Ler Lamba-me se puder – Capítulo 277 – Extra 51 Online


Modo Claro

Sugar Baby

 

Não teria sido difícil ignorar e apenas continuar, já que ele ainda estava dentro de Koy e sabia muito bem onde e como tocá-lo para fazê-lo se contorcer de agonia.

No entanto, era óbvio que forçar a situação só levaria a arrependimento depois. Não importava o que Ashley fizesse, Koy sempre o perdoaria. Mesmo assim, Ashley também sabia que não deveria fazer isso. Porque a situação já havia terminado.

— Haa…

Depois de soltar um longo suspiro, Ashley deu mais um beijo nos lábios de Koy antes de erguer o corpo lentamente. A sensação de algo longo e pesado se retirando de dentro de seu ventre fez Koy franzir o nariz e estremecer os quadris.

— Fique deitado.

Depois de pedir isso a Koy, Ashley vestiu o roupão e caminhou até a porta. Enquanto isso, a criança continuava batendo sem parar, como se nunca fosse se cansar.

— Huu…

Soltando mais uma respiração profunda para conter a raiva que fervia dentro de si, Ashley segurou a maçaneta, permaneceu imóvel por um breve instante e, por fim, abriu a porta. A criança, que batia na porta com toda a força, ficou parada com a mão suspensa no ar.

Do alto de sua estatura, Ashley olhou para aquele pequeno ser, que, aos seus olhos, mal parecia se erguer do chão. Piscando os grandes olhos, a criança inclinou a cabeça o máximo que pôde para trás e o encarou.

— O que foi?

Ashley perguntou em voz baixa. Chase piscou os olhos enquanto o encarava. O terceiro filho dos Miller e o quarto na ordem de nascimento, Chase era uma criança excepcionalmente sensível desde bebê e chorava com frequência. Por causa disso, três babás se revezavam para carregá-lo e acalmá-lo durante a noite, passando quase todas as madrugadas em claro.

Sempre que isso acontecia, Koy se sentia terrivelmente culpado, sem saber como compensá-las. Ele próprio queria cuidar de Chase durante a noite, mas, por causa de Ashley, nunca conseguia.

Ashley não fazia ideia do motivo de Chase estar fazendo aquilo e, para ser sincero, também não se importava em saber. Quando sua irritação fez seu feromônio se intensificar, Chase estremeceu. Talvez por instinto, ao perceber o perigo, a criança deu alguns passos para trás e acabou caindo sentada no chão.

Assim como Nathaniel, os outros filhos também cresciam de forma extraordinariamente rápida. Chase havia começado a andar muito cedo e agora já perambulava por todos os cantos da mansão, vivendo para importuná-lo.

Desta vez também, Chase certamente havia saído correndo pelo enorme corredor e batido em todas as portas que encontrou. Sem hesitar, Ashley se abaixou e o pegou no colo. Nesse instante, a babá, que vinha andando pelo corredor e viu a cena, arregalou os olhos e correu até eles.

— Meu Deus, Sr. Miller! Peço mil desculpas. Bastou eu me distrair por um instante…

Provavelmente ela não havia fechado a porta direito. Não era a primeira vez que isso acontecia, então seria até ridículo repreendê-la novamente. Ainda assim, também não era algo que pudesse simplesmente deixar passar.

E se alguma coisa tivesse acontecido com as crianças e elas se machucassem… Koy ficaria arrasado.

Ashley franziu a testa enquanto entregava Chase de volta. Foi então que o mordomo, que vinha junto com a babá, apressou-se em dizer:

— Vou orientar toda a equipe e providenciar medidas para evitar que isso volte a acontecer.

Como se já soubesse o que o patrão ia dizer, ele falou rapidamente. Ashley o olhou em silêncio por um momento e, sem dizer nada, virou-se para voltar ao quarto. Mas, infelizmente, Koy já estava espiando pela porta.

— Chase!

Chamando o filho pelo nome, Koy saiu imediatamente e o abraçou com força.

Ashley observou a cena com uma expressão de desagrado. Naquele momento, Koy já havia sido completamente “roubado” pela criança.

Droga… Eu devia mesmo ter saído daqui.

Era fim de semana, e ele pretendia passar o dia inteiro rolando na cama com Koy nos braços. Mas seus planos haviam sido cruelmente arruinados.

Por culpa daqueles malditos…

Nathaniel nunca tinha feito esse tipo de coisa, mas as outras crianças sempre pareciam interromper os momentos em que Ashley tentava ficar sozinho com Koy, como se soubessem exatamente o que estavam fazendo. Diante da mesma situação mais uma vez, ele não conseguiu deixar de desconfiar daquele pequeno ser.

De braços cruzados, Ashley encarava os dois com uma expressão severa, enquanto Koy brincava alegremente com Chase, completamente feliz.

Preciso encontrar uma solução.

Tinha que haver alguma maneira de desviar a atenção de Koy das crianças. Mais cedo ou mais tarde, os filhos acabam achando os pais um incômodo. Dois ou três anos, no máximo. Imerso em seus pensamentos, Ashley começou a procurar alguma ideia que pudesse fazer Koy mudar o foco.

O tempo que Ashley levou para pensar não foi longo. Uma semana depois, ele ligou para Koy e o convidou para almoçarem juntos.

— O quê? Assistir às aulas como ouvinte?

Sem perceber, Koy acabou gritando de surpresa. Ao notar imediatamente os olhares das pessoas ao redor voltados para ele, abaixou a cabeça apressadamente, envergonhado. Do outro lado da mesa, Ashley apenas tomou um gole de vinho com toda a calma do mundo. Depois de pousar a taça, disse:

— Isso mesmo. É uma oportunidade de assistir às aulas do professor Floyd durante seis meses. Mesmo quem não é aluno da universidade pode enviar uma inscrição, e eles aceitam alguns participantes.

O professor Floyd era uma das maiores autoridades em ciências espaciais, alguém que Koy admirava profundamente. Poder assistir às aulas de uma pessoa assim? Mesmo sem ser estudante daquela universidade?

— E-eu… qualquer pessoa pode mesmo assistir?

— Sim, pode.

Ashley confirmou mais uma vez com um sorriso tranquilo. Ainda assim, Koy simplesmente não conseguia acreditar. Continuava de boca aberta, incapaz de aceitar aquilo. Como Ashley já esperava essa reação, tirou um envelope de documentos e o estendeu para ele.

Ainda atordoado, Koy abriu o envelope. Dentro havia vários formulários e um folheto informativo. Assim que começou a ler o que estava escrito, prendeu a respiração e cobriu a boca com uma das mãos.

Enquanto isso, Ashley tomou outro gole de vinho e explicou, com toda a naturalidade:

— É a autorização para assistir às aulas como ouvinte. Também estão aí os horários, as instruções e algumas observações. Leia tudo com calma quando chegar em casa.

Koy não conseguia desviar os olhos dos papéis. Piscava repetidas vezes, olhava para Ashley, voltava para os documentos, lia novamente, tornava a olhar para ele… repetindo esse ciclo várias vezes.

— C-como… como você conseguiu isso…?

Gaguejando, mal conseguia formar uma frase completa. Ashley, porém, respondeu com a tranquilidade de quem já havia preparado aquela explicação.

— Consegui a informação por acaso. Como as vagas eram preenchidas por ordem de inscrição, não havia tempo para te explicar antes, então fiz a inscrição primeiro. O resultado saiu hoje.

Então acrescentou, em um tom atencioso:

— Agora que as crianças já cresceram um pouco, acho que está na hora de você também fazer algo de que realmente goste.

E, pensando em tranquilizá-lo, completou:

— Se não quiser, pode cancelar a qualquer momento, então não se sinta pressionado.

— Claro que eu vou! Eu vou assistir sim, com toda certeza!

Como se temesse que aquilo fosse tirado dele, Koy apertou o envelope contra o peito.

— É… é verdade… 

Soltando um suspiro quase inaudível, ele murmurou. Seu peito parecia transbordar de emoção, a ponto de suas pernas perderem a força. Observando sua reação, Ashley sorriu e perguntou:

— Não tem nada para me dizer?

— Obrigado, Ash. Eu te amo.

Koy conteve a vontade de gritar de felicidade e confessou em voz baixa. Com as duas mãos cerradas e os olhos já marejados, ele fez Ashley sorrir satisfeito, como se aquela fosse exatamente a recompensa que esperava.

Koy voltou a olhar os papéis, relendo-os várias vezes com as mãos trêmulas. 

Poder assistir às aulas como ouvinte… E ainda por cima às aulas do professor Floyd…

Quando recebeu a ligação de Ashley convidando-o para almoçar, Koy mal tinha acordado. Ultimamente andava preguiçoso, e Ashley sabia que nesse horário Koy geralmente estava saindo do banho e indo ver os bebês. Para chegar a tempo do almoço, Koy teve que se arrumar às pressas e sair correndo de casa.

— Achei estranho você insistir tanto em almoçarmos fora.

Só então revelou a pequena dúvida que carregava desde cedo. Ashley respondeu com naturalidade:

— Recebi os documentos esta manhã. Queria te contar o mais rápido possível.

— Você podia ter me ligado… Você já é tão ocupado…

Misturando gratidão e culpa na voz, Koy falou baixinho. Ashley estendeu a mão sobre a mesa, segurou a dele e acariciou o dorso de sua mão.

— Porque eu queria ver a seu rosto cheio de felicidade.

Os olhos violeta de Ashley estavam repletos de carinho ao contemplar Koy. Aquela expressão tão cheia de afeto fez o peito dele parecer prestes a explodir.

— Quero te abraçar e te encher de beijos.

— Se é isso que você quer, então é claro que deve fazer.

Ashley abriu os braços generosamente. Koy teve vontade de se jogar neles naquele mesmo instante, mas, consciente dos olhares ao redor, permaneceu sentado, hesitando.

— Farei isso quando chegarmos em casa.

Sem alternativa, respondeu com um suspiro. Ashley baixou os braços e tirou algo do bolso, colocando-o sobre a mesa. Ao ver o cartão-chave preto, Koy arregalou os olhos. Piscou repetidas vezes, incrédulo, antes de perguntar:

— Não me diga… Você reservou um quarto? Já estava esperando que isso acontecesse?

 

°

°

Continua….

 

Tradução:  Ana Luiza

Revisão:  Thaís

 

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Em breve será disponibilizado uma sinopse!
Nome alternativo: Kiss Me If You Can

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