Ler Lamba-me se puder – Capítulo 281 – Extra 55 Online


Modo Claro

Sugar Baby

 

Nathaniel definitivamente não era do tipo que sentia prazer em ver os irmãos sendo repreendidos. Talvez estivesse apenas curioso para saber o que havia acontecido.

De qualquer forma, oportunidades de passar um tempo a sós com o filho mais velho eram raras, então Koy não recusou e caminhou ao lado dele.

Enquanto percorriam o longo corredor, Nathaniel permaneceu em completo silêncio, como sempre. Incapaz de suportar aquele silêncio pesado e sufocante, Koy começou a procurar desesperadamente um assunto.

— E a escola? Como tem sido? Está tudo bem?

— Está.

— Acho que você cresceu mais.

— Um pouco.

— Se algum dia quiser conversar sobre alguma coisa, pode me procurar, está bem?

— Sim.

Em menos de cinco minutos, Koy já estava completamente esgotado.

Em momentos assim, ainda bem que tenho vários filhos. Se fosse só o Nathaniel, seria muito difícil… Parece que o Nathaniel não precisa nem de mim nem do Ash.

Ao pensar nisso com um leve aperto no peito, lembrou-se do que Ariel havia dito mais cedo. Lançando um olhar discreto para o filho, cuja altura já quase igualava a sua, inclinou a cabeça de lado.

— Nathaniel… com quem você acha que se parece?

Mais uma vez, a resposta foi curta.

— Com meu pai.

— Ah… é, claro…

Sem graça, Koy coçou a bochecha. Desistindo de continuar a conversa, os dois seguiram caminhando em silêncio. Só quando já estavam quase chegando ao destino Koy percebeu para onde Nathaniel o estava levando. 

Era a segunda cozinha. Lá de dentro vinham sons de objetos se chocando. Temendo que as crianças estivessem mexendo nos utensílios e acabassem se machucando, Koy acelerou o passo.

Na cozinha principal, onde os cozinheiros trabalhavam, sempre havia funcionários por perto. Mas a pequena cozinha do segundo andar, usada apenas para preparar lanches rápidos e bebidas, normalmente ficava vazia. 

Se algum acidente acontecesse ali, era óbvio que demorariam a socorrer as crianças. Depois do que acontecera com Chase, Koy ficou ainda mais apreensivo. Sem conseguir esconder a ansiedade, ultrapassou Nathaniel e correu para dentro da cozinha.

— Stacey, Grayson.

Ao chamá-los pelo nome, os dois perceberam a presença de Koy e arregalaram levemente os olhos.

Devem estar felizes em me ver.

Foi isso que Koy pensou enquanto se aproximava deles. Com exceção de Chase, era muito difícil saber o que os outros filhos estavam sentindo. Suas expressões quase nunca mudavam e, às vezes, apenas o tom de voz variava um pouco, então Koy só conseguia imaginar seus sentimentos. Ele os examinou rapidamente, mas não encontrou nenhum sinal de que estivessem machucados.

— Ufa…

Só então soltou um suspiro de alívio e olhou ao redor. Sobre a bancada havia várias cascas de ovos, uma tigela e uma garrafa de leite derramada, cujo conteúdo havia escorrido em boa quantidade.

— O que vocês estavam fazendo?

Koy perguntou, intrigado.

— Queríamos fazer uma receita.

Foi Stacey quem respondeu.

Eles poderiam ter pedido ajuda a algum funcionário…

O pensamento lhe ocorreu por um instante, mas ele logo balançou a cabeça.

Não, são só crianças brincando. Além disso, quando crescerem, precisam aprender a cozinhar um pouco sozinhas. Não é bom se acostumarem a depender dos outros para tudo.

— Entendo. Estão se divertindo?

— Ainda não.

Grayson balançou a cabeça.

— A parte divertida ainda não começou.

— É…?

Koy não entendeu muito bem o que ele quis dizer, mas decidiu não insistir, imaginando que fosse apenas o jeito de uma criança falar. Foi então que ouviu uma voz atrás de si.

— O senhor disse que queria perguntar uma coisa aos gêmeos.

Ao ouvir aquilo, Koy virou a cabeça automaticamente. Nathaniel estava encostado no batente da porta, observando os três.

Então o Nathaniel também ficou curioso.

Sorrindo um pouco sem jeito, Koy voltou sua atenção para os gêmeos.

— Na verdade, eu queria perguntar uma coisa para vocês.

— O quê?

— O quê?

Os dois ergueram o rosto para ele com olhares inocentes. Tentando agir com a maior naturalidade possível, Koy abriu a boca e perguntou em um tom gentil.

— Há pouco eu encontrei o Chase caído no pé da escada, chorando. Vocês sabem o que aconteceu?

Ao ouvir a pergunta, os gêmeos trocaram um olhar. Aquela reação fez a suspeita de Koy se transformar em certeza.

— Grayson, Stacey… vocês não podem maltratar seu irmãozinho.

Com o rosto franzido, Koy tentou repreendê-los com calma.

Mas os gêmeos pensavam diferente.

— A gente só estava ajudando o Chase.

Ao ouvir Grayson, Stacey concordou vigorosamente e completou:

— Isso. O Chase não consegue descer a escada direito. Então nós ajudamos para ele descer de uma vez.

As crianças respondiam com absoluta confiança. E justamente por isso Koy sentiu um frio percorrer seu peito.

— …Como?

‘Não pode ser.’

Sentindo o coração bater descontroladamente, Koy esperou a resposta. Grayson respondeu com um sorriso inocente:

— Se ele rolar, desce mais rápido! 

Por um instante, Koy sentiu a cabeça girar. Mas não parou por aí. Stacey continuou, toda animada:

— E foi divertido! O Chase ficou super animado! Ele até ficou gritando!

— Grayson! Stacey!

Ao ver os gêmeos tão empolgados de verdade, Koy chamou seus nomes energicamente. Ele achou que tivesse sido apenas uma briga boba, mas nunca imaginou que eles o tivessem empurrado escada abaixo. A imagem fez um arrepio percorrer seu corpo. Koy respirou fundo para tentar acalmar a respiração ofegante.

Eles ainda são pequenos. Não sabem distinguir direito o que é certo e o que é errado. Calma. Se eu explicar direitinho agora, eles vão entender. Devagar…

Diante dos gêmeos, que apenas o observavam sem compreender, Koy falou com toda a paciência que conseguiu reunir.

— Não se empurra uma pessoa na escada. Se algo der errado, ela pode se machucar feio. O Chase chorou por um bom tempo até conseguir dormir.

— Mas a gente só tava ajudamos!

— E o Chase desceu super rápido!

Os dois continuavam protestando, incapazes de entender o problema. Pareciam querer, de qualquer jeito, que Koy reconhecesse que haviam feito a coisa certa pelo irmão mais novo.

Sozinho eu não vou conseguir. Talvez eles escutem melhor o Ashley.

Ultimamente, ele estava negligenciando as crianças porque estava assistindo às aulas como ouvinte, e Ashley geralmente passava bastante tempo com elas. Decidindo que conversariam sobre a educação das crianças quando Ashley voltasse, Koy tentou encerrar o assunto por enquanto.

— De qualquer forma, nunca mais façam isso, entenderam?

Sem insistir para que compreendessem naquele momento, Koy apenas fez a advertência. Os gêmeos se entreolharam e, em seguida, observaram Koy com cautela.

Será que finalmente entenderam que fizeram algo errado?

Quando Koy começou a nutrir essa esperança, Stacey abriu a boca:

— Então a gente não pode mais brincar com o Chase?

Grayson emendou logo depois:

— A gente nunca mais vai poder brincar com o Chase?

— Não… não é isso…

As perguntas sucessivas deixaram Koy sem palavras outra vez.

Nessa idade eles já não deveriam conseguir distinguir o que pode e o que não pode?

Não… ainda são pequenos. É preciso explicar cada situação com detalhes, para que não fiquem confusos.

— Bater ou empurrar alguém não é brincar. Se vocês não fizerem esse tipo de coisa, podem brincar à vontade.

Koy olhou alternadamente para os dois enquanto continuava:

— Não se deve usar violência. Empurrar alguém na escada é muito perigoso, entenderam? Não façam isso nem com o Chase, nem com qualquer outra pessoa. Nunca.

Depois que ele repetiu aquilo com firmeza, Stacey foi a primeira a responder:

— Tudo bem. Vamos fazer assim.

Grayson acrescentou imediatamente:

— Mas nós só fizemos isso para o bem do Chase.

Franzindo as sobrancelhas, como se estivesse sendo injustiçado, ele continuou:

— O papai sempre diz que a gente tem que ajudar os outros. Foi por isso que fizemos aquilo.

— Sim… agora vocês já entenderam, então da próxima vez não façam mais isso.

Embora sorrisse para tranquilizá-los, por dentro Koy estava cheio de preocupações.

O que eu faço agora?

Pensando bem, aquela nem sequer era a primeira vez que algo perigoso acontecia. As brincadeiras dos gêmeos às vezes passavam dos limites. Koy sempre os advertia, mas jamais imaginou que chegariam ao ponto de empurrar o irmão escada abaixo.

Pelo menos desta vez não aconteceu nada grave, mas se no futuro acontecer algo que não possamos controlar, o que faremos?

Se o Ash souber…

Por um instante, um mau pressentimento tomou conta dele. Logo depois, Koy balançou a cabeça para afastar aquele pensamento. Ashley também era pai das crianças. Ele tinha o direito — e a responsabilidade — de saber de tudo para que pudessem educá-las juntos. Koy pretendia conversar apenas sobre a educação dos filhos dali em diante, mas, depois do que acontecera, achou melhor contar exatamente tudo o que havia ocorrido.

Ele já deve estar para chegar…

Koy olhou para o relógio na parede.

— Papai! Papai!

Koy olhava para o relógio na parede, mas ao ouvir o chamado, virou a cabeça. Grayson estendia um prato com um pedaço de bolo.

— Experimenta o bolo que eu fiz.

Então era por isso que eles tinham deixado toda a bancada da cozinha daquele jeito…

Ao ver aquele bolo desajeitado, claramente feito pelas mãos de uma criança, Koy não conseguiu conter um sorriso.

 

°

°

Continua….

 

Tradução:  Ana Luiza

Revisão:  Thaís

 

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Em breve será disponibilizado uma sinopse!
Nome alternativo: Kiss Me If You Can

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