é pesado.
“Eu nunca matei ninguém, garoto bonito.” Alexei engoliu essas palavras. Ele se perguntou se valia a pena dizer isso. Em Saratov, Alexei era publicamente conhecido como o cão de Igor, e as pessoas costumavam dizer que ele devia ter matado pelo menos 50 pessoas. Diante da voz baixa, tingida de um sorriso, a expressão de Valeri voltou a se fechar, e ele deu um passo para trás.
— Saia agora mesmo ou eu chamo a segurança.
— Nós temos que ir juntos. Eu vim te buscar.
Não importava o quanto Valeri desprezasse Alexei, ainda havia uma regra inquebrável entre eles. Tinham que jantar juntos. Não importava quão tarde fosse nem o que acontecesse, desde que ninguém morresse, eles tinham que ir.
Alexei fazia Valeri cumprir essa promessa. Depois “daquele dia”, quando o garoto tinha 13 anos, houve vezes em que Alexei intimidou Valeri, em quem nunca mais havia encostado a mão, e, quando isso não funcionava, deixava-se ferir de propósito, a ponto de voltar para casa todo machucado. Valeri amolecia nessas horas. Sempre que Alexei estava com dor, Valeri, com o rosto cheio de raiva e nojo, praguejava enquanto ainda cuidava do irmão.
Como poderia odiar um irmão assim, por mais duras que fossem suas palavras?
— Eu tenho um compromisso antes.
— Você é bom de piada.
— Não. — Valeri cortou as palavras de Alexei com firmeza. Alexei, ainda com um sorriso no rosto, ergueu calmamente o olhar para Valeri, que continuou: — Comecei a sair com alguém. Vou passar a noite com ele hoje.
Diante da observação inesperada, Alexei encarou Valeri em silêncio. Saindo com alguém? Um garoto tão jovem? Desconcertado pelas palavras absurdas, Alexei logo percebeu uma coisa. Valeri havia completado vinte e um anos este ano. Isso significava que já haviam se passado dois anos desde que ele se tornou adulto. Alexei teve seu primeiro Ômega aos dezessete anos. Igor lhe deu um Ômega bonito, dizendo que estava na hora de ele perder a virgindade.
Embora sua aparência fosse mais bonita do que a de qualquer Ômega, Valeri também era um Alfa. Já era hora de ele começar a ver Ômegas.
O fato óbvio desconfortavelmente atingiu sua mente. Ele pensou em um cigarro. Resistindo ao impulso de tirar o isqueiro do bolso interno do terno, Alexei soltou uma única frase.
— Venha para casa, pelo menos.
— Isso não é da sua conta.
— Venha para casa. Não vou repetir duas vezes.
Apagando o sorriso do rosto, Alexei encerrou a conversa. A raiva tomou os lindos olhos verdes quando Valeri se virou bruscamente para olhá-lo, mas Alexei o ignorou e saiu do banheiro primeiro, antes que pudesse ser agarrado. Ele se sentia péssimo. Era natural que seu irmão conhecesse seu próprio Ômega agora que havia se tornado adulto, mas ainda assim ele se sentia daquele jeito. Havia economizado uma quantia considerável de dinheiro para o dia em que Valeri finalmente se tornasse independente, mas, tolamente, não havia pensado nisso.
Que ele seria o único que restaria na casa.
Segurando-se à força, tirou um cigarro e o acendeu, depois caminhou com passos largos para fora do corredor. Um membro da companhia que passava e o viu com o cigarro estava prestes a dizer algo, mas fechou a boca diante de sua aura ameaçadora. Alguém o deteve bem no momento em que Alexei, de cigarro aceso, estava prestes a sair do saguão.
— Não fume dentro.
Um Ômega de cabelo preto macio e olhos azuis gentis falou com ele. Alexei virou a cabeça ao ouvir as palavras vindas do lado. Quando olhou para baixo, viu um rosto bonito. Ao contrário do rosto delicado, que podia parecer fraco, o olhar que encontrou o seu era bastante confiante. Alexei o examinou em silêncio.
Eu conheço esse rosto.
Ele não sabia se a outra pessoa se lembrava dele, mas Alexei o viu em um arquivo. O parente da agente do DEA, Khaleesi, que estava ameaçando Igor. Ele lembrava que seu pai havia sido detetive ali, mas morreu em serviço por causa de Igor, muito tempo atrás. Dizia-se que o filho havia ido para Nova Iorque após a morte do pai, mas parecia que ele havia retornado.
— Ah, é mesmo?
Alexei agiu como se não soubesse e esmagou o cigarro com a mão. As brasas laranjas se espalharam por sua mão. O calor foi momentâneo. O Ômega, ou melhor, Lian Vinter, a quem ele só havia visto em arquivos, sorriu fracamente.
— Obrigado.
Ele deu um leve aceno com a cabeça. Vendo-o vestido com um terno casual, parecia que seu propósito ali era claro. Então, do nada, o rosto de Valeri veio brevemente à mente. Certamente não. Não havia como Valeri estar saindo com um Ômega daqueles. Apagando o pensamento ocioso, Alexei virou o corpo. Então, assim que passou por Lian Vinter, jogou fora o cigarro e acendeu um novo. Quando abriu a porta, o vento cortante e gélido soprou e bateu em sua bochecha. O céu noturno estava sombrio.
⛧°. ⋆༺༒︎༻⋆. °⛧
Desde que o sol se pôs, ele se sentiu absolutamente péssimo.
Começou a nevar durante a noite. Não há primavera em Saratov, apenas um verão morno. Mesmo sendo março, a neve que chegava até as panturrilhas cobria as estradas. Alexei acordou cedo, com o som do limpa-neves ao amanhecer, e percebeu que Valeri não havia voltado para casa.
— Lerusha.
Como uma pessoa procurando uma criança brincando de esconde-esconde, Alexei chamou o nome com uma voz persuasiva. Sua voz baixa ecoou pela casa. O apartamento, onde eles haviam crescido a vida toda, apenas os dois e sem adultos, estava silencioso. Pisando no silêncio que se estendia pelo chão, Alexei caminhou pelo corredor estreito e abriu a porta do quarto de Valeri. A luz fraca do amanhecer preenchia a cama. Não havia ninguém lá.
“Ha… isso é bom pra caralho.”
Alexei examinou o quarto em silêncio. De fato, havia muitos dias em que Valeri não voltava para casa. Mas, geralmente, era um padrão de jantar e depois sair para praticar novamente. Nunca houve um dia como hoje, em que ele sequer desse as caras.
Ele realmente planeja se tornar independente?
Desde que adquiriu idade suficiente para trabalhar meio período por conta própria, Valeri não aceitava uma única coisa de Alyosha. Ele pagava suas próprias despesas de vida e taxas da sala de prática por meio de patrocínios ou trabalhando duro, e Alexei apenas apoiava as taxas de suas aulas. Valeri recusava-se a aceitar desde que o relacionamento deles havia azedado.
Houve uma época em que ele costumava chorar e implorar para dormirem juntos.
Alexei levou a mão ao cigarro por hábito, depois suspirou e sentou-se na cama de Valeri. Desde que o irmão se tornara adulto, ele nunca mais pudera entrar em seu quarto, por isso, o aroma que preenchia o aposento parecia desconhecido. Os feromônios de Valeri lembravam sua própria aparência. Perfumados e agudos. Era como um perfume de flor suave, mas, se você o cheirasse de perto, havia uma doçura picante. Mesmo para Alexei, que detestava o cheiro de outro Alfa, os feromônios de Valeri eram agradáveis.
“Como devo te punir?”
↫─☫ Continua….
ᯓ★ Nenhuma das situações apresentadas neste capítulo referem-se/ se baseiam em fatos reais.
˙⋆✮ Se possível, apoie o autor na plataforma oficial.✮⋆˙
⌀ ⌀ ⌀
✦ Tradução, revisão e Raws: Lᥙ꧑ᥲ Hᥲrtzᥣᥱr
Ler The First Commandment (Novel) Yaoi Mangá Online
SINOPSE
— Eu te disse que podia fazer qualquer coisa por você.
Alexei, notoriamente conhecido como o cão de Igor na cidade onde Igor reina, é obcecado por seu irmão Valery, um bailarino, mas o trata com frieza. Ao saber que Valery estava saindo com Lian Vinter, um parente do policial Kalisz Vinter, que estava na cola de Igor, Alexei não pôde mais ficar de braços cruzados. Era evidente que Igor mataria Valery. Alexei implorou para Valery terminar com Lian, mas Valery, que há muito desprezava Alexei, ignorou suas palavras…
Nome alternativo: 1 The First Commandment