Ler Alphega (Novel) – Capítulo 92 Online


Modo Claro

Aos ouvidos de Kanghyeon, que havia recomposto o ânimo, chegaram os passos de Taerim.

— Hyung, o que o médico disse?

Taerim, que se aproximara com o rosto preocupado, observou a expressão de Kanghyeon. Sua aparência não estava boa, mas também não parecia à beira de desmoronar de imediato. Era um rosto que também parecia ter tomado alguma decisão por conta própria.

Kanghyeon, olhando para Taerim à sua frente, hesitou por um instante.

O fato de a criança ter vindo ao mundo era um grande segredo que precisava, por ora, ser absolutamente guardado. Se, por acaso, a notícia da gravidez chegasse aos ouvidos do pai, ele poderia ser forçado a interromper a gestação. Já que decidira ter o filho, a prioridade máxima era protegê-lo a qualquer custo.

Mas, mesmo escondendo e protegendo, precisaria acompanhar o estado do bebê, então frequentar o hospital era indispensável. Os outros hospitais eram, todos, lugares sem nenhuma informação sobre alfegas como ele, e não havia como impedir que a notícia chegasse aos ouvidos do pai.

Por isso, precisava de Taerim. Usando-o como escudo, sua ida a esse hospital não levantaria suspeitas, e não haveria risco de a informação vazar.

Kanghyeon, com uma expressão de pesar por Taerim, entreabriu os lábios. Antes dele, foi Taerim quem falou primeiro.

— Eu não disse?

Taerim parecia ter lido algo na expressão de Kanghyeon.

— Que, mesmo que hyung dissesse que não precisava, eu ia pagar essa dívida de qualquer jeito.

Kanghyeon se lembrou do que Taerim lhe dissera antes.

— Obrigado. Vou pagar essa dívida de alguma forma, custe o que custar.

— Mesmo que hyung diga que não precisa, eu vou pagar. Então, sempre que houver algo em que eu possa ajudar, me diga o que for.

Taerim tinha o rosto de quem dizia que aquilo, na época, não fora só uma frase de cortesia.

— Eu estou incondicionalmente do seu hyung.

Kanghyeon, agora sem a sombra de culpa, mas com uma gratidão sincera, esboçou um pequeno sorriso.

— …Obrigado.

Kanghyeon já se preparava para contar a Taerim o diagnóstico do médico e seus próprios pensamentos.

Foi então.

— Diretor-Geral!

Jeong Wonwoo entrou apressado no corredor, o rosto tenso, aproximando-se rapidamente.

— O presidente mandou verificar até as câmeras de segurança do apartamento de seis semanas atrás.

— As câmeras?

Kanghyeon, com expressão intrigada, arregalou os olhos ao ouvir o que Wonwoo disse em seguida.

— Parece que ele quer confirmar se houve algum visitante externo no andar mais alto durante o período do rut do Diretor-Geral. E também ordenou que investigassem o paradeiro do Diretor Kwon Haeil no mesmo período.

Kanghyeon percebeu na hora por que Baek Jungman havia mandado checar todas as câmeras de seis semanas atrás.

O rosto de Kanghyeon empalideceu num instante. Tendo apenas conseguido, com esforço, aceitar a gravidez até então, a sensação repentina de mais uma crise fez sua cabeça rodar.

Apoiou-se na parede para não cambalear. A superfície branca da parede, ao toque de sua mão, pareceu gelada como gelo.

Wonwoo, mesmo tendo visto o rosto de Kanghyeon, não conseguiu deixar de falar, e acrescentou, com expressão pesarosa:

— Do jeito que está, o Diretor Kwon Haeil corre perigo.

Kanghyeon, com o rosto confuso, cerrou os dentes com força.

Se não houve nenhum visitante externo no andar mais alto durante o rut, e se ficasse evidente que Kwon Haeil também estivera de folga naquele mesmo período, era óbvio que ele seria suspeito de ser o parceiro.

Para o pai considerar que precisava afastar Kwon Haeil dele, essa suspeita já seria suficiente.

Kanghyeon perguntou, mesmo sabendo que não adiantaria.

— Não há como impedir isso?

O rosto de Wonwoo estava tão sombrio quanto o de Kanghyeon.

— Pelo que sei, as câmeras de seis semanas atrás já foram todas obtidas.

Kanghyeon fechou com força os olhos confusos, sem saber o que fazer.

Não demoraria muito para revisar as gravações obtidas. E o resultado dessa verificação também chegaria rapidamente aos ouvidos do pai.

Não havia solução.

Passar o rut entre dois alfas nunca é algo fácil. Mesmo entre um casal de alfas, era algo claramente difícil por causa da repulsa entre os feromônios. Isso, o pai, que se casara com a mãe, sabia muito bem.

Portanto, no momento em que descobrisse que os dois haviam passado o rut juntos, o pai jamais voltaria a vê-los como simples parceiros de negócios ou amigos.

— Se seu pai julgar que algo atrapalha você, ele vai remover isso, seja lá o que for.

— Se ele descobrir o que essa pessoa realmente é para você, será a primeira coisa que ele vai atacar.

Era exatamente como Baek Seongju havia dito.

O pai acharia que o motivo de ele recusar o noivado era Kwon Haeil. Como ele seria um obstáculo ao ideal que o pai desejava, certamente o pai não hesitaria em removê-lo por qualquer meio.

‘Não posso ficar parado, de braços cruzados. O que eu faço? Devo ligar agora mesmo e dizer para ele se esconder em algum lugar por um tempo? Mas isso não vai resolver nada. O que eu faço afinal…’

Kanghyeon abriu as pálpebras que havia fechado com força. Seus olhos, ainda trêmulos, desceram até seu baixo-ventre.

‘…Ainda nem contei sobre esse filho.’

Ele queria contar a Kwon Haeil que tinham um filho. Mesmo que ele acabasse por desprezá-lo e nunca mais quisesse vê-lo, pensou que precisava, sem falta, avisá-lo, já que era um filho que os dois haviam feito juntos.

Mas, do jeito que as coisas estavam, longe de contar, sequer conseguiria proteger tanto Kwon Haeil quanto o filho.

Tudo estava se emaranhando.

O plano de recusar o noivado por meio ano e assumir a sucessão à força já era, praticamente, água passada.

Em meio ano, seu ventre já estaria bastante crescido. Naquele estado, seria impossível assumir a sucessão com naturalidade.

Assim que o pai percebesse que ele estava grávido, suspenderia provisoriamente a sucessão.

O filho alfa dominante, que se acreditava impecável, na verdade era um alfega que possuía justamente o hormônio ômega que tanto detestava. Além disso, o fato de ele ter engravidado como um ômega certamente causaria um enorme choque ao pai.

Os acionistas que apoiavam o alfa dominante Baek Kanghyeon, seguindo o pai, também hesitariam, cada um a seu modo, diante dessa situação confusa. No instante em que o título de “excelente alfa dominante” se transformasse em “mutante”, o dano à imagem da empresa seria inevitável.

Assim, conforme o tempo passasse, o ideal que ele sonhara até então ficaria repleto de feridas. Obter forças para proteger aqueles que amava também se tornaria algo cada vez mais distante.

Kanghyeon, sem conseguir esconder a ansiedade, pensou em Kwon Haeil.

‘Não tenho tempo.’

Mesmo enquanto refletia assim, a investigação das câmeras avançava rapidamente, e logo o resultado chegaria ao pai. Era questão de tempo até que Kwon Haeil estivesse em perigo.

Kanghyeon mordeu os lábios com tanta força que quase sangrou, mergulhando em pensamentos profundos.

Minutos depois.

Os olhos de Kanghyeon, tomados por uma sombra densa, voltaram-se para Taerim e Wonwoo.

˚˚˚

Kwon Haeil, mesmo naquela manhã em que estava a ponto de morrer de sono, não perdia o sorriso. Seu humor parecia tão bom, a ponto de voar, que até os funcionários, ocupados demais organizando a bagunça da casa noturna, olhavam para ele repetidas vezes.

Kwon Haeil, que não dormira e fora até a famosa joalheria de Cheongdam-dong, saboreava com prazer o coquetel em sua mão. Era um Negroni encorpado, feito com grãos de romã que ele havia comprado no caminho.

Seu gosto pessoal era por algo mais leve e refrescante, mas, só hoje, tinha uma vontade enorme de beber justamente aquele Negroni.

Sentado ao bar do lounge VIP, inclinando o copo gelado, o gerente Park se aproximou de Kwon Haeil.

— Pode beber assim desde a manhã?

— Por que não posso? Pra mim, manhã é noite.

Ao saborear o aroma de romã que enchia sua boca, sorriu de orelha a orelha, e o gerente Park fez uma cara de nojo, como se estivesse enjoado. O rosto de Kwon Haeil, naquele momento, estava mesmo bastante desleixado de tão feliz.

Os olhos de Haeil, enquanto apreciava o Negroni, pousaram sobre o estojo de acessório colocado bem à sua frente, na mesa do bar. Os olhos de Haeil se curvaram de contentamento.

‘Será que ele vai gostar? Vai gostar, não vai? Vai gostar.’

Kwon Haeil e Baek Kanghyeon tinham, todos os dias, um clima tão bom entre eles que seria estranho se não gostassem um do outro. Havia uma energia envolvente, quase palpável, de como ambos se apoiavam de coração e trocavam afeto.

Por isso, Kwon Haeil resolveu também arriscar um pouco de ambição.

Queria se tornar mais do que uma relação especial, queria redefinir o que eram um para o outro.

Seu peito, que já formigava, começou a bater descontroladamente. Estava tão ansioso que sentia até um formigamento por dentro.

‘Hoje não vou conseguir dormir mesmo.’

Com tanta tensão e expectativa, que dormir, nada.

Sentia que poderia passar vários dias sem fechar os olhos. Seu coração batia tanto que era impossível se conter.

Haeil, balançando o copo já vazio de Negroni, murmurou:

— Ah… Porra… Quero ver o Baek Kanghyeon…

Diante do murmúrio de Haeil, o gerente Park fez uma cara de nojo. Não importando o que os outros pensassem, Haeil repetia o nome de Baek Kanghyeon várias vezes, como se estivesse hipnotizado.

Será que o desejo de Kwon Haeil se realizara?

O celular vibrou, e, ao pegá-lo, viu que era exatamente o nome que ele tanto esperava.

‘Como será que ele sabia que eu estava pensando nele.’

Que ligação, bem na hora certa.

O canto da boca de Haeil se ergueu tanto que quase chegou às orelhas.

Prestes a atender, Haeil, olhando para o número na tela, inclinou a cabeça com curiosidade. Era o número de celular de Kanghyeon, sim, mas não era o de trabalho, e sim o pessoal.

‘Ele não está na empresa agora? Por que estaria usando esse número a essa hora?’

Quando estava na empresa, Baek Kanghyeon nunca ligava do celular pessoal. Mesmo quando entrava em contato raramente, era sempre pelo celular de trabalho, e o conteúdo nunca era nada pessoal. Se realmente quisesse falar de algo pessoal, mandava, no máximo, uma ou duas mensagens de texto pelo celular pessoal.

Assim, receber uma ligação do celular pessoal, justamente num horário em que ele obviamente estaria na empresa, era algo inédito.

‘Pensando bem, ele disse que ia passar em algum lugar antes… será que ainda está fora?’

Kanghyeon não dissera aonde iria. Só falara que sairia um pouco mais cedo que de costume, que tinha um lugar para passar, e que Haeil não precisava se preocupar, podia sair do trabalho tranquilo.

Não poder vê-lo, mesmo indo e voltando do trabalho no mesmo ritmo, doía como se fosse nos ossos, mas Haeil também precisava se mover para a abertura da joalheria, então respondeu que estava bem.

Seria porque não se viram hoje?

‘Estou meio tenso, sem motivo.’

Como tinha ficado acordado a noite toda e não conseguira dormir, preocupado que a voz estivesse rouca, pigarreou umas duas vezes antes de atender. No canto de sua boca havia um sorriso radiante, de tirar o fôlego.

— Oi, Baek Kanghyeon. Que surpresa, ligar a essa hora?

O gerente Park, ao lado, ao ouvir o nome “Baek Kanghyeon”, ergueu os olhos arregalados para os que estavam ao redor. Levantou o dedo indicador à boca, transmitindo em silêncio a mensagem de “calem a boca”, e os que cruzaram olhar com ele começaram, apressados, a se calar.

— Tenho algo pra falar.

— Na verdade, eu também tenho algo pra falar, que bom.

Haeil olhou para o estojo de acessório sobre a mesa. Ao se lembrar do que havia dentro dele, sua voz ganhou um tom de riso de contentamento.

— Fala primeiro.

Haeil cedeu a palavra sem hesitar.

‘Primeiro vou perguntar o horário de saída de hoje e reservar, na hora certa, um restaurante do hotel…’

Imaginando a si mesmo e Baek Kanghyeon sentados frente a frente num restaurante com boa vista noturna, com o rosto empolgado, Haeil ouviu uma voz gélida demais.

— A gente devia parar de se ver.

Naquele instante, a mente de Kwon Haeil, embriagada em toda sorte de imaginações felizes, ficou completamente branca num só golpe.

⊱✿⊰ ─── Α · Β · Ω ─── ⊱✿⊰

Continua….

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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna

Ler Alphega (Novel) Yaoi Mangá Online

Sinopse:
Baek Kanghyeon, o herdeiro oculto e quarto filho do presidente do Grupo Baekcheong, guarda um segredo: ele é um tipo raro com 99% de características Alpha e 1% de características Omega.
Tendo vivido toda a sua vida como um poderoso Alpha dominante, seu mundo muda repentinamente quando Kwon Haeil surge em seu caminho.
— Acho que posso morrer de tanto gostar de você, Baek Kanghyeon-ssi.
Kwon Haeil, um Alpha obstinado que só sabe seguir em frente para conseguir o que deseja, rapidamente se torna uma presença indispensável na vida de Kanghyeon—
— Parabéns. Você está grávido de seis semanas.

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