Ler Alphega (Novel) – Capítulo 83 Online


Modo Claro

- Capítulo 83 –

O salão do Baile de Caridade era um grande espaço de eventos em um hotel ricamente decorado.

Os lustres dourados e brilhantes emitiam uma luz calorosa, condizente com as palavras doação e caridade, e a agradável música clássica tocada por uma orquestra ao vivo preenchia o ambiente de forma suave.

No centro do salão, mesas redondas elegantemente arrumadas estavam dispostas em intervalos regulares. Mas, como o programa já havia terminado e todos estavam em plena conversa, não havia muitas pessoas sentadas às mesas.

O local onde as pessoas se aglomeravam era na área do coquetel em pé, onde podiam conversar enquanto tomavam uma bebida leve. Baek Kanghyeon também estava ali, seguindo o presidente Baek Jungman.

Ao redor dos dois, várias personalidades importantes estavam reunidas.

— Ouvi as notícias, presidente. Dizem que em breve o senhor vai passar o cargo de presidente para seu filho ao lado.

— O senhor ainda está tão saudável, não está se apressando demais?

Baek Jungman soltou uma risada jovial e amigável.

— Haha, no ano que vem já estarei com setenta anos. É melhor eu ir recuando antes que me achem um velho teimoso.

Baek Jungman, falando de forma alegre, deu um tapinha nas costas de Kanghyeon, como quem mostra orgulho, e disse aos presentes:

— E foi só o anúncio que demorou, mas este é um filho que venho preparando como sucessor há muito tempo. Não há defeitos a apontar, então quero logo colocá-lo numa posição alta e ficar observando tranquilamente.

— Realmente, com essa aparência tão promissora, o presidente Baek não deve ter preocupação nenhuma.

— Ouvi dizer que a capacidade dele também é excepcional. Dizem que os resultados já são impressionantes, não é?

— Pelos comentários, recentemente ele assumiu um projeto de grande escala e está comandando pessoalmente…

Com a conversa se estendendo, Kanghyeon começava a sentir cansaço.

Palavras vazias, sorrisos tão largos que chegavam a preocupar os músculos do rosto, uma atmosfera evidente de quem queria criar laços a qualquer custo.

Nada daquilo combinava com Kanghyeon.

Ele pensava que seria melhor estar trabalhando do que perdendo tempo com aquilo.

— Presidente Baek, há quanto tempo não o vejo.

Uma voz nítida atravessou as vozes das pessoas. Ao identificarem o dono daquela voz, as pessoas começaram a se dispersar discretamente. Não era exatamente por medo, mas porque sentiram que não era lugar para elas.

Kanghyeon virou a cabeça na direção da voz. Dois homens de meia-idade, vestindo ternos pretos impecáveis, se aproximavam.

Kanghyeon reconheceu imediatamente os dois rostos familiares. Além de serem frequentemente mencionados na mídia, ele já os tinha encontrado algumas vezes no passado.

Lee Juhyeok, presidente do Grupo Shinwoo, e Jung Suhyeon, presidente do Grupo Muyeol.

Eram os presidentes que ocupavam duas das três posições dos maiores grupos da Coreia e também eram marido e marido. Por isso, ver os dois juntos parecia tão natural que não causava estranheza. Ao mesmo tempo, a primeira impressão que vinha à mente era a de que combinavam perfeitamente.

O presidente Baek Jungman, ao reconhecer os dois, mudou sutilmente sua atmosfera. Diferente de como tratava os outros, uma cautela indefinível emanava dele discretamente. Apenas os dois presidentes à sua frente e Baek Kanghyeon perceberam isso.

Baek Jungman não deixou transparecer a cautela que naturalmente surgia. Com um sorriso natural nos lábios, recebeu os dois com uma expressão descontraída.

— Ora, ora, não são os dois presidentes famosos por sua boa harmonia conjugal?

— O presidente Baek dizer isso nos deixa constrangidos. O original não é o senhor?

O presidente Lee Juhyeok respondeu levemente e desviou o olhar. Ele se dirigiu a Kanghyeon com familiaridade.

— Há quanto tempo. Parabéns de coração por estar prestes a suceder o presidente Baek.

Baek Jungman fez questão de soltar um “eh-heh”, fingindo descontentamento.

— Você continua falando sem rodeios, hein?

— Mas o que eu disse não está errado, está?

— É por estar certo que não estou te calando a boca.

Baek Jungman, como se já tivesse trocado esse tipo de conversa com Lee Juhyeok outras vezes, ria levemente sem demonstrar incômodo. Jung Suhyeon, que estava ao lado de Juhyeok, cutucou seu flanco com um olhar de quem não sabia o que fazer.

Jung Suhyeon, com um sorriso afetuoso, estendeu a mão para cumprimentar Kanghyeon.

— Agora poderemos nos ver com mais frequência. Fico no aguardo.

Com seu rosto de beleza impecável, que fazia esquecer sua idade, e aquele sorriso, ele parecia elegante a ponto de causar admiração.

Kanghyeon apertou a mão de Suhyeon e retribuiu com um pequeno sorriso.

— Eu é que peço sua orientação.

Baek Jungman, que observava os dois, olhou ao redor e perguntou:

— Mas por que hoje vocês estão sozinhos? Deixando de lado a Hanseol, que está na filial nos Estados Unidos, e o Jinhyang?

Lee Hanseol, Lee Jinhyang.

Eram a filha e o filho nascidos de Lee Juhyeok e Jung Suhyeon.

Entre eles, especialmente o nome Lee Jinhyang era muito familiar para Kanghyeon.

Lee Jinhyang era uma ômega de alto status que o presidente Baek Jungman há muito havia escolhido como o par ideal para Kanghyeon. Por isso, desde pequeno, por ordem do pai, ele teve oportunidades de encontrá-lo ocasionalmente.

Mas, quando se encontravam, era só sentarem-se frente a frente na mesma mesa, passarem o tempo em silêncio e se despedirem. Como Jinhyang parecia ter uma desconfiança considerável em relação a alfas de alto status, Kanghyeon se lembrava de ter tomado inibidores de feromônio de alfa à força nos dias em que o via, só para evitar problemas.

Dizia-se que Lee Jinhyang agora havia encontrado seu par e vivia dias felizes, e Kanghyeon achava isso sinceramente bom.

Suhyeon respondeu à pergunta de Baek Jungman com um sorriso.

— Na verdade, o Jinhyang está grávido do segundo filho. Já está no final da gestação.

Baek Jungman fez uma expressão de surpresa fingida.

— Mas não faz nem um ano que ele teve o primeiro, não foi?

Juhyeok e Suhyeon apenas sorriram de bom humor, em vez de responder. Vendo isso, Baek Jungman também soltou uma gargalhada.

— Hahaha, parece que os dois também têm uma vida conjugal muito boa. Que bom que já estão vendo os netos. Deixa eu ver, e o primeiro filho do Jinhyang é uma filha ômega, não é, se não me engano?

Baek Jungman, enquanto remexia na memória, disse com naturalidade:

— Pensando bem, é uma pena. Se tivesse se casado com nosso Kanghyeon, com certeza teria gerado alfas excelentes.

Mesmo com uma frase que poderia ser facilmente ofensiva, os dois presidentes mantinham o sorriso no rosto. Kanghyeon admirava em silêncio a capacidade deles de não demonstrar emoções tão facilmente.

No passado, foram eles que rejeitaram a ideia do presidente Baek Jungman de unir Baek Kanghyeon e Lee Jinhyang, com a justificativa de que “respeitariam o desejo do filho”.

Do ponto de vista do presidente Baek Jungman, foi uma oportunidade perdida de fortalecer os alicerces unindo as três maiores famílias empresariais por laços de parentesco. Além disso, seu precioso filho alfa acabou sendo rejeitado, o que certamente não era agradável. Por entenderem isso, os dois apenas sorriam sem graça diante das palavras ressentidas de Baek Jungman.

Mas, por mais que fosse, Kanghyeon achava as provocações alfa-supremacistas de seu pai tão constrangedoras que não conseguia erguer a cabeça.

‘Meu pai diz esse tipo de coisa num lugar desses como se fosse nada…’

Embora fossem presidentes muito mais jovens que Baek Jungman, eles eram, de fato, dois dos pilares dos três maiores grupos do país. Não eram pessoas para quem se devessem dizer tais coisas.

‘Depois vou ter que me desculpar pessoalmente com eles.’

Kanghyeon rangeu os dentes, sentindo uma profunda vergonha de Lee Juhyeok e Jung Suhyeon.

Baek Jungman, que alternava o olhar entre os dois, soltou um “ah” e gesticulou de forma exagerada.

— Ora, falei bobagem. Foi porque fiquei tão frustrado que acabei dizendo isso, então esqueçam.

Em seguida, Baek Jungman disse com ar de genuína inveja:

— Vocês dois são os que eu mais invejo. Estou tão ansioso para pegar um neto no colo que não aguento mais.

— Mas o presidente Baek já tem netos, não tem?

Com a resposta de Juhyeok, que escondia suas emoções, Kanghyeon naturalmente se lembrou de seu irmão mais velho, Baek Seongju.

Casado com uma alfa, ele já era pai de dois filhos. Mas Baek Jungman tratava os dois filhos ômegas como se não existissem.

Baek Jungman envolveu carinhosamente o ombro de Kanghyeon.

— Eu quero é pegar no colo o filho do nosso Kanghyeon.

Seus olhos cheios de expectativa se voltaram para Kanghyeon.

— Com certeza será um filho alfa adorável.

Kanghyeon não disse nada, mantendo a boca firmemente fechada.

Não era apenas por causa do constrangimento com seu pai, que falava como se nada além de alfas fosse necessário. Havia outro motivo maior.

Ele queria dizer: não espere nenhum filho de mim, muito menos um alfa.

Queria gritar: em vez disso, trate os filhos de Baek Seongju e os futuros filhos de outros irmãos como seus preciosos netos.

Mas sabia que não era uma situação em que pudesse responder com tanta franqueza, então só lhe restava o silêncio.

‘…Que sufoco.’

Enquanto sentia o aperto no peito, Kanghyeon também se sentia um pouco aliviado.

Antigamente, quando o estresse se acumulava como agora, ele começava a sentir uma dor incômoda na parte inferior do abdômen. Mas, depois da rut com Kwon Haeil, por alguma razão, as dores na parte inferior do abdômen haviam desaparecido. Graças a isso, mesmo sob estresse extremo, ele conseguia suportar sem maiores problemas.

No entanto, isso não significava que o cansaço também tivesse sumido. Pelo contrário, como o cansaço se acumulava além de um certo ponto sem nenhum freio, o estresse só aumentava até chegar ao limite.

Por alguma razão, hoje parecia que seria assim.

Quando sua tez começava a piorar, felizmente apareceu alguém para salvá-lo.

— Olá, presidente.

Quem se aproximou com um rosto alegre foi ninguém menos que Seong Taerim. Seu pai, de aparência amigável, o seguia e cumprimentava.

Depois de trocarem saudações calorosas, Taerim de repente agarrou o braço de Kanghyeon como se o estivesse envolvendo.

— Já que nos encontramos depois de tanto tempo, podemos sair para conversar em particular, não é?

Diante do pedido de Taerim, Baek Jungman, surpreendentemente, deixou Kanghyeon ir facilmente. Disse que, de qualquer forma, tinha assuntos mais profundos para tratar com o pai de Taerim e até acrescentou que podiam conversar à vontade.

A atitude gentil de Baek Jungman ao tratar Taerim despertou a estranheza de Kanghyeon. Antes, ele mal recebia um cumprimento com um sorriso, mas hoje, até o tom de voz e a atmosfera eram visivelmente mais afetuosos.

Por alguma razão, ele teve um mau pressentimento.

Antes que pudesse ter certeza do que era aquele pressentimento, foi puxado por Taerim. Como queria escapar daquela atmosfera sufocante nem que fosse por um momento, ele cedeu o braço sem resistência.

Passando por entre as pessoas agitadas, Kanghyeon saiu do salão e seguiu Taerim até uma sala de descanso vazia.

Afrouxando levemente a gravata que o apertava, ele se sentou num sofá individual. Taerim trouxe um copo de vidro com suco gelado.

— Você está se esforçando muito, hyung.

Agradecendo, Kanghyeon pegou o copo e bebeu o suco. Depois de só ter bebido vinho ou coquetéis no salão, colocar na boca um suco que podia beber sem cerimônia fez com que ele o engolisse como se fosse água. Talvez não fosse por causa do suco, mas por estar num espaço onde não precisava se preocupar com os outros.

Taerim bebia o mesmo suco que Kanghyeon, com os olhos ligeiramente baixos.

— Hyung também percebeu, não percebeu? O clima.

Os dedos de Kanghyeon tremeram.

O clima a que Taerim se referia provavelmente era o mesmo mau pressentimento que ele sentira.

— Acho que assim que este evento terminar, eles vão começar a conversar de verdade. Pelo que parece, mais da metade já está encaminhado.

Kanghyeon olhou para Taerim com o rosto tenso. No rosto radiante de Taerim, havia um sorriso amargo.

— Vou avisar logo.

Uma voz sem forças escapou entre os lábios de Taerim.

— Eu não tenho forças para desafiar meu pai ou o presidente. Como hyung sabe, não tenho poder nem posição nenhuma.

Mesmo que ele gritasse que não queria, a única coisa que receberia seriam as lágrimas de seu pai. E por trás dessas lágrimas, haveria um futuro em que a empresa, não apenas abalada, mas completamente destruída.

Taerim deu de ombros com um sorriso forçado.

— Parece que a empresa está em perigo. Se descuidar, não vai ser apenas ruir, mas virar pó. E muito.

Taerim lembrou da noite anterior, quando seu pai o segurou e chorou desesperadamente.

Ele disse que a única esperança era a Baekcheong. Era impossível rejeitar friamente o pai, que até se ajoelhou pedindo ajuda.

Seu pai amava a empresa a ponto de dar a própria vida se pudesse. Por isso, sempre desejou se conectar profundamente com um pilar tão forte como a Baekcheong.

Taerim sabia que seu pai queria usá-lo pela empresa, mas desta vez não teve escolha a não ser obedecer. A empresa, que era o próprio sonho de seu pai, estava em situação tão crítica.

— Eu, desde pequeno, sempre dei muita dor de cabeça ao meu pai. Por isso, já não tenho mais espaço para dar mais dor de cabeça.

Taerim, que falava com um ar melancólico, sorriu abertamente como se quisesse dissipar a atmosfera pesada.

— Você vai entender, não vai?

Taerim disse, com um rosto iluminado por um sorriso radiante, propositalmente em tom de brincadeira.

— E, quer saber, hyung não seria uma má escolha. Se tivéssemos nos conhecido quando éramos crianças, talvez eu não tivesse te soltado.

— Para com esse papo furado.

Kanghyeon respondeu como se fosse um suspiro, e Taerim fez biquinho.

— Pode não acreditar em outras coisas, mas isso foi verdade.

Kanghyeon soltou uma risadinha, pegou Taerim pelo braço, sentou-o em seu lugar e se levantou. Como se fosse natural, ele também pegou os copos vazios.

— Vou dar um jeito de cortar isso sem causar danos da minha parte.

— Você nem finge que está pensando. Para mim, isso já está bom, não está?

— Está bom. Mas como é que vou mexer com alguém que já tem o coração em outro lugar.

Ao ouvir as palavras de Kanghyeon, Taerim estremeceu de surpresa. Kanghyeon, que estava de costas segurando dois copos vazios, não viu a reação de Taerim.

Taerim observou Kanghyeon, que enchia os copos vazios com suco novamente, e soltou um pequeno suspiro.

‘Ele é esperto em coisas estranhas.’

Não sabia quando tinha sido descoberto, o que o deixou tenso sem motivo.

Mesmo assim, ele tinha argumentos para rebater.

— Mas não é só por esse motivo, hyung. Mesmo que eu dissesse que gosto de você de verdade, você fingiria que não viu.

Taerim, segurando o copo de suco que Kanghyeon lhe deu, estreitou os olhos.

— É por causa daquele alfa que você não quer, não é?

— Daquele alfa…

Kanghyeon percebeu tardiamente a quem Taerim se referia e desviou o olhar, constrangido.

— …Não é nada disso.

Taerim riu silenciosamente, com olhos interessados.

‘Não é nada disso, não. Tá tão na cara.’

Taerim, que ria de bom humor, logo assumiu uma expressão de resignação.

— Seria bom se hyung conseguisse cortar isso, mas desta vez provavelmente não vai ser fácil.

Taerim ergueu o copo de suco. Através do líquido translúcido e ondulante, o rosto de Kanghyeon se refletia.

— Porque hyung está prestes a assumir a sucessão, mais ainda.

Não demorou muito para Kanghyeon entender o que aquelas palavras significavam.

⊱✿⊰ ─── Α · Β · Ω ─── ⊱✿⊰

Continua….

⌀ ⌀ ⌀

✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna

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Sinopse:
Baek Kanghyeon, o herdeiro oculto e quarto filho do presidente do Grupo Baekcheong, guarda um segredo: ele é um tipo raro com 99% de características Alpha e 1% de características Omega.
Tendo vivido toda a sua vida como um poderoso Alpha dominante, seu mundo muda repentinamente quando Kwon Haeil surge em seu caminho.
— Acho que posso morrer de tanto gostar de você, Baek Kanghyeon-ssi.
Kwon Haeil, um Alpha obstinado que só sabe seguir em frente para conseguir o que deseja, rapidamente se torna uma presença indispensável na vida de Kanghyeon—
— Parabéns. Você está grávido de seis semanas.

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